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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Paquistão localiza destroços de avião cargueiro desaparecido com 5 pessoas a bordo no mar Arábico

Equipes seguem buscando os tripulantes; fuselagem foi encontrada em águas próximas à cidade de Ormara.

Aeronave da K2 Airways perdeu contato com controle de tráfego aéreo após problemas de navegação.


A Marinha do Paquistão e a agência de resgate marítimo do país localizaram nesta quarta-feira (8) os destroços do avião cargueiro Boeing 737-4M0 (BDSF), prefixo AP-BOI, da empresa K2 Airways, que havia desaparecido na noite anterior no mar Arábico, informou a Autoridade Aeroportuária do Paquistão. As equipes continuam procurando os cinco tripulantes que estavam a bordo da aeronave.

Segundo o órgão, os destroços do Boeing 737 foram encontrados nas águas próximas à cidade de Ormara após 12 horas de buscas. O avião, operado pela K2 Airways, fazia um voo de Sharjah, nos Emirados Árabes, para Karachi, no sul do Paquistão, quando perdeu contato com o controle de tráfego aéreo.

Segundo a autoridade aeroportuária, o avião informou às 21h18 no horário local (13h18 em Brasília) que enfrentava um problema no sistema de navegação. O controle de tráfego aéreo tentou orientar a tripulação, mas, três minutos depois, os radares registraram uma rápida perda de altitude e a comunicação foi interrompida. Naquele momento, a aeronave estava a cerca de 287 quilômetros a oeste de Karachi.

De acordo com a emissora local Geo News, o avião desapareceu enquanto sobrevoava o mar Arábico, próximo à cidade de Ormara, na província do Baluchistão.

Imagem mostra rota do voo KTA1732, que desapareceu no mar antes de
chegar ao destino final, Karachi (Imagem: FlightRadar24/Reprodução)
Dados do serviço de rastreamento Flightradar24 indicam que, nos minutos finais do voo, a aeronave sofreu mudanças bruscas de altitude antes de iniciar uma descida acentuada. O avião perdeu cerca de 5.000 pés em menos de um minuto, voltou a ganhar aproximadamente 6.000 pés em 30 segundos e, em seguida, entrou em queda a partir de 36.550 pés.

O último sinal recebido situava a aeronave a 1.100 pés (335 metros) acima do nível do mar, com razão de descida de 22.400 pés por minuto, equivalente a cerca de 400 km/h.

(Foto: Hamza A. Mughal / JetPhotos)
A aeronave desaparecida pertence à família Boeing 737 —que existe há décadas—, mas é de duas gerações anteriores à versão 737 MAX, envolvida em uma crise de segurança recente. O 737-400 foi entregue inicialmente como avião de passageiros à companhia russa Aeroflot em 1999 e convertido para cargueiro em 2012, segundo o Flightradar24. É a única aeronave da K2 Airways e entrou em operação pela companhia aérea em 2024.

Caso vítimas sejam confirmadas, o incidente será o primeiro acidente fatal no Paquistão desde 2020, quando um Airbus A320 da Pakistan International Airlines caiu antes de atingir a pista em Karachi, matando 97 pessoas após os pilotos se distraírem discutindo o coronavírus antes de uma tentativa de pouso malsucedida.

Via Folha de S.Paulo e ASN

terça-feira, 7 de julho de 2026

A Airbus prepara uma asa para aviões comerciais capaz de mudar de forma durante o voo

O objetivo é validar tecnologias para o futuro avião de corredor único; tecnologia começa a ser testada em 2026.


Uma asa que muda em pleno voo e uma fabricante que quer reinventar a aviação de curto e médio alcance. A Airbus se prepara para testar em condições reais um conceito que vem sendo desenvolvido há algum tempo em seus programas de pesquisa. Não se trata de um exercício de laboratório: a empresa marcou 2026 como a data para a primeiro decolagem de seu demonstrador (protótipo ou veículo experimental criado para testar, validar e demonstrar novas tecnologias ou conceitos antes de serem aplicados em produtos comerciais).

Os testes servirão para explorar se essa tecnologia pode ser aplicada em aeronaves de corredor único (aviões de passageiros que têm apenas uma fileira de assentos com um único corredor central). O desafio é ambicioso: lançar as bases do que será o grande sucessor do A320.

Para a fabricante, o X-Wing é uma peça dentro de um quebra-cabeça tecnológico muito maior. A empresa trabalha com motores disruptivos, materiais recicláveis e plataformas inteligentes e precisa decidir quais combinações oferecem mais vantagens. A asa capaz de modificar sua forma se mostra como a candidata ideal para demonstrar economia de combustível e melhorias no comportamento em voo. Mais do que um protótipo isolado, é um banco de testes concebido para confrontar modelos teóricos com dados obtidos em operações reais.

Um laboratório voador

A fabricante decidiu transformar um Citation VII em um laboratório voador. A aeronave, habitualmente usada na aviação executiva, recebeu uma asa de grande envergadura que imita, em escala reduzida, a de um futuro avião comercial. Para unir ambos os elementos, foram projetadas caixas de transição específicas que, além de garantir a resistência estrutural, oferecem espaço para combustível e o sistema de pouso. Essa solução permitiu contornar as limitações de uma fuselagem não fabricada pela Airbus e deixar o demonstrador pronto para voar.

O ponto-chave do demonstrador está em como a asa se adapta às condições do voo. Para evitar que essa maior envergadura traga mais peso, os engenheiros incorporaram uma dobradiça semiaeroelástica nas pontas, capaz de se liberar em situações de turbulência intensa e assim reduzir as cargas estruturais. Ao mesmo tempo, a parte traseira da asa inclui três flaps com pequenos tabuladores que podem se mover de forma independente e rápida. Com essa combinação, o perfil da asa muda, otimizando a sustentação e reduzindo o arrasto em cada fase do voo.

A companhia europeia quis que o demonstrador refletisse a filosofia de seus aviões de linha e substituiu o sistema convencional de comandos por um fly-by-wire completo. Todas as superfícies, desde os ailerons até os estabilizadores traseiros, passam a ser controladas por atuadores elétricos vinculados a computadores de controle. O aparelho será operado remotamente a partir do solo, sem necessidade de tripulação a bordo, o que permite realizar testes mais exigentes.


Antes de voar, o X-Wing precisa superar uma bateria de testes em solo. A fabricante europeia planeja ensaios de vibração estrutural e de carga da asa ainda este ano, passos necessários para validar o projeto. A Airbus solicitou à autoridade de aviação civil francesa (DGAC) a permissão de voo, que permitirá operar a partir de Cazaux, ao sul de Bordeaux. O calendário prevê testes na pista no segundo trimestre de 2026 e uma primeira decolagem no meio do ano, com voos previstos sobre o Golfo da Biscaia, na costa da França.

