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sábado, 4 de abril de 2026

Aconteceu em 4 de abril de 1975: A queda do primeiro voo da Operação Babylift no Vietnã

O Lockheed C-5A Galaxy 68-0218 decola da Base Aérea de Tan Son Nhut, Vietnã do Sul, às 16h00, sexta-feira, 4 de abril de 1975 (Foto: CORBIS)
Com a aproximação do fim da Guerra do Vietnã, foi decidido evacuar 2.000 órfãos, a maioria sob os cuidados de um hospital americano em Saigon, na República do Vietnã do Sul, e levá-los para um local seguro nos Estados Unidos. Era a "Operação Babylift".

Em 4 de abril de 1975,  o primeiro voo foi a bordo de um transporte pesado Lockheed C-5A Galaxy da Força Aérea dos EUA, número de série 68-0218, pilotado pelos capitães Dennis W. Traynor III e Tilford Harp.

Uma equipe médica da Base Aérea de Clark, nas Filipinas, comandada pela Primeira Tenente Regina Claire Aune (foto ao lado), Corpo de Enfermagem da Força Aérea dos Estados Unidos, estava a bordo quando o enorme avião de transporte pousou na Base Aérea de Tan Son Nhut em Saigon. 

Quando foi descoberto que haveria cerca de 250 órfãos a bordo, muitos deles doentes ou feridos, outra equipe médica de um Starlifter C-141 se ofereceu para acompanhar a equipe do Tenente Aune no voo de ida.

Quando o Galaxy decolou de Saigon às 16h, havia 328 pessoas a bordo, incluindo tripulação de voo, equipes médicas, órfãos e seus acompanhantes, bem como outro pessoal dos EUA.

O C-5A subiu rapidamente para 23.000 pés (7.010 metros). Poucos minutos após a decolagem, os bloqueios da rampa de carregamento traseira falharam. A descompressão explosiva arremessou pessoas e equipamentos por todo o avião, que se encheu instantaneamente de névoa. 

O tenente Aune foi arremessado por toda a extensão do convés superior. O avião foi severamente danificado com dois sistemas hidráulicos inoperantes e muitos cabos de controle de voo rompidos.

Os pilotos só podiam controlar o avião com o impulso do motor. Eles começaram uma descida de emergência e voltaram para Tan Son Nhut.

Incapaz de manter o voo, por volta das 16h45, o Galaxy pousou em um arrozal a duas milhas da pista a 270 nós (500 quilômetros por hora). Deslizou por um quarto de milha, ficou no ar por mais oitocentos metros, então tocou o solo e deslizou até atingir um dique elevado e se dividir em quatro seções, deixando o saldo de 138 pessoas mortas no acidente.

Helicópteros perto dos destroços do Lockheed C-5A Galaxy (Foto: NPR)
Embora ela mesma estivesse gravemente ferida, a tenente Aune começou a evacuar as crianças. Quando os helicópteros de resgate chegaram, eles não puderam pousar perto do transporte destruído, então as crianças tiveram que ser carregadas.

Depois de ajudar no parto de cerca de oitenta bebês, Regina Aune não conseguiu continuar. Ela pediu ao primeiro oficial que viu ser dispensado de suas funções e desmaiou. Em um hospital, descobriu-se que ela tinha um pé quebrado, uma perna quebrada e uma vértebra nas costas, além de vários outros ferimentos.

Destroços do Lockheed C-5A Galaxy (Foto: NPR)
Regina Aune se tornou a primeira mulher a receber o Prêmio Cheney da Força Aérea, que foi estabelecido em 1927 e é concedido " a um aviador por um ato de bravura, extrema firmeza ou abnegação em um interesse humanitário, realizado em conexão com aeronaves, mas não necessariamente de natureza militar. “

Onze membros da tripulação do Galaxy estavam entre os mortos, incluindo a capitã Mary Therese Klinker, Nurse Corps, Força Aérea dos Estados Unidos.

Os pilotos, Capitão Dennis W. Traynor III e Capitão Tilford W. Harp, foram agraciados com a Cruz da Força Aérea pelo que o General Paul Carlton, Comandante do Comando de Transporte Aéreo Militar, chamou de “uma das maiores demonstrações de habilidade aérea que já ouvi falar.” 

O capitão "Bud" Traynor (foto ao lado) pilotava o C-5A Galaxy que caiu em 1975 em Saigon como parte da Operação Babylif.

Após o acidente em 4 de abril, que matou 78 crianças, o empresário americano Robert Macauley interveio e alugou um Boeing 747 da PanAm para levar 300 delas aos EUA.
 
A operação acabou em 26 de abril, com a ocupação do aeroporto Tan Son Nhat pelas forças norte-vietnamitas. Quatro dias depois, o Vietnã do Sul deixaria de existir. 

Bebês a bordo do Boeing 747 da PanAm
Hoje, com o Vietnã buscando um capitalismo à chinesa e se reaproximando do Ocidente, as crianças da Operação Babylift contam com a ajuda da ONG Operation Reunite para tentar encontrar seus parentes ou até pais no Vietnã, por meio de testes de DNA.

Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos)

domingo, 29 de março de 2026

Avião radar americano é destruído em taxiway durante ataque do Irã na Arábia Saudita


Via
Mateus Alves (Aeroin)

A Força Aérea Americana (USAF) perdeu mais uma aeronave tática em sua principal base aérea na Arábia Saudita, tratando-se agora de um avião radar do modelo E-3G Sentry.

A aeronave, fabricada pela Boeing a partir do jato comercial 707, é a principal plataforma de alerta aéreo antecipado dos EUA, e a mais produzida do mundo, funcionando como um radar aéreo para ter grande visualização das ameaças aéreas inimigas antes mesmo de elas se tornarem uma ameaça.

Desde o início da Operação Epic Fury, exatamente um mês atrás, os EUA não tinham perdido nenhum avião deste modelo, com as perdas se limitando aos caças F-15 abatidos por um F-18 do Kuwait e aos Boeing KC-135 de reabastecimento em voo, danificados em voo e também em solo.

(Foto: USAF/Cynthia Griggs)
Inclusive, o último registro de avião KC-135 destruído foi na Base Aérea de Prince Sultan, a oeste de Riade, principal ponto de apoio para a logística americana na Arábia Saudita. Apesar de serem parecidos, o KC-135 é derivado direto do projeto 367-80, que passou por modificações na largura e no comprimento da fuselagem para se tornar o 707 civil.

As informações iniciais, confirmadas por imagem de satélite, apontavam que o ataque de mísseis balísticos do Irã destruiu um KC-135 em Prince Sultan, com possibilidade de outros terem sido danificados. Porém, no dia seguinte, começaram a surgir informações de que um E-3 Sentry também havia sido destruído, porém nenhuma imagem satelital ou de solo havia sido divulgada até este sábado, 28 de março.


Agora a página Air Force amn/nco/snco, que posta memes internos de oficiais e praças da Força Aérea Americana (USAF) e publicou com exclusividade os danos no KC-135R que se envolveu em uma colisão aérea com outro Stratotanker, que caiu no Iraque e deixou seis mortos, divulgou imagens do E-3 atingido.

De matrícula 81-0005, a aeronave de alerta aéreo antecipado é parte da 552ª Ala de Controle Aéreo, composta por quatro esquadrões e baseada na Base Aérea de Tinker, em Oklahoma. Nas imagens, é possível ver que o radar que fica em um “prato” giratório suspenso acima da fuselagem foi completamente destruído, assim como a parte traseira da fuselagem, fazendo com que a cauda se desprendesse.

Imagens de satélite apontam que o avião estava na taxiway S2, próximo à cabeceira 35L. Ainda não está claro se a aeronave estava taxiando após a decolagem ou se estava estacionada no local. Os KC-135 atingidos no mesmo ataque estavam no pátio e vazios.

