No domingo, 2 de junho de 2024, um piloto espanhol morreu e outro português ficou ferido após dois aviões Yakovlev Yak-52, de prefixos EC-IAS e EC-NGZ, do grupo de acrobacias Yakstars, colidirem no ar durante uma apresentação de show aéreo no sul de Portugal, na cidade de Beja.
Um comunicado publicado pela Força Aérea Portuguesa (FAP), que organizou o evento, indicou que o acidente, envolvendo as duas aeronaves, ocorreu às 16h05, durante uma demonstração aérea na periferia da cidade.
O acidente na base aérea de Beja, localizada a cerca de 180 km ao sul de Lisboa, ocorreu enquanto seis aeronaves pertencentes a um grupo acrobático chamado 'Yak Stars' estavam se apresentando.
Um vídeo filmado por um espectador e postado nas redes sociais mostrou uma formação de seis aviões em voo, com um deles subindo, aparentemente tocando um dos outros e depois caindo no chão em uma nuvem de fumaça.
Ainda no comunicado, a FAP prestou condolências à família, amigos e conhecidos dos atingidos na tragédia. Após o acidente, o Beja AirShow, o maior festival aéreo de Portugal, foi cancelado.
O Ministério Público abriu um inquérito para apurar as circunstâncias em que ocorreu o acidente aéreo no festival Beja AirShow, em Portugal, que provocou a morte de um piloto espanhol e deixou outro ferido. Logo após o acidente, o Ministério da Defesa já havia reforçado que seria aberta "uma averiguação" por duas entidades ao "acidente trágico".
O GPIAAF – Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários publicou no dia 10 de outubro de 2025, o relatório final da investigação do acidente com as aeronaves Yakovlev YAK-52, registo EC-IAS e EC-NGZ, ocorrido em Beja, no decorrer do Beja Air Show 2024. Do evento resultaram ferimentos fatais que tragicamente vitimaram o piloto espanhol Manuel “Coco” Rey Cordeiro.
A investigação, realizada em conjunto com a Comissão Central de Investigação da Força Aérea Portuguesa, atendendo ao contexto do evento, identificou lacunas nos procedimentos de treino da patrulha acrobática associadas ao enquadramento regulamentar das atividades de treino acrobático em Portugal.
Após uma análise criteriosa de todos os fatos deste evento, constam no relatório quatro recomendações de segurança à organização da Patrulha Acrobática YAKSTARS, uma recomendação de segurança à Força Aérea Portuguesa, uma recomendação de segurança à Autoridade Aeronáutica Nacional e uma recomendação de segurança à ANAC.
No relatório final do GPIAAF, pode-se ler nas conclusões que “o trabalho realizado, no âmbito da investigação conduzida, surge como causa provável para a colisão aérea, o facto de o piloto da aeronave YAK 04 ter executado a manobra de transição, para sua sequência de manobras a solo, sem ter garantido a separação/clearance em relação aos restantes elementos da formação, devido a perda de Situational Awareness.”, para além de outros fatores contributivos detalhados no referido relatório, que pode ser consultado na integra no site do GPIAAF.
Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Correio Braziliense, O Globo e ASN
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