Além da asa, o roteiro da Airbus inclui motores e sistemas energéticos de nova geração. Entre eles destaca-se o open fan, desenvolvido com a CFM, que busca uma melhoria de eficiência de dois dígitos e será validado em voo com um A380 antes do final da década. A fabricante também aposta em ampliar o uso de combustíveis sustentáveis para até 100% e em introduzir arquiteturas híbridas. Estas últimas permitirão utilizar eletricidade em tarefas a bordo e reduzir ainda mais as emissões de cada trajeto.

A inovação não se limita à asa nem ao motor: também alcança os materiais. A Airbus está testando compósitos termoplásticos avançados que prometem tornar a estrutura mais leve e, ao mesmo tempo, mais sustentável. Em comparação com os compósitos atuais, estes podem ser reciclados com maior facilidade e permitem ciclos de fabricação mais ágeis. O projeto MFFD serviu como banco de testes, mostrando que é possível reduzir peso sem aumentar custos. A planta de Filton, no Reino Unido, tornou-se um dos centros nevrálgicos dessa transformação.

O futuro avião não será construído apenas com asas mais eficientes ou motores diferentes, também dependerá de um sistema digital comum que forneça novas capacidades. A empresa europeia trabalha em plataformas conectadas capazes de se atualizar em tempo real, integrar aplicações e antecipar falhas com manutenção preditiva. A automação também terá um papel crescente na assistência ao piloto e nas operações em solo. O X-Wing é, nesse sentido, uma peça inicial de um quebra-cabeça maior: demonstrar quais tecnologias estão maduras e quais precisam esperar antes de dar o salto comercial.

Via Victor Bianchin (Xatara) - Imagens: Airbus

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Aeroriver: projeto de avião-barco promete revolucionar a Amazônia

(Imagem: Divulgação/AeroRiver)
E se não demorasse mais dias para cruzar os rios da Amazônia? Pois é o que propõe a AeroRiver, startup fundada por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que prepara-se para revolucionar a mobilidade na Amazônia nos próximos anos com veículos de "efeito solo".

Basicamente, trata-se de veículos que combinam características de embarcações e aeronaves, sobrevoando a água a poucos metros de altura. Assim, a inovação torna-se uma boa aliada para driblar o já conhecido déficit de rodovias e aeroportos no Norte do Brasil.

O projeto tem potencial para revolucionar o transporte na Amazônia (Imagem: AeroRiver/Divulgação)
O grande diferencial do veículo de efeito solo é transformar a vasta rede hidrográfica da Amazônia em uma espécie de via expressa de alta velocidade — com o diferencial de que não é preciso construir infraestrutura complexa nas margens.

Projeto do ITA na Amazônia


“A região possui uma das maiores redes hidrográficas do mundo, mas enfrenta limitações significativas em mobilidade. Existe um compromisso claro da empresa em desenvolver soluções adaptadas à realidade local, que sejam eficientes do ponto de vista técnico e também gerem impacto social relevante”, declarou Lucas Guimarães, Diretor Executivo da AeroRiver.

Idealizada em 2020 para enfrentar os severos desafios logísticos da bacia amazônica, que se agravam drasticamente durante os recorrentes períodos de seca, a empresa superou a difícil fase inicial de pesquisa graças ao Programa Centelha, uma iniciativa do governo voltada para o apoio a negócios inovadores no país.

Com o incentivo nacional, a AeroRiver estruturou o seu plano de negócios e agora avança para a construção e validação de protótipos experimentais tripulados. Nesta etapa, a empresa precisa aliar viabilidade técnica, impacto social significativo e, claro, a redução de custos logísticos.

No momento, o projeto está na fase de preparação para testes operacionais em escala real. Enquanto avança para validar a tecnologia, a empresa segue trabalhando na definição das rotas prioritárias e em parcerias que ajudem a expandir sua atuação futuro.

Boeing aposta no Brasil como principal mercado na América Latina

Família de aviões Boeing 737 Max (Imagem: Divulgação/Boeing)
O Brasil deverá responder por cerca de 30% da demanda por novas aeronaves na América Latina nas próximas duas décadas, segundo a Boeing. A fabricante estima que a região precisará de mais 2.365 aviões até meados da década de 2040, impulsionada pelo crescimento do transporte aéreo e pela renovação das frotas.

José Sicilia, vice-presidente de Marketing Comercial para a América Latina e Caribe da Boeing, afirma que o mercado brasileiro terá papel central nesse avanço. Em entrevista exclusiva ao UOL, o executivo destaca a importância do país para os negócios da fabricante americana.

"Com uma taxa estimada de crescimento nos próximos 20 anos de 4,2% ao ano [no tráfego aéreo], o Brasil é realmente uma fatia expressiva dessa alta. Quando falamos em 2.365 ou mais unidades de aviões novos aqui [na América Latina e Caribe], o Brasil representa ao redor de 30% desse total", disse.

Segundo Sicilia, a projeção considera tanto a expansão do mercado quanto a necessidade de substituição de aeronaves mais antigas, um movimento que deve impulsionar a demanda por novos aviões ao longo das próximas décadas.

Crescimento e renovação


Linha de montagem do 737 Max em Renton (EUA): Boeing deve inaugurar em julho quarta linha de montagem do 737 em Everett e projeta produção de 52 aeronaves do modelo por mês (Imagem: Jim Anderson/Divulgação/Boeing)
A Boeing avalia que o crescimento da aviação comercial na região será sustentado por dois movimentos paralelos: a ampliação das frotas para atender à demanda crescente por viagens aéreas e a renovação dos aviões atualmente em operação.

"Quando falamos das 2.365 aeronaves que estamos projetando, metade é crescimento [das frotas] e a outra metade é substituição [de aviões mais antigos]", disse Sicilia.

Na avaliação do executivo, a renovação ocorre de forma natural à medida que contratos de leasing (uma espécie de aluguel, também chamado de arrendamento mercantil) chegam ao fim e as companhias aéreas incorporam modelos mais modernos e eficientes às suas frotas. Nesse cenário, a Boeing aposta na família 737 Max como uma das plataformas capazes de atender diferentes perfis de operação sem exigir mudanças significativas na estrutura das empresas.

"A vantagem que a gente tem, pelo menos quando falamos de aeronaves de corredor único, é que temos uma família inteira à disposição das empresas. Ela encaixa muito bem com o que o Brasil demanda em termos de utilização, demanda, volatilidade e crescimento", afirma o executivo.

