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De fabricação francesa e capaz de cruzar o Atlântico, a aeronave comandada pelos pilotos 'transportava grandes cargas de entorpecentes' para abastecer o mercado paulista (Foto: Reprodução)
Citados como ‘braço direito’ de João Carlos Camisa Nova Júnior, o ‘Don Corleone’ do PCC, o comandante Thiago Almeida Denz e o copiloto Renan Machado Melo eram expediente recorrente nas agendas do tráfico, atuando em rotas nacionais e internacionais com um jato francês para transportar os tijolos de cocaína do crime organizado; ambos foram denunciados por associação ao tráfico pelo Ministério Público de São Paulo; Estadão busca contato com as defesas.
Voar 4.000 km entre Boa Vista (RR) e Campinas, no interior paulista, ou mesmo de Sorocaba até as Ilhas Canárias, na Espanha, cruzando o Atlântico, não era um problema para o comandante Thiago Almeida Denz e o copiloto Renan Machado Melo, denunciados pelo Ministério Público de São Paulo por integrar o núcleo de execução aérea do Primeiro Comando da Capital (PCC) e realizar voos com compartimentos lotados de tijolos de cocaína. A remuneração, segundo a investigação, compensava o risco. Cada piloto recebia cerca de R$ 750 mil por operação doméstica e, no tráfico internacional, US$ 800 por “peça” de entorpecente embarcada.
A ficha de 'Don Corleone' na Penitenciária de Florínea, no interior de São Paulo, onde está custodiado (Imagem: Reprodução / Estadão)
Thiago e Renan estão entre os dez acusados pela Promotoria por tráfico de drogas e associação para o tráfico por depositar e transportar 510 tijolos de cocaína (509,9 kg) e três porções de maconha prensada (2,4 kg) entre a capital roraimense e o interior de São Paulo.
A reportagem busca contato com a defesa dos pilotos. O espaço está aberto.
O serviço logístico e financeiro dos voos operados por Thiago Almeida e Renan Melo ficava a cargo de João Carlos Camisa Nova Júnior, o “Don Corleone”, e André Roberto da Silva, o “Urso”.
Camisa Nova é apontado como articulador e financiador do núcleo aéreo da organização. Proprietário da JRCN Táxi Aéreo, foi responsável por fretar a aeronave utilizada no transporte de drogas entre Roraima e Campinas e confirmou que o voo foi organizado a seu pedido, indicando que os pilotos tinham conhecimento da carga ilícita.
Já André Roberto da Silva é descrito pela Promotoria como responsável pelo apoio logístico e operacional. Titular da CIP Group, foi identificado como passageiro do voo que transportou os entorpecentes entre Roraima e Campinas. Em depoimento, afirmou que Camisa Nova lhe propôs utilizar a estrutura empresarial da JRCN Táxi Aéreo para o envio de drogas e confirmou ter viajado na aeronave ao lado dos pilotos e do próprio “Don Corleone”.
“Tanto João Carlos Camisa Nova Júnior quanto André Roberto da Silva são categóricos em apontar que Thiago tinha pleno conhecimento da existência de entorpecentes a bordo, tendo sido contratado diretamente para essa finalidade e recebendo remuneração de cerca de R$ 750.000,00 por operação”, sustenta a denúncia, subscrita pelos promotores Renata Rojo Rodrigues, João Augusto de Sanctis Garcia e Fabíola Aparecida Cezarini.
Eles integram a Promotoria Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.
‘Carregada até o último buraco’, rumo à Europa
O avião Dassault Falcon 50 apreendido pelos federais em São Roque (Foto: Polícia Federal)
Além da investigação que apura o tráfico interestadual, Thiago Almeida e Renan Melo também são suspeitos no âmbito da Operação Mafiusi, que investiga a associação de empresários brasileiros com integrantes da máfia italiana ’Ndrangheta, voltada ao tráfico internacional de entorpecentes e à lavagem de dinheiro, com envio de cocaína para o continente europeu.
Deflagrada pela Polícia Federal, a Mafiusi revelou que, em julho de 2020, os pilotos Thiago Almeida e Renan Melo realizaram voo de Sorocaba (SP) até as Ilhas Canárias e, em seguida, à Bélgica, com compartimentos lotados de cocaína.
Segundo investigadores, o copiloto Renan relatou, por meio da plataforma criptografada SkyECC, que a aeronave estava “carregada até o último buraco” e sem fiscalização.
“Thiago e Renan são pilotos profissionais remunerados para transporte interestadual e internacional de entorpecentes, com conhecimento pleno da carga, participação em adaptações da aeronave e gestão de despesas operacionais”, aponta a Promotoria paulista na denúncia.
Dassalt Falcon 50, o jato do PCC
Dados extraídos dos celulares apreendidos permitiram identificar o uso de uma aeronave de prefixo PR-WYW, modelo Dassault Falcon 50, no transporte interestadual da droga, em voos com origem em Roraima e destino ao Aeroclube Campos dos Amarais, em Campinas (Foto: Reprodução)
De fabricação francesa e capaz de cruzar o Atlântico, a aeronave comandada pelos pilotos “transportava grandes cargas de entorpecentes” para abastecer o mercado paulista, segundo a investigação.
A aeronave, segundo o MP, foi adquirida pela empresa Jet Class Aviation S.A., de propriedade dos denunciados Marco Antonio Bruno da Silva e Guilherme de Almeida Piscelli, por meio de contrato de compra e venda com garantia firmado em 6 de maio de 2020.
A companhia, por sua vez, locou o avião à JRCN Táxi Aéreo, pertencente a João Carlos Camisa Nova Júnior, o “Don Corleone”, apontado como articulador e financiador de todo o núcleo aéreo do esquema.
Segundo a Promotoria, “a sofisticação do esquema aéreo” fica evidente no fato de que a aeronave “foi submetida a adaptações estruturais, com a instalação de compartimentos ocultos, denominados ‘mocós’”.
De acordo com o Ministério Público, no hangar do Aeroclube Campos dos Amarais, em Campinas (SP), utilizado como ponto de pouso e desembarque, foi instalada uma proteção visual preta no alambrado lateral, inexistente em outros hangares, com o objetivo de ocultar a movimentação da logística criminosa.
Os investigadores apontam que os pilotos condicionavam a realização dos voos clandestinos à presença obrigatória de passageiros a bordo, especialmente ‘Don Corleone’ e ‘Urso’, como estratégia para evitar suspeitas em eventuais fiscalizações aeronáuticas, conclui a investigação.
Em 7 de março de 1983, o avião Antonov An-24V, prefixo LZ-AND, da Balkan Bulgarian Airlines (foto acima e abaixo), operava o voo doméstico regular LZ-013 de Sofia para Varna, ambos na Bulgária, levando a bordo 40 passageiros e quatro tripulantes.
