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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sem estresse, nada seguro: como era viajar de avião antes do 11 de Setembro

Avião pousa com as Torres Gêmeas ao fundo em 1995 (Imagem: Getty Images)
A segunda temporada de "Friends" começou com "Aquele com a Nova Namorada do Ross". O episódio mostra Rachel (Jennifer Aniston) aguardando, ansiosamente, Ross (David Schwimmer) voltar de uma viagem.

Ela está na plataforma de desembarque, na boca do gol. Só que ele não está voltando de um passeio no interior, vindo de trem ou ônibus. Está voltando da China, de avião, e Rachel lá na frente do portão, porque era assim que os aeroportos funcionam em 1995.

Cena de "Friends" com portão de desembarque bem diferente de hoje (Imagem: Reprodução)
Para quem nunca viajou de avião no século 20, séries e filmes estão aí para mostrar como a experiência era muito diferente de hoje em dia. Você podia chegar ao aeroporto minutos antes de voar. Não precisava tirar casacos, sapatos ou enfrentar fila atrás de fila em procedimentos de embarque e segurança.

Era possível chegar aos portões de embarque sem passagem, da mesma maneira que Rachel fez. Até mesmo um documento de identidade era tão opcional e aleatório quanto o buquê de flores que ela levava no episódio.

Nos Estados Unidos, segurança nos aeroportos não era uma prioridade. Na Europa também não era muito diferente, e não havia regras básicas comuns a todos os países da União Europeia.

Mas nos EUA era pior. Máquinas de raios X eram o único mecanismo de segurança, porém seu uso não era mandatório. Segundo um estudo sobre a segurança dos aeroportos divulgado pela publicação científica "Open Journal of Business and Management", enquanto na Europa 80% das malas passavam pelos aparelhos no fim dos anos 1990, nos EUA eram só 10%.

Foi aí que um sujeito chamado Osama bin Laden viu uma oportunidade, e o mundo mudou em uma terça-feira de setembro de 2001.

"Antes do Onze de Setembro, a segurança era quase invisível, era feita para ser assim, algo de bastidores, imperceptível", explicou Jeff Price, especialista em segurança na aviação, à rádio americana NPR.

"Ela não interferia nas operações do aeroporto nem das aeronaves."

Só que os atentados terroristas de 2001, por mais inéditos que fossem em escala, organização, ousadia e trauma coletivo para a história americana, não foram inéditos em explorar as falhas da aviação no país. No auge da Guerra Fria, o país enfrentou a "era de ouro dos sequestros de avião", na definição do jornalista e escritor Brendan I. Koerner.

"Vai pra Cuba!"


Nos anos 1960, a aviação comercial era muito mais exclusiva e elitista do que em décadas mais recentes. Servir bons filés e taças de espumante era algo que acontecia até em voos curtos - e na classe econômica.

Fabricantes como a Boeing eram reverenciadas pelo pioneirismo tecnológico como as gigantes do Vale do Silício são hoje em dia. Companhias aéreas como a Pan Am tinham status de grife. Os bares e restaurantes do Aeroporto de Congonhas recebiam um público cativo, que não estava indo ou voltando de uma viagem. "Está se tornando um passeio tradicional nos domingos e feriados paulistas", dizia o jornal "O Estado de S. Paulo" em 1966.

Nos EUA, o foco dessa indústria nascente e lucrativa era agradar a endinheirada clientela. Não se pensava em segurança. Num país em convulsão social, sequestrar um avião era algo relativamente fácil e ainda servia como um ótimo palco para alguém transmitir uma mensagem, explica Koerner no livro "O Céu nos Pertence - O Maior Sequestro Aéreo de uma Época Insana" (Zahar).

Aviso no aeroporto de Washington DC, em 1969
(Imagem: Warren K Leffler/US News & World Report Collection/PhotoQuest/Getty Images)
Entre 1968 e 1972, mais de 130 aviões foram sequestrados nos céus do país. Uma média maluca de mais de um caso por quinzena. Às vezes acontecia semanas seguidas.

No princípio, a maioria dos sequestradores queria ir para Cuba. A revolução na ilha ainda era um evento recente, cercado de romantismo e expectativas entre parte da juventude americana.

Quando viram que mandar o piloto desviar a rota para Havana funcionava, teve sequestrador que passou a exigir mudanças de rota para outros países. Por fim, havia quem queria apenas dinheiro ou barras de ouro.

Sequestros de avião viraram uma epidemia porque funcionavam. As companhias aéreas muitas vezes cediam aos sequestradores, desviando o trajeto ou pagando o que exigiam. Elas não queriam investir em segurança, pois achavam que um detector de metais no aeroporto poderia ser uma chateação para seus ricos clientes ainda maior do que um eventual sequestro.

A aviação civil ainda era uma indústria incipiente. Seus líderes não queriam correr o risco de ver os passageiros optando por rodoviárias, onde não seriam tratados como suspeitos, tendo que se humilhar em filas com detectores.

Essa era a mentalidade, tão surreal aos olhos de hoje quanto os resultados que ela proporcionou. Sequestrar um avião com o intuito de levá-lo à idílica Cuba, tão misteriosa quanto próxima, se tornou tão corriqueiro que "Me leve para Cuba" virou um meme da época, explorado até pelo grupo de humor britânico "Monty Python".


Em 1968, a revista "Time" publicou uma reportagem intitulada "O que fazer quando os sequestradores chegarem". A matéria trazia informações sobre como proceder nesses casos e ainda tinha dicas para aproveitar um inesperado pernoite em Havana: "Apesar do regime de Castro, a maioria dos cubanos é realmente amigável".

Para lidar com a situação, as empresas aéreas topavam tudo, desde que não afetasse o conforto dos passageiros. Abriam enquetes para o público, e as sugestões podiam ser bizarras.

Uma, que não foi levada a sério, dizia para todos os passageiros usarem luvas de boxe no voo, assim não conseguiriam portar armas. Outra sugeriu a construção de uma réplica do Aeroporto José Martí, em Havana, no sul da Flórida. Bastava pousar lá e prender os tolos sequestradores em solo americano.

Mais impressionante do que a criatividade dessa ideia, só o fato de que, por um tempo, ela foi levada a sério.

As coisas só mudaram de figura quando os episódios ficaram mais violentos, com trocas de tiros entre sequestradores e o FBI, deixando mortos pelo caminho. Em 1972, três homens fizeram um avião de refém e o ameaçaram jogá-lo em um reator nuclear no Tennessee.

Foi a gota d'água. No ano seguinte, revistar todos os passageiros antes do embarque virou padrão. Nem tinha aparelho de raios X, era na base da inspeção manual mesmo.

Muitos temiam que o público desaprovaria, lembrou Koerner em uma entrevista ao site "Vox". Mas não. O oba-oba dos sequestros acabou, e a era de segurança nos aeroportos dava seus primeiros passos.

Só que bem devagarinho.

Na bagagem: líquidos, facas e explosivo


A sabedoria popular diz que onde há uma placa proibindo algo, é porque ali tem história. Procedimentos de segurança muitas vezes seguem essa máxima, e os aeroportos mudaram de acordo com a evolução das ameaças.