Segundo ele, a existência de diferentes variantes dentro da mesma família, que é o caso do 737 Max, permite que as companhias ajustem a capacidade de suas operações sem aumentar a complexidade operacional.

Disputa por espaço


Boeing 737 Max da Gol (Imagem: Alisson Augusto Vilela)
Apesar do potencial de crescimento do mercado brasileiro, Sicilia reconhece que a entrada de um novo fabricante em companhias que já operam uma frota padronizada representa um desafio comercial relevante.

No Brasil, por exemplo, apenas a Gol opera os aviões de corredor único da empresa, o 737. Já no mercado de fuselagem larga, com corredor duplo, a Latam opera os modelos 787 e 777, além de outras opções cargueiras.

Segundo ele, decisões envolvendo aquisição de aeronaves vão além das características do produto e envolvem fatores como treinamento de tripulações, manutenção, estoque de peças e planejamento operacional.

"Entrar em uma aérea que já tem um tipo de frota é difícil, por causa da comunalidade e da complexidade", afirma. Isso é explicado, principalmente, pelo fato de que as empresas preferem manter um tipo único de modelo em seu portfólio.

O executivo afirma que a estratégia adotada por cada companhia depende de fatores como tamanho da frota, perfil da malha e objetivos de negócio. Ainda assim, ele avalia que a expansão do mercado pode abrir espaço para novas composições de frota no futuro.

"Se a escala no Brasil atinge um certo patamar, fica mais fácil para um operador justificar trazer um novo modelo", afirma Sicilia.

Além dos cargueiros


Boeing 787 da Latam no Centro de Manutenção de Linha da empresa, em Guarulhos (SP)
(Imagem: Alexandre Saconi)
A Boeing também vê oportunidades no transporte aéreo de cargas, segmento que tem ganhado importância estratégica para as companhias da região. Sicilia diz que parte dessa expansão pode ocorrer sem a necessidade de aeronaves cargueiras dedicadas.

Segundo o executivo, modelos de longo curso utilizados no transporte de passageiros oferecem capacidade significativa para carga nos compartimentos inferiores, os porões das aeronaves. "O 777-300ER hoje, por exemplo, pode voar 20 toneladas de carga na barriga do avião, além dos passageiros", diz.

Na avaliação do executivo, essa característica permite que as empresas aproveitem períodos de maior demanda por transporte de mercadorias sem a necessidade de ampliar suas frotas cargueiras, já que altos volumes de encomendas podem voar na barriga das aeronaves de passageiros. "Ela não precisa ter um avião dedicado necessariamente. Pode utilizar um avião de passageiro e capturar as altas e minimizar as baixas do mercado cargueiro", diz.

Ao mesmo tempo, a fabricante mantém uma linha de aeronaves cargueiras e convertidas para atender operações que exigem maior capacidade ou características específicas.

Engenharia brasileira


A Boeing também mantém um Centro de Engenharia e Tecnologia
em São José dos Campos (Imagem: Divulgação)
Além das perspectivas para a aviação comercial, a Boeing também pretende ampliar sua atuação tecnológica no país. Sicilia destaca a importância do centro de engenharia da empresa em São José dos Campos (SP) que integra uma rede global de desenvolvimento da fabricante.

"São em torno de 600 engenheiros trabalhando ali. Faz parte de uma malha de centros de excelência de engenharia espalhados no mundo. São José dos Campos é um deles", destaca o executivo.

Segundo ele, a unidade brasileira vem participando de atividades consideradas estratégicas para a companhia e recebeu projetos de elevada complexidade técnica. "Eles estão ajudando a gente a desenvolver desenhos e projetos muito complexos. Não é que a gente está jogando uma coisa simples para eles desenvolverem", afirma ao destacar a capacidade tecnológica do país.

Para Sicilia, a combinação entre o tamanho do mercado brasileiro e a tradição do país no setor aeronáutico explica a relevância do Brasil para a Boeing. "É um mercado expressivo tanto em termos de demanda quanto de qualidade da engenharia", conclui.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

sábado, 4 de julho de 2026

No deserto de Mojave, a startup JetZero constrói um avião inovador para competir com a Airbus e a Boeing

Imagem do Jet1 Demonstrator da JetZero em voo, a primeira aeronave de asa integrada em escala real, apoiada pela Força Aérea dos EUA, com primeiro voo planejado para o final de 2027, nesta imagem divulgada sem data (Imagem: Jenny Dervin/JetZero/Divulgação via Reuters)
Dentro de um hangar cavernoso no Deserto de Mojave, a JetZero está construindo um protótipo em tamanho real do que poderá ser um jato com mais de 200 assentos, um segmento de mercado lucrativo que deverá estar no centro das futuras estratégias de aeronaves da Airbus e a Boeing.

O avião de teste, que deverá voar até o final do próximo ano, marca um marco fundamental na ousada tentativa da startup californiana de construir o primeiro jato comercial de asa integrada, no qual a fuselagem e as asas se fundem em uma única superfície de sustentação.

O design em forma de arraia-manta pode reduzir o consumo de combustível em até metade, segundo a empresa, e já despertou o interesse inicial e recebeu investimentos da United Airlines e Alaska Airlines.

O protótipo, parcialmente financiado pela Força Aérea dos EUA, está sendo construído para a JetZero pela Scaled Composites, uma empresa pertencente à Northrop Grumman, desenvolvedora de aeronaves e utiliza a mesma Pratt & Whitney, motores que equipam o Boeing 757.


Um primeiro voo bem-sucedido poderia desbloquear mais investimentos, permitindo que a JetZero desenvolva jatos comerciais para a primeira produção a partir de 2030 em seu recém-inaugurado complexo fabril em Greensboro, Carolina do Norte, embora isso dependa do cronograma de certificação do projeto inovador.

O projeto também poderia ser adaptado para transporte militar ou reabastecimento aéreo.

"Ninguém nunca fez isso antes", disse Tom O'Leary, CEO da JetZero, à Reuters sobre a construção do primeiro demonstrador de asa integrada em tamanho real, um conceito que a NASA pesquisa há décadas e que a Boeing quase desenvolveu.

“Estamos utilizando tecnologia já existente, fruto de mais de 30 anos de pesquisa da NASA”, disse ele.

Os detalhes do demonstrador são mantidos em sigilo, embora o objetivo seja demonstrar se o formato consegue gerar sustentação com menos arrasto, reduzindo o empuxo — e o combustível — necessários em velocidade de cruzeiro.

Apenas a cabine de pilotagem será pressurizada, e os tanques de combustível ficarão onde os passageiros estariam.

