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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Notícias do Dia

Recuperação econômica do setor aéreo será lenta, avalia especialista

Brasil deve fechar outubro com 50% da malha aérea em operação

Azul torna-se membro de associação de empresas aéreas da América Latina

Embraer entrega seis super-tucanos à Força Aérea das Filipinas

Universidade Infraero está com inscrições abertas para cursos de segurança na aviação civil

Mercado de gasolina de aviação no Brasil foi interrompido em meio a preocupações de qualidade

Aviação se une para ajudar bebê que luta contra o tempo

“Grandes prejuízos” diz presidente da Acic sobre situação do aeroporto de Chapecó

Aeroagrícolas realizam treinamentos para início da safra



2ª Guerra Mundial: 14 de outubro de 1943, a “Quinta-feira Sangrenta”

Em 14 de outubro de 1943, uma grande força de bombardeiros pesados ​​da 8ª Força Aérea e caças de escolta ataca as fábricas de rolamentos de esferas em Schweinfurt, Alemanha, pela segunda vez. 

Cinco grupos de bombardeio enviaram 291 bombardeiros pesados ​​quadrimotores B-17 Flying Fortress no ataque.

B-17 Flying Fortresses atacam Schweinfurt, na Alemanha, 1943 (Força Aérea dos EUA)

60 B-17s foram abatidos por caças alemães ou artilharia antiaérea (“flak”). Outros 17 ficaram tão danificados que caíram ao pousar de volta em suas bases, ou ficaram tão severamente danificados que não puderam ser reparados. 

Um B-17 Flying Fortress caindo de costas sobre a Europa. O motor externo esquerdo está 
pegando fogo e a asa direita foi atingida. Havia dez homens neste avião
(Força aérea dos Estados Unidos)

121 B-17s receberam menos danos. 594 tripulantes foram listados como desaparecidos em ação (presumivelmente mortos em ação). 65 homens foram capturados e mantidos como prisioneiros de guerra. 

Um B-17G Flying Fortress com as portas do compartimento de bombas abertas
(Força aérea dos Estados Unidos)

Dos bombardeiros que voltaram para a Inglaterra, 5 tripulantes morreram e 43 ficaram feridos. Os artilheiros B-17 abateram 35 a 38 Messerschmitt Bf 109s e Focke-Wulk Fw 190s. Outros 20 caças foram danificados.

Fonte: thisdayinaviation.com

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Notícias do Dia

Candidatos nas eleições municipais declaram ao menos R$ 39 milhões em aeronaves

Piloto é preso em MS após queda de helicóptero em assentamento de SP

Passageiros passam por susto em aeronave com destino a Fortaleza

Novo programa de incentivo à aviação reduz burocracia, mas segurança preocupa

Como Santa Catarina perdeu para o Paraná na batalha do leilão dos aeroportos

Copa Airlines já planeja retorno dos voos a Brasília e Belo Horizonte

Balão faz pouso de emergência na Rodovia Floriano Rodrigues em Campos do Jordão

Airbus fecha acordo com trabalhadores para corte de vagas e licenças

Jatos Leonardo M-345 e M-346 para a FAB?

Força Aérea dos EUA atualiza software de avião espião em pleno voo

Primeiro avião Airbus A350 VVIP do mundo está prontinho para Angela Merkel

Boeings 747 e 767 apresentam mesmo defeito explosivo do tanque do 727

Depois do Airbus A321 P2F, voa pela primeira vez o A321 PCF

Air Canada consegue desconto de 72% para comprar Air Transat

Companhia japonesa Zipair cria a classe executiva mais básica do mundo

Panamá reabre fronteiras aéreas para turistas após sete meses

O avião elétrico mais rápido de sempre é um Rolls-Royce

Aeroparque de Buenos Aires voltará a ter voos regionais e Gol já está na fila

Pescador acha peça que poderia ser do Boeing 777 desaparecido há 6 anos

Rússia investirá US$ 52 milhões no desenvolvimento do drone Okhotnik

É um asteroide? É um avião? Objeto que se aproxima da Terra pode ser um foguetão lançado em 1966

Polônia desativa bomba de 5 toneladas da II Guerra Mundial

SpaceX vai transportar cargas militares ao redor do mundo em uma hora

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

História: 30 de setembro de 1949 - Fim da Ponte Aérea de Berlim

Um episódio heroico da aviação: a Ponte Aérea de Berlim

Há 72 anos, aviões cortavam o céu da cidade levando mantimentos para abastecer o lado ocidental, que havia sido isolado pelos soviéticos, que decretaram o cerco de Berlim, privando-a de alimento e energia. A saída dos Aliados foi abastecer a cidade pelo ar, na operação "Luftbrücke". Era o início de uma grande amizade. 

