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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Paquistão localiza destroços de avião cargueiro desaparecido com 5 pessoas a bordo no mar Arábico

Equipes seguem buscando os tripulantes; fuselagem foi encontrada em águas próximas à cidade de Ormara.

Aeronave da K2 Airways perdeu contato com controle de tráfego aéreo após problemas de navegação.


A Marinha do Paquistão e a agência de resgate marítimo do país localizaram nesta quarta-feira (8) os destroços do avião cargueiro Boeing 737-4M0 (BDSF), prefixo AP-BOI, da empresa K2 Airways, que havia desaparecido na noite anterior no mar Arábico, informou a Autoridade Aeroportuária do Paquistão. As equipes continuam procurando os cinco tripulantes que estavam a bordo da aeronave.

Segundo o órgão, os destroços do Boeing 737 foram encontrados nas águas próximas à cidade de Ormara após 12 horas de buscas. O avião, operado pela K2 Airways, fazia um voo de Sharjah, nos Emirados Árabes, para Karachi, no sul do Paquistão, quando perdeu contato com o controle de tráfego aéreo.

Segundo a autoridade aeroportuária, o avião informou às 21h18 no horário local (13h18 em Brasília) que enfrentava um problema no sistema de navegação. O controle de tráfego aéreo tentou orientar a tripulação, mas, três minutos depois, os radares registraram uma rápida perda de altitude e a comunicação foi interrompida. Naquele momento, a aeronave estava a cerca de 287 quilômetros a oeste de Karachi.

De acordo com a emissora local Geo News, o avião desapareceu enquanto sobrevoava o mar Arábico, próximo à cidade de Ormara, na província do Baluchistão.

Imagem mostra rota do voo KTA1732, que desapareceu no mar antes de
chegar ao destino final, Karachi (Imagem: FlightRadar24/Reprodução)
Dados do serviço de rastreamento Flightradar24 indicam que, nos minutos finais do voo, a aeronave sofreu mudanças bruscas de altitude antes de iniciar uma descida acentuada. O avião perdeu cerca de 5.000 pés em menos de um minuto, voltou a ganhar aproximadamente 6.000 pés em 30 segundos e, em seguida, entrou em queda a partir de 36.550 pés.

O último sinal recebido situava a aeronave a 1.100 pés (335 metros) acima do nível do mar, com razão de descida de 22.400 pés por minuto, equivalente a cerca de 400 km/h.

(Foto: Hamza A. Mughal / JetPhotos)
A aeronave desaparecida pertence à família Boeing 737 —que existe há décadas—, mas é de duas gerações anteriores à versão 737 MAX, envolvida em uma crise de segurança recente. O 737-400 foi entregue inicialmente como avião de passageiros à companhia russa Aeroflot em 1999 e convertido para cargueiro em 2012, segundo o Flightradar24. É a única aeronave da K2 Airways e entrou em operação pela companhia aérea em 2024.

Caso vítimas sejam confirmadas, o incidente será o primeiro acidente fatal no Paquistão desde 2020, quando um Airbus A320 da Pakistan International Airlines caiu antes de atingir a pista em Karachi, matando 97 pessoas após os pilotos se distraírem discutindo o coronavírus antes de uma tentativa de pouso malsucedida.

Via Folha de S.Paulo e ASN

Aconteceu em 8 de julho de 2003: Acidente com o voo Sudan Airways 139 deixa 116 mortos e um único sobrevivente


Em 8 de julho de 2003, a aeronave Boeing 737-2J8C, prefixo ST-AFK, Sudan Airways (foto abaixo), operava o voo 139, um voo de passageiros entre o Aeroporto Internacional Port Sudan, ao Aeroporto Internacional de Khartoum, levado a bordo 106 passageiros e 11 tripulantes.

A aeronave envolvida no acidente era um Boeing 737-2J8C, matrícula ST-AFK. Equipada com dois motores Pratt & Whitney JT8D-7, foi entregue nova à Sudan Airways em 1975. Na época do acidente, a aeronave tinha quase 28 anos.


Os pilotos envolvidos era o Capitão Awad Jaber, o Primeiro Oficial Amir al-Nujumi e o Segundo Oficial Walid Khair.

O avião partiu de Port Sudan às 4h (UTC+3), com destino a Cartum. O capitão Jaber comunicou por rádio cerca de dez minutos após a decolagem um problema com um dos motores e que retornaria ao aeroporto para fazer um pouso de emergência. No entanto, o avião caiu no solo antes de retornar ao aeródromo e imediatamente pegou fogo.

Todos os 117 ocupantes da aeronave, com exceção de um — a maioria sudaneses —, morreram no acidente. Havia também três indianos, um britânico, um chinês, um emiradense e um etíope entre os mortos. Um menino de dois anos foi o único sobrevivente. 


O então ministro das Relações Exteriores do Sudão, Mustafa Osman Ismail, mencionou o embargo comercial imposto pelo governo dos EUA em 1997 como um fator que contribuiu para o acidente , alegando que a companhia aérea não conseguia obter peças de reposição para a manutenção de sua frota devido às sanções. A aeronave envolvida no acidente, em particular, não havia passado por manutenção há anos.

As sanções foram impostas após uma ordem executiva do presidente Bill Clinton, proibindo a exportação de bens e tecnologia para o Sudão, devido ao "apoio do país ao terrorismo internacional, aos esforços contínuos para desestabilizar governos vizinhos e à prevalência de violações dos direitos humanos". Em resposta às alegações, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que não havia proibição de peças necessárias para a segurança da aviação.


Embora inicialmente atribuído a uma falha mecânica, foi posteriormente sugerido que, após uma falha de um dos motores da aeronave na decolagem, o piloto principal entregou os controles ao copiloto "novato" como uma "experiência de aprendizado".

Este acidente é o mais mortal ocorrido no Sudão até hoje.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia e ASN

Aconteceu em 8 de julho de 2001: Queda de helicóptero mata Rolim Amaro, presidente da companhia aérea TAM


Na manhã de domingo, 8 de julho de 2001, o presidente da companhia aérea TAM, comandante Rolim Adolfo Amaro, pilotava o helicóptero Robinson R44 Raven I, prefixo  ZP-HRA, registrado para Trans-America Lineas Aereas S.A.a caminho de uma reunião com empresários americanos no Paraguai quando sofreu um acidente perto de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. 

De acordo com testemunhas, naquela manhã de domingo, a aeronave parou no ar, emborcou e caiu. Amaro morreu na hora, assim como a gerente comercial da TAM, Patrícia Santos, de 30 anos, que o acompanhava.

Helicóptero que Rolim Amaro pilotava caiu na cidade de Pedro Juan Caballero,
no Paraguai (Foto: Candido Figueiredo / Cândido Figueiredo)
O empresário de então 59 anos tinha passado o fim de semana em sua fazenda de 3 mil hectares, às margens da rodovia BR-463, que liga Ponta Porã a Dourados, no Mato Grosso do Sul. Amaro teria chegado ao local na tarde de sexta-feira, e no domingo, por volta de 9h30m, teria levantado voo da pista da propriedade acompanhado de Patrícia, rumo ao Paraguai. Quando sobrevoava o vilarejo de Fortuna Guazú, a 38km de Pedro Juan Caballero, o helicóptero sofreu uma pane e caiu sobre um pasto.


A polícia do Paraguai foi acionada por um produtor agrícola de 71 anos que viu o helicóptero cair em sua propriedade. Segundo as autoridades, o comandante estava a bordo de um helicóptero Robson R-44 vermelho, prefixo ZP-HRA, que pertencia a uma companhia paraguaia controlada pela TAM.

Peritos da aeronáutica paraguaia e brasileira iniciaram a investigação. Apesar de todos os vestígios deixados pelo desastre indicarem que houve a chamada pane seca (falta de combustível), os peritos queriam determinar quem estava no comando da aeronave, Rolim, ou sua acompanhante, a gerente, Patrícia dos Santos Silva 31 anos. O chefe da Seção de Investigações do Departamento de Aeronáutica Civil (DAC) no Rio de Janeiro, coronel José Francisco de Assis Neto, disse não haver informações se Patrícia pilotava o helicóptero no momento do acidente, conforme suspeitas levantadas por moradores da região. 

"Não existe nada de concreto sobre as investigações. Todas as informações, dados levantados, enfim tudo sobre o acidente ainda está no campo das hipóteses, mas nada deixará de ser severamente investigado", disse. 

