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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Vídeo: Força Aérea chinesa pode superar os EUA? Veja a frota e os novos caças furtivos da China!


A China está cada vez mais próxima de alcançar os Estados Unidos em superioridade aérea! No dia 26 de dezembro, dois novos protótipos de aeronaves avançadas foram vistos nos céus chineses, mostrando o investimento do país no desenvolvimento de caças de sexta geração.

Neste vídeo, analisamos a frota da Força Aérea do Exército de Libertação Popular da China, seus principais caças e aeronaves de suporte. Será que a China pode superar os EUA? Descubra agora!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Vídeo: O Mistério de 94: Piper Seneca Encontrado uma Década Depois


O que aconteceu com o PT-OEK? Em 1994, um voo partiu de Blumenau e desapareceu dos radares. O mistério só começaria a ser desvendado 10 anos depois. Neste vídeo, analisamos a história do Piper Seneca de matrícula PT-OEK. Uma jornada que começou sob as regras de voo visual (VFR) no litoral brasileiro e terminou em um silêncio absoluto que durou uma década.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Vídeo: PH RADAR 72 - Acontecimentos da Aviação


O que está acontecendo na aviação agrícola?

Ex-piloto da aviação comercial suspeito em caso de pedofilia.

Monjaro alivia o bolso de cias aéreas nos EUA

Embraer anuncia novo avião em 24 de Fevereiro

Pistas fechadas, é preciso dar manutenção!

Helicóptero roubado, o meliante se deu muito mal!

Via Canal Porta de Hangar de Ricardo Beccari

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Vídeo: Por DENTRO de um Airbus A220 ZERO KM

Depois de mostrar cada etapa da fabricação do Airbus A220 na fábrica do Canadá, chegou a hora de revelar o resultado final: um A220 "0 Km", recém-saído da linha de montagem.

Neste vídeo, o Aero - Por Trás da Aviação te leva para um tour completo pela aeronave, mostrando em detalhes tudo o que compõe um dos jatos mais modernos da aviação comercial. Cabine, cockpit, sistemas, interiores, materiais, tecnologias, capacidade, curiosidades — cada parte do avião é apresentada como ele sai da fábrica, antes mesmo de entrar em operação.

Você vai ver de perto o acabamento, a engenharia envolvida, os testes finais e os padrões de qualidade que fazem do A220 um dos jatos mais eficientes da categoria.

Vídeo: Voo China Airlines Flight 676 - Por causa de 3 minutos

Ative a legenda em português nas configurações do vídeo

Caso tenha dificuldade em ativar a legenda, veja este tutorial:

Gerenciar configurações de legendas - Ajuda do YouTube

Quais os aviões que mais sofrem acidente no Brasil (e quais os motivos)?

Avião agrícola que caiu e pegou fogo próximo à cidade de Conquista, interior de MG,
em março de 2021 (Imagem: Divulgação/CBMMG)
Com os acidentes aeronáuticos ganhando cada vez mais destaque, algumas aeronaves passam a ter um foco maior devido à preocupação (muitas vezes infundada) sobre sua segurança.

O ano de 2024 bateu o recorde de acidentes registrados no país nos últimos 10 anos, com 175 ocorrências ante 172 registradas em 2015, que ficou em segundo lugar. Foram 152 pessoas que perderam a vida apenas no ano passado, frente a 79 em 2015.

Entretanto, é sempre importante analisar com cautela os dados. Aviões que voam pouco tendem a ter menos chance de se acidentar. Já aqueles em maior quantidade e que realizam mais ciclos de pouso e decolagem, estão mais expostos a situações críticas.

Quais são os maiores acidentes?


Analisamos os dados entre 2018 e 2024 disponibilizados pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão ligado à FAB (Força Aérea Brasileira). Durante o período, foram registrados 1.077 acidentes aeronáuticos no país, sem contabilizar incidentes e incidentes graves.

Em todos os anos, o modelo de avião que mais se acidentou foi o Ipanema, usado para operações agrícolas. No período, foram 184 acidentes, com 37 mortes no total.

Veja o ranking de acidentes por tipo de aeronave envolvida:
  • Embraer Ipanema: 184 acidentes
  • Ultraleve sem designação específica: 99 acidentes
  • Aeronave sem designação específica: 56 acidentes
  • Cessna 188: 54 acidentes
  • Robinson R44: 44 acidentes
  • Seneca: 42 acidentes
  • Cessna 182: 38 acidentes
  • Outros sem previsão: 35 acidentes
  • Pawnee PA25: 30 acidentes
  • Air Tractor AT5T: 28 acidentes
Esses dados não indicam que o avião é seguro ou não, afinal, nenhum avião é feito para cair, mas para voar. Muitas questões estão relacionadas ao tipo de operação, manutenção e uso.

Tipo de operação faz toda diferença


Entre as dez aeronaves mais envolvidas em acidentes no período, quatro são agrícolas. Entretanto, uma análise fria dos números pode levar a conclusões equivocadas sobre falhas de segurança ou vulnerabilidade do projeto da aeronave, de acordo com Enio Beal Jr., piloto de aviação executiva e sócio da Jinkout Business Aviation.

"O problema não é o tipo de avião, mas, sim, o da operação. Voos a baixa altura, manobras constantes, proximidade com obstáculos —tudo exigido pela missão que executam, são desafios diários para os pilotos agrícolas", afirma Beal.

Segundo o piloto, há uma elevada quantidade de variáveis ​​envolvidas nos acidentes. Desde manutenção adequada, treinamento dos pilotos, respeito às regras e limites, tipo de operação, entre outros. “Dois aviões idênticos podem voar com riscos completamente diferentes”, afirma o consultor.