A tripulação do voo LZ-013 era a seguinte: o comandante da aeronave (PIC) era Ilya Lalov, de 29 anos; o segundo piloto é Plamen Stalev, de 26 anos; o mecânico de voo era Angel Uzunov; e a comissária de bordo era Valentina Yordanova.
O An-24B (número de registro LZ-AND, fábrica 77303301, série 033-01) foi produzido pela Fábrica de Aviação de Kiev em 1967. No mesmo ano, foi transferido para a companhia aérea búlgara Balkan. Era equipado com dois motores turboélice AI-24 produzidos pela A. G. Ivchenko ZMKB Progress.
Às 18h15, 15 minutos após a decolagem, quatro passageiros (Valentin Ivanov, de 20 anos, Lachezar Ivanov, de 19 anos, Krasen Gechev, de 22 anos, e Ivaylo Vladimirov, de 17 anos) sacaram facas e anunciaram o sequestro do avião.
Simulação da cena do sequestro
Eles disseram aos passageiros que eram criminosos reincidentes que haviam escapado recentemente e ameaçaram despressurizar a cabine caso houvesse qualquer tentativa de desarmá-los ou impedir o sequestro. Valentin Ivanov então ameaçou uma comissária de bordo com uma faca e exigiu um voo para Viena, na Áustria.
Um dos passageiros (um coronel do exército) foi enviado à cabine de comando e transmitiu as exigências dos sequestradores aos pilotos. Às 18h25, o comandante reportou o sequestro às autoridades locais e recebeu ordens para simular um voo para Viena, mas manter o voo para Varna.
Durante o voo para o destino, o comandante e o engenheiro de voo tentaram persuadir os sequestradores a voar para Istambul, na Turquia, pois as reservas de combustível da aeronave não seriam suficientes para chegar a Viena, mas eles se mantiveram irredutíveis.
Às 19h50, as autoridades de Varna cortaram toda a energia da cidade para impedir que os sequestradores reconhecessem a costa do Mar Negro. Às 19h55 UTC, o voo LZ-013 pousou no Aeroporto de Varna.
Após o pouso do voo 013, a comissária de bordo Marta Konstantinova e o funcionário do aeroporto Stoyan Milkov (que falava alemão fluentemente) embarcaram na aeronave, disfarçados de funcionários do Aeroporto de Schwechat, e tentaram convencer os sequestradores de que estavam em Viena para atraí-los a sair do avião.
Os sequestradores pediram um intérprete para ajudá-los a negociar, até que um deles (Lachezar Ivanov) percebeu que Milkov estava usando uma jaqueta de couro de fabricação búlgara. Isso fez com que os sequestradores entrassem em pânico e ameaçassem matar os passageiros.
Nesse momento, quatro agentes das forças especiais (que haviam entrado na aeronave pela porta do compartimento de bagagens) invadiram a cabine e três dos sequestradores (Lachezar Ivanov, Gechev e Vladimirov) foram desarmados e presos.
O quarto sequestrador (Valentin Ivanov) trancou-se no banheiro com a aeromoça Yordanova e ameaçou matá-la, mas dois outros oficiais das forças especiais invadiram a cabine e, após arrombarem a porta do banheiro, o mataram a tiros quando ele tentava matar a aeromoça.
A comissária de bordo Yordanova foi ferida no pescoço e levada para um hospital próximo, onde se recuperou completamente. Os outros três membros da tripulação e os 37 passageiros saíram ilesos.
O presidente do tribunal que julgou o caso foi Dimitar Popov, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro da Bulgária. O advogado de um dos réus era o futuro Ministro da Justiça, Petar Kornazhev.
Lachezar foi condenado a 10 anos de prisão, Krasen a 9, Ivaylo a 7, mas o Supremo Tribunal reduziu posteriormente a pena deste último, por ser menor de idade, para 5 anos. Krasen Gechev foi libertado da prisão em liberdade condicional em 1989 e, em 1992, solicitou uma cópia do processo, que precisava para apresentar às autoridades de imigração americanas.
Todos os membros da tripulação do voo 013 foram indicados para um prêmio. Em 2015, Lachezar Ivanov foi encontrado morto em Boyana.
A tentativa de sequestro do voo 013 da Balkan é retratada no episódio "Deadly Deception" da 23ª temporada da série documental canadense Air Crash Investigation. No entanto, um membro da tripulação (o mecânico de voo) não é identificado no episódio.
Indivíduo foi conduzido para prestar depoimento à Polícia Federal. Ocorrência aconteceu na tarde desta quarta (18) e está em andamento.
Um homem passou um trote e afirmou haver uma bomba em um avião com destino à Europa no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, na tarde desta quarta-feira (18).
Segundo a Polícia Militar, a corporação foi acionada por volta das 15h para averiguar uma denúncia no Terminal 2 do aeroporto.
Uma funcionária recebeu uma ligação informando que havia um artefato explosivo em um voo da companhia Air Europa. A chamada foi encerrada logo em seguida.
Equipes especializadas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e o policiamento de área foram acionados para atender a ocorrência. Durante as diligências, os policiais identificaram o responsável pela ligação.
Movimentação no Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo (Foto: Suamy Beydoun/AGIF - Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo)
Em entrevista preliminar, o homem afirmou que se tratava de uma “brincadeira”. Ele foi conduzido para prestar depoimento à Polícia Federal. A ocorrência segue em andamento.
O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) para obter mais informações, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
Avião saiu da capital do Rio, mas o objeto suspeito foi encontrado e retirado durante conexão no Pará e a aeronave passou por inspeção em Macapá.
Um avião da Gol Linhas Aéreas que decolou do Rio de Janeiro para o Amapá foi inspecionado pela Polícia Federal na tarde desta quinta-feira (5) no aeroporto de Macapá, capital do AP, após a suspeita de um possível artefato explosivo, encontrado durante uma conexão em Belém (PA).
Segundo a Polícia Federal, a companhia aérea só informou sobre a presença do objeto depois que a aeronave já havia decolado de Belém com destino a Macapá. O item foi retirado do interior do avião antes da continuidade do voo.
Por meio de nota a Gol informou que acionou protocolos de segurança após a identificação do objeto dentro da aeronave em Macapá. A companhia disse que colabora com a PF e que os passageiros receberam assistência enquanto aguardam o próximo voo (leia nota na íntegra no final desta matéria).
Ainda segundo a empresa, o material encontrado era um powerbank — bateria portátil usada para recarregar celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos quando não há tomada disponível. O objeto foi identificado durante uma inspeção de rotina, após o desembarque dos passageiros.
Material foi encontrado em Belém (Foto: PF/divulgação)
A Polícia Federal (PF) informou que os quatros acoplados poderiam expor a aeronave a risco.
Passageiros relataram que o avião foi levado para uma área afastada do aeroporto para que a inspeção fosse realizada.
A Norte da Amazônia Airports (NOA), concessionária dos Aeroportos Internacionais de Belém e Macapá, disse em nota que o plano de contingência para esse tipo de caso foi acionado em ambos os aeroportos e que não há registro de impactos em outro voos (leia nota na íntegra no final desta matéria).