O coronel chegou hoje ao local onde a aeronave caiu acompanhado por três técnicos do DAC, além de profissionais da TAM e do fabricante do helicóptero. O comando das investigações estava com o Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáutico do Paraguai. 

A equipe técnica paraguaia, formada por Aquiles Hogas Leon, Rosando Coronel, Eleotério Alvez e Sílio Sagovia, chegou a discutir sobre os detalhes que mostravam que provavelmente Rolim estava na poltrona do lado esquerdo da nave, e não do lado direito onde seria o seu lugar. Também a posição em que os corpos caíram reforça a suspeita de que Rolim não estava no pilotando. 

A possibilidade de pane seca também foi discutida por causa da ausência de sinal de fogo. "Quando o helicóptero bateu de barriga no coqueiro, o homem foi atirado pelo lado esquerdo e a mulher pelo lado direito, já mortos e muito feridos", disse uma das testemunhas que está sendo preservada pelas autoridades paraguaias. As seis testemunhas do acidente disseram aos perito que o aparelho vinha com pouca rotação na hélice, descendo em parafuso até chocar-se com o coqueiro.

(Foto: Antônio Coca/Correio do Estado)
O voo no qual morreram o presidente da TAM, Rolim Adolfo Amaro, e a funcionária da empresa Patrícia dos Santos Silva era irregular, segundo o setor de navegação aérea da Infraero (Infra-Estrutura Aeroportuária Brasileira) em Ponta Porã e o aeroporto paraguaio de Pedro Juan Caballero.

A Oaci (Organização de Aviação Civil Internacional), da qual Brasil e Paraguai são signatários, diz que aeronaves, ao transitar de um país-membro para outro, devem decolar de um aeroporto internacional, passar por inspeção e apresentar plano de voo.

Segundo a Infraero, Rolim não manteve contato com o Aeroporto Internacional de Ponta Porã no fim de semana do acidente. O outro aeroporto internacional mais próximo fica em Campo Grande, distante 350 km da fronteira do Brasil com Paraguai. O procedimento correto seria que o helicóptero decolasse de um aeroporto internacional, em vez do aeroporto particular do empresário, localizado em sua fazenda, a 18 km de Ponta Porã, antes de entrar no Paraguai.

É também pouco provável que a aeronave, que tinha matrícula paraguaia, tenha chegado a território brasileiro via aeroporto internacional, como determina a legislação. "Não temos informação sobre o helicóptero de Rolim", disse Antonio Carlos Berti, encarregado de atividades da Infraero. O encarregado de controle de tráfego aéreo em Pedro Juan Caballero, Anibal Bobadilla, disse que entrar no Paraguai sem passar por um aeroporto internacional é ilegal.

Técnicos paraguaios e brasileiros do Dinac (Departamento de Investigação da Aviação Civil) e do DAC estiveram no local do acidente. Extra-oficialmente, descartaram a ocorrência de incêndio e explosão antes da queda do helicóptero. O laudo final deveria sair em 90 dias. Depois da perícia, os destroços foram recolhidos e enviados para Assunção de caminhão. 

A inspetoria local da Receita Federal não registrou a admissão temporária exigida para a permanência da aeronave em território nacional. Também não houve nenhum registro na segunda inspetoria mais próxima, em Bela Vista, a 130 km de Ponta Porã. Segundo o inspetor da Receita Carlos Tokunaga, a pena para a infração seria a apreensão do helicóptero.

Depois de acionada, a polícia paraguaia enviou ao local dois agentes e uma equipe médica, que diagnosticou as mortes por politraumatismo craniano.

Os corpos foram levados inicialmente ao Hospital Regional Local, em Pedro Juan Caballero. A tarde, foram encaminhados para Ponta Porã, de onde foram transportados para São Paulo em dois aviões da TAM, que chegaram ao aeroporto de Congonhas por volta das 20h40 daquele dia.

Caixão com o corpo do presidente da TAM, Rolim Amaro, no
Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (Foto: Jorge Araújo/Folha Imagem)

O velório de Rolim, aconteceu no Pavilhão das Autoridades do Aeroporto de Congonhas e o enterro ocorreu no Cemitério de Congonhas.

No final da tarde, a diretoria da TAM apresentou uma nota oficial sobre o acidente: "A conhecida capacidade de liderança do comandante Rolim Adolfo Amaro e sua permanente preocupação de multiplicar os valores da TAM, no sentido de perenizá-los, asseguram a manutenção de seus compromissos éticose a excelência de seus serviços, que foram as marcas dominantes da sua vida", diz o texto.

Patrícia, que completaria dez anos de trabalho na TAM em setembro, era solteira. Ela começou na empresa como comissária de vôo, passou para a área de atendimento e foi gerente do projeto "Fale com o Presidente" de 97 a 99, quando foi promovida a gerente comercial em São Bernardo do Campo (ABC Paulista). A TAM não informou onde seria velado o corpo da funcionária.

Em sua fazenda, perto de Dourados, Rolim guardava seus três primeiros aviões. Ele tirou o seu brevê de voo aos 18 anos. No começo da carreira, vivia numa pensão com a mulher, a professora Noemi, nas margens do Araguaia. Antes de tornar-se piloto, foi auxiliar de mecânico, entregador de sanduíche e aprendiz de escrevente em cartório. Tornou-se sócio da TAM, adquirindo metade das ações em 1972. Quatro anos mais tarde, comprou a outra metade. Antes, trabalhara na empresa como piloto. Ele só estudou até a sétima série. Abandonou os estudos para ajudar nas despesas da casa.

Rolim Amaro nasceu em Pereira Barreto, no interior de São Paulo, em 15 de setembro de 1942. 

Em 1960, vendeu uma lambreta e com o dinheiro fez um curso de piloto, no qual tirou seu primeiro brevê. Seu primeiro emprego com registro em carteira, aos 18 anos, foi como piloto da Arsata (Aerorancho S.A. Táxi-Aéreo), de Rio Preto. Seu segundo brevê seria adquirido após conseguir o dinheiro emprestado com um amigo, a fim de fazer os exames. Em 1962, começou a trabalhar como piloto na Táxi Aéreo Marília (TAM).

Em 1966, transferiu-se para Amazônia, trabalhando como piloto particular em troca do financiamento de seu primeiro avião, um Cessna. Para engrossar o orçamento, vendia roupas e radinhos de pilha num armazém em São José do Xingu (região do Araguaia), de onde comandava a pequena empresa que montou. Em dois anos de trabalhos na Amazônia, adquiriu 10 monomotores e 7 crises de malária.

Em 1968, foi contratado pela Companhia de Desenvolvimento do Araguaia. Em seguida, trabalhou na VASP como copiloto e, mais tarde, na Líder Táxi Aéreo, como comandante.

Em 1970, fundou a Araguaia Táxi Aéreo (ATA), com dez aeronaves. Em 1972, adquiriu metade das ações da Táxi Aéreo Marília. Em 1976, comprou a outra metade das ações da TAM e torna-se dono da empresa. Na liderança da empresa, foi responsável por um rápido crescimento da companhia, que oferecia serviços que valorizavam o passageiro, prezando por uma boa experiência de voo.

Em 1 de dezembro de 1993, recebe o prêmio "Homem de Vendas do Ano", oferecido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB). Em dezembro de 1996, recebeu o prêmio "Personalidade do Ano da Aviação na América Latina", concedido pela Revista Aérea às pessoas que mais tenham contribuído para o progresso da aviação.

Em 1997, a TAM é eleita a empresa mais rentável do ano anterior, atingindo 49% de lucro, maior marca entre todas as empresas do Brasil, segundo o Datafolha. A empresa havia sido a campeã de 1995.

Em 2000, a TAM vence a licitação para transportar o presidente Fernando Henrique Cardoso nas viagens internacionais durante um ano.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com O Globo, Folha de S.Paulo e ASN

Aconteceu em 8 de julho de 2000: A queda do voo Aerocaribe 7831 no México

Um Jetstream 32EP da Aerocaribe semelhante à aeronave acidentada
Em 8 de julho de 2000, o avião British Aerospace 3201 Jetstream 32EP, prefixo N912FJ, da Aerocaribe, realizava o voo 7831, m voo intra-mexicano de curta distância do Aeroporto de Terán, em Tuxtla Gutiérrez, em Chiapas, para o Aeroporto Internacional Carlos Rovirosa Pérez, em Villahermosa, em Tabasco.

Com 17 passageiros e dois tripulantes a bordo, o voo 7831 partiu de Téran aproximadamente às 19h30. Posteriormente, encontrou mau tempo, para o qual o capitão solicitou permissão ao controle de tráfego aéreo (ATC) de Tuxtla Gutiérrez para sobrevoar.

O ATC atendeu ao pedido e o voo virou para a direita, mas às 19h50, enquanto descia entre as nuvens, o bimotor colidiu contra a encosta de uma montanha localizada perto de Chulum Juárez, cerca de 80 km a sudeste do Aeroporto de Villahermosa, em Chiapas, explodindo em chamas.

Os destroços foram encontrados a uma altitude de 1.890 metros. A aeronave se desintegrou com o impacto e todos os 19 ocupantes morreram.


A causa provável do acidente foi apontada no Relatório Oficial como: "Voo controlado no terreno. Combinando voo por instrumentos (IFR), com voo visual (VFR), a tripulação perdeu a consciência situacional, desviando-se 29,8 milhas para a direita da aerovia Victor 3 devido ao mau tempo, quando as condições meteorológicas impuseram a aplicação das regras de voo por instrumentos (IFR ), causando colisão da aeronave com a montanha a 6200 pés de altitude sem perda de controle (CFIT)."


Foram identificados os seguintes fatores contribuintes:
  • Condições meteorológicas severas em rota,
  • Persistência do piloto em comando, em continuar o voo por instrumentos (IFR) em voo visual (VFR),
  • Inconsistência na gestão dos recursos do cockpit (CRM),
  • Perda de consciência situacional da tripulação de voo e dos controladores, devido a inúmeros desvios de rota, devido a condições climatéricas adversas e má comunicação entre as partes.
  • Preparação inadequada do plano de voo, pois face à muito provável necessidade de circunavegar condições meteorológicas severas, não foram verificadas as altitudes de voo que continuariam fora do espaço aéreo controlado (fora da aerovia v-3).
Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipedia, ASN e baaa-acro

Aconteceu em 8 de julho de 1980: Tragédia no voo 4225 da Aeroflot - 166 mortos no Cazaquistão


O voo 4225 da Aeroflot em um voo doméstico regular de passageiros do aeroporto de Alma-Ata (agora Almaty), no Cazaquistão, para o aeroporto de Simferopol, na República da Criméia, em 8 de julho de 1980, operado pela aeronave era o Tupolev Tu-154B-2, prefixo CCCP-85355, da Aeroflot, levando a bordo 156 passageiros e 10 tripulantes.

Um Tupolev Tu-154B-2 da Aeroflot similar ao acidentado
Em 8 de julho de 1980, nada prenunciava o desastre. A aeronave, fabricada em 1979, tinha acumulado 2.438 horas de voo. Uma tempestade passou perto do aeroporto antes da decolagem. O Alma-Ata estava passando por uma onda de calor. Era por volta de 00h39 e o voo 4225 decolou do aeroporto de Alma-Ata, no Cazaquistão soviético.

Apenas alguns segundos após a decolagem, o voo atingiu 500 pés. Os primeiros segundos transcorreram como esperado. O comandante, o copiloto, o engenheiro de voo, o controlador de voo e o navegador estavam na cabine de comando. Cinco comissários de bordo estavam de serviço.

O comandante da aeronave (PIC) era Alexey Mikhailovich Kulagin, de 46 anos. Ele tinha acumulado 2.628 horas de voo no Tu-154. O segundo piloto era Alexander Viktorovich Bykov, de 35 anos. Ele tinha 233 horas de voo no Tu-154. O Navegador era Yuri Konstantinovich Astafyev. Ele possuia 277 horas de voo registradas no Tu-154. O Engenheiro de voo era Anatoly Nikolaevich Gurov, de 42 anos. Ele acumula 2.334 horas de voo no Tu-154. E o navegador-inspetor é Alexey Yakovlevich Yakukin, de 52 anos.

Havia cinco comissários de bordo trabalhando na cabine da aeronave: Nina Alekseevna Chalykh, 38 anos, Alexander Nikolaevich Sitnikov, 26 anos, Tatyana Vladimirovna Prokhorova, 20 anos, Olga Petrovna Votyakova, 26 anos, e Larisa Anatolyevna Degovets, 20 anos de idade.

Havia 156 passageiros a bordo do avião — 126 adultos e 30 crianças. O peso de decolagem da aeronave era de 97 toneladas.

O Tu-154 encontrou uma zona de alta temperatura e um vento de cauda, ​​o que reduziu a velocidade indicada e o empuxo do motor. A aeronave então encontrou uma corrente de cisalhamento a favor do vento, que coincidiu com o recolhimento dos flaps. A uma altitude de 150 metros e velocidade de 355 km/h, o Tu-154 perdeu sustentação e entrou em uma descida descontrolada.

Aumentar a potência do motor para o modo de decolagem e usar o profundor não surtiu efeito. Um minuto e 40 segundos após a decolagem, a aeronave colidiu com um edifício agrícola e caiu em um campo de trigo próximo a residências particulares nos arredores de Almaty, a 5 km do aeroporto.

O avião, envolto em chamas e se desintegrando, deslizou por um campo e caiu em uma grande ravina.

A fuselagem passou voando pela torre de rádio de longo alcance do aeroporto, mergulhou em uma ravina e se enterrou na encosta. Várias casas pegaram fogo devido ao incêndio que começou no solo. Um campo de trigo foi consumido pelas chamas em vários pontos, e residências particulares e até postes de luz foram atingidos, de acordo com o site aviaengeneer.ru. A parte dianteira do avião emergiu da ravina e caiu sobre prédios residenciais na Rua Fedoseyev.

Não houve vítimas em terra, mas nove pessoas ficaram feridas. Todos a bordo do Tu-154 morreram — 10 tripulantes e 156 passageiros. Toneladas de querosene de aviação pegaram fogo instantaneamente. As pessoas não tiveram chance.


Há alguns anos, Alexander Baev, testemunha ocular da queda do voo 4225 e funcionário do portal de notícias cazaque "Karavan", relembrou: "Morávamos a duas ruas de distância e ouvimos uma explosão durante a noite. Pensamos que uma bomba havia explodido. Corremos para fora e vimos um brilho, tão forte quanto o dia, e o terrível cheiro de querosene queimado invadiu nossas narinas... De manhã, soubemos que o avião havia caído perto de uma residência particular, que todos haviam morrido e que casas e jardins haviam sido destruídos pelo fogo. Logo nos mudamos para outro bairro, mais distante do aeroporto."

Segundo moradores de Almaty, as autoridades locais fizeram o possível para evitar a publicidade e não noticiaram o desastre nos jornais. As pessoas obtiveram todas as informações por meio de conversas informais. A trajetória do avião foi traçada por enormes marcas de trigo esmagado. As informações oficiais sobre o incidente só foram divulgadas anos depois.

Akhmet Dzaurov, morador da Rua Fedoseyev, disse que correu para fora após a explosão e viu duas casas vizinhas em chamas. Ele contou que o fogo se alastrou rapidamente, mas os bombeiros, a polícia e os militares chegaram logo em seguida. Trabalharam no local a noite toda e, pela manhã, já haviam removido os corpos das vítimas para o necrotério.

O vizinho de Dzaurov, Ruslan Doskhaev, morador da casa de número 63, acrescentou que estava muito quente naquela noite; sua família abriu as janelas e não conseguiu dormir por muito tempo.

"Por volta das doze e meia, houve uma explosão. Meu primeiro pensamento foi: guerra! Saltamos para fora, sem conseguir compreender o que havia acontecido. A fuselagem atingiu a beira de um penhasco. A explosão lançou corpos mutilados no jardim de um vizinho. Quando parte da fuselagem atingiu a Casa 66, o fogo se alastrou para os anexos. Cilindros de gás explodiram e as casas pegaram fogo. Corremos para a ravina. Vimos uma pilha de corpos, com querosene derramado sobre eles. Tudo estava queimando e havia um cheiro terrível. Gostaria de não ter chegado perto — essa imagem horrível ainda está gravada na minha mente", concluiu.

As bagagens dos passageiros tiveram que ser resgatadas do topo das árvores, e alguns corpos, dos telhados. As temperaturas na área onde o Tu-154 caiu estavam altíssimas: por exemplo, a 500 metros do epicentro, as folhas das tílias ao longo da rodovia que liga o aeroporto ao centro de Almaty se enrolaram e murcharam.


O Instituto Central de Aerohidrodinâmica da URSS (TsAGI) determinou a causa do desastre . Seu diretor, o acadêmico Georgy Svishchev, utilizou modelagem matemática para determinar que uma corrente de vento vertical de 14 m/s atingiu a aeronave por cima. Em vez de apenas afundar 30 m, a corrente empurrou a aeronave até o solo. Ele não tinha entre 40 e 50 metros de altura para compensar esse fluxo vertical e resistir à inércia da queda.

O relatório da comissão que investigou o acidente com o Tu-154 afirmou: “O acidente resultou da exposição da aeronave a uma perturbação atmosférica intensa, imprevisível e raramente encontrada, durante a decolagem, no final do recolhimento dos motores, com um peso de decolagem próximo do máximo, em condições de aeródromo de alta altitude e alta temperatura do ar, o que não garantia um resultado seguro do voo caso a tripulação agisse de acordo com o RLE (Manual de Operações de Voo – Gazeta.Ru) nessas condições meteorológicas.”

Foi alegado que a música "De Alma-Ata" da banda " Nogu Svelo! " é dedicada ao acidente aéreo. No entanto, o líder da banda, Maxim Pokrovsky, respondeu repetidamente às perguntas sobre as origens da música dizendo que ela nasceu "puramente foneticamente".

Até o momento, continua sendo o acidente de aviação mais mortal no Cazaquistão.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipedia e gazeta.ru

Vídeo: Bomba a bordo - Descobrindo o maior assassinato não resolvido em solo canadense

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Via CBC News: The National

Aconteceu em 8 de julho de 1965: Explosão a bordo do voo 21 da Canadian Pacific Air Lines - Quatro suspeitos e nenhuma conclusão


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m 8 de julho de 1965, o voo 21 da Canadian Pacific Air Lines foi um voo doméstico no Canadá, programado para às 15h30 de Vancouver, na British Columbia, para Whitehorse, em Yukon, via Prince George, Fort St. John, Fort Nelson e Watson Lake.

O avião Douglas DC-6B, prefixo CF-CUQCanadian Pacific Air Lines - CPAL, batizado 'Imperatriz da Cidade de Buenos Aires' (foto abaixo), comprado pela companhia aérea há 12 anos, era pilotado pelo veterano da Segunda Guerra Mundial John 'Jack' Steele e levava a bordo um total de 46 passageiros e seis tripulantes.


Enquanto viajava de Vancouver para o Prince George, o DC-6 - por volta das 15h40 - emitiu três chamados de socorro que foram ouvidos pelo controle de tráfego aéreo em Vancouver.

Havia ocorrido uma explosão no lavatório traseiro esquerdo. A cauda se separou da fuselagem e a aeronave espiralou e caiu em seguida em uma área arborizada. Todos os 46 passageiros e 6 tripulantes morreram.

O local do acidente fica a 40 km (25 milhas) a oeste de 100 Mile House, em British Columbia. Restos do DC-6 permanecem no local do acidente perto de Dog Creek.

Uma testemunha no solo viu a cauda da aeronave se separar da fuselagem e os detritos se arrastando atrás da aeronave. Os destroços eram corpos de passageiros arrancados pela despressurização da aeronave. 

A fuselagem foi consumida pelo fogo onde caiu, mas a cauda, ​​encontrada a 500 metros de distância. Equipes de resgate chegaram ao local do acidente enquanto o fogo continuava a arder, mas nenhum sobrevivente foi encontrado. 

"Em algumas áreas, tivemos que passar de braço dado no mato porque os corpos estavam caindo. Foi traumático. Algo para o qual ninguém está preparado."

Chuck Shaw-MacLaren tinha 37 anos quando o voo 21 da Canadian Pacific caiu na rota de Vancouver para Whitehorse. Ele caiu no deserto a cerca de 60 quilômetros de 100 Mile House, BC, onde ele morava e se ofereceu como motorista de ambulância.

Ele foi um dos primeiros a chegar ao local, testemunhando a carnificina depois que o avião que transportava 52 passageiros e tripulantes sofreu uma explosão catastrófica e se chocou contra a floresta abaixo.

Shaw-MacLaren ajudou a procurar por sobreviventes no matagal do interior do BC, mas não havia nenhum para encontrar. No final das contas, ele passou três dias recuperando corpos espalhados por vários quilômetros de floresta acidentada. Alguns foram queimados além do reconhecimento, outros ainda presos nas árvores que impediram sua queda de 15.000 pés acima.

Chuck Shaw-MacLaren, um motorista de ambulância voluntário que foi um dos primeiros a chegar ao local do acidente do voo 21, ainda está assombrado pelo que testemunhou. (Foto: Johanna Wagstaffe / CBC)
Poucos dias após o acidente, investigadores determinaram que uma bomba - provavelmente feita com dinamite ou pólvora - foi detonada no piso do lavatório traseiro do avião.

Como a bomba foi colocada à vista e nenhuma evidência de um cronômetro foi encontrada, a polícia determinou que ela deve ter sido detonada por uma das 52 pessoas a bordo.

Em um relatório preliminar sobre a natureza da bomba, o investigador de explosivos Tom Sterling escreveu: "Como questão de especulação, sugiro que uma dinamite contendo nitrato de potássio ou dinamite foi usada em conjunto com pólvora. Quanto à quantidade de alto explosivo usado, minha estimativa é algo entre cerca de 3,5 libras e 10 libras de dinamite-energia equivalente."

Uma grande equipe de investigadores foi rapidamente montada e, duas semanas após o acidente, foram concluídas as verificações de antecedentes de todos no avião.

Eles acreditavam que o culpado era um dos quatro homens a bordo:
  • Douglas Edgar, um jogador que comprou um seguro de vida momentos antes de embarcar.
  • Stefan Koleszar, um especialista em explosivos de mineração com ficha criminal.
  • Peter Broughton, um jovem descrito como um solitário interessado em armas e pólvora.
  • Paul Vander Meulen, um indivíduo que tinha uma arma no avião e foi descrito por seu psiquiatra como tendo uma "profunda loucura em relação ao mundo".
A polícia conduziu investigações extensas sobre esses quatro homens, mas com base nas evidências e nas técnicas forenses disponíveis na época, nunca foi capaz de determinar quem foi o responsável pela detonação da bomba e o caso foi encerrado.

Mas para aqueles que perderam entes queridos no acidente, não houve encerramento e muitas perguntas permanecem.

Entre os familiares que ainda procuram respostas está Didi Henderson. Ela tinha cinco anos quando seu pai morreu no acidente.

"Este ainda é [um dos] maiores acidentes de assassinato de aviação não resolvidos nos livros", diz ela, "e não ser capaz de saber quem fez isso significa que você não tem onde concentrar sua raiva."

Restos da aeronave ainda podem ser encontrados hoje no local onde o voo 21 da Canadian Pacific caiu. Didi Henderson, cujo pai morreu no acidente quando ela tinha cinco anos, visitou o local em agosto com Ian Hanomansing (Foto: CBC)

A investigação


Cinco décadas após o acidente, a CBC News deu uma nova olhada no bombardeio do voo 21 da CP para ver se análises modernas e técnicas forenses podem lançar uma nova luz sobre o caso.

Os destroços do DC-6 são reconstruídos pelos investigadores (Foto: Transport Canada)
Durante meses, os jornalistas da CBC entrevistaram dezenas de pessoas ligadas ao incidente.

Eles também acessaram milhares de páginas de documentação com décadas de existência por meio de solicitações de acesso a informações, incluindo os relatórios originais da RCMP (Royal Canadian Mounted Police [Real Polícia Montada do Canadá, em português]) e da Transport Canada sobre o acidente.

Esse material foi então compartilhado com vários especialistas - entre eles um ex-investigador de acidentes de aviação, especialistas em explosivos, um psicólogo forense e um criminologista com interesse em casos arquivados - para determinar se era possível chegar mais perto de saber qual dos os quatro suspeitos, se houver, plantaram a bomba.

"Este é provavelmente um dos casos de ocultamento mais notáveis ​​da história canadense, em parte porque é tão incomum e, ainda assim, há pouco ou nada que foi escrito nele e muito poucas pessoas sabem sobre ele", disse Mike Arntfield, ex-detetive de polícia e criminologista. Ele possui um PhD em Justiça Criminal e agora leciona na University of Western Ontario, em Londres. A CBC o contratou para ajudar na revisão do caso.

Os detalhes dos quatro principais suspeitos do RCMP, que Arntfield concorda que deveriam estar no topo da lista, também são "misteriosos... é algo saído de um filme de Hitchcock. 'Estranhos em um avião', poderíamos chamar isso. Quatro estranhos absolutos, cada um com algo a esconder. Cada um dos quais vai acabar sendo, em algum momento, um suspeito neste caso."

O voo 21 da Canadian Pacific foi um Douglas DC-6, semelhante ao visto aqui que foi
preservado como parte da frota de aeronaves 'Flying Bulls' austríaca (Foto: Jan Woitas/EPA)
A CBC News procurou indivíduos envolvidos na investigação original. Muitos deles não estão mais vivos, mas o CBC se conectou com Robert Mullock, que chefiou a investigação para o RCMP.

Mullock não quis falar oficialmente, exceto para dizer: "Sim, eu fiz a investigação. Fizemos uma revisão completa e, no final, ficamos satisfeitos que a pessoa estava na aeronave."

Para entender melhor por que certos passageiros se tornaram os principais suspeitos da RCMP, é útil saber os dois pontos-chave que formaram a base de sua investigação:
  • Primeiro, a polícia acreditava que a bomba era feita de dinamite e/ou pólvora.
  • Em segundo lugar, eles estavam interessados ​​em examinar mais de perto os passageiros que possuíam apólices de seguro de vida consideradas excepcionalmente grandes.
Koleszar e Broughton tinham experiência com explosivos ou pólvora.

E em um relatório da RCMP datado de 22 de julho de 1965, os investigadores escrevem: "Nenhum dos passageiros, com exceção de Edgar e Vander Meulen, tinha mais seguro para si do que seria normalmente esperado para as pessoas em sua posição."

Este relatório foi seguido por centenas de páginas de notas policiais detalhando a investigação dos quatro suspeitos, incluindo entrevistas com suas famílias, amigos, professores e colegas.

Houve também análises profundas dos registros médicos, histórico criminal e vida pessoal dos suspeitos, além de detalhes sobre o material confiscado de suas casas.

Comportamento suspeito, links para explosivos e até mesmo quais livros os suspeitos retiraram da biblioteca foram investigados e documentados.

Aqui está o que a evidência, e a análise dos especialistas com quem a CBC compartilhou, revela sobre Douglas Edgar, Stefan Koleszar, Peter Broughton e Paul Vander Meulen. E por que alguns dos especialistas acreditam que a lista de suspeitos agora pode ser reduzida a dois nomes.

Douglas Edgar


Douglas Edgar morava em Surrey, BC, com sua esposa, filha e sobrinha
O homem de 40 anos era um homem alto e descontraído que ganhava a vida trabalhando em vários empregos na extração de madeira e na pesca, e também sustentava sua família com jogos de azar.

Parentes descreveram Edgar como "um tipo despreocupado, bom para sua família, que parecia nunca deixar que nada o incomodasse".

Edgar disse à esposa que estava voando para Prince George no PC 21 para um trabalho em uma fábrica próxima. No entanto, quando a RCMP verificou isso, eles não conseguiram encontrar nenhum empregador que o tivesse contratado.

Aumentando ainda mais as suspeitas, a polícia diz que Edgar levou "quase nada como roupa" com ele no voo.

Embora a RCMP tenha considerado todos esses pontos dignos de nota, foi o seguro de vida que Edgar comprou pouco antes do embarque que realmente chamou a atenção.

Os eventos que levaram à queda do CP 21 podem explicar o porquê. Entre 1960 e 1965, houve três outros assassinatos-suicídios em massa em aviões nos quais problemas financeiros e seguros eram motivos suspeitos.

No aeroporto, Edgar comprou quatro apólices que pagariam US$ 125.000 para sua família no caso de o avião cair, o equivalente a quase US$ 1 milhão em 2018.

Embora comprar seguro no aeroporto possa parecer estranho hoje, não era incomum em 1965. Naquela época, as apólices estavam disponíveis com agentes e até mesmo em máquinas de venda automática nos aeroportos.

Lea Edgar, que agora mora na Califórnia, tinha nove anos quando seu pai morreu no acidente. Em uma entrevista da CBC para esta história, ela diz que tem certeza de que ele não é o homem-bomba e ressalta que não havia nada de sinistro no seguro que ele comprou no dia do voo.

Douglas Edgar com sua esposa, filha Lea (embaixo à direita) e sobrinha
“Meu pai sempre tinha muitos trocados no bolso”, diz Lea Edgar, que estava no aeroporto no dia em que seu pai partiu na CP 21.

"Posso até me lembrar dele me dando um pouco do troco e colocando na máquina - não que você veja mais jornais vendidos na rua, mas era como aquele tipo de máquina operada por moedas em que você simplesmente colocava as moedas. E ele me fez fazer isso porque saiu um prêmio, um maço de papéis. Não é particularmente empolgante, mas foi uma espécie de coisinha que ele nos mandou fazer."

Arntfield, um especialista em criminologia que trabalha com técnicas modernas de criação de perfis, aponta que o comportamento era típico de alguém com o tipo de personalidade de Edgar.

"Essas máquinas e quiosques estavam em aeroportos para apelar à compra por impulso de seguro de vida. Esse cara é um jogador, ele é impulsivo por natureza", diz Arntfield. Ele acrescenta que um homem como Edgar provavelmente teria feito um trabalho melhor cobrindo seus rastros se fosse culpado.

"Ele ganhava a vida enganando, jogando cartas. Ele sabia que seria o principal suspeito [devido à compra do seguro] e que isso colocaria sua família em risco de conseguir o dinheiro do seguro de vida."

Mike Arntfield é um ex-detetive de polícia e criminologista que possui um PhD em Justiça Criminal e agora leciona na University of Western Ontario, em Londres (Foto: Tiffany Foxcroft/CBC)
Arntfield também diz que o altruísmo por si só, deixando dinheiro para sua família, provavelmente não será o único motivador para um crime tão grave. Ele sente que deveria haver outro motivo em jogo.

A polícia considerou se o estilo de vida de jogador de Edgar poderia ter sido um fator e fez investigações que revelaram informações conflitantes.

Um amigo de Edgar disse-lhes que Edgar era um "jogador justo", que demonstrava "pouca emoção se perdesse ou ganhasse". O amigo disse que ocasionalmente pedia dinheiro emprestado, até cerca de US$ 200, mas sempre pagava de volta.

A polícia também foi contatada por alguém que afirmou conhecer Edgar "muito bem". A pessoa, cujo nome está redigido nos documentos obtidos pela CBC, disse a eles que, dois anos antes do voo, Edgar "estava perdendo dinheiro e havia emprestado até US$ 1.000 de uma pessoa desconhecida". A fonte também indicou que pode ter havido vários outros de quem Edgar havia emprestado dinheiro e não poderia pagar.

No final das contas, porém, a polícia determinou que não havia evidências de que Edgar estava com problemas financeiros.

"As investigações sobre os antecedentes de Edgar não indicaram que ele estava sendo pressionado por dívidas de jogo ou que havia incorrido em perdas pesadas com jogos de azar", escreveram eles.

A polícia também investigou se Edgar tinha conhecimento de explosivos, mas não encontrou nenhuma conexão.

Lea Edgar disse à CBC que a RCMP havia feito uma extensa busca na casa da família. "Eles até cavaram locações no quintal, tinham longas estacas de metal e fizeram testes - presumo para ver se havia algo enterrado lá. Nada foi encontrado."

Lea Edgar estava no aeroporto no dia em que seu pai partiu no voo 21 (Foto: Andy Hincenbergs/CBC)
Ela também diz que há uma explicação para o motivo pelo qual a polícia não conseguiu confirmar para onde seu pai estava viajando.

"Ele conhecia tantas pessoas no ramo madeireiro, essa tinha sido sua carreira e sua história. Ele provavelmente estava indo para lá [para] conseguir um emprego diurno, e nos campos madeireiros eles jogavam cartas à noite. ter uma vida melhor nisso do que trabalhando com as mãos."

A polícia disse não ter encontrado nenhuma indicação de que Edgar fosse suicida e escreveu que "as únicas circunstâncias um tanto suspeitas em torno dessa pessoa são o valor do seguro de vida feito antes do voo no Aeroporto Internacional de Vancouver".

Lea Edgar questiona o quão rigorosa foi a investigação da RCMP no local do acidente e se as evidências que poderiam ter identificado o homem-bomba podem ter sido perdidas.

"A área foi saqueada. As pessoas que estavam lá para tentar ajudar os sobreviventes escalaram e contaminaram o local. Os itens foram movidos, trocados. Quem sabe o que mais havia que foi levado?"

A polícia observou que faltou dinheiro na carteira de pelo menos um passageiro após o acidente.

Lea fica brava e diz que o trauma que sua família sofreu com a morte de seu pai foi agravado por ele ter sido considerado suspeito.

"Minha mãe passou pelo inferno."

Ela diz que sua família também foi deixada na miséria durante anos, enquanto sua mãe lutava para conseguir o pagamento da seguradora, que acabou recebendo.

Stefan Koleszar


Stefan Koleszar
Outro nome na lista dos principais suspeitos da RCMP é Stefan Koleszar, de 53 anos.

Ele foi descrito como um homem robusto com cabelos castanhos grisalhos e olhos azuis. Pai de cinco filhos, Koleszar estava a caminho de um novo emprego quando embarcou no voo 21 da CP.

Com base em sua reputação de especialista em "homem da pólvora", termo usado na década de 1960 para descrever alguém que trabalha com explosivos, ele foi contratado para trabalhar na escavação de rochas perto de Prince George. A empresa pagou pelo transporte de Koleszar.

Os empregadores descreveram Koleszar como um "tipo de homem temperamental", mas um trabalhador justo, um bom especialista em detonação e "um dos homens mais cuidadosos que já empregaram nessa linha de trabalho".

Um memorando da polícia de 17 de dezembro de 1965 afirma que ele não poderia ser eliminado da investigação, "por causa de seu conhecimento sobre explosivos e histórico de violência".

Dado que o interesse da RCMP foi principalmente despertado pela conexão direta de Koleszar com explosivos, a CBC News decidiu investigar o quão difícil teria sido adquirir o material necessário para fazer a bomba que derrubou o Douglas DC-6, e qual a especialidade de seu fabricante teria precisado.

Bill Smith, que ensina técnicas de detonação no Sir Sandford Fleming College em Peterborough, Ontário, concordou em revisar a análise forense original da RCMP e testar bombas semelhantes.

Bill Smith é um especialista em explosivos que ensina técnicas de detonação no
Sir Sandford Fleming College em Peterborough, em Ontário (Foto: Evan Agaard/CBC)
A polícia estava certa de que um "explosivo de alta velocidade" foi usado para fazer a bomba CP 21. Sua teoria de trabalho, com base em evidências coletadas no local, era que era dinamite ou pólvora, ou uma combinação de ambos.

Ao contrário de hoje, Smith diz que esses materiais estariam prontamente disponíveis em 1965.

"Contanto que você tivesse mais de 16 anos, eu acredito que você comprou isso no balcão. Você iria comprar dinamite, detonadores, os fazendeiros faziam isso o tempo todo."

Em um local de teste seguro, Smith também demonstrou como uma bomba com qualquer um dos ingredientes pode ser facilmente montada e detonada manualmente.

As bombas baseadas em pólvora e dinamite eram simples de montar e ambas criaram explosões grandes o suficiente para causar danos catastróficos a um avião.

"Isso me diz que muitas pessoas teriam acesso aos materiais e aos meios para fazer uma explosão como essa. Não seria necessário muito conhecimento para fazer o que fizemos hoje em um avião", disse Smith.

Os especialistas em detonação ajudaram a CBC News a testar o quão difícil teria sido fazer a bomba que derrubou o voo 21 da CP em 1965. A explosão da bomba colocada no pequeno balde de metal foi poderosa o suficiente para lançar um pneu de carro e rim a cerca de 30 metros o ar
O que significa que, embora o acesso de Koleszar a explosivos e sua experiência em trabalhar com eles possam tê-lo destacado para a polícia, muitas pessoas no avião poderiam ser capazes de reunir os materiais e o know-how necessários para fazer a bomba.

A polícia nunca encontrou nenhuma evidência física ligando Koleszar à bomba. Como parte de sua investigação, o RCMP até mesmo radiografou seu corpo para procurar fragmentos de metal que pudessem indicar que ele estava perto da explosão, mas não encontrou nada.

Este detalhe, junto com vários outros sobre o caso, foi publicado no Vancouver Sun na semana seguinte ao acidente. Cerca de 25 anos depois, a filha de Koleszar, Sandra, descobriu que seu pai era um suspeito lendo artigos como este enquanto fazia pesquisas na Biblioteca Pública de Vancouver.

Sandra tinha seis anos quando seu pai morreu no acidente do CP 21. Sua mãe nunca compartilhou detalhes sobre a morte dele, mas diz que a perda sempre a afetou profundamente.
  
“Mesmo agora, não consigo acreditar no efeito que isso causa em mim quando falo sobre isso”, diz Sandra. “Lembro-me de quando era menor, olhava em volta e me perguntava se meu pai estava vivo e procurava por ele em uma multidão."

Ela acrescenta que o que aprendeu com os artigos de jornal durante sua pesquisa na biblioteca foi completamente inesperado.

“Foi realmente chocante ver isso, porque não sabíamos nada sobre isso. Disseram que nosso pai era um suspeito, além de escreverem outras coisas sobre nosso pai que não sabíamos que ele havia feito. Disseram que ele brigou com alguém em 1958, ele matou alguém."

A ficha criminal de Koleszar foi a segunda coisa que a polícia notou sobre ele como suspeito. Ele listava uma série de acusações, incluindo "conhecimento carnal", agressão e assassinato.

Este último resultou de uma briga com outro homem que terminou quando Koleszar "o jogou para fora e escada abaixo", fazendo-o morrer com um "coração partido". A acusação de homicídio foi posteriormente rebaixada para homicídio culposo e ele foi finalmente absolvido.

Koleszar também foi dispensado do serviço militar por má conduta quando tinha 30 anos, mas os relatórios não especificam o porquê.

Artigo da primeira página da edição de 12 de julho de 1965 do jornal The Sun sobre
radiografias feitas nos corpos de passageiros do voo 21 da CP (Imagem: The Sun)
Além de seus empregadores, a polícia entrevistou o médico da família de Koleszar. Ele disse a eles que Koleszar era geralmente um homem saudável, embora sofresse de um complexo de inferioridade. O médico afirmou que Koleszar, "era ucraniano e quando as pessoas o chamavam de bohunk ele ficava muito chateado, e isso muitas vezes resultava em uma briga".

O médico também disse à polícia que não havia indícios de que Koleszar tivesse qualquer doença mental.

O criminologista Mike Arntfield diz que não dá muito peso aos antecedentes criminais de Koleszar, porque "uma história de violência de sangue quente" tem um perfil psicológico diferente do calculado assassinato em massa cometido no PC 21.

Arntfield usou um algoritmo de computador para comparar o caso do CP 21 a outros desastres de aeronaves, assassinatos em massa, ataques suicidas e ações de indivíduos suicidas. Havia poucas coisas em Koleszar que se encaixassem no perfil de um provável bombardeiro.

Arntfield diz que sua idade também não corresponde às estatísticas para o tipo de pessoa que costuma cometer esse tipo de crime.

“Quando olhamos para centenas de outros atos de assassinato em massa desde então, sua idade para o uso de um dispositivo iniciado por bombardeiro está muito longe estatisticamente”, diz Arntfield.

O psicólogo forense Michael Woodworth também disse à CBC que a pesquisa indica que o perfil de idade dos assassinos em massa está geralmente na faixa de 17 a 34 anos.

Woodworth adverte que há apenas um pequeno número de casos para basear essas estatísticas, no entanto, e é um número ainda menor quando se refere especificamente a assassinatos em massa-suicídios em aviões.

"Especialmente fora dos que são para fins de terrorismo nos dias de hoje, o índice deles é muito baixo."

Peter Broughton


Peter Broughton
Peter Broughton era outro passageiro com uma forte conexão com explosivos.

Broughton tinha 29 anos e era solteiro. Ele tinha um bom relacionamento com sua família, que incluía dois irmãos e uma irmã.

Seus amigos o descreveram como inteligente, mas reservado e socialmente isolado.

Ele "não ligava para pessoas que falavam demais e preferia ficar sozinho", disse sua mãe à polícia.

Broughton estava morando em Vancouver e fazendo cursos noturnos para melhorar sua educação. Após o acidente, sua irmã disse à polícia que ele estava planejando sua futura carreira e estava bastante interessado em aviação e eletrônica.

Quando embarcou no voo 21 da CP, ele estava voltando para Cassiar, BC, onde trabalhava no monitoramento de máquinas em uma mina.

Quando ele não estava trabalhando ou estudando, a paixão e hobby de Broughton eram armas e recarregar munição. Ele possuía várias armas de fogo e era o armeiro de um clube de armas em Cassiar.

Foi essa habilidade com a pólvora que chamou a atenção da polícia pela primeira vez. Seu interesse se aprofundou com o desenrolar da investigação.

A CBC News encontrou-se com Ken Leyland, cujo falecido pai, Cy, foi o investigador principal do Departamento de Transporte em 1965 e trabalhou em estreita colaboração com a RCMP. Cy morreu há 18 anos, mas antes de falecer disse ao filho que a RCMP achava que Broughton era provavelmente a pessoa que detonou a bomba.

Cy Leyland, centro da segunda linha, foi o investigador principal do Departamento de Transporte em 1965 e trabalhou em estreita colaboração com o RCMP (Foto: Departamento de Transporte)
"Eu perguntei a ele diretamente, eu disse 'você sabe quem fez isso?' E ele disse: 'temos uma boa ideia de quem foi a pessoa responsável' ", diz Ken Leyland.

Cy disse a seu filho que havia muitas evidências apontando para Broughton, "mas são todas circunstanciais".

"Broughton tinha estado em Vancouver", diz Ken, "e enquanto estava lá, ele foi à Biblioteca Pública de Vancouver e deu uma olhada em um livro sobre aviões de passageiros movidos a pistão Douglas, dos quais DC-6Bs eram um. Quando o RCMP visitou a casa de sua mãe em casa, o livro ainda estava lá junto com uma lata de meio quilo de pólvora preta natural de 60 por cento com aproximadamente quatro onças restantes. "

O CBC investigou isso e descobriu que os detalhes nos relatórios policiais não estavam todos de acordo com aqueles relatados por Cy. Embora a RCMP tenha recuperado várias latas de pólvora da casa de Broughton, por exemplo, nenhuma delas era a pólvora preta que se pensava ter sido usada na bomba.
  
A polícia disse que havia cinco livros sobre aviação, nenhum deles sobre o Douglas DC-6 especificamente, embora eles notassem que "nos últimos seis meses [Broughton] mostrou um interesse considerável na construção de aeronaves".

Quanto ao motivo, de acordo com Cy Leyland, a RCMP acredita que Broughton pode ter detonado a bomba em uma tentativa de chamar atenção.

"Uma de suas teorias de trabalho com esse indivíduo era que ele sentia que o avião não seria destruído... e ele teria seus 15 minutos de fama, porque era um dos passageiros", disse Ken que seu pai lhe disse.

Não há nada nos relatórios que indique que isso é o que a RCMP oficialmente acreditava ser o motivo de Broughton. Mas a notoriedade é um motivador conhecido de crimes como esse, diz Woodworth, o psicólogo forense.

"No entanto, na maioria desses casos, temos algumas evidências de que eles estavam planejando isso, ou fizeram uma declaração após o fato ou antes."

Peter Broughton, à esquerda, e sua família (Foto: Joan Hodgins)
Quando questionado pela polícia se Broughton cometeria esse tipo de crime, um médico da mina onde ele trabalhava disse "não", mas que "um jovem como Broughton que guardava tudo para si provavelmente cometeria suicídio desta maneira para chamar a atenção."

O que o médico quis dizer com "jovens como Broughton" é desconhecido, mas está claro pelos relatórios que a RCMP estava investigando a orientação sexual de Broughton e se isso pode ter contribuído para um motivo.

“Estamos explorando a possibilidade de que tenha havido um caso de amor homossexual”, escreveu a polícia em referência a um relacionamento que eles suspeitavam que Broughton pudesse ter tido com outro homem. "Se esse caso de amor foi interrompido recentemente, sabe-se que os homossexuais ficam muito desanimados quando isso ocorre."

Enquanto essa noção é entendida como preconceito hoje, em 1965 a homossexualidade era um crime.

"Você tem uma cultura policial orientada para ver algo de errado com os homossexuais", diz Gary Kingsman, professor emérito da Universidade Laurentian e co-autor do livro The Canadian War on Queers: National Security as Sexual Regulation.

“Então há essa associação por parte da polícia [que]... há algo errado com o caráter deles. Algo vulnerável, algo arriscado, algo suspeito”.

Mais tarde na investigação, a RCMP disse que "falhou em ampliar a sugestão de que Broughton era homossexual". Mas eles continuaram a escrever que ele era o "suspeito mais lógico".

Um documento detalhando itens apreendidos na casa de Peter Broughton (Imagem: RCMP)
Há mais uma evidência que Arntfield diz que levanta uma bandeira vermelha de que ele "não pode superar".

Quando a RCMP entrevistou a mãe de Broughton após o acidente, os investigadores disseram que ela disse que seu filho havia alertado que "havia algo perigoso em seu quarto" duas noites antes do acidente.

Mais tarde, ela negou ter feito essa declaração à polícia, mas Arntfield acredita que pode ser uma informação importante.

"Não sabemos se isso foi uma distração ou diversão para que ela só entrasse muito depois de o avião ter caído. Talvez tenha sido um bilhete explicando sua razão para fazer isso, um bilhete suicida de algum tipo. Talvez seja foi o dispositivo. Não sabemos. "

Aqueles que conheciam Broughton melhor disseram à CBC News que não estão convencidos de que Broughton jamais detonaria uma bomba e se mataria junto com 51 pessoas inocentes.

"Não há como, isso simplesmente não é algo que ele faria. Tenho certeza, no meu coração, sei que ele não faria isso", diz a irmã de Broughton, Joan Hodgins.

A irmã de Peter Broughton, Joan Hodgins, lembra-se dele como uma 'criança feliz' (Foto: Richard Grundy/CBC)
"Ele era uma criança feliz. Gostava de ler, gostava de sua música, amava hóquei. Amava suas sobrinhas e sobrinhos. E era muito bom com sua mãe."

Em uma entrevista à polícia em 1965, Joan disse que ajudou Broughton a fazer a mala de voo antes de partir e não viu nada suspeito. Ainda hoje, ela se lembra de tê-lo levado ao aeroporto e de como ele estava de bom humor enquanto estava lá, brincando com a sobrinha e o sobrinho antes de embarcar.

"Agora me diga se uma pessoa como essa faria uma coisa tão terrível para sua família", disse ela à CBC.

Paul Vander Meulen


Paul Vander Meulen
O quarto passageiro no topo da lista de suspeitos da RCMP é Paul Vander Meulen, de 35 anos.

Ele havia se mudado de Bellingham, Washington, para Richmond, BC, três semanas antes do voo. Casado com a segunda esposa, teve duas filhas do primeiro casamento e mais duas do segundo.

Vander Meulen ingressou na Força Aérea do Exército depois do ensino médio e serviu por dois anos antes de partir. Depois disso, ele trabalhou em vários empregos, incluindo se tornar um detetive particular licenciado e dirigir uma empresa de amaciamento de água sem sucesso.

Nos meses que antecederam o voo, ele se tornou sócio de uma empresa chamada Bullion Mines e foi para o interior de BC para fazer prospecção.

O corpo de Vander Meulen era um dos radiografados pela RCMP. Eles encontraram fragmentos de cobre embutidos nele, que eram estranhos à aeronave. O cobre é, entretanto, usado em detonadores.

Embora isso indique que Vander Meulen provavelmente estava perto da bomba detonada no lavatório traseiro, não há como saber por quê. O CBC descobriu que não havia assentos atribuídos a esses voos em 1965, então ele pode ter apenas sentado na parte traseira da aeronave quando o dispositivo explodiu.

Os relatórios oficiais da investigação indicam que Vander Meulen tinha um revólver Magnum .44 no avião, que ele havia registrado na polícia.

Seu parceiro de negócios também alegou que ele carregava cerca de US $ 800 em dinheiro - US$ 400 de seu próprio dinheiro e US $ 400 em um envelope que pertencia a outra pessoa. Era uma quantia extraordinariamente grande, equivalente a quase US $ 6.500 em dólares de hoje, quando ajustada pela inflação.

Esse dinheiro nunca foi encontrado no local.

Eles também escrevem que dois meses antes de embarcar no CP 21, ele comprou uma grande apólice de seguro de vida no valor de $ 100.000 (equivalente a $ 800.000 hoje). Devido a um ferimento na cabeça anterior, que ele sofreu enquanto trabalhava em um barco, ele teve que pagar um grande prêmio de $ 800 (cerca de $ 6.500 em dólares de 2018).