O perigo de uma catástrofe nuclear levou ao início das inspeções de passageiros. O Aeroporto de Nova Orleans foi o primeiro a instalar detectores de metal, em 1970. Mas, até 2001, as inspeções, o investimento em tecnologia e, especialmente, a paranoia estavam em um patamar muito inferior.

Segurança no Aeroporto de Denver, em 1995
(Imagem: Ralf-Finn Hestoft/CORBIS/Corbis via Getty Images)
Raio X só começou a ser uma realidade nos aeroportos brasileiros nos anos 1990 - e olhe lá. Segundo outra reportagem do "Estadão", em Cumbica, em 1990, somente malas de mão passavam pelo aparelho, enquanto passageiros eram inspecionados no detector de metais. Malas e pacotes despachados iam direto para o bagageiro do avião, o que permitiu, por exemplo, o envio de dinamite em caixas de papelão em um voo da Vasp do Rio para Porto Velho.

Menos de um mês após o Onze de Setembro, Fernando Perrone, então presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), escreveu na "Folha de S.Paulo" que toda a segurança que existia então precisava ser repensada:

"Basta lembrar o episódio de sequestro do avião da Vasp, no ano passado [16/8/2000], quando os ladrões estavam de posse de um revólver a bordo, partindo de um aeroporto com detector de metais e aparelhos de raios X".

Segundo o Relatório da Comissão do Onze de Setembro, os terroristas usaram facas e/ou lâminas de barbear para sequestrar os aviões. Provavelmente levaram essas peças no próprio corpo ou na mala de mão, e mesmo que elas fossem detectadas, não faria diferença, porque facas de até 10 centímetros eram permitidas a bordo.

Embarque em aeroporto norte-americano em setembro de 2000
(Imagem: mark peterson/Corbis via Getty Images)
"Às 8h, eles já tinham derrotado todos os níveis de segurança da aviação civil americana", informou o documento. Às 8h46, o primeiro avião atingiu as Torres Gêmeas.

Desde então, segurança se tornou uma obsessão no setor. Todas as mudanças que vieram, do ponto de vista dos passageiros quanto aos procedimentos que eles precisam seguir antes do embarque, foram respostas a ameaças pós-Onze de Setembro.

Precisa tirar os sapatos no aeroporto? Agradeça a Richard Reid, terrorista britânico que tentou detonar explosivos em sua bota em um voo de Paris para Miami, em dezembro de 2001. Ele falhou na tentativa, foi imobilizado por comissários e passageiros e acabou condenado à prisão perpétua.

Não pode embarcar com embalagens grandes de líquidos ou aerossóis? Culpa dos terroristas que, em agosto de 2006, tentaram usar explosivos líquidos em dez voos comerciais que saíram de Londres para cidades americanas e canadenses. Eles disfarçaram as bombas em garrafas de refrigerantes de 500 ml, mas o plano foi descoberto pela polícia britânica antes de entrar em ação.

Fica nervoso ao ter que passar por um scanner corporal? Não bastassem os detectores de metais, quem viaja ao exterior muitas vezes precisa encarar essa máquina em que você precisa abrir braços e pernas. Ela pode até não enxergar debaixo da roupa, mas pode ser inquietante para muita gente.

Isso começou por causa de um terrorista da Al-Qaeda (a organização fundada por Bin Laden) que embarcou em um avião que ia de Amsterdã para Detroit, no Natal de 2009, com uma bomba improvisada na cueca. Ele não conseguiu detonar o explosivo, possivelmente porque o excesso de umidade na calça estragou a mistura de produtos químicos usada.

O homem, o nigeriano Umar Abdulmutallab, apenas pegou fogo, ficou ferido e foi imobilizado por comissários e passageiros. Não houve maiores problemas no voo, e o terrorista cumpre prisão perpétua até hoje.

Via Felipe van Deursen (Nossa/UOL)

domingo, 12 de abril de 2026

Mitos do 11 de setembro sobre o voo 93 da United: desmascarados

O United 93 caiu em 11 de setembro de 2001. Aqui, eliminamos as teorias da conspiração para descobrir a verdade.

Memorial nacional do voo 93 (Foto: Jeff Swensen/Getty Images)
Setembro de 2022: A Torre das Vozes na Pensilvânia tem 93 pés de altura em homenagem ao voo 93 da United, o avião que caiu em 11 de setembro de 2001, quando os passageiros frustraram a tentativa dos sequestradores de bater o avião em um prédio. A torre possui 40 sinos de vento para os 40 heróis que morreram naquele dia.

Nas duas décadas desde os ataques de 11 de Setembro, os tipos de teorias da conspiração que giraram em torno dos ataques ao World Trade Center em Manhattan também afetaram a queda do voo 93. Aqui, no desmascaramento da Popular Mechanics (publicado originalmente em 2005), abordamos os mitos sobre aquele voo fatídico.

As gravações da cabine indicam que os passageiros do voo 93 da United Airlines se uniram para atacar seus sequestradores, forçando a queda do avião perto de Shanksville, um município no sudoeste da Pensilvânia. Mas os teóricos da conspiração afirmam que o voo 93 foi destruído por um míssil direcionado ao calor de um F-16 ou de um misterioso avião branco.

Alguns teóricos acrescentam elaborações absurdas: não havia terroristas a bordo ou os passageiros estavam drogados. A mais louca é a teoria dos “aviões bumble”, que afirma que os passageiros dos voos 11, 175 e 77 foram embarcados no voo 93 para que o governo dos EUA os pudesse matar.

O Jato Branco


ALEGADO: Pelo menos seis testemunhas oculares disseram ter visto um pequeno jato branco voando baixo sobre a área do acidente quase imediatamente após a queda do voo 93. BlogD.com teoriza que a aeronave foi derrubada por “um míssil disparado de um jato da Força Aérea ou por meio de um ataque eletrônico feito por um avião da Alfândega dos EUA que teria sido visto perto do local minutos após a queda do voo 93”.

O WorldNetDaily.com também comenta: “Testemunhas deste jato voando baixo... contaram sua história aos jornalistas. Pouco depois, o FBI começou a atacar as testemunhas com talvez a desinformação mais fútil de sempre – alegando que as testemunhas tinham realmente observado um jacto privado a 34.000 [pés]. O FBI diz que o jato foi solicitado a descer a 5.000 [pés] e tentar encontrar o local do acidente. Isso exigiria cerca de 20 minutos para descer.”

FATO: Havia um jato assim nas proximidades – um jato executivo Dassault Falcon 20 de propriedade da VF Corp. de Greensboro, Carolina do Norte, uma empresa de vestuário que comercializa jeans Wrangler e outras marcas. O avião da VF estava voando para o aeroporto Johnstown-Cambria, 32 quilômetros ao norte de Shanksville. De acordo com David Newell, diretor de aviação e viagens da VF, o Cleveland Center da FAA contatou o copiloto Yates Gladwell quando o Falcon estava a uma altitude “em torno de 3.000 a 4.000 pés”. Não 34.000 pés.

