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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Aconteceu em 10 de abril de 1957: A queda do DC-3 da REAL Transportes Aéreos na Ilha Anchieta


Em 10 de abril de 1957, o avião 
Douglas C-47A-20-DK (DC-3), prefixo PP-ANX, da REAL Transportes Aéreos (foto acima), operava o voo entre o Rio de Janeiro e São Paulo, levando a bordo 26 passageiros e quatro tripulantes.

O Douglas DC-3 prefixo PP-AXN do consórcio REAL-Aerovias–Nacional decolou do aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro, às 17h30min. O voo tinha como destino o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e estava lotado por conta do cancelamento do voo anterior das 15h00min, que faria escala em Santos antes de pousar em Congonhas. 

Inconformados, cinco passageiros do voo cancelado insistiram em ser acomodados no voo seguinte, que seria direto a São Paulo. Pretendiam alcançar Santos por via terrestre a partir da capital paulista.

Quando decolou do Rio, o PP-ANX conduzia a bordo 26 passageiros sob a responsabilidade do comandante Pedro Luís Dias Ferreira (de 34 anos), cuja tripulação era constituída pelo copiloto Igor Konozalowsky (de 26 anos), radiotelegrafista José Vandranel (de 22 anos) e comissário Leonard Stell Steagall (de 27 anos).

O mau tempo na região da baixada Santista, que impediu o voo das 15h00min de ser realizado, complicou ainda mais as condições do voo das 17h30 min. Previsto para pousar as 19h 00 min em Congonhas, o DC-3 PP-AXN encontraria mau tempo na divisa estadual Rio São Paulo. 

Por volta das 18h00, quando sobrevoava em velocidade de cruzeiro a região de Ubatuba, o motor esquerdo entrou em pane, incendiando-se em seguida. Após infrutíferas tentativas de combater o incêndio, que crescia e ameaçava a segurança do voo, a tripulação fez um pedido de socorro e informou que tentaria pousar em alguma praia no litoral de Ubatuba.

No entanto, o mau tempo encobria a visão da tripulação de forma que a aeronave sobrevoava perigosamente a Ilha de Anchieta. Quando a tripulação descobriu estar na iminência de um choque contra a encosta do Pico dos Papagaios, tentaram desviar a aeronave da trajetória do Pico.

A aeronave, porém, estava com apenas um de seus motores operando e não teve força suficiente para responder aos comandos, perdeu sustentação e se chocou contra a encosta do pico dos Papagaios por volta das 18h20min.

O choque da aeronave com as árvores da encosta separou as asas da fuselagem, salvando a vida de 3 passageiros e um tripulante, enquanto que 23 passageiros e 3 tripulantes morreram por conta dos ferimentos múltiplos pelo choque e/ou queimados pelo combustível.


Luís Andrade Cunha, um dos quatro sobreviventes do desastre, declarou que a viagem era normal quando os passageiros foram avisados que deveriam atar seus cintos de segurança e não fumar. Pouco depois, o avião precipitou-se no Pico do Papagaio. 

Luís tivera sorte em escapar com vida, pois nem tivera tempo de atar seu cinto de segurança, lembra-se que, após o primeiro impacto, o avião deu duas ou três cambalhotas antes de parar, e que a fuselagem se separou das asas e dos motores, sendo poupadas das chamas que consumiram o restante do avião.

Além de Luís Cunha e o comissário de bordo Leonard Stell Steagall, resgatado ainda com vida, mas bastante queimado, sobreviveram Dalva Zema e sua filha menor, Marlene Zema.


Somente quando a noite ia alta, a autoridade policial da ilha conseguiu transmitir ao Secretário de Segurança do Estado de São Paulo a notícia do desastre. Da ilha Anchieta partiu uma comitiva para Ubatuba, para providenciar socorros médicos, enquanto militares da FAB, funcionários do consórcio, médicos e medicamentos eram reunidos às pressas na capital paulista para seguirem até o local do desastre.

A aeronave caiu no sopé do Pico do Papagaio, localizado na Ilha Anchieta. Por ser uma área de mata fechada de difícil acesso, as equipes de socorro levariam várias horas para alcançarem os destroços.

Entre os passageiros que morreram estava o comerciante Napoleão Moreira da Silva, que havia sido vereador no Paraná em Mandaguari (1947-1951) e Maringá (1952-156), primeira legislatura local. Um mês depois da tragédia o então prefeito Américo Dias Ferraz deu o nome de Napoleão à antiga praça da Rodoviária em Maringá.

O marido de Dalva Zema, Raul Zema, também faleceu no acidente. Outra das vítimas fatais foi Osvaldo Eduardo, diretor do jornal A Hora de Santos, e um dos cinco passageiros que tinham insistido em viajar no PP-ANX depois do cancelamento do voo das 15 horas. Léo Simões Marques, piloto da REAL que viajava como tripulante extra, também morreu no acidente.


O acidente com o DC-3 PP-ANX ocorreu 3 dias depois do Desastre Aéreo de Bagé e marcou o início do declínio da REAL. Entre 1957 e 1961, a REAL perdeu sete aeronaves em acidentes que causaram a morte de 99 pessoas entre passageiros e tripulantes, sendo quatro deles ocorridos em um curto intervalo de um ano. Esses acidentes enfraqueceram a empresa que acabou sendo adquirida pela VARIG em processo ocorrido em agosto de 1961.

Embora a comissão de investigação tenha atribuído o acidente à falha de um dos motores por razões indeterminadas, as circunstâncias que o cerca ainda permanecem obscuras. A rapidez com que a situação do voo deteriorou não pode ser explicada somente pela perda de um dos motores, já que os Douglas DC- 3 voavam bem no modo monomotor, principalmente quando a falha se manifestava na fase cruzeiro. 

