quinta-feira, 25 de junho de 2026

Tem drone? Nova regra exige autorização para todos voos e prova para piloto

Uso de drones ganha novas regulamentações (Imagem: Toninho Tavares/22.jan.2018/Agência Brasíl)
Novas regras para o uso de drones que estão sendo implementadas prometem movimentar um mercado considerado bilionário. As determinações são do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), órgão da FAB (Força Aérea Brasileira), e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

As mudanças foram apresentadas durante a DroneShow, principal evento do setor no país, realizado na última semana em São Paulo.

Entre as novidades estão a obrigatoriedade de solicitar autorização para qualquer voo de drone, inclusive dos modelos mais leves, a criação de uma prova para pilotos profissionais e a simplificação das regras para operações comerciais mais complexas.

As mudanças atingem um setor em rápida expansão. O Brasil possui atualmente cerca de 160 mil drones cadastrados na Anac, utilizados tanto para lazer quanto para atividades profissionais em áreas como agricultura, energia, segurança pública e construção civil.

Todo voo deve ser informado


Uma das medidas que mais afetará os usuários é a obrigatoriedade de solicitar autorização para qualquer operação de drone por meio do sistema Sarpas (Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas), administrado pelo Decea. A exigência passa a valer também para equipamentos com menos de 250 gramas, limite que anteriormente dispensava parte das autorizações.

Segundo o major Rodrigo Gonzalez, chefe da subdivisão de planejamento de aeronaves não tripuladas do Decea, o objetivo não é criar novas restrições, mas garantir que os operadores conheçam as regras que já existem.

"Eu preciso tirar esse usuário do 'escuro' e trazer ele para a legalidade. E como eu faço isso? Por informação", afirmou. De acordo com ele, muitos usuários recreativos acabavam voando em locais inadequados simplesmente por desconhecerem as limitações do espaço aéreo.

Um exemplo frequente ocorre nas praias. Embora o voo recreativo nesses locais seja permitido, existem restrições de altitude para evitar conflitos com helicópteros que operam próximos ao litoral. "Então ele vai executar o mesmo voo na praia. Contudo, agora com segurança, respeitando os limites de altura estabelecidos", diz o major.

O pedido de autorização é gratuito e, segundo o Decea, costuma ser analisado automaticamente em poucos minutos. Hoje, cerca de 92% das mais de 500 mil solicitações anuais passam apenas por análise eletrônica. Os demais casos exigem avaliação manual por representarem maior risco para a navegação aérea.

O órgão também lançará em julho um aplicativo para facilitar o acesso ao sistema. Empresas que operam drones comercialmente poderão integrar seus próprios sistemas ao Sarpas por meio de uma API, permitindo que as autorizações sejam solicitadas diretamente de seus aplicativos.

Hoje, empresas como Rower e Xmobots já trabalham com integração com o Sarpas. Pilotos que usam as plataformas das empresas podem pedir a autorização de voo diretamente no sistema oferecido para a operação, sem precisar fazer a requisição na página do sistema.

Fiscalização mais simples


Diferentes tipos de drones: Voos passam a ser regulados de acordo com a
complexidade da operação (Imagem: Tony Oliveira/12.jan.2024/Agência Brasília)
As mudanças também devem facilitar o trabalho dos órgãos de fiscalização. Segundo Gonzalez, policiais e agentes de segurança frequentemente tinham dificuldade para verificar se um voo era regular, principalmente porque a regra anterior dependia do peso da aeronave.

Com o novo modelo, os agentes poderão consultar diretamente as autorizações emitidas pelo Sarpas por meio de um aplicativo. O sistema permitirá a leitura de um QR Code ou a inserção do número da autorização para verificar se o piloto está operando exatamente na área aprovada.

Caso seja constatada alguma irregularidade, o operador poderá responder administrativamente perante a Aeronáutica. Dependendo da situação, o caso também poderá ser encaminhado às autoridades competentes para investigação criminal.

Para Emerson Granemann, diretor-presidente da MundoGEO (empresa organizadora do DroneShow), a medida vai melhorar o cenário regulatório. "Não gosto de usar a palavra flexibilização, mas as novas regras vão realmente flexibilizar o uso de drones profissionais, mas com ferramentas que garantam segurança nas operações. É uma notícia bem positiva, e a gente estima que o mercado vai crescer muito nos próximos dois anos", diz o executivo.

Mais facilidade


Apesar das novas exigências, a Anac acredita que parte das mudanças tem justamente o objetivo de simplificar a vida dos operadores.

Uma das principais alterações é a separação entre usuários recreativos e profissionais. Hoje, ambos precisam consultar essencialmente o mesmo regulamento. Com a entrada em vigor da nova regulamentação, denominada RBAC 100, os pilotos recreativos passam a seguir uma norma específica, com regras voltadas apenas para esse público.

"Para ele, na verdade, vai ficar mais fácil", afirmou Marco Santin, especialista em regulação da Anac.

Outra mudança importante é que as operações comerciais deixam de ser classificadas principalmente pelo peso do drone e passam a ser avaliadas pelo risco da atividade realizada.

Pelo novo modelo, operações de baixo risco ficam na chamada categoria aberta. As de risco intermediário entram na categoria específica. Já as atividades mais complexas passam para a categoria certificada.

Análise do risco


A mudança aproxima o Brasil de modelos regulatórios já adotados em outros mercados, como o europeu, segundo a Anac. Para avaliar operações mais complexas, a agência passará a utilizar uma metodologia internacional conhecida como SORA (Specific Operations Risk Assessment, ou Avaliação de Risco Operacional Específico).

Na prática, o sistema analisa fatores como local do voo, proximidade de pessoas, tamanho da aeronave e tipo de operação para definir quais exigências serão necessárias. Isso permite, por exemplo, diferenciar um voo realizado em uma área rural isolada de outro feito próximo a uma região densamente povoada.

Segundo Santin, muitas dessas operações já eram autorizadas pela agência por meio de pedidos especiais. A diferença é que agora elas passam a fazer parte da regulamentação permanente.

Prova para pilotos


Operação comercial de drones passa a exigir prova para os pilotos
(Imagem: Tony Oliveira/12.jan.2024/Agência Brasília)
Outra novidade é a criação de uma prova teórica para operadores profissionais de drones. A exigência entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027 e não se aplica a quem faz o uso recreativo de drones.

O exame será realizado por meio do portal de capacitação da Anac e tem como objetivo garantir que os pilotos conheçam as regras aplicáveis à sua atividade. "O maior interesse da Anac é que o piloto tenha consciência de qual categoria está operando e quais são os limites dessa categoria", afirmou Santin.

Dependendo do nível de risco da operação, também poderão ser exigidos requisitos adicionais, como certificações específicas e qualificações mais avançadas.

Segurança jurídica


As inovações também devem trazer uma maior segurança jurídica para a operação dos drones no Brasil. De acordo com a advogada Roberta Fagundes Leal Andreoli, sócia do Leal Andreoli Advogados e presidente da Comissão de Direito Aeronáutico da OAB-SP, as mudanças seguem práticas adotadas internacionalmente e atendem a demandas que já vinham sendo apresentadas pelo setor.

Segundo ela, a substituição da antiga normativa pelo novo RBAC 100, além da criação de uma norma específica para drones de até 250 gramas e aeromodelos, torna as regras mais fáceis de entender ao separar as exigências de acordo com a complexidade de cada operação.

"As alterações normativas trazidas pela Anac e pelo Decea possuem segurança jurídica e são baseadas na prática internacional. A divisão do escopo normativo pela complexidade das operações facilitará o entendimento das regras e das obrigações aplicáveis a cada caso", afirmou.