Grandes obstáculos a superar



A aeronave Z4 da JetZero terá como alvo o "segmento intermediário do mercado", antes atendido pelos Boeing 757 e 767, tipicamente com 200 a 270 assentos em rotas de médio a longo alcance.

O projeto da startup substitui a fuselagem tubular convencional por uma cabine ampla e plana, abrindo caminho para novas configurações de assentos, janelas maiores e interiores mais flexíveis, com espaço para cozinhas e banheiros reconfigurados. Os motores montados acima da parte traseira visam reduzir o ruído no solo e melhorar a eficiência.

Richard Aboulafia, diretor administrativo da AeroDynamic Advisory, afirmou que a equipe da JetZero surpreendeu muitos na indústria aeroespacial, mas enfrentou grandes obstáculos: primeiro, comprovar os ganhos de eficiência prometidos e, em seguida, garantir o financiamento necessário para transformar um protótipo em uma aeronave certificada, um processo que provavelmente levará muitos anos e custará bilhões de dólares.

“É prematuro, mas não é irracional”, disse ele sobre a possibilidade de passageiros voarem em breve em uma aeronave da JetZero. “Não podemos descartar essa possibilidade.”

'Isto é real'



Fundada em 2020, a JetZero foi inicialmente recebida com grande ceticismo. A Força Aérea dos EUA deu um grande impulso ao projeto em agosto de 2023, selecionando a JetZero para um projeto de quatro anos, com investimento de US$ 235 milhões, para a construção de um protótipo.

O engenheiro aeronáutico Bjorn Fehrm, analista da Leeham News, afirmou que a prometida economia de combustível proporcionada pelo formato da aeronave ainda não havia sido comprovada e considerou o modelo mais adequado para a Força Aérea dos EUA.

“Esse tipo de projeto é ideal para aviões militares que precisam de furtividade e volume para carga ou combustível, mas não necessariamente tão adequado para aeronaves de passageiros”, disse ele.

As companhias aéreas, cujo maior custo é o combustível, ganharam impulso com investimentos e encomendas de aeronaves, condicionadas à concretização do ambicioso conceito.

Em janeiro, a JetZero levantou US$ 175 milhões em uma rodada de financiamento liderada pela B Capital, com participação da United Airlines Ventures, Northrop Grumman e RTX Ventures. O investimento da United Airlines incluiu a possibilidade de comprar até 100 aeronaves e opções para outras 100.


Uma nova rodada de financiamento está planejada até o final deste ano, com uma possível abertura de capital até 2028, disse O'Leary, enquanto a empresa busca aproveitar o crescente interesse dos investidores em inovação aeroespacial, impulsionado pelo sucesso da SpaceX. A empresa de foguetes e inteligência artificial de Elon Musk realizou um IPO recorde no mês passado, que avaliou sua empresa em US$ 2 trilhões.

"Você não encontrará nenhum CEO de empresa aeroespacial no mundo que não esteja pensando em abrir capital na bolsa de valores agora, depois do IPO da SpaceX", disse O'Leary.

Ele reconheceu que muita coisa depende do voo de teste.

“Depois que o demonstrador voar… isso abre caminho para uma carteira de encomendas de aeronaves, porque a indústria aérea dirá: 'Isto é real.'”

Reportagem de Joe Brock; reportagem adicional de Tim Hepher em Paris; edição de Jamie Freed via Reuters

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Como funciona um motor a jato de hidrogênio?

Airbus e CFM International fazem parceria na bancada de testes do A380 do fabricante.

(Foto: Airbus)
O hidrogênio é um dos candidatos mais promissores para futuras aeronaves. Quer se trate da utilização de hidrogénio líquido para combustão direta de motores a jato ou em células de combustível, as propriedades do seu material são extraordinárias para utilização na aviação. Além disso, o hidrogénio tem um impacto quase nulo no ambiente, uma vez que não emite gases de carbono ou azoto para o ambiente.

O hidrogênio tem três vezes mais conteúdo energético do que o combustível de aviação. Como tal, a sua densidade energética é 4-5 vezes inferior à do combustível de aviação. Ao contrário do processo de combustão convencional, as células a combustível de hidrogênio geram eletricidade por meio de um processo eletroquímico. A necessidade de energia elétrica contínua é um dos desafios enfrentados na tecnologia do hidrogénio.


Este artigo explora o processo de combustão do hidrogênio e como ele pode reduzir as emissões de dióxido de carbono e óxido de nitrogênio no meio ambiente. Embora a tecnologia ainda esteja em fase preliminar, ela foi experimentada e testada por grandes fabricantes, incluindo a Airbus.

Uma história de combustão de hidrogênio


O primeiro motor de combustão interna do mundo, construído em 1804 pelo inventor franco-suíço Isaac de Rivaz, usava uma combinação de hidrogênio e oxigênio. A Tokyo City University desenvolve motores de combustão interna a hidrogênio desde 1970 e há ônibus que funcionam com essa tecnologia. Já foi usado até para alimentar aeronaves.

Tupolev Tu-155 (Foto: Juergen Schiffmann via Wikimedia Commons)
Em 1988, o Tupolev Tu-155 subiu aos céus como a primeira aeronave comercial experimental do mundo operando com hidrogênio líquido. Realizou cerca de 100 voos de teste movidos a hidrogénio e depois a gás natural liquefeito até ao colapso da URSS em 1991. Agora, os fabricantes de aviões e motores estão a tentar replicar a tarefa.

Diferente do hidrogênio elétrico


Um motor de combustão interna a hidrogênio difere de uma célula a combustível de hidrogênio. As células de combustível geram electricidade a partir do hidrogénio e depois utilizam essa electricidade num motor eléctrico, tal como um veículo eléctrico. Enquanto isso, na combustão interna, o hidrogênio é usado da mesma forma que a gasolina ou o combustível de aviação. O hidrogênio líquido ou gasoso é queimado em um motor de turbina a gás para gerar empuxo.

A combustão é um processo químico no qual a energia é liberada de uma mistura de combustível e ar. Os defensores do hidrogênio dizem que sua ampla faixa de inflamabilidade e alta temperatura de autoignição o tornam particularmente adequado para combustão. O primeiro significa que pode ser utilizado com uma temperatura mais baixa, criando menos poluentes, enquanto o segundo significa menos perda de energia.

CFM fornecerá motor a hidrogénio para teste do A380


Anos atrás, a Airbus anunciou que assinou um acordo com a CFM International, uma empresa conjunta 50/50 entre a GE e a Safran Aircraft Engines. Os dois parceiros colaborarão em um programa de demonstração de hidrogênio usando um A380 centrado na combustão interna. A CFM modificará o combustor, o sistema de combustível e o sistema de controle de um turbofan GE Passport para funcionar com hidrogênio.