Este é o terceiro caso de perda total de um E-3 Sentry, mas o primeiro em combate. Com esta baixa, hoje a USAF conta com 15 aeronaves do modelo na ativa, ainda sem um modelo substituto em produção seriada.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Mais de 50 países já possuem drones de combate; e o Brasil?

A adesão cada vez maior aos drones de combate é um legado claro da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de três anos.

(Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Mais baratos e eficazes, os drones estão sendo amplamente utilizados pelos exércitos de vários países do mundo. É o que revela um estudo realizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) sobre as capacidades militares das nações.

A adesão cada vez maior aos veículos de combate não tripulados é um legado claro da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de três anos. Atualmente, pelo menos 54 países do mundo já utilizam esta tecnologia como arma.

Mais detalhes do relatório


De acordo com o relatório, o número representa 31% dos 174 países sobre os quais a organização, que há 65 anos faz esse levantamento, obteve dados.

Além disso, significa um aumento importante em relação aos 38 que detinham drones de ataque em 2022.

Entres os equipamentos mais utilizados estão o turco Bayraktar (em 28 países), os chineses Caihong (15) e Wing Loong (13), o norte-americano MQ (14) e os iranianos Mohajer (14) e Shahed (13).

O estudo ainda aponta que Turquia e Irã se tornaram os principais fabricantes mundiais dos veículos, ao lado de China e Estados Unidos.

Alguns países não operam diretamente os equipamentos, caso da Líbia, onde o exército turco mantém uma base militar.

E o Brasil?


Brasil não tem drones de combate, apenas de monitoramento, de acordo com o relatório.

Conheça alguns dos modelos de drones mais utilizados


Um dos drones mais famosos é o Shahed-136. O equipamento é fabricado pelo Irã desde 2021 e foi utilizado em larga escala no ataque contra Israel no início de abril do ano passado. Ele é um drone-kamikaze que tem como característica principal uma combinação de design em asa delta e capacidade de voo em baixa altitude, fator que dificulta drasticamente a detecção por radares de sistemas de defesa aérea.

Este drone de ataque portátil pode carregar até 40 quilos de ogivas e ser lançado a partir de um caminhão militar ou comercial. Ele tem alcance de até 1.500 km e atinge uma velocidade máxima de 185 km/h, sendo utilizado pelos exércitos do Irã, Iraque, Iêmen e Rússia.

Shahed-136, drone de fabricação iraniana, está sendo amplamente utilizado
(Imagem: Sergey Dzyuba/Shutterstock)
Já o MQ-9 Reaper é fabricado pelos Estados Unidos. Sua função primária é coletar informações, servindo de apoio e vigilância em missões, mas também pode ser usado em ataques. Ele pode ser equipado com até 8 mísseis guiados a laser e, por isso, é considerado uma arma letal e altamente precisa.

Este modelo de drone foi usado, em 2020, para matar Qassem Soleimani, chefe de uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã e um dos homens mais poderosos do país. Ele tem alcance de até 1.850 km e atinge uma velocidade máxima de 444 km/h, sendo utilizado pelos exércitos dos EUA, França, Itália, Holanda, Polônia, Espanha, Reino Unido e Índia. Além disso, está presente em bases comandadas pelos norte-americanos na Polônia, Kuwait, Iraque, Jordânia, Djibouti, Niger e Japão.

Drone MQ-9 Reaper é utilizado pelos EUA e aliados (Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Outro drone bastante utilizado é o Bayraktar TB2, da Turquia. Ele pode ser armado com bombas guiadas a laser e conta com um alcance de até 1.850 km, atingindo uma velocidade máxima de 222 km/h, e sendo utilizado pelos exércitos da Turquia, Polônia, Sérvia, Azerbaijão, Quirguistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão, Paquistão,, Marrocos, Catar, Emirados Árabes Unidos, Burkina Faso, Djibouti, Etiópia, Mali e Togo.

Turquia aposta na fabricação do drone Bayraktar TB2 (Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Os chineses também possuem os seus próprios equipamentos. O Caihong, por exemplo, é desenvolvido pela China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC). O modelo CH-4B tem um sistema misto de ataque e de reconhecimento de território. Com uma carga útil de até 345 kg, pode levar até seis armas e disparar mísseis a partir de uma distância de 5 mil metros. A bateria tem duração de 40 horas.

O equipamento tem alcance de até 5.000 km e atinge uma velocidade máxima de 435 km/h, sendo utilizado pelos exércitos da China, Indonésia, Mianmar, Paquistão, Argélia, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita, República Democrática do Congo, Nigéria e Sudão.

Por fim, os chineses também criaram o Wing Loong II. Inicialmente, ele era utilizados para vigilância e monitoramento, mas foi adaptado para combate. O equipamento pode levar um conjuntos de mísseis com mira a laser e bombas.

Wing Loong II é um dos drones utilizados pela China (Imagem: Chegdu Aircraft Infustry Group)
Desenvolvido pela Chegdu Aircraft Infustry Group (CAIG), ele é movido à hélice, o que, segundo a fabricante, permite que não seja facilmente identificado por radares. Para aumentar o alcance, que é de 2.000 km, o drone ainda pode ser controlado por meio de um link via satélite.

A velocidade máxima atingida é de 370 km/h. O armamento é utilizado pelos exércitos da Arábia Saudita, Cazaquistão, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Paquistão, Uzbequistão, Argélia, Marrocos e Nigéria.

sábado, 7 de março de 2026

Guerra no Oriente Médio: qual o poder bélico aéreo de Irã, EUA e Israel?

Caça F-35 dos EUA sobrevoa navio
(
Imagem: Dane Wiedmann/Navy Office of Information/U.S. Navy)
Os ataques de Estados Unidos e Israel neste fim de semana foram feitos massivamente por meio aéreo contra um adversário, o Irã, com poder bélico limitado nesse setor.

Irã e Israel possuem uma ampla frota de caças multimissão, inclusive para lançamento de bombas e ataques a alvos no solo. Mesmo tendo destaque em rankings mundiais, os dois países não estão nem próximos do poder dos EUA.

Veja quais os modelos de ataque aéreo estão sendo utilizados no Oriente Médio. Na sequência, conheça um pouco do poder aéreo norte-americano, que detém 25% de toda frota militar do mundo, com 13.033 aeronaves, incluindo caças, aviões de reabastecimento, cargueiros, aeronaves de ataque entre outras. Como comparação, em segundo lugar vem a Rússia, com 4.237 aeronaves militares ao todo, representando 8% da frota global.

Irã x Israel


Todos os dados da reportagem são da empresa de análises do setor de aviação Cirium, compilados na publicação Flight Global World Air Forces. As aeronaves de ataque estão separadas por modelo/versão, país de origem e quantidade.

Não estão compilados outros tipos de aeronaves, como as de reabastecimento em voo, de guerra eletrônica ou cargueiros e de ataque ao solo, por exemplo.

Caças F-5 do Irã: Modelo está caindo em desuso pelo mundo,
mas ainda é fundamental para o país persa (Imagem: Domínio Público)
Irã (Força Aérea da República Islâmica do Irã)
  • F-4 (fabricado no Estados Unidos): 65 unidades
  • F-5 (Estados Unidos): 35 unidades
  • F-7 (China): 17 unidades
  • F-14 (Estados Unidos): 41 unidades
  • MiG-29 (União Soviética/Rússia): 18 unidades
  • Mirage (França): 12 unidades
  • Su-24 (Rússia): 21 unidades
Irã (Guarda Revolucionária Islâmica)
  • Su-22 (Rússia): 9 unidades
Israel (Força Aérea e Espacial de Israel)
  • F-15 (Estados Unidos): 66 unidades
  • F-16 (Estados Unidos): 173 unidades
  • F-35 (Estados Unidos): 45 unidades
Caças F-35 israelense voam em formação exibindo a bandeira de Israel e dos EUA (Imagem: Força Aérea dos EUA)
Embora Israel tenha uma menor variedades de aviões de combate (três apenas), sua frota é maior que a do Irã, com 284 unidades. Já o país persa possui mais modelos (oito ao todo), mas menos unidades que o vizinho: 218.

