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O Brasil vivia a ressaca do título na Copa do México, mas esse assunto não podia estar mais distante da cabeça dos quatro jovens de 19 a 24 anos que se reuniram na Praça Quinze, no Centro do Rio, para dar o passo que mudaria suas vidas pra sempre.
Dez dias após o "capitão do Tri", Carlos Alberto Torres, levantar a taça Jules Rimet no Estádio Azteca, em 1970, os namorados Colombo Vieira e Jessie Jane e os irmãos Eiraldo e Fernando de Palha Freire só pensaram em um voo da companhia Cruzeiro do Sul com destino a Buenos Aires. Não porque queria curtir um tango na Argentina. Armados com dois revólveres e uma pistola, eles pretendiam concluir a viagem ouvindo mambo em Cuba.
A missão havia sido iniciada uma semana antes, no apartamento onde Colombo morava, na Rua Doutor Sardinha, no bairro de Santa Rosa, em Niterói. De passagens em mãos, eles se encontraram na Praça Quinze e partiram para o Aeroporto do Galeão. Os dois revólveres, de calibres 38 e 45, estavam sob o vestido de Jessie, enquanto uma pistola Bereta fora escondida num sapato de Eiraldo.
Como a segurança nos aeroportos era quase inexistente, era fácil embarcar no avião Sud Aviation SE-210 Caravelle VI-N, prefixo PP-PDX, da Cruzeiro do Sul (foto acima), com as armas.
A aeronave estava pronta para operar o voo 105, um voo internacional de passageiros do Rio de Janeiro com destino a Buenos Aires, na Argentina, com escala programada em São Paulo, levando a bordo sete tripulantes e 30 passageiros.
A tripulação era composta por: Harro Cyranka (comandante), Herman Schindler (1° oficial), Wilson Fernandes Sanches (2.° oficial), Irene Alves de Medeiros, Maria Nilma Moreira, Luís Carlos Valença e Rossini de Medeiros (comissários).
No momento em que o grupo sequestrador invadiu a cabina de comando do PP-PDX, o comandante Harro Cyranka já estava prevenido, através de informações de uma das comissárias, de que havia a bordo alguns passageiros em atitudes suspeitas.
A possibilidade do desvio da rota, que naquele instante se confirmava, foi realmente levantada pela aeromoça. Eram 10h50m quando foi dada, através do painel do avião, a ordem de desafivelar os cintos, ocasião em que a comissária faria a sua primeira distribuição de bombons, chicletes, algodão e saquinhos plásticos para contra enjoo.
Preocupou-se com uma conversa que julgou suspeita de dois dos passageiros, que discutiam moderadamente detalhes de uma operação qualquer. Em princípio, ela apenas se interessou por causa de observações que um fazia ao outro à sua passagem. Por causa disso, voltou ao local onde os dois estavam, por algumas vezes, levando refrigerantes e outras bebidas, até ter fortalecida a sua suspeita inicial.
Colombo e Jessie estavam sentados na parte da frente, enquanto os irmãos Palha Freire se acomodaram nos fundos. O grupo esperou quinze minutos após a decolagem para agir.
O voo já se aproximava de São Paulo, quando Jessie foi ao banheiro, tirou os revólveres do vestido e entregou o calibre 38 para o namorado. O rapaz se está, foi até a cabine do piloto e, indicou a arma, ordenou que o comandante retornasse para o Galeão, enquanto a parceira, de pé diante da cabine, dava ordens aos passageiros para ninguém reagir.
Começava o sequestro do Caravelle PP-PDX. Os quatro envolvidos no sequestro eram integrantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), principal grupo de combate armado criado para enfrentar a ditadura militar. O plano deles era trocar todos os passageiros do voo por 40 presos políticos do regime, entre eles, o pai de Jessie, Washington Alves, e a irmã de Colombo, Iná Medeiros. Depois, fugiriam todos para Cuba.
Na época, não era algo raro que guerrilheiros tomassem o controle de voos comerciais para buscar abrigo na ilha de Fidel Castro. Mas os jovens ambiciosos (e ingênuos) que protagonizaram a ação no Caravelle queriam levar com eles dezenas de combatentes tirados de circulação pelos organismos de repressão militar.
Ao dar meia volta, o comandante Harro Cyranka informou à torre de controle que o avião estava sendo sequestrado e começou a transmitir conforme as exigências dos quatro guerrilheiros. Eles desejavam, além de trocar passageiros por presos políticos, a leitura de um manifesto em cadeia nacional de rádio.
Segundo um depoimento de da sequestradora Jessie, o piloto chegou a alertar o grupo de que eles conseguiram mais chance de vencer em seu plano se fosse para um aeroporto como o de Manaus, onde o aparato de segurança era menor. No Galeão, ele disse, os militantes certamente seriam presos pelos órgãos de coerção. Ainda de acordo com a própria sequestradora, isso mostra o quão despreparados eles estavam.
O avião cercado por forças de segurança, que tentam entrar na aeronave durante o sequestro, em 1970 (Foto: Arquivo/Agência O Globo)
A chefia do Galeão, então, acionou as tropas da Força Aérea Brasileira (FAB) que vinham recebendo treinamento específico para aquele tipo de situação. Às 10h45, quando o Caravelle parou sobre a pista no Rio, a primeira coisa que os militares fizeram foi metralhar o trem de pouso. Não havia forma mais clara de dizer que as autoridades não permitiriam que a aeronave decolasse de novo.
O avião foi completamente cercado por carros do Corpo de Bombeiros, além de viaturas ansiosas, duas vítimas e dezenas de agentes da repressão. A partir de então, todas as exigências feitas pelos guerrilheiros paravam na decisão das autoridades, que se negavam a negociar.
Enquanto isso, dentro do avião, a tensão aumentou junto com o calor, já que o ar condicionado estava desligado. Alguns passageiros se ofereciam para ajudar na negociação, outros passavam mal. Para aliviar os ânimos, o comediante Renato Corte Real, parceiro de Jô Soares, assumiu o interfone de bordo e realizou um show de cerca de dez minutos, com piadas que arrancaram risos até dos terroristas.
O clima no terminal de passageiros, ainda vazio, era de tensão entre funcionários da Cruzeiro do Sul e das outras empresas. A aeromoça Sônia, que voou no dia anterior com o comandante Cyranka, tentou chegar até a aeronave para encorajá-lo, sendo obstada pela segurança da pista. Harro Cyranka, primeiro piloto a cobrir a rota Rio-Porto Alegre em voo direto, segundo a aeromoça, estaria reagindo calmamente.
"Ele é o terceiro comandante mais voado do mundo. E sua calma é impressionante. Cyranka é o piloto mais antigo da empresa, talvez o mais hábil entre os comandantes brasileiros", declarou Sônia.
Na pista, às 14h40m – a 20 minutos do fim do prazo dado pela FAB – oficiais começaram a andar por baixo da aeronave, dando a entender que buscavam meios de penetrar. O comandante Cyranka, percebendo o movimento sob a cabina, fez gestos largos, sugerindo que eles deveriam se afastar. Cinco minutos depois, mais duas ambulâncias rodeavam o avião.
Apenas duas aeronaves se encontravam na pista prontas para levantar voo: uma da TAP, com saída prevista para Lisboa às 15h15m e outra da Pan American – voo 202 – para Brasília, Port of Spain e Nova Iorque.
Quarenta e um passageiros, muitos deles irritados, esperavam este último voo. A Pan American pressionada, e após retardar bastante o voo 202, decidiu consultar a Base Aérea do Galeão sobre a possibilidade de autorizar o embarque.
Um oficial pediu que a companhia esperasse alguns minutos, “meia hora, no máximo”, porque o avião da Cruzeiro do Sul seria logo liberado. A empresa transmitiu a informação aos passageiros e despachou as bagagens.
Ás 15h10m, para surpresa dos que se achavam na estação de passageiros, a aeronave sequestrada começou a ser lavada com água ejetada por pequenas mangueiras. E, à distância, pode-se observar um homem subir na fuselagem do Caravelle.
"O presidente Médici deu ordem para a tripulação não decolar. O avião ficará na pista até o resgate dos passageiros". A frase do operador de tráfego Bezoni prenunciou o ataque ao Caravelle.
Tropas lançam fumaça química antes de tentar pegar aeronave (Foto: Arquivo/Agência O Globo)
Às 15h10m, todos entenderam a razão da lavagem: a água ejetada na fuselagem, uma espécie de cola, serviria como fixador da espuma marrom com que a aeronave seria banhada. As mangueiras de lona, desenroladas dos tratores, começaram a espalhar sobre o dorso do aparelho, em jatos fortíssimos, grande quantidade de espuma. A aeronave, em poucos minutos, ficou coberta por uma camada marrom, como se fosse chocolate.
Segundo o pessoal da FAB isso impediria que os sequestradores alvejassem alguém do lado de fora, pois lhes anularia a visão; os passageiros, igualmente, nada veriam. Somente o comandante Cyranka e o primeiro-oficial Schindler, através da janela da cabine, podiam ver o que se passava na pista.
Coberta a aeronave, praças e oficiais da FAB forçaram as portas de emergência, para arrombá-las. Os agentes tentaram invadir o Caravelle, mas não conseguiram tirar as portas de emergência.
O mesmo plano foi repetido uma segunda vez, mas, de novo, sem sucesso. Só na terceira tentativa, os militares entraram na aeronave.
Como os sequestradores não podiam ver o que estava ocorrendo fora, sete pontos do aparelho foram atacados simultaneamente: as duas portas da frente, próximas da cabina de comando; as quatro saídas de emergência, duas de cada lado, sobre as asas; e a porta traseira.
Empunhando porretes, quebravam os vidros das janelas, para lançar pó químico dentro do avião. Um mulato, de camisa azul, após galgar a asa esquerda, esmurrou as portas, furiosamente. Outro, louro e magro, dava coronhadas na fuselagem. Nuvens de fumaça branca, que atingiam 10 metros de altura, escondiam parte do avião, bloqueando a visão do pessoal confinado na varanda da estação. Quando se dissipavam, outras nuvens eram formadas.
Dentro desse clima, três ônibus penetraram na pista, em intervalos regulares, para recolher passageiros, e levá-los ao setor militar do aeroporto. Ouviu-se três tiros: um surdo como se ecoasse dentro do avião e os outros mais fortes.
Um homem trajando macacão verde desceu ferido, e foi carregado para uma ambulância. Duas outras ambulâncias, recolhendo outras pessoas, seguiram em alta velocidade para o setor militar.
E novas nuvens de fumaça, menos espessas, foram lançadas sobre a área, sobrevoada por dois caças. Houve um murmúrio de espanto quando, do alto da escada interna, junto da cabina, um homem de camisa clara, parecendo membro da tripulação, se atirou no cimento da pista, de cabeça.
Às 15h40m, água pura ejetada por mangueiras dos bombeiros lavou a fuselagem do Caravelle, parecendo que tudo havia terminado. As portas do avião, escancaradas após a operação, voltaram a ser fechadas pelos praças da FAB. Das 12 viaturas dos bombeiros, quatro se retiraram lentamente, fazendo soar as sirenas. E alguns funcionários do aeroporto, antes mantidos à distância, foram olhar o Caravelle sem ser molestados.
Durante a tomada do avião, um dos terroristas feriu-se gravemente na cabeça e alguns passageiros sofreram pancadas e contusões, entre eles o comediante Renato Corte Real. O comandante Harro Cyranka recebeu ferimento perfurante numa das pernas (há relatos que ele recebeu um tiro disparado por Jessie Jane, que teria feito dois disparos, tendo o outro atingido de raspão um dos passageiros).
Houve tiroteio intenso, no qual Eiraldo de Palha Freire foi baleado. Ele morreu três dias depois. Segundo a Aeronáutica, o guerrilheiro faleceu devido ao tiro, mas, durante a Comissão Nacional da Verdade, em 2014, ficou preso que o integrante da ALN foi um óbito em decorrência da tortura após ser capturado.
Finda a operação militar, todos, sem exceção, foram levados para o hospital, tripulantes e passageiros. Nenhum militar foi ferido, mas todos foram também para o hospital, fiscalizando o atendimento.
Foram medicados: um passageiro, ferido de leve na perna, que logo liberado para o depoimento na Base Aérea; o ator Renato Corte Real, com ferimento leve na altura da boca – que o fez perder a dentadura – e crise nervosa, logo sanada, a ponto de fazê-lo agradecer e pedir desculpas aos oficiais; o comandante Cyranka, que foi imediatamente levado para a sala de operações; o segundo-oficial Wilson, ferido no rosto; a comissária Nilma, também levemente ferida na testa; e o sequestrador que foi identificado mais tarde como sendo o passageiro Eiraldo Palha Freire.
Esse chegou ao hospital dado como morto. Veio deitado em decúbito dorsal, com a própria camisa enrolada no pescoço amparando o sangue que lhe escorria. Foi levado às pressas para a mesa de operações e verificou-se que a bala não atravessou o crânio, tendo entrado pelo ouvido, batido provavelmente num osso, e descido pelo pescoço.
A mulher do grupo sequestrador, Jessie Jane, – que recebeu cinco pontos na nuca – chegou enrolada numa toalha, pois no desembarque, empurrada de um para outro lado, teve as roupas rasgadas. Apenas esses tiveram maiores cuidados médicos, reduzindo-se o tratamento dos demais a doses fortes de calmante.
Por volta das 20 horas é que eles foram, então, levados para depor sobre a tentativa do sequestro. À medida que iam sendo liberados, podiam escolher o hotel de preferência. A bagagem, enquanto se sucediam os acontecimentos, foi levada para o interior do aeroporto. Acalmada a situação, alguns oficiais comentavam mais serenos que fora outra vitória do Brasil.
Jessie, Fernando e Colombo à esquerda, no banco dos réus, durante o julgamento, em 1970 (Foto: Arquivo/Agência O Globo)
Os quatro sequestradores foram levados ao Centro de Investigações da Aeronáutica (CISA), na Base Aérea do Galeão, onde tiveram início como sessões de interrogatório mediante tortura. Na madrugada de 2 de julho de 1970, foram transferidos ao Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na Tijuca, onde as sevícias continuaram.
De acordo com Jessie Jane, os agentes pensavam que Eiraldo era seu namorado, e, portanto, a colocavam de frente para ele, na tentativa de confirmar informações. Mas a guerrilheira, que depois da ditadura se tornou professora de História, conto que ambas ficaram o tempo todo em silêncio.
O Ministério Público pediu pena de morte para os três militantes que sobreviveram, alegando que os disparos foram para eles no momento da reação militar que causou a morte de Eiraldo. O Conselho Especial de Justiça da Aeronáutica, porém, não suspeitou com a tese e, em novembro de 1970, os condenou à prisão: 24 anos de prisão para Colombo, 18 anos para Jessie e 12 anos para Fernando.
Nos primeiros anos, Jessie e Colombo permaneceram presos em locais distintos: ela no Presídio Talavera Bruce, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e ele no Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, em Angra dos Reis. O contato entre os namorados se dava apenas por cartas, até que, em 1972, a dupla conseguiu autorização judicial para se casar e, em 1975, obtiveram permissão para visitas íntimas. Em 1976, nasceu Leta Vieira de Sousa, filha do casal, que viveu os primeiros meses de vida no presídio, até ser enviada para a casa da avó. Hoje, ela é arquiteta e urbanista.