Plataforma de testes de voo A380 para o demonstrador ZEROe (Foto: Airbus)
O motor de teste será montado na parte traseira da fuselagem, para que leituras de fatores como emissões e rastros possam ser medidas sem interferência de outros motores que alimentam o avião que funciona com combustível de aviação normal.

O programa é realizado como uma preparação para a tarefa da Airbus de trazer ao mercado uma aeronave com emissões zero até 2035. Gaël Méheust, presidente e CEO da CFM, disse em um comunicado anunciando a parceria:

“A capacidade de combustão de hidrogênio é uma das tecnologias fundamentais que estamos desenvolvendo e amadurecendo como parte do Programa CFM RISE. Reunindo as capacidades coletivas e a experiência da CFM, das nossas empresas-mãe e da Airbus, temos realmente a equipa dos sonhos para demonstrar com sucesso um sistema de propulsão a hidrogénio.”

Com informações do Simple Flying

domingo, 28 de junho de 2026

Você voaria? Airbus inicia testes com Inteligência Artificial para assumir o pouso de aviões

Tecnologia ainda está em fase de pesquisa e distante do uso em aviões comerciais.


Aterrissar um avião comercial é uma das fases mais complexas do voo, exigindo uma união precisa entre pilotos, sistemas de navegação, condições meteorológicas e infraestrutura do aeroporto. O que a Airbus analisa agora é se a inteligência artificial pode ajudar nesse encaixe. O sistema, batizado de Vision Landing Application, foi apresentado na feira VivaTech 2026.

A proposta, que ainda está em fase de pesquisa, envolve câmeras instaladas na própria aeronave e visão computacional para analisar em tempo real as referências da pista durante o pouso. Vídeos foram mostrados na feira para exemplificar o processo.

Aviões comerciais já conseguem pousar automaticamente em determinadas condições, mas isso não significa que o sistema esteja disponível sempre, em qualquer aeroporto e independentemente da tripulação. É necessário avião certificado, infraestrutura adequada, procedimentos autorizados e pilotos treinados para operar dentro desse contexto.

Como se pode perceber, a novidade explorada pela Airbus não elimina essa realidade: ela tenta adicionar outra forma de orientação, gerada dentro do próprio avião, a um ecossistema em que o piloto continua sendo peça central. A apresentação na VivaTech foi pensada para explicar como a visão computacional pode melhorar os procedimentos de pouso automatizado.
Automação

A Airbus coloca essa iniciativa dentro de um roteiro de automação que começou a tomar forma há anos com o ATTOL, um projeto lançado em 2018 para explorar taxiamento, decolagem e pouso autônomos por meio de reconhecimento de imagem, sem depender de sistemas terrestres convencionais como ILS ou GBAS.

Depois, vieram outros programas: o DragonFly, focado em assistência ao piloto, operações automáticas de emergência e redução da carga de trabalho durante o taxiamento; e o Auto’Mate, com um objetivo diferente — o reabastecimento em voo —, mas com blocos tecnológicos muito próximos, como câmeras, LiDAR, posicionamento de alta precisão e algoritmos de IA.

O próximo nome nessa cadeia é o Optimate, um demonstrador da Airbus UpNext que a empresa descreve como uma espécie de cabine de A350 sobre rodas. Não é um avião, mas um veículo de testes pensado para levar sensores, sistemas e automações ao ambiente real de um aeroporto sem transformar cada ensaio em um voo. Ali entram câmeras, radar 4D, LiDAR, modelos de proteção de trajetória, funções contra incursões em pista e até um assistente virtual para interpretar autorizações do controle de tráfego aéreo.
Sua função real


O Vision Landing Application deverá ser útil em pelo menos dois casos especialmente sensíveis: aeródromos remotos com pouca ou nenhuma infraestrutura avançada e ambientes em que o GNSS — a navegação por satélite usada como referência por muitos sistemas — possa estar degradado, interferido ou simplesmente indisponível. Nesses casos, o fato de a aeronave ser capaz de interpretar visualmente o que está à sua frente não substitui a segurança operacional, mas adiciona uma possível camada de apoio.

A expressão usada pela Airbus é “embedded AI”, mas podemos traduzir de forma mais clara como IA embarcada. A diferença é importante: não se trata de uma IA apoiada em servidores externos, mas de uma capacidade integrada aos sistemas da aeronave. Em um avião, não há energia sobrando, não há capacidade de cálculo ilimitada e não basta um algoritmo funcionar bem em uma demonstração. Para avançar rumo à certificação, a fabricante europeia precisa que o comportamento do hardware e do software seja controlável, rastreável e compatível com as exigências de segurança da aviação comercial.

Essa é uma das razões pelas quais convém evitar o salto fácil para aviões sem piloto. O que a Airbus descreve está muito mais próximo de uma cabine com melhores auxílios do que de uma cabine vazia. Seus sistemas buscam aliviar tarefas repetitivas, melhorar a atenção da tripulação e adicionar camadas de informação. Se a IA embarcada acabar entrando no avião comercial, sua primeira função razoável não será substituir o piloto, mas dar a ele ferramentas melhores.

Dali até um avião comercial, ainda há um longo caminho. A Airbus terá de demonstrar que essa tecnologia funciona de forma confiável em cenários muito diferentes, integrá-la ao restante dos sistemas da aeronave e atravessar um processo de certificação pensado justamente para evitar que uma inovação promissora chegue cedo demais à operação real. O Vision Landing Application não muda o modo de pousar de um dia para o outro, mas mostra uma direção bastante clara de para onde parte da indústria está caminhando.

Via Victor Bianchin (Xataka) - 
Imagens: Airbus

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Vídeo: O Megaprojeto Chinês Que Assustou o Mundo: Luanniao é Real?


A China divulgou um projeto que parece ter saído diretamente de um filme de ficção científica: o Luanniao, também chamado por muitos de “porta-aviões espacial chinês”.

Com visual digno de Star Wars, dimensões gigantescas e a proposta de operar na alta atmosfera carregando aeronaves não tripuladas, esse conceito levantou uma pergunta inevitável: estamos diante do futuro da guerra aérea e espacial ou de mais uma demonstração megalomaníaca de propaganda tecnológica?

Neste vídeo, eu analiso o que foi divulgado sobre o Luanial/Luanniao, por que esse projeto chamou tanta atenção no mundo inteiro, quais seriam os desafios reais para algo assim sair do papel e o que ele revela sobre a nova corrida tecnológica entre China, Estados Unidos e o domínio aeroespacial.

Será que o “Star Wars chinês” é possível? Ou estamos olhando para uma fantasia futurista com cara de superarma?