Essa é uma comparação bem injusta em um certo ponto, pois não é apenas a quantidade que deve ser levada em conta, mas a disponibilidade para uso de cada um. A idade e tecnologia das aeronaves também deve ser levada em consideração. Nestes dois casos, o Irã também está em desvantagem, pois, com os embargos que o país sofre, não consegue ter acesso a caças mais modernos, e os que estão em atividade em seu território tendem a ter menos disponibilidade para uso, já que não possuem peças para manutenção na maioria das vezes.

Já falamos mais sobre esta questão aqui.

EUA: Maior quantidade


Ao levar em consideração apenas a frota de caças F-16 dos EUA, há mais caças do tipo na Força Aérea dos EUA do que todos os outros aviões de ataque de EUA e Israel somados: 691 exemplares. Esses, entretanto, ficam em solo americano, e não costumam deixar os EUA a não ser para ficarem em bases mundo afora.

F/A-18 operando em um porta-aviões (Imagem: US Navy)
Veja o poder aéreo global dos EUA:

Força Aérea dos EUA
  • F-15: 320 unidades
  • F-16: 691 unidades
  • F-22: 177 unidades
  • F-35: 305 unidades
Marinha dos EUA
  • F/A-18: 471 unidades
  • F-35C: 55 unidades
Corpo de fuzileiros Navais dos EUA
  • AV-8B (avião de ataque em parceria com Reino Unido): 78 unidades
  • F/A-18: 132 unidades
  • F-35: 137 unidades

Porta-aviões


Os EUA enviaram dois porta-aviões para a região. Cada um tem capacidade para até cerca de 70 aeronaves, que incluem os caças, entre outras.

São essas plataformas que estão na retaguarda dos ataques aéreos originados dos EUA. O país ainda conta com bombardeiros de longo alcance, como o B-2 Spirit, usado nos ataques de 2025 ao Irã.

As bases militares dos EUA que circundam o Irã também contam com outros tipos de aeronaves que podem ser usadas na ofensiva ao país persa. Entre elas estão, principalmente, helicópteros de transporte e de ataque.

Drones mudam o cenário


Uma tendência na guerra aérea atualmente é o uso de drones, veículos aéreo de combate não tripulados. Eles possuem baixo custo de operação em comparação com aviões tradicionais, como os caças. Alguns deles também são usados como armamentos em missões camicases, ou seja, sendo jogados contra alvos e explodindo junto a eles (não devem ser confundidos com drones disparadores de mísseis, lançadores de bombas ou de reconhecimento, que são fabricados para retornar à origem).

Entre os principais modelos do Irã se destacam:
  • Mohajer-6
  • Shahed-136
  • Kaman-22
  • Arash-2
  • Meraj-532
Alguns podem ser usados para transportar mísseis e bombas, mas, principalmente, há modelos camicases, que já vêm sendo usados nos ataques deste fim de semana.

É fato que os drones do Irã não possuem a tecnologia dos drones dos EUA, que trabalham fortemente para produzir aeronaves para ataques em diversas regiões e com o intuito de exportação para outros países. Devido ao isolamento do Irã, o acesso a novos produtos, sensores e armamentos se torna escasso, tornando a produção doméstica deste tipo de armamento com foco na técnica de enxame, ou seja, enviar a maior quantidade possível deles para o ataque.

Entre os principais modelos de Israel, se destacam:
  • Heron 1
  • Hermes 450
  • Hermes 900
  • Harop
Os Estados Unidos também mantêm uma série de drones do tipo que, inclusive, já foram usados na região, como:
  • MQ-9 Reaper
  • MQ-1C Gray Eagle
  • RQ-170 Sentinel
O uso ostensivo deste tipo de aeronaves tem moldado os conflitos atuais e tende a se tornar padrão em combates nos próximos anos.

Lucas ao ataque


Militar prepara o drone Lucas, baseado no iraniano Shahed-136, a bordo do USS Santa Barbara
em dezembro de 2025 (Imagem: Michael Smith/via Departamento de Defesa dos EUA)
Logo nos primeiros ataques, os EUA usaram munições e armamentos disparados do ar, terra e do mar, mas admitiram o uso de um modelo de drone nos ataques contra o Irã. Batizado de Lucas, seu nome é um acrônimo de Low-cost Unmanned Combat Attack System, ou sistema de combate não tripulado de ataque de baixo custo.

O Comando Central militar dos Estados unidos divulgou que essa foi a primeira vez que a força-tarefa de ataque Scorpion utilizou drones camicases durante uma operação. Segundo a nota, os drones de baixo custo de fabricação, estão agora servindo uma retaliação "fabricada na América" contra os iranianos.

Os militares norte-americanos destacam que esse drone foi fabricado a partir do Shahed-136, feito no Irã, e que já vinha sendo testado desde ao menos o fim de 2025.

Drone Lucas, baseado no iraniano Shahed-136, é disparado a partir do USS Santa Barbara
em dezembro de 2025 (Imagem: Kayla McGuire/Exército dos EUA)
Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Escassez de alumínio durante a guerra levou os EUA a uma verdadeira corrida de engenharia: um avião gigante feito de madeira

H-4 Hercules nasceu em plena guerra e foi construído quase inteiramente de madeira devido à falta de alumínio Ele voou apenas uma vez, por 30 segundos, mas foi o suficiente para torná-lo uma lenda da aviação.


Em 2 de novembro de 1947, milhares de pessoas se reuniram no porto de Long Beach, na Califórnia, sem saber que iriam presenciar algo inesperado. À sua frente, um enorme avião construído quase inteiramente de madeira preparava-se para sobrevoar a água. Era maior do que qualquer aeronave existente até então. Seu criador, o empresário e cineasta Howard Hughes, decidiu assumir a liderança. Naquele dia, por alguns breves segundos, o H-4 Hercules - popularmente conhecido como "Spruce Goose" - conseguiu decolar e provar que podia voar.

Cinco anos antes daquele voo inesperado, o mundo estava em guerra e submarinos alemães afundavam centenas de navios aliados no Atlântico. Os Estados Unidos precisavam de uma maneira segura de transportar tropas e suprimentos sem depender das rotas marítimas, e o magnata Henry Kaiser acreditava ter a resposta: um gigantesco avião de transporte capaz de cruzar o oceano. Como não tinha experiência em aviação, procurou Hughes, que aceitou o desafio de construí-lo sob uma condição que complicaria tudo: o governo proibiu o uso de materiais estratégicos como alumínio ou aço.

Quando o alumínio era escasso e a ambição, supérflua: o nascimento do H-4 Hercules


O acordo entre Kaiser e Hughes foi assinado em 1942, em plena guerra, com a ideia de fabricar três unidades da nova aeronave. Batizaram-na de HK-1, pelas iniciais de seus sobrenomes. Contudo, o entusiasmo inicial logo se chocou com a realidade: o tamanho da aeronave, a complexidade do projeto e as limitações dos materiais causaram atrasos maiores do que o esperado. Kaiser, acostumado a cumprir prazos na indústria naval, ficou impaciente e abandonou o programa em 1944. Hughes decidiu seguir sozinho e renomeou a aeronave para H-4 Hercules.