Um súbito disparo de hélice poderia levar o piloto a perder rapidamente o controle do avião, esta hipótese, porém, não encontra respaldo no depoimento do passageiro sobrevivente, que dificilmente deixaria de mencionar o ruído alto e estridente produzido por uma hélice descontrolada em alta rotação.

Talvez um incêndio em um dos motores tenha levado o comandante Fonseca a tentar pousar em Ubatuba às pressas, antes que o fogo comprometesse a resistência estrutural do avião. O certo é que algum problema súbito e de natureza grave fez Fonseca abandonar o nível de cruzeiro e descer rapidamente em direção ao litoral norte de São Paulo, repleto de elevações ocultas pela escuridão daquela noite chuvosa. 

Pousar visual à noite em Ubatuba sob intensa pressão psicológica, e condições meteorológicas adversas, era missão quase impossível de ser bem-sucedida. Tentando visualizar o contorno do litoral paulista e identificar a luzes de Ubatuba, Fonseca pode ter efetuado manobra evasiva ao avistar o vulto do Pico do Papagaio em meio à chuva.

Nas condições precárias em que o voo desenvolvia (monomotor), tal manobra pode ter causado perda de sustentação, que levou o avião a precipitar-se sobre a mata que recobria o morro.


A aviação comercial do Brasil estava em seu auge nos anos 1950, apesar da concorrência acirrada entre as companhias, principalmente na linha Rio - São Paulo, que originou a criação da ponte aérea em 1959. No entanto, foram realizados apenas investimentos pontuais na infraestrutura aeroportuária. Com isso, as aeronaves voaram com o auxílio de poucos equipamentos e recursos em terra para auxiliá-las durante voos em condições climáticas adversas. 

Somente em meados da década de 1960 que os aeroportos nacionais receberam grandes investimentos em equipamentos e tecnologia, melhorando as condições de monitoramento e navegação de aeronaves.

As companhias aéreas, porém, pouco investiam no reaparelhamento de suas frotas, operando aviões obsoletos como o DC-3 e C-46, por conta do baixo custo de aquisição, operação e manutenção dessas aeronaves. Essa situação só mudaria no final dos anos 1950, com o início da crise aérea nacional, onde o custo de operação dessas aeronaves obsoletas cresceu ao ponto de torná-las pouco atraentes.

O Douglas DC-3 é uma aeronave que foi desenvolvida para o transporte de passageiros, no final da década de 1930. Por conta de suas qualidades, como versatilidade (poderia ser rapidamente adaptado para o transporte de passageiros/cargas), robustez, fácil manutenção e baixo custo de operação, foram empregados em larga escala pelas Forças Armadas Americanas, durante a Segunda Guerra Mundial.

Foram fabricados mais de 10 mil aeronaves para o transporte militar, sendo batizadas de C-47 Dakota. Após o final do conflito, o governo americano decidiu vender a maioria das aeronaves para operadores civis e demais forças aéreas do mundo. Com isso, milhares de aeronaves de transporte de carga do tipo C-47 Dakota foram convertidas para a versão civil DC-3.

No Brasil, a REAL Transportes Aéreos foi fundada em 1946 e operava inicialmente voos entre Rio de Janeiro e São Paulo. Na década de 1950, a REAL tornou-se uma das maiores companhias aéreas do país (em 1959 já era a maior empresa área do Brasil, superando as tradicionais Panair do Brasil, VASP, VARIG e Cruzeiro do Sul) controlando cerca de 30% do mercado aéreo doméstico.

Após receber seus primeiros DC-3 em 1946, a REAL chegou a operar 32 aparelhos desse tipo pouco mais de 10 anos depois. Em 1957, com a incorporação da maior parte das ações das empresas Aerovias Brasil e Nacional ao seu patrimônio (formando o Consórcio REAL-Aerovias–Nacional), a REAL se tornou um dos maiores operadores de DC-3 do mundo com 89 aeronaves.

A aeronave acidentada tinha o número de construção 13048 e havia sido construída em 1944. Após voar em missões de transporte na Segunda Guerra pela Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, foi vendida à empresa Ranier Air Freights, onde voou por algum tempo até ser vendida em 1956 para a REAL Transportes Aéreos. Ao chegar ao Brasil, a aeronave foi convertida para o transporte de passageiros e receberia o prefixo PP-ANX.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, ASN, Livro “O Rastro da Bruxa”, Curiosidades de Ubatuba e baaa-acro

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Avião sai da pista após cachorro invadir área de decolagem em Manicoré, no interior do Amazonas

Acidente ocorreu no aeroporto do município de Manicoré, nesta terça-feira (7). Não houve feridos.


Um avião de pequeno porte Embraer EMB-110P1 Bandeirante, prefixo PT-ODY, da Apui Táxi Aéreo, saiu da pista durante uma tentativa de decolagem, nesta terça-feira (7), no aeroporto do município de Manicoré, no interior do Amazonas (a 332 quilômetros de Manaus). Segundo a empresa responsável pelo voo, o acidente ocorreu após um cachorro entrar na pista. Ninguém ficou ferido.

Um vídeo gravado por uma testemunha mostra a aeronave a poucos metros da pista. Nas imagens, é possível ver um grupo com sete pessoas do lado de fora do avião. Duas delas entram novamente na aeronave, enquanto o resto do grupo aguarda do lado de fora. Não há informações sobre se o grupo estava dentro do avião no momento do susto. Assista aqui.

