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Helicóptero UH-1 Huey sendo jogado ao mar ao final da Guerra do Vietnã, durante a operação Vento Constante (Imagem: Divulgação/Marinha dos EUA)
No final da Guerra do Vietnã (1959 a 1975), com a evacuação da cidade de Saigon, os militares norte-americanos jogaram dezenas de helicópteros no mar durante os trabalhos de resgate. A situação fora do comum foi necessária para evitar mortes e aumentar o número de pessoas resgatadas.
O volume de aeronaves que deixava a cidade era tão grande, que não havia mais espaço nos porta-aviões para que todos eles pousassem. Com as filas de aeronaves se formando para desembarcar pessoas resgatadas, o combustível acabando, e pouco espaço para os pousos, optou-se por fazer algo que, até então, não se imaginaria ser necessário: arremessar os helicópteros no mar.
Essa medida drástica teve de ser tomada para garantir a sobrevivência do máximo de resgatados possível, abrindo espaço para mais pousos e evitando que houvesse uma tragédia, com helicópteros caindo cheios de pessoas.
Mutirões formados por dezenas de militares empurravam os helicópteros com a força dos próprios braços rumo à borda do convés, de onde eram derrubados. Não havia muitas máquinas disponíveis, mas até uma espécie de empilhadeira chegou a ser usada no descarte dessas aeronaves.
Além dos arremessos, alguns pilotos levavam as aeronaves vazias em direção à água, onde eles as abandonavam e pulavam no mar. Ali ficavam aguardando embarcações de resgate para voltarem aos navios dos Estados Unidos.
Foram cerca de 6.000 vietnamitas e mil americanos retirados de Saigon ao todo. A duração dessa operação foi de 18 horas, e envolveu 81 helicópteros.
Desses, pelo menos 45 UH-1 Huey e três CH-47 Chinook foram lançados na água. Se isso tivesse ocorrido nos tempos atuais, o valor total teria sido de cerca de R$ 4,7 bilhões em aeronaves arremessadas ao mar.
Avião surpresa
O-1 Birddog pousa no convés do USS Midway durante a operação Vento Constante, na Guerra do Vietnã (Imagem: Museu USS Midway)
Dave Meister, ex-militar que participou da operação no Vietnã, lembra que até um avião de pequeno porte com um piloto dos EUA precisou de espaço para pousar no USS Midway. O militar falou do episódio durante depoimento ao Museu Naval de Hampton Roads em 2020.
O piloto do qual Meister conta a história estava em um avião de pequeno porte com sua família, e tinha conseguido decolar de Saigon apesar do cerco à cidade e ao aeroporto.
Era um avião pequeno, e ele não tinha comunicação via rádio com o navio. Ele sobrevoou o USS Midway e jogou um bloco de notas onde estava escrito "eu quero pousar".
Nesse momento, vários helicópteros foram derrubados nas águas do mar. "Nós abrimos espaço do convés e ele conseguiu pousar. [...] Ficamos surpresos quando ele saiu daquela pequena aeronave com sua esposa e os três filhos", diz Meister.
Operação Vento Constante
Helicóptero UH-1 Huey sendo jogado ao mar ao final da Guerra do Vietnã, durante a operação Vento Constante (Imagem: Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA)
A manobra de evacuação da cidade foi batizada de Vento Constante. À época, o país encontrava-se divido entre Vietnã do Norte (apoiado pela então União Soviética e China) e Vietnã do Sul (que tinha o apoio dos EUA, Coreia do Sul, entre outras nações). A disputa só teve fim em 30 de abril de 1975, com o episódio que ficou conhecido como a queda de Saigon.
A cidade era um dos últimos focos de resistência do exército do Vietnã do Sul, e tinha uma forte presença de militares norte-americanos. Com a derrota iminente, planejou-se uma estratégia de evacuação da cidade por meio de helicópteros.
Uma mensagem codificada nas rádios seria o sinal de que os habitantes deveriam se preparar para deixar Saigon, com destino aos porta-aviões norte-americanos na região. Os rádios iriam tocar a mensagem "A temperatura em Saigon é de 105 graus [Farenheit, equivalente a 40,5º C] e está aumentando", seguida da música "White Christmas" a cada 15 minutos.
Era o início da operação Vento Constante, que duraria de 29 a 30 de abril de 1975.
Fim da guerra
UH-1 Huey sendo jogado ao mar durante a operação Vento Constante (Imagem: Divulgação/Marinha dos EUA)
Thomas Polgar, chefe da estação de Saigon da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, foi um dos últimos a deixar o Vietnã de helicóptero.
Em seus últimos momentos ali, Polgar escreveu uma mensagem para o governo dos EUA que dizia: "Esta será a mensagem final da estação de Saigon. Foi uma luta longa e perdemos. [...] Aqueles que não conseguem aprender com a história são forçados a repeti-la. Esperemos que não tenhamos outra experiência no Vietnã e que tenhamos aprendido nossa lição. Saigon assinando".
No último ano da Guerra do Vietnã, uma série de ofensivas dos norte-vietnamitas levou à queda da capital sul-vietnamita, Saigon, em 30 de abril de 1975.
Quando o exército vietcongue norte-vietnamita se aproximou de Saigon, os cidadãos sul-vietnamitas e o pessoal americano fugiram antes deles, e o governo dos Estados Unidos deu início a um programa de evacuações em massa.
As pessoas foram levadas de helicóptero, às vezes sob fogo, para os navios de guerra americanos que aguardavam. Houve cenas de caos enquanto pessoas desesperadas tentavam escapar.
A fase final da evacuação recebeu o codinome de "Operação Vento Frequente" ("Operation Frequent Wind"). A Embaixada Americana havia distribuído anteriormente um livreto para seus cidadãos, denominado "Instrução Padrão e Conselhos para Civis em uma Emergência" (SAFE).
Isso incluía um mapa de Saigon mostrando as áreas onde seriam detectados quando o sinal fosse dado. O sinal, a ser transmitido pela Rádio das Forças Armadas, era " A temperatura em Saigon está 40 graus e está subindo", seguido pela reprodução de "Natal Branco ".
A operação "Vento Frequente" foi realizada nos dias 29 e 30 de abril. Tamanha foi a velocidade da evacuação e o número de pessoas envolvidas que os navios ficaram sobrecarregados de gente e os helicópteros que os trouxeram.
Ordens foram dadas para empurrar helicópteros excedentes pelas laterais dos navios para abrir espaço para mais. Alguns pilotos foram instruídos a deixar seus passageiros e, em seguida, largar suas máquinas no mar, saltando no último momento para serem resgatados por barcos de resgate.