Para Andreoli, a classificação das operações pelo nível de risco e a exigência de avaliação teórica para pilotos profissionais devem favorecer a expansão do setor. "As principais alterações atendem solicitações feitas pelos regulados durante a consulta pública prévia e facilitarão a massificação das operações comerciais com drones no Brasil", disse.

A advogada também destaca que a exigência de autorização para acesso ao espaço aéreo, independentemente do peso da aeronave, deve ampliar a conscientização dos operadores sobre suas responsabilidades. Segundo ela, a medida ajuda a reduzir situações em que voos recreativos acabam expondo pessoas, patrimônios ou outras aeronaves a riscos por desconhecimento das normas.

O que não muda


Embora as normas tenham sido atualizadas, várias das principais restrições permanecem as mesmas.

Continua proibido operar drones em áreas restritas sem autorização, voar acima dos limites permitidos ou realizar atividades que coloquem em risco aeronaves tripuladas.

Segundo o Decea, boa parte das situações que hoje resultam em irregularidades já era proibida anteriormente. A diferença é que muitos operadores não tinham acesso fácil às informações ou desconheciam as regras aplicáveis.

A expectativa dos órgãos reguladores é que a nova estrutura aumente o nível de conhecimento dos usuários e reduza ocorrências envolvendo drones e aeronaves convencionais.

Mercado bilionário


As mudanças ocorrem em um momento de forte expansão do setor no Brasil. Durante audiência sobre o mercado brasileiro de drones realizada na Câmara dos Deputados em 2025, o deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP) relatou que mercado brasileiro é o segundo maior das Américas para drones, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

O faturamento desse segmento chega a US$ 373 milhões (cerca de R$ 2 bilhões), e há uma estimativa de crescimento de 25%, segundo o parlamentar. A expectativa é que regras mais modernas e processos mais simples permitam ampliar o uso comercial dessas aeronaves nos próximos anos.

Além de aplicações recreativas, os drones são cada vez mais utilizados in atividades que antes dependiam de helicópteros, aviões tripulados ou equipes em solo, reduzindo custos e aumentando a eficiência de diversas operações.


Granemann também acredita que haverá um impulsionamento do setor com as novas medidas. Composto pela venda de equipamentos, somado à prestação de serviços, o mercado de drones atinge cifras bilionárias no Brasil, afirma o executivo.

"O mercado é feito pela comercialização dos drones, da tecnologia embarcada, [...] sensores, softwares de processamento das imagens. Isso tudo está crescendo bastante, [...].E a prestação de serviços é onde gera mais receita, porque todos os profissionais que vêm aqui na nossa feira, eles vêm para comprar equipamentos, atualizar sua frota e prestar serviço. Essa prestação de serviços somada chega a centenas de empresas que oferecem os serviços e geram receita. Somando a receita da venda dos equipamentos com a prestação de serviços, é um mercado bilionário", conclui Granemann.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

quarta-feira, 24 de junho de 2026

História: 4 pinturas exclusivas do Concorde e as histórias por trás delas


Apesar da imensa empolgação em torno do jato de asa delta, apenas 14 exemplares do tipo foram produzidos (junto com seis protótipos), com a Air France e a British Airways sendo seus principais usuários.

No entanto, isso não significa que as pinturas das duas companhias aéreas de bandeira europeias durante a carreira operacional do Concorde tenham sido os únicos esquemas de pintura aplicados ao icônico avião de passageiros com capacidade para Mach 2. De fato, uma rápida olhada nos livros de história destaca algumas pinturas únicas que apareceram brevemente na aeronave por diferentes motivos. Com isso em mente, vamos dar uma olhada no passado e analisá-las.

1. Singapore Airlines


Uma pintura meio a meio

Aqueles familiarizados com o histórico operacional do Concorde na British Airways saberão que, inicialmente, o modelo foi implantado na rota entre Londres Heathrow (LHR) e o Aeroporto Internacional do Bahrein (BAH). No entanto, como observa a Heritage Concorde, esse serviço foi posteriormente estendido ao Aeroporto Paya Lebar (QPG) de Singapura, com os primeiros voos supersônicos da companhia aérea de bandeira do Reino Unido na rota operando em dezembro de 1977.

Infelizmente, esse serviço teve vida relativamente curta, pois reclamações de ruído do governo malaio levaram a British Airways a suspender temporariamente o uso do Concorde na rota após apenas três viagens de ida e volta. No entanto, as operações foram retomadas pouco mais de um ano depois, em janeiro de 1979, quando a British Airways decidiu redirecionar os voos para evitar o espaço aéreo malaio e as reclamações relacionadas.

Concorde da Singapore Airlines (Foto: Steve Fitzgerald | Wikimedia Commons)
Em conjunto com esses voos, a British Airways, como ilustrado abaixo, permitiu que a pintura contemporânea da Singapore Airlines fosse pintada no lado esquerdo (bombordo) de uma de suas aeronaves Concorde, a G-BOAD. Como parte do acordo de marketing entre as duas companhias aéreas, comissários de bordo da Singapore Airlines e da British Airways trabalharam a bordo dos serviços, embora os pilotos da British Airways sempre tenham pilotado.

É claro que o G-BOAD não foi implantado exclusivamente na rota supersônica da British Airways de Londres para Singapura, via Bahrein, o que significa que, como observa o Concorde SST, qualquer uso em outros corredores resultou em um grau útil de publicidade gratuita para a Singapore Airlines. No entanto, como noticiou o Montreal Gazette na época, o aumento dos custos e as mudanças na navegação (devido à impossibilidade de voar em velocidades supersônicas no espaço aéreo indiano durante a rota) levaram à retirada da rota em novembro de 1980.

2. Pintura Pepsi da Air France


Uma bala em azul

No final do século XX, a outra principal operadora comercial do Concorde, a Air France, também aplicou uma pintura especial a um de seus jatos supersônicos. Como mostrado abaixo, o esquema de pintura em questão consistia na fuselagem da aeronave, que ostentava o registro F-BTSD, pintada predominantemente em azul, a fim de servir como um enorme outdoor supersônico para ninguém menos que a gigante global de refrigerantes Pepsi.

(Foto: Alex Rankin | Flickr)
O esquema de pintura incluiu a fuselagem e a cauda do jato supersônico pintadas no tom de azul característico da Pepsi, com o logotipo da empresa também presente na cauda, ​​enquanto as asas em formato de delta do avião permaneceram no tom habitual de branco. De acordo com o Heritage Concorde, a Pepsi investiu US$ 500 milhões nesta campanha e contatou a Air France e a British Airways antes de escolher a primeira.

No entanto, a pintura especial limitava o desempenho da aeronave, já que as cores mais escuras utilizadas retinham o calor gerado pelo voo em velocidades supersônicas por mais tempo. Por esse motivo, preocupações com a segurança levaram as asas da aeronave a manter a pintura branca refletiva, e a Air France ficou limitada quanto à duração da operação da aeronave a Mach 2, ou seja, por períodos de no máximo 20 minutos.

Concorde Pepsi Livery da Air France (Foto: Jonathan McDonnell | Wikimedia Commons)
Ainda assim, sem restrições impostas à aeronave em velocidades abaixo de Mach 1,7, o F-BTSD não sofreu muito em termos operacionais devido à pintura especial, especialmente porque não estava programado para operar voos com velocidades de cruzeiro longas de Mach 2 na época. De qualquer forma, a campanha promocional teve vida relativamente curta, com o jato operando apenas 16 voos com a pintura especial em março e abril de 1996.

3. Tricolor comemorativo


Comemorando vários aniversários

Deixando de lado as pinturas especiais usadas em aeronaves comerciais, um dos seis protótipos do Concorde também foi pintado com uma pintura tricolor especial em 1989. A aeronave em questão tinha o registro F-WTSB, com dados históricos da frota disponibilizados pelo Planespotters.net mostrando que o avião teve uma carreira operacional relativamente curta, que durou de dezembro de 1973 a 1982.


