terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Famílias do Recife já ameaçam recorrer à Justiça

As ruínas permanecem. O recomeço, para as 11 famílias que tiveram suas casas atingidas pelo bimotor King Air B200, ainda não veio. Nesta terça-feira (23), o acidente que deixou duas pessoas mortas em San Martin, Zona Oeste do Recife, completa um mês. O advogado Henrique Lima, que representa os moradores, elaborou, há dez dias, relatório dos prejuízos causados, avaliados em R$ 150 mil. Ele declarou que vai entrar na Justiça caso não haja acordo com a JC Shows, pessoa jurídica da Banda Calypso, proprietária da aeronave.

Na última semana, o guitarrista Chimbinha garantiu que reconstruirá as residências. O chefe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos do Recife (Seripa), tenente-coronel João Carlos Bieniek, afirmou que a hipótese de pane seca é cada vez mais forte e informou que as investigações devem ser concluídas antes do final de janeiro.

Henrique Lima disse que três construtoras contratadas pela Calypso estiveram no local do desastre para levantar os danos causados com base no laudo da Coordenadoria de Defesa Civil do Recife (Codecir). “Mas esse laudo não é claro, não contempla tudo. Foi feito no dia do acidente e as famílias, no calor do momento, esqueceram de listar muitos pertences”, ressaltou. Nesta segunda-feira, ele vai à Luan Promoções entregar o relatório dos prejuízos. O advogado assegurou que, se a situação não for resolvida até 5 de janeiro, início do ano jurídico, vai entrar na Justiça contra a Calypso.

A dona de casa Maria da Paz Pires, 58, perdeu duas casas. De uma, não sobrou nada. A outra está condenada e terá que ser reconstruída. Morando de aluguel em uma casa humilde na Mustardinha, bairro vizinho a San Martin, ela espera ansiosa por um desfecho feliz. “Um mês depois, está todo mundo na mesma. Dizem que vão reconstruir, mas até agora nada foi feito. Perdi tudo, menos a esperança. Espero que 2009 seja melhor e que tudo se resolva.”

PANE SECA

O tenente-coronel Bieniek falou que toda a análise de combustível já foi feita. As evidências convergem para a possibilidade de falta de combustível, ventilada desde o dia do acidente. Mesmo assim, o chefe do Seripa ressalva que, para concluir o caso, ainda depende do laudo do motor, que está sendo periciado em São José dos Campos, São Paulo.

“Não posso concluir nada agora, mas estamos adiantados. Não podemos afirmar nada, mas a hipótese de pane seca é algo que vem desde o momento do desastre. Como o bimotor não pegou fogo e não foi encontrado combustível nos destroços, as coisas caminharam nessa linha”, ponderou. De acordo com ele, as recomendações de segurança de vôo referentes ao acidente tratarão sobretudo de planejamento de vôo e atenção no abastecimento.

Fonte: Jornal do Commercio

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