“Eles já estavam descendo para Johnstown”, acrescenta Newell. “A FAA pediu-lhes que investigassem e eles o fizeram. Eles desceram a 1.500 [pés] do solo quando circularam. Eles viram um buraco no chão de onde saía fumaça . Eles identificaram o local e seguiram em frente.” Contactado pela Popular Mechanics, Gladwell confirmou este relato, mas, preocupado com o assédio contínuo por parte dos teóricos da conspiração, pediu para não ser citado diretamente.

Motor itinerante


ALEGADO: Um dos motores do voo 93 foi encontrado “a uma distância considerável do local do acidente”, de acordo com Lyle Szupinka, policial estadual presente no local e citado no Pittsburgh Tribune-Review. Não oferecendo nenhuma evidência, uma postagem no Rense.com afirmava: “O corpo principal do motor... foi encontrado a quilômetros de distância do local principal dos destroços, com danos comparáveis ​​aos que um míssil direcionador de calor causaria a um avião comercial”.

FATO: Especialistas no local disseram à Popular Mechanics que um ventilador de um dos motores foi recuperado em uma bacia de captação morro abaixo do local do acidente. Jeff Reinbold, representante do Serviço de Parques Nacionais responsável pelo Memorial Nacional do Voo 93, confirma a direção e distância do local do acidente até a bacia: pouco mais de 300 metros ao sul, o que significa que o ventilador pousou na direção em que o jato estava viajando.

“Não é incomum que um motor se mova ou caia no chão”, diz Michael K. Hynes, especialista em acidentes aéreos que investigou a queda do voo 800 da TWA na cidade de Nova York em 1996. “Quando você tem velocidades muito altas, 500 milhas por hora ou mais”, diz Hynes, “você está falando de 700 a 800 pés por segundo. Para algo atingir o solo com esse tipo de energia, levaria apenas alguns segundos para saltar e viajar 300 metros.” Vários analistas de acidentes contatados pela Popular Mechanics concordam.

Indian Lake


ALEGADO: “Residentes e trabalhadores de empresas fora de Shanksville, Condado de Somerset, relataram ter descoberto roupas, livros, papéis e o que pareciam ser restos humanos”, afirma um artigo do Pittsburgh Post-Gazette datado de 13 de setembro de 2001. “Outros relataram o que parecia ser destroços do acidente flutuando em Indian Lake, a quase seis milhas do local imediato do acidente.”

Comentando relatos de que os residentes de Indian Lake coletaram detritos , ThinkAndAsk.com especula: “Em 10 de setembro de 2001, uma forte frente fria atravessou a área e, atrás dela, ventos sopraram do norte. Desde que o voo 93 caiu a oeste-sudoeste de Indian Lake, era impossível que os destroços voassem perpendicularmente à direção do vento. … O FBI mentiu.” E a importância dos detritos generalizados? Os teóricos afirmam que o avião estava quebrando antes de cair. TheForbiddenKnowledge.com afirma sem rodeios: “Sem dúvida, o voo 93 foi abatido”.

FATO: Wallace Miller, legista do condado de Somerset, disse à Popular Mechanics que nenhuma parte do corpo foi encontrada em Indian Lake. Os restos mortais foram confinados a uma área de 70 acres ao redor do local do acidente. Papel e pequenos pedaços de chapa metálica, entretanto, caíram no lago.

“Detritos muito leves voarão para o ar por causa da concussão”, disse o ex-investigador do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, Matthew McCormick. Indian Lake fica a menos de 2,4 quilômetros a sudeste da cratera de impacto – e não a seis quilômetros – facilmente ao alcance dos destroços lançados para o céu pelo calor da explosão do acidente. E o vento naquele dia era de noroeste, de 15 a 20 km/h, o que significa que soprava de noroeste – em direção a Indian Lake.

Piloto do F-16


ALEGADO: Em fevereiro de 2004, o coronel aposentado do Exército Donn de Grand-Pre disse no “The Alex Jones Show”, um talk show de rádio transmitido em 42 estações: “Ele [o vôo 93] foi abatido pela Guarda Aérea de Dakota do Norte. Conheço o piloto que disparou aqueles dois mísseis para derrubar 93.” LetsRoll911.org, citando de Grand-Pre, identifica o piloto : “O Major Rick Gibney disparou dois mísseis Sidewinder contra a aeronave e a destruiu em pleno vôo, precisamente às 09h58.”

FATO: Afirmando que estava relutante em alimentar o debate respondendo a acusações infundadas, Gibney (um tenente-coronel, não um major) recusou-se a comentar.

De acordo com o porta-voz da Guarda Aérea Nacional, Master Sgt. David Somdahl, Gibney pilotou um F-16 naquela manhã – mas longe de Shanksville. Ele decolou de Fargo, Dakota do Norte, e voou para Bozeman, Montana, para buscar Ed Jacoby Jr., diretor do Escritório de Gerenciamento de Emergências do Estado de Nova York. Gibney então levou Jacoby de Montana para Albany, Nova York, para que Jacoby pudesse coordenar 17.000 equipes de resgate envolvidas na resposta do estado ao 11 de setembro.

“Fico enojado ver isso porque o público está sendo enganado.” Jacoby confirma os acontecimentos do dia. “Eu estava no Big Sky para uma reunião de gerentes de emergência. Alguém ligou para dizer que um F-16 estava pousando em Bozeman. De lá voamos para Albany.”

Jacoby está indignado com a alegação de que Gibney abateu o voo 93. “Rejeito isso sumariamente porque o tenente-coronel Gibney estava comigo naquele momento. Me enoja ver isso porque o público está sendo enganado. Mais do que qualquer outra coisa, isso me enoja porque traz à tona medos. Traz esperanças – traz à tona todos os tipos de sentimentos, não apenas para as famílias das vítimas, mas para todos os indivíduos em todo o país e, nesse caso, no mundo. Fico irritado com a desinformação que existe por aí.”

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

História: Como os ataques de 11 de setembro impactaram uma cidadezinha no Canadá





Você já conhece essa história de cor: no dia 11 de setembro de 2001, 2 aviões sequestrados por terroristas se chocaram contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, um 3° atingiu o Pentágono e outro caiu na Pensilvânia antes de atingir seu alvo. Milhares de pessoas perderam suas vidas, uma guerra começou e todos lembram dessa tragédia até hoje.

Mas o assunto de hoje é uma história que também ocorreu durante o 11 de setembro, mas fora dos Estados Unidos (EUA). Uma história de medo, mas também de muita solidariedade e união. Não é um texto curto, mas vale a pena ler sobre como a cidadezinha de Gander, Canadá, recebeu milhares de pessoas de braços abertos em meio à catástrofe.

O espaço aéreo está fechado — e agora?


Assim que o segundo avião se chocou com a Torre Sul do World Trade Center, pouco depois das 9h da manhã do dia 11 de setembro, ficou nítido que se tratava de um ataque terrorista. Todos os voos foram cancelados, quem estava no ar precisou pousar imediatamente e todo o espaço aéreo dos EUA foi fechado até segunda ordem.

Os pilotos que já estavam no meio do caminho, em voos internacionais, precisou desviar para outros países, especialmente México e Canadá. Os "vizinhos de cima" dos EUA receberam a maior parte dos voos desviados, deflagrando a "Operação Fita Amarela" para lidar com tantas aeronaves em seu espaço aéreo. Além disso, havia o medo de que outros aviões sequestrados resolvessem atacar grandes cidades canadenses.


