sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Índios txucarramae fecham local do acidente da Gol


Cacique Bedjai afirmou que esta foi a última expedição aos destroços do Boeing.

Ele reclamou que empresa aérea ainda não retirou da mata o que restou do avião.




O chefe da aldeia Piaruçu, Bedjai Txucarramae, afirmou que a reportagem do G1 seria a última equipe a participar de uma expedição ao local do acidente da Gol.
“Você será o último jornalista que virá até o local. Não trago mais. A empresa aérea que trate de tirar os destroços daqui. Usa, suja a reserva e não pode ficar assim. Sem destroços aqui, ninguém vai mais querer visitar a região”, diz.

Os participantes da expedição - que partiu de Sinop (MT) na manhã de segunda-feira (1º) e retornou na tarde desta quinta-feira (4) - foram encontrar Bedjai em um ponto chamado Água Boa, perto da entrada da aldeia Piaruçu. Ele não permitiu nem mesmo que toda a equipe de bombeiros que participou do resgate dos corpos pudesse voltar à mata.

Depois de alguma negociação, Bedjai, que estava irredutível, voltou atrás e permitiu que apenas o major Átila Wanderley da Silva, comandante do Corpo de Bombeiros de Sinop, pudesse entrar na reserva indígena. “Funai, em Brasília, manda em Brasília. Megaron manda em Funai, em Colíder. Eu, Bedjai, é que mando aqui e eu digo que bombeiros não vão ao local. Não autorizo.”

O restante da equipe do Corpo de Bombeiros ficou em um acampamento improvisado na beira do Rio Jarinã, sem poder se aproximar do acampamento montado a quase duas horas de barco do local. “Foi uma pena que todos os bombeiros não puderam ir ao local comigo, pois sei que eles ajudaram muito no trabalho de resgate do acidente. Só tenho a agradecer a eles e também aos índios, pelo que fizeram”, disse o coronel Marinho.

Antes de penetrar na mata e chegar à aldeia Piaruçu foi preciso também obter autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai). O responsável por permitir que a expedição seguisse viagem foi o presidente da sede regional da fundação em Colíder (MT), Megaron Txucarramae. É ele quem decide o número de pessoas que pode entrar na reserva Kapot/Jarina, no Norte de Mato Grosso.

Só depois de receber a anuência do cacique indígena, o grupo de bombeiros de Sinop (MT) e o coronel da reserva do Exército Marcos Antonio Miranda Silva, viúvo de uma vítima do acidente da Gol, puderam seguir viagem. Guerreiros das aldeias vizinhas acompanharam o grupo o tempo todo, para dar segurança e servir de guia pela mata fechada até o local onde estão os destroços.

Fonte: G1

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