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| Urso usado durante testes de ejeção cápsula de escape do bombardeiro supersônico B-58 na década de 1960 (Imagem melhorada com o uso de I.A.) (Imagem: Reprodução) |
Na década de 1960, os Estados Unidos recorreram a um passageiro incomum para resolver um problema que preocupava pilotos militares. Antes de permitir que tripulações utilizassem um novo sistema de escape em velocidades supersônicas, a Força Aérea americana decidiu testar o equipamento em um urso vivo.
Em 21 de março de 1962, um urso chamado Yogi assumiu uma posição até então inédita na história da aviação. Ele foi colocado em uma cápsula de escape de um bombardeiro Convair B-58 Hustler e se tornou o primeiro animal a ser ejetado de uma aeronave em voo supersônico de forma planejada.
À época, a Força Aérea dos EUA buscava uma solução para um dos maiores desafios do B-58. Capaz de voar acima de Mach 2, o equivalente ao dobro da velocidade do som, o avião impunha riscos extremos aos tripulantes em caso de abandono da aeronave.
Os assentos ejetáveis convencionais não ofereciam proteção suficiente contra o impacto do vento e das forças aerodinâmicas em velocidades tão elevadas. O temor era que um piloto pudesse morrer durante a própria ejeção.
Um urso supersônico
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| Parte da cápsula de ejeção do Convair B-58 que era movida em trilhos para atingir altas velocidades para treinamento (Imagem: Força Aérea dos EUA) |
Para resolver o problema, foi desenvolvida uma cápsula de escape que envolvia completamente o ocupante antes da ejeção. O sistema fechava portas ao redor do tripulante, mantinha um ambiente pressurizado e, após a separação da aeronave, descia preso a um paraquedas.
Antes de colocar pilotos no equipamento, os militares decidiram testá-lo em animais. Os ursos-negros foram escolhidos porque possuíam massa corporal e disposição de órgãos internos consideradas semelhantes às de um ser humano para esse tipo de avaliação.
No teste realizado em março de 1962, Yogi foi ejetado a cerca de 35 mil pés de altitude, equivalente a mais de 10 mil metros, enquanto o B-58 voava a Mach 1,3, aproximadamente 1.400 km/h. A cápsula funcionou conforme o previsto.
Após a ejeção, um foguete impulsionou a cápsula para longe da aeronave antes da abertura do paraquedas. Yogi pousou em segurança 7 minutos e 49 segundos depois, sem apresentar ferimentos aparentes. O experimento foi considerado um sucesso e ajudou a validar o sistema de escape do bombardeiro.
Polêmica
Sob a ótica atual, o teste costuma provocar críticas e questionamentos éticos. Embora Yogi tenha sobrevivido ao voo e ao pouso, ele foi sacrificado posteriormente para que médicos examinassem seus órgãos internos e verificassem se a ejeção havia provocado lesões não perceptíveis externamente.
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| Bombardeiro supersônico B-58 em exposição em museu nos EUA (Imagem: Ty Greenlees/Força Aérea dos EUA) |
Outros ursos também participaram de testes semelhantes durante o desenvolvimento da cápsula de escape do B-58. Os resultados contribuíram para o aperfeiçoamento do sistema, que passou a equipar a aeronave e ofereceu uma chance real de sobrevivência às tripulações em emergências.
O episódio ocorreu em um período em que o uso de animais em pesquisas aeronáuticas e espaciais era relativamente comum. Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética utilizaram diferentes espécies em experimentos destinados a compreender os efeitos de grandes altitudes, acelerações extremas e voos em condições inéditas.
Ressalva histórica: O primeiro ser vivo a sobreviver a uma ejeção em velocidade supersônica foi o piloto de testes George Smith. Em 1955, ele abandonou um caça F-100 Super Sabre a Mach 1,05 após uma falha de controle da aeronave e conseguiu sobreviver. Ainda assim, Yogi ficou marcado como o primeiro animal a passar por esse tipo de procedimento em um voo supersônico de forma não emergencial.
Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)



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