Desse modo, as autoridades canadenses mandaram todos os voos que poderiam voltar aos seus países de origem fazerem isso. Porém, aqueles que não tinham combustível suficiente pousaram basicamente em 2 aeroportos: em Halifax, capital da Nova Scotia, e Gander, uma cidadezinha de 10 mil habitantes que só recebia alguns voos regionais e aviões militares.

A fila de aviões em Gander, Newfoundland



Os voos vindos do Pacífico pousaram em Vancouver, uma das maiores cidades canadenses, e aqueles que vinham pelo Polo Norte pousaram no Yellowknife (capital do Território de Yukon), mas esses foram poucos voos. Os aeroportos mais movimentados naquele 11 de setembro de 2001 foram mesmo o de Halifax e de Gander. Porém, Halifax tem cerca de 400 mil habitantes e tinha estrutura para hospedar os passageiros saindo dos 40 aviões que pousaram no local.

Já Gander, na província de Newfoundland, recebeu 6,7 mil pessoas em 1 só dia — em uma cidade com 10 mil. As pessoas nunca tinham visto aviões tão grandes em seu aeroporto, quem dirá 38 deles. Tudo enquanto viam o terror em Nova York na tela da televisão.

Esta é uma representação artística dos voos desviados para o Aeroporto Internacional de Gander (Enviado por Seattle Repertory Theatre)
Dentro dos 38 aviões, o clima era de incerteza. Ninguém sabia onde estava: só viam florestas e um estacionamento cheio de aeronaves pela janela. Além disso, todos receberam a notícia de que ninguém poderia sair dos aviões e que os pilotos não poderiam contar o que houve — até que alguém recebeu a notícia dos ataques às Torres Gêmeas pelo celular. Essa situação foi da manhã de 11 de setembro até a noite. Ninguém saiu de nenhum dos aviões por horas e horas.

A acolhida dos moradores de Gander


Enquanto o clima de incerteza dominava todos os 6,5 mil passageiros, os 10 mil moradores de Gander começaram uma verdadeira operação militar para abrigar toda aquela gente na cidade. Segundo o prefeito, havia apenas 15 táxis na cidade, e o único serviço de ônibus era o escolar. Seus motoristas estavam de greve, porém concordaram em trabalhar de forma voluntária para transportar todos os passageiros até os abrigos improvisados. As escolas e as igrejas de Gander e das cidades na região abriram suas portas para receber as pessoas, que vinham de diversos países. Como ninguém sabia onde estava, alguém escreveu "Você está aqui" em um mapa no saguão do aeroporto.

Quando os passageiros saíram dos aviões, a grande surpresa: durante todo o dia em que eles ficaram presos, a cidade estava se preparando para recebê-los. O saguão do aeroporto estava repleto de mesas com comida e voluntários dispostos a ajudar. Mais de mil pessoas ficaram só na escola de Gander. A igreja recebeu pessoas da Moldávia que só falavam russo — e eles se entenderam por meio de passagens das bíblias de cada um, em seus idiomas.

Quando milhares de passageiros retidos chegaram a Gander durante o 11 de Setembro, os voluntários estavam prontos para coordenar uma resposta de emergência em grande escala (CBC)

De 6,7 mil estranhos para 6,7 mil amigos


Como todas as bagagens tiveram de ficar nos aviões, pelo temor de novos ataques, os 6,7 mil passageiros chegaram ao local somente com a roupa do corpo e suas bagagens de mão. Então, um programa de TV local, que trazia atualizações sobre a recepção dos passageiros em Gander, começou a pedir doações de roupas e mantimentos. Em pouco tempo, precisou pedir para as doações pararem, já que eram muitas! Um carregamento de frutas e verduras precisou ser armazenado em uma quadra de hóquei no gelo.

Ao longo dos próximos dias, os moradores de Gander prepararam comidas típicas da região e procuraram entreter os passageiros, que não podiam chegar às suas férias ou voltar para suas casas. Ao saber que uma família iria levar sua filhinha doente à Disney, os moradores da cidade organizaram uma festa infantil com o mascote de Gander — o pato Commander Gander.

Uma mãe com um filho bombeiro que atendeu aos chamados do 11 de setembro fez amizade com outra mãe de um bombeiro em Gander. As duas continuaram se correspondendo e deram apoio uma a outra quando se descobriu que o filho da americana realmente morreu no WTC ou mesmo quando o filho da canadense faleceu por um câncer, anos depois.

Um homem britânico e uma mulher americana, ambos voando de Londres para o Texas, se conheceram durante esses dias em Gander. Os dois se apaixonaram, se casaram e voltaram para a cidadezinha para comemorar a união com seus amigos locais.

No sábado — 5 dias depois dos ataques — os primeiros aviões começaram a decolar de volta para suas origens ou até seus destinos. Os passageiros deixaram caixas com doações e cheques em retribuição pelo esforço dos moradores de Gander. Até hoje, alguns deles voltam para visitar a cidade que lhes acolheu em meio à catástrofe. Em um documentário sobre essas histórias, o prefeito de Gander diz: "No primeiro dia, nós tínhamos 6,7 mil estranhos. No último, eram 6,7 mil amigos".

Uma história digna de cinema ou musical


Onze de setembro de 2001 é um dos dias mais tristes de que temos notícia, mas a solidariedade e o carinho dos moradores de Gander, Newfounland, é uma história incrível em meio ao caos — tão incrível que renderia um filme, não é mesmo?


Bem, Hollywood ainda não fez nenhum filme sobre Gander, mas 2 produtores fizeram um musical que estreou na Broadway em 2017 e foi indicado a 7 Prêmios Tony. Chama-se Come from Away, e a gravação dele está disponível no Apple TV+. Além disso, há o documentário You Are Here, que mostra toda a história até a produção do musical.

Via Megacurioso, CBC e Daily Mail

sábado, 13 de setembro de 2025

Sessão de Sábado: Filme "Voo United 93" (dublado)

No dia 11 de setembro de 2001, terroristas sequestram o voo 93 da United Airlines, além de outros três aviões. Os passageiros percebem a intenção dos criminosos e decidem enfrentá-los.

("United 93", EUA, 2006, 1h45min, Drama, Histórico, Dublado)

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Um arranha-céu moderno seria derrubado como o WTC em 11 de setembro? Arquitetos respondem


Quando o ataque às torres gêmeas de 11 de setembro de 2001 aconteceu, a previsão mais comum foi que havia acabado a era dos mega-arranha-céus. Ninguém iria construir mais alvos gigantes para terroristas no meio das cidades. No entanto, o que aconteceu foi o contrário: havia então 25 arranha-céus com mais de 300 metros no mundo. Hoje são mais de 200.

“Pensamos [que o 11 de setembro] daria fim às ambições de construir alto por muito tempo”, afirmou James von Klemperer, presidente do escritório Kohn Pedersen Fox, que já construiu dezenas de mega-arranha-céus pelo mundo, em entrevista à revista de arquitetura e design Dezeen. “Desde então, mais prédios altos foram feitos que os que existiam até então. Então podemos dizer que é uma espécie de renascença do design e desenvolvimento de prédios altos que aconteceu após o 11 de setembro.”