Berlinenses assistindo a um C-54 aterrissando no Aeroporto de Tempelhof (1948)

O Berlin Airlift terminou oficialmente em 30 de setembro de 1949, após quinze meses. No total, a Força Aérea dos Estados Unidos, a Marinha dos Estados Unidos, a Força Aérea Real e a Força Aérea Real Australiana entregaram 2.334.374 toneladas, quase dois terços das quais eram carvão, em 280.290 voos para Berlim.

Como foi

Era primavera de 1948, a Segunda Guerra Mundial acabara há três anos. O sonho de Adolf Hitler de um reino nazista milenar e sua ideologia racista custara milhões de vidas humanas. A Alemanha jazia em ruínas, e agora os sobreviventes tinham esperança de tempos melhores.

Entretanto a sombra da Guerra Fria ainda pesava sobre a reconstrução. Os Aliados ocidentais e a União Soviética (URSS) se observavam mutuamente, com desconfiança. As tensões eram especialmente sensíveis na Berlim dividida. O oeste da metrópole era administrado pelas potências vencedoras Estados Unidos, Reino Unido e França, e o leste, pela URSS.

Zonas de ocupação pelas potências aliadas da Alemanha derrotada , após 1945, com a localização de Berlim

No três setores das potências ocidentais em Berlim, viviam cerca de 2 milhões de pessoas, como numa ilha em meio ao império soviético. Tanto a Alemanha Oriental, que circundava a cidade, como o Leste Europeu estavam firmes na mão de Moscou. Berlim Ocidental só era abastecida por uma linha ferroviária, uma autoestrada e algumas vias fluviais, atravessando o território da zona comunista.

Em 20 de junho de 1948, se iniciou uma prova de força entre Leste e Oeste, quando os Aliados decidiram criar uma união monetária, introduzindo o D-Mark, o marco alemão.

Soviéticos contra o marco alemão

A intenção era estabilizar economicamente a Alemanha através de uma moeda forte. Mas a União Soviética se recusou a aceitar a introdução do marco também em Berlim Ocidental, temendo que ela consolidasse o status especial daquela parte da cidade em meio ao território soviético, como um flanco aberto para os Aliados. O conflito latente se transforma em briga declarada.

"Assim ocorreu um racha entre as três potências ocupadoras ocidentais e o lado soviético", conta Bernd von Kostka, do Museu do Aliados, na capital alemã. "Uma política conjunta para a Alemanha se tornou impossível com a união monetária."

O Muro de Berlim

Na madrugada de 24 de junho, os soviéticos barraram todos os acessos à parte oeste. Como 75% da eletricidade vinha das regiões circundantes, logo as luzes se apagaram. O Bloco Comunista planejava desmoralizar os habitantes, a fim de expulsar os Aliados da metrópole dividida.

"Ninguém sabia o que estava acontecendo, nem os americanos, nem nós", lembra o berlinense Gerhard Bürger, cujas recordações, assim como de outras testemunhas da época, estão disponíveis no website do projeto Memória da Nação, da Fundação Haus der Geschichte (Casa da História).

"O medo de que os americanos nos abandonassem, de que nós, por assim dizer, fôssemos cair nas mãos dos russos, era enorme", relata.

Aliados defendem bastião contra comunismo

Os Aliados resolveram defender seus postos, ainda que se tratasse da antiga capital do inimigo recém derrotado, que levara morte e devastação a tantas partes do mundo. Os EUA viam Berlim Ocidental como posto avançado da liberdade, um bastião contra o comunismo a ser defendido.

Como os Aliados não haviam fechado nenhum contrato com a URSS sobre a utilização das vias de acesso, não dispunham de nenhum recurso jurídico contra o bloqueio. Uma opção militar não entrava seriamente em cogitação, devido ao alto risco envolvido.

Americanos e britânicos se uniram na missão de abastecer Berlim pelo ar. Franceses se juntaram mais tarde

Os únicos três corredores aéreos possíveis até Berlim

Por outro lado, americanos, ingleses e franceses dispunham de três corredores aéreos garantidos. O tempo urgia, com os berlinenses ocidentais sob ameaça de morrer de fome.

"Logo começou a ser mais racionado ainda, além do racionamento normal. Era uma ingerência na vida que não podia ter um efeito mais dramático", recorda o cidadão Eberhard Schönknecht.

Americanos e britânicos se uniram na missão de abastecer Berlim pelo ar. Franceses se juntaram mais tarde

De comum acordo com seus aliados, o então presidente dos EUA, Harry S. Truman, decidiu realizar uma espetacular operação de salvamento: abastecer inteiramente por via aérea uma cidade daquelas proporções, com 2 milhões de habitantes, em meio à reconstrução sobre as ruínas de uma guerra mundial.


Plano mirabolante

O plano de estabelecer uma tão monumental Luftbrücke (ponte aérea) provisória foi apoiado "com ressalvas", relata Von Kostka. Mas não havia alternativa.