O voo tinha como destino Manaus e contava com 13 passageiros à bordo. A Apui Taxi Aéreo, empresa responsável pela aeronave, informou que durante a corrida de decolagem houve a invasão de um cachorro na pista. Diante da situação, o piloto reduziu a aceleração com o objetivo de evitar o atropelamento do animal e adotou o procedimento para abortar a decolagem.

"Contudo, em razão da distância remanescente disponível, não foi possível realizar a parada total da aeronave dentro dos limites da pista", diz trecho da nota.


Sem velocidade, a aeronave avançou para fora da pista, parando em uma área de vegetação. "Não houve danos à aeronave nem aos passageiros, sendo todos os ocupantes preservados em total segurança", concluiu a empresa.

Após a parada da aeronave, os passageiros foram desembarcados e conduzidos ao terminal do aeroporto.

Outro avião foi enviado à Manicoré com uma equipe técnica para avaliar se houve algum dano na aeronave e finalizar o transporte dos passageiros.

Após a análise técnica de que a aeronave estava em perfeitas condições ela decolou para Manaus. A empresa também ressaltou que toda a documentação da aeronave, tripulação e da empresa estão em dia.

Via g1 e ANAC

terça-feira, 7 de abril de 2026

Aconteceu em 7 de abril de 1957: A Tragédia de Bagé Acidente com avião da Varig deixa 40 mortos


Em 7 de abril de 1957
, um avião Curtiss C-46, da Varig, levantou voo, de Santana do Livramento, às 8h, com 35 passageiros e cinco tripulantes, em um dia cinzento e frio. A rota, que terminaria em Porto Alegre, faria escala em Bagé, para embarque e abastecimento. 

A tripulação era composta pelo piloto Fernando Silva Leandro, o copiloto Antônio Aniceto Silva Filho, o radiotelegrafista Joésio Cruz e os comissários de bordo Nicanor Ferreira e Dietrich Engl.

Pouco depois das 8h30min, o avião decolou rumo à capital gaúcha. Em questão de minutos, a torre de comando do aeroporto Comandante Kraemer recebeu mensagem da tripulação, declarando emergência em decorrência de um provável incêndio no motor esquerdo. O sinistro daria origem ao maior acidente aéreo da história bajeense.

Há versões de que após acionar os extintores do motor, a tripulação acreditou ter controlado os danos. Ainda assim, o pouso de emergência seria necessário, por questões de segurança. O trem de pouso não funcionou conforme o esperado e o piloto, Fernando Silva Leandro, abortou a manobra e arremeteu a aeronave, com a intenção de tentar novamente. Uma das teorias mais aceitas é de que durante o momento da decolagem, uma pedra tenha sido arremessada pelas rodas dentro do compartimento do motor, ocasionando o fogo.

Curtiss C-46 da Varig, similar ao avião acidentado em Bagé
Diferente do que a tripulação imaginou, o fogo não havia sido extinguido. Assim que o avião começou a manobrar para uma nova tentativa de pouso, as chamas voltaram com força. O piloto ainda tentou levar a aeronave ao solo, mas perdeu a asa esquerda ainda no ar e o avião caiu, sendo reconhecida depois apenas como uma bola de metal retorcida e ardente. 

Todas as 40 pessoas a bordo morreram na queda ou em meio ao fogo. Entre eles, figuras ilustres, como o então secretário de Educação do Estado, Liberato Salzano Vieira da Cunha, e o advogado Antenor Gonçalves Pereira.


O domingo cinzento


O alvorecer do dia 7 de abril de 1957 não foi extraordinário na casa de João Ilone Freire. Como fazia diariamente, acordou, saiu da cama e se arrumou para o trabalho, que ficava a alguns metros de sua residência. Nada indicava que aquele seria mais do que um dia normal e que em poucas horas ele seria testemunha ocular da história de uma tragédia da aviação brasileira.

Mas a história teve início muito antes, na década de 1930, quando iniciou a fabricação dos aviões Curtiss C- 46 Commando, utilizado para transporte de tropas, armas e munições durante a Segunda Guerra Mundial pelos aliados. Com o fim do conflito bélico, os aviões foram vendidos para empresas aéreas do mundo todo, entre elas a Viação Aérea Rio Grandense (Varig). O personagem principal desta história veio nesse lote e recebeu o prefixo PP-VCF.

Após enfrentar anos de guerra, armamento pesado e um exército bem equipado, o Curtiss C-46 Commander, prefixo PP-VCF, da Varig, acabou encontrando seu fim nos pampas gaúchos, no mesmo data em que João levantou acreditando ser mais um dia normal.


Testemunha ocular da queda


Jovem, contando 19 anos na ocasião do acidente, Freire morava próximo à área do aeroporto junto à família. O pai, Álvaro Freire da Fontoura Gomes, havia sido o responsável pela construção da pista do aeroporto, onde tempos depois o PP-VCF encontraria seu fim, em chamas. E também no aeroporto iniciou a vida profissional, como despachante aéreo da Sociedade Anônima Viação Aérea Gaúcha (Savag).

Ele conta que chegou a ver a aeronave antes de decolar. Depois, quando a viu novamente, ela já vinha rumo ao seu destino final. “Ligaram para a torre, avisaram do fogo e pediram apoio para apagar após o pouso. Foi uma comoção, todos saíram correndo com os extintores e ficamos esperando na beira da pista”, recorda.


Ele conta que viu o avião tentar pousar na primeira vez e arremeter. “Eu não sei porque ele fez aquilo. Deve ter pensado que tinha controlado o fogo e estava tranquilo para tentar de novo”, diz.

Freire relembra que, quando o Curtiss retornava, a asa esquerda, tomada pelo fogo, então já visível, se dobrou e se separou do resto do corpo metálico. “Parecia de papel, se dobrou para trás e voou. Nisso, o avião já caiu e a carenagem foi rolando pela pista”, relata.