Jessie e Colombo foram libertados em 1979, quando o regime militar deu início à flexibilização política e foi aprovado a Lei da Anistia. Nos anos seguintes, o ex-guerrilheiro foi assessor da Aquidiocese de Volta Redonda e do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda. Ele morreu em 25 de abril de 2021, aos 71 anos. Já sua companheira se formou em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tem mestrado pela Universidade de Campinas (Unicamp) e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da qual é, hoje, professora.
Colombo e Jessie dando entrevista após deixarem prisão, em 1979 (Foto: Wilson Alves/Agência O Globo)
O casal de sequestradores e o episódio do sequestro e seus aperfeiçoamentos são tema da série documental do Globoplay "Jessie e Colombo".
Em 27 de junho de 1976, o Airbus A300B4-203, prefixo F-BVGG, da Air France (foto abaixo), realizando o voo 139, partiu de Tel Aviv, em Israel, transportando 246 passageiros, principalmente judeus e israelenses, e uma tripulação de 12 pessoas.
O avião voou para Atenas, na Grécia, onde pegou mais 58 passageiros, incluindo quatro sequestradores. Em seguida, partiu para Paris às 12h30.
O Air France Airbus A300 envolvido no sequestro
O Sequestro em voo
Logo após a decolagem, o voo foi sequestrado por dois palestinos da Frente Popular de Libertação da Palestina – Operações Externas (PFLP-EO), e por dois alemães, Wilfried Bösee Brigitte Kuhlmann, das Células Revolucionárias Alemãs.
Os sequestradores desviaram o voo para Benghazi, na Líbia. Lá ele foi mantido no solo por sete horas para reabastecimento. Durante esse tempo, os sequestradores libertaram a cidadã israelense de origem britânica Patricia Martell, que fingiu ter um aborto espontâneo.
O avião saiu de Benghazi e às 15h15 do dia 28, mais de 24 horas após a partida original do voo, chegou ao aeroporto de Entebbe, em Uganda.
Situação de reféns no aeroporto de Entebbe
Aeroporto de Entebbe em 1976 (Foto: GPO)
Em Entebbe, os quatro sequestradores se juntaram a pelo menos quatro outros, apoiados pelas forças do presidente de Uganda, Idi Amin. Os sequestradores transferiram os passageiros para o saguão de trânsito do antigo terminal do aeroporto desativado, onde os mantiveram sob guarda pelos dias seguintes. Amin passou a visitar os reféns quase diariamente, atualizando-os sobre os acontecimentos e prometendo envidar esforços para libertá-los por meio de negociações.
Em 28 de junho, um sequestrador da PFLP-EO emitiu uma declaração e formulou suas exigências: Além de um resgate de US$ 5 milhões para a liberação do avião, eles exigiam a libertação de 53 militantes palestinos e pró-palestinos, 40 dos quais eram prisioneiros em Israel. Eles ameaçaram que, se essas exigências não fossem atendidas, começariam a matar reféns em 1º de julho de 1976.
Separação dos reféns em dois grupos
Em 29 de junho, depois que os soldados de Uganda abriram a entrada para uma sala ao lado da sala de espera lotada, destruindo uma parede de separação, os sequestradores separaram os israelenses (incluindo aqueles com dupla cidadania) dos outros reféns e disseram-lhes para irem para a sala ao lado.
Ao fazê-lo, um sobrevivente do Holocausto mostrou ao sequestrador Wilfried Böse um número de registro do campo tatuado em seu braço. Böse protestou "Não sou nazista! ... Sou um idealista".
Além disso, cinco reféns não israelenses – dois casais de judeus ultraortodoxos dos EUA e da Bélgica e um francês residente em Israel – foram forçados a se juntar ao grupo israelense.
De acordo com Monique Epstein Khalepski, a refém francesa entre os cinco, os captores os selecionaram para interrogatório e suspeitaram que eles escondessem suas identidades israelenses.
Por outro lado, de acordo com o refém francês Michel Cojot-Goldberg, os sequestradores não conseguiram identificar pelo menos um israelense entre os passageiros que era um oficial militar com dupla cidadania, então usando seu passaporte não israelense e mais tarde foi libertado como parte da segunda libertação de reféns não israelenses.
A cidadã americana Janet Almog, francesa Jocelyne Monier (cujo marido ou namorado era israelense), e o cidadão franco-israelense Jean-Jacques Mimouni, cujo nome não foi citado durante a leitura da lista original com base no passaporte, supostamente se juntou ao grupo de reféns israelense por escolha própria.
Libertação da maioria dos reféns não israelenses
Em 30 de junho, os sequestradores libertaram 48 reféns. Os liberados foram escolhidos entre o grupo não-israelense – principalmente passageiros idosos e doentes e mães com filhos. Quarenta e sete deles voaram em um Boeing 747 fretado da Air France de Entebbe para Paris, e um passageiro foi tratado no hospital por um dia.
Em 1º de julho, depois que o governo israelense transmitiu seu acordo para as negociações, os sequestradores estenderam seu prazo até o meio-dia de 4 de julho e libertaram outro grupo de 100 cativos não-israelenses que novamente foram levados para Paris algumas horas depois.
Entre os 106 reféns que ficaram para trás com seus captores no aeroporto de Entebbe estavam os 12 membros da tripulação da Air France que se recusaram a partir, cerca de dez jovens passageiros franceses e o grupo israelense de cerca de 84 pessoas.
Planejamento operacional
Na semana anterior ao ataque, Israel tentou usar meios políticos para obter a libertação dos reféns. Muitas fontes indicam que o gabinete israelense estava preparado para libertar prisioneiros palestinos se uma solução militar parecesse improvável de ser bem-sucedida. Um oficial aposentado das FDI, Baruch "Burka" Bar-Lev, conhecia Idi Amin há muitos anos e era considerado como tendo um forte relacionamento pessoal com ele. A pedido do gabinete, falou várias vezes com Amin ao telefone, tentando obter a libertação dos reféns, sem sucesso.
O governo israelense também abordou o governo dos Estados Unidos para entregar uma mensagem ao presidente egípcio Anwar Sadat, pedindo-lhe que solicitasse que Amin libertasse os reféns. O primeiro-ministro Yitzhak Rabin e o ministro da Defesa Shimon Peres passaram uma semana discordando sobre se deveriam ou não ceder às exigências dos sequestradores (posição de Rabin) para evitar mais terrorismo (posição de Peres).
No prazo de 1º de julho, o gabinete israelense se ofereceu para negociar com os sequestradores para estender o prazo até 4 de julho. Amin também pediu que estendessem o prazo até aquela data. Isso significava que ele poderia fazer uma viagem diplomática a Port Louis, Maurício, para entregar oficialmente a presidência da Organização da Unidade Africana a Seewoosagur Ramgoolam. Esta extensão do prazo de reféns provou ser crucial para fornecer às forças israelenses tempo suficiente para chegar a Entebbe.
Em 3 de julho, às 18h30, o gabinete israelense aprovou uma missão de resgate, apresentada pelo major-general Yekutiel Adam e pelo brigadeiro-general Dan Shomron. Shomron foi nomeado comandante da operação.
Tentativas de solução diplomática
Com o desenrolar da crise, foram feitas tentativas para negociar a libertação dos reféns. De acordo com documentos diplomáticos desclassificados, o governo egípcio de Sadat tentou negociar tanto com a OLP quanto com o governo de Uganda. O presidente da OLP, Yasser Arafat, enviou seu assessor político Hani al-Hassan a Uganda como enviado especial para negociar com os sequestradores e com Amin. No entanto, os sequestradores da PFLP-EO se recusaram a vê-lo.
Preparação do ataque
Quando as autoridades israelenses falharam em negociar uma solução política, decidiram que sua única opção era um ataque para resgatar os reféns. O tenente-coronel Joshua Shani, piloto líder da operação, disse mais tarde que os israelenses haviam inicialmente concebido um plano de resgate que envolvia o lançamento de comandos navais no lago Vitória.
Os comandos teriam levado botes de borracha até o aeroporto à beira do lago. Eles planejavam matar os sequestradores e, após libertar os reféns, pediriam a Amin passagem para casa. Os israelenses abandonaram esse plano por falta de tempo e também por terem recebido a notícia de que o lago Vitória era habitado pelo crocodilo do Nilo.
Amnon Biran, o oficial de inteligência da missão, afirmou posteriormente que o layout adequado do aeroporto era desconhecido, assim como a localização exata dos reféns e se o prédio havia sido preparado com explosivos.
Reabastecimento de aeronaves
Enquanto planejavam o ataque, as forças israelenses tiveram que planejar como reabastecer a aeronave Lockheed C-130 Hercules que pretendiam usar durante a rota para Entebbe. Os israelenses não tinham capacidade logística para reabastecer via aérea de quatro a seis aeronaves tão longe do espaço aéreo israelense.
Embora várias nações da África Oriental, incluindo a escolha logística preferida do Quênia, fossem simpáticas, nenhuma desejava incorrer na ira de Amin ou dos palestinos, permitindo que os israelenses pousassem suas aeronaves dentro de suas fronteiras.
O ataque não poderia prosseguir sem a ajuda de pelo menos um governo da África Oriental. O governo israelense obteve permissão do Quênia para que a força-tarefa da IDF cruzasse o espaço aéreo queniano e reabastecesse no que hoje é o Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta.
O ministro da Agricultura do Quênia, Bruce MacKenzie, persuadiu o presidente do Quênia, Jomo Kenyatta , a permitir que o Mossad coletasse inteligência antes da operação e a permitir o acesso da Força Aérea de Israel ao aeroporto de Nairóbi.
O apoio de MacKenzie para a operação veio depois que Sir Maurice Oldfield , o então chefe do MI6 britânico agência de inteligência, colocou seus contatos no Mossad em contato com MacKenzie, que havia sido contato do MI6 por algum tempo.
O proprietário judeu da cadeia de hotéis Block no Quênia, junto com outros membros da comunidade judaica e israelense em Nairóbi, também pode ter usado sua influência política e econômica para ajudar a persuadir o presidente do Quênia, Jomo Kenyatta, a ajudar Israel.
O embaixador de Uganda no Lesoto, Isaac Lumago, ouviu alguns dos detalhes da operação de oficiais da Força Aérea do Quênia que estavam discutindo a possibilidade de compensação israelense pela assistência e encaminhou as informações ao comandante de Uganda, Isaac Maliyamungu. Maliyamungu não alertou Amin ou tomou qualquer ação na inteligência, supostamente rejeitando o relatório como "gasiya" (lixo).
De acordo com o filho de Amin, Jaffar Remo, o presidente de Uganda ainda conseguiu receber o aviso de Lumago por telefone e, após cumprir suas responsabilidades na reunião da OUA, embarcou em um avião e voou de volta para Uganda.
Um ex-agente do serviço de inteligência de Uganda, o State Research Bureau, também afirmou que Amin foi informado por Lumago sobre o ataque iminente. O agente afirmou que Amin estava apavorado com possíveis represálias caso suas tropas realmente lutassem contra os militares israelenses, supostamente resultando em sua ordem para que o Exército de Uganda não abrisse fogo contra aeronaves israelenses durante um possível ataque.
Inteligência de reféns
O Mossad construiu uma imagem precisa do paradeiro dos reféns, do número de sequestradores e do envolvimento das tropas de Uganda, com base nas informações dos reféns libertados em Paris.
Além disso, empresas israelenses estiveram envolvidas em projetos de construção na África durante as décadas de 1960 e 1970: enquanto preparava o ataque, o exército israelense consultou a Solel Boneh, uma grande construtora israelense que construiu o terminal onde os reféns foram mantidos.
Ao planejar a operação militar, o IDF ergueu uma réplica parcial do terminal do aeroporto com a ajuda de civis que ajudaram a construir o original.
O major das IDF, Muki Betser, comentou mais tarde em uma entrevista que os agentes do Mossad entrevistaram extensivamente os reféns que haviam sido libertados. Ele disse que um passageiro judeu francês com formação militar e "uma memória fenomenal" forneceu informações detalhadas sobre o número de armas transportadas pelos sequestradores.
Força tarefa
A força-tarefa terrestre israelense contava com aproximadamente 100 pessoas e compreendia os seguintes elementos:
Comando e controle terrestre
Este pequeno grupo compreendia a operação e o comandante terrestre geral, brigadeiro-general Dan Shomron, o representante da Força Aérea, coronel Ami Ayalon, e o pessoal de comunicações e apoio.
Assalto
Uma unidade de assalto de 29 homens liderada pelo tenente-coronel Yonatan Netanyahu - essa força era composta inteiramente por comandos de Sayeret Matkal, e tinha como tarefa principal assaltar o antigo terminal e resgatar os reféns. O major Betser liderou uma das equipes de assalto do elemento e assumiu o comando depois que o tenente-coronel Netanyahu foi morto.
Proteção
A força de para-quedistas liderada pelo coronel Matan Vilnai – encarregada de proteger o campo do aeroporto civil, limpar e proteger as pistas e proteger e abastecer a aeronave israelense em Entebbe.
A força Golani comandada pelo coronel Uri Sagi – encarregada de proteger a aeronave C-130 Hercules para a evacuação dos reféns, aproximando-a o mais possível do terminal e embarcando os reféns; também atuando como reservas gerais.
A força Sayeret Matkal liderada pelo Major Shaul Mofaz - encarregada de limpar a pista militar e destruir o esquadrão de caças MiG no solo, para evitar possíveis interceptações pela Força Aérea do Exército de Uganda; também com a contenção de forças terrestres hostis da cidade de Entebbe.
Ataque
Foto aérea da cidade de Entebbe e do Aeroporto Internacional de Entebbe ao pôr do sol
Rota de ataque
Decolando de Sharm el-Sheikh, a força-tarefa voou ao longo da rota de voo internacional sobre o Mar Vermelho, principalmente voando a uma altura não superior a 30 m (100 pés) para evitar a detecção de radar por egípcios, sudaneses e Forças da Arábia Saudita. Perto da saída sul do Mar Vermelho, os C-130 viraram para o sul e cruzaram o território etíope, passando a oeste de Djibouti. De lá, seguiram para um ponto a nordeste de Nairóbi, no Quênia. Eles viraram para o oeste, passando pelo Vale do Rift Africano e sobre o Lago Vitória.
Dois jatos Boeing 707 seguiram os aviões de carga. O primeiro Boeing continha instalações médicas e pousou no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta em Nairóbi, no Quênia. O comandante da operação, general Yekutiel Adam, estava a bordo do segundo Boeing, que sobrevoou o aeroporto de Entebbe durante o ataque.
As forças israelenses desembarcaram em Entebbe em 3 de julho às 23:00 IST, com as portas do compartimento de carga já abertas. Como o layout adequado do aeroporto não era conhecido, o primeiro avião quase taxiou em uma vala. Um carro Mercedes preto que parecia o veículo do presidente Idi Amin e Land Rovers que geralmente acompanhavam o Mercedes de Amin foram levados junto. Os israelenses esperavam poder usá-los para contornar os postos de controle de segurança.
Quando os C-130 pousaram, os membros da equipe de assalto israelense conduziram os veículos até o prédio do terminal da mesma forma que Amin. Ao se aproximarem do terminal, duas sentinelas de Uganda, cientes de que Idi Amin havia comprado recentemente uma Mercedes branca, ordenaram que os veículos parassem.
Os primeiros comandos atiraram nas sentinelas usando pistolas com silenciador. Isso foi contra o plano e contra as ordens - os ugandenses deveriam ser ignorados, pois acreditava-se que não abririam fogo nesta fase.
