sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Avião cai e pega fogo sobre os trilhos de estação de trem em BH; piloto morreu

Aeronave saiu do Aeroporto da Pampulha e sofreu queda próximo à Estação São Gabriel, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (9). O piloto morreu carbonizado.


O avião monomotor Embraer EMB-711ST Corisco II Turbo, prefixo PT-VHE, caiu e pegou fogo próximo à Estação São Gabriel, na Região Nordeste de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (15). O piloto morreu carbonizado.

Segundo o Corpo de Bombeiros, na queda, a aeronave colidiu contra uma estrutura do galpão do Metrô BH, concessionária responsável pelo serviço metroviário na capital, e atingiu a fiação elétrica dentro do pátio de manutenção.

Monomotor pega fogo em linha férrea de estação em Belo Horizonte (Foto: TV Globo)
Até a última atualização desta reportagem, a identidade da vítima ainda não havia sido divulgada pelas autoridades. O avião tinha capacidade para quatro pessoas, sendo três passageiros, mas apenas o piloto estava a bordo.

O monomotor, de matrícula PT-VHE e modelo Embraer EMB-711ST Corisco II Turbo, havia decolado do Aeroporto da Pampulha (conheça aqui o modelo). A aeronave faria um pouso em Juatuba, na Grande BH, retornando em seguida para o mesmo local.


Ela é de propriedade de uma empresa de produção agrícola baiana e foi comprada pela marca em 2020. O UOL entrou em contato com a Bello Fruit Importação e Exportação para saber informações sobre o piloto e sobre a viagem que o avião faria, e aguarda retorno sobre o assunto.

Pedaço da aeronave ficou preso em poste após queda de
monomotor em Belo Horizonte (Imagem: CBMMG/Reprodução)
Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foram acionados para apurar as causas do acidente.

(Imagens cedidas a Itatiaia)
"Durante a ação inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação", afirmou o órgão.


Conforme Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião estava em situação regular e tinha certificado de inspeção válido até outubro de 2027. Ele estava registrado para uso privado e não possuía autorização para operações comerciais, como táxi aéreo ou transporte regular de passageiros.


Segundo o superintendente de Operação e Manutenção do Metrô BH, Roberto Fischer Machado, não houve registros de funcionários feridos ou vagão na linha férrea danificado. A circulação dos trens seguiu normalmente.

De acordo com a Companhia de Energia Elétrica de Minas Gerais (Cemig), não foram registrados danos à rede de distribuição de energia na região da estação São Gabriel.

Para permitir o trabalho de bombeiros militares, apenas a eletricidade do pátio de manutenção foi desligada.


Origem e produção da linha Corisco


O Corisco nasceu de um acordo de cooperação firmado em 1974 entre a fabricante brasileira Embraer e a norte-americana Piper Aircraft. O objetivo da parceria era modernizar o parque aéreo do país e reduzir a dependência da importação de aviões de pequeno porte, permitindo a fabricação sob licença em solo nacional.

A versão EMB-711ST Corisco II Turbo chegou às pistas no início da década de 1980, trazendo aperfeiçoamentos aerodinâmicos e estruturais. A principal mudança externa foi a adoção da empenagem em T, desenho em que o estabilizador horizontal fica instalado na extremidade superior do estabilizador vertical, afastando as superfícies de comando do fluxo de ar gerado pela hélice.

Especificações técnicas e motorização

A presença do turbocompressor no motor Continental de seis cilindros garantiu uma vantagem competitiva relevante para o modelo. Enquanto propulsores convencionais aspirados perdem rendimento conforme a altitude aumenta, o sistema turbo manteve a entrega de potência em níveis elevados, assegurando melhor desempenho em pistas com ar rarefeito e climas quentes.

O monomotor apresenta características operacionais que o tornaram frequente em aeroclubes e empresas de transporte privado:
  • capacidade para transportar até quatro pessoas, incluindo os tripulantes;
  • motor com 200 hp de potência acoplado a hélice de passo variável;
  • trem de pouso retrátil operado por sistema eletro-hidráulico;
  • velocidade de cruzeiro estimada em 270 km/h;
  • teto de serviço que pode ultrapassar 5.000 metros de altitude;
  • alcance operacional de até 1.300 quilômetros com reserva técnica.
Com essa autonomia de voo, o monomotor realizava rotas interestaduais sem paradas para reabastecimento. A cabine contava com instrumentação apta para voos visuais e operações por instrumentos, atendendo pilotos que buscavam progressão na carreira ou empresários em deslocamentos regionais.

Longevidade da aeronave no mercado brasileiro

Mesmo com o encerramento da produção há décadas, unidades do modelo seguem em operação regular pelo Brasil. A permanência do avião no mercado decorre da robustez estrutural da fuselagem e da grande disponibilidade de oficinas autorizadas para reparos no território nacional.

Para manter a autorização de voo junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), cada exemplar precisa passar por rigorosas vistorias anuais e trocas de componentes por tempo de uso. As causas técnicas e meteorológicas ligadas ao acidente na capital mineira passam por apuração do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Nota: O modelo específico da aeronave envolvida no acidente em Belo Horizonte é datado de 1988. Este artigo apresenta informações sobre o Embraer Corisco II Turbo como contexto da aviação geral brasileira.

Via g1, UOL, Itatiaia, Estado de Minas e ASN