Sem metais como o alumínio, Hughes recorreu a um material incomum na aviação: a madeira. Mas não qualquer madeira. Ele optou por um sistema inovador chamado Duramold, que consistia em laminar finas camadas de bétula e colá-las com resinas sintéticas para formar uma estrutura tanto rígida quanto leve. O processo, desenvolvido alguns anos antes, permitia moldar peças com grande precisão e reduzia o peso total da fuselagem. O resultado era uma superfície lisa e cinza que, à primeira vista, mal permitia imaginar que aquele colosso era feito de madeira.

O resultado dos experimentos de Hughes foi um hidroavião monumental. O H-4 Hercules tinha uma asa alta que se estendia por quase 98 metros de ponta a ponta e oito enormes motores Pratt & Whitney de 28 cilindros, capazes de impulsionar a aeronave com surpreendente suavidade. Na parte externa das asas, foram instalados dois flutuadores que lhe conferiam equilíbrio durante o voo. Toda a fuselagem foi construída utilizando o método Duramold, que proporcionava uma superfície lisa e sem rebites. Era uma combinação peculiar de resistência, elegância e tamanho descomunal.


O H-4 Hercules tinha quase 66 metros de comprimento e mais de 79 metros de envergadura, números que o tornavam a maior aeronave já construída em sua época. Sua altura, superior a 24 metros, era equivalente à de um prédio de oito andares. Vazio, pesava cerca de 136 toneladas e, com carga máxima, podia chegar a 180 toneladas. Com uma velocidade de cruzeiro de aproximadamente 240 quilômetros por hora, foi projetado para transportar até 400 soldados ou o equivalente em material bélico. Apesar de seu tamanho, Hughes estava confiante de que o projeto permitiria uma decolagem suave da água.

A manhã de 2 de novembro de 1947 começou tranquila em Long Beach. O H-4 Hercules deveria realizar testes simples de deslocamento, com Hughes aos comandos e um pequeno grupo de técnicos e jornalistas a bordo. O que aconteceu a seguir não estava no plano de voo. No meio do percurso, o piloto aumentou a potência e o hidroavião, com mais de 130 toneladas, elevou-se alguns metros acima da água. Permaneceu no ar durante meio minuto e percorreu cerca de 800 metros antes de descer suavemente. Foi o seu primeiro e último voo.


O H-4 Hercules custou cerca de 23 milhões de dólares na época, o equivalente a mais de 278 milhões de dólares hoje (ou R$ 1,5 bi). O seu desenvolvimento tinha avançado tanto que, quando finalmente voou, a guerra já tinha terminado há dois anos. Muitos consideraram-no um desperdício de dinheiro público e a imprensa apelidou-o de "Spruce Goose" (Ganso de Abeto), um rótulo que Hughes detestava. Durante anos, ele defendeu seu projeto contra as críticas e manteve a aeronave em perfeitas condições, com uma equipe contratada em tempo integral responsável por mantê-la pronto para voar.

Por mais de três décadas, o H-4 Hercules permaneceu escondido em um hangar com temperatura controlada sob a supervisão direta de Howard Hughes. Após sua morte em 1976, sua empresa, a Summa Corporation, doou a aeronave ao Aero Club do Sul da Califórnia. Em 1983, o modelo foi exibido ao público novamente: a empresa Wrather a transferiu para um enorme hangar em forma de cúpula ao lado do navio Queen Mary, também em Long Beach. Pela primeira vez desde 1947, o "Spruce Goose" foi visto novamente por milhares de visitantes curiosos.


Em 1992, o Museu de Aviação e Espaço Evergreen, no Oregon, apresentou a proposta vencedora para dar ao H-4 Hercules um novo lar permanente. O avião foi desmontado peça por peça e transportado por balsa de Long Beach para Portland, seguindo a costa do Pacífico e depois os rios Columbia e Willamette. Após vários meses de espera pelo nível da água, em fevereiro de 1993, as seções chegaram a McMinnville, onde hangares temporários foram erguidos para iniciar a restauração. Em 2001, o "Spruce Goose" foi apresentado ao público novamente, completamente montado.

Mais de sete décadas após seu único voo, o H-4 Hercules permanece um marco na engenharia aeronáutica. Até hoje, detém três títulos históricos: é o maior hidroavião, o maior avião de madeira e o maior avião a hélice já construído. Sua influência técnica se faz sentir em inúmeros desenvolvimentos subsequentes, e sua história continua a inspirar engenheiros e entusiastas. O que nasceu como um experimento impulsionado pela escassez acabou se tornando um símbolo de ambição e perseverança.

Via PH Mota / Xataka - Imagens | Arquivos SDASM | Museu do Ar e do Espaço (1, 2, 3) | Steven Fine

quarta-feira, 4 de março de 2026

Por que a crise no Oriente Médio afeta voos no mundo todo?

Avião da Emirates no aeroporto de Dubai (Emirados Árabes Unidos): Região é estratégica
para a aviação global (Imagem: Divulgação/21.abr.2013/Emirates)
Os ataques de EUA e Israel ao Irã causaram um forte impacto na aviação mundial, com o cancelamento de milhares de voos e aeronaves paradas em aeroportos mundo afora.

É o caso de dois A380, o maior avião de passageiros do mundo, que estão parados no aeroporto de Guarulhos (SP). Uma das aeronaves realizava um voo da Emirates rumo a Dubai (Emirados Árabes Unidos) quando teve de voltar. E a outra chegou ao Brasil no mesmo dia, mas não pôde retornar devido às restrições no espaço aéreo de alguns países da região.

Com os ataques, ao menos nove países restringiram, total ou parcialmente, seus espaços aéreos, segundo a imprensa internacional. São eles:
  • Irã
  • Israel
  • Iraque
  • Jordânia
  • Qatar
  • Bahrein
  • Kuwait
  • Emirados Árabes Unidos
  • Síria (por 12 horas)
Com isso, o número de cancelamentos e atrasos atingiu picos históricos.

Afinal, qual é a importância da região para a aviação mundial?

Centro do mundo: posição estratégica


A localização dos aeroportos da região permite uma conexão viável entre diversas áreas, colocando-os, de certa forma, no centro do mundo das conexões aéreas. Por ali é possível realizar diversos voos com alterações mínimas na rota em comparação com voos diretos.

Por exemplo, um voo entre o Rio de Janeiro e Tóquio pode fazer uma escala em Dubai com um desvio mínimo da rota direta, tornando essa uma opção viável, já que voos sem paradas entre os dois países seriam inviáveis (custos, muito tempo dentro do avião, capacidade das aeronaves para voar rotas tão longas, entre outras).

Rota entre o aeroporto de Guarulhos (SP) e o de Hong Kong (China) é menor via Dubai
(Emirados Árabes Unidos) do que via Istambul (Turquia) (Imagem: Reprodução/Great Circle Map)
Assim ocorre com rotas que ligam a Europa ou os EUA a países asiáticos, como Índia, Indonésia e Singapura. Nessas situações, os aeroportos do Oriente Médio servem como locais de concentração de passageiros vindos de várias localidades para ocuparem voos com um destino comum, já que, muitas vezes, não se justificaria um voo direto frequente entre as regiões.

Quebrar as rotas por meio do Oriente Médio também aumenta a frequência de voos. Em uma situação hipotética, uma rota direta entre Londres (Inglaterra) e Singapura conseguiria justificar a operação de apenas um voo diário.

Passando por Dubai, que tem vários voos diários a partir de Londres, haveria mais alternativas para Singapura, já que estariam ali passageiros interessados em voar para o mesmo local, oriundos de diversas outras regiões, mantendo os voos sempre cheios e com alta frequência.