Depois disso, a aeronave foi armazenada no Aeroporto Châteauroux-Centre Marcel Dassault (CHR), no centro da França, onde permaneceu de 1982 a 1985, antes de realizar um último voo para Toulouse, onde iniciaria sua vida em preservação. Inicialmente, foi exibida em frente à sede da Airbus em Toulouse, antes de ser transferida para o museu Aeroscopia 30 anos depois, em 2015.


Como mostrado acima, durante os primeiros anos de preservação da aeronave, ela foi pintada com uma pintura tricolor exclusiva em 1989 para marcar dois aniversários muito especiais. O primeiro deles foi o primeiro voo do Concorde, realizado em Toulouse em março de 1969. Em segundo lugar, 1989 também marcou o 200º aniversário do início da Revolução Francesa, tornando este esquema de cores tricolor patriótico uma escolha realmente muito apropriada.

4. Concorde, a estrela de cinema


Uma pintura temporária para a tela grande

Para os entusiastas da aviação com gosto por filmes de desastre, a década de 1970 foi frutífera, com todos os quatro filmes da franquia Aeroporto sendo lançados nesse período. Trata-se de Aeroporto (lançado nos EUA em 1970), Aeroporto 1975 (lançado, confusamente, em 1974), Aeroporto '77 (lançado em 1977) e O Concorde... Aeroporto '79 (lançado nos EUA em 1979 e no Reino Unido como Aeroporto '80: O Concorde em 1980).


Como o título do quarto filme sugere, o Concorde desempenhou um papel central na trama do filme, com os produtores precisando encontrar um exemplar do jato supersônico que pudessem usar na tela grande. A aeronave em questão era um exemplar da Air France com o registro F-BTSC e, para seu uso no filme, o avião foi repintado com uma pintura relativamente simples, mas única. O filme recebeu críticas majoritariamente negativas e seria o último da série de filmes "Aeroporto".


Após seu uso no filme, o F-BTSC serviria a Air France por mais duas décadas. No entanto, sua carreira operacional na companhia aérea de bandeira francesa com sede em Paris e membro fundador da SkyTeam foi tragicamente interrompida após seu envolvimento na queda do voo 4590 da Air France em julho de 2000. Como lembra a Aviation Safety Network, todas as 109 pessoas a bordo e quatro em solo morreram quando o avião caiu logo após deixar Paris com destino a Nova York.

As pinturas padrão


British Airways

Claro, seria negligente discutir as diversas pinturas especiais usadas pelo Concorde ao longo dos anos sem também analisar mais de perto os esquemas de pintura padrão que seus operadores usaram durante seus 27 anos de carreira. Na British Airways, a companhia aérea de bandeira do Reino Unido pintou o jato supersônico com a pintura "Negus" de 1976 a 2004, com três versões sutilmente diferentes do esquema usadas durante esse período.

Concorde preservado da British Airways em NY (Foto: Karolis Kavolelis)
Em seguida, a companhia aérea britânica adotou a pintura "Landor" em 1985, após sua apresentação em dezembro do ano anterior. Uma grande mudança nessa pintura em comparação com seu antecessor, o Negus, foi a substituição da linha azul-escura pela "asa de velocidade" vermelha na lateral da fuselagem. Apesar da controvérsia inicial, a Landor entrou para a história como uma das pinturas mais icônicas da British Airways.

Como mostrado acima, a terceira e última pintura do Concorde da British Airways foi usada pelo jato supersônico entre 1998 e 2003. Este design icônico foi revelado ao mundo pela primeira vez em junho de 1997, quando a companhia aérea de bandeira do Reino Unido se uniu à Newell & Sorrell para desenvolver uma nova identidade que demonstrasse suas credenciais como uma companhia aérea verdadeiramente global. A pintura foi um sucesso, pois a pintura da British Airways permanece a mesma até hoje.

Air France

Enquanto isso, as aeronaves Concorde da Air France usaram a mesma pintura durante a maior parte de suas operações na companhia aérea de bandeira francesa. Inicialmente, a companhia aérea optou por um design retrô com uma linha azul-escura que se estendia por praticamente toda a fuselagem do avião. Essa pintura também apresentava uma seta azul-escura na cauda, ​​com o nome da companhia aérea impresso em letras maiúsculas próximo à frente.

(Foto: Ken Rose | Wikimedia Commons)
No entanto, no final da década de 1970, a aeronave Concorde da Air France recebeu uma nova pintura, como na foto acima, que incluiu a remoção da linha de referência e a realocação do nome da companhia aérea (que também era impresso em letras maiúsculas maiores) de cima para baixo das janelas. A cauda, ​​por sua vez, apresentava o desenho tricolor da bandeira francesa, padrão que foi mantido até a eventual retirada do Concorde.

Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu com informações do Simple Flying

Felipe Castanhari: O mundo não acabou por MUITO pouco" - Lito Lounge

Castanhari, criador do Canal Nostalgia, pousa no Aeroporto da Litosfera para uma conversa de quase 1h30 sem pauta e sem filtro com o Lito. Dos bastidores do canal — passando pela sua vida como animador 3D antes do YouTube — até os medos reais sobre inteligência artificial, aquecimento global, carros autônomos, e por que ele não quer ter filhos. Um bate-papo honesto entre dois criadores veteranos sobre o passado que eles amam e o futuro que os assusta.

Via Canal Aviões e Músicas com Lito Sousa

Aconteceu em 24 de junho de 1995: Acidente com o voo da Harka Air Services em Lagos, na Nigéria


Em 24 de junho de 1995, a aeronave 
Tupolev Tu-134A, prefixo RA-65617, da Harka Air Services (foto acima), operava um voo de Kaduna para Lagos, ambas localidades da Nigéria, levando a bordo 80 ocupantes, sendo 74 passageiros e seis tripulantes.

O Tupolev Tu-134A foi fabricado pela Kharkiv State Aircraft Manufacturing Company em 1974. Foi operado pela companhia aérea alemã oriental Interflug de 1974 a 1990, mas posteriormente foi devolvido ao registro soviético e repassado à Komiavia, recebendo a matrícula RA-65617 em 1992. Em 15 de dezembro de 1992, foi arrendado à companhia aérea nigeriana Harka Air Services. Na época do acidente, a aeronave havia acumulado 24.844 horas de voo e 15.740 pousos.

A aeronave fazia um voo de Kaduna para Lagos, pilotada por uma tripulação russa liderada pelo Capitão VV Lerner, com comissários de bordo nigerianos. Ao se aproximar do Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos, a tripulação recebeu informações meteorológicas indicando ventos moderados e chuva fraca. 

No entanto, as condições climáticas deterioraram-se rapidamente e uma forte tempestade começou justamente quando a aeronave estava pousando. A pista estava molhada devido à chuva. 

Como resultado da aquaplanagem, a aeronave não conseguiu parar adequadamente, ultrapassou os limites da pista, invadiu a área de segurança e caiu em uma vala de drenagem de concreto, partindo-se em pedaços e pegando fogo.

O processo de evacuação foi dificultado pela má comunicação entre os pilotos russos e a tripulação nigeriana, provavelmente devido a uma barreira linguística. Consequentemente, alguns passageiros permaneceram sentados na cabine e morreram no incêndio. Dezesseis passageiros morreram no acidente.


