domingo, 25 de outubro de 2026

Voo que saía de Confins para SP é cancelado após ameaça de bomba

Avião tinha previsão de decolar às 20h25 desta quinta-feira (22), com destino a São Paulo. Depois de vistorias, Polícia Federal descartou qualquer suspeita de ataque.


Um voo que sairia do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Grande BH, foi cancelado após uma ameaça de bomba na noite desta quinta-feira (22). 

O Airbus A320-271N, prefixo PR-XBX, da Latam, tinha previsão de decolar às 20h25, com destino a São Paulo, mas ficou no pátio do terminal por cerca de cinco horas. Depois de vistorias, a Polícia Federal descartou qualquer suspeita de ataque (veja matéria aqui).

"A PF foi acionada diante de uma situação de risco e adotou todos os procedimentos de segurança necessários diante do cenário verificado, não restando comprovação das suspeitas", informou a corporação, em nota.

Conforme apurado pelo g1, a suspeita sobre a bomba começou depois que funcionários encontraram uma carta no banheiro da aeronave com supostas ameaças. Todos os passageiros precisaram desembarcar e passaram por revista com as bagagens. O conteúdo do documento não foi divulgado.

A viagem era operada pela Latam. O pouso do avião estava previsto para ocorrer por volta das 21h40, no Aeroporto de Congonhas.

Procurada pelo g1, a companhia aérea afirmou que solicitou o apoio das autoridades antes da decolagem do voo LA3045.

"A companhia reforça que a segurança é um valor inegociável em todas as suas atividades e que segue rigorosamente os mais elevados padrões internacionais para garantir uma operação segura a todos", completou a empresa.

Já a BH Airport, concessionária responsável pelo terminal, disse que acionou os protocolos de segurança previstos no plano de emergência do aeroporto e as autoridades competentes.

Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (Foto: BH Airport/Divulgação)
Via g1 e @aeroradar_live

Piloto morre em confronto após incendiar avião durante tentativa de interceptação pela FAB em MT

Piloto foi localizado em uma área de mata após pousar em pista clandestina e incendiar a aeronave durante ação integrada.


O piloto suspeito de incendiar um avião na zona rural de Juara, a 650 km de Cuiabá, morreu neste sábado (24) durante um confronto com forças de segurança. O homem que não teve identidade divulgada havia pousado em uma pista clandestina após uma tentativa de interceptação pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Segundo o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), após pousar, o piloto ateou fogo na aeronave e em materiais ilícitos que transportava. Ele foi localizado no início da manhã, escondido em uma área de mata, e teria reagido à abordagem dos agentes. O suspeito recebeu atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.


Um vídeo gravado por testemunhas mostra o momento em que uma aeronave da FAB desce na região e o avião de pequeno porte, já no chão, é incendiado (assista aqui).




De acordo com o Gefron, as equipes atuavam de forma integrada com a FAB, a Polícia Federal (PF) e a Polícia Militar (PM) na ocorrência, que envolve suspeita de tráfico de drogas por via aérea. O caso é investigado.

Veja também:


Via g1, SBT News - Fotos: Reprodução

Avião agrícola cai dentro de creche em Campo Verde (MT); piloto fica ferido

Aeronave atingiu parte do prédio que não é utilizada pelos alunos; piloto de 28 anos foi socorrido e encaminhado ao hospital.


Um avião agrícola monomotor Piper PA-25 Pawnee caiu nas dependências da Creche Cora Coralina, em Campo Verde (a 134 km de Cuiabá), em Mato Grosso, na tarde de sexta-feira (23). 

A aeronave atingiu parte do prédio que não é utilizada pelos alunos. O piloto, de 28 anos, ficou ferido, mas nenhuma criança ou funcionário da unidade sofreu ferimentos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 14h30, em uma área localizada a aproximadamente 400 metros da pista de decolagem, nos fundos da creche (veja vídeo).


Equipes da 11ª Companhia Independente de Bombeiro Militar (11ª CIBM) foram acionadas e encontraram o piloto, de 28 anos, consciente, sentado e fora da área de impacto. Ele apresentava um ferimento na lateral esquerda da cabeça, inchaço, dor e uma deformidade no tórax.

O homem recebeu os primeiros socorros, foi imobilizado e encaminhado ao Hospital Municipal Coração de Jesus. Conforme nota divulgada pela Prefeitura de Campo Verde, o piloto passa bem.

A Secretaria Municipal de Educação informou que a aeronave atingiu uma parte do prédio que não é utilizada pelos alunos. A Creche Coralina atende 183 crianças, com idades entre 1 e 5 anos, e conta com 40 profissionais, sendo 25 professores e os demais integrantes da equipe escolar.