A restrição de voos na região acaba reduzindo a eficiência das rotas e, com a suspensão de conexões, passageiros em alguns trajetos terão de buscar caminhos mais longos, o que aumenta o tempo de viagem e o valor final da passagem.

Airbus A380 da Emirates: Empresa é a principal operadora do modelo no mundo
(Imagem: Divulgação/13.out.2015/Emirates)
A necessidade de recorrer a outros hubs também pressiona o mercado no curto prazo, ao concentrar a demanda em rotas alternativas. Um passageiro que saía dos EUA para Singapura com escala no Oriente Médio, por exemplo, pode precisar optar por conexões via Europa, como Londres.

Mais do que trajetos fisicamente mais longos, porém, o impacto tende a vir da reorganização das conexões globais. Com menos opções de ligação, a oferta diminui e os preços tendem a subir, sobretudo em voos de longa distância.

Aeroportos mais lotados


O reflexo dessa posição é o crescente número de passageiros na região e a presença dos aeroportos do Oriente Médio entre os que mais oferecem assentos no mundo. Isso só foi possível graças às políticas públicas desses países, que investiram no transporte aéreo e no turismo locais.

O aeroporto de Dubai foi o segundo mais movimentado do mundo em 2025, ficando atrás apenas do aeroporto de Atlanta, nos EUA, segundo dados da consultoria britânica OAG, especializada em inteligência do setor aéreo. Ele registrou a oferta de 62,43 milhões de assentos, frente aos 63,09 milhões do aeroporto norte-americano.

Ocasionalmente, Dubai fica à frente de Atlanta por alguns meses do ano e passou da quarta posição, em 2019, para a segunda, em 2025. O aeroporto registrou um forte crescimento a partir daquele ano, com alta de 16% desde então, taxa que pode colocá-lo em breve como o mais movimentado do mundo.

Em quinto lugar, o aeroporto de Istambul, na Turquia, movimentou 51,51 milhões de assentos ofertados.

Alta conectividade


Mapa mostra conexões a partir do aeroporto de Dubai, que teve operações restringidas
após ataques contra o Irã (Imagem: Reprodução/FlightConnections)
Diversos aeroportos das capitais e de cidades secundárias da região apresentam conexões com mais de 100 destinos ao menos. É o caso de aeroportos como:
  • Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos)
  • Al Kuait (Kuwait)
  • Antália (Turquia)
  • Cairo (Egito)
  • Doha (Qatar)
  • Dubai (Emirados Árabes Unidos)
  • Istambul (Turquia)
  • Jidá (Arábia Saudita)
  • Riad (Arábia Saudita)
  • Tel Aviv (Israel)
Como comparação, na América Latina, apenas os aeroportos de Guarulhos (SP), Bogotá (Colômbia), Cidade do México (México) e Cancún (México) possuem mais de 100 conexões. Ainda no Oriente Médio, Istambul é a líder em número de destinos do mundo, com 327 conexões. Veja o ranking global:
  1. Aeroporto de Istambul (Turquia): 327 destinos
  2. Aeroporto de Frankfurt (Alemanha): 307 destinos
  3. Charles de Gaulle (França): 299 destinos
  4. Chicago O'Hare (EUA): 297 destinos
  5. Dubai (Emirados Árabes Unidos): 280 destinos
  6. Amsterdã (Holanda): 275 destinos
  7. Dallas (EUA): 272 destinos
  8. Roma Fiumicino (Itália): 265 destinos
  9. Xangai (China): 253 destinos
  10. Atlanta (EUA): 251 destinos
Aqui, Dubai aparece em quinto lugar, enquanto Atlanta está na décima posição. Ambos os aeroportos possuem particularidades, mesmo estando no topo em quantidade de assentos ofertados.

Atlanta tem grande parte de seus passageiros voando em rotas domésticas, o que utiliza, em linhas gerais, aeronaves menores. Isso torna a operação mais intensa na quantidade de pousos e decolagens registrados, por exemplo.

Já Dubai tem um grande apelo em rotas internacionais, e de longa distância ainda, operação geralmente realizada por aviões de grande porte, como os A380 da companhia aérea Emirates. Nesse sentido, a equação mostra que ter mais passageiros não significa necessariamente ter mais pousos e decolagens ou mais conexões, provando que cada aeroporto da região tem sua vocação.

Aviões da Qatar Airways comemorativos da Copa do Mundo de Futebol de 2022, ano em que o
país do Oriente Médio sediou o evento (Imagem: Divulgação/12.jan.2022/Qatar Airways)

Rotas mais movimentadas


Para além de Dubai e Istambul, algumas das rotas mais voadas, ou seja, com maior quantidade de passageiros no mundo, estão no Oriente Médio. Em 2025, a quinta rota doméstica mais voada era na Arábia Saudita, ligando a capital Riad à cidade de Jidá, onde se inicia a peregrinação de muçulmanos às cidades de Meca e Medina. Foram 9.819.558 assentos ofertados no trecho apenas no ano passado.

Já nas rotas internacionais, apesar do domínio de cidades asiáticas no ranking, duas conexões se destacam. São elas: Cairo (Egito) a Jidá, com 5.753.491 assentos ofertados (2º lugar), e Dubai a Riad, com 4.465.632 assentos ofertados (7º lugar).

Veja o balanço completo das rotas mais voadas aqui.

Fatores econômicos


A aviação também é um forte motor econômico para a região, mostrando-se uma indústria de destaque para além do petróleo em alguns países. Segundo a Emirates, uma das maiores aéreas da região, o impacto da aviação no crescimento econômico de Dubai chegou a 27% do PIB local em 2023, com 137 bilhões de dirhams (R$ 193 bilhões).

Também havia 631 mil trabalhadores no setor, número que tende a chegar a 816 mil empregos em 2030, segundo a companhia, atingindo a marca de 196 bilhões de dirhams (R$ 274 bilhões) movimentados naquele ano.

O impacto no turismo de Dubai causado pela aviação foi estimado em 43 bilhões de dirhams (R$ 60 bilhões), com 329 mil empregos no setor, perfazendo outros 8,5% do PIB da região.

Etihad Airways anunciou no final de 2025 um pacote de expansão em sua frota,
composta por 25 novos Airbus A350 (Imagem: Airbus)
As empresas aéreas da região, como Turkish, Emirates, Etihad, Qatar Airways, Saudia e Flydubai, também se tornaram grandes compradoras de aeronaves de Boeing e Airbus, tornando-se clientes muito importantes para as fabricantes globais. A região também possui centros avançados de manutenção e conversão de frotas.

Hoje, a Emirates é a maior operadora do Airbus A380. Junto à Qatar Airways, Etihad e Turkish Airlines, as empresas da região despontam como as principais companhias a operarem os gigantes Boeing 777 e 787, além de algumas ainda operarem exemplares do Airbus A350 em suas frotas.

Aeroporto internacional de Hamad, em Doha (Qatar) (Imagem: Divulgação/Qatar Airways)
A Qatar Airways também vem sendo eleita a melhor companhia aérea do mundo ano após ano. Tanto por sua operação quanto pela qualidade do serviço, ela desponta em rankings mundiais de excelência. Veja a análise da estratégia da empresa que já escrevemos aqui.

Alternativa com a guerra na Ucrânia


Outro fator, mais ligado a questões externas, é que, com o início da guerra na Ucrânia, o espaço aéreo do país e da Rússia ficou restrito. Rotas que antes sobrevoavam os dois países precisaram buscar alternativas para chegar ao destino em segurança.