Um comando israelense em um dos seguintes Land Rovers abriu fogo com um rifle desarmado. Temendo que os sequestradores fossem alertados prematuramente, a equipe de assalto rapidamente se aproximou do terminal.
Resgate dos reféns
Uma fotografia do antigo terminal com um C-130 Hercules da Força Aérea dos EUA estacionado em frente. Buracos de bala do ataque de 1976 ainda são visíveis
Os israelenses deixaram seus veículos e correram em direção ao terminal. Os reféns estavam no saguão principal do prédio do aeroporto, bem ao lado da pista. Entrando no terminal, os comandos gritaram em um megafone: "Fiquem abaixados! Fiquem abaixados! Somos soldados israelenses", tanto em hebraico quanto em inglês. Jean-Jacques Maimoni, um imigrante francês de 19 anos em Israel, se levantou e foi morto quando Muki Betser e outro soldado o confundiram com um sequestrador e atiraram nele.
Outro refém, Pasco Cohen, 52, também foi mortalmente ferido por tiros dos comandos. Além disso, uma terceira refém, Ida Borochovitch, de 56 anos, uma judia russa que havia emigrado para Israel , foi morta por um sequestrador no fogo cruzado.
Segundo o refém Ilan Hartuv, Wilfried Böse foi o único sequestrador que, após o início da operação, entrou no salão que abrigava os reféns. A princípio, ele apontou seu rifle Kalashnikov para os reféns, mas "imediatamente caiu em si" e ordenou que eles encontrassem abrigo no banheiro, antes de ser morto pelos comandos. De acordo com Hartuv, Böse atirou apenas em soldados israelenses e não em reféns.
A certa altura, um comando israelense gritou em hebraico: "Onde estão os outros?" referindo-se aos sequestradores. Os reféns apontaram para uma porta de conexão do saguão principal do aeroporto, na qual os comandos lançaram várias granadas de mão. Eles então entraram na sala e mataram a tiros os três sequestradores restantes, encerrando o ataque.
Enquanto isso, os outros três aviões C-130 Hercules pousaram e descarregaram veículos blindados para fornecer defesa durante a hora prevista de reabastecimento. Os israelenses então destruíram aviões de combate MiG de Uganda para impedi-los de persegui-los e realizaram uma varredura no campo de aviação para reunir informações.
Partida
Após o ataque, a equipe de assalto israelense voltou para sua aeronave e começou a carregar os reféns. Soldados de Uganda atiraram neles no processo. Os comandos israelenses responderam ao fogo, infligindo baixas aos ugandenses. Durante este breve, mas intenso tiroteio, soldados de Uganda dispararam da torre de controle do aeroporto. Pelo menos cinco comandos ficaram feridos e o comandante da unidade israelense Yonatan Netanyahu foi morto.
Comandos israelenses dispararam metralhadoras leves e uma granada propelida por foguete contra a torre de controle, suprimindo o fogo dos ugandenses. De acordo com um dos filhos de Idi Amin, o soldado que atirou em Netanyahu, um primo da família Amin, foi morto no tiroteio.
Os israelenses terminaram de evacuar os reféns, carregaram o corpo de Netanyahu em um dos aviões e deixaram o aeroporto. Toda a operação durou 53 minutos - dos quais o assalto durou apenas 30 minutos.
Passageiros resgatados são recebidos no Aeroporto Ben Gurion
Todos os sete sequestradores presentes e entre 33 e 45 soldados de Uganda foram mortos. Onze aviões de combate MiG-17 e MiG-21 de fabricação soviética da Força Aérea do Exército de Uganda foram destruídos no aeroporto de Entebbe.
Dos 106 reféns, três foram mortos, um foi deixado em Uganda (Dora Bloch, de 74 anos), e cerca de 10 ficaram feridos. Os 102 reféns resgatados foram levados para Israel via Nairóbi, no Quênia, logo após o ataque.
Piloto do avião é recebido com festa em Israel
Reação de Uganda
Amin ficou furioso ao saber do ataque e supostamente se gabou de que poderia ter ensinado uma lição aos israelenses se soubesse que eles atacariam. Após o ataque, Maliyamungu prendeu 14 soldados sob suspeita de colaborar com os israelenses. Uma vez que eles estavam reunidos em uma sala no quartel Makindye, ele atirou em 12 deles com sua pistola.
O chefe do Estado-Maior do Exército de Uganda, Mustafa Adrisi, supostamente queria prender ou executar Godwin Sule, o comandante da Base Aérea de Entebbe, que estava ausente de seu posto durante o ataque.
Sule havia deixado a base aérea mais cedo naquele dia para encontrar uma companheira no Lake Victoria Hotel em 4 de julho. Apesar das exigências de Adrisi, a proximidade de Sule com o presidente Amin garantiu sua segurança.
Dora Bloch (foto ao lado), uma israelense de 74 anos que também tinha cidadania britânica, foi levada ao Hospital Mulago em Kampala depois de engasgar com um osso de galinha. Após o ataque, ela foi assassinada por oficiais do Exército de Uganda, assim como alguns de seus médicos e enfermeiras, aparentemente por tentar intervir.
Em abril de 1987, Henry Kyemba, procurador-geral de Uganda e ministro da Justiça na época, disse à Comissão de Direitos Humanos de Uganda que Bloch havia sido arrastada de sua cama de hospital e morta por dois oficiais do exército em Ordens de Amin.
Bloch foi baleada e seu corpo foi jogado no porta-malas de um carro com placas dos serviços de inteligência de Uganda. Seus restos mortais foram recuperados perto de uma plantação de açúcar 20 milhas (32 km) a leste de Kampala em 1979, depois que a Guerra Uganda-Tanzânia acabou com o governo de Amin.
Amin também ordenou a morte de centenas de quenianos que viviam em Uganda em retaliação pela ajuda do Quênia a Israel no ataque. Uganda matou 245 quenianos, incluindo funcionários do aeroporto de Entebbe. Para evitar o massacre, aproximadamente 3.000 quenianos fugiram de Uganda como refugiados.
Em 24 de maio de 1978, o ministro da agricultura do Quênia, Bruce MacKenzie, foi morto quando uma bomba acoplada a sua aeronave explodiu quando MacKenzie saiu de uma reunião com Amin. Alguns afirmaram que o presidente de Uganda, Idi Amin, ordenou que agentes de Uganda assassinassem MacKenzie em retaliação ao envolvimento do Quênia e às ações de MacKenzie antes do ataque.
Outros indicaram várias outras causas possíveis para o bombardeio, incluindo que outra pessoa a bordo do avião pode ter sido o alvo. Mais tarde, o diretor-chefe do Mossad, Meir Amit, plantou uma floresta em Israel em nome de MacKenzie.
Consequências
O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu em 9 de julho de 1976 para considerar uma reclamação do presidente da Organização da Unidade Africana acusando Israel de "ato de agressão". O Conselho permitiu que o embaixador de Israel nas Nações Unidas, Chaim Herzog , e o ministro das Relações Exteriores de Uganda, Juma Oris Abdalla, participassem sem direito a voto.
O Secretário-Geral da ONU, Kurt Waldheim disse ao Conselho de Segurança que o ataque foi "uma grave violação da soberania de um Estado Membro das Nações Unidas", embora estivesse "totalmente ciente de que este não é o único elemento envolvido... com problemas sem precedentes decorrentes do terrorismo internacional".
Abdalla, o representante de Uganda, alegou que o caso estava perto de uma resolução pacífica quando Israel interveio enquanto Herzog, o representante de Israel, acusou Uganda de cumplicidade direta no sequestro.
Os EUA e o Reino Unido patrocinaram uma resolução que condenava o sequestro e atos semelhantes, lamentava a perda de vidas decorrente do sequestro (sem condenar Israel ou Uganda), reafirmava a necessidade de respeitar a soberania e a integridade territorial de todos os Estados e exortava a comunidade internacional para aumentar a segurança da aviação civil.
No entanto, a resolução não conseguiu receber o número necessário de votos afirmativos porque dois membros votantes se abstiveram e sete estavam ausentes. Uma segunda resolução patrocinada por Benin, Líbia e Tanzânia, que condenava Israel, não foi submetida a votação.
As nações ocidentais falaram em apoio ao ataque. A Alemanha Ocidental chamou o ataque de "um ato de legítima defesa". Suíça e França elogiaram a operação. Representantes do Reino Unido e dos Estados Unidos ofereceram elogios significativos, chamando o ataque a Entebbe de "uma operação impossível".
Alguns nos Estados Unidos observaram que os reféns foram libertados em 4 de julho de 1976, 200 anos após a assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos . Em conversa privada com o embaixador israelense Dinitz, Henry Kissinger criticou o uso israelense de equipamento americano durante a operação, mas essa crítica não foi tornada pública na época.
Em meados de julho de 1976, o superporta-aviões USS Ranger e seus acompanhantes entraram no Oceano Índico e operaram na costa do Quênia em resposta a uma ameaça de ação militar das forças de Uganda.
O piloto da aeronave sequestrada, o capitão Michel Bacos, foi condecorado com a Legião de Honra, e os demais tripulantes receberam a Ordem do Mérito Francesa.
O hotel Norfolk em Nairóbi, de propriedade de um proeminente membro da comunidade judaica local, foi bombardeado em 31 de dezembro de 1980. A bomba destruiu o hotel, matando 20 pessoas, de várias nacionalidades, e ferindo outras 87. Acreditava-se que era um ato de vingança de militantes pró-palestinos pelo papel de apoio do Quênia na Operação Entebbe.
Nos anos seguintes, Betser e os irmãos Netanyahu - Iddo e Benjamin , todos veteranos do Sayeret Matkal - discutiram em fóruns cada vez mais públicos sobre quem era o culpado pelo tiroteio inesperado que causou a morte de Yonatan e perda parcial da surpresa tática.
Como resultado da operação, os militares dos Estados Unidos desenvolveram equipes de resgate modeladas na unidade empregada no resgate de Entebbe. Uma tentativa notável foi a Operação Garra de Águia, um resgate fracassado em 1980 de 53 funcionários da embaixada americana mantidos como reféns em Teerã durante a crise dos reféns no Irã.
Em uma carta datada de 13 de julho de 1976, o Estado-Maior do Comandante Supremo das Forças Armadas Imperiais Iranianas elogiou os comandos israelenses pela missão e estendeu condolências pela "perda e martírio" de Netanyahu.
O Airbus prefixo F-BVGG, a aeronave do sequestro do voo 139 da Air France, foi consertada e voltou ao serviço com a Air France. Em abril de 1996, a aeronave foi alugada para a Vietnam Airlines por três meses. Em dezembro do mesmo ano, a aeronave foi convertida em cargueiro e entregue à SC Aviation, tendo sido rematrificada como N742SC. Em 1998, a aeronave foi entregue à MNG Airlines e registrada novamente como TC-MNA. Em 2009, a aeronave foi armazenada no Aeroporto Atatürk de Istambul e foi sucateada em 2020.
Comemorações
Em agosto de 2012, Uganda e Israel comemoraram o ataque em uma cerimônia sombria na base de uma torre no aeroporto de Old Entebbe, onde Yonatan Netanyahu foi morto. Uganda e Israel renovaram seu compromisso de "lutar contra o terrorismo e trabalhar pela humanidade".
Além disso, coroas de flores foram colocadas, um momento de silêncio foi feito, discursos foram feitos e um poema foi recitado. As bandeiras de Uganda e Israel foram hasteadas lado a lado, simbolizando as fortes relações bilaterais dos dois países, ao lado de uma placa com a história do ataque. A cerimônia contou com a presença do Ministro de Estado da Indústria Animal de Uganda, Bright Rwamirama, e do vice- ministro de Relações Exteriores de Israel, Daniel Ayalon , que depositaram coroas de flores no local.
Quarenta anos depois da operação de resgate, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, irmão do comando israelense morto Yonatan Netanyahu, visitou Entebbe com uma delegação israelense e lançou as bases para novas relações bilaterais entre Israel e a África subsaariana.
Dramatizações e documentários
Documentários
"Operação Thunderbolt: Entebbe", um documentário sobre o sequestro e a subsequente missão de resgate.
"Rise and Fall of Idi Amin", (1980), um filme biográfico do ditador de Uganda apresenta brevemente o ataque, com uma representação incomum de Amin exibindo covardia ao saber disso.
"Rescue at Entebbe", Episódio 12 da série documental de 2005, 'Against All Odds: Israel Survives de Michael Greenspan'.
"Cohen on the Bridge", (2010), documentário do diretor Andrew Wainrib, que teve acesso aos comandos e reféns sobreviventes.
"Live or Die in Entebbe", (2012), do diretor Eyal Boers, segue a jornada de Yonatan Khayat para descobrir as circunstâncias da morte de seu tio Jean-Jacques Maimoni no ataque.
"Assault on Entebbe", um episódio do documentário 'Critical Situation' do National Geographic Channel.
"Operação Thunderbolt", o quinto episódio da série de documentários de 2012 do Military Channel, Black Ops.
Dramatizações
"Victory at Entebbe", (1976): com Anthony Hopkins , Burt Lancaster , Elizabeth Taylor e Richard Dreyfuss , Diretor: Marvin J. Chomsky.
"Raid on Entebbe", (1977): com Peter Finch , Horst Buchholz , Charles Bronson , John Saxon , Yaphet Kotto e James Woods, Diretor: Irvin Kershner, Produtor: Edgar J. Scherick.
"Operação Thunderbolt", (1977): com Yehoram Gaon interpretou o coronel Netanyahu, Sybil Danning e Klaus Kinski interpretaram os sequestradores. Direção: Menahem Golan.
"O Último Rei da Escócia", (2006): O ataque ocorre como um episódio de uma história mais longa sobre Idi Amin.
"Entebbe", (2018): Diretor: José Padilha.
Filmes inspirados na Operação Entebbe
"The Delta Force", (1986), que apresentou uma operação de resgate de reféns inspirada na Operação Entebbe.
"Zameen", (2003): é um filme de Bollywood estrelado por Ajay Devgan e Abhishek Bachchan, que traçam um plano para resgatar reféns de um avião indiano sequestrado por militantes paquistaneses com base na Operação Entebbe.
Outras mídias
"Operação Thunderbolt", um jogo de arcade de 1988, vagamente baseado na Operação Entebbe, mas usando um local fictício.
"To Pay the Price", uma peça de 2009 de Peter-Adrian Cohen baseada em parte nas cartas de Yonatan Netanyahu. A peça, produzida pelo Theatre Or da Carolina do Norte, estreou fora da Broadway em Nova York em junho de 2009 durante o Festival de Teatro Judaico e Ideias.
Em 5 de julho de 1984, um Airbus A300, da Indian Airlines, realizava o voo 405, um voo doméstico do aeroporto de Srinagar para o aeroporto de Delhi-Palam, ambos na Índia, com 254 passageiros e 10 tripulantes a bordo.
Nove sequestradores sikhs armados com revólveres, adagas e uma bomba falsa tomaram o avião de assalto aos gritos, exigindo que fosse desviado para o aeroporto de Lahore, no Paquistão.
Um A300 da Indian Airlines, semelhante à aeronave envolvida no sequestro
Os passageiros da frente confundiram os gritos com uma briga, mas todas as dúvidas desapareceram quando a aeromoça Kuldip Gujral correu em direção à cabine seguida por quatro homens armados com pistolas e facas.
Dentro da cabine, o capitão CSP Singh, o comandante do voo, ordenou que as portas fossem trancadas. Os sequestradores então agarraram o comissário de bordo VK Mehta e exigiram que ele abrisse a porta. Quando ele não conseguiu destrancar a porta, ele foi esfaqueado e brutalmente empurrado para o lado.