Apesar da queda dentro das dependências da unidade, nenhuma criança, professor ou outro funcionário ficou ferido. O piloto foi a única vítima do acidente.


Com o impacto, houve vazamento de combustível da aeronave. Três viaturas do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para a ocorrência, com apoio de uma unidade de suporte básico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Os militares isolaram a área e adotaram medidas preventivas para reduzir os riscos provocados pelo combustível. Uma equipe de combate a incêndio permaneceu de prontidão durante o atendimento.

A ocorrência também contou com apoio da Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil e Secretaria de Mobilidade Urbana, que auxiliaram no isolamento e na segurança do local.

Representantes da empresa responsável pela aeronave estiveram na creche para acompanhar os trabalhos e adotar as providências necessárias. Segundo a Prefeitura de Campo Verde, as autoridades responsáveis já iniciaram as investigações para apurar as causas da queda.

Confira na íntegra a nota emitida pela Secretaria Municipal de Educação:


Via Olhar Alerta, g1, SBT Jornalismo

Aconteceu em 25 de outubro de 1993: O sequestro do voo Nigeria Airways 470 por quatro jovens revolucionários


Na segunda-feira, 25 de outubro de 1993, o voo 470 da Nigeria Airways, que ia de Lagos para Abuja, ambas localidades na Nigéria, foi sequestrado por 4 adolescentes de 16 e 18 anos.

"Senhoras e senhores, este avião foi tomado pelo Movimento para o Avanço da Democracia (MAD). Mantenham a calma, não faremos mal a vocês. Vocês serão informados sobre o local de pouso do avião", anunciou Richard Ogunderu, de 19 anos, para uma confusa cabine de passageiros a bordo do voo WT470 da Nigeria Airways.

Ele havia acabado de se formar no ensino médio e planejava continuar seus estudos no Canadá. Mas, naquele momento, estava mantendo um avião como refém com Kabir Adenuga (22), Kenny Rasaq-Lawal (23) e Benneth Oluwadaisi (24).


A aeronave era o Airbus A310-221, prefixo 5N-AUH, da Nigeria Airways (foto acima), equipado com dois motores PW JT9D-7R4D1. A aeronave foi entregue pela Airbus à Nigeria Airways em dezembro de 1984 e foi utilizada por 22 anos antes de ser desmantelada no Aeroporto Internacional Murtala Muhammed em julho de 2006.

Richard Ogunderu, Kabir Adenugaa, Benneth Oluwadaisi e Kenny Rasaq-Lawal embarcaram no voo inicialmente planejado para voar de Lagos para Abuja, com passageiros incluindo altos funcionários do governo, entre eles Rong Yiren, o vice-presidente da China, e funcionários do governo nigeriano.

Assim que tomaram o avião, os sequestradores despejaram gasolina por toda parte, neles próprios e em alguns de seus reféns aterrorizados. Acharam muito fácil contrabandear o combustível para dentro do avião porque a porta do detector de metais da ala doméstica do aeroporto quebrou em 1987 e ninguém se preocupou em consertá-la. 

Era o tipo de sorte com que os sequestradores contavam para embarcar com sua carga mortal — barris de gasolina em sacos de ráfia, isqueiros, uma lata de gás lacrimogêneo, canivetes e armas que mais tarde alegaram serem falsas. Eles estavam em uma missão.

Os sequestradores planejavam desviar a aeronave para Frankfurt, na Alemanha. No entanto, o avião precisou fazer uma escala para reabastecimento em Niamey, na República do Níger. Quando o voo pousou no Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamey, os sequestradores anunciaram que o voo havia sido assumido pelo "Movimento para o Avanço da Democracia na Nigéria".

Os sequestradores exigiram que o governo interino apoiado pelos militares nigerianos renunciasse e nomeasse Moshood Abiola como presidente. Os quatro sequestradores disseram que incendiariam o Airbus 310 em 72 horas se essa exigência não fosse atendida.

O regime de Ibrahim Babangida havia se mantido por mais de dez anos, após o ditador militar forçar a barra em sua promessa de retorno à democracia. Seu governo acabou permitindo a formação de apenas dois partidos políticos, que disputaram as eleições para governador em dezembro de 1991 e as eleições parlamentares em julho de 1992. Os alicerces para o retorno à democracia estavam lançados. Restava apenas a eleição presidencial de 1993.

Os dois homens no centro daquela disputa — MKO Abiola e Bashir Tofa — prometeram aos nigerianos uma vida melhor. Babangida posteriormente cancelaria a eleição devido a supostas irregularidades eleitorais, com Abiola na liderança.