Falha nas torres


Será que todo mundo perdeu o juízo? Muito pelo contrário, dizem os arquitetos e engenheiros contemporâneos: o que aconteceu foi que a arquitetura de megaprédios teve uma verdadeira revolução após o ataque às torres gêmeas. Obviamente, para evitar que algo do gênero pudesse acontecer novamente.


E o fato é que um avião atingindo algo como o One World Trade Center (que substitui às torres originais), o Burj Khalifa (que, com 829,8 m, é ainda de longe o mais alto do mundo), e talvez até às torres brasileiras em Camboriú, teria quase chance nenhuma de causar o mesmo feito.

One World Trade Center (Imagem: Tdorante10/Wikimedia Commons)
Em 1966, quando as torres do World Trade Center ganharam sua pedra fundamental, elas foram projetadas pensando, sim, em impactos de aviões. Então a base era um Boeing 707, um avião médio da época, com um máximo de 151 toneladas na decolagem. O que atingiu foram Boeings 767-200 e 767-223-ER, mais ou menos com o mesmo tamanho. O WTC falhou em cumprir a função para a qual havia sido projetado.

Pense que as torres não caíram de uma vez, e não caíram pelo impacto direto dos aviões: foi um incêndio que enfraqueceu a estrutura dos edifícios até o colapso. E também foram as características da construção, com escadas de incêndio estreitas e pouco isoladas da fumaça, e elevadores que pararam imediatamente, que impediram que as pessoas que estavam acima do ponto de impacto pudessem escapar dos edifícios em chamas, levando a cenas aterradoras de pessoas se lançando do topo, em desespero.

Grandes mudanças após o 11 de setembro


Assim, a primeira mudança é a proteção a incêndios, com elevadores especiais isolados, permitindo o acesso a bombeiros, escadas separadas hermeticamente com portas corta-fogo, mais largas, e com acessos mais óbvios, e em material especial.

É algo parecido com o que aconteceu com São Paulo após o incêndio do Edifício Joelma de 1974 traumatizar o país. Os códigos de construção da cidade se tornaram os mais estritos do país, e todo prédio comercial feito a partir de então conta com essas características.

Outra coisa foi um controle maior de segurança de entrada – para evitar ataques por solo ou terroristas interessados em estudar o prédio. Isso está sendo agilizado por tecnologia de reconhecimento facial.

E, talvez o mais importante de tudo: a estrutura dos prédios não é mais a mesma. Hoje prédios gigantes são feitos com redundância estrutural. Significa que, se parte da estrutura de sustentação se perder, outras partes podem manter a estrutura em pé. A ideia é evitar o que se chama de colapso progressivo: uma parte caindo sobre a outra, levando tudo ao chão. Que foi exatamente o que aconteceu no WTC.

Burj Khalifa (Imagem: Donaldytong/Wikimedia)
“Se outro avião atingisse um [prédio] super-alto, a ideia é que, se ele destruir uma coluna ou mais, as outras colunas são fortes o suficiente para substituí-la em segurar o peso que é redistribuído pela estrutura em falta”, afirmou Adrian Smith, o arquiteto responsável pelo Burj Khalifa, à revista Dezeen.

Enfim, se não dá para dizer que prédios pós-11 de setembro não são fortalezas à prova de avião – eles entrariam e causariam um incêndio de grandes proporções do mesmo jeito, causando mortes com isso, dá pra dizer que o 11 de setembro teria um impacto muito menor. Muito dificilmente um megaprédio moderno cairia, e muito menos pessoas seriam presas no incêndio como aconteceu em 2001.

'Câncer do 11 de setembro' já mata mais do que atentados às torres gêmeas

Ataque terrorista nos EUA em 11 de setembro de 2001, em Nova York
(Imagem: Seth McAllister/AFP)
Quase 50 mil pessoas, entre socorristas e sobreviventes dos atentados de 11 de setembro de 2001, foram diagnosticadas com cânceres associados às toxinas liberadas nos ataques. O número de mortos pela doença supera o de vítimas daquele dia.

O que aconteceu


Diagnósticos de câncer em sobreviventes e socorristas já ultrapassam as 48 mil pessoas. Segundo o Programa de Saúde do World Trade Center, 48.579 dessas pessoas receberam algum tipo de diagnóstico oncológico. O mesmo levantamento aponta que mais de 8.200 inscritos no programa já morreram, sendo 3.767 com câncer confirmado. É mais do que os 2.977 mortos no próprio dia dos atentados.

Câncer de pele não melanoma, próstata e mama estão entre os mais comuns. Além deles, médicos relatam casos de melanoma, linfoma, cânceres de tireoide, rim, pulmão e bexiga, e leucemia. O padrão chama atenção: são doenças de longa latência, que aparecem anos ou até décadas depois da exposição.

Doenças seriam provocadas por nuvens tóxicas. Nuvens tóxicas espalharam amianto, sílica, metais pesados e fumaça cancerígena por meses. De acordo com os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), o colapso das Torres Gêmeas liberou partículas que permaneceram em Manhattan e no Brooklyn por semanas. Além disso, incêndios que seguiram ativos até dezembro de 2001 continuaram a soltar gases em 2002.

Equipes de resgate trabalham no local dos os atentados de 11 de setembro de 2001,
em Nova York (EUA) (Imagem: Beth A. Keiser/AFP)
Cerca de 400 mil pessoas foram expostas em graus variados aos contaminantes. Trabalhadores, estudantes, moradores e socorristas respiraram e tocaram resíduos tóxicos diariamente. O Programa de Saúde do WTC lista mais de 350 agentes reconhecidos como "agentes do 11 de setembro". Além de câncer, na lista estão doenças respiratórias, refluxo e distúrbios de saúde mental, como TEPT (transtorno de estresse pós-traumático).

Avanço da idade potencializa o efeito dos agentes tóxicos. O médico Steven Markowitz, da Queens College, disse ao jornal norte-americano New York Post que "essa população está envelhecendo, então o número de diagnósticos vai continuar subindo". Isso significa que mesmo quem parecia saudável por anos pode, agora, desenvolver cânceres ligados à exposição inicial.

Tragédia também deixou marcas na saúde mental. O Programa de Saúde do WTC lista milhares de pacientes com transtorno de estresse pós-traumático (17.093), além de depressão, ansiedade e síndrome do pânico.

9.set.2014 - Bombeiros descansam durante o trabalho de resgate nos atentados
de 11 de setembro de 2001 em Nova York (EUA) (Imagem: John Mottern/AFP)

Programa de saúde vive incertezas


O Programa de Saúde do World Trade Center é hoje o principal suporte para 132 mil pessoas. Criado em 2011, o programa cobre desde câncer e doenças respiratórias até TEPT. De acordo com a NBC News, 64% dos inscritos já apresentam pelo menos uma condição médica ligada ao 11/9 — para muitos, o acesso gratuito a exames e quimioterapia faz diferença.