Enquanto isso, na cabine, o engenheiro de voo PN Mahajan colocou seu peso contra a porta para dar ao capitão Singh tempo de transmitir pelo rádio a notícia do sequestro.
Frustrados em suas tentativas de controlar a cabine, os sequestradores dispararam três tiros contra a porta. Um passou pela porta e atingiu Mahajan no quadril. Os outros dois, felizmente, se enfiaram na porta.
Com o tiroteio, a cabine foi aberta rapidamente e os sequestradores a invadiram enquanto outros cinco ocupavam posições vantajosas na parte traseira e no meio da aeronave.
Às 17h07 foi emitido o alerta completo, informando que a aeronave estava sob o controle dos sequestradores e que atualmente se dirigia para Lahore, no Paquistão.
Os 10 minutos seguintes foram os piores do pesadelo que se seguiu, quando os sequestradores invadiram a aeronave aterrorizando os passageiros, especialmente dois oficiais do exército uniformizados. O Brigadeiro Malhotra teve suas dragonas arrancadas e foi repetidamente acusado de ter participado do assalto ao Templo Dourado.
A essa altura, não havia dúvida de que os sequestradores eram terroristas sikhs. Os passageiros receberam ordens de entoar slogans pró-Bhindranwale e recitar o gurbani e também gritar insultos contra a Sra. Gandhi.
No terreno, o drama foi igualmente tenso. O aeroporto de Lahore recusou a permissão do avião para pousar e o Airbus foi forçado a circundar o aeroporto uma dúzia de vezes. Finalmente, com o combustível perigosamente baixo, a permissão foi dada. A vista das janelas dos passageiros no patamar não era nada reconfortante.
Canos de armas ameaçadores foram apontados para a aeronave e comandos assumiram posições nos arbustos ao redor da pista. Em resposta, os sequestradores adquiriram armas adicionais na forma de dois machados de fogo e um pino de segurança do trem de pouso de dois pés e meio. Na verdade, os nove sequestradores tinham entre si apenas uma pistola .22, uma arma de brinquedo e kirpans.
Os sequestradores listaram suas demandas logo após o pouso da aeronave em Lahore às 17h50 - involuntariamente, no processo, dando aos ansiosos funcionários dos dois governos a primeira pista de sua identidade.
Além da libertação de prisioneiros (todos sikhs presos durante a Operação Blue Star), um resgate de $ 25 milhões, e a retirada imediata do exército do Templo Dourado.
O prazo estipulado era para as 2h. Às 3h, uma hora após o término do prazo, o líder dos sequestradores, que se autodenominava "Hasan Maullah" (Mestre de todos) voltou a falar com a torre de controle e exigiu que o avião fosse reabastecido, a bagagem descarregada, luzes instaladas ao redor da aeronave e seis terroristas sikhs na prisão, incluindo Harminder Singh Sandhu, secretário-geral da proibida Federação de Estudantes Sikh da Índia, fossem libertados. As autoridades paquistanesas se recusaram a concordar, como mostra a seguinte transcrição da conversa entre a torre de controle e os sequestradores:
Torre Lahore: Onde você quer ir?
Sequestradores: Nós decidiremos para onde queremos ir.
Torre: Por que você não sai e toma um pouco de ar fresco? Podemos trazer-lhe comida. Permita que os passageiros saiam por algum tempo.
Sequestradores: Não queremos comida. No Templo Dourado, os sikhs ficaram três dias sem comer. O que importa se os passageiros ficam sem comida? E quanto ao nosso pedido de combustível?
Torre: Cisterna e escada para bagagem a caminho. Estarei com você em 15 minutos.
(Meia hora depois) Sequestradores: E quanto ao nosso pedido?
Torre: Tanker e escada em posição. O petroleiro também se conectou, mas não pode atender ao pedido até que os passageiros também sejam liberados.
Sequestradores: Não é possível.
Torre: Não haverá combustível a menos que você libere alguns passageiros. Digamos 25 passageiros para uma tonelada de combustível. (A exigência era de 25 toneladas) (após consultas) Sequestradores: De acordo.
Torre: A liberação deve estar nesta ordem. Primeiro as senhoras e crianças e cidadãos indianos. Mais tarde, o resto. Sequestradores: Concordo. Enquanto isso, o desconforto dos passageiros, entre os quais quatro jornalistas, aumentava.
Embora o gerador auxiliar tivesse sido ligado, eles estavam se sentindo desconfortáveis agora, tendo sido ordenados pelos sequestradores a não mover seus membros ou falar um com o outro. Eles também não receberam comida ou água. "Acho que ninguém dormiu a noite toda", diz Mukund Patel, 22, morador dos EUA de férias na Índia. Para aumentar o desconforto, havia o choro dos 15 bebês e algumas das mulheres a bordo da aeronave, o fedor insuportável dos banheiros entupidos e o ar viciado da aeronave.
Dois passageiros desmaiaram de calor e exaustão e foram retirados da aeronave para tratamento. Outro passageiro sikh também desmaiou devido a um pequeno ataque cardíaco, mas descobriu-se que ele era um dos sequestradores.
Os sequestradores repetiram novamente sua demanda por combustível, mas a torre de controle insistiu que mais quatro passageiros fossem liberados antes que qualquer combustível fosse fornecido. Após mais consultas entre os sequestradores restantes, foi feito um pedido para falar com um oficial paquistanês.
Dez minutos depois, um oficial paquistanês apareceu em uma van e estacionou a cerca de 100 metros da aeronave. O dirigente saiu para falar com ele e 20 minutos depois, quando ainda não tinha regressado, os restantes terroristas entraram em pânico. Dois deles entraram em contato com a torre exigindo saber onde estava seu líder. “Se você não nos contar, mataremos os passageiros e jogaremos seus corpos um a um e explodiremos o avião”, ameaçaram. O líder do sequestro, entretanto, voltou ao avião, consultou seus colegas e saiu novamente.
Quando ele voltou pela segunda vez, os sequestradores passaram por uma mudança radical. Após os primeiros 10 minutos do sequestro, eles se acalmaram e até conversaram com os passageiros, distribuindo cerejas. Mas agora, eles estavam de péssimo humor.
As fitas dos discursos de Bhindranwale foram reproduzidas no sistema de alto-falantes e os sequestradores ordenaram aos passageiros que "se preparassem para a morte". Um dos sequestradores então apresentou um objeto redondo enrolado em uma toalha que ele alegou ser uma bomba. (Mais tarde descobriu-se que era um rolo de papel higiênico).
Então veio o anticlímax. Sem apresentar motivos, os sequestradores anunciaram que estavam libertando todos os passageiros "por motivos humanitários". Mesmo na distante Delhi, membros da força-tarefa que monitora o drama com a ajuda de uma aeronave sobrevoando o aeroporto de Amritsar ficaram totalmente perplexos com a repentina reviravolta e a rendição mansa dos sequestradores.
Embora o governo indiano tenha expressado sua gratidão ao governo do Paquistão por lidar com a situação em público, altos funcionários indianos reclamam em particular sobre alguns aspectos de como lidou com o drama em Lahore.
Os três oficiais indianos que chegaram ao aeroporto de Lahore - o embaixador indiano KD Sharma, que voou de Islamabad, o capitão Bhasin, diretor de segurança aérea, e um oficial sênior da Research & Analysis Wing (RAW) que veio de helicóptero de Amritsar - foram isolados do negociações. Eles não foram permitidos perto da aeronave, mas foram mantidos em uma sala separada e receberam relatórios de meia em meia hora.
As declarações dos passageiros também são altamente contraditórias, tanto sobre o tratamento dispensado a eles pelos sequestradores quanto em suas versões sobre as negociações com as autoridades paquistanesas. Mas dois passageiros sugerem que algum tipo de acordo foi feito com os sequestradores.
Swraj Kaushal, um defensor de Nova Delhi, diz que "os sequestradores foram recebidos por um alto oficial da polícia paquistanesa que apertou a mão deles quando eles desceram da aeronave". Outro passageiro, Parash Jain, diz que "quando eles (os sequestradores) desceram do avião, pareciam muito satisfeitos consigo mesmos".
Imagens raras mostrando passageiros sendo libertados depois que Sikhs sequestraram a companhia aérea para protestar contra a Operação Bluestar. Várias testemunhas oculares também são vistas sendo entrevistadas sobre o sequestro.
Mas o que exatamente foi o acordo presumivelmente fechado nesta fase, só pode ser imaginado. A mais lógica é que os sequestradores receberam asilo político (há cinco sequestradores sikh anteriores ainda no Paquistão).
Isso também corroboraria o sentimento geral nos círculos de inteligência indianos de que os sequestradores eram principalmente amadores, a julgar por sua rendição repentina e pelo fato de que obviamente não tinham um destino fixo em mente quando exigiam combustível.
Dois mistérios se destacam desse episódio ainda confuso. A primeira é como os sequestradores conseguiram contrabandear armas a bordo do avião. Sabe-se que seis deles compraram suas passagens no aeroporto, enquanto dois compraram em Delhi e um em Srinagar. A segurança de Srinagar é considerada mais rígida do que em outros aeroportos e era ainda mais no momento do sequestro, pois um alerta vermelho foi emitido após a ação de Punjab.
No entanto, um relatório preliminar secreto sobre a segurança do aeroporto do secretário-chefe adicional RK Takkar mostra uma quantidade incomum de frouxidão nos bastidores. Por exemplo, cerca de 300 pessoas estão autorizadas a entrar nas áreas operacionais do aeroporto e parece não haver um sistema de habilitação de segurança adequado antes da emissão desses passes.
Takkar também sentiu que havia espaço para melhorias na busca de bagagem pessoal e que a força policial no aeroporto está substancialmente abaixo do efetivo sancionado. Curiosamente, dos 99 policiais em serviço de segurança, apenas 51 estavam de plantão no dia do sequestro, dos quais 36 foram interrogados e 12, finalmente, suspensos. Além disso, a investigação foi entregue a agências centrais.
Desconsiderando as possibilidades de as armas escaparem das buscas de segurança, Takkar conclui: "A possibilidade que vem facilmente à mente é que as armas e munições sejam discretamente contrabandeadas para a aeronave por algum membro do grande governo e pessoal das companhias aéreas de plantão que foi fornecidos com passes de entrada para as áreas proibidas e, com respeito aos funcionários da Indian Airlines, também dentro da aeronave."
Embora isso ainda precise ser provado - e provavelmente não será, a menos que as autoridades paquistanesas tenham interrogado os sequestradores minuciosamente, também há um mistério contínuo sobre a identidade da maioria dos sequestradores. Apenas alguns deles são conhecidos.
Seu líder, Parminder Singh, é um estudante do primeiro ano na Universidade de Chandigarh. Ele deixou sua casa após a ação do exército no Templo Dourado e vive em Srinagar desde então. Outro sequestrador, Manjit Singh, foi identificado como um policial em Chandigarh encarregado da segurança VIP. Ravinder Singh é filho de um funcionário do governo aposentado em Srinagar, enquanto os demais são residentes de Jammu.
As autoridades paquistanesas divulgaram os nomes de oito sequestradores, seis dos quais coincidem com os nomes que deram na lista de passageiros. Oficiais de inteligência em Delhi até agora não conseguiram identificar nenhum dos sequestradores por meio de suas fotos, o que indicaria que eles não são terroristas conhecidos.
O Paquistão deixou claro que não tem intenção de entregar os sequestradores à Índia, o que significa que o sequestro do IC 405 permanecerá um mistério bizarro até que novas evidências surjam.
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Um Boeing 747 com as vidas de 329 pessoas a bordo desapareceu dos radares na manhã de 23 de junho de 1985. O enorme avião caiu no Oceano Atlântico a cerca de 193 quilômetros da costa da Irlanda. Não houve sobreviventes. A história do voo 182 da Air India envolve muitas partes móveis; a perda deste avião foi apenas parte de uma trama maior. Este foi um ato de terrorismo, um bombardeio, que, na verdade, pretendia matar muito mais pessoas. Neste vídeo, construiremos uma linha do tempo deste ato terrorista. Juntaremos as peças e descobriremos como a bomba chegou a bordo, quem eram os perpetradores e veremos se conseguimos estabelecer um motivo. Este é o voo 182 da Air India.
O voo 182 da Air India foi um voo da Air India operando na rota Montreal (Canadá), Londres (Inglaterra) e Delhi (Índia). Em 23 de junho de 1985, foi operado usando o Boeing 747-237B, prefixo VT-EFO, da Air India. Ele se desintegrou no ar na rota de Montreal a Londres, a uma altitude de 31.000 pés (9.400 m) sobre o Oceano Atlântico, como resultado da explosão de uma bomba plantada por militantes Sikhs canadenses conhecidos comumente como Khalistanis.
Os restos do avião caíram no oceano aproximadamente 120 milhas (190 km) a oeste-sudoeste da ponta sudoeste da Irlanda, matando todos a bordo: 329 pessoas, incluindo 268 cidadãos canadenses, 27 cidadãos britânicos e 24 cidadãos indianos.
O Boeing 747 VT-EFO, a aeronave envolvida, vista em 1984
O bombardeio do voo 182 da Air India é a maior matança em massa na história do Canadá, o incidente de aviação mais mortal da história da Air India e foi o ato mais mortal de terrorismo de aviação até os ataques de 11 de setembro de 2001. O grupo terrorista Babbar Khalsa foi implicado nos atentados.
O bombardeio deste voo coincidiu com o bombardeio do Aeroporto de Narita, em Tóquio, no Japão (relato na postagem anterior). Os investigadores acreditam que as duas conspirações estão ligadas e que os responsáveis pretendem um duplo bombardeio de aeronaves. No entanto, a bomba em Narita explodiu antes de ser carregada no avião devido aos perpetradores não levarem em conta que o Japão não observa o horário de verão.
Embora um punhado de membros foram presos e julgados pelo bombardeio Air India, a única pessoa condenada foi Inderjit Singh Reyat, uma dupla britânica - Canadian nacional e um membro da ISYF, que se declarou culpado em 2003 para homicídio culposo. Ele foi condenado a quinze anos de prisão por montar as bombas que explodiram a bordo do voo 182 da Air India e em Narita.
A investigação e o processo subsequentes duraram quase vinte anos. Este foi o teste mais caro da história canadense, custando quase 130 milhões de dólares canadenses. O governador-geral-em-Conselho, em 2006, nomeou o ex- Supremo Tribunal Justiça John C. major para conduzir uma comissão de inquérito. Seu relatório, que foi concluído e divulgado em 17 de junho de 2010, concluiu que uma "série de erros em cascata" por parte do Governo do Canadá, da Real Polícia Montada do Canadá (RCMP) e do Serviço de Inteligência de Segurança Canadense (CSIS) havia permitido que o terrorista ataque ocorrer.
Plano de fundo
Durante a década de 1970, muitos sikhs emigraram para o oeste do Canadá em busca de melhores oportunidades econômicas. Entre eles estavam homens que se tornaram líderes e membros do Babbar Khalsa, como Talwinder Singh Parmar, Ajaib Singh Bagri, Ripudaman Singh Malik e Inderjit Singh Reyat. Na década de 1980, a área ao redor de Vancouver, British Columbia, havia se tornado o maior centro da população Sikh fora da Índia.