O horror daquela visão nunca foi esquecido por Freire, que junto ao pai e ao irmão correu na tentativa de ajudar a apagar o fogo e resgatar um possível sobrevivente. Mas no caminho até a carenagem, viu que seria impossível encontrar alguém com vida. “Quando o avião caiu, foi se arrastando pela pista e ficava um rastro de pedaços de corpos. Aí eu vi que seria muito difícil alguém ter se salvado”, lembra.

Investigação


O inquérito apontou que o motor esquerdo não havia sofrido danos, de forma que o incêndio havia sido originado na região inferior da asa localizada entre o motor e a fuselagem. Esse ponto era completamente invisível à tripulação, que ao ver envolvida a asa e o motor esquerdo pelo fogo, julgou se tratar um incêndio no motor, acionando os extintores de incêndio do motor.

O Curtiss C-46, assim como muitas aeronaves de sua época, havia sido projetado para operar tanto em aeroportos modernos quanto em pistas improvisadas de terra batida. Por conta das chuvas, a terra batida se transformava em lamaçal, impossibilitando as operações de pouso e decolagem. 


Para impedir esses problemas, muitos aeroportos rústicos e ou pequenos aeródromos de terra batida recebiam finas camadas de cascalho e ou pedregulhos, que diminuíam os efeitos das chuvas sobre a terra batida. Os aeródromos gaúchos da época não eram exceção, e também receberiam esse tratamento viário. 

A comissão de investigação, baseada em evidências, descobriu que durante pousos e decolagens em pistas revestidas com pedregulhos e cascalho, as rodas do trem de pouso da aeronave projetavam pedregulhos e cascalho para dentro do compartimento do mesmo. As pedras pontiagudas poderiam romper dutos de combustível (desgastados pela ação do tempo). Feitos de duralumínio, esses dutos interligavam os tanques de combustível das asas. 

O combustível que jorrava desses dutos danificados se acumularia na asa (que nos primeiros modelos do C-46 não possuía drenos para expelir esse combustível que vazara) e jorraria sobre o escapamento do motor, inflamando-se rapidamente. As chamas atingiriam a longarina principal da asa esquerda, que não resistira ao calor intenso, desprendendo-se da fuselagem e causando o desastre.


O Curtiss C-46 sempre foi tido como avião problemático, devido ao desempenho sofrível , principalmente em voo monomotor(sendo que diversas companhias aéreas substituiriam os motores originais motores originais Pratt & Whitney R-2800-75 de 2000 hp pelos Pratt & Whitney R-2800-83 AM4 de 2100 hp) seu alto consumo de combustível e aos frequentes vazamentos ocorridos nos tanques localizados nas asas. 

Diversas aeronaves sofreriam incêndios ou quedas misteriosas até que fosse descoberta a fragilidade do sistema de dutos de combustível, fabricado em duralumínio. A falta de drenos nas asas (corrigido em versões posteriores da aeronave), causava um acúmulo de combustível que vazava desses dutos, transformando a asa numa bomba relógio, que poderia ser detonada à qualquer momento por uma fagulha.

Após o acidente, a Varig implantou drenos nas asas dos seus Curtiss e substituiu todos os dutos de duralumínio por dutos similares de aço inoxidável. As pistas do aeroporto de Bagé receberiam pavimento de concreto somente em meados dos anos 1960. Os últimos Curtiss C-46 da Varig seriam substituídos em 1971 pelo Hawker Siddeley HS 748.

Fim de um mistério



Entre as lendas urbanas que circularam pela cidade ao longo de seis décadas, talvez uma das mais conhecidas esteja relacionada ao destino de barras de ouro que teriam sido encontradas no acidente. 

Freire garante que havia, realmente, ouro a bordo. Ele sabe disso porque alega ter encontrado o valioso metal, preso no corpo de um dos passageiros por um cinturão. “Eu vi que era valioso, tirei o cinturão do corpo e avisei o pessoal da Varig. Depois não vi mais, sei que foi entregue para a Polícia Federal”, garante.

Aos 79 anos, afirma ainda ter na memória as cores vívidas do fogo que queimava a carenagem do avião contra o céu cinza chumbo daquela manhã de domingo. E embora poucas pessoas saibam do horror que presenciou, Freire afirma que o fato nunca saiu de sua mente. “Acho que ainda sonho com isso, às vezes, porque acordo assustado, dando pulo, mas sem lembrar do que sonhei. Acho que deve ser isso que ainda me assusta em sonho”, conta ele, com as mãos marcadas pelo tempo cruzadas sobre as pernas.

Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos)

Com Jornal Minuano, ASN, Wikipedia, Imagens: conselheirox.blogspot.com

domingo, 5 de abril de 2026

"O acidente que parou São Paulo - Fokker 100 da TAM"


O acidente que parou São Paulo - Fokker 100 #EdiçãoEspecial - No vídeo de hoje uma edição especial de uma das histórias mais vistas do canal - O acidente com o Fokker 100 da TAM em São Paulo.

Aconteceu em 5 de abril de 1996: Erro da tripulação causa acidente com o voo Formosa Airlines 7613


Em 5 de abril de 1996, o avião Dornier 228-212, prefixo B-12257, da Formosa Airlines (foto acima), operava o voo 7613, um voo entre 
o Aeroporto Taipei-Sung Shan (TSA/RCSS) e o Aeroporto Matsu Airport (MFK/RCMT), ambos em Taiwan.

A aeronave decolou do Aeroporto Taipei-Sung Shan às 15h29 com destino à Ilha de Matsu (MFK). A visibilidade estava ruim quando o Dornier 228 se aproximava do aeroporto. A tripulação tentou uma aproximação visual em condições de voo por instrumentos.