Cortes federais ameaçam atrasar diagnósticos e tratamentos. Em abril, 16 funcionários do programa foram demitidos como parte de uma reestruturação do governo Trump. "Esses cortes vão atrasar diagnósticos e custar vidas", disse o enfermeiro Todd Cleckley. Segundo ele, consultas que antes eram marcadas em semanas agora podem demorar meses.

Demissões geram incerteza até sobre cirurgias e quimioterapia. O advogado Michael Barasch afirmou à NBC que já recebeu ligações de clientes preocupados se conseguirão continuar a receber tratamento. "É crueldade burocrática", disse, ao lembrar que hospitais só mantêm terapias caras se têm garantia de reembolso federal.

Sem novo financiamento, programa pode reduzir atendimentos já em 2028. Parlamentares alertam que, sem a aprovação de mais recursos, o Programa de Saúde do World Trade Center pode suspender novas inscrições ou até cortar serviços para atuais beneficiários. Há projetos no Congresso para estender o financiamento até 2090, mas, até agora, o futuro é incerto.

Via UOL

Como o 11 de Setembro transformou a geopolítica mundial

Atentados de 2001 deixaram quase 3 mil mortos e os impactos ultrapassaram o território americano.

Torres do World Trade Center após ataques (Foto: Getty Images)
Na manhã de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos enfrentaram um ataque que mudaria a história. Às 8h46, o voo 11 da American Airlines atingiu a torre norte do World Trade Center, em Nova York. Vinte minutos depois, às 9h03, outro avião, o voo 175 da United Airlines, se chocou contra a torre sul, revelando ao mundo que não se tratava de um acidente.

Em pouco mais de uma hora, os símbolos do poder econômico americano ruíam diante das câmeras de televisão.

A torre sul, mesmo atingida por último, foi a primeira a desabar, às 9h59. A torre norte veio abaixo às 10h28. Imagens de pessoas saltando de andares inalcançáveis marcaram a cobertura da imprensa internacional e registraram, em tempo real, o horror de uma nação sob ataque.

No total, quase três mil pessoas morreram. Só em Nova York, foram 2.753 vítimas, incluindo 343 bombeiros, 23 policiais municipais e 37 oficiais da Autoridade Portuária.

No Pentágono, em Washington, outras 184 pessoas perderam a vida quando o voo 77 da American Airlines foi lançado contra o prédio. Na Pensilvânia, o voo 93 da United Airlines caiu em um campo após passageiros reagirem aos sequestradores — impedindo que o avião atingisse outro alvo. Entre passageiros e tripulantes, mais 40 pessoas morreram.

Relações Internacionais


Para Fernanda Magnotta, analista de Internacional da CNN, o 11 de Setembro redefiniu a forma como o mundo enxerga ameaças e guerras.

“O 11 de Setembro ressignificou o conceito da guerra. Passamos a falar em guerras assimétricas, em ameaças que não vinham mais apenas de Estados rivais, mas de atores transnacionais, descentralizados e difíceis de combater”, afirmou à CNN.

Segundo Magnotta, os atentados romperam também com a noção de inviolabilidade do território americano. “Embora já fossem uma superpotência, os Estados Unidos não enfrentavam um ataque em seu solo desde Pearl Harbor. O 11 de Setembro quebrou essa sensação de segurança e expôs uma vulnerabilidade inédita.”

A especialista lembrou que, apesar do choque, já havia sinais de que ações terroristas de grande escala poderiam ocorrer. Em 1993, uma bomba explodiu no estacionamento do próprio World Trade Center, de acordo com a comissão que investigou o 11 de Setembro, agências de inteligência já apontavam movimentações da Al-Qaeda e de outros grupos com capacidade de realizar ataques contra os EUA.

Torres do World Trade Center após ataques (Foto: Getty Images)

Consequências globais


Os impactos ultrapassaram as fronteiras do Estados Unidos. As estruturas de inteligência e defesa foram rearticuladas em todo o mundo, com reflexos na vida cotidiana — dos controles de segurança em aeroportos a medidas de vigilância digital.

No campo da política externa, os EUA lançaram a “guerra ao terror”, invadindo o Afeganistão em 2001 e, dois anos depois, o Iraque.

O resultado foi um novo cenário geopolítico, marcado pela ascensão de guerras prolongadas e por debates sobre segurança, privacidade e direitos civis. Como destaca Magnotta, “o 11 de Setembro reorganizou o cotidiano do cidadão comum e a estratégia global de combate a ameaças”.

Atualmente, no local onde ficavam as Torres Gêmeas funciona o Memorial e Museu do 11 de Setembro, espaço dedicado às vítimas e à preservação da memória do maior ataque terrorista já registrado em solo americano.

Museu e Memorial do 11 de Setembro, em Nova York, no local onde ficavam as torres
atingidas do World Trade Center (Foto: 9/11 Memorial and Museum/Wikipedia)
Impacto econômico

500 mil dólares — Esta é a quantia estimada que se acredita ter custado para planejar e executar os ataques de 11 de setembro.

123 bilhões de dólares — Esta é a perda econômica estimada durante as primeiras duas a quatro semanas após o colapso das torres gémeas do World Trade Center em Nova York, bem como o declínio das viagens aéreas nos próximos anos.

60 bilhões de dólares — O custo estimado dos danos no local do WTC, incluindo danos nos edifícios circundantes, infraestruturas e instalações de metrô.

40 bilhões de dólares — Este é o valor do pacote emergencial antiterrorista aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos em 14 de setembro de 2001.

15 bilhões de dólares — Foi o pacote de ajuda econômica aprovado pelo Congresso para resgatar companhias aéreas.

9,3 bilhões de dólares — O valor dos reclamações de seguros decorrentes dos ataques de 11 de setembro.

Limpeza no Marco Zero


A limpeza do Marco Zero terminou oficialmente em 30 de maio de 2002.

Foram necessárias 3,1 milhões de horas de trabalho para limpar 1,8 milhão de toneladas de entulho.

O custo total da limpeza foi de 750 milhões de dólares.


Segurança interna


O Departamento de Segurança Interna foi criado em resposta ao 11 de setembro.

Ele fundiu 22 agências governamentais em uma só, incluindo a Fiscalização Aduaneira, o Serviço de Imigração e Naturalização, a Guarda Costeira dos EUA e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências.

Através da Iniciativa de Segurança de Contêineres, mais de 80% da carga marítima de contêineres importada é pré-selecionada antes de entrar nos Estados Unidos.

É introduzido o Sistema Consultivo de Segurança Nacional foi introduzido em 12 de março de 2002.

Em 26 de abril de 2011, o Sistema Nacional de Aconselhamento sobre Terrorismo (NTAS) substitui o Sistema Consultivo de Segurança Interna (HSAS) codificado por cores.

Setor de inteligência


Conforme o professor de Relações Internacionais Gunther Rudzit em entrevista à CNN, a reorganização do setor de inteligência foi uma mudança significativa para os americanos.

"Um ponto importante foi a reorganização da inteligência, Departamento de Segurança Interna, que teve esse papel fundamental de reunir literalmente todo mundo em um prédio para ter a troca de informações mais efetiva", declarou o professor.

Rudzit ainda explicou outras medidas tomadas pelos Estados Unidos após os atentados vividos há 20 anos, incluindo um ato legislativo que permitiu a captação de dados de todos no país.