Em 13 de abril de 1978, o festival de Vaisakhi na Índia, o dia para comemorar o nascimento de Khalsa, uma pacífica convenção de Sant Nirankari encabeçada por seu líder Gurbachan Singh foi organizada em Amritsar com permissão do governo do estado de Akali Dal. As práticas da seita "Sant Nirankaris" de Nirankaris foram consideradas heresia pelo Sikhismo ortodoxo exposto por Bhindranwale.
Nas instalações do Templo Dourado, Bhindranwale fez um sermão irado no qual ele declarou que não permitiria esta convenção e iria lá e os cortaria em pedaços. Uma procissão de cerca de 200 sikhs liderada por Bhindranwale e Fauja Singh do Akhand Kirtani Jatha deixou o Templo Dourado em direção à Convenção de Nirankari. Fauja tentou decapitar o chefe Nirankari Gurbachan Singh com sua espada, mas foi morto a tiros pelo guarda-costas de Gurbachan, enquanto Bhindranwale escapou. Na violência que se seguiu, várias pessoas foram mortas: dois dos seguidores de Bhindranwale, onze membros do Akhand Kirtani Jatha e três Nirankaris.
Um processo criminal foi aberto contra 62 Nirankaris acusados do assassinato de 13 Sikhs pelo governo liderado por Akali em Punjab. O caso foi ouvido no estado vizinho de Haryana e todos os acusados foram absolvidos, com base no fato de terem agido em legítima defesa. O governo de Punjab decidiu não apelar da decisão.
O caso de Nirankaris recebeu amplo apoio na mídia e os Sikhs ortodoxos alegaram que isso era uma conspiração para difamar a religião Sikh. Bhindranwale aumentou sua retórica contra os inimigos percebidos dos Sikhs. Uma carta de autorização foi emitida por Akal Takhtcondenar os Sant Nirankaris ao ostracismo.
Um sentimento foi criado para justificar as execuções extrajudiciais de supostos inimigos do Sikhismo. Os principais proponentes desta atitude foram o Babbar Khalsa fundado pela viúva, Bibi Amarjit Kaur do Akhand Kirtani Jatha; o Damdami Taksal liderado por Jarnail Singh Bhindranwale, que também estivera em Amritsar no dia do ultraje; o Dal Khalsa, formado com o objetivo de exigir um estado Sikh soberano; e a All India Sikh Students Federation, que foi proibida pelo governo.
Os fundadores deste grupo Panthic em Vancouver juraram vingar as mortes de Sikhs. Talwinder Singh Parmar liderou a ala militante do AKJ, que se tornou o Babbar Khalsa, para atacar os Nirankaris. Em 24 de abril de 1980, Gurbachan Singh, o Baba (chefe) dos Nirankaris, foi morto. Um membro do Akhand Kirtani Jatha, Ranjit Singh, se rendeu e admitiu o assassinato três anos depois, e foi condenado a servir treze anos na Cadeia de Tihar em Delhi.
Em 19 de novembro de 1981, Parmar estava entre os terroristas que escaparam de um tiroteio no qual dois policiais de Punjab foram mortos a tiros em frente à casa de Amarjit Singh Nihang, no distrito de Ludhiana. Isso aumentou a notoriedade de Babbar Khalsa e seu líder. Ele foi para o Canadá.
Em 1982, a Índia emitiu um mandado de prisão de Parmar por seis acusações de assassinato, decorrentes da morte de policiais. A Índia notificou o Canadá que Parmar era um terrorista procurado em 1981 e pediu sua extradição em 1982. O Canadá negou o pedido em julho de 1982.
Após um alerta da Interpol, Parmar foi preso enquanto tentava entrar na Alemanha. A Alemanha optou por lidar com o caso localmente, em vez de transferi-lo para a Índia. Parmar fez greve de fome para conquistar seu direito religioso de usar turbante e fazer refeições vegetarianas na prisão de Düsseldorf.
Depois que a Índia recebeu informações de que Parmar havia feito ameaças de assassinato contra Indira Gandhi, eles descobriram que a Alemanha havia decidido que as evidências eram fracas. Eles expulsaram Parmar e o soltaram no Canadá em junho de 1984, depois de quase um ano na prisão. Coincidentemente, foi no mesmo mês que o primeiro-ministro do Canadá, Pierre Trudeau, renunciou mais cedo, encerrando seu mandato de 15 anos como primeiro-ministro.
Em 1983, terroristas liderados por Damdami Taksal Jathedar Jarnail Singh Bhindranwale ocuparam Akal Takht do Templo Dourado e acumularam armas no templo Sikh. Os terroristas exigiam mais poderes ao Estado do governo central e autonomia por meio de mudanças na constituição indiana. Ou então eles exigiram a criação de um estado Sikh, a ser chamado de Khalistan.
Nos eventos violentos desde o início de Akali Dharm Yudh Morcha, os militantes mataram 165 hindus e nirankaris e até 39 sikhs que se opunham a Bhindranwale. O número total de mortes foi de 410 em incidentes violentos e tumultos, enquanto 1.180 pessoas ficaram feridas.
O governo central rejeitou as demandas separatistas e em 3-6 de junho de 1984, a primeira-ministra da Índia Indira Gandhi ordenou a Operação Blue Star, para remover os militantes do Templo Dourado. Sikhs protestaram contra a operação em todo o mundo. Em 31 de outubro de 1984, Indira Gandhi foi assassinada por dois de seus guarda-costas sikhs. Em retaliação, os distúrbios anti-Sikh de 1984, guiados por certo Congresso Nacional Indianomembros, matou milhares de sikhs na Índia.
Preparação
Parmar visitou Inderjit Singh Reyat, um mecânico de automóveis e eletricista que morava em Duncan, British Columbia, uma pequena comunidade ao norte de Victoria, na Ilha de Vancouver. Ele pediu-lhe para construir uma bomba; Reyat mais tarde afirmou que não tinha ideia de como seria usado. Reyat perguntou a várias pessoas da comunidade sobre dinamite, dizendo que queria remover tocos de árvores de sua propriedade. Reyat também discutiu explosivos com um colega de trabalho, enquanto expressava raiva do governo indiano e de Indira Gandhi em particular.
Mais tarde naquele ano, Ajaib Singh Bagri acompanhou Parmar como seu braço direito na militância contra o governo indiano. Bagri trabalhava como motorista de empilhadeira em uma serraria perto da cidade de Kamloops. Ele era conhecido como um pregador poderoso na comunidade indo-canadense.
A dupla viajou pelo Canadá para incitar os sikhs contra o governo indiano por conduzir a Operação Blue Star. Eles usaram as reuniões como arrecadação de fundos para Babbar Khalsa. Um ex-sacerdote chefe em Hamilton testemunhou que Bagri disse: "O governo indiano é nosso inimigo, da mesma forma que a sociedade hindu é nossa inimiga." Bagri disse a uma congregação: "Prepare suas armas para que possamos nos vingar do governo indiano".
Em 28 de julho de 1984, a convenção de fundação da Organização Sikh Mundial (WSO) foi realizada no Madison Square Garden na cidade de Nova York. A constituição do WSO estava comprometida com a diplomacia e a não violência, e dizia que a organização "lutaria por uma pátria sikh independente por meios pacíficos". Embora Parmar tenha sido bloqueado na fronteira (ele foi colocado sob vigilância de 24 horas), Bagri fez um discurso de uma hora na convenção.
Ele disse: "até matarmos 50.000 hindus, não descansaremos", diante de uma multidão de 4.000 pessoas; esta declaração foi citada contra ele em seu julgamento posterior. Bagri defendeu os sequestradores que forçaram o "odiado" governo indiano a negociar com a liderança sikh e criticou a não violência de Gandhi. “Devemos morrer no campo de batalha, lutando, nos sacrificando. Morrer tal morte, que é a missão do Khalsa, é a nossa religião”.
Rebeldes militantes da Caxemira e afegãos também foram convidados para o comício. Um mujahid afegão disse: "Vamos reunir todos os movimentos contra a Índia porque a Índia se alia à União Soviética." (No momento, estava em andamento, e muitos mujahideen estrangeiros tinham ido ao Afeganistão para ajudar os muçulmanos).
Um tradutor profissional testemunhou mais tarde como testemunha que o discurso de Bagri em Punjabi havia sido distorcido por observadores que não conseguiram entender "seu contexto dentro da história e literatura Sikh"; ele negou que Bagri tenha instado os sikhs a se vingarem de todos os hindus. Ele admitiu que Bagri estava tentando "inflamar paixões e despertar o orgulho nacional".
O enredo das preparações
No final de 1984, pelo menos dois informantes relataram às autoridades a primeira conspiração abortada para bombardear o voo 182 da Air India, que então voou do Aeroporto Internacional Mirabel de Montreal.
Em agosto de 1984, o conhecido criminoso Gerry Boudreault alegou que Talwinder Parmar lhe mostrou uma mala cheia com $ 200.000 de pagamento se ele plantasse uma bomba em um avião. Ele decidiu: "Eu tinha feito algumas coisas ruins no meu tempo, cumprido meu tempo na prisão, mas colocar uma bomba em um avião... eu não. Eu fui à polícia."
Em setembro, em uma tentativa de reduzir sua sentença por roubo e fraude, Harmail Singh Grewal, de Vancouver, disse ao Serviço de Inteligência de Segurança Canadense (CSIS) e à Polícia Montada Real Canadense(RCMP) da conspiração para bombardear o voo de Montreal. Ambos os relatórios foram descartados como não confiáveis.
O moderado sikh Ujjal Dosanjh se manifestou contra a violência de extremistas sikhs. Ele foi atacado em fevereiro de 1985 por um agressor empunhando uma barra de ferro. Seu crânio foi quebrado e ele precisou de 80 pontos na cabeça. Em 5 de março de 1985, três meses antes do atentado, o CSIS obteve uma ordem judicial para colocar Parmar sob vigilância por um ano.
Embora o Babbar Khalsa ainda não tenha sido oficialmente banido, a declaração de vigilância afirmava que "é um grupo terrorista Sikh agora estabelecido no Canadá", "assumiu a responsabilidade por mais de quarenta assassinatos de sikhs moderados e outras pessoas no Punjab, "e" escreveu seu nome em cartas ameaçadoras [dirigidas a] ...altos funcionários da Índia". A declaração dizia que em 15 de julho de 1984, Parmar instou a congregação do Coach Temple de Calgary, Alberta , a "se unir, lutar e matar" para vingar o ataque ao Templo Dourado.
Explosivos e relógios
Em abril de 1985, um canadense familiarizado com explosões foi questionado por Reyat quanta dinamite seria necessária para explodir um toco de árvore. Reyat perguntou a várias pessoas em Duncan sobre explosivos e expressou a necessidade de vingança. Reyat procurou caixas de dinamite e parecia disposto a pagar três vezes o preço normal. Ele acabou confidenciando a um conhecido que não se tratava de tocos, mas de "problemas no velho país", que precisava de "explosivos para ajudar meus compatriotas". Um amigo recusou-se a dar-lhe dinamite, mas emprestou-lhe um manual de 400 páginas sobre mineração com explosivos.
Em 8 de maio de 1985, Reyat comprou um relógio digital de automóvel Micronta na loja RadioShack em Duncan. Projetado para um sistema elétrico automotivo de 12 volts, também pode ser alimentado por uma bateria de lanterna de 12 volts. O alarme 24 horas ativou uma campainha. Reyat voltou à loja uma semana depois para comprar um relé elétrico, depois de perguntar como obter o sinal da campainha para alimentar outro dispositivo.
Os grampos telefônicos gravaram nove ligações em um mês entre Reyat e a residência de Parmar em Vancouver; Reyat ligou de sua residência ou local de trabalho na Ilha de Vancouver. Como resultado dessa atividade, o governo acrescentou Reyat à lista de pessoas monitoradas por atividades terroristas.
Mais tarde, o governo canadense acusaria Reyat de mentir em 2003, quando a princípio disse não saber para que serviam os três relógios que comprara. Mais tarde, ele disse que Parmar precisava de um dispositivo explosivo para explodir uma ponte ou algo grande na Índia, e que precisava de temporizadores para um dispositivo explosivo. O relé poderia ser usado para acionar o circuito do detonador para uma cápsula de detonação, que forneceria o choque inicial necessário para detonar explosivos maiores, como a dinamite.
Reyat mais tarde visitou uma oficina de televisão, procurando ajuda para um relógio de carro parcialmente desmontado conectado a uma bateria de lanterna. Ele alegou que precisava de ajuda para que a campainha ficasse ligada em vez de apitar intermitentemente, para que acendesse uma luz em seu trailer para acordá-lo. O reparador sabia que seu amigo não tinha um trailer. O juiz J. Raymond Paris disse no julgamento de Reyat de 1991 que este era um uso estranho para um cronômetro.
Teste das bombas
Em meados de maio, Reyat foi para a floresta para testar um dispositivo com uma bateria de 12 volts, cilindro de papelão, pólvora e um pouco de dinamite, mas o dispositivo não funcionou. A área arborizada ficava próxima a Duncan e Paldi. Mais tarde, Reyat adquiridos entre seis e oito bananas de dinamite "explodir tocos não identificados se necessário no futuro" de um Duncan bem perfurador depois de visitar sua casa para consertar um caminhão.
Ele também obteve alguns detonadores dias depois. Em 31 de maio de 1985, Reyat trouxe seu cronômetro, preso a um boombox, em sua oficina para que seu colega de trabalho na Duncan Auto Marine Electric pudesse ajudá-lo a consertá-lo para um amigo, mas ele devolveu o rádio depois que não funcionou corretamente.
Em 4 de junho, os agentes do CSIS Larry Lowe e Lynn Macadams seguiram Parmar e um "homem jovem" (identificado apenas como "Sr. X", "Terceiro Homem" ou "Homem Desconhecido") enquanto iam da casa de Parmar para o Horseshoe Bay Ferry Terminal, pegou a balsa com destino a Nanaimo e visitou Reyat em sua casa e loja na Auto Marine Electric.
Os três dirigiram até uma área de mata deserta, onde Reyat foi visto levando um objeto para a floresta. Ficando fora de vista, os agentes, que não trouxeram câmera, ouviram apenas um estrondo que soou como um "tiro alto". Testes posteriores mostraram que também poderia ter sido uma explosão, e buscas posteriores revelaram restos de uma "capa elétrica de detonação" de alumínio.JS Warren, diretor-geral de contraterrorismo do CSIS, perguntaria mais tarde em 16 de julho de 1986 por que eles não pediram à polícia para parar e interrogar os suspeitos, ou revistar o veículo, o que poderia ter impedido o plano de bombardeio.
No dia seguinte, Reyat comprou um grande sintonizador de componente Sanyo, modelo FMT 611 K, na Woolworths, e deixou seu nome e número de telefone na nota de cobrança, que mais tarde foi encontrada em uma busca em sua casa. Reyat também comprou pólvora sem fumaça de uma loja de artigos esportivos, assinando "I. Reyat" no registro de explosivos.
O estudo dos destroços da explosão de Narita acabaria por mostrar que a bomba tinha sido alojada dentro de um sintonizador Sanyo com um número de série correspondente a um modelo vendido apenas na Colúmbia Britânica e usava um relógio Micronta como um temporizador, que alimentava um relé com uma bateria Eveready de 12 volts para disparar detonadores para detonar um alto explosivo consistente com bananas de dinamite, todos os itens correspondentes comprados por Reyat. Isso levaria à sua eventual condenação.