A aproximação prosseguiu, embora o copiloto ainda não tivesse avistado a pista. Ele estava concentrado em obter referências visuais e não monitorou a aproximação. A descida foi concluída em modo VFR em condições IMC. 

Na final, o copiloto, que era o piloto em comando, continuou a aproximação apesar de não ter estabelecido contato visual com a pista e de não ter monitorado os instrumentos. 

A tripulação tentou arremeter, mas a decisão foi tomada tarde demais. A aeronave atingiu a superfície da água e caiu no mar a cerca de 1.600 metros da costa. Seis passageiros morreram e outros 11 ocupantes ficaram feridos.


A causa provável do acidente foi: 'Configuração de aproximação incorreta por parte da tripulação, que continuou a descida em modo VFR em condições IMC, abaixo da MDA até a aeronave atingir a superfície da água. Supervisão inadequada por parte do comandante. Má coordenação da tripulação e planejamento de aproximação e pouso deficiente'.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, baaa-acro e ASN

sábado, 4 de abril de 2026

Helicóptero faz pouso forçado no mar, próximo à Praia da Barra da Tijuca, no Rio

A aeronave que fazia voo panorâmico teve problemas e desceu no mar. Vídeo mostra os três tripulantes, dois turistas estrangeiros e o piloto, saindo do helicóptero sem ferimentos.


O helicóptero Robinson R44 Raven II, prefixo PR-DEM, da Be Faster Servicos Aéreos Ltda., operando para a Rio2Fly, fez um pouso forçado no mar da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, na manhã desta sexta-feira (3). O acidente foi bem perto da faixa de areia, entre os postos 3 e 4.

Um vídeo mostra os três tripulantes saindo, antes mesmo de o resgate chegar, conscientes (veja aqui). Segundo o Corpo de Bombeiros, o piloto e dois turistas canadenses receberam apoio na areia e foram liberados, sem ferimentos.


Por volta das 13h30, o Globocop registrou o momento em que bombeiros utilizavam cordas para puxar a aeronave, na tentativa de retirá-la do mar. Os militares também contaram com o apoio de tratores. A operação foi concluída por volta das 15h.

A aeronave – modelo Robinson 44 – fazia um voo panorâmico, teve problemas e foi forçada a descer.

O piloto, o policial civil Adonis de Oliveira, experiente em voos em operações, conseguiu baixar perto da arrebentação. Ele estava de folga nesta sexta e foi contratado para um voo panorâmico que partiu do Pontal.

Tripulantes conseguiram sair da aeronave, como mostram vídeos (Foto: Reprodução)
O surfista que presenciou o pouso forçado do helicóptero na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio relatou que o piloto direcionou a aeronave para uma área menos movimentada do mar e da areia, possivelmente para minimizar os riscos e evitar consequências mais graves.

"A gente viu que o helicóptero estava se deslocando, levemente, apontando para a praia. Aí, a gente viu algo estranho, perdendo potência. Ele buscou uma área mais vazia do mar e da areia, que é aqui no 3.100. E a gente começou a pegar as pranchas e viu que tinha uma coisa errada. Ele bateu de barriga e a gente viu que tinha acontecido um acidente", contou Luís Cláudio em entrevista ao RJ1.

Surfista Luís Cláudio viu acidente com helicóptero na Barra da Tijuca (Foto: Reprodução/TV Globo)
Ele também relatou que, ao notar a situação, pegou sua prancha junto com um amigo e foi em direção ao local para ajudar e conseguiu resgatar um dos passageiros

"Pegamos as pranchas, eu e um amigo meu. E eu resgatei um passageiro. Eram dois e o piloto. Por coincidência, era um conhecido meu, daqui da região da Barra da Tijuca, o Adônis, é um grande piloto. Para ter acontecido isso, provavelmente é um erro do maquinário. E os passageiros me pareceram americanos. Eles falavam inglês."

(Foto: Reprodução/TV Globo)
Segundo Luís Cláudio, o mar estava calmo no momento do acidente, e uma passageira teve um corte leve.

Ele avaliou ainda que o piloto tomou a decisão mais adequada ao direcionar o helicóptero para uma área mais vazia da praia, próxima a um banco de areia.

"Ele fez o procedimento que parecia mais certo a meu ver, buscou a área mais vazia da praia e perto do banco de areia. Depois que o helicóptero caiu, ele vira de cabeça para baixo. Os passageiros sobem no teto do helicóptero, nas costas, com o piloto."

O local não tinha banhistas perto, e a profundidade rasa evitou que o helicóptero fosse muito para o fundo. A falta de portas também facilitou a saída dos tripulantes.

(Foto: Reprodução/TV Globo)
A aeronave afundou cerca de 2 metros até tocar a areia no fundo e tombou, ficando com o esqui para o alto, fora da água. O acionamento do Corpo de Bombeiros para a queda de uma aeronave foi às 11h20.

"Guarda-vidas da região realizaram o primeiro atendimento, com apoio de uma moto aquática que passava pelo local, efetuando o socorro imediato das vítimas. A aeronave transportava três ocupantes, um piloto e dois passageiros, todos classificados como vítimas leves (verdes), que foram retirados da água e colocados em segurança na faixa de areia", diz a nota.

O caso foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca). A Polícia Civil informou que aguarda a conclusão do laudo pericial do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela análise técnica do ocorrido, para dar prosseguimento às investigações.

O caso foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca). Em nota, a Polícia Civil informou que aguarda a conclusão do laudo pericial elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela apuração técnica do ocorrido, para o avanço das investigações.