Algumas delas passaram a sobrevoar o Oriente Médio, inclusive países que fecharam seu espaço aéreo. Com as novas restrições, voos que saíam da Europa com destino à Ásia precisaram desviar para rotas mais longas, causando mais transtornos e aumentando os gastos operacionais.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

História: Baixe e leia "Os Balões de Observação na Guerra do Paraguai"

Para a Força Aérea Brasileira, o episódio dos balões de observação na Guerra do Paraguai adquire um significado todo especial; nele se encontram as primeiras atividades aeronáuticas exercidas por militares brasileiros; por isso, constitui o primeiro capítulo da história da Força Aérea Brasileira.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Como a Guerra Civil Espanhola serviu de ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial

No verão de 1938, Messerschmitt Bf-109B-2s da Legião Condor alemã lutou
contra o republicano espanhol Polikarpov I-16 sobre Valência
Em uma prévia do que está por vir, alemães e italianos lutaram contra soviéticos e americanos nos céus da Espanha, empregando uma variedade impressionante de aeronaves.

Qualquer guerra é brutal; as guerras civis são piores. Hoje, 1939 é mais lembrado pelo início da Segunda Guerra Mundial em setembro. Mas esse mesmo ano envolveu três outros confrontos muito diferentes. A Guerra Civil Espanhola terminou em abril, enquanto o conflito Nomonhan/Khalkhin Gol entre a Rússia e o Japão estourou em maio e a “Guerra de Inverno” Russo-Finlandesa em novembro. Diz algo que a União Soviética estava envolvida em todos eles.

Durando quase três anos a partir de julho de 1936, a amarga guerra espanhola foi chamada de "ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial". É uma avaliação fundamentada, considerando que Alemanha e Itália de um lado e a União Soviética de outro estavam engajados, comprometendo forças terrestres, navais e aéreas para apoiar as causas nacionalista e republicana, respectivamente.

A guerra aérea foi especialmente significativa além do polêmico bombardeio de Guernica pelos nacionalistas, o tema da famosa pintura de Pablo Picasso. Mais importante, a guerra começou com o primeiro transporte aéreo militar do mundo e continuou com desenvolvimentos no bombardeio estratégico, refinamento do apoio aéreo aproximado e evolução das táticas de caça.

As origens da Guerra Civil Espanhola foram longas e complexas, caindo ao longo de falhas político-culturais. Após o exílio do rei Alfonso XIII em 1931, a Segunda República foi formada, logo se transformando em um governo de coalizão de extrema esquerda. Inevitavelmente, entrou em conflito com as facções conservadoras tradicionais, especialmente a Igreja Católica. Um golpe de direita falhou e a situação caiu no caos.

O general Francisco Franco Bahamonde comandou uma guarnição nas Ilhas Canárias no início das hostilidades, mas foi transportado em aviões fretados para o Marrocos. Lá, comandando o Exército da África, ele emergiu como o líder nacionalista dominante e embarcou em uma carreira que o levou a 36 anos como ditador espanhol.

Os caças italianos Fiat CR.32 acompanham um Savoia-Marchetti SM.81 enquanto ele
lança suas bombas sobre a Espanha (CPA Media Pte Ltd / Alamy)
Em menos de três anos, o conflito custou talvez meio milhão de vidas. De longe, os maiores perdedores foram os espanhóis. A escala de destruição foi aumentada pela influência externa quando Alemanha, Itália e Rússia usaram a oportunidade para testar uma nova geração de armas e táticas. Quase acidentalmente, os fascistas e comunistas procuraram fortalecer suas almas gêmeas ideológicas na Península Ibérica.

Ao contrário da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália, a Espanha carecia de uma arma aérea independente. A diretoria-geral da aeronáutica estava subordinada ao chefe do Estado-Maior do Exército, e o minúsculo ramo da aviação naval da Espanha também estava restrito.

No início da guerra, os nacionalistas antigovernamentais eram mais fortes no norte, os republicanos mais fortes no sul e no leste. As Fuerzas Aéreas de la República Española do governo republicano (Força Aérea Republicana Espanhola) reteve mais de dois terços de cerca de 400 aeronaves da Força Aérea pré-guerra. Diante de um embargo internacional de armas, os nacionalistas tiveram que procurar poder aéreo em outro lugar.

Eles o encontraram na ópera.

Apesar da atenção mundial mais tarde se concentrar em Guernica, o evento de aviação mais importante da guerra ocorreu no início e passou despercebido. Como a maioria da marinha espanhola aliou-se ao governo, os nacionalistas foram negados em grande parte as comunicações marítimas e o transporte. Mas as 30.000 tropas do Exército da África da Legião Marroquina e Espanhola eram extremamente necessárias na pátria. Os apelos foram feitos em Berlim e Roma, levando a um transporte aéreo organizado às pressas e notavelmente eficiente. O líder nazista Adolf Hitler concordou com o pedido durante um interlúdio no festival anual de Wagner.

A Alemanha forneceu 20 transportes de trimotor Junkers Ju-52/3m, o dobro do número solicitado, com o primeiro chegando à Espanha no final de julho. Eles eram a onda de proa de algo sem precedentes - um transporte aéreo estratégico.

Transportes Junkers Ju-52 / 3m preparam-se para transportar por via aérea as tropas do Exército da África de Marrocos para a Espanha para ajudar os nacionalistas no início da guerra. (AKG-Images/Ullstein Bild)
Cada Ju-52 transportou 25 homens no voo de 130 milhas de Tétouan, no extremo norte do Marrocos, para Sevilha, alguns fazendo quatro viagens por dia. Assistido por nove italianos Savoia-Marchetti SM.81s, durante os próximos dois meses várias centenas de surtidas entregaram 14.000 ou mais tropas.

O transporte aéreo tático obteve efeitos estratégicos: assegurou que a guerra continuasse além de 1936. Naquele outono, Franco tornou-se generalíssimo e chefe do regime nacionalista rebelde.

Ambos os lados lutaram por pilotos competentes, mecânicos e uma variedade entorpecente de aeronaves. Quase sem indústria de aviação local, a Espanha dependia de produtos importados.

O número e a variedade de aeronaves usadas na Espanha foram enormes: até 185 tipos da Alemanha, Itália, Rússia, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros lugares. Os republicanos e nacionalistas voaram cada um com mais de 60 tipos, e talvez mais 15 fossem empregados por ambos os lados. Mais de 40 outros foram usados, mas suas disposições permanecem incertas. Esse grupo provavelmente foi mais para o governo do que os rebeldes - uma miscelânea de “onesies e twosies” de valor de combate limitado ou nenhum, como Stinsons, Spartans e vários de Havillands.

Em última análise, a Alemanha forneceu mais de 700 aviões. A Itália enviou 760, mas também contribuiu com um componente terrestre significativo, totalizando um corpo de exército reforçado. Eventualmente, a Rússia soviética forneceu cerca de 650 aviões para a causa republicana.

Pilotos experientes eram raros. Entre os aviadores espanhóis mais talentosos estava Joaquín García-Morato y Castaño, de 32 anos, ex-piloto de bombardeiro e hidroavião e instrutor de instrumentos com vasta experiência acrobática. Quando a guerra começou, ele tinha 1.800 horas de tempo total e nos três anos seguintes acrescentou mais 1.012, juntando-se aos nacionalistas e tornando-se o principal ás do conflito. Refletindo a natureza eclética da aviação espanhola, seu diário de bordo continha 30 ou mais tipos de aeronaves, mas suas 40 vitórias foram quase todas marcadas em Fiat CR.32s. Ironicamente, ele foi morto em um Fiat durante uma demonstração acrobática em abril de 1939, logo após o fim da guerra.

Com uma necessidade urgente de tripulações aéreas, os dois lados olharam para o exterior. Centenas de pilotos e mecânicos estrangeiros correram para a Espanha, muitos antecipando contratos lucrativos por seus serviços. A maioria ficou desapontada. Nem todos os voluntários foram tão francos quanto Frank G. Tinker, um aviador naval dos Estados Unidos em desgraça que se juntou aos republicanos. “Eu não tinha certeza de qual lado estava lutando pelo quê”, ele admitiu mais tarde. “Concluí que cada um estava massacrando o outro por ser ou fazer algo que o outro lado não gostava.”