Foi determinado que o acidente foi consequência dos seguintes fatores:
  • Má qualidade na organização do suporte meteorológico no aeroporto de Lagos, resultando na falta de informações confiáveis ​​da tripulação sobre a direção e a força reais do vento durante a aproximação e o pouso, o que fez com que a aeronave pousasse muito à frente na pista;
  • Presença de uma camada de água na pista, da qual a tripulação não foi informada antes do pouso, o que fez com que a aeronave entrasse em aquaplanagem e perdesse a eficiência da frenagem;
  • Falha da tripulação em iniciar um procedimento de arremetida após encontrar condições meteorológicas adversas durante a fase final da aproximação e estimativa errônea do comprimento restante da pista para a conclusão segura do pouso em caso de chuva forte;
  • Violação, por parte da tripulação de cabine, dos requisitos relativos ao número e posicionamento dos comissários de bordo no pouso, o que levou à entrada não detectada de 15 passageiros no compartimento traseiro e nos banheiros após a queda da aeronave e suas mortes em caso de incêndio;
  • Organização insatisfatória das operações de resgate no aeroporto de Lagos.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, ASN e baaa-acro

Aconteceu em 24 de junho de 1994: A trágica história do B-52 Stratofortress 'Czar 52' ​​- Acidente na Base Aérea de Fairchild


Na sexta-feira, 24 de junho de 1994, um Boeing B-52 Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) caiu na Base Aérea de Fairchild, em Washington, nos Estados Unidos, depois que seu piloto, o tenente-coronel Arthur "Bud" Holland, manobrou o bombardeiro além de seus limites operacionais e perdeu o controle. 

O B-52 estagnou, caiu no chão e explodiu, matando Holland e os três outros oficiais de campo a bordo da aeronave. Além disso, uma pessoa no solo sofreu ferimentos durante o acidente, mas sobreviveu. O acidente foi capturado em vídeo e mostrado repetidamente em programas de notícias em todo o mundo.

A investigação subsequente concluiu que o acidente foi atribuído principalmente a três fatores: personalidade e comportamento de Holland; Reações atrasadas ou inadequadas dos líderes da USAF a incidentes anteriores envolvendo Holland; e a sequência de eventos durante o voo final da aeronave. 

O acidente agora é usado em ambientes de aviação militar e civil como um estudo de caso para ensinar gerenciamento de recursos de tripulação. Também é frequentemente usado pelas Forças Armadas dos EUA durante o treinamento de segurança da aviação como um exemplo da importância de cumprir as normas de segurança e corrigir o comportamento de qualquer pessoa que viole os procedimentos de segurança.

Plano de fundo


Em 24 de junho de 1994, uma tripulação de bombardeiro USAF B-52H estacionada na Base da Força Aérea de Fairchild preparou-se para praticar um voo de demonstração de aeronave para um show aéreo que ocorreria no dia seguinte. 

A tripulação era composta pelos pilotos tenente-coronel Arthur "Bud" Holland (46 anos) e tenente-coronel Mark McGeehan (38), coronel Robert Wolff (46) e oficial de sistemas de armas/navegador de radar, tenente-coronel Ken Huston (41). 

Holland foi o comandante da aeronave designado para o voo, com McGeehan como copiloto e Wolff como observador de segurança. Holland era o chefe da 92ª Asa de Bombardeio no ramo de padronização e avaliação, McGeehan era o comandante do 325º esquadrão anti-bombas, Wolff era o vice-comandante da 92ª ala de bombas e Huston era o 325º oficial de operações do esquadrão anti-bombas.

O plano da missão para o voo previa uma série de passagens em baixa altitude, curvas inclinadas de 60° , uma subida íngreme e uma aterrissagem direta na pista 23 de Fairchild. O voo também era o "voo final" de Wolff - um comum tradição na qual um membro aposentado da tripulação da USAF é recebido no campo de aviação por parentes, amigos e colegas de trabalho, logo após o pouso em seu voo final, e é encharcado de água. 

Consequentemente, a esposa de Wolff e muitos de seus amigos próximos estavam no campo de aviação para assistir ao voo e participar da cerimônia pós-voo. A esposa de McGeehan e seus dois filhos mais novos estavam assistindo o voo do quintal dos aposentos de McGeehan, que ficavam próximos.

Decolagem



A aeronave Boeing B-52H-170-BW Stratofortress, prefixo 61-0026, da Força Aérea dos Estados Unidos, com indicativo 'Czar 52' (foto acima), decolou às 13h58 e completou a maioria dos elementos da missão sem incidentes. 

Ao se preparar para executar o touch-and-go na Pista 23 ao final do perfil de treino, a aeronave foi instruída a dar a volta, pois uma aeronave KC-135 estava na pista, acabando de pousar. 

Mantendo uma altitude de cerca de 250 pés (75 m) acima do nível do solo (AGL), Holland comunicou por rádio a torre de controle e solicitou permissão para executar uma curva à esquerda de 360​​°, que foi imediatamente concedida pelo controlador da torre.

Acidente


O B-52 então deu início a uma curva de 360​​° à esquerda em torno da torre, partindo do ponto médio da pista. Localizada logo atrás da torre, havia uma área de espaço aéreo restrito. 


Aparentemente, para evitar voar através do espaço aéreo restrito, Holand voou com a aeronave em uma curva extremamente fechada e abruptamente inclinada, enquanto mantinha a altitude AGL baixa de 250 pés (75 m). 


Aproximadamente três quartos do caminho ao redor da curva, às 14h16, a aeronave inclinou além de 90°, desceu rapidamente, cortou os cabos de força e atingiu o solo, explodindo e matando os quatro membros da tripulação. 


McGeehan estava sentado em um assento ejetável, mas de acordo com o atestado médico, ele havia apenas "ejetado parcialmente no momento do impacto"; não indica se ele conseguiu liberar a aeronave. Huston também estava sentado em um assento ejetor; o atestado médico indicava que ele não havia iniciado a sequência de ejeção. O assento de Wolff não era capaz de ejeção. Um aviador ficou ferido enquanto observava.


Investigação


A USAF imediatamente convocou um comitê de investigação de segurança sob a direção do Chefe de Segurança da USAF, Brigadeiro General Orin L. Godsey. O conselho divulgou o relatório de sua investigação sobre o acidente em 10 de agosto de 1994. Uma avaliação final da investigação de segurança foi divulgada em 31 de janeiro de 1995. 

Um conselho de investigação de acidentes, denominado "Investigação AFR 110-14", divulgou um relatório separado em 1995. Ao contrário da investigação de segurança da USAF, que foi divulgada apenas para funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o relatório AFR 110-14 foi divulgado para o público em geral.

A investigação AFR 110-14 identificou vários fatores que contribuíram para o acidente, incluindo a sequência real do acidente, a personalidade e o comportamento anterior de Holland, supervisão anterior e falta de ação corretiva exercida pelos oficiais da USAF a Holland, planejamento e execução da missão e outros fatores ambientais e humanos.

A sequência do acidente


A investigação descobriu que quando o B-52 entrou em sua sequência final de curva em torno da torre, seu indicador de velocidade no ar (ASI) estava mostrando 182 nós (337 km/h; 209 mph). 

Embora Holand tenha aumentado a potência do motor após iniciar a curva, sua entrada veio tarde demais para manter a velocidade da aeronave, já que os motores turbofan do B-52 levam até oito segundos para responder aos comandos do acelerador. 


O ASI estava disponível para todos os quatro membros da tripulação, mas eles permitiram que a velocidade da aeronave continuasse diminuindo. Oito segundos antes do impacto, a velocidade no ar caiu para 145 nós (269 km/h; 167 mph) e o ângulo de inclinação da aeronave aumentou além de 60°. 

Este foi o ponto em que Holland ou McGeehan aplicaram spoiler direito total, leme direito e profundor para cima; no entanto, devido à redução na velocidade do ar, a aeronave entrou em um estol de voo em curva (também chamado de "estol acelerado"), que é um estol que ocorre a uma velocidade no ar mais alta do que a velocidade de estol projetada - que por si só sempre se refere a um voo reto e nivelado (por causa do fato de que a aeronave está girando). 