Helicóptero foi retirado do mar após pouso forçado na água (Foto: Reprodução/TV Globo)
O Cenipa, da Força Aérea Brasileira (FAB), disse que investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III) foram acionados para a ocorrência com a aeronave de matrícula PR-DEM.

"Durante a Ação Inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação", diz a nota.

O piloto Adonis Lopes (Foto: Reprodução/TV Globo)
O piloto de helicóptero Adonis Lopes já esteve envolvido em outras ocorrências marcantes no Rio, incluindo um sequestro durante um voo e uma operação policial que terminou com a morte de um traficante.

Adonis é piloto da Polícia Civil e já transportou o ex-governador Cláudio Castro em viagens oficiais. O agente estava de folga nesta sexta, quando foi contratado para um voo panorâmico que partiu do Pontal.

Sequestro no ar e manobras


Em setembro de 2021, Adonis Lopes foi rendido por 2 homens armados que contrataram um voo particular a partir de Angra dos Reis e obrigado a seguir para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Segundo a Polícia Civil, os criminosos pretendiam resgatar um preso e chegaram a entrar em luta corporal com o piloto durante o trajeto. Para impedir a ação, Adonis fez manobras sobre o 14º BPM (Bangu) e simulou uma queda.


Ainda segundo o relato, os sequestradores desistiram do plano ao perceberem o risco de queda da aeronave. Eles ordenaram que o piloto seguisse para Niterói, onde saltaram e fugiram.

Morte de traficante


Segundo a polícia, os disparos que atingiram o criminoso partiram de um helicóptero. Adonis afirmou, à época, que a aeronave foi usada para apoiar a ação e reagir a tiros feitos contra a equipe.

“Eles estavam a cerca de 100 km/h na favela, tentando fugir do cerco, e disparavam contra a aeronave”, relatou.

De acordo com as investigações, Matemático foi encontrado morto dentro de um carro após a operação, que fazia parte de um trabalho integrado entre forças de segurança.


Via g1, UOL, ASN e ANAC

Quatro pessoas morrem na queda de um avião em Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul

Aeronave teria colidido em um poste próximo ao fim da pista de decolagem e caiu sobre o restaurante, segundo Corpo de Bombeiros. Não havia clientes no momento.


O avião de pequeno porte Piper PA-46-350P Malibu Mirage JetPROP DLX, prefixo PS-RBK, da Jetspeed Holding Ltda., caiu sobre um restaurante em Capão da Canoa, no Litoral Norte do RS, na manhã de sexta-feira (3). Residências vizinhas também foram atingidas. Quatro mortes foram confirmadas, segundo o Corpo de Bombeiros.

O acidente aconteceu por volta das 10h40, na Avenida Valdomiro Cândido dos Reis, uma região residencial do município.

As quatro vítimas da queda do avião em Capão da Canoa foram identificadas: são os empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, o sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave, Renan Saes, e o piloto Nelio Pessanha.

Vítimas de queda de avião são o casal Deborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, o piloto Nelio Pessanha e o sócio da empresa de aviação Renan Saes (Fotos: Reprodução/Redes sociais)
O casal de empresários atuava no setor de eventos e ficou conhecido pela organização de feiras comerciais voltadas ao segmento têxtil. Juntos, eles não tiveram filhos em comum, mas formavam uma família com filhos de relacionamentos anteriores. Déborah era mãe de trigêmeos, e Luis, pai de um filho.

Naturais de Ibitinga (SP), cidade reconhecida nacionalmente como a Capital Nacional do Bordado, o casal viveu por muitos anos no município antes de se mudarem para Xangri-lá (RS), onde passaram a desenvolver parte dos negócios na cidade vizinha Capão da Canoa.

O casal estava à frente de uma feira itinerante inspirada na tradicional Feira do Bordado de Ibitinga, uma das maiores feiras de enxovais da América Latina, realizada anualmente na cidade do interior de São Paulo.

A feira organizada pelo casal utilizava a reputação do polo têxtil de Ibitinga para promover eventos comerciais em diferentes cidades do Rio Grande do Sul, reunindo expositores e produtos ligados principalmente ao segmento de vestuários, produtos de cama, mesa, banho.


Imagens registradas por câmeras de segurança da prefeitura captaram o momento em que o avião cai. Em seguida, é registrada uma explosão. Veja vídeo acima.

O piloto Renan Saes, uma das quatro vítimas da queda de um avião de pequeno porte em Capão da Canoa, gravou imagens de dentro da cabine horas antes do acidente.

A aeronave havia saído de Itápolis (SP) e fez uma parada para reabastecimento em Forquilhinha (SC). Pouco depois de decolar novamente, já no Rio Grande do Sul, o avião apresentou falha mecânica, perdeu sustentação e caiu sobre um restaurante.

Nas redes sociais, o último registro de Renan mostra o voo tranquilo sobre áreas abertas e turbinas eólicas — um contraste com o desfecho trágico.


"Conforme informações preliminares, a aeronave estaria voando em baixa altitude, momento em que passou a perder altura e veio a cair", diz comunicado da Brigada Militar (BM).

Morador viu queda de avião em Capão da Canoa (RS)
(Foto: Yohann Valim/Arquivo pessoal e Reprodução/RBS TV)
O caminhoneiro Silvio Silva de Jesus Júnior testemunhou o acidente e relata que viu "um cogumelo de fogo para cima" logo após a decolagem.

"Eu vi que o avião estava vindo de lá, estava saindo do aeroporto. Ele subiu, não chegou a subir totalmente, perdeu as forças. Estava dando um barulho no motor, ele quase pegou na oficina, pegou no poste, engatou no poste e foi de bico ali e deu aquela explosão."