"Essa ação fecha um capítulo da experiência americana. Peço a todos os americanos que cerrem fileiras, evitem recriminações sobre o passado, olhem para os muitos objetivos que compartilhamos e trabalhem juntos nas grandes tarefas que ainda precisam ser cumpridas.", declaração do então Presidente dos EUA, Gerald Ford, após a evacuação do pessoal do EUA, em 29 de abril de 1975.
Mais de 7.000 pessoas foram evacuadas na "Operação Vento Frequente".
Helicóptero da Air America evacua refugiados durante a queda de Saigon (Foto: Hubert van Es/Corbis)
Esta fotografia icônica foi tirada em 29 de abril de 1975 pelo fotógrafo holandês Hubert van Es. Um helicóptero Bell Model 204B operado pela Air America é mostrado estacionado no telhado dos Pittman Apartments na 22 Gia Long Street em Sài Gòn, a capital da República do Vietnã do Sul.
Embora comumente descrito como a evacuação da embaixada dos Estados Unidos, a embaixada real era um prédio muito maior a vários quarteirões de distância. Este edifício foi uma residência para o pessoal diplomático dos EUA.
Bell 205D N47004 (s/n 3211) daAir America recolhendo evacuados dos Pittman Apartments em Saigon, 29 de abril de 1975 (Foto: Phillipe Buffon/Corbis)
Depois que o helicóptero decolou, centenas de pessoas esperaram no telhado, mas ninguém mais veio buscá-las.
A decisão do governo dos Estados Unidos de abandonar o povo do Vietnã do Sul após apoiar seu governo por mais de dez anos levou à morte de muitos milhares nas mãos dos invasores comunistas. Esse foi um dos acontecimentos mais vergonhosos da história dos EUA.
Em 26 de abril de 1937, por volta das 16h30, aviões da Legião Condor alemã, comandada pelo coronel Wolfram von Richthofen, bombardearam a pequena cidade espanhola de Guernica durante cerca de duas horas. A cidade foi inteiramente destruída e morreram cerca de 1.645 pessoas, a maioria civis, mulheres e crianças.
O ato criminoso estarreceu o mundo. Nunca na história moderna uma população urbana havia sido conscientemente abatida. A imprensa internacional divulgou fotos da tragédia e relatos dramáticos dos sobreviventes.
O bombardeio de Guernica foi um dos episódios mais dramáticos da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e insere-se na ascensão do nazi-fascismo na Europa em que a cidade espanhola serviu de ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial, como foi dito por um de seus protagonistas: “A Guerra Civil Espanhola foi uma oportunidade para experimentar minha jovem força aérea e um meio para meus homens ganharem experiência”, Herman Göering, comandante-chefe da Luftwaffe (força aérea alemã) durante seu julgamento em 1945.
Antecedentes da guerra civil
Havia alguns anos que a Espanha passava por uma grave instabilidade política. Derrubada a ditadura de Primo de Rivera (1923-1930), primeiro-ministro do rei Afonso XIII, o próprio rei tentou fortalecer a monarquia em direção a um regime constitucional e parlamentar. Convocou eleições com a intenção de dar legitimidade democrática às instituições monárquicas.
O resultado das eleições foi contraditório: os monarquistas obtiveram uma clara vantagem, mas os republicanos tiveram um número tão expressivo que o rei interpretou como falta de apoio popular. Em vista disso, Afonso XIII deixou o trono (14/04/1931) e, sem abdicar formalmente, exilou-se em Paris, fixando-se depois em Roma.
Foi proclamada a Segunda República (1931), mas o país seguiu convulsionado e dividido tendo, de um lado a esquerda e os anarquistas, e de outro a direita e a Igreja Católica. Um movimento anticlerical estimulado pelos anarquistas ganhou força provocando saque e incêndio de conventos, colégios e centros católicos. Seis deles foram destruídos. O governo dissolveu Companhia de Jesus e confiscou todos os seus bens no país. As demais ordens religiosas foram preservadas, no entanto, proibidas de dedicar-se ao ensino.
As eleições de fevereiro de 1936 deram vitória apertada à esquerda que recebeu 4.645.116 votos contra 4.503.524 da direita. O novo presidente, Manoel Azaña, escolheu como seu primeiro-ministro o socialista Largo Caballero. Inconformada, a direita preparou o golpe militar que se concretizou cinco meses depois.
A Guerra Civil Espanhola (1936-1939)
A guerra civil estalou a 17 de julho de 1936 com o levantamento de um setor do exército comandado pelo general Francisco Franco contra o governo da Segunda República. Porém, o golpe de estado não foi bem-sucedido e a Espanha ficou dividida entre falangistas e nacionalistas (pró-Franco) e a Frente Popular (pró-governo) que reunia republicanos, socialistas, comunistas e anarquistas.
As forças de cada lado eram mais fortes nas regiões onde obtiveram maior votação nas eleições de fevereiro de 1936. Assim, por exemplo, a Frente Popular detinha Madri e Barcelona porém tinha menos armas modernas (blindados e aviões), mesmo recebendo auxílio da União Soviética. Franco, simpatizante do fascismo, teve ajuda militar de Mussolini e Hitler.
Mapa do desenrolar da Guerra Civil Espanhola. Marcado com um círculo e flecha, Guernica, no norte do país
A Frente Popular contou, também, com as Brigadas Internacionais formadas por cerca de 60 mil voluntários de 53 nacionalidades, incluindo 40 brasileiros, que foram à Espanha lutar contra os golpistas e fascistas, e em favor da república. A maioria dos voluntários, contudo, tinha pouco conhecimentos e treino militar. Os voluntários alemães eram os melhores preparados, uma vez que além de muitos terem combatido na Primeira Guerra, vinham de anos de combates de rua com as milícias nazistas.
Em março de 1939, a resistência republicana foi derrotada. Franco aboliu a república e implantou uma ditadura que perseguiu e executou seus opositores. A guerra fez mais de um milhão e meio de vítimas e levou a Espanha à ditadura franquista que perdurou por mais de trinta anos, até a morte do general, em 1975.
Bombardeio de Guernica (26/4/1937)
Guernica era uma pacata cidade espanhola, na região basca, no norte da Espanha, com pouco mais de sete mil habitantes. Até então ela permanecera praticamente intocada pela Guerra Civil Espanhola, que desenrolava-se havia quase um ano. Não tinha qualquer valor estratégico.
Francisco Franco amargava então algumas derrotas humilhantes. Em novembro de 1936, mandou os aviões alemães e italianos bombardearem Madri com o objetivo de desmoralizar sua população e obter a rendição da cidade. Não conseguiu, porém, tomar a capital.
