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| Boeing 737-200 da Vasp, de matrícula PP-SMU, fotografado em 1997 no aeroporto de Guarulhos (SP): Modelo é o que esteve envolvido no sequestro do voos 280 (Imagem: Kambui/via Wikimedia Commons) |
Em 16 de agosto de 2000, um avião da extinta Vasp foi sequestrado no Paraná enquanto realizava o voo 280, saindo de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. O objetivo era levar R$ 5 milhões em malotes bancários que estavam a bordo.
Um dos sequestradores, que também é piloto, foi preso no fim de maio na Bolívia, em meio a uma investigação que alcança até um desembargador. Ele é Gerson Palermo, o Pigmeu, que foi condenado em 2001 a 20 anos e seis meses de prisão pelos crimes de roubo qualificado, atentado contra a segurança de transporte aéreo e formação de quadrilha envolvendo o sequestro.
Mais tarde, novas condenações por tráfico de drogas elevaram sua pena total para mais de cem anos de prisão.
Em 2020, ele foi solto por decisão do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que determinou sua ida para a prisão domiciliar sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. Palermo rompeu o dispositivo e estava foragido desde então.
Hoje, o magistrado é investigado por suspeita de ter agido em conluio com o sequestrador, que também é apontado como ligado ao PCC.
Relembre o sequestro a seguir.
O voo
O voo 280 era operado por um Boeing 737 da Vasp, que havia partido do aeroporto de Foz do Iguaçu com destino a São Luís, no Maranhão. Ele faria escalas em Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília antes do destino final.
A bordo estavam 61 passageiros e seis tripulantes, além de nove malotes de dinheiro do Banco do Brasil transportados no porão, sob custódia de uma empresa de transporte de valores. Metade das pessoas a bordo era composta por passageiros estrangeiros, principalmente italianos, alemães e espanhóis, que estavam a turismo na região.
A carga tinha valor estimado em cerca de R$ 5,56 milhões, segundo a Justiça Federal. O dinheiro estava sendo levado em uma operação de rotina, mas se tornou o alvo principal da quadrilha.
Cerca de 20 minutos após a decolagem, o avião foi tomado por cinco criminosos armados. Eles renderam a tripulação e obrigaram o comandante a desviar a rota.
O sequestro
Sob ameaça, os pilotos foram forçados a pousar em Porecatu, no norte do Paraná, cidade na divisa com São Paulo. Lá, a quadrilha completou o roubo dos malotes e contou com o apoio de duas caminhonetes Ford Ranger que já aguardavam os criminosos no aeródromo.
A ação foi rápida e planejada para explorar a vulnerabilidade da carga em um voo comercial. Os sequestradores colocaram os malotes nos veículos e fugiram rapidamente.
Apesar do terror vivido por passageiros e tripulantes, não houve mortes nem feridos no episódio. A aeronave foi liberada e, após perícias no aeroporto de Londrina, os passageiros foram remanejados aos seus destinos.
Condenações
O crime foi investigado pela Polícia Federal e levou à prisão de alguns envolvidos, embora nem todos tenham sido identificados à época. Palermo acabou preso em São Paulo, e a Justiça Federal o apontou como um dos autores do sequestro.
Palermo foi condenado a 20 anos em regime fechado. Ele é apontado como um dos chefes do grupo criminoso PCC.
Outro dos condenados foi Marcelo Borelli, que morreu aos 38 anos enquanto estava preso no Paraná em decorrência de complicações da Aids. À época, o governo do estado disse que ele se recusava a passar por tratamentos médicos.
Palermo
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| Foragido há seis anos, Palermo deixou a Bolívia no último dia 27 (Imagem: Cedido ao UOL/Jornal El Deber) |
Antes do sequestro, Gerson Palermo já tinha histórico ligado à aviação e ao tráfico. Em outras oportunidades, ele foi descrito como ex-piloto e já havia sido preso em 1991 sob acusação de tráfico de drogas, o que ajuda a explicar por que seu nome voltou a aparecer in investigações de narcotráfico internacional.
Em 2019, ele havia recebido nova condenação por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, somando 59 anos e nove meses à sua ficha criminal naquele momento.
Em 2020, já preso em um presídio federal de segurança máxima, Palermo foi colocado em prisão domiciliar por decisão judicial. Pouco depois, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu, permanecendo foragido até ser capturado na Bolívia em maio de 2026.
Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)


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