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) vai apurar as causas da queda da aeronave.

"A CEEE Equatorial lamenta o acidente envolvendo um avião de pequeno porte que caiu sobre um restaurante em Capão da Canoa, no Litoral Norte, na manhã desta sexta-feira (3). A companhia informa que as equipes técnicas estão no local, prestando apoio ao Corpo de Bombeiros e atuando na eliminação de riscos de choque elétrico.

A queda da aeronave atingiu uma rede de baixa tensão, ocasionando o rompimento de cabos e interrupção pontual no fornecimento de energia na região. A área está isolada para garantir a segurança da população e das equipes mobilizadas no atendimento da ocorrência."

Via g1, UOL, ASN

terça-feira, 31 de março de 2026

Avião que já foi do “Escobar Brasileiro" faz pouso forçado em fazenda de Antônio João, em Mato Grosso do Sul

Um avião monomotor fez pouso forçado em uma fazenda no município de Antônio João, na região de fronteira com o Paraguai, na manhã de segunda-feira (30). 


O avião Cessna T210N Turbo Centurion, prefixo PR-XIC, apresentou problemas mecânicos durante o voo, obrigando o piloto a pousar na lavoura de milho, no município de Antônio João, a 319 Km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Com o impacto, a aeronave sofreu avarias e o trem de pouso foi arrancado. Seis pessoas estavam na aeronave e foram levadas ao hospital da cidade. Destas, três foram transferidas para o Hospital Regional de Ponta Porã.

De acordo com o portal Campo Grande News, o Cessna já pertenceu ao narcotraficante e ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho,  sul-mato-grossense conhecido como “Escobar Brasileiro”, atualmente preso na Bélgica. 


Em 2022, o avião havia sido doado ao Governo de Mato Grosso do Sul. Os atuais proprietários são Lucas Antunes e André Antunes, filhos do ex-vereador de Ponta Porã Landolfo Antunes. Entre os seis ocupantes estavam o filho e o neto recém-nascido de Landolfo.

Quando foi apreendido, em 2020, o avião já pertencia à família Antunes, que na época negou envolvimento com o major Carvalho. Em 2024, quando o Cessna era usado pela Casa Militar do Governo de Mato Grosso dom Sul após cessão feita pela Justiça Federal, um juiz de Pernambuco mandou devolver a aeronave aos proprietários.

A delegada Ana Cláudia Medina, do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), informou que vai viajar até Antônio João para investigar o caso.

“A princípio, o piloto alega pane no motor e que precisou fazer esse pouso de emergência, quando estava correndo a pista, o trem de pouso acabou pegando num buraco e quebrou, por isso ficou nessa condição, mas ele percebeu a pane e tentou vir para pouso”, afirmou ela.

A área onde ocorreu o pouso foi isolada para os trabalhos de perícia. Técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) foram acionados.

Em 02.10.2023, essa mesma aeronave fez pouso de emergência em área perto de shopping, em Campo Grande (MS). 

 Via RCN67, Campo Grande News e Ponta Porã News

Aconteceu em 31 de março de 2006: Voo Team Linhas Aéreas 6865 - Acidente fatal no Rio de Janeiro


Em 31 de março de 2006, a aeronave Let L-410UVP-E20, prefixo PT-FSE, da empresa brasileira TEAM Linhas Aéreas (foto acima), partiu do Aeroporto de Macaé, no Rio de Janeiro, para realizar o voo doméstico 6865, em direção ao Aeroporto Santos Dumont, na cidade do Rio de Janeiro.

O Let L-410 Turbolet é um avião bimotor para transporte de curto alcance, produzido pela fabricante de aeronaves tcheca LET, comumente utilizado na aviação comercial. É capaz de pousar em pistas curtas e não pavimentadas, operando sob condições extremas, entre -50 °C e +50 °C. Até 2016, 1.200 unidades haviam sido construídas, passando de 350 os que estavam em serviço em mais de 50 países.

A sua configuração de asas altas permite operações em pistas curtas. Com capacidade para 19 passageiros, o modelo é largamente utilizado em todo o mundo, principalmente nas rotas regionais.

O piloto do bimotor, Michael Petter Hutten, recebeu uma ligação da mulher, Soraya, uma hora antes de decolar, que combinou de pegá-lo na estação das barcas, em Niterói, onde o casal morava.

O voo decolou de Macaé às 17h19 locais, levando a bordo 17 passageiros e dois tripulantes. Na época, ele estava operando sob as regras de voo por instrumentos (IFR) com um tempo estimado de chegada às 18h02. 

Após a decolagem de Macaé, a tripulação manifestou a intenção de cancelar seu plano de voo IFR e acrescentou que gostaria de continuar o voo sob as regras de voo visual (VFR), no FL 045. Este cancelamento foi aprovado por um controlador de tráfego aéreo.

Próximo a São Pedro da Aldeia, a tripulação solicitou autorização para descer para 2.000 pés, com o objetivo de desviar de uma formação meteorológica que estava na sua proa.

Após cruzar o setor norte de São Pedro da Aldeia, a tripulação informou que efetuaria uma curva à esquerda para se aproximar do litoral e desviar de formações meteorológicas que estavam ao norte.

Às 20h46, o Controle Aldeia chamou a aeronave e não obteve resposta. Na sequência, o APP-ES efetuou novas chamadas à aeronave, que não foram respondidas, dando início às buscas.

Às 03h30, de 1 de abril, a aeronave foi localizada pela equipe de resgate, tendo sido constatada sua colisão com o Pico da Pedra Bonita, na Estrada do Rio Mole, Bairro Boa Esperança, no Município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro.  