Com o fracasso, Guernica cuja população apoiava as forças republicanas entrou na mira dos fascistas de Franco. O futuro ditador contava com o apoio da Alemanha de Hitler e da Itália de Mussolini. A política do nazista Hermann Göring era utilizar a Guerra Civil Espanhola como campo de testes para os pilotos e as máquinas de sua nova Luftwaffe (Força Aérea).
16 de abril de 1937 era uma segunda-feira, dia de mercado em Guernica. Os habitantes das cidades vizinhas vinham à cidade para comprar alimentos e negociar com o que produziam. Por volta das 16h30, começaram os bombardeios aéreos isolados. Muitos correram para os abrigos antiaéreos mas outros fugiram aterrorizados para as colinas. Os pilotos os perseguiram e, voando baixo, começaram a atirar neles, crivando-os com rajadas de metralhadoras.
Duas horas depois, veio o ataque principal dos aviões da Legião Condor alemã, comandada pelo coronel Wolfram von Richthofen, bombardearam Guernica com bombas incendiárias. Segundo um diário de guerra da época, a esta altura a fumaça já era tanta que não se distinguiam mais os alvos – casas, pontes ou arrabaldes – e os pilotos dos 50 bombardeiros da Legião Condor atiravam sua carga mortal indistintamente.
Sobre a pequena cidade de 8 km² caíram 22 toneladas de explosivos entre pequenas bombas incendiárias e bombas de 250 quilos. A rede de canalização de água foi rapidamente destruída, e assim o fogo teve todo o tempo para alastrar-se e consumir Guernica.
O bombardeio sobre Guernica matou 1600 pessoas
A cidade foi inteiramente destruída e morreram cerca de 1645 pessoas, a maioria civis, mulheres e crianças, e ficaram feridos e mutilados outras 889. Os números são contestados. Os registros documentais desapareceram durante a guerra e o governo de Franco o que dificulta muito os cálculos.
Repercussões do bombardeio
O ataque da Legião Condor foi o primeiro bombardeio aéreo maciço contra a população indefesa na história europeia. É considerado o primeiro teste de guerra total da história. A partir daí, o terror contra civis tornou-se um princípio, passando a integrar a moderna maquinaria de guerra.
Os agressores divulgaram as mais estapafúrdias versões do bombardeio infernal em Guernica. Entre outras, que só pretendiam explodir a ponte sobre o rio Mundaka, para cortar o caminho das tropas inimigas.
Franco sempre negou que o ataque de Guernica tenha sido perpetrado por seu exército ou por seus aliados alemães. Durante anos, ele afirmou que a cidade foi atacada pela própria população, em sua maioria, republicana.
As fotos em preto e branco estampadas nos jornais impressionaram o pintor espanhol Pablo Picasso que, então, residia em Paris. Em cinco semanas, ele pintou a monumental tela Guernica onde representou toda a dor e desespero causados pelo bombardeio. Conta-se que um oficial da SS lhe perguntou, apontando para a pintura “Foi o senhor que fez isso?”. Picasso respondeu: “Não, o senhor”.
“Guernica”, 1937, óleo sobre tela, 3,49 m x 7,76 m, Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia, Madri
Sessenta anos mais tarde, em 1997, o então presidente da Alemanha, Roman Herzog, pediria perdão aos habitantes da cidade: “Quero assumir a responsabilidade pelo passado e reconhecer expressamente o envolvimento culposo dos pilotos alemães. Eu pranteio com vocês os mortos e feridos. Aos que ainda carregam consigo as feridas do passado, estendo minha mão num pedido de reconciliação”.
Guernica foi alvo para testar as novas armas e táticas nazi-fascistas, servindo de ensaio para a Segunda Guerra Mundial
Em 1999, o governo Helmut Kohl doou 3 milhões de marcos à cidade que os soldados alemães tinham reduzido a cinzas. O dinheiro foi empregado na construção de um novo centro de esportes.
Pode uma Força Aérea decidir uma grande batalha, ou ainda, a vitória em toda uma campanha?
Na primavera de 1940, isso era possível para a Luftwaffe, a nova Força Aérea alemã, renascida oficialmente, em fevereiro de 1935, apenas cinco anos antes!
Depois das vitórias na Polônia, Dinamarca e Noruega, essa Força Aérea estava pronta para enfrentar (e vencer) as duas maiores potências militares da Europa – o Reino Unido e a França, os grandes antagonistas, que menos de duas décadas e meia antes, haviam derrotado a Alemanha na 1ª Guerra Mundial. Um confronto que iria sacudir o mundo. E transformar a “guerra europeia” numa “guerra mundial”. Entenda, neste especial em duas partes, como isso foi possível. Conheça o Apogeu da Luftwaffe.
Com Claudio Lucchesi e Kowalsky, no Canal Revista Asas, o melhor do Jornalismo de Aviação, e da História e Cultura Aeronáutica no YouTube!
Pilotos do Esquadrão 303: F/O Ferić , F/Lt Ten Kent, F/O Grzeszczak, P/O Radomski, P/O Zumbach, P/O Łokuciewski, F/O Henneberg, Sgt Rogowski, Sgt Szaposznikow (em 1940)
Os pilotos poloneses conquistaram um lugar especial na história britânica. Formado em 2 de agosto de 1940, o 303º Esquadrão de Caças Tadeusz Kościuszko Varsóvia mostrou sua excepcional eficiência e bravura durante a Batalha da Grã-Bretanha. Com seu heroísmo, o No. 303 Squadron provou estar à altura dos feitos de seu grande patrono, Tadeusz Kościuszko.
A Batalha da Grã-Bretanha foi uma campanha aérea travada no sul e centro da Inglaterra de 10 de julho de 1940 a 31 de outubro de 1940. O objetivo da massiva ofensiva alemã era preparar as Ilhas Britânicas para o desembarque nazista, e as ideias por trás do Terceiro Reich os ataques aéreos estavam destruindo a RAF, dominando o espaço aéreo britânico e cortando as rotas de comunicação das forças aliadas.
A batalha foi travada entre a Luftwaffe alemã e unidades britânicas da RAF. Os pilotos poloneses do Esquadrão No. 303 lutaram lado a lado com a Força Aérea Real Britânica. Para eles, foi uma oportunidade não apenas de demonstrar suas habilidades de combate, mas também de se vingar dos alemães no primeiro ano da guerra destrutiva. O Terceiro Reich começou em 1939 com o ataque a Wieluń e o bombardeio de Westerplatte (Polônia) pelo encouraçado alemão SMS Schleswig-Holstein.
Por decisão do Comando de Caça da RAF britânica, o Esquadrão nº 303 foi autorizado a travar batalhas aéreas sobre a Grã-Bretanha em meados de agosto de 1940. Essa decisão, no entanto, inicialmente consistia em uma autorização limitada para lutar como uma unidade militar de reserva.