"Foi uma mudança gigantesca para o americano médio. Até antes do 11 de setembro, a polícia não podia ao menos revistar pessoas na rua se não houvesse motivo", disse.

"Dois meses depois do atentado, foi aprovado o Ato Patriótico, a legislação que deu a possibilidade do governo americano captar e guardar metadados de todas as pessoas no país. Ou seja, ligações telefônicas e trocas de mensagens por qualquer meio de comunicação", completou o professor.

Ataque às Torres Gêmeas em 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos (Foto: CNN/Reprodução)
Cronologia dos eventos
  • 11 de setembro de 2001 (horário do leste dos Estados Unidos)
8h46 — O voo 11 da American Airlines (viajando de Boston para Los Angeles) atinge a torre norte do World Trade Center na cidade de Nova York.

9h03 — O voo 175 da United Airlines (viajando de Boston para Los Angeles) atinge a torre sul do World Trade Center na cidade de Nova York.

9h37 — O voo 77 da American Airlines (viajando de Dulles, Virgínia, para Los Angeles) atinge o prédio do Pentágono em Washington.

9h59 — A torre sul do WTC desaba em aproximadamente 10 segundos.

10h03 — O voo 93 da United Airlines (viajando de Newark, Nova Jersey, para São Francisco) cai em um campo perto de Shanksville, Pensilvânia.

10h28 — A torre norte do WTC desaba. O tempo entre o primeiro ataque e o colapso das duas torres do World Trade Center é de 102 minutos.
  • 13 de dezembro de 2001
O governo dos Estados Unidos divulga um vídeo no qual Osama bin Laden assume a responsabilidade pelos ataques.
  • 18 de dezembro de 2001
O Congresso aprova uma medida que permite ao presidente designar o 11 de setembro como o “Dia do Patriota” em cada aniversário dos ataques.
  • Dezembro de 2001 até 15 de junho de 2004
O Fundo de Compensação de Vítimas original processa pedidos de indenização por morte e ferimentos para familiares de vítimas do 11 de setembro. As famílias dos mortos tinham até 22 de dezembro de 2003 para solicitar indenização. O fundo reabriu em 2011.
  • 24 de maio de 2007
O legista-chefe de Nova York, Dr. Charles S. Hirsch, determina que a morte de Felicia Dunn-Jones em 2002 por exposição à poeira está diretamente relacionada ao ataque de 11 de setembro e, portanto, é um homicídio.
  • 19 de julho de 2007
O Instituto Médico Legal de Nova York anuncia que os restos mortais de mais três pessoas foram identificados. Outras 1.133 vítimas, 41% do total, permanecem não identificadas.
  • Janeiro de 2009
O escritório do legista determina que Leon Heyward, que morreu em 2008 de linfoma e doença pulmonar, é vítima de homicídio porque ficou preso na nuvem de poeira tóxica logo após o colapso das torres.
  • 2 de janeiro de 2011
O presidente Barack Obama assina a Lei James Zadroga de Saúde e Compensação do 11 de Setembro de 2010, reabrindo e ampliando o escopo do Fundo de Compensação de Vítimas.
  • 17 de junho de 2011
O médico legista de Nova York determina que a morte de Jerry Borg, em 15 de dezembro de 2010, é o resultado da inalação de substâncias tóxicas da nuvem de poeira gerada pelo colapso das Torres Gêmeas.
  • 10 de maio de 2014
Os restos mortais não identificados dos mortos nos ataques são devolvidos ao local do World Trade Center, onde serão mantidos em um armazém sob a jurisdição do Instituto Médico Legal da cidade de Nova York.
  • 7 de agosto de 2017
O Instituto Médico Legal da cidade de Nova York anuncia que os restos mortais de um homem que morreu no World Trade Center foram identificados devido à disponibilidade de testes de DNA mais sofisticados.
  • 2019
O Instituto Médico Legal da cidade de Nova York identifica os restos mortais de três vítimas por meio de testes de DNA.

Via João Scavacin (CNN)

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Documentário: A vida sob ataque 11/9


Um relato único, comovente e vívido do dia que mudou o mundo moderno. Este filme conta histórias nunca antes reveladas, criadas por meio de uma coletânea de vídeo e áudio inéditos.

Vídeo: Colapso Total | 11 de Setembro: Um Dia na América


Um dia de terror e a luta pela sobrevivência continua enquanto o Pentágono é atingido, 
o Voo 93 é sequestrado e a Torre Sul desaba.

Vídeo: Aviões e Músicas - Especial 11 de Setembro


Série especial sobre o 11 de Setembro Compilada - Os quatro episódios da série sobre 
o maior ataque terrorista da história compilados em um único vídeo.

Quase 25 anos depois, três novas vítimas do 11 de Setembro são identificadas nos EUA

Avanços na análise de DNA permitiram a identificação de duas mulheres e um homem entre os mortos nos atentados às Torres Gêmeas, que deixaram 2.753 vítimas em Nova York.


Quase um quarto de século após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, três novas vítimas do ataque ao World Trade Center foram oficialmente identificadas em Nova York. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (7) pelo prefeito Eric Adams e pelo legista-chefe da cidade, Dr. Jason Graham. As identificações só foram possíveis graças a exames avançados de DNA e à colaboração de familiares das vítimas.

Com isso, o número total de pessoas identificadas a partir dos restos mortais recuperados nos escombros chega a 1.653, de um total de 2.753 mortos na tragédia. Entre os reconhecidos agora estão Ryan Fitzgerald, um corretor de moeda estrangeira de 26 anos; Barbara Keating, de 72, que viajava no voo 11 da American Airlines; e uma mulher cuja identidade não foi revelada a pedido da família.

"A dor de perder um ente querido nos ataques terroristas de 11 de setembro ecoa através das décadas, mas com essas três novas identificações, damos um passo à frente para confortar os familiares que ainda sofrem com aquele dia", afirmou o prefeito Adams, que atuava como policial na cidade na época dos atentados.

National September 11 Memorial & Museum é um memorial e um museu no local
onde ficavam as torres do World Trade Center (Foto: Pexels)
Ryan Fitzgerald trabalhava no 94º andar de uma das torres do World Trade Center, no momento em que o prédio foi atingido por um dos aviões sequestrados. Já Barbara Keating voltava para casa, em Palm Springs, na Califórnia, após visitar os netos na Costa Leste dos EUA, quando o voo em que estava foi usado como arma no ataque.

De acordo com o Gabinete do Médico Legista-Chefe da cidade, o processo de identificação das vítimas do 11 de Setembro continua sendo o maior e mais complexo da história dos Estados Unidos. Graças à tecnologia de sequenciamento genético de nova geração, os cientistas conseguiram obter perfis de DNA mesmo em amostras extremamente degradadas pelo tempo, calor e impacto.

Apesar dos avanços, ainda restam mais de mil vítimas sem identificação formal. O trabalho de análise dos fragmentos ósseos recuperados continua em andamento, como forma de honrar a memória dos mortos e dar respostas às famílias que seguem em luto.

Via O Globo

11/09: As 2 causas científicas para queda das torres do World Trade Center em 11 de setembro

A colisão de dois aviões contra os edifícios mais altos de Nova York foi o início de uma sequência de horror que reduziu os icônicos prédios a escombros. 