Líderes do esquadrão de caça da Legião Condor (da esquerda) Wolfgang Schellmann, Adolf Galland, Joachim Schlichting e Eberhardt d'Elsa bate-papo em abril de 1938. (Arquivos HistoryNet)
Os nacionalistas estabeleceram a Aviación Nacional , originalmente com menos de 150 aeronaves. O chefe da Força Aérea era o general Alfredo Kindelán y Duany, que voltou do exílio para apoiar o Generalíssimo Franco, mas acabou caindo em desgraça. A Força Aérea Nacionalista cresceu continuamente e, no início de 1939, Kindelán contava com 160 caças e 140 bombardeiros, além de aviões de reconhecimento e apoio aéreo.

No entanto, a Aviación Nacional dependia de seus aliados. Em julho de 1938 na frente do Ebro, os nacionalistas possuíam duas asas de bomba Savoia-Marchetti SM.79, dois grupos de caças Fiat e quatro grupos de apoio próximo com vários Heinkels e italiano IMAM Ro.37s. Os italianos inicialmente implantaram três grupos CR.32, uma ala de bombas e um grupo de ataque. Os alemães contribuíram com uma variedade de bombardeiros, caças, aviões de ataque ao solo e de reconhecimento, em sua maioria modernos.

O general nacionalista Francisco Franco Bahamonde (centro) conversa com o último comandante da Legião Condor, Wolfram von Richthofen (à direita), primo do famoso “Barão Vermelho” (Imagem AKG)
A Alemanha rapidamente organizou e implantou a Legião Condor, que além de seu famoso ramo de aviação incluía unidades de treinamento, panzer e antiaéreas. O general-de-divisão Hugo Sperrle levou a legião para a Espanha e seu comandante final foi o tenente-coronel Wolfram von Richthofen. Ambos se tornariam líderes proeminentes da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial.

O componente aéreo da Legião Condor incluía bombardeiros, caças e grupos de reconhecimento, voando principalmente, respectivamente, Ju-52s e Heinkel He-111s; Heinkel He-51s e Messerschmitt Bf-109s; e Heinkel He-45s e Dornier Do-17s. Havia também um pequeno contingente naval com hidroaviões Heinkel.

De agosto de 1936 a março de 1939, a legião perdeu quase 300 homens, incluindo 120 mortes de não combatentes. Quase 80 por cento das 178 mortes em combate foram tripulações aéreas.

Os lutadores do Jagdgruppe 88 conquistaram 314 vitórias, enquanto os artilheiros do AA obtiveram 58 outras. A legião produziu 25 ases, incluindo quatro em He-51s - mais notavelmente Johannes Trautloft, que se tornou comandante de ala na Segunda Guerra Mundial. De longe, o piloto mais conhecido foi Werner Mölders, o melhor atirador alemão da guerra, com 14 vitórias nos primeiros modelos Bf-109. Cerca de 130 Messerschmitts foram para a Espanha, mas os lutadores mais numerosos de Franco foram seus 380 Fiats.

Os biplanos He-51 da Legião Condor alcançaram um sucesso moderado, obtendo mais de 40 vitórias, mas apenas um monoplano Polikarpov I-16. Portanto, a partir da primavera de 1937 em diante, a legião confiou cada vez mais nos Bf-109s mais avançados para o combate aéreo.

Um dos pilotos de destaque do Heinkel, futuro general da Luftwaffe Adolf Galland, lembrou: “O He 51 era claramente inferior tanto ao 'Curtiss' [na verdade, o Polikarpov I-15] e o Rata [I-16] em velocidade e armamento, como bem como na capacidade de manobra e taxa de subida. É por isso que tivemos que evitar o combate aéreo com aviões inimigos tanto quanto possível e nos concentrar em alvos terrestres.”

“Nos dias quentes, voávamos de sunga”, continuou Galland, “e, ao voltar de uma surtida, parecíamos mais com mineiros de carvão, pingando de suor, manchados de óleo e enegrecidos pela fumaça de pólvora”.

Após seu papel no transporte aéreo de Franco, a italiana Regia Aeronautica estabeleceu a Aviazione Legionaria (Força Aérea Legionária), comprometendo cerca de 6.000 homens durante a guerra. O primeiro dos quatro comandantes foi o tenente-coronel Ruggero Bonomi, que supervisionou a parte italiana do transporte aéreo. Em 1937, o contingente de aviação da Itália foi subordinado ao major-general Sperrle da Legião Condor para melhorar a coordenação nacionalista.

Mecânicos alemães verificam um Bf-109B-2. (Arquivos HistoryNet)
No final de 1938, os italianos colocaram em campo cerca de 135 aeronaves dispostas em duas asas de bombardeiros pesados ​​com SM.79s e 81s, um grupo de bombardeio médio Fiat BR.20, um grupo de ataque reforçado equipado principalmente com Breda Ba.65s e três grupos CR.32. O Savoias visava principalmente cidades importantes como Barcelona, ​​Valência e Madrid.

Em 26 de abril de 1937, o mundo conheceu Guernica, uma cidade obscura no país basco, no extremo norte da Espanha. O chefe do estado-maior da Legião Condor, tenente-coronel Richthofen, procurou impedir uma retirada republicana através de Guernica, na esperança de que as forças de Franco pudessem alcançá-los. Presumivelmente, com as ruas sufocadas pelos destroços e a ponte da cidade destruída, o inimigo em retirada ficaria preso.

A força de ataque inicial consistia em 21 bombardeiros alemães e três italianos, enquanto os ataques subsequentes foram apoiados por caças para suprimir a artilharia e metralhar os escombros. Sem bombardeiros de mergulho (apenas sete Junkers Ju-87 Stukas foram para a Espanha), os alemães recorreram ao bombardeio em tapete. Eles conseguiram reduzir a maior parte da cidade a ruínas, mas perderam a ponte.

Ninguém concorda com o número de mortos entre os 5.000 residentes, com números variando de 200 a mais de 1.600, dependendo da fonte. Os republicanos aproveitaram ao máximo o incidente, estimulando a condenação internacional que culminou na pintura dramática de Picasso.

Uma tripulação embarca em seu Heinkel He-111 (Ullstein Bild via Getty Images)
Enquanto isso, a guerra e os bombardeios continuaram. Quase um ano depois, em quatro dias em março de 1938, os italianos bombardearam Barcelona, ​​matando talvez 1.000 pessoas, supostamente usando gás venenoso. (A Itália usou gás contra etíopes em 1935-36.) No entanto, para ser justo com as várias armas aéreas, o que era frequentemente ridicularizado como bombardeio terrorista de cidades refletia principalmente a natureza dispersa do bombardeio aéreo na década anterior ao advento da "precisão" bombardeio.

Os nacionalistas enfrentaram um consórcio de forças comunistas-socialistas genericamente chamadas de Los Rojos - os vermelhos. O Ejército del Aire Republicano (Força Aérea Espanhola) precisava de pessoal imediatamente, e três recrutas de 200 pilotos estudantes foram para a Rússia para treinamento de voo. A instrução era necessariamente breve, no entanto, e os tiros não recebiam quase nenhum tempo de instrumento. O último lote ainda estava em treinamento quando a guerra acabou.