A principal razão para isso foi o processo ainda em andamento de apresentar aos pilotos poloneses os procedimentos britânicos e adquirir habilidades linguísticas. Os britânicos também acreditavam que os poloneses não seriam capazes de dominar sua tecnologia de aviação, pois já haviam voado em máquinas obsoletas.
O principal crítico da participação do Esquadrão No. 303 na Batalha da Grã-Bretanha foi o oficial da RAF Hugh Dowding. A situação mudou quando os alemães começaram a ganhar uma vantagem perigosa nos primeiros dias de batalha. Naquela época, o comando da RAF decidiu dar uma chance aos poloneses.
Os pilotos poloneses fizeram seu primeiro voo operacional em 24 de agosto de 1940, em uma patrulha aérea sobre o aeródromo de Northolt. Após a primeira ação bem-sucedida, o No. 303 Squadron iniciou patrulhas regulares do espaço aéreo britânico.
O primeiro voo de combate com os poloneses ocorreu em 30 de agosto de 1940. Ainda assim, pretendia ser um exercício de treinamento com o objetivo de introduzir o esquadrão polonês no combate aéreo real. Durante esse treinamento, cujo objetivo específico era simular um ataque a um bombardeiro britânico Bristol Blenheim, o piloto polonês Ludwik Paszkiewicz avistou um caça alemão Messerschmitt Bf 110 na área e o abateu. No dia seguinte, o esquadrão foi declarado operacional e oficialmente colocado em serviço integral.
Como o Coronel Witold Urbanowicz lembrou em uma reportagem para a Rádio Polonesa, depois de apenas alguns dias de luta, os pilotos poloneses eram bons o suficiente para se tornarem instrutores dos britânicos. Durante a Batalha da Grã-Bretanha, os alemães perderam 1.733 aeronaves (quase 700 a mais que as forças aliadas) e cerca de 650 foram danificadas. Isso era mais da metade do potencial total da Luftwaffe.
No. 303 Squadron RAF está classificado entre as melhores unidades de caça da Segunda Guerra Mundial. Na época da Batalha da Grã-Bretanha em 1940, foi creditado por abater 126 máquinas alemãs, colocando-o em primeiro lugar entre os esquadrões de caça na batalha.
Quatro esquadrões poloneses lutaram na Batalha da Grã-Bretanha: dois esquadrões de bombardeiros (300 e 301) e dois esquadrões de caças (302 e 303). Além disso, havia 81 pilotos poloneses nos esquadrões britânicos. De acordo com documentos oficiais do Instituto Polonês de Memória Nacional (IPN) e um relatório de Robert Gretzyngier e Wojciech Matusiak, 145 pilotos poloneses participaram da batalha, mas este número não inclui o pessoal técnico polonês, cuja contribuição para a vitória foi igualmente significativo.
Em reconhecimento aos pilotos poloneses, que foram cruciais para a vitória da Grã-Bretanha e seus aliados, o Memorial da Força Aérea Polonesa foi erguido em 1948 no oeste de Londres (perto da estação RAF Northolt original). É um monumento comemorativo dos pilotos do No. 303 Squadron que ajudaram os Aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
Na Polônia, nossos heróis também têm seus monumentos, e o dia que comemora sua contribuição para a vitória sobre a Alemanha na Batalha da Grã-Bretanha é 1º de setembro. Todo polonês deve cultivar a memória e o legado dos bravos pilotos que, em nome da liberdade, se levantaram para lutar contra um regime totalitário.
Ainda não se sabe se ele foi abatido por forças iranianas. A Marinha dos EUA, por enquanto, apenas confirmou o desaparecimento.
Drone MQ-4C Triton custa mais de US$ 240 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)
Após análises de dados feitos por diversos veículos de comunicação indicarem que os Estados Unidos perdeu seu drone MQ-4C Triton, uma de suas aeronaves mais caras, no Oriente Médio, a Marinha americana confirmou a informação.
Os dados de voo mostram o Triton emitindo o código transponder 7400 durante o voo, indicando que o contato com o piloto em solo havia sido perdido, e depois o código 7700, indicando uma emergência, cerca de 70 minutos depois, quando caiu para 13.411 metros.
O drone continuou emitindo sinais em 7700 MHz até desaparecer dos radares a uma altitude de mais de dois mil metros.
Um relatório do Comando de Segurança da Marinha dos EUA desta semana revelado pela rede de TV americana CNN destaca que o drone, que custa US$ 240 milhões (mais de R$ 1 bilhão), caiu em 9 de abril. O local exato da queda não foi revelado.
Segundo os dados vistos pela CNN, o drone partiu da Estação Aeronaval de Sigonella, na Itália, e desapareceu no Golfo Pérsico. Ele teve uma queda na altitude de 15 mil para 2 mil metros e perdeu contato.
Ainda não se sabe se ele foi abatido por forças iranianas. A Marinha dos EUA, por enquanto, apenas confirmou o desaparecimento.
Um MQ-4C Triton da Marinha dos EUA, pertencente ao Esquadrão de Patrulha Não Tripulada (VUP) 19, decola da Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais (MCAS) de Iwakuni, Japão, em 5 de outubro de 2022 (Foto do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA pelo cabo Mitchell Austin)
A Northrop Grumman, que é a fabricante, diz que essa é a 'principal aeronave não tripulada do mundo para inteligência, vigilância, reconhecimento e direcionamento marítimo'. Ela pode alcançar 8,5 mil milhas náuticas e tem motor a jato.
Impulsionado por um motor a jato e com um alcance de 8.500 milhas náuticas (equivalente a cerca de 15,7 mil quilômetros), o MQ-4C pode permanecer no ar por mais de 24 horas a mais de 50.000 pés (cerca de 15, 2 mil metros), sendo considerado um dos drones mais caros e avançados do mundo.
O drone é uma das aeronaves mais raras da frota da Marinha americana (a Northrop Grumman afirma ter produzido apenas 20 unidades) e também uma das mais caras, custando cerca de US$ 240 milhões (equivalente a cerca de R$ 1,1 bilhão) por unidade.
Isso é mais que o dobro do preço de um caça furtivo F-35C. Os primeiros protótipos do MQ-4C começaram a ser entregues em 2012.
Essas aeronaves desempenharam um papel fundamental na definição do resultado da guerra.
Supermarine Spitfire (Foto: Bernard Spragg via flickr)
A Segunda Guerra Mundial testemunhou a ascensão de caças poderosos e lendários que deixaram para sempre sua marca na história da aviação. Entre os aviões mais reverenciados desta época estavam os Spitfires, Mustangs e Messerschmitts.