A Companhia de Operações Especiais (COE) e do Canil do Batalhão de Operações Especiais foram acionados também para fazer uma varredura no avião na capital amapaense
Leia nota da Gol e da Noa na íntegra
"A GOL Linhas Aéreas informa que, em cumprimento aos seus rígidos protocolos de segurança e em total cooperação com a Norte da Amazônia Airports (NOA), concessionária do Aeroporto Internacional de Macapá (MCP), colabora com as autoridades competentes na inspeção de uma de suas aeronaves na tarde desta quinta-feira (5/2).
O procedimento foi iniciado após a identificação de um objeto suspeito (powerbank) na aeronave. A Polícia Federal foi prontamente acionada para realizar a apuração necessária no local e conta com total apoio da Companhia. Clientes que aguardavam a aeronave para o próximo voo estão recebendo toda a assistência necessária.
A GOL reforça que a Segurança é seu valor número 1 e que todas as medidas visam garantir o cumprimento dos protocolos exigidos para situações como esta.
A Norte da Amazônia Airports (NOA), concessionária dos Aeroportos Internacionais de Belém e Macapá, informa que o plano de contingência foi acionado em ambos os aeroportos na tarde desta quinta-feira (05), após um objeto suspeito ser identificado em uma aeronave da aviação comercial, com previsão de operar a rota entre os dois aeroportos.
A Polícia Federal foi acionada para as devidas providências, e a concessionária acompanhou, junto à companhia aérea e demais autoridades, todo o processo de inspeção nos dois aeroportos. Após a conclusão da inspeção em Macapá, a aeronave foi liberada, e não há registro de impactos aos demais voos em nenhum dos aeroportos geridos pela concessionária. A NOA reforça que seguiu todos os protocolos e normas de segurança aplicáveis à situação."
Neste dia, nas primeiras horas de 11 de dezembro de 1978, seis homens armados em uma van Ford roubada estacionaram em frente ao depósito de carga da Lufthansa Airlines no Aeroporto Internacional John F. Kennedy da cidade de Nova York.
Em poucas horas, os homens fugiriam, tendo cometido um dos maiores roubos de dinheiro nos Estados Unidos, iniciando uma investigação que duraria décadas e passaria a ser chamada de 'Assalto da Lufthansa'.
Os homens, todos membros e associados da máfia americana, cortaram os portões do prédio de carga e fizeram vários funcionários da Lufthansa como reféns, algemando-os na cantina.
O alvo eram notas de banco sem identificação e joias que a Lufthansa transportava regularmente para o depósito. Na noite, a quadrilha estimou um valor total de roubo de cerca de US$ 2 milhões.
Sob a mira de uma arma, os assaltantes obrigaram um funcionário a abrir o cofre de onde retiraram 72 caixas de dinheiro. Pouco mais de uma hora depois, eles escaparam com aproximadamente US$ 5 milhões em notas bancárias e US$ 875.000 em joias.
Apesar dos muitos suspeitos, apenas uma pessoa, Louis Werner, foi condenada pelo roubo e muito pouco do dinheiro e das joias foi recuperado.
Werner, que trabalhava como agente de carga para a Lufthansa, devia milhares de dólares em dívidas de jogo e acredita-se que tenha ajudado a planejar o ataque.
Acredita-se que o arquiteto do roubo tenha sido James 'Jimmy' Burke, um associado da notória Família Lucchese.
Suspeita-se que Burke posteriormente planejou ou cometeu pessoalmente o assassinato da maioria dos agressores nos meses seguintes ao roubo, a fim de evitar implicação.
Em dinheiro de hoje, o valor do roubo é estimado em mais de US$ 24 milhões e mais tarde inspirou o enredo do premiado filme de 1990 'Os Bons Companheiros'.
Os assaltos a aeroportos ao longo dos anos totalizaram centenas de milhões de dólares.
Em 2005, o Aeroporto Schiphol de Amsterdã foi alvo de um roubo de diamantes, onde um total de US$ 80 milhões foi roubado.
Mais recentemente, em 2013, nos aeroportos de Bruxelas, oito pistoleiros mascarados disfarçados de policiais roubaram US$ 50 milhões em diamantes de uma aeronave Fokker 100 com destino a Zurique.
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Em 15 de novembro de 1972, uma quarta-feira, o avião Fokker F-27 Friendship 200, prefixo VH-FNI, da Ansett Airlines of Australia - ANA (foto abaixo), operava o voo 232, um voo entre o Aeroporto de Adelaide, e o Aeroporto de Alice Springs, no Território do Norte, ambos na Austrália.
O Aeroporto de Alice Springs é conhecido hoje por ser uma instalação no deserto com uma extensa capacidade de armazenamento de aeronaves . Hoje em dia, esta rota doméstica é operada por transportadoras como a Qantas e a Virgin Australia.
A aeronave tinha 32 pessoas a bordo, sendo esse número composto por 28 passageiros, dois pilotos e dois comissários de bordo.
Kaye McLachlan, 25 anos, não foi escalada para trabalhar em 15 de novembro de 1972. Mas quando uma colega ligou dizendo que estava doente, ela concordou em se preparar para um voo de Adelaide para Alice Springs.
A comissária de bordo da Ansett – ou hostie, como eram conhecidas na época – nunca poderia ter adivinhado o que se seguiria a bordo do Fokker F27 Friendship.
Um passageiro do sexo masculino, posteriormente identificado como Miloslav Hrabinec, um migrante tcheco, embarcou no voo em Adelaide com um rifle ArmaLite .22 serrado escondido e uma faca na bainha amarrada à perna.
As armas escondidas de Hrabinec incluíam um rifle ArmaLite .22 serrado, munição e uma faca
Hrabinec havia comprado uma passagem com um nome falso e não houve varredura no aeroporto que pudesse detectar a arma e a faca que ele havia amarrado ao corpo.
Miloslav Hrabinec (foto ao lado) sentou-se calmamente no assento 4A, sem chamar a atenção da tripulação durante o serviço de chá da manhã. “Ele apenas ficava curvado olhando pela janela”, lembrou McLachlan.
“Fizemos um serviço de refeições e ele não estava interessado em café, chá ou qualquer coisa para comer... ele apenas ficava olhando pela janela. "Ele era um passageiro muito fácil do nosso ponto de vista."
Enquanto as aeromoças recolhiam as últimas xícaras de chá e café antes da descida, um surto de turbulência perfurou a cabine. Então, a comissária McLachlan olhou e viu Hrabinec saindo do banheiro.
Eram 13h40, cerca de meia hora antes do horário programado de pouso, quando o voo estava descendo para o aeroporto de Alice Springs, o sequestrador saiu do banheiro, sacou a arma e disse a um comissário de bordo chamado Gai Rennie: "Isso é um sequestro".