Uma avaliação psiquiátrica de Paul Vander Meulen que foi feita antes da queda do voo 21 (Imagem: RCMP)
De acordo com uma entrevista policial, Vander Meulen disse ao agente que comprou o seguro porque estava fazendo prospecção no mato e queria cuidar de sua família caso algo acontecesse.

Depois de saber sobre o ferimento na cabeça, a polícia investigou mais profundamente a história médica de Vander Meulen, incluindo relatórios psiquiátricos.

Eles descobriram que um ano antes do acidente, Vander Meulen estava sendo visto por um psiquiatra e foi diagnosticado com ansiedade crônica. Em março de 1964, ele foi considerado "incapaz de retomar sua ocupação habitual".
  
Em uma nota separada, Vander Meulen é descrito por um psiquiatra como "uma pessoa altamente inteligente, mas muito efasiva [sic], e uma pessoa que mostra uma profunda loucura em relação ao mundo". Ele acrescentou que o homem pode ser "capaz de atos violentos e irracionais".

“Essa frase salta à vista”, diz Woodworth, o psicólogo forense.

“Descendo a lista de motivos possíveis - como notoriedade, infâmia e finanças - você começa a entrar em um estado mental. Se estivermos olhando para os principais tipos de fatores que chegam ao topo ... a raiva e o ressentimento são os motivadores potenciais. "

O fato de que o psiquiatra de Vander Meulen fez as observações antes do acidente, quando ele pensava que a nota seria privada, torna ainda mais significativo, diz Woodworth.

Woodworth também ficou surpreso com o fato de Vander Meulen ter comprado um seguro apenas alguns meses antes do voo e levado uma arma no avião.

Enquanto uma arma e munição pertencentes a Vander Meulen foram recuperadas no local do acidente, a polícia não conseguiu determinar se ele estava com essas coisas consigo no momento do bombardeio ou se estavam em sua bagagem fora de alcance.

"Qualquer pessoa que tivesse algo que funcionasse efetivamente para controlar a multidão, ou para inibir a capacidade das pessoas de detê-los nesse objetivo [de detonar uma bomba], seria de interesse", diz Woodworth.

Michael Woodworth é psicólogo forense e professor da University of British Columbia (Foto: Gary Moore)
Arntfield, por outro lado, não acredita.

"Se você vai se matar, por que está carregando dinheiro ... as mesmas coisas que o tornam suspeito e misterioso são na verdade desculpadoras."

A CBC News procurou parentes de Peter Vander Meulen e conseguiu localizar Sarah Taylor, sua bisneta de seu primeiro casamento, bem como Rene Roe, sua enteada de seu segundo casamento.

Rene Roe conheceu Vander Meulen por pouco tempo, mas diz que ele foi bom para a mãe dela e que sua morte teve um impacto profundo sobre ela. "Ela simplesmente entrou em parafuso. E foi, pelo resto de sua vida, foi horrível."

Sarah Taylor ainda não tinha nascido quando Vander Meulen morreu, mas ela se lembra de uma história que foi contada por sua avó, que era filha de Vander Meulen de sua primeira esposa.

“Estávamos repassando um pouco da história da família e ela comentou que seu pai morrera em um acidente de avião - e que sua mãe lhe disse que suspeitava que ele era o responsável por isso”, diz Sarah. "Mas ela me disse que não concordava com isso, e ela não sabia por que sua mãe diria algo assim, e que a chateava que sua mãe dissesse isso."

Os suspeitos mais prováveis


A partir da esquerda: Stefan Koleszar, Peter Broughton, Paul Vander Meulen e Douglas Edgar
Especialistas modernos que ajudaram a analisar o caso do voo 21 da CP disseram à CBC News que a investigação original do acidente parecia completa e completa, sem pedras aparentes sobre as quais não foi possível virar.

No entanto, os investigadores em 1965 nunca encontraram as evidências necessárias para provar qual dos quatro suspeitos, se algum deles, plantou a bomba.

A passagem do tempo, a morte de testemunhas e as fontes limitadas de informação que permanecem significam que as chances de descobrir novas evidências físicas são mínimas. E depois de analisar o caso, o CBC e seus especialistas também não encontraram nenhuma prova clara de quem cometeu esse crime.

No entanto, quando se trata de analisar meios, motivos e oportunidades, os especialistas com quem o CBC falou dizem que é possível usar técnicas modernas de criação de perfil para reavaliar quais suspeitos marcam mais caixas do que outros.

No caso de Douglas Edgar , como os próprios investigadores de 1965 apontam, a principal razão pela qual suspeitaram dele foi o seguro que ele comprou antes de embarcar no avião.

A polícia nunca encontrou nenhuma evidência de dívidas, e o criminologista Mike Arntfield argumenta que o puro altruísmo por si só provavelmente não será um motivo para cometer suicídio em massa.
  
“Este é um caso clássico de visão de túnel policial”, diz Arntfield. "Eles pensaram que era um motivo financeiro e se apegaram a essa teoria. Acho que podemos tirá-lo da mesa completamente."

Quanto a Stefan Koleszar , embora tivesse conhecimento de explosivos, Smith e sua equipe mostraram que qualquer adulto poderia ter adquirido os materiais necessários para a fabricação de bombas na época, e construir uma bomba como aquela que derrubou o CP 21 não demorou muito perícia.

A polícia nunca apresentou um motivo plausível para Koleszar.

Além disso, os crimes de que foi acusado no passado eram muito diferentes do que foi cometido no PC 21. Arntfield e Woodworth concordam que sua idade não se encaixa no perfil de um assassino em massa, com base no que sabemos sobre este tipo de criminoso hoje.

"Não temos nenhum motivo conhecido. Este é um cara que tem filhos. Ele tem um bom emprego. Ele é respeitado no trabalho", diz Arntfield.

Peter Broughton, à esquerda, e Paul Vander Meulen (Imagem: Vancouver Sun)
Isso deixa Paul Vander Meulen e Peter Broughton.

No entanto, quando se trata de qual deles deve ser considerado o principal suspeito, há divergências de opinião entre os especialistas.

“Você tem que ver qual forma a imagem mais completa”, diz Woodworth.

Para ele, com base nas informações disponíveis, essa imagem aponta para Vander Meulen, que foi descrito por seu psiquiatra como tendo uma "profunda loucura pelo mundo".

"Ele é o melhor suspeito do ponto de vista patológico e é o mesmo que fez o seguro", diz Woodworth.

Por outro lado, Arntfield sente que é Broughton que não pode ser eliminado.

“Ele tem acesso à pólvora, ele tem acesso à dinamite”, diz Arntfield.

E embora isso possa não ser suficiente por si só, ele também argumenta que, ao contrário dos outros suspeitos, Broughton, como um homem solteiro, tinha a privacidade necessária para elaborar um plano. Além disso, na mina Cassiar onde trabalhava, ele poderia ter testado um explosivo sem levantar suspeitas.

"Seja o Unabomber ou os atacantes de Columbine, sempre havia um ensaio geral."

Arntfield também aponta para as descrições de Broughton dadas por familiares e amigos, e argumenta que certos aspectos da personalidade de Broughton, como ser um solitário, também foram vistos em outros casos de assassinato em massa.

O que os especialistas concordam é que 53 anos após o bombardeio do CP 21, se algum dia quisermos saber quem detonou a bomba e por que o fez, novas informações serão o que desbloqueará a resposta.

"Tudo se resume ao que as pessoas viram nas semanas e meses que levaram ao desastre", disse Arntfield.

"Agora que temos todas essas informações, esse pode ser o ponto de inflexão. Alguém talvez tenha a chave para tudo isso."

O pai de Didi Henderson foi morto no atentado ao voo 21 da CP quando ela tinha cinco anos.  Ela visitou o local do acidente recentemente e é vista aqui ao lado de uma árvore onde as pessoas pregaram pedaços de metal com os nomes ou iniciais dos mortos no desastre (Foto: Tiffany Foxcroft/CBC)
Didi Henderson, cujo pai morreu no acidente junto com outras 51 pessoas, espera que alguém que leia esta história apresente novas informações que possam finalmente encerrar o caso.

"Eu realmente espero que isso possa desencadear novas conversas e novas descobertas, e que possamos realmente obter a melhor imagem possível desta história", diz ela.


Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos)

Com Wikipedia, ASN, CBC News, baaa-acro