Assista até o final e tire suas próprias conclusões.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Vídeo: PH RADAR 86 - Acontecimentos da Aviação


A bruxa está solta!

Nos últimos dias do mês de Junho de 2026 acidentes no Brasil e pelo mundo 
deixaram suas marcas e muitas vitimas fatais.

Via Canal Porta de Hangar de Ricardo Beccari

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Herói! O Controlador de Tráfego Aéreo que impediu que duas aeronaves colidissem no ar

(Imagem: lorenzatx | Shutterstock | Simple Flying)
Vários incidentes de grande repercussão nos primeiros meses fizeram com que o controle de tráfego aéreo se tornasse um tema quente no mundo da aviação dos EUA este ano. De colisões em voo a grandes interrupções no sistema, essas ocorrências evidenciaram as falhas no sistema existente, gerando pedidos de revisão. Enquanto isso, alguns aeroportos também tiveram sua capacidade reduzida para lidar com os problemas, levando ao cancelamento de voos.

Em uma entrevista recente, um Controlador de Tráfego Aéreo dos EUA compartilhou suas experiências de um momento alarmante em que uma colisão em pleno voo parecia prestes a ocorrer no espaço aéreo que ele monitorava. Embora seu raciocínio rápido e intervenção imediata tenham impedido que as duas aeronaves entrassem em conflito novamente, o incidente o deixou bastante abalado, levando-o a se ausentar por um tempo.

Incidentes de controle de tráfego aéreo dos EUA em 2025: a história até agora


Destroços da American Airlines no Rio Potomac (Foto: Guarda Costeira dos EUA)
O ano de 2025 teve um início trágico e desafiador no mundo da aviação dos EUA, quando o país vivenciou seu primeiro grande desastre aéreo em muitos anos. Em 29 de janeiro, o voo 5342 da American Airlines (operado por sua parceira regional PSA Airlines sob a marca American Eagle) colidiu com um helicóptero Black Hawk do Exército dos EUA durante a aproximação ao Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington (DCA).

A colisão resultou na queda dos destroços das duas aeronaves no Rio Potomac, próximo à pista do aeroporto, com todas as 64 pessoas a bordo do Bombardier CRJ700, que operava o voo da American Airlines, e os três ocupantes do helicóptero perdendo a vida. O incidente evidenciou deficiências na regulamentação do tráfego aéreo na área, levando a mudanças nas regras de pessoal e nas rotas de helicópteros .

Mais recentemente, no final de abril, o Aeroporto Internacional Newark Liberty (EWR), em Nova Jersey, foi notícia pelos motivos errados, após a instalação de controle de tráfego aéreo que atendia o hub da Costa Leste sofrer uma interrupção que durou até 90 segundos . Embora nenhuma aeronave tenha caído como resultado, o incidente alarmante evidenciou a falta de redundância nos sistemas de controle de tráfego aéreo dos EUA, gerando pedidos de revisão.

Controladores de tráfego aéreo faziam anotações em papel caso o sistema falhasse novamente


Torre ATC de Newark (Foto: HH Oldman | Wikimedia Commons)
O incidente em Newark foi assustador para os controladores de tráfego aéreo que administravam o aeroporto, que pouco podiam fazer além de esperar que o sistema voltasse a funcionar e torcer para que nada desastroso acontecesse nesse meio tempo. Nem é preciso dizer que aqueles 90 segundos pareceram muito mais longos e, compreensivelmente, vários controladores de tráfego aéreo cujo trabalho foi afetado pelo incidente tiveram que tirar licença médica por trauma.

Essa era uma linha de ação compreensível, com os controladores de tráfego aéreo precisando estar lúcidos para realizar com sucesso um trabalho extremamente crítico para a segurança, mas teve impactos severos nas operações em Newark. De fato, os problemas de pessoal decorrentes dessas ausências limitaram a capacidade da instalação, provocando atrasos de até quatro horas e dezenas de voos cancelados da United Airlines .

Operações programadas do Aeroporto Internacional Newark Liberty em 2025 (segundo Cirium)
  • Voos: 383.454
  • Assentos: 59.080.191
  • Milhas de assento disponíveis (ASMs): 110.536.099.046
Com o aeroporto tendo sofrido várias interrupções no último mês , seus controladores de tráfego aéreo estão tendo que tomar precauções adicionais para se manterem preparados caso o sistema caia novamente. De fato, uma entrevista recente do Wall Street Journal com o controlador de tráfego aéreo dos EUA, Jonathan Stewart, explicou que ele e seus colegas vinham anotando indicativos e informações de voo em cadernos de papel, com a intenção de reter informações em caso de uma interrupção.

O raciocínio rápido de Stewart evitou uma colisão no ar


Torre ATC de Newark (Foto: Paparacy | Shutterstock)
Em sua entrevista com o controlador de tráfego aéreo de 45 anos, o Wall Street Journal revelou como as ações de Stewart haviam evitado recentemente uma colisão aérea no espaço aéreo de Newark. As duas aeronaves particulares haviam decolado do Aeroporto de Morristown (MMU) e do Aeroporto de Teterboro (TEB), e não do próprio Newark, mas a proximidade dessas instalações com Newark significava que os voos em questão usariam seu espaço aéreo.

O espaço aéreo, como observa a People, é controlado pelo Controle de Aproximação por Radar do Terminal da Filadélfia (TRACON), responsável por operar voos de e para o Aeroporto de Newark e outras instalações regionais na área. De acordo com o Wall Street Journal, Stewart estava há quatro horas em seu turno de ATC em 4 de maio quando notou em sua tela que dois aviões estavam em rota de colisão. O Daily Beast observa que, idealmente, os controladores não devem passar mais de duas horas online por vez.

Felizmente, Stewart percebeu a colisão iminente a tempo de tomar medidas preventivas significativas. Pensando rápido, ele conseguiu tomar a decisão em uma fração de segundo de mandar as duas aeronaves se afastarem, o que elas fizeram a tempo de evitar que se chocassem no ar. Ainda assim, embora o incidente em si tenha terminado em questão de segundos, ele se tornou um ponto decisivo na carreira de Stewart, deixando-o abalado.

Stewart criticou a FAA após o incidente


Entrada da sede da FAA (Foto: Chad Robertson Media | Shutterstock)
Dado o compreensível fardo mental de ter estado tão perto de vivenciar o que seria, sem dúvida, o pior pesadelo de qualquer controlador de tráfego aéreo, Stewart, como muitos de seus colegas nas últimas semanas, tirou uma licença por trauma em decorrência do incidente. Isso ocorreu após um e-mail enviado a gerentes da Administração Federal de Aviação (FAA), que criticava sua liderança em meio aos problemas em andamento.