Em 11 de setembro de 2001, dois aviões Boeing 767 colidiram com as Torres Gêmeas, que com seus 110 andares eram os edifícios mais altos de Nova York.

O primeiro avião atingiu a Torre Norte às 8h45 da manhã. O prédio pegou fogo durante 102 minutos e depois, às 10h28 da manhã, ele entrou em colapso, desabando em apenas 11 segundos.

Dezoito minutos após o primeiro acidente, às 9h03, o segundo avião atingiu a Torre Sul. O arranha-céu resistiu às chamas por 56 minutos, e depois, às 9h59, desabou em 9 segundos. 

"Depois do incrível barulho do prédio desabando, em poucos segundos tudo ficou mais escuro que a noite, sem som, e eu não conseguia respirar", lembra Bruno Dellinger, sobrevivente que trabalhava no 47º andar da Torre Norte. 

"Eu estava convencido de que tinha morrido, porque o cérebro não pode processar algo assim", disse Dellinger em seu depoimento compartilhado pelo Memorial e Museu do 11 de Setembro em Nova York. O saldo foi de 2.606 mortos.

Por que as torres caíram?


Imediatamente após os ataques, o engenheiro civil Eduardo Kausel, professor emérito do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), liderou uma série de estudos e publicações em que especialistas do MIT analisaram as causas dos colapsos de um ponto de vista estrutural, de engenharia e arquitetônico. 

Imagem captura momento em que um dos aviões Boeing 767 colidiu com as
Torres Gêmeas em 11 de setembro (Foto: Getty Images via BBC)
A resposta de Kausel contém uma série de fenômenos físicos e químicos que desencadearam uma catástrofe que ninguém, naquela época, era capaz de imaginar.

Combinação fatal


Os estudos do MIT, publicados em 2002, coincidem amplamente com as conclusões do relatório de que o governo dos EUA encomendou ao Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (Nist) para descobrir por que as torres caíram, e cuja versão final foi publicada em 2008. 

Tanto o MIT quanto o Nist concluem que as torres entraram em colapso principalmente devido a uma combinação de dois fatores: os graves danos estruturais causados pelas colisões de aeronaves em cada edifício e a cadeia de incêndios que se espalhou por vários andares 

"Se não houvesse fogo, os prédios não teriam desabado", diz Kausel. "E se tivesse havido apenas um incêndio, sem os danos estruturais, eles também não teriam desabado." 

"As torres demonstraram muita resistência", diz o engenheiro. O relatório do Nist, por sua vez, afirma que há documentos oficiais que indicam que as torres foram projetadas para suportar o impacto de um Boeing 707, que era o maior avião comercial existente à época de seu projeto.

Os pesquisadores, no entanto, alertam que não encontraram nenhuma informação sobre os critérios e métodos usados para chegar a essa conclusão. O que está claro é que, juntos, o impacto e o incêndio produziram um resultado devastador: o colapso das duas torres.

Como as torres foram construídas


(Foto: Marty Lederhandler/AP)
As Torres Gêmeas tiveram um projeto que era o padrão na década de 1960, quando começaram a ser construídas. Cada edifício tinha um núcleo vertical de aço e concreto no centro que abrigava os elevadores e as escadas. 

Cada andar era formado por uma série de vigas de aço (horizontais) que partiam desse núcleo e se conectavam com colunas de aço (verticais) para formar as paredes externas do edifício. 

O entremeado de vigas distribuía o peso de cada piso em direção aos pilares, enquanto cada piso, por sua vez, servia como suporte lateral que evitava a torção dos pilares, o que na engenharia civil é conhecido como flambagem.

Toda a estrutura metálica era coberta por concreto, que funcionava como protetor de vigas e pilares em caso de incêndio. As vigas e colunas também eram cobertas por uma fina camada isolante à prova de fogo. 

Impacto, fogo e ar


Ambas as torres foram atingidas por diferentes modelos de aeronaves Boeing 767, maiores que um Boeing 707.

O impacto, de acordo com o relatório do Nist, "danificou severamente" as colunas e desalojou o isolamento contra incêndio que cobria a estrutura de vigas e colunas de aço. "A vibração do choque causou a fratura do revestimento antifogo do aço, deixando as vigas mais expostas ao fogo", explica Kausel. 

Assim, os danos estruturais abriram caminho para as chamas, que por sua vez causaram mais danos estruturais. Enquanto isso, as temperaturas, que chegavam a 1.000° C, faziam com que os vidros das janelas se dilatassem e se quebrassem, o que aumentava o fluxo de ar, alimentando o fogo. "O fogo se alimentou de ar e por isso se espalhou", diz Kausel.

"Bombas voadoras"


Dados oficiais estimam que cada avião carregava cerca de 37.850 litros de combustível. "Eram bombas voadoras", diz Kausel. Muito desse combustível foi queimado durante a bola de fogo que se formou com o impacto, mas parte dele foi derramado nos andares inferiores das torres. 

Isso fez com que o fogo se expandisse, encontrando vários objetos inflamáveis em seu caminho que lhe permitiam continuar avançando. Esse incêndio teve dois efeitos principais, explica o engenheiro do MIT. Primeiro, o calor intenso fez com que as vigas e lajes de cada andar se expandissem. Isso fez com que as lajes se separassem de suas vigas.

Além disso, a expansão das vigas também empurrou as colunas para fora. Mas então houve um segundo efeito. As chamas começaram a amolecer o aço das vigas, tornando-as maleáveis. Isso fez com que o que antes eram estruturas rígidas, agora se parecessem com cordas que, quando arqueadas, começaram a empurrar para dentro as colunas às quais estavam presas. "Isso foi fatal para as torres", diz Kausel.

Colapso


Naquele momento, todos os ingredientes se juntaram para desencadear o colapso. As colunas não estavam mais totalmente verticais, pois as vigas primeiro as empurraram para fora e depois as puxaram para dentro, de modo que começaram a ceder. 

Assim, de acordo com o relatório do Nist, as colunas começaram a entrar em colapso arqueando, enquanto as vigas às quais estavam conectadas as puxavam para dentro. A análise de Kausel, por outro lado, acrescenta que, em alguns casos, as vigas puxaram com tanta força as colunas que destruíram os parafusos que as prendiam às colunas, o que fez com que esses pisos desabassem. Os escombros causaram sobrepeso na parte inferior pisos.

As torres foram reduzidas a escombros (Foto: Getty Images)
Isso colocou pressão adicional sobre a capacidade das colunas já enfraquecidas. O resultado foi uma queda em efeito cascata. Depois que o prédio entrou em queda livre, explica Kausel, o colapso empurrou progressivamente o ar entre os andares, causando um vento forte. Isso fez com que o colapso fosse envolvido por uma nuvem de poeira e as paredes externas desabassem para fora, "como quem descasca uma banana", diz o especialista.

Ambos os edifícios desapareceram em segundos, mas o fogo nos escombros continuou a arder por 100 dias. Vinte anos depois, o horror e a dor causados pelos ataques ainda assustam.

Com informações de Carlos Serrano (BBC News Mundo)