Estas aeronaves não só desempenharam um papel fundamental na definição do resultado da guerra, mas também se tornaram símbolos de coragem, inovação e capacidade tecnológica. Os icônicos caças possuíam características de desempenho superiores e desempenharam papéis críticos na definição do resultado da Segunda Guerra Mundial .
Uma obra-prima britânica
O Supermarine Spitfire foi amplamente considerado um dos aviões de combate mais elegantes e eficazes da guerra. Com suas distintas asas elípticas e excelente manobrabilidade, o Spitfire tornou-se um símbolo da resiliência da Força Aérea Real e de outros países Aliados na Segunda Guerra Mundial.
Supermarine Spitfire (Foto: Alan Wilson via Wikimedia Commons)
Os pilotos apreciaram sua capacidade de resposta, capacidades incomparáveis de combate aéreo e potência excepcional de até 2.340 hp (1.745 kW). O poderoso desempenho do Spitfire – graças às suas muitas configurações de asas e canhões – tornou-o um adversário formidável para aeronaves inimigas. Hoje, cerca de 70 Spitfires permanecem em condições de aeronavegabilidade, com muito mais exposições estáticas em museus de todo o mundo.
Poder aéreo americano
Do outro lado do Atlântico, o Mustang P-51 norte-americano emergiu como uma verdadeira virada de jogo. Projetado como uma alternativa moderna ao caça Curtiss P-40, o Mustang logo se tornou um símbolo icônico do poder aéreo americano.
Mustang P51 (Foto: Airwolfhound via Wikimedia Commons)
Tal como o Spitfire, o Mustang possuía velocidade e alcance notáveis, permitindo-lhe voar até 440 mph (710 km/h) ao longo de 1.650 milhas náuticas (2.660 km) com tanques externos. Seu desempenho lendário em combates aéreos em grandes altitudes e missões de ataque ao solo fizeram dele uma força a ser reconhecida. Embora o Mustang tenha sido aposentado do serviço militar em 1984, ele ainda é usado como nave de guerra e em corridas aéreas por civis.
A espinha dorsal da Luftwaffe
No lado oposto, o Messerschmitt Bf 109 representava o poder aéreo da Alemanha nazista. Servindo como a espinha dorsal da força de caça da Luftwaffe, o Bf 109 exibiu a precisão da engenharia alemã e foi páreo para o Spitfire e o Mustang. Com seu design elegante, aerodinâmica avançada e motores potentes, provou ser um adversário mortal nos céus.
Messerschmitt Bf 109 (Foto via @ron_eisele)
A reputação de velocidade, capacidade de escalada e poder de fogo do Bf 109 tornou-o um forte oponente para os pilotos aliados. Ao longo da guerra, o Messerschmitt Bf 109 passou por diversas atualizações e modificações - servindo como escolta de bombardeiros, caças-bombardeiros e aeronaves de reconhecimento aéreo - mantendo seu status de aeronave temida e respeitada.
Ícones de impacto
Além do seu significado militar , estas aeronaves deixaram um impacto duradouro na história da aviação. As inovações tecnológicas desenvolvidas durante esta época abriram caminho para avanços futuros no design e engenharia da aviação.
Hoje, entusiastas e historiadores ficam maravilhados com a beleza atemporal e a excelência em engenharia desses aviões de combate da Segunda Guerra Mundial. Eles servem como um lembrete do espírito indomável e da determinação dos homens e mulheres que lutaram bravamente nos céus. Os Spitfires, Mustangs e Messerschmitts permanecem como símbolos duradouros de uma época passada, gravada para sempre na história mundial.
General Dynamics F-111F Aardvark com bombas guiadas a laser GBU-10 Paveway II de 2.000 libras na RAF Lakenheath, 14 de abril de 1981 (Foto: Força Aérea dos EUA)
Em 14 de abril de 1986, em resposta a vários atos de terrorismo internacional patrocinados pelo regime líbio de Muammar Khadafi, os Estados Unidos lançaram a Operação El Dorado Canyon.
Junto com A-6E Intruders, F/A-18 Hornets e A-7 Corsair II's dos porta-aviões USS America e USS Coral Sea, 24 General Dynamics F-111F Aardvarks do 48º Tactical Fighter Wing da RAF Lakenheath, acompanhados pelo EF-111 Ravens para contra-medidas eletrônicas e voou 3.500 milhas para seus alvos.
Na noite de 14 para 15 de abril de 1986, aviões da marinha atacaram o campo de aviação Benina e o quartel de Benghazi, enquanto os caças-bombardeiros da Força Aérea, usando bombas guiadas a laser de 2.000 libras, atacaram o quartel Aziziyah e o campo de treinamento terrorista Sadi Bilal em Trípoli.
Por causa da duração do voo, os F-111s tiveram que reabastecer dos tanques aéreos KC-10 Extender quatro vezes em cada direção. Os KC-10s, por sua vez, foram reabastecidos em vôo com os Stratotankers KC-135.
Havia regras de combate muito rigorosas em vigor e, por esse motivo, a maioria dos Aardvarks não lançava suas bombas.
A Líbia tinha algumas das defesas aéreas mais sofisticadas do mundo. A análise indicou que apenas três cidades na Rússia foram mais fortemente defendidas. Mesmo assim, das 55 aeronaves das duas forças de ataque, apenas um F-111 foi perdido, provavelmente abatido por um míssil terra-ar. Seus dois tripulantes foram mortos.
Uma série de aeronaves e instalações da Líbia foram destruídas. 37 pessoas foram mortas e 93 feridas. Do ponto de vista da destruição causada, os resultados foram mínimos. Mas os efeitos sobre o coronel Khadafi foram pronunciados e resultaram em uma redução significativa das atividades terroristas de seu regime. Vista dessa perspectiva, a missão foi um sucesso completo.
General Dynamics F-111F 70-2380, 48ª Asa de Caça Tática, com asas abertas para voo em alta velocidade, sobre uma paisagem desértica (Foto: Força Aérea dos EUA)
Muitas ameaças de retaliação vieram do governo líbio, mas o próprio Gaddafi não aparecia em público, fazendo crescer os rumores de que o ditador havia sido morto no ataque a seu quartel-general em Azízia, onde na realidade perdera a vida sua filha adotiva.
Fontes em Washington jamais confirmaram que o objetivo da missão era eliminar o líder líbio, que governou a Líbia até sua morte, 25 anos depois, durante a Guerra Civil Líbia.
O atentado de Lockerbie a um avião norte-americano sobre a Escócia em 1988, teria sido uma reação da Líbia ao ataque aéreo americano.