O Wall Street Journal cita Stewart dizendo que "Levo meu trabalho muito a sério, assim como a segurança do público que voa, e tenho orgulho do meu desempenho. (...) Não quero ser responsável pela morte de 400 pessoas." O potencial de devastação no espaço aéreo de Stewart no caso de uma colisão aérea é especialmente alto, já que tal incidente provavelmente também resultaria em vítimas em terra em uma área urbana populosa.

Stewart explicou ao Wall Street Journal que controladores de tráfego aéreo envolvidos em incidentes por pouco não conseguem lidar com o peso mental até mais tarde. De fato, ele afirma que "a questão do TEPT é esta: para cada vez que você tem um incidente – digamos, um quase acidente, um quase acidente no ar, Deus nos livre – todos esses fatores são cumulativos". Ele também destacou comentários "insultuosos" feitos pelo CEO da United, Scott Kirby, que alegavam falsamente que funcionários do ATC em licença por trauma haviam "abandonado o trabalho".

Um trabalho estressante com muitos sacrifícios


Torre ATC de Newark (Foto: George Wirt | Shutterstock)
Como supervisor nas instalações da TRACON na Filadélfia, Stewart é responsável por monitorar outros controladores de tráfego aéreo, bem como os voos que eles supervisionam em suas respectivas áreas do espaço aéreo. Para quem não conhece, a coleção de telas com pontos de radar se movendo para frente e para trás pode parecer um jogo de computador e uma maneira surpreendentemente rudimentar de guiar vários aviões e seus muitos ocupantes pelo céu. O trabalho, no entanto, é mais trabalhoso do que alguns imaginam.

De fato, Stewart explica que as operações de controle de tráfego aéreo envolvendo centros movimentados como Newark e áreas vizinhas são " como um videogame, mas é como jogar xadrez 3D a 400 km/h. Somos nós que guiamos seus pilotos para casa ". Os funcionários dessa área são generosamente remunerados por seu tempo, esforço e habilidades, e Stewart deve ganhar mais de US$ 450.000 este ano, incluindo horas extras. No entanto, isso não conta toda a história, e dinheiro não é tudo.

Comentando sobre o custo mental e físico de ganhar um salário tão alto, Stewart explica que "você está sacrificando muito por isso. Você abre mão de noites, fins de semana, feriados, aniversários, tudo o mais. Sua saúde mental e física sofrem com isso". Como semanas de trabalho de 60 horas não são incomuns na área de atuação de Stewart, ele argumenta que, dada a natureza estressante do trabalho e as habilidades de elite demonstradas por seus colegas, tais salários deveriam ser pagos sem tais horas.

Os EUA estão buscando reformular seu sistema de controle de tráfego aéreo


Pouso de um Boeing 737 da United  em Newark (Foto: John McAdorey | Shutterstock)
Dada a gravidade dos diversos problemas de controle de tráfego aéreo que surgiram nos EUA nos primeiros meses de 2025, o país decidiu que já basta e se comprometeu a reformular seus sistemas de controle de tráfego aéreo. Stewart explicou ao WSJ que "pela primeira vez que tenho conhecimento, eles estão investindo dinheiro no problema", com algumas medidas de curto prazo já tendo sido tomadas em Newark.

De fato, a Simple Flying informou recentemente que a FAA estava considerando limitar o número de voos que poderiam atender o aeroporto em resposta à interrupção. Isso foi confirmado poucos dias depois, com um limite de 56 voos por hora (28 chegadas e 28 partidas) imposto até pelo menos meados de junho. Essa medida, que deve aliviar os problemas do ATC, também está vinculada às obras de construção da pista 4L/22R.

Em uma escala mais ampla, o Wall Street Journal observa que o Secretário de Transportes, Sean Duffy, solicitou ao Congresso bilhões de dólares em investimentos iniciais para que os EUA possam reformar seus sistemas de controle de tráfego aéreo. Isso provavelmente reduziria a chance de interrupções, além de aumentar a redundância caso elas ocorram, e Duffy já obteve apoio de várias grandes companhias aéreas americanas.

Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu com informações do Simple Flying

domingo, 14 de junho de 2026

Vídeo: Evento SUN and FUN 2026


Viajar para Sun and Fun é um prazer, primeiro é perto do Brasil, Sun and Fun tem um ótimo astral e lá nos sentimos em casa! Além do que a viagem tem um bom custo! Neste episódio. Neste ano a atração principal foi o gigante avião cargueiro da NASA o Beluga, Super Guppy, os Thunderbirds, também se apresentaram novamente, a última apresentação foi em 2024. Outra estrela rara foi o Super Costellation, um quadrimotor elegante com designer revolucionário para época. Entrevistamos o superstar dos shows aéreos ‪@mikegoulian‬ em uma conversa muita legal!

Via Canal Porta de Hangar de Ricardo Beccari

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Vídeo: PH RADAR 85 - Acontecimentos da Aviação


No programa de hoje vamos falar de:

Piloto voa sem carteira na aviação comercial

Anac perde verba do governo federal

Roda do nariz colapsa em avião Boeing 787 da Lufthansa

Este e vários assuntos no PH Radar!

Via Canal Porta de Hangar de Ricardo Beccari

Um marco na aviação: conheça o X-59, o avião da NASA que quer acabar com o estrondo sônico

Aeronave experimental da NASA ultrapassou a velocidade do som sem produzir o tradicional estrondo supersônico e pode abrir caminho para uma nova geração de voos.

(Imagem: Steve Freeman/NASA)
O forte barulho produzido por aeronaves supersônicas é tão intenso que diversos países restringem ou proíbem esse tipo de voo sobre áreas habitadas.

Apesar disso, a NASA anunciou que a aeronave experimental X-59 realizou com sucesso seu primeiro voo acima da velocidade do som, um passo importante para o desenvolvimento de uma nova geração de aviões de caça e comerciais supersônicos silenciosos. O teste aconteceu na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, e faz parte da missão Quesst (Quiet SuperSonic Technology).

Aerodinâmica da X-59 é capaz de diminuir os estrondos supersônicos


Ao contrário dos aviões supersônicos tradicionais, o X-59 foi projetado para minimizar o chamado "boom sônico" — o estrondo gerado quando uma aeronave ultrapassa a velocidade do som.

Nos modelos convencionais, as ondas de choque produzidas pelo avião se unem e chegam ao solo como um com extremamente alto, semelhante ao de uma explosão.

O projeto aerodinâmico alongado da aeronave X-59 distribui essas ondas de choque ao longo do voo, transformando o estrondo em um ruído muito mais suave, descrito pelos engenheiros como um simples "baque".