No final de 2010, Reyat admitiu apenas comprar e montar algumas peças, mas negou que tenha feito uma bomba, soubesse para que a bomba seria usada, quem estava por trás de qualquer conspiração, ou que ele alguma vez perguntou ou conheceu o nome do homem que ele disse ter ficado em sua casa por uma semana completando a construção do dispositivo explosivo depois que seu dispositivo falhou.
Em 9 de junho de 1985, um informante da polícia em Hamilton relatou que Parmar e Bagri haviam visitado o Templo Malton Sikh, alertando os fiéis de que "não seria seguro" voar pela Air India. A polícia de Vancouver também monitorou militantes 11 dias antes do bombardeio. Um líder da Federação Internacional da Juventude Sikh reclamou que nenhum cônsul ou embaixador indiano havia sido morto, mas a resposta foi: "Você verá. Algo será feito em duas semanas".
Passagens aéreas
Os suspeitos do atentado usaram telefones públicos e falaram em código. As notas dos tradutores de conversas grampeadas incluem a seguinte troca entre Talwinder Parmar e um seguidor chamado Hardial Singh Johal em 20 de junho de 1985, o dia em que as passagens foram compradas:
Parmar: Você escreveu a história?
Johal: Não, não escrevi.
Parmar: Faça esse trabalho primeiro.
Esta conversa parece ser um pedido da Parmar para reservar as passagens aéreas. Acredita-se que "escrever a história" se referia à compra dos ingressos; depois, Johal ligou de volta para Parmar e perguntou se ele poderia "vir e ler a história que ele pediu", com o que Parmar concordou.
Momentos depois da conversa, às 01h00 UTC , um homem que se autodenomina "Mr. Singh" fez reservas para dois voos em 22 de junho: um para "Jaswant Singh" para voar de Vancouver a Toronto pela Canadian Pacific Air Lines (CP) Voo 086 e um para "Mohinderbel Singh" para voar de Vancouver a Tóquio no voo 003 da Canadian Pacific Air Lines e conectar-se ao voo 301 da Air India para Bangkok.
Às 02h20 UTC do mesmo dia, outra ligação alterou a reserva em nome de "Jaswant Singh" de CP 086 para CP 060, também voando de Vancouver a Toronto. O autor da chamada solicitou ainda para ser colocado na lista de espera para AI 181 de Toronto a Montreal e AI 182 de Montreal a Bombaim.
No dia seguinte, às 19h10 UTC, um homem de turbante pagou as duas passagens com $ 3.005 em dinheiro em uma bilheteria da CP em Vancouver. Os nomes nas reservas foram alterados: "Jaswant Singh" passou a ser "M. Singh" e "Mohinderbel Singh" passou a ser "L. Singh". A reserva e a compra dessas passagens em conjunto seriam usadas como prova para vincular os dois voos a um lote.
Um número de telefone deixado como contato foi o templo Ross Street Sikh de Vancouver. O outro número se tornou uma das primeiras pistas rastreadas pelos investigadores, e foi rastreado até Hardial Singh Johal, um zelador de uma escola de ensino médio em Vancouver.
Johal era um seguidor ávido de Talwinder Singh Parmar e, portanto, foi examinado de perto na investigação após o bombardeio da Air India. Ele teria armazenado as malas com explosivos no porão de uma escola de Vancouver e comprado as passagens para os voos em que as bombas foram colocadas.
Mandip Singh Grewal contou como viu e reconheceu Johal como o zelador de sua escola quando se despediu de seu pai, uma das vítimas do voo 182, no aeroporto no dia do atentado.
Reyat começou a trabalhar em 21 de junho. Registros telefônicos mostram que ele ligou para Johal às 19h17. Uma testemunha cujo nome foi protegido testemunhou que Bagri pediu seu carro emprestado na noite anterior ao bombardeio para levar algumas malas para o aeroporto, embora ele não estivesse voando com eles.
O ataque a bomba
Em 22 de junho de 1985, às 13h30 UTC (6h30 PDT), um homem que se autodenominava "Manjit Singh" (fez check-in como M. Singh) ligou para confirmar suas reservas no voo 181/182 da Air India. Ele foi informado de que ainda estava na lista de espera e foi-lhe oferecido arranjos alternativos, que ele recusou.
Às 15h50 UTC (8:50 am), M. Singh registrou-se em uma linha ocupada de 30 pessoas para o voo da CP de Vancouver a Toronto, que estava programado para sair às 9h18. Ele pediu a agente Jeannie Adams para checar seu mala Samsonite marrom-escura com as laterais duras, e transfira-la para o voo 181 da Air India e depois para o voo 182 para a Índia.
A agente inicialmente recusou seu pedido de interligar a bagagem desde seu assento de Toronto a Montreal e de Montreal a Bombaimnão foi confirmado. Ele insistiu, mas a agente o rejeitou novamente, dizendo-lhe: "Sua passagem não indica que você está confirmado" e "não devemos despachar sua bagagem".
O homem disse: "Espere, vou buscar meu irmão para você". Quando ele começou a se afastar, ela cedeu e concordou em aceitar a bolsa, mas disse que ele teria que se registrar novamente com a Air India em Toronto. Após a queda, Adams perceberia que esse engano levou a mala a caminho do voo 182. O homem ansioso nunca foi identificado.
Às 16h18 UTC (09h18), o voo 60 da Canadian Pacific Air Lines para o Aeroporto Internacional Pearson de Toronto partiu sem Singh.
Reyat testemunharia mais tarde que ele viajou de balsa de Duncan para Vancouver naquela manhã para trabalhar no caminhão de seu irmão. Registros telefônicos mostram que alguém ligou de sua residência em Duncan para o número de Johal às 10h50 e às 16h00 mais tarde naquele dia. Reyat foi visto na companhia de outro índio oriental na loja Auto Marine Electric em Burnaby, perto da casa de Parmar, entre 10h00 e 11h30.
Ele comprou duas baterias de 12 volts semelhantes às usadas em o dispositivo explosivo testado na floresta, e eles deveriam caber em um suporte de metal especial que ele trouxera com ele. Posteriormente, o policial Clark-Marlowe acreditou que havia "tempo suficiente para Inderjit Singh Reyat obter as baterias na loja limitada da Auto Marine Electric em Burnaby, incorporar as baterias na montagem de um dispositivo explosivo e, em seguida, transportar o dispositivo em uma mala para o Aeroporto de Vancouver".
Às 20h22 UTC (16h22 EDT ), o voo 60 da Canadian Pacific Air Lines chegou a Toronto com doze minutos de atraso. Alguns dos passageiros e bagagens, incluindo a mala que M. Singh registrou, foram transferidos para o voo 182. da Air India.
Em resposta às ameaças de ativistas sikhs, a Air India solicitou segurança extra, levando o Canadá a designar policiais extras em terminais em Toronto e Montreal, e toda a bagagem deveria ser despachada por raio-X ou à mão. Mas depois que a máquina de raio-X quebrou naquele dia, os inspetores usaram um farejador de explosivos PDD-4 portátil.
Um oficial de segurança da Air India soltou um grito alto quando um fósforo aceso foi segurado a centímetros de distância e mostrou que deveria ser usado próximo à borda da bolsa sendo testada. Entre 17h15 e 18h00, o farejador foi ouvido latindo para uma mala marrom com as laterais macias e um zíper em volta; ele latiu em um volume baixo perto da fechadura do zíper.
Mas a Air India não foi informada, pois os conferentes não foram instruídos sobre como reagir a apenas um latido curto, então permitiram que a mala passasse. Uma investigação posterior determinaria que os dois contêineres que poderiam conter a bolsa de M. Singh foram colocados perto do compartimento eletrônico sensível da aeronave.
Às 00:15 UTC de 23 de junho (20h15, de 22 de junho), o voo 181 da Air India, um Boeing 747-237B nomeado imperador Kanishka, partiu do Aeroporto Internacional Toronto Pearson para o Aeroporto Internacional de Montréal-Mirabel.
A aeronave estava uma hora e 40 minutos atrasada porque um "quinto pod" (um motor sobressalente) foi instalado sob a aeronave abaixo da asa esquerda para ser levado para a Índia para reparos. Algumas das peças tiveram que ser armazenadas no compartimento de carga traseiro.
O motor do quinto pod era um motor sobressalente que estava em condições de uso e foi alugado para a Air Canada depois que um de seus Boeing 747 sofreu uma falha de motor a caminho da Índia. Esse motor recebeu uma inspeção pós-locação e foi declarado em condições de manutenção pelo pessoal da Air Canada.
O avião chegou ao Aeroporto Internacional de Montreal-Mirabel às 01h00 UTC (21h00 de 22 de junho). Lá, ele se tornou o voo 182. O voo 182 partiu para o Aeroporto Heathrow de Londres, com destino ao Aeroporto Internacional de Palam, em Delhi, na Índia, e ao Aeroporto Internacional de Sahar, em Bombaim, também na Índia.
Havia 329 pessoas a bordo: 307 passageiros e 22 tripulantes. O capitão Hanse Singh Narendra (56) serviu como o comandandte do voo, com o capitão Satwinder Singh Bhinder (41) como o primeiro oficial e Dara Dumasia (57) como o engenheiro de voo. Muitos dos passageiros iam visitar familiares e amigos.
Às 07h09m58s GMT (08h09m58s, horário da Irlanda), a tripulação do Boeing 747 gritou "2005" (uma ativação de rotina de seu transponder de aviação), conforme solicitado pelo Controle de Tráfego Aéreo do Aeroporto de Shannon (ATC ) e, em seguida, desapareceu das telas do radar às 07h14m01s GMT (08h14m01s, horário da Irlanda).
Exatamente ao mesmo tempo, uma bomba em um afinador Sanyo em uma mala no porão de carga dianteiro explodiu enquanto o avião estava a 31.000 pés (9.400 m) a 51° 3,6′N 12° 49′W, sobre o Oceano Atlântico, 190km (120 mi ) oéste-sudoeste de Waterville, na Irlanda.
Imediatamente, ocorreu uma descompressão explosiva e o desmembramento da aeronave no ar. Os destroços assentaram em águas profundas de 6.700 pés (2.000 m) ao largo da costa sudoeste da Irlanda, a 190 km da costa do Condado de Cork. Nenhuma chamada "mayday" foi recebida pelo Shannon ATC.
O ATC pediu às aeronaves na área que tentassem entrar em contato com a Air India, mas sem sucesso. Às 07h30:00 GMT, o ATC declarou uma emergência e solicitou que os navios de carga próximos e o navio do Serviço Naval Irlandês LÉ Aisling localizassem a aeronave.
Enquanto isso, em algum momento antes das 20h22 UTC (13h22 PDT), L. Singh (também nunca identificado) fez o check-in para o voo 003 da CP Air 003 das 13h37 para Tóquio com uma peça de bagagem, que seria transferida para Voo 301 da Air India para Bangkok.
No entanto, L. Singh não embarcou no voo. A segunda mala despachada por L. Singh foi no voo 003 da Canadian Pacific Air Lines de Vancouver a Tóquio. Não houve inspeções de raio-x de bagagem neste voo. Seu alvo era o voo 301 da Air India, que deveria partir com 177 passageiros e tripulantes com destino a Bangkok-Don Mueang, mas 55 minutos antes do atentado ao voo 182, explodiu no terminal do Aeroporto Internacional de Narita.
Dois carregadores de bagagem japoneses morreram e outras quatro pessoas ficaram feridas. Parece que os conspiradores pretendiam que os dois bombardeios ocorressem simultaneamente, mas eles se esqueceram de levar em consideração que o Japão não segue o horário de verão, como o Canadá.
Recuperação de destroços e corpos
Às 09h13 UTC, o navio de carga Laurentian Forest descobriu destroços da aeronave e muitos corpos flutuando na água. O ministro da aviação civil da Índia anunciou a possibilidade de o avião ter sido destruído por uma bomba, e a causa provavelmente foi algum tipo de explosão. Os 747s anteriores foram danificados ou destruídos no solo, mas este foi o primeiro jato jumbo abatido por sabotagem.
A bomba matou todos os 22 tripulantes e 307 passageiros. Destes, 132 corpos foram recuperados; 197 foram perdidos no mar. Oito corpos exibiram lesões de "padrão de mangual", indicando que eles haviam saído da aeronave antes que ela atingisse a água. Este foi um sinal de que a aeronave havia se quebrado no ar.
Vinte e seis corpos mostraram sinais de hipóxia (falta de oxigênio). Vinte e cinco, a maioria vítimas sentadas perto de janelas, mostraram sinais de descompressão explosiva. Vinte e três apresentavam sinais de "lesões por força vertical". Vinte e um passageiros foram encontrados com pouca ou nenhuma roupa.
Um funcionário citado no relatório afirmou: "Todas as vítimas foram declaradas nos relatórios do PM como tendo morrido de ferimentos múltiplos. Dois dos mortos, um bebê e uma criança, morreram de asfixia. Não há dúvida sobre a morte por asfixia do bebê. No caso da outra criança (Corpo No 93) houve alguma dúvida porque os achados também poderiam ser causados pelo fato de a criança ter caído ou girado com o ponto de ancoragem nos tornozelos. Três outras vítimas, sem dúvida, morreram por afogamento”.
Duas dessas vítimas de afogamento, uma mulher grávida em seu segundo trimestre e seu filho ainda não nascido, foram descritas pelo Dr. John Hogan em depoimento dado em um inquérito legista realizado em Cork em 17 de setembro de 1985:
"As outras descobertas significativas foram grandes quantidades de fluido espumoso em sua boca e narinas, e todas as passagens de ar e os pulmões estavam saturados de água e extremamente pesados. Havia água no estômago e no útero. O útero continha um homem normal feto de aproximadamente cinco meses. O feto não foi traumatizado e na minha opinião a morte foi devido a afogamento."
Evidências adicionais para apoiar um ataque à bomba foram recuperadas da aeronave destruída, que estava no fundo do mar a uma profundidade de 6.700 pés (2.000 m). O navio britânico Gardline Locater, equipado com sonar sofisticado , e o navio francês Léon Thévenin, com seu submarino robô Scarab 1, foram despachados para localizar as caixas do gravador de dados de voo (FDR) e do gravador de voz da cabine (CVR).
O Gardline Locater
As caixas seriam difíceis de encontrar e era imperativo que a busca começasse rapidamente. Em 4 de julho, o Gardline Locater detectou sinais no fundo do mar. Em 9 de julho, o Scarab 1 localizou o CVR e o ergueu para a superfície. No dia seguinte, o FDR também foi localizado e recuperado. Em 1985, o navio da Guarda Costeira canadense (CCGS) John Cabot participou das investigações, mapeando os destroços subaquáticos da aeronave.
Vítimas
Uma lista de vítimas foi fornecida pela Canadian Broadcasting Corporation. As vítimas incluíram 268 canadenses, 27 britânicos, 22 indianos e 12 pessoas de nacionalidade indeterminada. Canadenses de ascendência indiana constituíram a maioria dos passageiros.
Entre 82 e 86 passageiros eram crianças, incluindo 6 bebês. Havia 29 famílias inteiras no avião. Duas crianças que não estavam a bordo tinham ambos os pais a bordo, o que fez com que ficassem órfãs. Havia seis conjuntos de crianças de suas famílias inteiras. Havia 32 pessoas que não estavam na aeronave e que tinham os demais membros de suas famílias a bordo.
A maioria das vítimas residia no sul de Ontário e eram hindus. Algumas das vítimas eram sikhs; cerca de 35 passageiros eram sikhs da Grande Montreal. Em termos de áreas metropolitanas, a área da Grande Toronto foi o lar da maioria dos passageiros, com a Grande Montreal também tendo o segundo maior número de passageiros.
