
No mês de abril deste ano, a pista foi fechada por um período total de 5 horas e 27 minutos. De acordo com a Infraero, a estatística não detalha as horas em que o Salgado Filho ficou interditado somente por causa do nevoeiro, mas esta é a razão mais comum para suspensão dos voos. Não há dados que meçam o número de horas em que outros fenômenos (meteorológicos ou não, como o acidente com um monomotor que impediu pousos e decolagens por mais de uma hora na semana passada) foram responsáveis por atrasos e cancelamentos.
Em todo o ano de 2009, a pista do Salgado Filho foi fechada por 134 horas e 56 minutos –o que representa 1,5% das 8.712 horas em que o aeroporto funcionou normalmente. No entanto, o problema atinge o terminal por quase seis meses consecutivos num dos horários de maior movimento. Normalmente, o nevoeiro fecha o aeroporto do amanhecer ao meio da manhã, atrasando passageiros, negócios e gerando custos extras para as companhias.
De acordo com Flávio Varone, meteorologista do 8º Distrito do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o nevoeiro é um fenômeno típico de cidades úmidas e frias, como Porto Alegre. Não há como prever se 2010 haverá mais ou menos neblina, diz Varone.
Uma dica é consultar a previsão do tempo para saber se a noite será fria. Durante a noite, a temperatura próxima ao solo fica menor do que a temperatura registrada em altitudes mais altas, provocando um fenômeno chamado "inversão térmica", responsável pelo nevoeiro. Além da umidade, o frio noturno é o principal responsável pelas neblinas.
Ressarcimento
Passageiros prejudicados pelo fenômeno devem procurar seus direitos mesmo que a culpa não seja da companhia, informa a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A agência não diferencia atrasos causados por fenômenos meteorológicos ou por problemas operacionais das companhias. Nos dois casos, as empresas têm a responsabilidade de dar assistência. Veja aqui as orientações da Anac e da Infraero em casos de atrasos e cancelamentos.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a TAM informou que não tem plano diferenciado para driblar a neblina de Porto Alegre. A empresa se limitou a dizer que "realiza uma série de ações para tentar amenizar os transtornos causados aos passageiros, isso não só no caso do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, mas em qualquer aeroporto em que opera".
A Gol, que, junto da TAM, representa 83% do mercado nacional de aviação e mais de 60% dos voos realizados no Salgado Filho pela manhã, não informou se toma medidas especiais em Porto Alegre. A companhia disse apenas que os voos são alterados para outros aeroportos no caso de condições climáticas que coloquem em risco os padrões de segurança.
Desocupação
A solução definitiva do problema depende da remoção de 2.978 residências situadas na cabeceira do aeroporto. Duas vilas ocupam o local: Dique e Nazareth. Até agora, cerca de 150 famílias já deixaram a vila Dique, mas não houve progresso na remoção da vila Nazareth. O poder público ainda precisa comprar o terreno para a construção e transferência das famílias. Só então a pista poderá ser ampliada em 920 metros, para atingir 3.200 metros.
A ampliação já estava prevista desde a construção do novo terminal, iniciada em 1996 e inaugurada em 2001, mas vem sendo adiada desde então. Após a obra, o aparelho que permite a navegação mesmo com neblina poderá manter o Salgado Filho aberto por mais horas, como acontece nos aeroportos de Guarulhos (SP), Galeão (RJ) e Curitiba (PR), os únicos que possuem o equipamento.
"Mas ele só atenua o problema. Em alguns casos, o aeroporto ainda será fechado. Depende da altura da neblina", explica Ronaldo Jenkins, diretor técnico do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias.
Fonte: Alexandre de Santi (UOL Notícias) - Foto: Ronaldo Bernardi (Zero Hora)
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