Especificações na aeronave X-59 (Imagem: NASA)

Primeiro voo supersônico atingiu 1.147km/h


A aeronave decolou no dia 5 de junho deste ano às 11h08 no horário local da Califórnia e permaneceu no ar durante 81 minutos. Durante o teste, os engenheiros avaliaram o comportamento do avião em velocidades subsônicas e supersônicas. O voo foi realizado pelo piloto de testes da NASA Jim "Clue" Less.

De acordo com as avaliações, a aeronave X-59 atingiu velocidade máxima de aproximadamente Mach 1,1:
  • Cerca de 1.147 km/h;
  • Altitude de aproximadamente 13.228 metros.
Na prática, voando a 1.147 km/h, o X-59 poderia sair do Rio de Janeiro e chegar a São Paulo em cerca de 20 minutos, ou alcançar Brasília em menos de uma hora.

Durante toda a operação, um caça F-15 da NASA acompanhou a aeronave para monitorar seu desempenho e auxiliar a equipe técnica.

Primeiro voo da aeronave X-59 em outubro de 2025 (Foto: NASA)

O que significa velocidade Mach 1,1?


Na aviação, a velocidade é frequentemente medida pela escala Mach, que compara a velocidade do objeto com a velocidade do som. A velocidade do som pode variar conforme fatores como temperatura e altitude, mas, ao nível do mar, fica próxima de 1.235 km/h.
  • Mach 1 = velocidade do som;
  • Mach 1,1 = cerca de 10% acima da velocidade do som;
  • Mach 1,4 = aproximadamente 1.488 km/h.

Por que o estrondo sônico é um problema?


Quando um avião ultrapassa a velocidade do som, ele comprime o ar ao seu redor e gera ondas de choque. Essas ondas se propagam até o solo na forma de um estrondo intenso, capaz de assustar pessoas, provocar vibrações em edifícios e até causar pequenos danos estruturais em determinadas situações.

Por causa desse efeito, desde a década de 1970 muitos países restringem voos comerciais supersônicos sobre áreas terrestres, limitando esse tipo de operação principalmente aos oceanos. Se a tecnologia do X-59 funcionar como esperado, essas regras poderão ser revistas no futuro.

O que é a missão Quesst?


O X-59 é a principal aeronave da missão Quesst, sigla para Quiet SuperSonic Technology (Tecnologia Supersônica Silenciosa).

O objetivo do programa é desenvolver soluções que permitam a criação de aviões comerciais capazes de reduzir drasticamente o ruído produzido durante voos acima da velocidade do som.

Além dos testes em voo, a NASA pretende fornecer ferramentas de engenharia e modelos aerodinâmicos para que fabricantes possam desenvolver futuras aeronaves supersônicas com padrões de ruído aceitáveis.

Via Natália P. Martins (xataka.com.br)

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Vídeo: PH RADAR 84 - Acontecimentos da Aviação


No PH Radar de hoje Milton Parnes e Becca discutem assuntos como:

Aviação executiva, falta de aeroporto, dia do aviador agrícola, 
dia do comissário de bordo e muito mais!

Via Canal Porta de Hangar de Ricardo Beccari


domingo, 7 de junho de 2026

Apenas 8 rotas no mundo têm mais de 100 voos por dia, e uma está no Brasil

Pista 20 do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (Imagem: Alexandre Saconi/13.mar.2026)
No mundo todo, apenas oito rotas têm uma média de mais de cem voos diários. Isso corresponde a mais de quatro voos por hora ligando dois aeroportos únicos.

Os dados são uma compilação feita pela consultoria britânica OAG, especializada em inteligência do setor aéreo.

Veja o ranking:
  1. Jeju - Seul (Coreia do Sul): 194 voos por dia (14,3 milhões de assentos ofertados por ano)
  2. Melbourne - Sydney (Austrália): 134 voos por dia (8,9 milhões de assentos ofertados por ano)
  3. Jidá - Riad (Arábia Saudita): 130 voos por dia (9,8 milhões de assentos ofertados por ano)
  4. Hanói - Cidade de Ho Chi Minh (Vietnã): 123 voos por dia (11 milhões de assentos ofertados por ano)
  5. Fukuoka - Tóquio (Japão): 113 voos por dia (11,4 milhões de assentos ofertados por ano)
  6. Sapporo - Tóquio (Japão): 109 voos por dia (12 milhões de assentos ofertados por ano)
  7. Mumbai - Délhi (Índia): 107 voos por dia (7,6 milhões de assentos ofertados por ano)
  8. São Paulo (Congonhas) - Rio de Janeiro (Santos Dumont): 103 voos por dia (5,1 milhões de assentos ofertados por ano)
Todos os dados são da OAG, apenas a quantidade de assentos ofertados por ano da rota entre São Paulo e o Rio de Janeiro é da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Ponte aérea


A ponte aérea Rio-São Paulo se destaca no ranking devido à quantidade de decolagens realizadas, mas não pela quantidade de assentos ofertados. Mesmo estando em oitavo lugar no ranking, a conexão brasileira não está sequer entre as maiores em número de assentos ofertados no mundo, e nem é a maior da América Latina.

Na região, a ligação entre Bogotá e Medellín (Colômbia) teve 6,2 milhões de assentos ofertados em 2025, por exemplo.

Considerando que os aeroportos Santos Dumont e de Congonhas operam entre 6h e 23h, e que foram realizadas 103 operações por dia em 2025, são cerca de 6,3 voos por hora conectando os dois locais.

Então, como explicar a alta quantidade de voos da ponte aérea não ter capacidade de transportar tantos passageiros quanto em rotas com mais assentos disponíveis? A resposta está no tipo de avião usado.

Limitações


Congonhas pode realizar 44 pousos e decolagens por hora, sendo 40 para a aviação comercial regular e quatro para a aviação não regular e aviação geral (táxi-aéreo, aeronaves particulares, operação aeromédica, entre outras). O Santos Dumont, por sua vez, pode operar 29 pousos e decolagens por hora, sendo 23 para a aviação comercial regular e seis para as demais modalidades de voo.

Mais do que essas limitações, o tamanho das pistas impõe limites para que aviões maiores sejam usados. Com isso, é comum que os voos sejam feitos com aviões menores da família Airbus A320 (Latam) ou Boeing 737 (Gol). Ainda, é comum que os Embraer da família E2, operados pela Azul, também sejam usados nessa rota.

Como eles têm uma capacidade inferior, precisariam realizar mais voos para transportar a mesma quantidade de passageiros que nas rotas realizadas nos países asiáticos, onde é comum que aviões maiores, como os de fuselagem larga que levam mais de 200 passageiros por voo, realizem rotas domésticas.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)