Alguns passageiros eram originários da Colúmbia Britânica. Quarenta e cinco passageiros eram funcionários da Air India ou parentes de funcionários da Air India. Passageiros e tripulantes notáveis incluíam Inder Thakur, um comissário da Air India e ex-ator junto com sua esposa e filho; e Yelavarthy Nayudamma, cientista e engenheiro químico.
Dos passageiros a bordo, 105 embarcaram no aeroporto Mirabel, enquanto 202 que viajaram no voo 182 embarcaram no aeroporto Pearson de Toronto. O relatório afirmava que os passageiros que embarcaram no voo 181 em Toronto, que se tornaram passageiros no voo 182, incluíram dez passageiros com conexão de Vancouver, cinco passageiros de Winnipeg, quatro passageiros de Edmonton e dois passageiros de Saskatoon. O relatório afirmou que todos esses passageiros haviam feito voos da Air Canada e nenhum passageiro de conexão embarcou no voo 182 em Montreal.
No documentário Air India 182 , Renée Sarojini Saklikar afirmou que sua tia e seu tio haviam feito um voo da Canadian Pacific Air Lines de Vancouver para conexão com a Air India 182; os dois estavam no AI182 enquanto ele estava em Montreal.
A tripulação de voo e de cabine do voo 182 embarcaram em Toronto e comandaram o segmento do voo 181 de Toronto a Montreal. 68 pessoas passaram pela alfândega em Toronto e deveriam embarcar novamente no voo 181 para que pudessem viajar até seu destino final, Montreal.
Havia uma prática de passageiros que pretendiam voar para Toronto, na verdade, comprando passagens para Montreal, porque as passagens para Montreal tinham um custo mais baixo do que as passagens para Toronto. Nos voos com destino ao Canadá, esses passageiros simplesmente desembarcaram em Toronto e optaram por não embarcar novamente no voo para Montreal. Três passageiros programados para embarcar para Montreal nunca embarcaram no voo 181 e, portanto, havia 65 passageiros com destino a Montreal que voaram no segmento Toronto-Montreal.
Investigações
Em poucas horas, a comunidade indiana do Canadá foi o foco de atenção como vítimas e entre as pistas de que as autoridades estavam investigando conexões com os separatistas sikhs que haviam ameaçado e cometido atos de violência em retaliação contra os hindus.
Nas investigações mundiais subsequentes ao longo de seis anos, muitos tópicos da trama foram descobertos. Com base na recuperação de destroços e corpos da superfície, decidiu-se recuperar destroços e gravadores do fundo do mar.
Aquela voz e gravadores de voo foram cortados ao mesmo tempo, e danos às peças recuperadas do compartimento de carga dianteiro consistente com uma explosão, estabeleceram que provavelmente foi uma bomba perto do porão de carga dianteiro que derrubou o avião repentinamente.
O voo também foi logo ligado ao bombardeio anterior no Japão, que também se originou em Vancouver; bilhetes para ambos os voos tinham sido comprados pela mesma pessoa, e em ambos os casos, os aviões estavam carregando sacos sem o passageiro que eles check-in.
Um dos problemas que os investigadores pensaram que pode ter sido o motivo do suposto acidente foi que a aeronave estava carregando um motor sobressalente. Portanto, haveria mais peso de um lado. Esse motivo foi descartado, pois os gravadores de voo transmitiam informações da posição do leme, que auxilia no carregamento de um 5º motor. Carregar um quinto motor ajudou as companhias aéreas a transportar os motores quebrados de volta para serem mantidos.
Nenhuma peça da bomba foi recuperada do oceano, mas as investigações da explosão em Tóquio estabeleceram que a bomba havia sido colocada em um sintonizador estéreo Sanyo de uma série que havia sido enviada para Vancouver, no Canadá.
A RCMP designou nada menos que 135 oficiais para verificar todas as lojas que poderiam ter vendido sintonizadores Sanyo, levando à descoberta de uma recente venda para o mecânico Inderjit Singh Reyat em sua cidade natal de Duncan, British Columbia.
A RCMP contatou o CSIS e descobriu que já estavam investigando os ativistas Sikh; A RCMP descobriu que o CSIS já tinha grampos e observou Reyat e Parmar no teste de explosão perto de Duncan, e recuperou as derivações da cápsula de detonação e um pacote de papel de uma cápsula de detonação. Uma busca recuperou o recibo de um Sanyo Tuner Modelo FMT-611K com fatura com seu nome e número de telefone, junto com vendas de outros componentes da bomba.
Não foi até janeiro de 1986 que os investigadores canadenses do Conselho Canadense de Segurança da Aviação concluíram que a explosão de uma bomba no porão de carga havia derrubado o avião. Em 26 de fevereiro de 1986, o juiz da Suprema Corte Kirpal da Índia apresentou um relatório de inquérito baseado na investigação conduzida por HS Khola (o "Relatório Khola"). O relatório também concluiu que uma bomba originária do Canadá derrubou o voo da Air India.
Com base em observações, escutas telefônicas, buscas e prisões de pessoas consideradas participantes, o atentado foi determinado como o projeto conjunto de pelo menos dois grupos terroristas sikhs com ampla adesão no Canadá, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Índia.
Militantes Sikhs ficaram irritados com a destruição do Templo Dourado e mortes de Sikhs durante o ataque terrestre da Índia contra separatistas, bem como os distúrbios anti-Sikh de 1984 que levaram à morte de 8.000 a 17.000 Sikhs em toda a Índia.
Suspeitos
Os principais suspeitos do atentado eram membros de um grupo Khalistani chamado Babbar Khalsa (banido na Europa e nos Estados Unidos como um grupo terrorista proscrito) e outros grupos relacionados que estavam na época agitando por um estado Sikh separado (chamado Khalistan ) em Punjab, Índia.
Talwinder Singh Parmar, um cidadão canadense nascido em Punjab e residente na Colúmbia Britânica, era um oficial de alto escalão no Babbar Khalsa. Seu telefone foi grampeado pelo CSIS por três meses antes do bombardeio. Ele foi morto pela polícia de Punjab em 1992 em um encontro com seis outros terroristas.
Inderjit Singh Reyat, que nasceu na Índia, mas mudou-se para o Reino Unido com sua família em 1965 e depois para o Canadá em 1974, e possui dupla cidadania britânica e canadense, trabalhou como mecânico de automóveis e eletricista em Duncan, British Columbia, na Ilha de Vancouver.
A investigação do atentado em Tóquio levou à descoberta de que ele havia comprado um rádio Sanyo, relógios e outras peças encontradas após a explosão. Ele foi condenado por homicídio culposo por construir a bomba. Como parte de um acordo, ele testemunharia contra outros, mas como ele se recusou a implicar outros, ele seria o único suspeito condenado no caso. Reyat foi liberado para a casa de recuperação em 2016 e agora totalmente liberado com algumas restrições desde o início de 2017 para a casa de sua família em BC.
Ajaib Singh Bagri - um moinho trabalhador vivendo em Kamloops. Durante a convenção de fundação da Organização Sikh Mundial em Nova York em 1984, Bagri fez um discurso no qual proclamou que, "até matarmos 50.000 hindus, não descansaremos". Ele e Malik foram absolvidos em 2005. Bagri estava morando em Kamloops em 2011.
Surjan Singh Gill, que vivia em Vancouver como autoproclamado cônsul-geral de Khalistan, segundo alguns testemunhos da RCMP, alegaram que ele era uma toupeira que deixou a trama poucos dias antes de sua execução porque lhe disseram para se retirar, mas o governo canadense negou o relatório. Mais tarde, ele fugiu do Canadá e, em agosto de 2003, foi considerado escondido em Londres, Inglaterra.
Hardial Singh Johal, um seguidor de Parmar que era ativo nos Gurdwaras onde Parmar pregava. Em 15 de novembro de 2002, Johal morreu de causas naturais aos 55 anos. Seu número de telefone foi deixado ao fazer o pedido das passagens aéreas, ele foi visto no aeroporto no dia em que a bagagem foi carregada e ele teria armazenado as malas contendo as bombas no porão de uma escola de Vancouver, mas nunca foi acusado no caso.
Daljit Sandhu, mais tarde nomeado por uma testemunha da Coroa como o homem que pegou os ingressos. Durante o julgamento, a Coroa exibiu um vídeo de janeiro de 1989 no qual Sandhu parabenizou as famílias dos assassinos de Indira Gandhi e afirmou que "ela merecia isso e ela o convidou e foi por isso que o recebeu". Sandhu foi inocentado pelo juiz Ian Josephson em um julgamento de 16 de março.
Lakhbir Singh Rode, o líder da organização separatista Sikh International Sikh Youth Federation. Em setembro de 2007, a comissão investigou relatórios, inicialmente divulgados na revista de notícias investigativa indiana Tehelka, de que Parmar teria supostamente confessado e nomeado Lakhbir Singh Rode, até então não identificado, como o mentor por trás das explosões. Esta afirmação parece ser inconsistente com outras evidências conhecidas pela RCMP.
Em 17 de agosto de 1985, Reyat tornou-se o terceiro suspeito, uma vez que o recibo do sintonizador foi encontrado com seu nome. Em 6 de novembro de 1985, a RCMP invadiu as casas de Parmar, Reyat, Gill e Johal. Em uma entrevista de 4,5 horas, Reyat negou qualquer conhecimento sobre o teste de explosão ou mesmo Parmar.
Depois que ele soube que o CSIS tinha visto os dois, ele mudou sua história de que Parmar realmente queria construir um dispositivo poderoso o suficiente para que ele pudesse levar o dispositivo de volta para a Índia para destruir uma ponte. Ele explicou que a pólvora no teste foi um fracasso, pois o dispositivo fracassou.
A busca na casa de Reyat produziu uma caixa com uma fita verde incomum também encontrada na explosão de Narita e uma lata de fluido inicial da marca Liquid Fire com fragmentos encontrados no local da explosão, junto com cápsulas de detonação e dinamite, incluindo meio quilo de dinamite em um saco retirou seu invólucro original do tubo, embora nenhum fosse consistente com resíduos de explosão. Reyat insistiu que apenas o relógio, os relés e o sintonizador foram comprados para outros fins que não "benignos".
Bagri declararia mais tarde, antes de seu julgamento posterior, que sabia que provavelmente era um suspeito em outubro de 1985, mas insistiu que teria enfrentado acusações se houvesse qualquer evidência de que ele tivesse algo a ver com o atentado. Foi estabelecido em novembro que foi um homem com nome sikh que provavelmente despachou a mala em Vancouver que causou o acidente. Parmar não foi visto no Canadá algum tempo depois do final de 1986, pois as autoridades acreditavam que ele vivia no Paquistão, onde continuou as operações contra a Índia.
Julgamentos
As autoridades inicialmente não tinham evidências para vincular Inderjit Singh Reyat diretamente às explosões de Narita ou da Air India e buscar uma conspiração para cometer a acusação de assassinato. Em vez disso, Reyat se confessou culpado em 29 de abril de 1986 de porte de substância explosiva e porte de arma de fogo não registrada. Sua sentença foi uma multa leve de $ 2.000. Apenas três meses depois, Reyat mudou-se com a família do Canadá para Coventry , perto de Birmingham, no Reino Unido. Reyat logo foi contratado em uma fábrica da Jaguar, onde trabalhou por quase dois anos.
Meses trabalhando com o promotor Jardine e RCMP e especialistas japoneses eventualmente determinaram os componentes da bomba a partir de fragmentos e os combinaram com itens que Reyat possuía ou havia comprado. O promotor Jardine visitou Tóquio cinco vezes para se encontrar com autoridades japonesas, e o Canadá pediu formalmente que as evidências fossem enviadas ao Canadá.
Ainda sem evidências suficientes para uma acusação de homicídio, Jardine recomendou duas acusações de homicídio e cinco acusações relacionadas com explosivos, resultando em um pedido à Grã-Bretanha para extraditar Reyat, que foi preso em 5 de fevereiro de 1988 enquanto dirigia para a fábrica de automóveis Jaguar.
Após um longo processo para extraditá-lo da Grã-Bretanha, Reyat foi levado de avião para Vancouver em 13 de dezembro de 1989 e seu julgamento começou em 18 de setembro de 1990. Em 10 de maio de 1991, ele foi condenado por duas acusações de homicídio culposo e quatro acusações de explosivos relacionadas ao atentado ao aeroporto de Narita. Ele foi condenado a 10 anos de prisão.
Quinze anos após o atentado, em 27 de outubro de 2000, a RCMP prendeu Malik e Bagri. Eles foram acusados de 329 acusações de assassinato em primeiro grau nas mortes de pessoas a bordo do voo 182 da Air India, conspiração para cometer assassinato, tentativa de assassinato de passageiros e tripulantes no voo do Pacífico canadense no Novo Aeroporto Internacional de Tóquio do Japão (agora Narita Aeroporto Internacional), e duas acusações de homicídio dos carregadores de bagagem no Novo Aeroporto Internacional de Tóquio. Tornou-se conhecido como o "Teste da Air India".
Em 6 de junho de 2001, a RCMP prendeu Reyat sob a acusação de assassinato, tentativa de assassinato e conspiração no atentado da Air India. Em 10 de fevereiro de 2003, Reyat se confessou culpado de uma acusação de homicídio culposo e de ajudar na construção de uma bomba. Ele foi condenado a cinco anos de prisão. Ele deveria prestar testemunho no julgamento de Malik e Bagri, mas os promotores foram vagos.
O julgamento de Malik e Bagri ocorreu entre abril de 2003 e dezembro de 2004 no Tribunal 20, mais comumente conhecido como "o tribunal da Air India". A um custo de US$ 7,2 milhões, a sala de tribunal de alta segurança foi construída especialmente para o julgamento nos tribunais jurídicos de Vancouver.
Em 16 de março de 2005, o juiz Ian Josephson considerou os dois acusados inocentes em todas as acusações porque as evidências eram inadequadas: "Comecei descrevendo a natureza horrível desses atos cruéis de terrorismo, atos que clamam por justiça. A justiça não é alcançada, no entanto, se as pessoas são condenadas por qualquer coisa menos do que o padrão exigido de prova além de uma dúvida razoável. Apesar do que parece ter sido o melhor e mais sério dos esforços da polícia e da Coroa, as evidências ficaram muito aquém desse padrão."
Em uma carta ao procurador-geral da Colúmbia Britânica , Malik exigiu uma indenização do governo canadense por acusação injusta em sua prisão e julgamento. Malik deve ao governo $ 6,4 milhões e Bagri $ 9,7 milhões em taxas legais.
Julgamento da declaração falsa de Reyat
Em fevereiro de 2006, Inderjit Singh Reyat foi acusado de perjúrio em relação ao seu testemunho no julgamento. A acusação foi apresentada na Suprema Corte da Colúmbia Britânica e lista 27 casos em que Reyat supostamente enganou o tribunal durante seu depoimento. Reyat se confessou culpado de construir a bomba, mas negou sob juramento que sabia qualquer coisa sobre a conspiração.
No veredicto, o Juiz Josephson disse: "Acho que ele é um mentiroso absoluto sob juramento. Mesmo o mais simpático dos ouvintes só poderia concluir, como eu, que suas provas foram pateticamente e pateticamente fabricadas em uma tentativa de minimizar seu envolvimento em seu crime em um grau extremo, enquanto se recusava a revelar informações relevantes que ele claramente possui."