“Ele estava bastante calmo'”, lembrou Beth Young, que estava sentada na cabine do avião, observando seu marido, o piloto Ralph Young, enquanto ele se preparava para pousar em Alice Springs. “Fiquei absolutamente chocada. Achei que ele iria atirar em todo mundo." Foi a primeira vez que o piloto Ralph Young levou Beth, a filha Sharon, então com 9 anos, e o filho Peter, de 4, num voo de ‘trabalho’, para férias em Alice Springs.
A comissária de bordo Gai Rennie caminhou pela cabine seguido pelo sequestrador. Ela então explicou à comissária de bordo Kaye Goreham que o homem atrás dela tinha uma arma. Todos os três então foram para a frente da aeronave.
“Foi um pouco surreal. Fiquei um pouco confusa sem saber se isso estava realmente acontecendo ou não”, lembrou a comissária de bordo Kaye McLachlan. “Na Austrália, não era algo esperado.”
Gai então informou ao capitão Young e ao primeiro oficial Walter Gowans que havia um homem querendo conversar e que ele tinha uma arma e disse que era um sequestro.
No entanto, o capitão disse que estava em modo de pouso e falaria com ele no solo. O capitão perguntou a Gai 'O que ele quer?'. Gai respondeu que não sabia. Hrabinec foi informado pela tripulação que precisava sentar-se para pousar e ele obedeceu.
O avião pousou em segurança no aeroporto de Alice Springs e parou no final da pista, onde Hrabinec finalmente conseguiu delinear suas demandas.
O avião da Ansett no aeroporto de Alice Springs enquanto o sequestrador negociava com a polícia
Ele disse ao capitão para decolar novamente e voar para o deserto, para que pudesse saltar de paraquedas do avião. O sequestrador disse que era seu desejo sobreviver o máximo que pudesse e depois tirar a própria vida “de uma forma espetacular”.
"Ele disse: 'Eu não quero dinheiro, isso te surpreende, não é?'"
O capitão disse-lhe, porém, que não havia paraquedas a bordo e que não havia combustível suficiente para voar novamente.
O capitão Ralph pediu ao primeiro oficial Walter Gowans que ajustasse secretamente o medidor de combustível do avião Fokker Friendship para quase vazio e disse a Hrabinec que o avião precisava ser reabastecido.
Piloto Ralph Young trabalhando na Alemanha em 1991
Uma transcrição das conversas na cabine mostra que Hrabinec apontava uma arma para o piloto Ralph, ameaçando atirar, enquanto Ralph tentava acalmá-lo, dizendo “você parece um cara bastante razoável”. Hrabinec disse que perdeu dinheiro num negócio de terras.
Ralph convenceu Hrabinec de que, se ele saltasse de paraquedas do Fokker, atingiria as hélices e que precisava de um avião menor.
Hrabinec liberou a maioria dos passageiros do voo. Ele então exigiu o uso de uma aeronave pequena, que poderia levar para as planícies do Centro Vermelho para realizar seus desejos.
As negociações começaram, com o piloto local e gerente do aeroclube Ossie Watts se oferecendo como voluntário e com sua aeronave Cessna.
Watts taxiou seu avião nas proximidades, acompanhado por um policial disfarçado chamado Paul Sandeman, que se passou por seu navegador.
Quando o Cessna chegou, a tripulação e os restantes passageiros tinham sido mantidos reféns durante mais de quatro horas, num calor sufocante de 40 graus Celsius.
Hrabinec forçou a comissária McLachlan a sair pela traseira da aeronave em direção ao Cessna, onde viu o policial Paul Sandeman sentado na parte de trás.
“Ele ficou muito desconfiado e deu sinal para aquela pessoa sair”, disse ela. “Depois de vários gestos, Paul saiu do pequeno avião e o sequestrador me pediu para revistá-lo.
“Senti no bolso direito dele – que estava de frente para mim – uma pequena arma, mas não contei ao sequestrador que ela estava lá.”
Enquanto continuava a negociar, o jovem policial disfarçado aproximou-se lentamente do sequestrador, a ponto de estar perto o suficiente para atacar a arma de Hrabinec. Mas o sequestrador foi muito rápido e agarrou o braço do policial, puxando-o para baixo.
O policial Sandeman levou um tiro na mão no processo, e então Hrabinec o empurrou para trás e disparou em seu estômago.
Pessoas se aglomeram em torno do policial ferido Paul Sandeman
Em meio à confusão, a arma escondida do policial caiu de seu bolso. Apesar dos ferimentos, ele se levantou e começou a fugir em busca de abrigo, ofegando enquanto se movia.
“Quando ele começou a correr, eu corri para o outro lado, atrás da aeronave leve”, disse a comissária McLachlan. "Tudo aconteceu em questão de minutos."
O gerente do aeroclube Ossie Watts, a quem o agente Sandeman tinha entregado uma arma minutos antes, desceu do seu avião Cessna e começou a disparar.
Enquanto isso, atiradores da polícia se aproximaram e se juntaram, ferindo Hrabinec na perna em meio a uma rajada de tiros. O sequestrador saiu mancando da beira da pista e entrou em alguns arbustos, onde se escondeu.
“Então ouvimos outro tiro”, lembrou McLachlan. "Ele colocou a arma sob o queixo e tentou tirar a própria vida."
Hrabinec morreu no hospital naquele dia.
Um artigo no The Age de 17 de novembro de 1972 sobre o sequestro
Milagrosamente, Hrabinec foi a única vítima fatal daquele dia. O policial Sandeman – que foi baleado quatro vezes no total – sofreu ferimentos graves, mas sobreviveu e mais tarde foi aposentado da força policial.
Como um sinal dos tempos, a comissária McLachlan disse que ficou surpresa quando sua equipe recebeu uma oferta de folga no dia seguinte. “Aconselhamento não era algo que se fazia naquela época”, disse ela. "Fomos levados de volta para Adelaide, o que nos surpreendeu bastante. Achamos que teríamos que continuar nossa viagem até Darwin no dia seguinte."
Membros da tripulação e alguns passageiros foram mantidos como reféns por mais de quatro horas no dia sufocante de verão de 1972
McLachlan disse: “O médico da empresa nos encontrou com alguns comprimidos para dormir e disse ‘se você não consegue dormir, tome-os, e se você realmente precisar de uma folga, podemos lhe dar uma semana’.
"Então todos nós dissemos: 'Sim, gostaríamos de uma semana', e então voltamos ao trabalho."
As aeromoças participaram de uma cerimônia de premiação em 1973, onde foram reconhecidas por suas ações
Demorou vários meses até que a polícia conseguisse identificar o autor do crime como Hrabinec. Um inquérito em 1973 concluiu que o tiro que o matou foi auto-infligido.
Em 1º de maio de 1973, o Sydney Morning Herald relatou: "O policial Paul Sandeman, o policial baleado pelo sequestrador de Alice Springs, identificou uma fotografia de um migrante tcheco como sendo do sequestrador. E dois jovens tchecos e um dentista voarão para Alice Springs esta semana para examinar o corpo do sequestrador. Os checos, Jindrich Raus e Jan Hedanek, conheciam Miloslav Hrabinec, o homem suspeito de ser o sequestrador. Eles voarão para Alice Springs hoje. Dr. Robert Tong, um dentista de Marrickville que tratou Hrabinec, voará para Alice Springs amanhã. Os três homens entraram em contato com a polícia depois que o “The Sydney Morning Herald” publicou a fotografia de Hrabinec no sábado. Um dos checos passou um ano com Hrabinec numa universidade checoslovaca, onde estudava economia agrícola. O sequestrador foi baleado duas vezes pela polícia enquanto corria em direção ao mato e depois deu um tiro no queixo."
Não houve aconselhamento para Beth, a esposa do piloto Ralph Young, ou seus filhos. A família passou férias em Alice Springs e, após uma reunião, Ralph voltou ao trabalho.
Foto de família: Sharon, Peter e Beth Young em Alice Springs logo após o sequestro
O piloto Ralph Young continuou voando pela Ansett até a disputa dos pilotos em 1989. Ele voou para uma companhia aérea alemã por alguns anos até se aposentar e falecer em 1998.
O policial Sandeman foi premiado com a Comenda da Rainha por Bravura em Alice Springs em 1973.
Um recorte de jornal de Paul Sandeman recebendo a Comenda da Rainha por Bravura em 1973
Refletindo sobre o dia fatídico, a comissária McLachlan disse que se sentiu imensamente sortuda por ter sobrevivido e vive cada dia de acordo.
“Tentei viver minha vida com gratidão”, disse ela. "Poderia facilmente ter dado errado e eu poderia não estar aqui hoje. Tive uma vida de sorte e estou muito grato por todos termos saído dela.”
Gai Rennie (à esquerda) e Kaye McLachlan no aeroporto de Alice Springs em 1997, marcando 25 anos desde o sequestro
Apesar da provação traumática, McLachlan continuou a trabalhar no setor aéreo até se aposentar, passando várias décadas como aeromoça e agente de reservas.
Gai Rennie e Kaye McLachlan (segundo à direita) se reagrupam com o resto da tripulação após o sequestro
Este foi o segundo sequestro de uma aeronave na Austrália (depois do primeiro em 1960).
Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, ASN, ABC News (Aiustrália), The Age e Sydney Morning Herald
Passageiro suspeito de ameaça dentro de avião foi detido e levado para a Polícia Federal.
Uma suposta ameaça de bomba a bordo do avião Embraer ERJ-190-200LR (E195AR), prefixo PR-AUI, da Azul, mobilizou a Polícia Federal (PF) na tarde desta quinta-feira (30) no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com a PF, a equipe foi acionada após uma declaração feita dentro de uma aeronave levantar suspeita de que haveria explosivos a bordo. Imediatamente, todos os protocolos de segurança foram adotados para garantir a integridade dos passageiros, tripulantes e demais pessoas no terminal.
Após as verificações, os agentes constataram que se tratava de uma falsa ameaça.
O passageiro suspeito de ter feito a declaração foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal no aeroporto, onde está sendo ouvido. As circunstâncias do caso estão sendo apuradas, e os procedimentos de polícia judiciária serão adotados conforme previsto.
A PF reforçou que falsas comunicações de ameaça em aeroportos configuram crime, e os responsáveis podem responder criminalmente pelo ato.
Via ric.com.br, bemparana.com.br e flightradar24 - Fotos: Franklin de Freitas
O sequestro do voo 615 da Lufthansa foi um ato de terrorismo cometido por um grupo palestino ocorrido em 29 de outubro de 1972 e que visava a libertação de uma prisão na Alemanha Ocidental dos três perpetradores sobreviventes do massacre de Munique.
Em 5 de setembro de 1972, durante os Jogos Olímpicos de Munique, oito membros do grupo terrorista palestino Setembro Negro fizeram reféns nove membros da equipe olímpica israelense, depois de matar dois outros atletas israelenses.
Durante um tiroteio após uma tentativa fracassada de resgate da polícia na Base Aérea de Fürstenfeldbruck, todos os reféns foram mortos. Cinco dos oito times de ataque palestinos também foram mortos. Os três perpetradores sobreviventes foram Adnan Al-Gashey, Jamal Al-Gashey e Mohammed Safady, que foram presos e mantidos sob custódia pré-julgamento.
Imediatamente após o massacre de Munique, as autoridades da Alemanha Ocidental estavam preocupadas com o fato de terem sido arrastadas para o conflito árabe-israelense. Como disse o ministro das Relações Exteriores, Walter Scheel, em outubro de 1972, era preciso "nos defendermos das ações de ambos os lados do conflito". Em Israel, a política alemã de apaziguamento que se seguiu levou a comparações com o Acordo de Munique de 1938.
De fato, desde que Willy Brandt se tornou chanceler em 1969, houve uma mudança na atitude da Alemanha Ocidental em relação ao conflito árabe-israelense. Os primeiros governos conservadores foram considerados claramente pró-Israel (especialmente em meados da década de 1960, com a Guerra dos Seis Dias), o que resultou em vários estados árabes rompendo relações diplomáticas com a Alemanha Ocidental. Com o Egito e a Tunísia, eles só foram restaurados pouco antes das Olimpíadas de 1972.
As autoridades da Alemanha Ocidental estavam cientes do alto perfil dos prisioneiros e do fato de que o grupo tinha numerosos simpatizantes, de forma que atos terroristas visando a libertação dos agressores de Munique eram temidos.
Aviões da (então) companhia aérea nacional Lufthansa ou de sua contraparte israelense El Al foram identificados como alvos prováveis. Em 9 de setembro, uma carta anônima foi recebida alegando que tal sequestro era de fato iminente, o que levou o Ministério Federal do Interior (então liderado por Hans-Dietrich Genscher) a considerar se os cidadãos de estados árabes deveriam ser negado embarque em voos da Lufthansa.
Já durante a crise dos reféns em Munique, tornou-se evidente que os agressores estavam cientes de possíveis tentativas de libertação em caso de prisão. Questionado se ele tinha medo de ser pego e colocado em uma prisão alemã, seu líder Luttif Afif (que mais tarde foi morto no tiroteio de Fürstenfeldbruck) respondeu que não havia nada a temer, porque "não há pena de morte na Alemanha , e nossos irmãos nos libertariam."
Um Boeing 727-100 da Lufthansa, semelhante à aeronave envolvida no sequestro do voo 615
Em 29 de outubro de 1972 (um domingo), o Boeing 727-100, prefixo D-ABIG, da Lufthansa foi sequestrado. O voo 615 realizava a rota Damasco - Beirute - Ancara - Munique - Frankfurt.
O voo teve origem no Aeroporto Internacional de Damasco no início da manhã, com sete tripulantes, mas inicialmente sem nenhum passageiro. Na primeira escala no Aeroporto Internacional de Beirute, 13 pessoas embarcaram no voo: nove cidadãos de países árabes desconhecidos, dois americanos, um alemão, um francês; e um jornalista espanhol que mais tarde escreveu o relato de uma testemunha ocular dos eventos.
A partida de Beirute foi atrasada em cerca de uma hora. Originalmente programado para decolar às 05h45, a decolagem ocorreu às 06h01. Menos de 15 minutos depois, dois passageiros árabes ameaçaram explodir a aeronave usando explosivos que estavam escondidos na cabine da primeira classe (e que provavelmente foram contrabandeados para Damasco). Eles exigiram a libertação dos membros do Setembro Negro da prisão alemã.
Após uma parada para abastecimento no Aeroporto Internacional de Nicósia, os pilotos foram forçados a voar em direção ao Aeroporto de Munique-Riem, onde os sequestradores inicialmente pretendiam que a troca ocorresse.
Quando a aeronave chegou ao espaço aéreo austríaco por volta do meio-dia, tornou-se evidente para os sequestradores que suas demandas não poderiam ser atendidas a tempo. O plano foi alterado e a tripulação da Lufthansa teve que desviar para Zagreb, no que era então a República Federal Socialista da Iugoslávia, circulando sobre o aeroporto de Zagreb até que os membros do Setembro Negro fossem trazidos para lá. Isso colocou os alemães em uma crise de tempo, já que a aeronave acabaria ficando sem combustível.
Assim que a notícia do sequestro foi recebida na sede da Lufthansa em Colônia, o presidente Herbert Culmann embarcou em uma Hawker Siddeley HS.125, de propriedade da então subsidiária Condor (registrada D-CFCF) e voou para Munique. Ele então se juntou ao prefeito Georg Kronawitter e ao chefe de polícia Manfred Schreiber, bem como ao ministro do Interior da Baviera, Bruno Merk no comitê de crise local.
A resposta governamental da Alemanha Ocidental foi coordenada por um conselho de crise em Bonn, que incluiu o vice-chanceler, o ministro das Relações Exteriores Walter Scheel e os ministros do Interior e dos Transportes, Hans-Dietrich Genscher e Lauritz Lauritzen.
Relembrando a tentativa fracassada de resgate durante a crise dos reféns olímpicos e a (então) falta de uma unidade de polícia de operações especiais, como a mais recente GSG 9, as autoridades da Alemanha Ocidental rapidamente decidiram atender às demandas dos sequestradores.
Às 14h00, os três membros do Setembro Negro foram transportados para o aeroporto de Riem. Philipp Held, o ministro da Justiça da Baviera, ordenou a revogação do mandado de prisão e fez com que os membros do Setembro Negro emitissem documentos oficiais de emigração. Os três foram trazidos a bordo do avião que Culmann usara para chegar a Munique e foram acompanhados por dois policiais à paisana. Culmann decidiu ir para Zagreb a fim de ajudar diretamente nas negociações lá.
O avião saiu de Munique, mas o piloto recebeu ordens de permanecer dentro do espaço aéreo da Alemanha Ocidental. Os negociadores alemães pediram que o jato Lufthansa sequestrado pudesse pousar primeiro em Zagreb, mas não tiveram sucesso em suas tentativas.
A situação ficou tensa quando a aeronave Lufthansa sequestrada chegou perigosamente perto do ponto de ficar sem combustível. No que Culmann mais tarde chamou de "estado de emergência", devido a uma suposta perda de comunicações com Munique, Culmann ordenou pessoalmente que o piloto da aeronave que transportava os atacantes de Munique libertados se dirigisse e pousasse no Aeroporto de Zagreb. Essa direção ia contra as ordens de autoridades superiores. Como consequência, uma investigação legal contra Culmann foi iniciada, mas abandonada logo depois.
Vinte minutos depois de os três membros do Setembro Negro terem chegado ao aeroporto de Zagreb, o jato Lufthansa sequestrado também pousou lá e algum tempo depois, às 18h05, a transferência ocorreu. Isso aconteceu sem quaisquer medidas recíprocas: Os 18 reféns ainda não haviam sido libertados.
Outra situação crítica se desenrolou quando as autoridades iugoslavas responsáveis pelo aeroporto atenderam às demandas de suas contrapartes em Bonn e impediram o jato da Lufthansa de decolar novamente. Percebendo que o avião não seria reabastecido, os sequestradores ameaçaram novamente matar todos a bordo.
O impasse foi quebrado por Kurt Laqueur, o cônsul da Alemanha Ocidental em Zagreb, que assinou a ordem de reabastecimento sem ter sido autorizado a fazê-lo. O jato da Lufthansa decolou às 18h50, desta vez com destino a Trípoli. Às 21h03, chegou ao Aeroporto Internacional de Trípoli , onde os reféns foram finalmente libertados.
Na Líbia e em outros países da região, as celebrações em massa eclodiram, com os sequestradores da Lufthansa e os perpetradores libertados de Munique sendo tratados como heróis. Logo após sua chegada ao aeroporto, foi realizada uma coletiva de imprensa, que foi transmitida ao vivo para todo o mundo.
Os três homens armados sobreviventes dão uma entrevista coletiva em Trípoli, na Líbia, em outubro de 1972, depois que os alemães os libertaram
O governo líbio liderado por Muammar Gaddafi permitiu que os atacantes de Munique se refugiassem e se escondessem, ignorando as exigências do ministro das Relações Exteriores da Alemanha Ocidental, Scheel, para levá-los a julgamento.
Em uma operação secreta em grande escala apelidada de Ira de Deus, Israel posteriormente teria como objetivo que eles fossem rastreados e mortos.
Os políticos alemães dos partidos do então governo (sociais-democratas e liberais), bem como da oposição (os partidos conservadores da União ), em geral elogiaram o resultado não violento do sequestro. Isso refletiu a opinião pública de que a libertação dos atacantes de Munique reduziria o risco de novos atos terroristas contra alvos alemães.
As críticas evoluíram em torno da falta de segurança suficiente no aeroporto para evitar que explosivos fossem contrabandeados para aviões de passageiros, e a Lufthansa não empregava marechais do céu, que naquela época já eram comuns em certos voos da El Al, Pan Am, Swissair e outros.
Israel condenou veementemente a libertação dos perpetradores de Munique e acusou a Alemanha Ocidental de ter "capitulado ao terrorismo". A primeira-ministra Golda Meir afirmou no dia seguinte: "Estamos deprimidos desde ontem, ofendidos e diria insultados, que o espírito humano, tão fraco e indefeso, se rendeu à força brutal." O ministro das Relações Exteriores, Abba Eban, apresentou uma nota oficial de protesto ao governo da Alemanha Ocidental, e o embaixador israelense em Bonn foi temporariamente chamado de volta, oficialmente devido a consultas.
Imediatamente após o sequestro do voo 615, e também em várias ocasiões posteriores, foram levantadas preocupações de que o evento poderia ter sido encenado ou pelo menos tolerado pelo Ocidente Governo alemão para "livrar-se de três assassinos, que se tornaram um fardo para a segurança" (como Amnon Rubinstein escreveu no jornal israelense Haaretz sob a manchete "A desgraça de Bonn" logo após a libertação do prisioneiro).
Argumentos frequentemente feitos durante tais alegações são os "suspeitos" baixo número de passageiros (havia apenas 13 passageiros do sexo masculino a bordo do Boeing 727-100 sequestrado, um tipo de aeronave com capacidade para 130-150 lugares), a "surpreendentemente" decisão rápida de libertar os prisioneiros, bem como supostos contatos do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha Ocidental com a Organização para a Libertação da Palestina.
Os interesses comerciais da Alemanha Ocidental nos países árabes, bem como o desejo de ser poupado de futuros atos de terrorismo, foram alegados como motivos para o envolvimento do governo.
Pouco depois dos eventos em torno do voo 615, Haim Yosef Zadok acusou a Alemanha Ocidental em um discurso no Knesset de ter "aproveitado a oportunidade para melhorar suas relações com o mundo árabe."
Em sua autobiografia de 1999, Abu Daoud (o mentor por trás do massacre de Munique) afirma ter recebido uma oferta de US$ 9 milhões pelos "alemães" por fingir a libertação do prisioneiro. No entanto, anos mais tarde, ele se recusou a repetir ou elaborar essa alegação. Em uma entrevista de 2006 com Frankfurter Allgemeine Zeitung, Zvi Zamir, chefe do Mossad de 1968 a 1974, afirma estar certo de que houve algum tipo de acordo entre a Alemanha Ocidental e o Setembro Negro.
O documentário vencedor do Oscar "One Day in September" (que foi lançado em 1999 e cobre o massacre de Munique) apoia a tese de que o sequestro do voo 615 da Lufthansa foi "uma armação, organizada pelo governo alemão em conluio com os terroristas", que corresponde às observações de Jamal Al-Gashey sobre as consequências de sua libertação.
O filme apresenta uma entrevista com Ulrich Wegener, um especialista alemão em contraterrorismo e comandante fundador do GSG 9, que chama tais alegações de "provavelmente verdadeiras". Wegener também é citado com a opinião de que as considerações das autoridades da Alemanha Ocidental sobre como lidar com a situação dos reféns provavelmente foram motivadas principalmente pelo desejo de evitar que o país se tornasse o foco de novos atos de terror.
Em 2013, jornalistas investigativos do programa de televisão alemão Report München citaram uma carta do chefe da polícia de Munique, enviada ao Ministério do Interior da Baviera onze dias antes do sequestro do voo 615. Descreve medidas que foram tomadas em a fim de "acelerar a deportação" dos agressores de Munique, em vez de preparar para que sejam julgados.
Um contra-argumento às acusações de uma libertação pré-arranjada de prisioneiros inclui destacar a falta de planejamento e comunicação que os negociadores alemães tiveram durante a crise dos reféns. A situação tinha sido caótica e confusa às vezes, tornando improvável que as negociações fossem planejadas.
"LH 615 - Operação München", um documentário de 1975 produzido por Bayerischer Rundfunk, atribui o resultado não violento do sequestro ao presidente da Lufthansa, Culmann, e ao cônsul Laqueur: Eles agiram em seus próprios termos em vez de obedecer às ordens de funcionários do governo.
Quando o avião da Lufthansa foi apreendido por simpatizantes da Organização do Setembro Negro durante o Beirute - Ancara, parte de um voo com escalas múltiplas de Damasco a Frankfurt, as autoridades da Alemanha Ocidental atenderam à exigência de libertar os prisioneiros. Eles foram entregues no aeroporto de Zagreb, e o avião sequestrado foi levado para Trípoli , onde todos os reféns foram libertados. Os atacantes libertados de Munique receberam asilo do líder líbio Muammar Gaddafi.
Por suas ações, o governo da Alemanha Ocidental foi criticado por Israel e outros partidos. Em alguns casos, foram feitas alegações de que o sequestro havia sido encenado ou pelo menos tolerado com teorias de um acordo secreto entre o governo alemão e o Setembro Negro - libertação dos terroristas sobreviventes em troca de garantias de nenhum novo ataque à Alemanha.
Em 26 de outubro de 1986, a aeronave Airbus A300B4-601, prefixo HS-TAE, da Thai Airways International (foto acima), operava o voo 620, um voo regular de passageiros de Bangkok, na Tailândia, para Osaka, no Japão, via Manila, nas Filipinas.
Por volta das 20h00, o voo 620 sobrevoava a Baía de Tosa, na costa da Prefeitura de Kochi, no Japão. transportando 14 tripulantes e 233 passageiros, quando a parte traseira da aeronave sofreu uma explosão repentina, resultando em rápida descompressão e danos à antepara de pressão traseira, rompendo dois dos três tubos hidráulicos.
Como resultado, a aeronave desviou do curso por cerca de 100 quilômetros e entrou no espaço aéreo restrito da Força Aérea de Autodefesa do Japão, além de entrar em um voo holandês em um ponto, mas a aeronave conseguiu fazer um pouso de emergência no Aeroporto Itami de Osaka às 20h40.
Em consequência da explosão e da violenta turbulência da aeronave, um total de 109 passageiros e tripulantes sofreram ferimentos, dos quais 14 sofreram ferimentos graves.
Inicialmente, acreditava-se que, tal como o voo 123 da Japan Air Lines um ano antes, algum tipo de problema mecânico era o culpado pelo incidente. Embora a aeronave tenha sido entregue menos de três semanas antes do incidente, os dispositivos de pressurização estavam a apresentar problemas na semana anterior ao incidente, tendo havido relatos de que as luzes de aviso estavam a acender.
No entanto, foi rapidamente revelado após a aeronave ser examinada pela Polícia da Prefeitura de Osaka que a explosão foi causada por algum tipo de explosivo que foi trazido, em vez da própria aeronave.
Por fim, um yakuza de 43 anos do Yamaguchi-gumi admitiu ter contrabandeado a granada de mão para dentro da aeronave. O yakuza declarou que "acidentalmente puxou o alfinete de segurança do vaso sanitário que ficava na área traseira esquerda do vaso sanitário" e que "tentou recolocar o alfinete, mas não funcionou, então ele o deixou no vaso sanitário e o deixou explodir".
O yakuza que trouxe a granada de mão só foi preso depois de receber alta do hospital, porque o homem sofreu queimaduras graves por todo o corpo, pois óleo de um cano hidráulico quebrado foi derramado sobre ele durante o incidente.
A aeronave envolvida, HS-TAE, foi entregue menos de três semanas antes do incidente de 9 de outubro.
Em 22 de outubro de 2023, a aeronave Embraer ERJ-175LR, prefixo N660QX, da Alaska Airlines / Horizon Air (foto abaixo), realizando o voo 2059, um voo doméstico regular operado pela Horizon Air para a Alaska Airlines, entre Paine Field, em Everett, Washington, para o Aeroporto Internacional de São Francisco, na Califórnia, levando a bordo 84 ocupantes.
A aeronave envolvida, com número de série 17000948, tinha apenas quatro meses de uso na época do incidente. Ela voou pela primeira vez em 16 de junho de 2023 e foi entregue à Horizon Air em 28 de junho de 2023.
O voo 2059 decolou de Paine Field em Everett, Washington, e estava viajando para o Aeroporto Internacional de São Francisco. O voo foi operado pela Horizon Air, uma companhia aérea regional, de propriedade do Alaska Air Group, a empresa-mãe da Alaska Airlines, que comercializou e vendeu os assentos do voo.
A aeronave transportou 79 passageiros junto com cinco membros da tripulação: o capitão e o primeiro oficial no convés de voo , dois comissários de bordo na cabine e um piloto da Alaska Airlines de folga, Joseph David Emerson, que estava em voo morto, sentado no assento de salto do convés de voo.
Ilustração da trajetória de voo do voo 2059 da Alaska Airlines
Enquanto a aeronave voava para o sul, perto de Portland, Oregon, Emerson teria exclamado "Não estou bem" e puxado os dois controles "T-handle" que acionam o sistema de supressão de incêndio para os motores da aeronave.
Se uma alavanca estiver totalmente acionada, ela desliga o motor fechando uma válvula para interromper o fluxo de combustível para o motor antes de descarregar um agente de combate a incêndio. Em um comunicado, a Alaska Airlines disse que a tripulação conseguiu redefinir rapidamente as alavancas, garantindo que a potência do motor não fosse perdida.
Depois de ser instruído a deixar a cabine, Emerson caminhou calmamente até a parte de trás do avião e disse a um comissário de bordo: "Você precisa me algemar agora mesmo ou vai ficar ruim", dizia o depoimento. Os comissários de bordo colocaram Emerson em algemas de pulso por 30 segundos. Outro comissário de bordo o ouviu dizer: "Eu estraguei tudo" e "tentei matar todo mundo".
Ele tentou desligar os dois motores "acionando o sistema de supressão de incêndio do motor"
Pouco depois do incidente, enquanto o avião ainda estava no ar, um dos pilotos do voo disse ao controle de tráfego aéreo: "Tiramos o cara que tentou desligar os motores da cabine, e ele não parece estar causando nenhum problema na parte de trás agora."
O voo foi desviado para o Aeroporto Internacional de Portland. Enquanto o avião descia, Emerson supostamente "tentou agarrar a maçaneta de uma saída de emergência", mas foi impedido por um comissário de bordo, disseram os promotores. De acordo com o Federal Bureau of Investigation (FBI), nenhum ferimento ocorreu durante o incidente.
Após Emerson ter sido detido, os passageiros embarcaram noutro avião E175 da Horizon Air para São Francisco. O avião envolvido no incidente regressou ao serviço no dia seguinte.
Joseph Emerson (Foto: FX/Youtube)
Joseph David Emerson tinha 44 anos na época. Ele nasceu no estado de Washington e morava em Pleasant Hill, Califórnia , desde 2008. Ele tem esposa e dois filhos.
Emerson foi primeiro oficial da Horizon Air (parte do Alaska Air Group) de agosto de 2001 até se mudar para a Virgin America em junho de 2012. Ele se tornou primeiro oficial da Alaska Airlines após a aquisição da Virgin America pelo Alaska Air Group em 2016. Ele foi promovido a capitão em 2019.
Emerson foi acusado de 83 tentativas de homicídio e 83 acusações de imprudência. As duas acusações se aplicam a cada uma das 83 pessoas a bordo, excluindo Emerson. Além disso, Emerson enfrentou uma acusação de colocar uma aeronave em perigo. O FBI declarou que "pode garantir ao público viajante que não há nenhuma ameaça contínua relacionada a este incidente".
Joseph Emerson (à esquerda) comparece ao tribunal do Condado de Multnomah em Portland, Oregon, em 24 de outubro de 2023 (Foto: Reuters)
Em uma declaração após o incidente, o Secretário de Transportes Pete Buttigieg declarou que estava "grato à tripulação profissional de voo e aos controladores de tráfego aéreo que se apresentaram para guiar este avião com segurança até Portland. A FAA apoia as autoridades policiais em sua resposta e se concentrará em quaisquer considerações de segurança para o futuro que surjam das investigações".
De acordo com uma declaração de causa provável arquivada no Tribunal do Condado de Multnomah e relatórios do Federal Bureau of Investigation, Emerson disse ao Departamento de Polícia do Porto de Portland após sua prisão que ele estava lutando contra uma depressão severa nos seis meses anteriores, e ele começou a tomar cogumelos mágicos para controlar sua dor após a morte de um amigo.
Emerson relatou ter consumido os cogumelos pela última vez cerca de 48 horas antes do voo; de acordo com o The New York Times, não estava claro se ele fez um teste de drogas após ser detido, e um especialista externo disse que os cogumelos deveriam ter saído completamente de seu sistema dentro de um dia após o consumo.
De acordo com a denúncia, Emerson disse aos investigadores que começou a se sentir mal antes do incidente; ele começou a pensar que "os pilotos não estavam prestando atenção", e ele puxou as alças em T porque pensou que "estava sonhando" e queria "acordar".
Em dezembro de 2023, um grande júri indiciou Emerson com 83 acusações de perigo imprudente e uma acusação de colocar aeronave em perigo. O grande júri não indiciou Emerson por tentativa de homicídio. De acordo com um porta-voz do Gabinete do Promotor Público do Condado de Multnomah, isso provavelmente ocorreu porque o júri não acreditava que Emerson agiu com intenção de homicídio. Em 7 de dezembro de 2023, Emerson foi libertado da custódia do Condado de Multnomah e voltou para São Francisco após pagar uma fiança de US$ 50.000.
Em agosto de 2025, Emerson ainda aguardava julgamento. Uma série de adiamentos atrasou o início do julgamento, o último dos quais foi aprovado pela Juíza Stacie F. Beckerman em maio de 2025.
O documentário "The New York Times Presents: Lie to Fly" explora o caso de Emerson e a reforma das regras de saúde mental na FAA (trailer acima).
Um artigo do New York Times de 2025 sobre as lutas dos pilotos com a saúde mental incluía informações sobre o voo e uma entrevista com Emerson sobre os eventos que levaram ao incidente.
Em 5 de setembro de 2025, a juíza do Tribunal do Condado de Multnomah, Cheryl Albrecht, condenou Emerson a 50 dias de prisão, com crédito pelo tempo cumprido; 664 horas de serviço comunitário, 8 horas para cada vida que ele colocou em perigo; e cinco anos de liberdade condicional. Emerson será sentenciado em 17 de novembro de 2025 no caso federal.