Os jovens sequestradores fizeram cinco exigências claras nas primeiras horas do sequestro, conforme relatado pela torre de controle em Niamey. Eles pediram ao governo nigeriano que abordasse o assassinato não resolvido de Dele Giwa, o editor-chefe fundador da revista Newswatch. Giwa havia sido morto por um pacote-bomba em 1986, e seus assassinos continuam foragidos.

Os sequestradores também exigiram esclarecimentos sobre o misterioso acidente de um voo de Lagos para Kaduna em 1992. O Lockheed C-130 Hercules caiu minutos após decolar com 160 passageiros. A tragédia ceifou a vida de uma geração de oficiais militares, mas nenhuma explicação oficial havia sido fornecida.

Mas a reivindicação mais amplamente divulgada dos sequestradores foi o foco no dia 12 de junho (dia da eleição presidencial). Eles exigiram que os autores da anulação das eleições fossem expostos e que as verdadeiras razões por trás da decisão fossem tornadas públicas. Por fim, insistiram que MKO Abiola fosse reconhecido como presidente da Nigéria. Se suas reivindicações não fossem atendidas em 72 horas, eles incendiariam o avião.

Após duas horas de negociações, libertaram 129 pessoas, incluindo Rong Yiren, do avião e detiveram a tripulação e funcionários do governo nigeriano.


À medida que as negociações entre as autoridades nigerianas e os sequestradores se desenrolavam, os serviços de segurança nigerianos estavam fazendo algumas tarefas domésticas por conta própria.

Após quatro dias, por volta da meia-noite de 28 de outubro de 1993, soldados nigerianos invadiram o avião sequestrado. O prazo de 72 horas estava prestes a expirar e eles não podiam correr nenhum risco. 


Como em uma cena de filme de ação, uma chuva de balas caiu sobre eles. Ogunderu foi atingido, mas sobreviveu. Ethelbert Nwanze Igwe, que trabalhava como assistente de comissário de bordo no avião, não teve a mesma sorte. Ele foi a única vítima fatal do sequestro da aeronave da Nigeria Airways em 1993.

O dramático sequestro foi apenas o início de mais um período caótico para a Nigéria. Três semanas depois, o general Sani Abacha derrubou Shonekan e o ING em um golpe, devolvendo a Nigéria a um regime militar completo. Abiola desafiou o regime um ano depois com um discurso em Epetedo, declarando-se presidente. O governo o prendeu na prisão, onde permaneceu até 1998, quando morreu. Abacha havia morrido no mês anterior em circunstâncias misteriosas.

O governo nigeriano manteve os sequestradores presos para julgamento. As forças de segurança nigerianas capturaram Jerry Yusuf e o extraditaram para o Níger para se reunir com seus colaboradores. A gangue finalmente saiu da prisão em 2002, dois anos após a libertação do mentor.


Em sua primeira aparição pública ao retornar à Nigéria, Ogunderu insistiu que o grupo estava desesperado para salvar o país da desintegração. Ele planejava fazer japa para cursar a universidade quando conheceu Yusuf, que o convenceu a se juntar ao grupo sequestrador de última hora. Ele aceitou o convite porque, como admitiu em entrevistas anos depois, buscar oportunidades melhores em outros países não era uma solução a longo prazo para os problemas da Nigéria. Lutar por mudanças em casa, sim.

Os sequestradores passaram 9 anos e 4 meses na prisão do Níger. Pouco depois do sequestro, o governo interino de Ernest Shonekan foi substituído pelo governo do General Sani Abacha.

O legado dos sequestradores na história da desobediência civil na Nigéria ocupa um lugar complexo. Dada a sua natureza extraordinária e sem precedentes, o evento deixou uma marca surpreendentemente limitada na consciência pública.

A ação da MAD não foi isenta de críticas. Muitos ativistas pró-democracia e comentaristas de relações públicas a descreveram como irresponsável — até mesmo Abiola a condenou. E considerando que um espectador inocente perdeu a vida na resposta das forças de segurança, a memória do sequestro não está isenta de mácula.

O verdadeiro legado do sequestro de 1993 é que uma corrente subterrânea flui da Nigéria daquela época para a que existe hoje. Assim que os sequestradores assumiram o controle do avião, distribuíram panfletos aos reféns aterrorizados.


Acima, uma reprodução do folheto, conforme publicado pelo 'Nigerian Tribune' na quarta-feira, 27 de outubro de 1993.

Em outubro de 2024, o sequestro da Nigerian Airways em 1993 foi retratado no filme da Netflix Hijack '93.


Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia e archivi.ng