Por Jorge Tadeu (com Wikipedia e This Day in Aviation)
O Lockheed C-5A Galaxy 68-0218 decola da Base Aérea de Tan Son Nhut, Vietnã do Sul, às 16h00, sexta-feira, 4 de abril de 1975 (Foto: CORBIS)
Com a aproximação do fim da Guerra do Vietnã, foi decidido evacuar 2.000 órfãos, a maioria sob os cuidados de um hospital americano em Saigon, na República do Vietnã do Sul, e levá-los para um local seguro nos Estados Unidos. Era a "Operação Babylift".
Em 4 de abril de 1975, o primeiro voo foi a bordo de um transporte pesado Lockheed C-5A Galaxy da Força Aérea dos EUA, número de série 68-0218, pilotado pelos capitães Dennis W. Traynor III e Tilford Harp.
Uma equipe médica da Base Aérea de Clark, nas Filipinas, comandada pela Primeira Tenente Regina Claire Aune (foto ao lado), Corpo de Enfermagem da Força Aérea dos Estados Unidos, estava a bordo quando o enorme avião de transporte pousou na Base Aérea de Tan Son Nhut em Saigon.
Quando foi descoberto que haveria cerca de 250 órfãos a bordo, muitos deles doentes ou feridos, outra equipe médica de um Starlifter C-141 se ofereceu para acompanhar a equipe do Tenente Aune no voo de ida.
Quando o Galaxy decolou de Saigon às 16h, havia 328 pessoas a bordo, incluindo tripulação de voo, equipes médicas, órfãos e seus acompanhantes, bem como outro pessoal dos EUA.
O C-5A subiu rapidamente para 23.000 pés (7.010 metros). Poucos minutos após a decolagem, os bloqueios da rampa de carregamento traseira falharam. A descompressão explosiva arremessou pessoas e equipamentos por todo o avião, que se encheu instantaneamente de névoa.
O tenente Aune foi arremessado por toda a extensão do convés superior. O avião foi severamente danificado com dois sistemas hidráulicos inoperantes e muitos cabos de controle de voo rompidos.
Os pilotos só podiam controlar o avião com o impulso do motor. Eles começaram uma descida de emergência e voltaram para Tan Son Nhut.
Incapaz de manter o voo, por volta das 16h45, o Galaxy pousou em um arrozal a duas milhas da pista a 270 nós (500 quilômetros por hora). Deslizou por um quarto de milha, ficou no ar por mais oitocentos metros, então tocou o solo e deslizou até atingir um dique elevado e se dividir em quatro seções, deixando o saldo de 138 pessoas mortas no acidente.
Helicópteros perto dos destroços do Lockheed C-5A Galaxy (Foto: NPR)
Embora ela mesma estivesse gravemente ferida, a tenente Aune começou a evacuar as crianças. Quando os helicópteros de resgate chegaram, eles não puderam pousar perto do transporte destruído, então as crianças tiveram que ser carregadas.
Depois de ajudar no parto de cerca de oitenta bebês, Regina Aune não conseguiu continuar. Ela pediu ao primeiro oficial que viu ser dispensado de suas funções e desmaiou. Em um hospital, descobriu-se que ela tinha um pé quebrado, uma perna quebrada e uma vértebra nas costas, além de vários outros ferimentos.
Destroços do Lockheed C-5A Galaxy (Foto: NPR)
Regina Aune se tornou a primeira mulher a receber o Prêmio Cheney da Força Aérea, que foi estabelecido em 1927 e é concedido " a um aviador por um ato de bravura, extrema firmeza ou abnegação em um interesse humanitário, realizado em conexão com aeronaves, mas não necessariamente de natureza militar. “
Onze membros da tripulação do Galaxy estavam entre os mortos, incluindo a capitã Mary Therese Klinker, Nurse Corps, Força Aérea dos Estados Unidos.
Os pilotos, Capitão Dennis W. Traynor III e Capitão Tilford W. Harp, foram agraciados com a Cruz da Força Aérea pelo que o General Paul Carlton, Comandante do Comando de Transporte Aéreo Militar, chamou de “uma das maiores demonstrações de habilidade aérea que já ouvi falar.”
O capitão "Bud" Traynor (foto ao lado) pilotava o C-5A Galaxy que caiu em 1975 em Saigon como parte da Operação Babylif.
Após o acidente em 4 de abril, que matou 78 crianças, o empresário americano Robert Macauley interveio e alugou um Boeing 747 da PanAm para levar 300 delas aos EUA.
A operação acabou em 26 de abril, com a ocupação do aeroporto Tan Son Nhat pelas forças norte-vietnamitas. Quatro dias depois, o Vietnã do Sul deixaria de existir.
Bebês a bordo do Boeing 747 da PanAm
Hoje, com o Vietnã buscando um capitalismo à chinesa e se reaproximando do Ocidente, as crianças da Operação Babylift contam com a ajuda da ONG Operation Reunite para tentar encontrar seus parentes ou até pais no Vietnã, por meio de testes de DNA.
A Força Aérea Americana (USAF) perdeu mais uma aeronave tática em sua principal base aérea na Arábia Saudita, tratando-se agora de um avião radar do modelo E-3G Sentry.
A aeronave, fabricada pela Boeing a partir do jato comercial 707, é a principal plataforma de alerta aéreo antecipado dos EUA, e a mais produzida do mundo, funcionando como um radar aéreo para ter grande visualização das ameaças aéreas inimigas antes mesmo de elas se tornarem uma ameaça.
Desde o início da Operação Epic Fury, exatamente um mês atrás, os EUA não tinham perdido nenhum avião deste modelo, com as perdas se limitando aos caças F-15 abatidos por um F-18 do Kuwait e aos Boeing KC-135 de reabastecimento em voo, danificados em voo e também em solo.
(Foto: USAF/Cynthia Griggs)
Inclusive, o último registro de avião KC-135 destruído foi na Base Aérea de Prince Sultan, a oeste de Riade, principal ponto de apoio para a logística americana na Arábia Saudita. Apesar de serem parecidos, o KC-135 é derivado direto do projeto 367-80, que passou por modificações na largura e no comprimento da fuselagem para se tornar o 707 civil.
As informações iniciais, confirmadas por imagem de satélite, apontavam que o ataque de mísseis balísticos do Irã destruiu um KC-135 em Prince Sultan, com possibilidade de outros terem sido danificados. Porém, no dia seguinte, começaram a surgir informações de que um E-3 Sentry também havia sido destruído, porém nenhuma imagem satelital ou de solo havia sido divulgada até este sábado, 28 de março.