Em 3 de julho de 2007, com o processo de perjúrio ainda pendente, Reyat teve sua liberdade condicional negada pelo National Parole Board, que concluiu que ele era um risco contínuo para o público. A decisão significou que Reyat teve que cumprir sua pena completa de cinco anos, que terminou em 9 de fevereiro de 2008.
O julgamento de perjúrio de Reyat começou em março de 2010 em Vancouver, mas foi demitido abruptamente em 8 de março de 2010. O júri foi demitido após comentários "tendenciosos" sobre Reyat por uma jurada.
Um novo júri foi escolhido. Em setembro de 2010, de acordo com o jornal Lethbridge Herald , os jurados foram informados de que Reyat mentiu 19 vezes sob juramento. Em 19 de setembro de 2010, Reyat foi condenado por perjúrio.
Em 7 de janeiro de 2011, ele foi condenado a 9 anos de prisão pelo juiz Mark McEwan, que observou que Reyat "não se comportou nada como um homem arrependido involuntariamente implicado em assassinato em massa", acrescentando que "no banco das testemunhas, o Sr.. Reyat se comportou como um homem ainda comprometido com uma causa que tratava centenas de homens, mulheres e crianças [como] dispensáveis."
Em fevereiro de 2011, Reyat entrou com um recurso declarando que o juiz "errou na lei, enganou o júri e não disse aos jurados que não havia evidências para apoiar partes do discurso de encerramento da Coroa", e chamou-o de "severo e excessivo ", pedindo um novo julgamento.
Em janeiro de 2013, a Suprema Corte do Canadá rejeitou a oferta de Reyat de apelar de sua condenação por perjúrio. O tribunal superior do país não divulgou suas razões de acordo com a prática habitual. Em março de 2014, o Tribunal de Apelação da Colúmbia Britânica rejeitou o recurso de Reyat de que a duração de 9 anos da sentença, a mais longa do país por perjúrio, era inadequada. O tribunal decidiu que a gravidade do perjúrio em tal caso não tinha comparação.
Liberdade condicional
Inderjit Singh Reyat, a única pessoa condenada pelo atentado a bomba ao voo 182 da Air India
Em 28 de janeiro de 2016, o governo canadense libertou Inderjit Singh Reyat em liberdade condicional , após 30 anos de prisão. Ele foi libertado de uma casa de recuperação menos de 13 meses depois, em 14 de fevereiro de 2017, com restrições.
Erros e oportunidades perdidas
Aviso anterior
O governo canadense havia sido avisado pelo R&AW indiano sobre a possibilidade de bombas terroristas a bordo de voos da Air India no Canadá e, mais de duas semanas antes do acidente, o CSIS relatou à RCMP que a ameaça potencial à Air India, bem como às missões indianas no Canadá estava alto.
Em junho de 1985, houve uma mensagem telex da Air India sugerindo que os aviões poderiam ser visados por "dispositivos de atraso de tempo". O tenente-governador de Ontário, James Bartleman, também testemunhou que, como um oficial sênior de inteligência do Departamento de Assuntos Externos federal , ele viu uma "interceptação" de segurança com um aviso específico de uma ameaça contra a companhia aérea no fim de semana do atentado.
Evidência destruída
Em seu veredicto, o juiz Ian Josephson citou "negligência inaceitável" do CSIS quando centenas de escutas telefônicas dos suspeitos e outros informantes foram destruídas. Das 210 escutas telefônicas que foram registradas durante os meses antes e depois do bombardeio, 156 foram apagadas. Essas fitas continuaram a ser apagadas mesmo depois que os terroristas se tornaram os principais suspeitos do bombardeio.
Como os registros de escuta telefônica originais foram apagados, eles foram inadmissíveis como evidência no tribunal. O CSIS alegou que as gravações de escuta não continham informações relevantes, mas um memorando da RCMP afirma que "Há uma grande probabilidade de que o CSIS reteve as fitas entre março e agosto de 1985, de que um processo bem-sucedido de pelo menos alguns dos principais em ambos os atentados poderia ter sido realizada."
"A investigação do CSIS foi tão malfeita que quase houve um motim por oficiais do CSIS envolvidos na investigação", disse o agente que destruiu as fitas depois de obter anonimato em janeiro de 2000 por jornalistas do Globe and Mail.
Um agente "disse que se sentiu compelido a destruir as fitas (que estavam em sua posse) porque era moralmente obrigado a fazer tudo ao seu alcance para proteger a segurança de suas fontes. '[Eu] decidi que era uma questão moral... Se sua identidade tivesse se tornado conhecida na comunidade sikh, eles teriam sido mortos. Não tenho dúvidas sobre isso."
Testemunhas assassinadas
Tara Singh Hayer, editora do Indo-Canadian Times e membro da Ordem da Colúmbia Britânica, forneceu uma declaração à RCMP em 1995, alegando que estava presente durante uma conversa na qual Bagri admitiu seu envolvimento nos atentados.
Enquanto estava nos escritórios de Londres do colega editor de jornal sikh Tarsem Singh Purewal, Hayer afirmou ter ouvido uma reunião entre Purewal e Bagri na qual Bagri afirmou que "se tudo tivesse corrido como planejado, o avião teria explodido no aeroporto de Heathrow sem passageiros nele. Mas como o avião estava de meia hora a três quartos de hora atrasado, ele explodiu sobre o oceano." Em 24 de janeiro do mesmo ano, Purewal foi morto perto dos escritórios do jornal Des Pardes, em Southall, Inglaterra, deixando Hayer como a única outra testemunha.
Em 18 de novembro de 1998, Hayer foi morto a tiros enquanto saía de seu carro na garagem de sua casa em Surrey, British Columbia. Hayer havia sobrevivido a um atentado anterior contra sua vida em 1988, mas estava paralisado e usava uma cadeira de rodas. Em conseqüência de seu assassinato, o depoimento foi inadmissível como prova. Isso foi mais tarde citado como a razão pela qual os suspeitos do atentado foram finalmente absolvidos em 2005.
Conexão CSIS
Durante uma entrevista com Bagri em 28 de outubro de 2000, os agentes da RCMP descreveram Surjan Singh Gill como um agente do CSIS, dizendo que a razão pela qual ele se demitiu do Babbar Khalsa foi porque seus assessores do CSIS lhe disseram para se retirar.
Após o subsequente fracasso do CSIS em impedir o bombardeio do voo 182, o chefe do CSIS foi substituído por Reid Morden. Em uma entrevista para o programa de notícias da CBC Television, The National, Morden afirmou que o CSIS "deixou a bola cair" ao lidar com o caso. Um Comitê de Revisão de Inteligência de Segurança inocentou o CSIS de qualquer irregularidade. No entanto, esse relatório permanece secreto até hoje. Em junho de 2003, o governo canadense continuou a insistir que não havia nenhum sinal envolvido.
Inquérito público
Em 1 de Maio de 2006, o Crown-em-Conselho, a conselho do primeiro-ministro Stephen Harper, anunciou o lançamento de uma completa investigação pública sobre o atentado, dirigido pelo aposentado da Suprema Corte de Justiça John Major, para encontrar investigar os eventos em torno do bombardeio e da investigação subsequente, bem como para identificar lacunas no sistema de segurança e inteligência do Canadá.
Iniciada no final de junho, a Comissão de Inquérito sobre a Investigação do Atentado ao Bombardeio do Voo 182 da Air India examinaria como a lei canadense restringia o financiamento de grupos terroristas, o quão bem a proteção de testemunhas é fornecida em casos de terrorismo, se o Canadá precisasse atualizar seu segurança do aeroporto, e se as questões de cooperação entre a RCMP, CSIS e outras agências de aplicação da lei foram resolvidas. Era também para fornecer um fórum onde as famílias das vítimas pudessem testemunhar sobre o impacto do bombardeio e não repetissem quaisquer julgamentos criminais.
As conclusões do inquérito foram publicadas em 17 de junho de 2010 em seu relatório final, 'Air India Flight 182: A Canadian Tragedy'. O relatório tinha 4.000 páginas, 5 volumes e 64 recomendações. Major concluiu que uma "série de erros em cascata" pelos ministérios da Coroa , a RCMP e o CSIS permitiu que o ataque terrorista ocorresse. Ele chamou o Conselheiro de Segurança Nacional do governo canadense a receber responsabilidade pela prevenção de conflitos entre agências, bem como apelar para um diretor nacional de processos contra terrorismo, um novo coordenador de proteção de testemunhas para casos de terrorismo e amplas mudanças para fechar as lacunas na segurança dos aeroportos.
Conforme recomendação da investigação, Stephen Harper anunciou na mídia, uma semana após o relatório e no 25º aniversário do desastre, que ele "reconheceria as falhas catastróficas de inteligência, policiamento e segurança aérea que levaram ao bombardeio, e os lapsos do promotor que se seguiram "e apresentar um pedido de desculpas em nome do Gabinete do Canadá em exercício".
Legado
"Uma tragédia canadense"
Em 23 de junho de 2005, 20 anos após a queda do voo 182 da Air India, o primeiro-ministro Paul Martin compareceu a um serviço memorial em Ahakista, Irlanda , com as famílias das vítimas sofrendo. Esta seria a primeira vez que um primeiro-ministro canadense visitaria o memorial irlandês, construído logo após o bombardeio. A governadora-geral Adrienne Clarkson , a conselho de Martin, declarou o aniversário um dia nacional de luto.
Durante as comemorações do aniversário, Martin disse que o bombardeio era um problema canadense, não um problema estrangeiro, dizendo: "Não se engane: o voo pode ter sido da Air India, pode ter ocorrido na costa da Irlanda, mas esta é uma tragédia canadense."
Em maio de 2007, Angus Reid Strategies divulgou os resultados de uma pesquisa de opinião pública sobre se os canadenses viam o atentado da Air India como uma tragédia canadense ou indiana e quem eles culpavam: 48% dos entrevistados consideraram o atentado como um evento canadense, enquanto 22% pensaram nisso foi um assunto predominantemente indiano; 34% dos entrevistados sentiram que tanto o CSIS quanto o pessoal de segurança do aeroporto mereciam grande parte da culpa, além de 27% que acreditavam que a RCMP era a grande culpada; 18% mencionaram Transport Canada.
Ken MacQueen e John Geddes, da Maclean's, disseram que o bombardeio da Air India foi referido como "11 de setembro do Canadá". Eles discordaram, no entanto, afirmando o seguinte: "Na verdade, nunca esteve perto disso. A data, 23 de junho de 1985, não está gravada na alma da nação. Os acontecimentos daquele dia extinguiram centenas de vidas inocentes e alteraram o destino de milhares mais, mas também não abalou o fundamentos do governo, nem transformou suas políticas. Não foi, em geral, nem mesmo oficialmente reconhecido como um ato de terrorismo."
Memoriais
Memoriais foram erguidos no Canadá e em outros lugares para homenagear as vítimas. Em 1986, um monumento foi inaugurado em Ahakista, West Cork, na Irlanda, no primeiro aniversário do bombardeio.
Memorial em Ahakista, na Irlanda
Posteriormente, ocorreu a inauguração em 11 de agosto de 2006 em um playground que faria parte de um memorial em Stanley Park, Vancouver, British Columbia.
Memorial em Stanley Park
Outro memorial foi inaugurado em 22 de junho de 2007 em Humber Bay Park East, Toronto, Ontário; muitas das vítimas do bombardeio moravam em Toronto.
Memorial em Humber Bay Park East, Toronto
O memorial apresenta um relógio de sol, cuja base consiste em pedras de todas as províncias e territórios do Canadá, bem como dos países das outras vítimas, e uma parede, voltada para a Irlanda e com os nomes dos mortos.
Um terceiro memorial canadense foi inaugurado em Ottawa em 2014. Um quarto memorial foi inaugurado em Lachine, Montreal, no 26º aniversário da tragédia. Não há memoriais na Índia ainda.
Placa memorial em Bantry, na Irlanda
Uma placa comemorativa oferecida aos cidadãos de Bantry, Irlanda, pelo governo do Canadá pela gentileza e compaixão dos residentes às famílias das vítimas do voo 182 da Air India
Reconhecimento nos meios de comunicação
A CBC Television anunciou o início das filmagens do "Flight 182", um documentário sobre a tragédia dirigido por Sturla Gunnarsson. Seu título foi alterado para "Air India 182" antes de estrear no 'Hot Docs Canadian International Documentary Festival' em Toronto em abril de 2008. Posteriormente, estreou na CBC Television em junho.
O acidente foi apresentado na 5ª temporada da série de documentários canadense e distribuída internacionalmente, 'Mayday', no episódio "Air India: Explosive Evidence".
Muitos jornalistas comentaram sobre o atentado ao longo das décadas desde que ocorreu.
Em 2006, a autora do best-seller internacional Anita Rau Badami publicou 'Você pode ouvir o canto do pássaro noturno?', um romance de ficção que explorou as vidas e eventos que levaram ao atentado da Air India, que incorporou detalhes factuais da tragédia.
Oito meses após o atentado, o repórter do jornal The Province , Salim Jiwa, publicou 'Death of Air India Flight 182'.
'Perda de fé: como os bombardeiros da Air-India foram embora com assassinato' foi publicado pelo repórter do The Vancouver Sun, Kim Bolan, em maio de 2005.
Jiwa e seu colega repórter Don Hauka publicaram 'Margin of Terror: a odisséia de vinte anos de um repórter cobrindo as tragédias do atentado da Air India em maio de 2007'.
Em seu conto, "The Management of Grief", a escritora americana Bharati Mukherjee, nascida na Índia, usa a ficção para explorar a dor duradoura de parentes das vítimas da Air India 182. "The Management of Grief" foi publicado originalmente na coleção de ficção The Middleman and Other Stories. Mukherjee também foi coautora de 'The Sorrow and the Terror: The Haunting Legacy of the Air India Tragedy' (1987) com seu marido, Clark Blaise.
Inspirado pela negação cultural do Canadá em relação à tragédia da Air India, Neil Bissoondath escreveu 'The Soul of All Great Designs'.
Em 2013, a poetisa canadense Renée Sarojini Saklikar criou uma coleção de poemas memoriais e de resposta, 'Children of Air India: Un/Authorised Exhibits and Interjections'.
O atentado da Air India é central para a trama do romance 'All Inclusive', da autora Farzana Doctor, de Toronto.
O Dr. Chandra Sankurathri, cônjuge e pais das vítimas da Air India, escreveu uma autobiografia chamada 'Ray of Hope'.
Outro reconhecimento
Os prêmios em memória de Pada na Laurentian University foram estabelecidos em homenagem à vítima Vishnu Pada, marido de Lata Pada, coreógrafa canadense nascida na Índia e dançarina Bharatanatyam.
A Universidade de Manitoba criou a 'Donald George Lougheed Memorial Scholarship' em homenagem à vítima da Air India, Donald George Lougheed. É concedido a alunos de engenharia da computação.
Laxminarayan e Padmini Turlapati, pais das vítimas Sanjay e Deepak Turlapati, criaram o Sanjay Deepak Children Trust.
A Fundação Sankurathri foi estabelecida pelo Dr. Chandra Sekhar Sankurathri em Kakinada, Andhra Pradesh em memória de sua esposa Manjari, filho Sri Kiran e filha Sarada, vítimas do voo 182 da Air India. SF implementa programas educacionais através de Sarada Vidyalayam, assistência médica programas por meio do Instituto de Oftalmologia do Sri Kiran e programas de alívio a desastres por meio de Spandana.