Muito mais importante foi o apoio ao material soviético durante a maior parte da guerra. Moscou entregou mais de 400 caças Polikarpov à Espanha e talvez mais 300 biplanos I-15 foram construídos localmente. Além de aeronaves, os soviéticos enviaram cerca de 3.000 homens para a Espanha, ostensivamente “voluntários”, além de veículos, artilharia e armas pequenas. O componente de aviação envolveu 60 comandos e estado-maior, 330 pilotos de caça, 270 outros pilotos e tripulantes. De outubro de 1936 a janeiro de 1939, 158 russos morreram na Espanha por todas as causas. Eles incluíram 59 pilotos de caça, 32 outras tripulações e 18 mortos em acidentes.

Os soviéticos entraram em combate em novembro de 1936 e seus monoplanos I-16 imediatamente superaram a oposição. Os I-16s entraram em confronto pela primeira vez com aeronaves inimigas em 11 de novembro, perdendo dois pilotos "Rata" contra reclamações de quatro Heinkels. A primeira vitória do I-15, um Ju-52, caiu em 4 de novembro. Supremamente manobrável, o “Chato” se saiu bem contra outros biplanos como o He-51 e o CR.32, mas não conseguiu competir com o Bf- 109, que estreou em 1937.

Os pilotos de brigas de cães saboreiam a excepcional capacidade de manobra do I-15. O I-15bis foi avaliado a 235 mph, ligeiramente mais rápido que o CR.32 e era mais ágil. Além disso, o I-16 normalmente tinha quase um terço a menos de wing load do que um Bf-109B. Ambos os lados reconheceram a necessidade de armamento aprimorado, com armas de combate aumentando de duas metralhadoras de calibre de rifle para quatro e, finalmente, para dois canhões de 20 mm no Messerschmitt.

Pilotos republicanos fazem uma refeição entre as missões perto de um caça Polikarpov I-16
(© David Seymour / Magnum Photos)
“O I-15 superou facilmente o Fiat CR.32, especialmente em manobras horizontais”, disse o voluntário russo Evengy Stepanov à Aviation History em 1995. “Muitas vezes me deparei com o Bf-109 em combate... Ele teve um bom desempenho, mas foi inferior ao o I-16 em capacidade de manobra vertical.”

Stepanov conquistou 10 vitórias aéreas, incluindo um raro ataque noturno com taran. “Na noite de 27 a 28 de novembro de 1937, abati dois bombardeiros SM.81 nas proximidades de Barcelona”, disse ele. “Durante esse ataque, tive que bater em um dos bombardeiros com a perna esquerda do meu trem de pouso. Não havia nenhuma técnica especial para abalroar, nem poderia haver, já que era um método de última hora em combate.”

O apoio aéreo aproximado e o ataque ao solo receberam pouca atenção popular, mas ambas as missões foram comprovadas na Espanha. Um exemplo importante ocorreu quando o avanço nacionalista paralisou perto de Guadalajara em março de 1937. Conforme o tempo melhorava, aviões republicanos invadiram as posições italianas, bombardeando e metralhando a Divisão Littorio quase até a destruição. Foi provavelmente a primeira vez que a aviação por si só embotou uma grande operação terrestre e mostrou o caminho a seguir. A técnica soviética de “correia transportadora” manteve uma pressão quase constante na área-alvo.

A ação aérea contra a navegação inimiga também recebeu pouca cobertura. Em maio de 1937, três novos Tupolev SB-2s de Los Alcázares lançados contra um suposto esquadrão naval nacionalista perto das Ilhas Baleares. O alvo principal era o cruzador Canarias de 10.600 toneladas , mas os soviéticos identificaram erroneamente e atacaram o cruzador pesado alemão de 12.000 toneladas Deutschland . Os alemães sofreram mais de 100 baixas, incluindo 31 mortos.

Em meados de 1938, os soviéticos haviam aprendido tanto sobre suas armas e táticas quanto precisavam. Portanto, o ditador Joseph Stalin começou a retirar seu componente de aviação naquele verão, absorvendo as lições para uso futuro. Em qualquer caso, no final daquele ano a causa republicana parecia sombria com os ganhos nacionalistas no leste.

Mesmo assim, voluntários estrangeiros se apresentaram. O autor francês André Malraux apoiou um esquadrão de republicanos Potez 54s de bases próximas a Barcelona e Madri - a maior contribuição da França para o esforço de guerra do governo.

O amplamente divulgado “Esquadrão Yankee” incluía alguns aviadores americanos coloridos, ninguém mais do que o beberrão Bert Acosta, que em 1927 havia estabelecido um recorde de resistência e voou o Atlântico com Richard Byrd. A equipe era liderada por um dos ases menos conhecidos da história americana. Frederic I. Lord foi um ás do Sopwith Dolphin com 12 vitórias na Primeira Guerra Mundial e depois na Guerra Civil Russa, contra seus futuros camaradas. Com gosto pela aventura, Lord tornou-se um aviador da fortuna. Ele voou brevemente na Revolução Mexicana, depois foi recrutado pelos republicanos na Espanha. Voando com equipamentos obsoletos (uma asa caiu em seu primeiro voo), ele e seus companheiros mercenários eram frequentemente ameaçados de execução por seus empregadores. Em questão de semanas, a maior parte da banda não tão alegre voltou para casa, emburrada com taxas nunca pagas.

Frank Tinker foi o principal piloto de caça americano da guerra. (Arquivos HistoryNet)
Outros americanos ganharam fama, ou pelo menos notoriedade, como pilotos de caça do governo. O artilheiro foi Frank Tinker, com oito vitórias confirmadas. Orrin Bell, Stephen Daduk e Harold “Whitey” Dahl conquistaram cinco ou mais vitórias, embora não tenham sido confirmadas. Albert J. “Ajax” Baumler (4½ vitórias) perdeu por pouco o status de ás na Espanha, mas acrescentou 4½ à sua contagem com a Décima Quarta Força Aérea dos EUA na China.

A sabedoria convencional afirma que a experiência adquirida na Espanha influenciou a doutrina aérea e as operações na Segunda Guerra Mundial. Como uma declaração ampla que é precisa, mas muito mais aplicável taticamente do que estrategicamente. O trabalho de apoio de solo em solo ibérico beneficiou os alemães e os russos, e certamente o desenvolvimento da Legião Condor da formação “dedo quatro” de dois pares de lutadores foi uma revelação. A maioria dos historiadores atribuem essa inovação a Werner Mölders, mas relatos contemporâneos também citam contribuições de outros, notavelmente Günther Lützow e Harro Harder.

No entanto, Adolf Galland observou: “Qualquer que tenha sido a importância dos testes de armas alemãs na Guerra Civil Espanhola do ponto de vista tático, técnico e operacional, eles não forneceram a experiência necessária nem levaram à formulação de conceitos estratégicos.” O principal deles foi o bombardeio estratégico. Nenhum dos lados possuía força para destruir alvos industriais inimigos - uma falha organizacional que não foi reconhecida na Luftwaffe.

Outra lição frequentemente perdida nos céus espanhóis foi a necessidade de uma forte escolta de caças para bombardeiros. Alguns bombardeiros contemporâneos ultrapassaram os caças, obscurecendo a necessidade de “perseguições” com o alcance e a velocidade para acompanhá-los. Os caças europeus continuariam a sofrer de falta de resistência, um fator que funcionou a favor da Força Aérea Real em 1940, quando os caças alemães estavam perenemente à beira da exaustão de combustível sobre a Inglaterra.

Embora astuto demais para ingressar oficialmente no Eixo, Franco sentia-se em dívida com Hitler. Portanto, ele enviou recursos limitados para apoiar a Alemanha contra a Rússia. Uma divisão de infantaria e cinco rotações do tamanho de esquadrões de pilotos de caça serviram ao lado de unidades da Wehrmacht na Frente Oriental de 1941 a 1943. E depois da guerra, Franco permitiu que muitos ex-nazistas encontrassem refúgio na Espanha.

Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu (com Historynet)