De matrícula 81-0005, a aeronave de alerta aéreo antecipado é parte da 552ª Ala de Controle Aéreo, composta por quatro esquadrões e baseada na Base Aérea de Tinker, em Oklahoma. Nas imagens, é possível ver que o radar que fica em um “prato” giratório suspenso acima da fuselagem foi completamente destruído, assim como a parte traseira da fuselagem, fazendo com que a cauda se desprendesse.
Imagens de satélite apontam que o avião estava na taxiway S2, próximo à cabeceira 35L. Ainda não está claro se a aeronave estava taxiando após a decolagem ou se estava estacionada no local. Os KC-135 atingidos no mesmo ataque estavam no pátio e vazios.
Este é o terceiro caso de perda total de um E-3 Sentry, mas o primeiro em combate. Com esta baixa, hoje a USAF conta com 15 aeronaves do modelo na ativa, ainda sem um modelo substituto em produção seriada.
A adesão cada vez maior aos drones de combate é um legado claro da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de três anos.
(Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Mais baratos e eficazes, os drones estão sendo amplamente utilizados pelos exércitos de vários países do mundo. É o que revela um estudo realizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) sobre as capacidades militares das nações.
A adesão cada vez maior aos veículos de combate não tripulados é um legado claro da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de três anos. Atualmente, pelo menos 54 países do mundo já utilizam esta tecnologia como arma.
Mais detalhes do relatório
De acordo com o relatório, o número representa 31% dos 174 países sobre os quais a organização, que há 65 anos faz esse levantamento, obteve dados.
Além disso, significa um aumento importante em relação aos 38 que detinham drones de ataque em 2022.
Entres os equipamentos mais utilizados estão o turco Bayraktar (em 28 países), os chineses Caihong (15) e Wing Loong (13), o norte-americano MQ (14) e os iranianos Mohajer (14) e Shahed (13).
O estudo ainda aponta que Turquia e Irã se tornaram os principais fabricantes mundiais dos veículos, ao lado de China e Estados Unidos.
Alguns países não operam diretamente os equipamentos, caso da Líbia, onde o exército turco mantém uma base militar.
E o Brasil?
Brasil não tem drones de combate, apenas de monitoramento, de acordo com o relatório.
Conheça alguns dos modelos de drones mais utilizados
Um dos drones mais famosos é o Shahed-136. O equipamento é fabricado pelo Irã desde 2021 e foi utilizado em larga escala no ataque contra Israel no início de abril do ano passado. Ele é um drone-kamikaze que tem como característica principal uma combinação de design em asa delta e capacidade de voo em baixa altitude, fator que dificulta drasticamente a detecção por radares de sistemas de defesa aérea.
Este drone de ataque portátil pode carregar até 40 quilos de ogivas e ser lançado a partir de um caminhão militar ou comercial. Ele tem alcance de até 1.500 km e atinge uma velocidade máxima de 185 km/h, sendo utilizado pelos exércitos do Irã, Iraque, Iêmen e Rússia.
Shahed-136, drone de fabricação iraniana, está sendo amplamente utilizado (Imagem: Sergey Dzyuba/Shutterstock)
Já o MQ-9 Reaper é fabricado pelos Estados Unidos. Sua função primária é coletar informações, servindo de apoio e vigilância em missões, mas também pode ser usado em ataques. Ele pode ser equipado com até 8 mísseis guiados a laser e, por isso, é considerado uma arma letal e altamente precisa.
Este modelo de drone foi usado, em 2020, para matar Qassem Soleimani, chefe de uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã e um dos homens mais poderosos do país. Ele tem alcance de até 1.850 km e atinge uma velocidade máxima de 444 km/h, sendo utilizado pelos exércitos dos EUA, França, Itália, Holanda, Polônia, Espanha, Reino Unido e Índia. Além disso, está presente em bases comandadas pelos norte-americanos na Polônia, Kuwait, Iraque, Jordânia, Djibouti, Niger e Japão.
Drone MQ-9 Reaper é utilizado pelos EUA e aliados (Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Outro drone bastante utilizado é o Bayraktar TB2, da Turquia. Ele pode ser armado com bombas guiadas a laser e conta com um alcance de até 1.850 km, atingindo uma velocidade máxima de 222 km/h, e sendo utilizado pelos exércitos da Turquia, Polônia, Sérvia, Azerbaijão, Quirguistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão, Paquistão,, Marrocos, Catar, Emirados Árabes Unidos, Burkina Faso, Djibouti, Etiópia, Mali e Togo.
Turquia aposta na fabricação do drone Bayraktar TB2 (Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Os chineses também possuem os seus próprios equipamentos. O Caihong, por exemplo, é desenvolvido pela China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC). O modelo CH-4B tem um sistema misto de ataque e de reconhecimento de território. Com uma carga útil de até 345 kg, pode levar até seis armas e disparar mísseis a partir de uma distância de 5 mil metros. A bateria tem duração de 40 horas.
O equipamento tem alcance de até 5.000 km e atinge uma velocidade máxima de 435 km/h, sendo utilizado pelos exércitos da China, Indonésia, Mianmar, Paquistão, Argélia, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita, República Democrática do Congo, Nigéria e Sudão.
Por fim, os chineses também criaram o Wing Loong II. Inicialmente, ele era utilizados para vigilância e monitoramento, mas foi adaptado para combate. O equipamento pode levar um conjuntos de mísseis com mira a laser e bombas.
Wing Loong II é um dos drones utilizados pela China (Imagem: Chegdu Aircraft Infustry Group)
Desenvolvido pela Chegdu Aircraft Infustry Group (CAIG), ele é movido à hélice, o que, segundo a fabricante, permite que não seja facilmente identificado por radares. Para aumentar o alcance, que é de 2.000 km, o drone ainda pode ser controlado por meio de um link via satélite.
A velocidade máxima atingida é de 370 km/h. O armamento é utilizado pelos exércitos da Arábia Saudita, Cazaquistão, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Paquistão, Uzbequistão, Argélia, Marrocos e Nigéria.
Caça F-35 dos EUA sobrevoa navio (Imagem: Dane Wiedmann/Navy Office of Information/U.S. Navy)
Os ataques de Estados Unidos e Israel neste fim de semana foram feitos massivamente por meio aéreo contra um adversário, o Irã, com poder bélico limitado nesse setor.
Irã e Israel possuem uma ampla frota de caças multimissão, inclusive para lançamento de bombas e ataques a alvos no solo. Mesmo tendo destaque em rankings mundiais, os dois países não estão nem próximos do poder dos EUA.