Em 26 de junho, os primeiros aviões da Força Aérea americana partiram de Frankfurt e Wiesbaden para Berlim. Os franceses, que acabavam de sofrer sob a ocupação alemã, precisaram de mais tempo para se decidir a favor da assistência aérea.

A felicidade das crianças ao ver um dos aviões chegando com mantimentos

Contudo, em breve os aviões de transporte estavam voando ininterruptamente. A intervalos de 90 segundos, aterrissavam no aeroporto Tempelhof, no setor americano; Gatow, no britânico; e, a partir de dezembro de 1948, no aeroporto Tegel, recém ampliado pelos franceses.

A parte sitiada de Berlim precisava diariamente, em média, de pelo menos 5 mil a 6 mil toneladas de gêneros alimentícios e carvão. A maior operação transcorreu entre 15 e 16 de abril de 1949, quando, no espaço de 24 horas, 1.400 aviões entregaram quase 13 mil toneladas de carga.

Itens do pacote de suprimentos

Os pilotos da ponte aérea estavam mobilizados constantemente, muitas vezes esgotados, arriscando a vida para aterrissar na cidade sitiada, independentemente das condições meteorológicas. 

Carregamento de leite em um avião para Berlim Ocidental

Algumas máquinas sofreram acidentes. As movidas a hélices, apelidadas pelos berlinenses de Rosinenbomber (bombardeiros de uvas-passas), sobrevoavam a cidade tão baixo ao aterrissar, que tripulação e cidadãos podiam trocar acenos.

"Bombardeiros de uvas-passas" voavam tão baixo que pilotos e berlinenses trocavam acenos

Com paraquedas improvisados, os pilotos jogavam chocolates e chicletes para as crianças. "Na época, o sentimento em relação à Luftbrücke entre nós, jovens, era fantástico", recorda o berlinense Günter Schliepdiek. "A simpatia pelos americanos no nosso meio era, sem dúvida, muito, muito grande."

De onde vem o nome de “Rosinenbomber”?


O tenente norte-americano Gail Seymour Halvorsen (foto acima) jogou do avião pacotinhos com balas e chocolates, para dar um pouco de alegria às crianças da Berlim destruída. Outros pilotos imitaram esse gesto. Até o fim do bloqueio, devem ter chovido sobre Berlim cerca de 23 toneladas de doces.

Berlinenses determinados

Não apenas a façanha logística dos Aliados foi decisiva, mas também a força de vontade dos sitiados. Na página multimídia do projeto Memória da Nação, o historiador suíço Walther Hofer descreve a situação no inverno, quando cada casa só tinha uma hora de eletricidade a cada 24 horas, pois era preciso trazer pelos ares o carvão para as usinas elétricas.

"O horário mudava de semana para semana, de forma que, dependendo do caso, só dava para cozinhar a única refeição quente do dia à 1h da manhã." Não se podia sequer falar de calefação. "Foram privações inacreditáveis que a população teve que aguentar", avalia Hofer, docente da Universidade Livre de Berlim nos anos 50.

Um transporte Skytrain Douglas C-47 na abordagem para Flughafen Berlin-Templhof, por volta de 1948

Um Douglas C-54 Skymaster se aproxima do final da pista de tapete de aço perfurado em Berlim, por volta de 1949

Um Douglas C-54 Skymaster na aproximação final para Flughafen Berlin-Tempelhof

Em 9 de setembro, num discurso histórico, o prefeito de Berlim Ocidental, Ernst Reuter, apelou às potências ocidentais para que não deixassem a cidade à sua sorte.

"Povos do mundo, povos da América, da Inglaterra, da França: olhem para esta cidade e reconheçam que vocês não devem, não podem entregar esta cidade e este povo", apelava o social-democrata ao microfone, diante das ruínas do parlamento, o Reichstag.

A cada dia em que mantinham a ponte aérea, os Aliados ocidentais conquistavam mais simpatia da opinião pública internacional, enquanto caía a reputação dos soviéticos. Por fim, o ditador Josef Stalin reconheceu não ter como vencer aquele pôquer de poder.

Aeronaves americanas descarregando no aeroporto de Tempelhof, Berlim Ocidental, em 1948

Em 12 de maio de 1949, o bloqueio foi suspenso, após negociações secretas com Washington. Até então, as Forças Aliadas haviam levado mais de 2,1 milhões de gêneros de primeira necessidade à cidade, em cerca de 260 mil voos, numa verdadeira proeza de logística. Não só para os berlinenses, mas para todos os alemães ocidentais, a ponte aérea tinha um enorme significado simbólico e psicológico.

101 aviadores perderam a vida nesse ato de heroísmo.

Monumento em memória da Ponte Aérea, no aeroporto de Tempelhof. Dois equivalentes em Frankfurt e Celle

Fontes: deutschland.de / dw.com / thisdayinaviation.com - Fotos: Força Aérea dos EUA / Revista Life / DPA / Aviões e Músicas - Edição de texto e imagens: Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos)