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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Vídeo: O ACIDENTE entre HELICÓPTEROS que chamou a ATENÇÃO da AVIAÇÃO


Um acidente envolvendo dois helicópteros na Barra da Tijuca chamou a atenção do público e levantou muitas dúvidas sobre como funciona a operação aérea em uma das regiões com maior movimentação de aeronaves de asas rotativas do Brasil.

Neste vídeo, não analisamos as causas do acidente nem fazemos especulações. O foco é explicar como funciona a operação de helicópteros na Barra da Tijuca, os desafios de coordenação do tráfego aéreo local, os procedimentos adotados pelos pilotos, a infraestrutura disponível e por que essa região concentra um volume tão elevado de voos diariamente.

A Barra da Tijuca abriga diversos helipontos, operações corporativas, transporte executivo, voos particulares, cobertura jornalística, apoio offshore e outras atividades que tornam o espaço aéreo local um dos mais movimentados do país.

Entenda os bastidores dessa operação, os cuidados envolvidos e a importância dos procedimentos que contribuem para a segurança da aviação.

sábado, 4 de julho de 2026

Helicóptero de luxo apreendido com tráfico vai a leilão por R$ 700 mil

Helicóptero SIkorsky S76 que irá a leilão na pintura usada pelo governo de Mato Grosso do Sul
 (Imagem: Reprodução do laudo pericial)
Um helicóptero de luxo Sikorsky S-76C, avaliado em R$ 700 mil, será levado a leilão judicial após o governo de Mato Grosso do Sul desistir de sua operação. A aeronave, de matrícula PR-LCD, foi apreendida pela Polícia Federal no âmbito da Operação Além-Mar, que investigou um esquema de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Origem e uso pelo poder público


O helicóptero pertencia originalmente a empresas ligadas a André Luiz Gomes Ferreira, um dos alvos da Operação Além-Mar. Após a apreensão, a Justiça Federal de Pernambuco autorizou que o bem fosse utilizado provisoriamente pela Casa Militar do estado de Mato Grosso do Sul, que assumiu a função de fiel depositária da aeronave.

A cessão de bens apreendidos para órgãos públicos é uma prática prevista na Lei de Drogas (Lei 11.343/2006), visando dar utilidade social ao patrimônio enquanto o processo judicial não chega ao fim. No entanto, o que deveria ser um reforço para a frota estatal tornou-se um peso financeiro para o governo sul-mato-grossense.

Em 2020, foi decidido que a aeronave seria destinada à Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) em detrimento de pedido feito, também, pelo governo do estado do Paraná. Essa decisão levou em conta que o órgão federal teria melhor capacidade de definir para qual instituição o helicóptero seria destinado, que acabou sendo o governo de Mato Grosso do Sul.

'Elefante branco' de R$ 5,5 milhões


Helicóptero SIkorsky S-76 que irá a leilão na pintura usada pelo governo de Mato Grosso do Sul
 (Imagem: Reprodução do laudo pericial)
Recentemente, o governo de Mato Grosso do Sul peticionou à Justiça informando a desistência do uso do helicóptero. O principal motivo alegado foi o altíssimo custo de manutenção, estimado em mais de R$ 5,5 milhões apenas para o ano de 2026.

Além do impacto orçamentário, o ente público relatou que não possuía pilotos habilitados em seu quadro para operar esse modelo específico e que a utilização era baixíssima. Em todo o ano de 2025, o helicóptero realizou apenas três voos, segundo relato do juiz responsável.

Diante da dificuldade de mantê-lo, o estado solicitou a devolução do bem para evitar sua deterioração.

Helicóptero SIkorsky S-76 de matrícula PR-LCD que irá a leilão
(Imagem: Reprodução do laudo pericial)

Leilão e depreciação


Com a devolução, o juiz Jorge André de Carvalho Mendonça, da 4ª Vara Federal de Pernambuco, determinou a alienação antecipada do bem. Essa medida é tomada para preservar o valor econômico do ativo, impedindo que o helicóptero perca valor de mercado parado em um hangar.

Embora aeronaves do modelo Sikorsky S-76C de 2003 possam valer cerca de R$ 2,5 milhões no mercado internacional, o laudo de avaliação fixou o valor de venda em R$ 700 mil.

Painel do helicóptero SIkorsky S-76 de matrícula PR-LCD que irá a leilão
(Imagem: Reprodução do laudo pericial)
O preço reduzido reflete uma depreciação técnica de 65%, motivada pelo elevado número de horas de voo (aproximadamente 9.400 horas) e pela proximidade de uma revisão geral ("overhaul") de alto custo nos motores e rotores.

O cálculo dos gastos é explicado pelo perito no processo da seguinte forma:
  • Inspeções da célula (estrutura física e mecânica do helicóptero): R$ 200 mil
  • Revisão geral dos motores: R$ 900 mil
  • Revisão geral de pás e rotores: R$ 550 mil
  • Revisão geral de instrumentos e aviônicos (componentes eletrônicos): R$ 30 mil
  • Revisão geral de componentes: R$ 120 mil
Ainda segundo o perito nomeado, o valor médio da aeronave em condições adequadas de voo é de R$ 2,5 milhões. Sendo aplicada uma depreciação de 65%, o valor técnico fica em R$ 875 mil, mas o valor estimado de leilão judicial acabou ficando em R$ 700 mil, descontadas as manutenções, revisões e inspeções obrigatórias.

Contexto jurídico


Helicóptero SIkorsky S-76 que irá a leilão na pintura antiga antes de ser concedido ao
governo de Mato Grosso do Sul (Imagem: Reprodução do laudo pericial)
A venda ocorre enquanto o processo principal ainda tramita, mas ganhou urgência devido à morte do réu André Luiz Gomes Ferreira no curso da ação, o que deixou o destino definitivo do bem pendente de julgamento de recursos.

O valor arrecadado no leilão ficará depositado em uma conta judicial. Caso haja uma condenação definitiva, o dinheiro será revertido para a União. Em caso de absolvição, o montante será entregue aos herdeiros do réu.

O leilão será conduzido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), órgão do Ministério da Justiça responsável pela gestão de patrimônio confiscado do crime organizado.

Embora o leilão se encerre apenas no dia 2 de julho, os valores já se aproximavam da casa de R$ 1 milhão. O lance inicial era de R$ 350 mil, metade do valor de avaliação, de R$ 700 mil, e o valor total estava em R$ 993,3 mil na tarde de sexta-feira (26).

O pregão está sendo realizado pela Pimentel Leilões, e também conta com outro lote que contém uma aeronave avaliada em R$ 460 mil.

Helicóptero Sikorsky S-76 de matrícula PR-LCD que irá a leilão
(Imagem: Reprodução do laudo pericial)

Ficha técnica

  • Aeronave: Helicóptero S-76C
  • Fabricante: Sikorsky (EUA)
  • Ano de fabricação: 2003
  • Número de série: 760549
  • Peso máximo de decolagem: 5.307 kg
  • Capacidade: 12 passageiros (mais dois pilotos)
  • Comprimento: 13,2 metros
  • Largura: 2,1 metros
  • Diâmetro do rotor principal: 13,4 metros
Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Vídeo: ACH145 - O helicóptero mais exclusivo do mundo!


Já imaginou uma collab entre a Mercedes-Benz e um helicóptero de última geração? Pois é — ela existe! Vem conhecer de dentro o H145 com interior assinado pela Mercedes-Benz, montado no Brasil e cheio de tecnologia de ponta.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Aconteceu em 2 de julho de 2013: Acidente com helicóptero no voo Polar Airlines 9949 na Sibéria

Um Mi-8 semelhante à aeronave acidentada
Em 2 de julho de 2013, o helicóptero 
Mil Mi-8, prefixo RA-22657, da Polar Airlines, operava o voo 9949, um voo de rotina na República Siberiana da Iacútia, na Rússia, levando a bordo 25 passageiros (incluindo 11 crianças) e três tripulantes.

A construção de estradas é complicada na Iacútia devido aos longos invernos e ao permafrost, e os helicópteros de passageiros de projeto soviético ainda são o único meio de transporte confiável nesta república pouco povoada, do tamanho da Índia.

Às 22h, horário local, a tripulação passou por um exame médico pré-voo no hospital local da vila de Deputatsky. Sem que fossem constatadas quaisquer anormalidades de saúde, a tripulação foi liberada para operar o voo, que estava programado para as 23h, horário local. 

O mecânico de voo reabasteceu o helicóptero com 2.800 litros de combustível resistente ao gelo. Às 22h30, os pilotos receberam a previsão meteorológica para a rota e, sem identificar quaisquer problemas, a aprovaram.

Às 23h38, o comandante solicitou autorização para decolar utilizando regras de voo visual e para ligar os motores, tendo recebido confirmação para ambas as solicitações. Às 23h51, o voo 9949 recebeu autorização para decolar 51 minutos após o horário de partida programado e, logo após a decolagem, iniciou uma curva à direita. Às 23h58min46s, a tripulação reportou seu status à central de despacho; esta foi a última comunicação via rádio do voo 9949.

Às 00h13, o helicóptero colidiu com um afloramento rochoso elevado, perto de Deputatsky, uma localidade urbana do distrito de Ust-Yansky, na República de Sakha, na Rússia, destruindo completamente a aeronave. 

Às 00h34, o piloto em comando, usando um telefone via satélite, ligou para relatar o acidente e que havia alguns sobreviventes, mas muitas mais vítimas fatais. No total, todos os 3 tripulantes e 1 passageiro sobreviveram ao acidente.


De acordo com um porta-voz do Ministério de Situações de Emergência, 24 pessoas morreram no acidente; os três tripulantes e uma criança sobreviveram. Os primeiros relatos sugeriram que o piloto perdeu o controle do helicóptero devido a ventos fortes. O acidente foi investigado pelo Comitê Interestadual de Aviação. 

A equipe de investigação do Comitê Interestadual de Aviação concluiu a investigação do acidente com o helicóptero Mi-8T RA-22657, pertencente à empresa aérea "Polar Airlines", ocorrido na República de Sakha (Yakutia) em 2 de julho de 2013.


Muito provavelmente, o acidente fatal com o helicóptero Mi-8T RA-22657, pertencente à empresa aérea "Polar Airlines", foi causado pelo descumprimento das regras de voo visual (VVR) pelo piloto em comando (PIC) da aeronave, conforme especificado no Regulamento de Aviação Civil (FAR) para voos no espaço aéreo da Federação Russa, aprovado pela Portaria do Ministro da Defesa, Ministério dos Transportes da Federação Russa, Agência Aeroespacial Russa nº 136/42/51, de 3 de março de 2002, e no FAR nº 128 "Preparação e execução de voos na aviação civil da Federação Russa", aprovado pela Portaria do Ministério dos Transportes da Federação Russa nº 128, de 31 de julho de 2007, envolvendo uma decisão intempestiva de retornar ao aeródromo de partida. 

Deterioração das condições meteorológicas em voo abaixo das especificadas para VFR, descida abaixo da altitude de segurança em terreno montanhoso. A falta de proficiência e habilidades de voo IFR, bem como o não cumprimento do nível de treinamento do piloto em comando (PIC) com o Regulamento de Aviação Federal (FAR) "Requisitos para tripulantes, pessoal de manutenção e operações em solo da aviação civil", aprovado pela Portaria nº 147 do Ministério dos Transportes da Federação Russa, de 12 de setembro de 2008, não foram levados em consideração pela Comissão de Alta Qualificação da FATA durante a concessão da Licença de Piloto de Linha Aérea (LTP) ao PIC.


Os fatores que provavelmente contribuíram para o ocorrido foram:
  • Treinamento de voo insatisfatório da tripulação (o treinamento preliminar de voo de toda a tripulação não foi realizado, o perfil de altitude em terreno montanhoso e o perfil de elevação do solo não foram indicados no plano de voo operacional, a altitude em rota não foi especificada).
  • A companhia aérea não comunicou à tripulação os dados de rota e altitude apresentados no plano de voo e disponíveis na autorização de uso do espaço aéreo do centro UATMS.
  • Nível insatisfatório dos procedimentos operacionais padrão.
Os seguintes fatores podem contribuir para lesões e fatalidades de passageiros:
  • bagagem solta, correspondências e cargas transportadas no porão de carga;
  • não utilização do cinto de segurança pelos passageiros;
  • posicionamento inadequado de passageiros e crianças nos assentos.
Caso o GPWS (Sistema de Alerta de Perigo de Voo) esteja ativado, ele garantirá o alerta de perigo para a tripulação. Acidentes fatais poderiam ser evitados com treinamento adequado da tripulação sobre o uso do GPWS em voo.

Com base nos resultados da investigação, foram elaboradas as recomendações de segurança adequadas.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia

domingo, 28 de junho de 2026

Curiosidade: O primeiro voo de helicóptero da história

Em 13 de novembro de 1907, um fabricante francês de bicicletas conseguiu manter seu aparelho de fabricação própria a 30 centímetros do solo por 20 segundos, marcando um antes e um depois no mundo da aviação. Quem ele era e quanto ganhou por conquistá-lo.

O feito de Cornu foi um marco na história da aviação mundial
Há mais de 113 anos, o engenheiro francês de origem romena, Paul Cornu, realizou um feito que marcaria um antes e um depois na aviação mundial: o primeiro voo em helicóptero da história.

Nascido em 15 de junho de 1881 na pequena comuna francesa de Glos-la-Ferriére e grande fabricante de bicicletas , ao saber que o milionário fã da aviação francês, Henry Deutsh de la Meurthe, anunciou publicamente que lhe daria uma recompensa nada menos Mais de 50.000 francos para a primeira pessoa que fizesse um voo circular de um quilômetro a bordo de uma máquina pesada, Cornu rapidamente começou a trabalhar, pois estava totalmente convencido de que seu conhecimento mecânico lhe permitiria realizar tal desafio.

O voo histórico ocorreu em 13 de novembro de 1907 na comuna de Lisieux, localizada no departamento de Calvados, no norte da França, a bordo de um helicóptero que ele havia pessoalmente encarregado de projetar. Seu surpreendente modelo pesava apenas 18 quilos e apresentava um então potente motor Antoniette de 24 cv e dois rotores de rotação reversa, localizados em ambos os lados do dispositivo.


Para sua própria surpresa e de todas as pessoas que se reuniram no local para testemunhar o que, para muitos, foi uma loucura impossível de cumprir, Cornu conseguiu ficar a cerca de 30 centímetros do solo por 20 segundos. Os rotores moviam-se a 90 rotações por minuto.

Nesse mesmo dia, com o irmão Jaques por companheiro, fez outra tentativa em que conseguiu subir a um metro e meio do solo. No entanto, após várias tentativas malsucedidas posteriormente, Paul percebeu que o dispositivo era muito difícil de controlar e decidiu não realizar mais testes.

Cornu morreu em 6 de junho de 1944, esmagado sob os escombros de sua casa, que foi destruída durante os bombardeios que precederam os desembarques dos Aliados na Normandia, durante a Segunda Guerra Mundial.


O primeiro helicóptero


Sem dúvida, o helicóptero usado por Cornu não tem nada a ver com os que vemos voando atualmente . Era um modelo que parecia um emaranhado de roldanas, cintos de couro e guayas prestes a explodir ou voar, mas em pedaços.

Cornu fez uma fuselagem improvisada semelhante a um V e cada um instalou um rotor com duas pás gigantes e no centro dessa estranha massa de ferro e tiras ele construiu uma estrutura tubular.


Atrás do motor potente, ele localizou uma bateria e o assento da pessoa que iria pilotar a máquina. Tudo neste dispositivo era rudimentar, principalmente a forma de controlar o primeiro protótipo: alavancas que levantavam e abaixavam a nave.

Apesar do avanço que a invenção de Cornu trouxe, a indústria aérea demorou a popularizar essa aeronave, então o esforço se concentrou na produção em massa e no desenvolvimento de aeronaves . No entanto, anos depois começaram a fabricar, embora de forma muito rudimentar, alguns protótipos que foram se aperfeiçoando ao longo dos anos até chegar aos atuais designs avançados que, aliás, estão muito distantes do utilizado por Cornu.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Aconteceu em 26 de junho de 1978: Acidente com o voo 165 da Helikopter Service na Noruega

Um Sikorsky S-61 da Helikopter Service semelhante à aeronave acidentada
Em 26 de junho de 1978, o helicóptero Sikorsky S-61N-II, prefixo LN-OQS, da Helikopter Service, realizava um voo do Aeroporto de Bergen, na Noruega, para a plataforma de petróleo offshore Statfjord A.

Com 18 ocupantes a bordo, o helicóptero caiu no no Mar do Norte, 78 milhas náuticas (144 km; 90 milhas) a noroeste de Bergen, na Noruega.  Todas as dezoito pessoas a bordo morreram no acidente.

Destroços resgatados do helicóptero acidentado
O acidente foi causado por uma rachadura por fadiga em uma junta articulada, fazendo com que uma das pás do rotor se soltasse. 

Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipedia e ASN

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Aconteceu em 18 de junho de 1986: Avião e helicóptero colidem sobre o Grand Canyon (EUA)


Em 18 de junho de 1986, às 8h55 , a manhã estava clara e ensolarada quando o
de Havilland DHC-6-300 Twin Otter "Vistaliner", prefixo N76GC, operado pela Grand Canyon Airlines, partiu do Aeroporto do Grand Canyon National Park para sua excursão aérea de uma hora (voo 6).

O de Havilland DHC-6-300 Twin Otter "Vistaliner" envolvido na colisão
A bordo estavam 18 passageiros, muitos dos quais eram cidadãos holandeses com reserva feita por uma empresa de turismo promovida pela American Express. Os dois membros da tripulação eram pilotos experientes em viagens aéreas, com vários anos voando no Grand Canyon.

Menos de uma milha ao norte do aeroporto, às 9h13, o helicóptero Bell 206B Jet Ranger, prefixo N6TC, operado pela Helitech Inc., decolou do heliporto da empresa em Tusayan, Arizona, para um voo turístico de 40 minutos com quatro passageiros. O piloto do helicóptero também era muito experiente.

Bell 206B Jet Ranger operado pela Helitech
Ambos os voos prosseguiram normalmente em seus voos de excursão aérea prescritos, embora não existissem regulamentos ou rotas padronizadas na época. 

Todos os voos dentro do espaço aéreo do Grand Canyon no que diz respeito a rotas e altitudes foram conduzidos por um "acordo de cavalheiros" com as várias empresas de turismo aéreo. 

Uma separação sugerida de 150 metros de altitude entre helicópteros e aviões era a almofada de segurança.


Por volta das 9h30, os dois voos estavam se aproximando de uma formação geológica conhecida como Templo Mencius. The Twin Otter, indicativo de chamada "Canyon 6" do oeste e o Bell Jet Ranger, indicativo de chamada "Tech 2" do norte.

Por razões indeterminadas até hoje, ambas as aeronaves colidiram em um impacto terrível a uma altitude de 6.500 pés. 

A colisão separou o mastro do rotor principal do helicóptero enquanto as pás do rotor em desintegração rasgaram a cauda do Vistaliner, fazendo com que ele se separasse em voo.

Um esboço de como - provavelmente - ocorreu a colisão
Tanto o avião quanto o helicóptero tombaram e caíram invertidos na encosta sudoeste do Templo de Mêncio. Todas as 25 pessoas em ambas as aeronaves morreram, tornando este acidente o segundo desastre aéreo mais mortal no Grand Canyon até hoje.

Os que estavam a bordo do avião bimotor, de acordo com o gabinete do xerife, eram em sua maioria turistas estrangeiros - 11 da Holanda, dois da Suíça e um da África do Sul. Os outros seis supostamente eram dos Estados Unidos. 

Os destroços do avião estavam cerca de 1.800 pés acima do rio Colorado e os destroços do helicóptero estavam cerca de 1.200 pés de altura.

Às 9h52, o piloto do helicóptero do National Park Service Tom Caldwell com NPS Rangers; Ernie Kuncl e Charlie Peterson (EMT) foram os primeiros a responder à cena do acidente.

Após a chegada, os dois aviões de turismo foram completamente envolvidos pelas chamas. O Ranger Peterson permaneceu no local como coordenador interino da cena do acidente. Nenhuma tentativa foi feita para apagar os incêndios que arderam por várias horas.

O principal local de impacto do "Canyon 6" foi na encosta sudoeste do Templo Mencius. Os destroços do "Tech 2" caíram quase meia milha a sudoeste do local de impacto do "Canyon 6" na extremidade leste de Tuna Creek
Detritos em chamas foram espalhados ao longo de 800 metros entre os locais onde o avião de asa fixa e o helicóptero se espatifaram no solo, disseram as autoridades.

O guarda florestal do Parque Nacional do Grand Canyon, Charles Peterson, que foi deixado por um helicóptero de serviço do parque perto dos destroços no planalto Tonto cerca de um quilômetro ao norte do rio, relatou que não havia sobreviventes. Ele encontrou dois corpos a poucos metros dos destroços do helicóptero, mas nenhum dos ocupantes do avião de asa fixa parecia ter sido jogado para fora.

Peterson disse em uma coletiva de imprensa na quarta-feira à noite no Grand Canyon Visitors Center que ele chegou ao local por volta das 10h da manhã e “naquele momento, os dois aviões estavam totalmente em chamas. Minha impressão inicial foi que ninguém poderia ter sobrevivido ao acidente ”.

Ele disse que podia ver "pedaços de restos humanos". O helicóptero havia se desintegrado a ponto de apenas sua cauda ser reconhecível. Ele disse que parecia ter sido cortado.

O National Transportation Safety Board constatou que as tripulações das duas aeronaves não conseguiram "ver e evitar" uma a outra, mas não puderam determinar por que isso ocorreu devido à falta de dados de voo registrados (não havendo necessidade de tal registro para voos panorâmicos que estavam sendo operados).


A investigação do acidente também descobriu que o número limitado de pontos cênicos de interesse no Grand Canyon concentrava os voos sobre esses pontos, aumentando o risco de colisão; e recomendou que a Federal Aviation Administration (FAA) regule a separação de rotas de voo de aeronaves de asa fixa e helicópteros. Após o acidente, a FAA impôs mudanças na operação de voos panorâmicos sobre o Grand Canyon.

Leia mais sobre este acidente, incluindo a localização de destroços de ambas aeronaves alguns anos depois, no site Lost Flights.

Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipedia, Lost Flights, ASN e baaa-acro

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Leonardo Da Vinci já planejava helicópteros há 500 anos

Principal nome do Renascimento, o polímata desenhou uma máquina que após mais de cinco séculos se mostrou 100% viável para sua finalidade, voar.


Há mais de quinhentos anos, quando Leonardo Da Vinci (1452-1519) imaginou criar um objeto que “perfurasse o ar” para levantar voo, começou por desenhar uma rústica forma de helicóptero, que ficou conhecida como “parafuso helicoidal aéreo”.

No esboço, tomou cuidado com o detalhamento, referiu-se à engenhoca como algo que deveria ser feito de madeira e arame com uma espiral no centro. Da Vinci talvez não imaginasse que cinco séculos depois, sua ideia serviria de base para a construção de um moderníssimo Veículo Aéreo Remotamente Pilotado, um drone.

Esboço: Para o inventor renascentista não bastava pensar em coisas novas:
ele desenhava e indicava como deveria ser feito (Crédito:Divulgação)
A criação futurista do maior gênio da Renascença, evidentemente, era algo impossível de ser transformado em realidade de forma satisfatória no momento de sua idealização. Ou seja, mesmo tratando-se de um artista exuberante, capaz de construções estupendas, não havia tecnologia suficiente que lhe permitisse fazer o aparelho voar. 

Mas nos dias atuais, no entanto, o rabisco possibilitou que um grupo de estudantes de engenharia da Universidade de Maryland, nos EUA, fizesse um drone diferente dos convencionais. Ao invés de colocar hélices com formato tradicional, os universitários seguiram os ensinamentos de Da Vinci e preferiram mudar o visual aerodinâmico, colocando asas flexíveis de plástico, com feição semelhante ao do rascunho secular. 

Gênio: Da Vinci criou projetos em diversas áreas do conhecimento humano:
pintura, escultura, arquitetura, design e música (Crédito:Divulgação)
O projeto foi batizado de Crimson Spin e utilizado para participação em uma competição de ciência na instituição, a chamada Transformativa Vertical Flight 2022, realizado em San José, no estado da Califórnia.

As hélices giratórias permitem que o drone saia do chão. “Bem interessante essa ideia. Incrível como Leonardo Da Vinci era tão inteligente, e deixou concepções maravilhosas. As hélices helicoidais produzem o empuxo necessário para levantar o drone”, afirma Gleisson Balen, mestre em engenharia elétrica, atualmente pesquisador na universidade de Oviedo, na Espanha. 

Invenções de máquinas em ambiente escolar, às vezes, dão resultado comercial, mas nesse caso não. A aeronave tirou o primeiro lugar na disputa universitária, mas o equipamento acabou abandonado. Os jovens viraram adultos e foram cuidar da vida em empregos formais. “Em caso de uma produção industrial, o desafio seria manter a estabilidade no ar, devido ao formato das hélices e ao peso extra em comparação com asas usadas atualmente”, diz Balen. 

No momento da vitória, Austin Prete, aluno que liderou a equipe, declarou à imprensa local que o curso lhe proporcionou emprego e não terá tempo de continuar com o drone. “Gostaria de mostrar que a solução de helicóptero pensada por Da Vinci pode ser, embora anacrônica, viável”.

“Esse momento era o auge da mudança da percepção artística”, diz Rodrigo Rainha, historiador. Rainha explica que no Renascimento buscava-se exaustivamente a valorização do intelecto e sensibilidade do ser humano com base na escola Clássica. 

“Nesse contexto Da Vinci procurou demonstrar os limites do homem e por isso voar era importante”, pontua. O gênio italiano também desenvolveu outros esboços fantásticos, principalmente, em sua faceta anatomista. O Homem Vitruviano representa a impecável harmonia e equilíbrio do corpo. O polímata foi escultor, pintor, inventor, cientista, arquiteto, matemático, anatomista, entre outras habilidades.

Realizou obras que o tornaram para sempre uma das pessoas mais importantes da humanidade. O quadro Mona Lisa, por exemplo, é a mais famosa e enigmática pintura de todos os tempos, a Última Ceia é outro trabalho grandioso e atemporal. E resta a pergunta: a mente brilhante de Da Vinci imaginaria que após mais de quinhentos anos sua invenção seria atual, e serviria de esteio para criação de um instrumento de voo tão avançado como um drone?

Por Fernando Lavieri (IstoÉ)

domingo, 14 de junho de 2026

Seis morrem em queda de 2 helicópteros no Recreio, no RJ; aeronaves colidiram no ar

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 para a ocorrência, no quarteirão da Avenida das Américas com as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos.


Seis pessoas morreram na queda de 2 helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (14).

Helicópteros que estavam envolvidos no acidente no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)
Segundo testemunhas, as aeronaves Bell 206B JetRanger III, prefixo PP-MAC, da Turfik Comércio de Frutas Ltda., com apenas o piloto a bordo, e Aerospatiale AS 350B2 Ecureuil, prefixo PR-DJJ, particular, com cinco pessoas a bordo, se chocaram no ar.

Segundo o major Fábio Contreras, porta-voz do Corpo de Bombeiros do RJ, ninguém a bordo sobreviveu. Moradores registraram o acidente em diversos vídeos.

Um dos helicópteros que caíram no Recreio (Foto: Reprodução/TV Globo)

Cantor americano Oliver Tree e youtuber argentino Gaspi estão entre as vítimas de acidente de helicóptero no Rio


As autoridades no Rio de Janeiro divulgaram no início da tarde deste domingo (14) o nome das 6 vítimas da colisão e queda de 2 helicópteros no Recreio dos Bandeirantes.

Entre os mortos estão o cantor americano Oliver Tree e o youtuber argentino Gaspi, ambos com pelo menos 2 milhões de seguidores.

Cantor Oliver Tree está entre as vítimas do acidente de helicópteros no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)
As vítimas são:

Helicóptero PP-MAC
  • Alexandre Souza, piloto da aeronave;
  • Gaspar Prim, o Gaspi, youtuber argentino;
  • Lucas Brito Chaves, o Lucas Frota, produtor musical brasileiro;
  • Lucas Vignale, diretor de videoclipes argentino;
  • Nickel Oliver Tree, cantor e produtor americano.
Helicóptero PR-DJJ

Charles Marsillac, piloto.

Quem eram?


Oliver Tree era um músico norte-americano conhecido pela persona excêntrica com visual caricato, com cortes de cabelo e roupas exagerados. Leia perfil do cantor.

Entre os hits do artista estão “Miss You”, parceria com Robin Schulz, e “Life Goes On”. Somados, os clipes têm cerca de 800 milhões de visualizações.

Youtuber argentino Gaspi, que morreu neste domingo em acidente de helicóptero no Rio de Janeiro
(Foto: Reprodução/Instagram)
Gaspar Prim Díaz, conhecido como Gaspi, foi um criador de conteúdo argentino conhecido por seu humor irreverente e provocador, com vídeos de abordagens espontâneas a desconhecidos nas ruas de Buenos Aires, marcados pela saudação “buenass” e por sua voz grave. Confira quem era.

Em 2025, Gaspi ganhou ainda mais visibilidade internacional ao participar da “La Velada del Año V”, evento de boxe entre criadores de conteúdo organizado pelo streamer espanhol Ibai Llanos, no Estádio La Cartuja, em Sevilha.

Onde foi o acidente


O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h59 para a ocorrência. As aeronaves caíram no terreno de uma igreja abandonada que havia sido alugado pela BYD, no quarteirão da Avenida das Américas com as ruas Beth Lago e Rivadávia Campos.

Um dos helicópteros explodiu ao atingir o solo, e as chamas se alastraram pelos veículos elétricos, o que causou mais explosões. A coluna de fumaça podia ser vista a quilômetros de distância.

O outro não pegou fogo e caiu com o trem de pouso para o alto.

VEJA TAMBÉM:

Destroços pelo caminho


A aeronave que explodiu, um Eurocopter AS 350 B2 — conhecido como Esquilo —, tinha 4 passageiros mais o comandante e teria decolado de Angra dos Reis, na Costa Verde.

Na outra, estava somente o piloto.

Fuselagens ficaram espalhadas em um raio de pelo menos 100 metros — uma cauda, por exemplo, parou no terraço de um prédio vizinho. Os helicópteros também caíram em pontos distantes do pátio.

Cerca de 45 militares e 15 viaturas foram empenhados na ocorrência. A pista lateral da Avenida das Américas no trecho foi fechada para o socorro.

Por volta das 10h, o fogo já havia sido controlado, e bombeiros vasculhavam por possíveis vazamento de combustível.

Outro helicóptero explodiu e incinerou carros (Foto: Reprodução/TV Globo)

O que dizem as autoridades


Nota do Cenipa

“A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informa que, neste domingo (14), investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 3), com sede no Rio de Janeiro (RJ), foram acionados para realizar a ação inicial da ocorrência envolvendo duas aeronaves, de matrículas PP-MAC e PR-DJJ, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro (RJ).

Durante a ação inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação.”

Fotos da tragédia


Fogo em pátio no Recreio (Foto: Lucas Barboza)
Explosão pôde ser ouvida do Centro de Futebol Zico (Foto: Marcelo Baltar/ge)
Aeronave de pequeno porte cai no Recreio e causa incêndio (Imagem: Lucas Barboza)

Bombeiros removem corpo de vítima de queda de helicópteros (Foto: Reprodução/TV Globo)
Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Eurocopter foi fabricado em 2012. Conhecido no Brasil como Esquilo, o modelo está entre os helicópteros mais utilizados no país visando atividades que vão desde o transporte executivo até operações de segurança pública, resgate e apoio aéreo.

A aeronave tem capacidade para transportar até cinco passageiros, além do piloto.

Já o Bell 206B foi fabricado em 1999. Bastante popular em operações civis ao redor do mundo, o modelo é utilizado principalmente para transporte de passageiros, voos turísticos, treinamento de pilotos e serviços aéreos privados.

Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave tinha capacidade para transportar até quatro passageiros, além do piloto.


Com informações do g1, UOL e ASN - Atualizado com o nome das vítimas às 16h30

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Aconteceu em 3 de junho de 2007: Acidente com o helicóptero Mil Mi-8 da Paramount Airlines em Serra Leoa


Em 2007, helicópteros, hovercraft e balsas marítimas eram as únicas formas práticas de viajar entre o aeroporto e a capital, Freetown, que são separados pelo rio Serra Leoa no encontro com o Oceano Atlântico.

Os 20 passageiros a bordo do Mil Mi-8, prefixo 9L-LBT, da Paramount Airlines (foto acima), eram torcedores da equipe de futebol do Togo, que regressavam depois de ver a sua seleção nacional jogar contra a Serra Leoa, e os dois pilotos eram de origem ucraniana. Os passageiros fretaram a aeronave especificamente para o voo.

O helicóptero caiu logo quando se aproximava para o pouso, nas proximidades do Aeroporto Internacional de Lungi, em Serra Leoa, matando as 22 pessoas a bordo. 

"Houve uma explosão a bordo do helicóptero antes de pousar", disse Donald Bull, gerente geral da Autoridade Aeroportuária de Serra Leoa.

De acordo com uma testemunha ocular, os dois pilotos saltaram imediatamente antes do acidente. Relatórios posteriores afirmaram que 22 pessoas foram mortas e que o copiloto russo foi o único sobrevivente. 

A aeronave pegou fogo com o impacto e foi destruída antes que os bombeiros pudessem extinguir as chamas. 


De acordo com testemunhas do aeroporto, os bombeiros não compareceram ao local até 40 minutos após o acidente. O bombeiro que estava com as chaves do caminhão de bombeiros não estava em seu posto no aeroporto no momento. Os funcionários do aeroporto tiveram que apagar as chamas com baldes de água.

Togo enviou uma delegação de seis pessoas para ajudar a investigar o acidente, como a maioria dos mortos eram togolês de futebol torcedores visitantes para um Campeonato Africano das Nações de qualificação partida no domingo.

Entre os mortos estavam funcionários do Ministério dos Esportes Togolose e da Federação de Futebol do Togo, além da jornalista Olive Menzah.

Os jogadores e dirigentes do time do Togo seriam o próximo grupo a ser transportado de helicóptero.

O Ministro dos Transportes e Comunicações de Serra Leoa, Dr. Prince Harding, bem como os dois principais oficiais da aviação do país, perderam seus empregos como resultado do acidente e uma comissão de inquérito foi criada.

Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipedia, BBC e @OnDisasters

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Sem “barriga” e com operador sentado de costas para o solo, o helicóptero comercial S-64 instala torres, antenas e estruturas onde ninguém chega

S-64 Air-Crane instalando equipamento pesado no topo de um prédio urbano (Reprodução)
À primeira vista, esse helicóptero comercial parece uma máquina inacabada, daquelas que desafiam qualquer lógica visual. Mas o S-64 Skycrane foi desenhado justamente para isso: levantar cargas gigantes com precisão absurda, instalar estruturas em lugares impossíveis e ainda atuar no combate a incêndios como poucas aeronaves no mundo conseguem.

Por que o S-64 não tem fuselagem traseira?


A ausência da fuselagem traseira não é economia de material: é engenharia deliberada. O S-64 foi projetado para transportar cargas externas volumosas que, em um helicóptero convencional, ficariam obstruídas pela cauda. Ao eliminar essa estrutura, a aeronave consegue posicionar cargas diretamente abaixo do rotor com precisão de centímetros.

Para tornar essa precisão operacional, o Skycrane conta com um terceiro assento voltado para trás, o operador de carga de popa, posicionado na parte traseira da cabine com visão direta para o solo. Esse tripulante tem um conjunto completo de controles de voo e é responsável pelas manobras de aproximação e deposição de cargas em ambientes confinados, como topos de edifícios, clareiras em florestas ou estruturas industriais, onde qualquer erro pode ser catastrófico.

Quais são as especificações técnicas do helicóptero S-64 Skycrane?


Segundo os registros técnicos do modelo, a estrutura completa do S-64 combina potência bruta com leveza estrutural de forma pouco comum em aeronaves de carga pesada.

Os dados técnicos principais são:
  • Dois motores Pratt & Whitney JFTD12-4A turboshaft de 4.500 shp (3.400 kW) cada.
  • Rotor principal de 21,95 metros de diâmetro com seis pás.
  • Peso máximo de decolagem de 19.051 kg.
  • Capacidade de carga externa de até 9.070 kg (20.000 libras).
  • Velocidade de cruzeiro de 175 km/h, teto de serviço de 2.470 metros e autonomia de até 400 km.

Como esse helicóptero surgiu e como chegou à versão civil?


O S-64 foi desenvolvido nos anos 1960 como versão civil do CH-54 Tarhe, helicóptero militar utilizado pelo Exército dos EUA no Vietnã para recuperar aeronaves abatidas, transportar obuseiros e deslocar estruturas de hospitais de campanha. A Sikorsky produziu 97 unidades militares entre 1964 e 1972.

Em 1992, Jack Erickson, que já operava o S-64 desde os anos 1970 e havia desenvolvido pioneiramente técnicas de extração de madeira com helicóptero, adquiriu os direitos de tipo e fabricação do modelo. Desde então, a Erickson Inc. tornou-se o fabricante original e maior operador mundial do S-64, implementando mais de 1.350 modificações no projeto original, incluindo cockpit glass e novas pás de rotor compostas anunciadas em fevereiro de 2024. A frota atual conta com 16 aeronaves operando em países como EUA, Canadá, Grécia, Austrália, Coreia do Sul e Itália.

O que esse helicóptero consegue levantar e instalar na prática?

A carga máxima de 9.070 kg em suspensão externa é o dado técnico. O que impressiona é o contexto de uso. Em construção de infraestrutura elétrica, o S-64 posiciona torres de transmissão de alta tensão em terrenos montanhosos inacessíveis a qualquer equipamento terrestre. Uma operação que, com guindastes convencionais, exigiria abertura de estradas e semanas de trabalho, é concluída em minutos.

Segundo a própria Erickson Inc., em projetos de construção civil urbana, o helicóptero instala unidades de ar-condicionado central, antenas, equipamentos de telecomunicações e estruturas pré-fabricadas no topo de arranha-céus sem interromper o tráfego abaixo. Na extração florestal, toras são retiradas individualmente, sem necessidade de abertura de caminhos, reduzindo o impacto ambiental da colheita, técnica na qual Erickson foi pioneiro mundial nos anos 1970.

O canal Erickson Incorporated, com mais de 7,09 mil inscritos no YouTube, mostra em detalhes o funcionamento e as capacidades do S-64 Air-Crane em diferentes missões pelo mundo:


Como o S-64 combate incêndios florestais e qual é sua capacidade de descarga?


O papel mais documentado do S-64 é o de helicóptero-tanque de combate a incêndios. Com um tanque fixo de 10.031 litros acoplado ao ventre da aeronave, o helicóptero enche o reservatório em voo pairante sobre qualquer corpo d’água com profundidade mínima de 60 cm, em menos de 45 segundos. A cadência de descarga chega a mais de 95.000 litros por hora em operações contínuas.

Os diferenciais operacionais do S-64 no combate a incêndios incluem:
  • Enchimento completo do tanque de 10.031 litros em menos de 45 segundos, sem necessidade de pousar.
  • Capacidade de atacar frentes de fogo em locais inacessíveis a aeronaves de asa fixa, pela mobilidade do rotor e precisão do operador de popa.
  • Descarga de mais de 95.000 litros por hora em operações contínuas de enchimento e descarga.
  • Classificação pela ANAC brasileira como aeronave de carga externa classe A, com módulo específico para combate a incêndios e hidrossemeadura.

Por que, em 2026, ainda não existe substituto para esse helicóptero?


Segundo avaliação operacional da ANAC, mais de seis décadas após o primeiro voo do S-64, nenhuma aeronave de produção em série oferece a mesma combinação de capacidade de carga, precisão de posicionamento, versatilidade de módulos e capacidade de reabastecimento rápido. O design concentra massa e potência diretamente sob o rotor, minimiza resistência aerodinâmica e maximiza a visibilidade do operador de popa.

O helicóptero que parece inacabado é, na prática, uma das máquinas mais especializadas da aviação civil global. Em engenharia, às vezes a solução mais estranha é a mais elegante, e o Erickson Air-Crane é a prova mais visível disso.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Helicóptero cai em Pomerode (SC) e corpo de piloto é encontrado carbonizado

Homem era o único ocupante da aeronave, modelo Robinson R44. Queda aconteceu por volta de 8h40 no bairro Testo Central.


O helicóptero modelo Robinson R44 Raven II, prefixo PR-MPL, caiu em Pomerode, no Vale do Itajaí, na manhã desta quinta-feira (21), e o corpo do piloto, identificado como Hans Ulrich Frank, de 71 anos, foi encontrado carbonizado. Ele, que era o dono do helicóptero desde 2014, estava sozinho na aeronave, que ficou totalmente destruída, segundo o Corpo de Bombeiros.

A queda ocorreu por volta de 8h40 em uma área de campo no bairro Testo Central. Uma equipe dos Bombeiros Voluntários foi a primeira a chegar na ocorrência e encontrou o helicóptero em chamas.

(Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
"Após a extinção do incêndio, foi confirmado o óbito do único ocupante. O local, de difícil acesso, permanece isolado", detalhou a corporação, em nota.

Hans é piloto há vários anos e era apaixonado por aeronaves. Empresário em vários ramos, se destacou como fundador da TDV Dental, do ramo de produtos para odontologia, com sede no bairro onde ocorreu o acidente. Informações sobre o velório.

Hans Ulrich Frank, de 71 anos, morreu em queda de helicóptero em Pomerode (SC)
(Foto: Reprodução)
Bombeiros, Samu, Arcanjo e Polícia Militar foram mobilizados para o atendimento à ocorrência na Rua dos Atiradores, uma região residencial do bairro Testo Central.

O local é conhecido pela tranquilidade e casas com terrenos amplos e verdes. Conforme o bombeiro Carlos Hein, um morador ligou para o 193 logo depois das 8h. No local, as equipes encontraram bastante nevoeiro e pouca visibilidade.


Os bombeiros informaram que durante sobrevoo na região foi identificada uma torre de alta tensão danificada a 400 metros do local da queda.

Torre danificada após ter possivelmente sido atingida por avião que caiu em Pomerode
(Foto: NSC TV/Reprodução)
"Tivemos dificuldade para encontrar o local do sinistro, um sobrevoo de três minutos, devido a um banco de nevoeiro. A gente identificou uma rede de alta tensão partida pela metade e logo em seguida, a 400 metros, a aeronave em chamas", detalhou capitão Jefferson Luiz Machado, piloto do helicóptero Arcanjo-03, que atuou na ocorrência.

A causa do acidente será investigada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), que foi acionado.

(Foto: Tati Hansen, Jornal de Pomerode)

Helicóptero que caiu não tinha autorização para voar


O helicóptero modelo Robinson R44 estava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) vencido desde agosto de 2024, segundo o registro da aeronave disponível no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O documento serve para comprovar que a aeronave atende aos padrões de segurança e manutenção exigidos pelas autoridades aeronáuticas. Sem renovação, conforme a agência, a operação da aeronave não é permitida.


Com informações do g1, NSC Total, UOL