Devido ao ângulo de inclinação de pelo menos 60°, a velocidade de estol da aeronave naquele momento era de 147 nós (272 km/h; 169 mph). Portanto, como estava voando 2 nós abaixo da velocidade de estol, a aeronave estolou, com altitude insuficiente para se recuperar antes de atingir o solo.


A animação acima mostra um stall acelerado. A aeronave está voando em velocidade constante (IAS ou Velocidade do Ar Indicada) ao longo de uma trajetória circular com raio de giro decrescente (ou seja, está virando e apertando cada vez mais a curva). Para manter a trajetória, mais e mais sustentação é necessária (já que deve ser igual à soma do peso e da força centrífuga), o que pode ser obtido aumentando o Ângulo de Ataque (que é puxar o manche). Quando o ângulo de ataque crítico é alcançado, qualquer aumento posterior resulta em um estol, mesmo que a velocidade no ar não tenha mudado. Observe que um estol não ocorreria se a aeronave estivesse voando em linha reta e nivelada na mesma velocidade, daí o termoestol acelerado.

Comportamento de Holland anterior e reações líderes da USAF


O conselho do acidente afirmou que a personalidade machista e ousada de Holland influenciou significativamente a sequência do acidente. O pessoal da USAF testemunhou que a Holland havia desenvolvido uma reputação de piloto agressivo que freqüentemente violava as regras de segurança de voo e outras. A quebra das regras incluiu voar abaixo das altitudes mínimas e exceder as limitações de ângulo de inclinação e taxas de subida.

Um incidente anterior ocorreu em 1991, quando um B-52 pilotado por Holland fez um círculo acima de um jogo de softball do qual a filha de Holland estava participando. Começando a 2.500 pés (760 m) AGL, a aeronave de Holland executou o círculo a 65° da margem. Em uma manobra descrita por uma testemunha como uma "espiral mortal", o nariz da aeronave continuou a cair e o ângulo de inclinação aumentou para 80°. Depois de perder 1.000 pés (300 m) de altitude, Holand conseguiu recuperar o controle da aeronave.


Em 19 de maio de 1991, Holland foi o piloto de comando do voo de demonstração B-52 no show aéreo Fairchild. Durante a demonstração, a aeronave de Holand violou vários regulamentos de segurança; ele excedeu os limites de inclinação e inclinação, voou diretamente sobre os espectadores do show aéreo e possivelmente violou as restrições de altitude. O comandante da base e da ala, coronel Arne Weinman, junto com sua equipe, observaram a demonstração, mas aparentemente não fizeram nada.

Em 12 de julho de 1991, Holand comandou um B-52 para um wingover durante uma cerimônia de mudança de comando do 325º Esquadrão de Bombardeiros em Fairchild. Durante a prática e o sobrevoo real, a aeronave de Holand voou em altitudes abaixo de 100 pés (30 m) - bem abaixo da altitude mínima estabelecida - fez curvas acentuadamente inclinadas superiores a 45°, ultrapassou os limites do ângulo de inclinação e executou um wingover. 

Embora não seja especificamente proibido, o wingover não foi recomendado porque poderia danificar a aeronave. Depois de testemunhar o sobrevoo, o coronel Weinman e seu subcomandante de operações (DO), coronel Julich, repreendeu oralmente Holand, mas não tomou nenhuma ação formal.

No show aéreo Fairchild em 17 de maio de 1992, Holland foi novamente o piloto de comando do voo de demonstração aérea do B-52. Durante a demonstração, a aeronave de Holand violou novamente vários regulamentos de segurança, incluindo várias curvas íngremes de baixa altitude acima de 45° de inclinação e uma subida de ângulo agudo, estimada em mais de 60° de altura do nariz, que Holland finalizou com uma manobra wingover. 

O novo comandante de ala, coronel Michael G. Ruotsala, aparentemente não tomou nenhuma atitude. Uma semana depois, o novo DO, Coronel Capotosti, por sua própria iniciativa avisou a Holland que se ele violasse mais quaisquer regras de segurança, Capotosti o suspenderia (retirá-lo-ia do status de voo). Capotosti não documentou sua advertência à Holland nem tomou qualquer outro tipo de ação formal.

Em 14 e 15 de abril de 1993, Holland foi o comandante de uma missão de treinamento de duas aeronaves em um campo de bombardeio perto de Guam, no Oceano Pacífico. Durante a missão, Holland voou seu B-52 mais perto do outro B-52 do que os regulamentos permitiam. Holland também pediu a seu navegador para gravar em vídeo as bombas caindo da aeronave de dentro do compartimento de bombas, também contra os regulamentos. 

O navegador de Holland mais tarde chamou a atenção de três oficiais da Fairchild da USAF para o vídeo. O primeiro, o tenente-coronel Bullock, o atual 325º esquadrão anti-bombascomandante, não fez nada a respeito e pode até ter tentado usar o videoteipe como alavanca para coagir o navegador a aceitar uma posição como programador de missão para a asa. O segundo, o subcomandante do grupo de operações, tenente-coronel Harper, disse ao tripulante para esconder as evidências. O terceiro, o DO, supostamente respondeu aos relatos do vídeo afirmando: "Ok, não quero saber nada sobre esse vídeo - não me importa."


No show aéreo Fairchild em 8 de agosto de 1993, Holland mais uma vez comandou o voo de demonstração do B-52. Como antes, o perfil de demonstração incluía ângulos de inclinação de mais de 45°, passagens de baixa altitude e outra manobra de escalada de passo alto, desta vez com mais de 80° de altura do nariz. 

A subida foi tão íngreme que o combustível saiu pelos orifícios de ventilação dos tanques das asas da aeronave. O novo comandante de ala, Brigadeiro General James M. Richards, e o novo DO, Coronel William E. Pellerin, testemunharam a manifestação, mas nenhum tomou qualquer atitude.

Em 10 de março de 1994, Holland comandou uma missão de treinamento de uma única aeronave no campo de bombardeio de Yakima, para fornecer a um fotógrafo autorizado a oportunidade de documentar a aeronave enquanto lançava munições de treinamento. 

A altitude mínima de aeronave permitida para essa área era de 500 pés (150 m) AGL; durante a missão, a aeronave de Holland foi filmada cruzando uma linha de cume cerca de 30 pés (10 m) acima do solo (foto acima). 

A passagem baixa de 'Bud' Holland em Yakima Range
Temendo por sua segurança, a equipe de fotografia parou de filmar e se protegeu enquanto o avião de Holland passava novamente baixo sobre o solo, desta vez estimado para ultrapassar o cume em apenas 1 m. 

O copiloto da aeronave de Holland testemunhou que agarrou os controles para impedir Holland de voar com a aeronave na crista enquanto os outros dois membros da tripulação da aeronave gritavam repetidamente para Holland: "Suba! Suba!". Holland respondeu rindo e chamando um dos membros da tripulação de "maricas".

Depois dessa missão, a tripulação decidiu que nunca mais voaria com Holland e relatou o incidente à liderança do esquadrão anti-bombas. O comandante do esquadrão da USAF, tenente-coronel Mark McGeehan, relatou o incidente a Pellerin e recomendou que Holland fosse retirada do serviço de voo. 

Pellerin consultou Holland e deu-lhe uma reprimenda oral e advertência para não repetir o comportamento, mas recusou-se a tirá-lo do serviço de voo. Pellerin também não documentou o incidente ou a reprimenda, nem notificou seus superiores, que permaneceram alheios ao ocorrido. 

McGeehan então decidiu que, para proteger suas tripulações, ele (McGeehan) seria o copiloto em quaisquer missões futuras nas quais Holland fosse o piloto de comando. As evidências sugerem que, após este incidente, "considerável animosidade" existiu entre Holland e McGeehan.

O tenente-coronel McGeehan recusou-se a permitir que qualquer um de seus membros do esquadrão voasse com Holland, a menos que ele (McGeehan) também estivesse a bordo da aeronave.

Em preparação para o show aéreo Fairchild de 1994, Holland foi novamente selecionado como o piloto de comando para o voo de demonstração do B-52 . Em 15 de junho de 1994, Holland informou ao novo comandante de ala, coronel William Brooks, sobre o plano de voo proposto. 

O perfil de demonstração de Holland violou vários regulamentos, incluindo ângulos de encostas íngremes, passagens de baixa altitude e atitudes de inclinação acentuada. Brooks ordenou que Holland não excedesse o ângulo de inclinação de 45° ou a atitude de inclinação de 25° durante a demonstração. 

Durante a primeira sessão de treinos, em 17 de junho, Holland violou repetidamente essas ordens. Brooks testemunhou isso, mas não tomou nenhuma atitude. Pellerin voou com Holland naquele voo e relatou a Brooks que, "o perfil parece bom para ele; parece muito seguro, dentro dos parâmetros."

Outros fatores


O perfil de demonstração desenhado por Holland incluiu uma volta de 360​​° em torno da torre de controle de Fairchild, uma manobra que ele não havia tentado em demonstrações aéreas anteriores. Durante o voo final, Holland realizou uma série de curvas de 60° em inclinação e uma subida de inclinação de 68°, violando as ordens de Brooks. Não há evidências que sugiram que McGeehan ou Wolff tentaram intervir enquanto Holland realizava essas manobras perigosas.

Pellerin estava originalmente programado para voar nesta missão, como havia feito no voo de 17 de junho, mas ele não estava disponível para o voo de 24 de junho e Wolff foi selecionado como o membro substituto da tripulação. Devido ao curto prazo de sua designação para a missão, Wolff não participou do briefing pré-voo e embarcou na aeronave depois que os motores foram ligados. Ele, portanto, não estava ciente do perfil da missão planejada e não teve oportunidade de levantar qualquer objeção antes da decolagem.

Todos os quatro tripulantes envolvidos no acidente tiveram apenas um tempo de voo limitado nos meses anteriores ao acidente. Parece que nenhum deles percebeu que a aeronave havia estolado até pouco antes do impacto, conforme indicado por uma falha na aplicação de técnicas de recuperação padrão à aeronave, uma vez que ela entrou em estol. 

A investigação relatou que mesmo que as técnicas adequadas de recuperação de estol tivessem sido aplicadas, era improvável que o acidente pudesse ter sido evitado, pois a aeronave já estava voando baixo demais para ser recuperada.

Quatro dias antes do acidente, em 20 de junho, Dean Mellberg, um ex-militar da USAF emocionalmente perturbado, entrou no hospital de Fairchild, atirando fatalmente em quatro pessoas e ferindo muitas outras antes de ser morto por um policial de segurança. O crime foi uma grande distração para o pessoal estacionado em Fairchild por algum tempo depois.

Conclusões


A investigação do acidente concluiu que o acidente foi atribuído principalmente à personalidade e comportamento de Holland, às reações inadequadas dos líderes da USAF aos incidentes anteriores envolvendo Holland e à sequência de eventos e resposta da tripulação durante o voo final da aeronave. 

O desrespeito de Holland pelos procedimentos que regem a operação segura da aeronave B-52 que ele comandou e a ausência de ação corretiva firme e consistente por seus oficiais superiores permitiram que Holland acreditasse que ele poderia conduzir seu voo de maneira insegura, culminando com a lentidão, inclinação acentuada, giro 360​​° ao redor da torre de controle.


Os outros fatores ambientais envolvidos, incluindo a adição de uma nova manobra (a volta de 360° ao redor da torre), envolvimento pré-voo inadequado de Wolff e as distrações do tiroteio da base quatro dias antes, combinados com a falta de segurança e riscos do comportamento de pilotagem de Holland para produzir condições favoráveis ​​para a ocorrência do acidente.

O fator final, de acordo com o relatório de investigação da USAF, foi o vento de 10 nós (19 km/h) e seu efeito nas manobras necessárias para atingir a trajetória de voo pretendida em relação ao solo.

Resultado


Em 19 de maio de 1995, Pellerin se confessou culpado em um processo de corte marcial da USAF em duas acusações de abandono do dever por suas ações, ou falta delas, que contribuíram para o acidente. Ele foi condenado a perder US$ 1.500 de salário por mês durante cinco meses e recebeu uma reprimenda por escrito. 

A USAF não revelou se algum outro oficial envolvido na cadeia de eventos que levou ao acidente recebeu algum tipo de ação administrativa ou disciplinar. Os críticos do histórico de segurança da USAF afirmaram que este acidente foi um exemplo de um padrão de problemas relacionados à aplicação dos procedimentos de segurança dentro da USAF.

Embora a investigação do acidente tenha constatado que procedimentos e políticas supostamente já existiam para evitar que tal acidente ocorresse novamente, o fato de esse acidente ter ocorrido mostrou que em pelo menos uma instância, as políticas de segurança existentes e sua aplicação foram gravemente inadequadas. 

Para enfatizar novamente a importância da adesão às políticas de segurança existentes e corrigir as ações de qualquer pessoa que as violar a qualquer momento, a USAF distribuiu rapidamente as conclusões da investigação do acidente por todo o serviço. 

Essas medidas falharam em evitar - dezesseis anos depois - a ocorrência em circunstâncias quase idênticas de outro acidente, quando uma aeronave de transporte C-17 caiu logo após decolar da Base Aérea de Elmendorf, no Alasca, em um voo de prática de exibição aérea.

Hoje, o acidente de Fairchild é usado em ambientes de aviação militar e civil, como um auxílio de treinamento para ensinar gerenciamento de recursos de tripulação e para mostrar a importância de fazer cumprir as regulamentações de segurança.

Vários anos após sua morte, o tenente-coronel Mark C. McGeehan (foto ao lado) foi homenageado com um prêmio pelo Lou Holtz/Hall da Fama do Upper Ohio Valley em East Liverpool, em Ohio, por sua vida inteira de serviço.

A citação incluiu o seguinte: “Quando pensamos naqueles que nos precederam, devemos fazê-lo com humildade, respeitando seu grande sacrifício pessoal. Quando honramos nossa herança e aqueles com quem compartilhamos um vínculo e propósito comuns, todos nós somos enriquecidos e nossas vidas são fez valer a pena viver um pouco mais."

Ironicamente, poucas semanas antes de sua morte, quando o tenente-coronel McGeehan se preparava para entregar a bandeira da unidade do 325º Esquadrão de Bombardeios para desativação em 1 de julho, ele escreveu em um artigo que foi impresso em 10 de junho de 1994, na publicação militar Strikehawk.

As filmagens do acidente de Fairchild foram usadas na produção do filme 'Project Almanac', de 2015, retratando um acidente de avião, que despertou a ira pública entre parentes de Wolff e McGeehan. 


Após uma alegação inicial da Paramount Pictures de que o vídeo em questão era de um acidente em Tóquio em 2009, o produtor Michael Bay pediu desculpas às famílias e a filmagem foi removida do lançamento teatral do filme e trailers associados a pedido de Bay.

Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipedia, baaa-acro, Cavok, USAF 

Vídeo: Análise - A quase queda do voo 9 da British Airways - Falha nos quatro motores

Via Canal Aviões e Músicas com Lito Sousa

Vídeo: Mayday Desastres Aéreos - Voo British Airways 9 Queda Livre

Aconteceu em 24 de junho de 1982: A quase queda do voo British Airways 9 - 'O Incidente de Jacarta'


No dia 24 de junho de 1982, os 247 passageiros e os 15 tripulantes a bordo do voo 9 da British Airways se viram apanhados em um dos mais estranhos incidentes aéreos da história. 

Ao cruzar alto sobre o Oceano Índico a caminho da Austrália, os quatro motores do Boeing 747 falharam simultaneamente, enviando o avião em um perigoso deslizamento em direção ao mar sem ter onde pousar. Mas, faltando apenas alguns minutos, os pilotos conseguiram religar os motores e fazer um pouso de emergência na Indonésia, salvando a vida de todos a bordo.

O infame quase desastre, conhecido como 'Speedbird Nine' ou 'Incidente de Jacarta', ensinou à indústria uma lição valiosa sobre uma ameaça que estava à espreita sob o radar das autoridades de segurança.


O voo 9 da British Airways, operado pelo Boeing 747-236B, prefixo G-BDXH, da British Airways (foto acima), foi um voo de longo curso do Aeroporto London Heathrow, na Inglaterra, para Auckland, na Nova Zelândia, com escalas em Mumbai, Madras, Kuala Lumpur, Perth e Melbourne.


A tripulação de voo do voo 9 da British Airways consistia no Capitão Eric Henry Moody, 41, pelo primeiro oficial sênior Roger Greaves de 32 anos, pelo oficial de engenharia sênior Barry Townley-Freeman, de 40 anos. 

Foto dos pilotos em frente ao motor número 1 no dia seguinte à sua terrível experiência.
Da esquerda para a direita: Roger Greaves, Eric Moody e Barry Townley-Freeman (Sam Chui)
A tripulação embarcou na aeronave no Aeroporto Sultan Abdul Aziz Shah em Kuala Lumpur e deveria pilotar o 747 da perna da Malásia para o Aeroporto de Perth.

O voo transcorreu sem intercorrências por muitas horas, até cerca da metade do trecho da viagem entre Kuala Lumpur e Perth, quando o avião voou alto sobre o oceano entre a Indonésia e a Austrália Ocidental. 


Algum tempo depois do anoitecer, os passageiros e a tripulação começaram a ver estranhas luzes azuis dançando em toda a superfície do avião. As luzes, que se assemelhavam a minúsculos relâmpagos, concentravam-se especialmente nas asas e nos motores. 

Ainda mais fluiu para cima e sobre o para-brisa dos pilotos, e o interior dos motores parecia estar iluminado com um brilho azul. O primeiro oficial e engenheiro de voo chamou o capitão Eric Moody, que estava no banheiro, de volta à cabine.


O engenheiro de voo Barry Townley-Freeman identificou corretamente as luzes como 'Fogo de Santo Elmo', um fenômeno elétrico causado por partículas altamente carregadas que entram em contato com o avião, que às vezes é encontrado durante o voo em graves tempestades. 

Uma exibição espetacular do fogo de Santelmo em uma aeronave Boeing de grande porte
voando perto de uma tempestade (DIY)
Os pilotos checaram seu radar meteorológico, mas estava em branco, mostrando céu claro em toda a região. Além do mais, eles estavam voando a 37.000 pés, muito mais alto do que o Fogo de Santo Elmo, relacionado ao clima, é normalmente encontrado. 

Eles acharam isso profundamente perturbador. Os passageiros também, que tinham uma visão clara das luzes estranhas. Para piorar as coisas, uma fumaça fina estava começando a se infiltrar na cabine. 


A fumaça estava causando grande desconforto aos passageiros e tripulantes. Embora inicialmente confundido com fumaça de cigarro, seu odor distinto de enxofre sugeria alguma outra origem.

Enquanto o Capitão Moody tentava avaliar a situação desconcertante, o motor quatro começou a falhar. Uma onda ocorre quando o fluxo de ar para a câmara de combustão é bloqueado e o ar começa a se mover da parte traseira do motor para a frente. 

Se o motor não for desligado rapidamente, ele pode ser danificado de forma irreversível, então a tripulação cortou imediatamente o fluxo de combustível e desligou o motor. Dentro de um minuto, o motor dois começou a falhar, seguido segundos depois pelos motores um e três. 

Enormes raias de fogo com mais de 10 metros de comprimento se arrastavam por trás de todos os motores. Então, cada um dos motores apagou, um após o outro. As luzes da cabine piscaram e apagaram. Incapaz de compreender o que estava vendo, Townley-Freeman exclamou: "Não acredito! Todos os quatro motores falharam!"


O enorme Boeing 747 estava agora em um planeio impotente, caindo um quilômetro para cada 15 km de viagem para a frente. Os pilotos calcularam que tinham cerca de 23 minutos antes que o avião atingisse a água. 

Ninguém jamais havia amerrisado um 747 antes - mas a tripulação do voo 9 da British Airways estava determinada a não ser a primeira. Eles imediatamente voltaram para a Indonésia e iniciaram os procedimentos de reinicialização do motor, mas isso não teve sucesso e nenhum dos motores reacendeu. 

O primeiro oficial Roger Greaves fez uma chamada pelo rádio para o controle da área de Jacarta: “Mayday, mayday, Speedbird Nine, perdemos todos os quatro motores, de três, sete zero!”


O controlador em Jacarta teve dificuldade para entender o problema e pensou que apenas o motor número quatro havia falhado, porque algo parecia estar interrompendo as comunicações de rádio do avião. 

A tripulação teve que retransmitir a mensagem por meio de outro avião antes que o controlador pudesse entender a natureza da emergência. 

O Capitão Moody então fez o que é possivelmente o anúncio de passageiro mais discreto de todos os tempos. "Senhoras e senhores, aqui é o seu capitão falando", disse ele. "Nós temos um pequeno problema. Todos os quatro motores pararam. Estamos fazendo o possível para colocá-los em ação novamente. Eu acredito que vocês não estejam muito angustiados."


Desnecessário dizer que os passageiros ficaram apavorados. Com os motores inoperantes, a cabine foi despressurizando lentamente, fazendo com que as máscaras de oxigênio caíssem. 

Os passageiros, esperando um acidente, começaram a escrever bilhetes para seus entes queridos. No verso de um cartão de embarque, Charles Capewell, que estava voando com seus dois filhos pequenos, escreveu “Ma. Em apuros. Avião caindo. Fará melhor para os meninos. Nós te amamos. Desculpe. Pa XXX."

Enquanto isso, na cabine, a máscara de oxigênio do primeiro oficial Greaves não funcionava. Para evitar que seu copiloto sufocasse, o capitão Moody desceu rapidamente para respirar ar, reduzindo ainda mais o tempo antes de atingirem a água. 

Ao longo da descida, a tripulação repetiu os procedimentos de religamento do motor continuamente, sem sucesso. 

Um outro entrave ao processo foi o fato de que os indicadores de velocidade dos pilotos pareciam estar falhando, com os indicadores do capitão e do primeiro oficial mostrando uma diferença de cinquenta nós, tornando incerto se o avião estava voando rápido o suficiente para o reinício do motor ser eficaz.


Os pilotos enfrentaram outro problema na forma da geografia da ilha de Java. As montanhas na costa sul da ilha atingiram uma altitude de mais de 3.300 metros (11.000 pés). Para fazer um pouso de emergência em Jacarta, eles teriam que limpar essas montanhas. 

A tripulação decidiu que se o avião descesse abaixo de 12.000 pés antes de chegar às montanhas, eles voltariam para o mar e pousariam o avião em mar aberto. Quando o avião atingiu 13.000 pés, a tripulação conseguiu encurtar o procedimento de religamento do motor e repetiu-o dezenas de vezes. 

Mas, embora as luzes misteriosas tivessem desaparecido, os motores ainda se recusavam a ligar. Os passageiros vestiram seus coletes salva-vidas e se prepararam para um um pouso no mar.


Finalmente, a 13.000 pés, o motor número quatro rugiu inesperadamente de volta à vida. Segundos depois, os outros três motores também voltaram a funcionar. Esse golpe de sorte foi quase tão difícil de acreditar quanto o fracasso inicial. 

O capitão Moody novamente foi ao PA e disse: “Senhoras e senhores, é o seu capitão falando. Parece que superamos esse problema e conseguimos ligar todos os motores!” 

A tripulação começou a se preparar para um desvio para Jacarta e iniciou uma escalada para ficar bem acima das montanhas.


Mas, enquanto o avião subia de volta por 15.000 pés, o Fogo de Santo Elmo voltou e o motor 2 começou a falhar novamente. A tripulação o desligou e imediatamente desceu de volta para fora da zona de perigo. 

Agora funcionando com três motores, eles cruzaram as montanhas e começaram a descer para Jacarta. Mas, para sua consternação, descobriram que o para-brisa parecia estar completamente embaçado e os limpadores não faziam efeito. 

Incapaz de ver para onde estava indo, o capitão Moody foi forçado a navegar até o aeroporto usando os instrumentos, com a ajuda de uma estreita faixa de vidro intacto ao longo da borda do para-brisa. Como se para piorar a situação, entretanto, o sistema de pouso por instrumentos de Jacarta, que teria ajudado o computador de voo a alinhar o avião com a pista, não estava funcionando.


A descida para a pista foi realizada com o engenheiro de voo Townley-Freeman informando a altitude e distância apropriadas da pista, e o capitão Moody tentando combinar a posição real do avião com suas chamadas. 

Surpreendentemente, a tática foi um sucesso, e o voo 9 da British Airways pousou na pista de Jacarta, tendo escapado por pouco do que poderia ter sido um desastre total. 

Sem saber o que tinha acontecido, os pilotos tentaram adivinhar o que deve ter dado errado. “A primeira coisa que fizemos, depois de estacionar o avião e desligá-lo, foi examinar toda a papelada, para ver se havia algo nele que pudesse ter nos dado qualquer pré-aviso de algum tipo de fenômeno que causou o que aconteceu conosco”, disse Townley-Freeman. Mas eles foram incapazes de encontrar algo que eles pudessem ter feito de errado.


Ao sair do avião, eles descobriram danos surpreendentes e incomuns em todo o exterior. A maior parte da tinta havia sido removida até o metal, o para-brisa havia sido limpo com jato de areia e todas as bordas de ataque estavam muito arranhadas. 

Em poucos dias, porém, o mistério foi resolvido. Dentro dos motores, grandes quantidades de cinzas vulcânicas foram descobertas. 

Acontece que o vulcão Galunggung, na Indonésia (foto ao lado), entrou em erupção naquela mesma noite, enviando uma nuvem de poeira fina e pedaços de rocha para a estratosfera - e direto para a trajetória de voo 9 da British Airways.

Também foi descoberto que o radar meteorológico de bordo em aeronaves comerciais era incapaz de detectar cinzas vulcânicas porque o radar foi projetado para encontrar concentrações de água, que não estão presentes em uma nuvem de cinzas. 

No escuro e sem conhecimento da erupção vulcânica, a tripulação voou direto para a coluna de cinzas invisível. 

A cinza foi ingerida nos motores, onde parcialmente derreteu e grudou nas lâminas do compressor, interrompendo o fluxo de ar e causando a queima dos motores. Depois que os motores foram desligados por um período de tempo, a cinza se solidificou novamente e quebrou, permitindo que os motores reiniciassem. 

O Fogo de Santo Elmo também foi resultado das cinzas, pois partículas de poeira entraram em contato com a superfície metálica do avião, causando um fenômeno conhecido como eletrificação por fricção que produziu as luzes dançantes.

A “fumaça” sulfurosa na cabine era, na verdade, cinza vulcânica vazando pelas aberturas de ventilação, e as diferentes leituras de velocidade no ar foram causadas por cinzas emperrando os tubos pitot.

A investigação pós-voo revelou que os problemas da cidade de Edimburgo foram causados ​​pelo voo através de uma nuvem de cinzas vulcânicas da erupção do Monte Galunggung. Como a nuvem de cinzas estava seca, ela não apareceu no radar meteorológico, que foi projetado para detectar a umidade nas nuvens. 

Peças de motor danificadas do 747 do voo BA 9 em exibição no Museu de Auckland
A nuvem atingiu o para-brisa e as coberturas das luzes de pouso e obstruiu os motores. Quando a cinza entrou nos motores, ela derreteu nas câmaras de combustão e aderiu ao interior da usina. À medida que o motor esfriava devido à inatividade e a aeronave descia da nuvem de cinzas, as cinzas derretidas se solidificaram e o suficiente quebrou para que o ar voltasse a fluir suavemente pelo motor, permitindo uma reinicialização bem-sucedida. 

Os motores tinham energia elétrica suficiente para reiniciar porque um gerador e as baterias de bordo ainda estavam funcionando; energia elétrica era necessária para a ignição dos motores.

Embora o avião não tenha caído e ninguém tenha se ferido, o incidente teve grandes ramificações para a segurança aérea que afetam diretamente muitas pessoas que voam. O incidente é o grande responsável pelos regulamentos atuais sobre viagens aéreas nas proximidades de erupções vulcânicas, porque ensinou que as nuvens de cinzas não são apenas invisíveis para os aviões à noite, mas também são extremamente perigosas e podem causar um acidente grave. 


Na verdade, em 1989, um Boeing 747 da KLM voou em uma nuvem de cinzas lançada pelo Monte Redoubt no Alasca, fazendo com que todos os seus motores falhem. Como o voo 9, no entanto, os motores foram reiniciados e o avião pousou com segurança. 

Em 2010, uma erupção vulcânica na Islândia enviou uma nuvem de cinzas sobre a Europa, interrompendo voos pelo continente por vários dias. Embora tenha causado grande inconveniência para milhões de pessoas, nenhum avião voou através da nuvem de cinzas, e uma repetição do voo 9 da British Airways foi felizmente evitada. 

Hoje, sempre que um vulcão entra em erupção, os geólogos podem garantir rapidamente que as autoridades de tráfego aéreo sejam notificadas para que os voos possam ser redirecionados ou cancelados.

Eric Moody com um dos prêmios que lhe foram entregues (BBC News)
A tripulação recebeu vários prêmios, incluindo o 'Queen's Commendation for Valuable Service in the Air for Moody', e medalhas da 'British Airline Pilots Association'. O voo sem motor do G-BDXH entrou no Guinness Book of Records como o voo mais longo em uma aeronave sem finalidade específica (esse recorde foi quebrado mais tarde pelo voo 143 da Air Canada em 1983 e pelo voo 236 da Air Transat em 2001).

Todos os passageiros e tripulantes se uniram para formar o exclusivo 'Galunggung Gliders Club', através do qual muitos deles permanecem amigos até hoje. 

A passageira Bettie Tootell escreveu um livro sobre o voo, chamado “Todos os quatro motores falharam: a verdadeira e triunfante história do voo BA009 e o incidente de Jacarta” (foto ao lado). 

E o próprio avião foi consertado e voltou ao serviço na British Airways e, em seguida operou pela European Aviation Air Charter, antes de ser aposentado em 2004. 

Mas embora a aeronave tenha desaparecido, a misteriosa história de Speedbird Nine continua viva, lembrando todos nós do perigo incomum que as erupções vulcânicas representam para as viagens aéreas ao redor do mundo.


Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos)

Com Admiral Cloudberg, ASN e Wikipedia - Imagens: Reprodução