A aeronave estava totalmente destruída e o impacto matou todos a bordo. Entre as vítimas estão quatro funcionários da Petrobras e cinco empregados da construtora Hochtief, de São Paulo, que prestavam serviço à estatal em Macaé, no norte fluminense.


O piloto do voo 6865, Michael Petter Hutter era um piloto experiente. Há cinco anos ele operava na linha Macaé-Rio e jamais enfrentou problemas no percurso e tinha uma carreira de sucesso na aviação. Entre as suas principais condecorações, está a de observador militar da ONU (Organização das Nações Unidas), durante a guerra na antiga Iugoslávia, na década de 90. Hutten tinha quatro filhas.

Os parentes das vítimas do bimotor foram acomodados pela Team em 13 apartamentos no Hotel Othon, próximo ao Aeroporto Santos Dumont. Lá, a Team montou um apoio médico, psicológico e religioso para atendê-los.


De acordo com o Instituto Médico Legal, oito ou nove corpos não tiveram condição de serem reconhecidos. A identificação dos demais foi realizada pela arcada dentária ou por exame de DNA.

A equipe de investigação brasileira CENIPA esteve envolvida e conduziu uma investigação de 12 meses sobre o acidente. O relatório final foi divulgado em 19 de março de 2007, concluindo que o acidente foi classificado como Voo Controlado em Terreno e foi causado por erro do piloto. 


O estado do tempo na região na época era ruim, sendo impossível fazer um voo VFR, segundo o CENIPA. No entanto, a tripulação do voo 6865 mudou intencionalmente de IFR para VFR enquanto a visibilidade era limitada. Antes do voo, a tripulação não conhecia o tempo à sua frente. 

O CENIPA também culpou a má tomada de decisão da tripulação, afirmando que houve avaliação inadequada que os levou a voar a uma altitude inferior ao limite de segurança.

Por Jorge Tadeu (Desastres Aéreos) com Folha de S.Paulo, Wikipedia e baaa-acro

segunda-feira, 30 de março de 2026

Vídeo: Por que o Jato da Panair não saiu do chão no Galeão?


Em 20 de agosto de 1962, o Brasil testemunhava seu primeiro acidente com uma aeronave a jato. O Douglas DC-8-33 da Panair do Brasil, prefixo PP-PDT, tentou decolar do Rio de Janeiro rumo a Lisboa, mas algo deu terrivelmente errado na corrida de decolagem.

Avião de pequeno porte cai e mata dois homens em Rio Claro, no RJ

Caso aconteceu na Estrada de São João Marcos, em Rio Claro, no Rio de Janeiro.


Um avião de pequeno porte TL Ultralight TL-3000 Sirius, prefixo PU-RTD, da Esquadrilha CEU, caiu e deixou pai e filho mortos no início da tarde deste domingo (29) em Rio Claro (RJ). O caso aconteceu na região de Passa Três, na Estrada de São João Marcos, por volta de 11h55.

(Foto: Divulgação/Polícia Militar)
De acordo com a Polícia Militar, testemunhas informaram que uma aeronave, com dois ocupantes, teria caído em uma área de mata no interior de uma propriedade privada.

(Foto: Divulgação/Polícia Militar)
Foram identificadas as vítimas da queda de avião como Everaldo Pereira da Costa Filho, de 73 anos, e Valentim Rufino da Costa, de 40, que estavam dentro da aeronave no momento do acidente.


Segundo o Corpo de Bombeiros, foi constatado a queda da aeronave, que teria colidido com um morro, além as duas vítimas, que já estavam sem vida, quando os agentes chegaram ao local.

A placa de identificação que auxiliou no reconhecimento da aeronave (Foto: Divulgação/Polícia Militar)
A Polícia Civil e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) irão investigar o acidente. As equipes estão no local para preservar a segurança da área e também, para os procedimentos necessários.


Uma equipe de perícia irá para o local para levantar informações que possam ajudar nas investigações. Em seguida, os corpos serão removidos para o Instituto Médico Legal (IML).


De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, a aeronave era experimental e estava em situação normal. Além de registro para voos diurnos.

O caso foi registrado na delegacia de Rio Claro, que está responsável pelas investigações. Até a publicação desta reportagem, as circunstâncias do acidente eram desconhecidas.


Via, g1, CNN, R7, UOL, ASN e ANAC

sexta-feira, 27 de março de 2026

Avião com família cai em aldeia indígena no Pará

Aeronave de pequeno porte levava pacientes que estavam de alta médica.


O avião de pequeno porte Cessna 210L Centurion II, prefixo PT-KKF, da Piquiatuba Táxi Aéreo, caiu na manhã desta sexta-feira (27) próximo a uma aldeia da etnia Kayapó, em São Félix do Xingu, no sul do Pará. Segundo informações da prefeitura do município, ninguém ficou ferido.

A aeronave era utilizada em atendimentos do Distrito Sanitário Especial Indígena Kaiapó Pará (Dsei KPA) e transportava um casal e crianças que haviam recebido alta médica.

Imagens foram compartilhadas nas redes sociais e mostram, possivelmente a mãe e uma das crianças no chão chorando. Veja as cenas abaixo:


O voo saiu de Ourilândia do Norte com destino à aldeia Puykaranrankre, mas o avião acabou caindo na pista de pouso da comunidade indígena.

Nas cenas é possível acompanhar a aeronave já no solo após o acidente, em meio à área da aldeia. Ainda não há detalhes sobre o que pode ter causado a queda.

Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que investigadores do Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA I) foram acionados e estiveram no local do acidente.

O avião de pequeno porte foi identificado com o número de matrícula PT-KKF e uma investigação foi aberta para identificar as causas do acidente. O resultado deve sair nos próximos dias.

Com informações da CNN e ANAC