segunda-feira, 20 de março de 2023

Mudanças climáticas podem tornar viagens de avião mais turbulentas

Estudo aponta que turbulências de ar claro (TACs) podem aumentar em até 14% nas próximas décadas como consequência do aquecimento global.

(Foto: Chalabala/envato/Canaltech)
Um estudo da Universidade de Reading, no Reino Unido, aponta que a causa mais frequente de ferimentos durante viagens de avião — as turbulências — deve piorar como consequência das mudanças climáticas. Os cientistas estimam que, embora o inverno seja a estação em que esse fenômeno atmosférico é pior, os verões de 2050 terão turbulências mais fortes que os invernos na década de 50.

A pesquisa analisou as turbulências de ar claro (TAC), uma ameaça invisível aos pilotos de avião, pois acontecem em ambientes sem nuvens e não apresentam nenhum indício visual nem aparecem em radares. Além do desconforto aos passageiros e a movimentação de cargas e bagagens — que podem ocasionar acidentes se não estiverem corretamente dispostas — exposições prolongadas a turbulências diminuem a vida útil das aeronaves.

Em um voo de Tóquio para o Havaí, operado pela United Airlines em 1997, uma TAC causou a morte de um passageiro e deixou diversos tripulantes machucados. Na ocasião, o Boeing 747 se movimentou para cima com uma força-g — aceleração relativa à gravidade da Terra — de 1,8, para logo em seguida cair rapidamente, com uma força-g de -0,8.

Os pesquisadores britânicos usaram três tipos de simulações computacionais para projetar a quantidade possível de ocorrências de TACs até o ano de 2050. Os resultados apontam que, para cada 1 ºC de aumento na temperatura global próxima à superfície, TACs moderadas vão crescer em até 14% no verão e no outono, enquanto na primavera e no inverno elas subirão em 9%.

Para evitar estes fenômenos, uma alternativa para as companhias aéreas é optar por áreas em que se sabe que eles são frequentes. Isso, porém, pode deixar as viagens que cruzam os oceanos ainda mais longas. Se isso vale ser feito em nome da segurança, por outro lado, mais combustível seria gasto em um setor que já é um dos maiores emissores de gases estufa.

Os cintos de segurança são suficientes para manter os passageiros a salvo das TACs e mantê-los afivelados — com as luzes que indicam esta instrução acesas ou não — é a melhor saída.

Via Rodilei Morais (Canaltech/Terra) com Climate Dynamics via Phys.org

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