Veja quais os modelos de ataque aéreo estão sendo utilizados no Oriente Médio. Na sequência, conheça um pouco do poder aéreo norte-americano, que detém 25% de toda frota militar do mundo, com 13.033 aeronaves, incluindo caças, aviões de reabastecimento, cargueiros, aeronaves de ataque entre outras. Como comparação, em segundo lugar vem a Rússia, com 4.237 aeronaves militares ao todo, representando 8% da frota global.
Irã x Israel
Todos os dados da reportagem são da empresa de análises do setor de aviação Cirium, compilados na publicação Flight Global World Air Forces. As aeronaves de ataque estão separadas por modelo/versão, país de origem e quantidade.
Não estão compilados outros tipos de aeronaves, como as de reabastecimento em voo, de guerra eletrônica ou cargueiros e de ataque ao solo, por exemplo.
Caças F-5 do Irã: Modelo está caindo em desuso pelo mundo, mas ainda é fundamental para o país persa (Imagem: Domínio Público)
Irã (Força Aérea da República Islâmica do Irã)
F-4 (fabricado no Estados Unidos): 65 unidades
F-5 (Estados Unidos): 35 unidades
F-7 (China): 17 unidades
F-14 (Estados Unidos): 41 unidades
MiG-29 (União Soviética/Rússia): 18 unidades
Mirage (França): 12 unidades
Su-24 (Rússia): 21 unidades
Irã (Guarda Revolucionária Islâmica)
Su-22 (Rússia): 9 unidades
Israel (Força Aérea e Espacial de Israel)
F-15 (Estados Unidos): 66 unidades
F-16 (Estados Unidos): 173 unidades
F-35 (Estados Unidos): 45 unidades
Caças F-35 israelense voam em formação exibindo a bandeira de Israel e dos EUA (Imagem: Força Aérea dos EUA)
Embora Israel tenha uma menor variedades de aviões de combate (três apenas), sua frota é maior que a do Irã, com 284 unidades. Já o país persa possui mais modelos (oito ao todo), mas menos unidades que o vizinho: 218.
Essa é uma comparação bem injusta em um certo ponto, pois não é apenas a quantidade que deve ser levada em conta, mas a disponibilidade para uso de cada um. A idade e tecnologia das aeronaves também deve ser levada em consideração. Nestes dois casos, o Irã também está em desvantagem, pois, com os embargos que o país sofre, não consegue ter acesso a caças mais modernos, e os que estão em atividade em seu território tendem a ter menos disponibilidade para uso, já que não possuem peças para manutenção na maioria das vezes.
Ao levar em consideração apenas a frota de caças F-16 dos EUA, há mais caças do tipo na Força Aérea dos EUA do que todos os outros aviões de ataque de EUA e Israel somados: 691 exemplares. Esses, entretanto, ficam em solo americano, e não costumam deixar os EUA a não ser para ficarem em bases mundo afora.
F/A-18 operando em um porta-aviões (Imagem: US Navy)
Veja o poder aéreo global dos EUA:
Força Aérea dos EUA
F-15: 320 unidades
F-16: 691 unidades
F-22: 177 unidades
F-35: 305 unidades
Marinha dos EUA
F/A-18: 471 unidades
F-35C: 55 unidades
Corpo de fuzileiros Navais dos EUA
AV-8B (avião de ataque em parceria com Reino Unido): 78 unidades
F/A-18: 132 unidades
F-35: 137 unidades
Porta-aviões
Os EUA enviaram dois porta-aviões para a região. Cada um tem capacidade para até cerca de 70 aeronaves, que incluem os caças, entre outras.
São essas plataformas que estão na retaguarda dos ataques aéreos originados dos EUA. O país ainda conta com bombardeiros de longo alcance, como o B-2 Spirit, usado nos ataques de 2025 ao Irã.
As bases militares dos EUA que circundam o Irã também contam com outros tipos de aeronaves que podem ser usadas na ofensiva ao país persa. Entre elas estão, principalmente, helicópteros de transporte e de ataque.
Drones mudam o cenário
Uma tendência na guerra aérea atualmente é o uso de drones, veículos aéreo de combate não tripulados. Eles possuem baixo custo de operação em comparação com aviões tradicionais, como os caças. Alguns deles também são usados como armamentos em missões camicases, ou seja, sendo jogados contra alvos e explodindo junto a eles (não devem ser confundidos com drones disparadores de mísseis, lançadores de bombas ou de reconhecimento, que são fabricados para retornar à origem).
Entre os principais modelos do Irã se destacam:
Mohajer-6
Shahed-136
Kaman-22
Arash-2
Meraj-532
Alguns podem ser usados para transportar mísseis e bombas, mas, principalmente, há modelos camicases, que já vêm sendo usados nos ataques deste fim de semana.
É fato que os drones do Irã não possuem a tecnologia dos drones dos EUA, que trabalham fortemente para produzir aeronaves para ataques em diversas regiões e com o intuito de exportação para outros países. Devido ao isolamento do Irã, o acesso a novos produtos, sensores e armamentos se torna escasso, tornando a produção doméstica deste tipo de armamento com foco na técnica de enxame, ou seja, enviar a maior quantidade possível deles para o ataque.
Entre os principais modelos de Israel, se destacam:
Heron 1
Hermes 450
Hermes 900
Harop
Os Estados Unidos também mantêm uma série de drones do tipo que, inclusive, já foram usados na região, como:
MQ-9 Reaper
MQ-1C Gray Eagle
RQ-170 Sentinel
O uso ostensivo deste tipo de aeronaves tem moldado os conflitos atuais e tende a se tornar padrão em combates nos próximos anos.
Lucas ao ataque
Militar prepara o drone Lucas, baseado no iraniano Shahed-136, a bordo do USS Santa Barbara em dezembro de 2025 (Imagem: Michael Smith/via Departamento de Defesa dos EUA)
Logo nos primeiros ataques, os EUA usaram munições e armamentos disparados do ar, terra e do mar, mas admitiram o uso de um modelo de drone nos ataques contra o Irã. Batizado de Lucas, seu nome é um acrônimo de Low-cost Unmanned Combat Attack System, ou sistema de combate não tripulado de ataque de baixo custo.
O Comando Central militar dos Estados unidos divulgou que essa foi a primeira vez que a força-tarefa de ataque Scorpion utilizou drones camicases durante uma operação. Segundo a nota, os drones de baixo custo de fabricação, estão agora servindo uma retaliação "fabricada na América" contra os iranianos.
Os militares norte-americanos destacam que esse drone foi fabricado a partir do Shahed-136, feito no Irã, e que já vinha sendo testado desde ao menos o fim de 2025.
Drone Lucas, baseado no iraniano Shahed-136, é disparado a partir do USS Santa Barbara em dezembro de 2025 (Imagem: Kayla McGuire/Exército dos EUA)