Ele ainda faz uma analogia com a aviação militar: em um cenário de guerra, tendem a cair mais aviões militares do que comerciais, justamente por estes estarem mais expostos a riscos e terem suas operações em maior número.

No caso de Ipanema, esse é o avião com o maior número de exemplares no país, chegando a 1.346 unidades, num total de 2.539 aeronaves agrícolas no país em 2023 segundo o Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola). Com isso, há mais chances de um deles se envolver em um acidente, justamente pela quantidade em operação, do que outros aviões com menos presença no mercado.

Uma analogia seria comparar uma Ferrari a carros de montadoras em série. A chance de um dos carros da marca italiana se envolver em um acidente é menor justamente por ter uma menor presença no trânsito em comparação com outros modelos fabricados em larga escala.

Mesmo diante desses fatores, Beal diz que os números assustam: "É preciso um trabalho constante de conscientização do perigo e respeito aos limites para buscar a meta de acidente zero", diz o piloto.

Classificação de operações


Os acidentes aconteceram em sua maior parte na operação privada, seguida pela agrícola. Operações regulares e não regulares, que são aquelas realizadas por empresas aéreas para o transporte de cargas e passageiros, ocorreram no último lugar, com o menor número de acidentes.

Veja o ranking:
  • Privada: 484 acidentes
  • Agrícola: 298 acidentes
  • Instrução: 84 acidentes
  • Táxi-aéreo: 49 acidentes
  • Experimental: 47 acidentes
  • Sem operação definida: 39 acidentes
  • Policial: 24 acidentes
  • Especializada: 23 acidentes
  • Aerodesportiva: 14 acidentes
  • Regular: 9 acidentes
  • Não regular: 6 acidentes
De qualquer forma, é sempre preciso entender os diversos fatores envolvidos nos acidentes em busca de evitar que novas ocorrências se tornem tragédias.

Entre o tipo de problema que causou o acidente, temos as seguintes ocorrências no mesmo período:
  • Falha ou mau funcionamento do motor: 252 ocorrências
  • Perda de controle em voo: 204 ocorrências
  • Ocorrência de pista (sair da pista): 184 ocorrências
  • Operação em baixa altitude: 113 ocorrências
  • Indeterminado: 106 ocorrências
  • Perda de controle no solo: 88 ocorrências
  • Falha ou mau funcionamento do sistema ou componente: 71 ocorrências
  • Outros: 52 ocorrências
  • Colisão com obstáculos durante a descolagem ou pouso: 50 ocorrências
  • Contato anormal com a pista: 47 ocorrências
De qualquer forma, é sempre preciso entender os diversos fatores envolvidos nos acidentes em busca de evitar que novas ocorrências se tornem tragédias.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Vídeo: Uma sobrevivente de 4 anos. Voo 255 da Northwest


Neste episódio de 'Senta que lá vem história', Lito Sousa nos relata como uma série de erros resultou em uma trágica decolagem que durou apenas 14 segundos, deixando uma única sobrevivente de 4 anos. Descubra o que poderia ter sido feito para evitar o acidente do Voo 255 da Northwest.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Vídeo: SWISS: Voei em uma das melhores companhias aéreas do mundo!


Voando de Classe Executiva no Boeing 777 da SWISS | EP. 1403 - No vídeo de hoje embarcamos na Classe Executiva da SWISS a bordo do Boeing 777-300ER, saindo de São Paulo (GRU) rumo a Zurique (ZRH) em um voo noturno pelo Atlântico. Você vai acompanhar um flight review completo, desde a sala VIP no Aeroporto de Guarulhos, passando pelo embarque antecipado com criança, até o serviço de bordo premium, o assento lie-flat e a experiência real de atravessar o oceano com conforto.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Vídeo: CONHEÇA os AVIÕES da FORÇA AÉREA DINAMARQUESA


A Groenlândia voltou ao centro do debate internacional após declarações que reacenderam disputas geopolíticas no Ártico. Mas afinal, quem realmente defende esse território gigantesco, estratégico e cada vez mais cobiçado?

Neste vídeo, você vai entender como a Força Aérea Real Dinamarquesa se tornou responsável pela defesa da maior ilha do mundo, qual o papel dos caças F-35, dos aviões de transporte e dos helicópteros em um dos ambientes mais extremos do planeta, e por que a Groenlândia é hoje uma das regiões mais sensíveis da geopolítica global.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Vídeo: Exclusivo: VOAMOS no AVIÃO CARGUEIRO da GOLLOG


A GOLLOG celebra 25 anos consolidada como líder na logística aérea brasileira. Unindo inteligência operacional e a ampla malha da GOL, a empresa segue encurtando distâncias e conectando mercados de ponta a ponta do país.

O vídeo comemorativo relembra os marcos dessa trajetória e projeta o futuro do setor. É a celebração de uma história pautada pela eficiência e pela evolução constante no transporte de cargas nacional.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Vídeo: Trocar de AVIÃO é igual trocar de CARRO?


Neste vídeo, explicamos de forma simples como acontece a evolução das aeronaves, saindo do motor a pistão, passando pelo turboélice, até chegar ao jato. Você vai entender por que cada etapa muda completamente a performance, o alcance, a operação e até a forma de voar. Um conteúdo direto para pilotos, entusiastas e curiosos que querem entender por que, na aviação, essa troca faz toda diferença na operação.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Por que os aviões não voam mais rápido?

(Crédito: Shutterstock | Simple Flying)
Seria de se esperar que, com todos os avanços na fabricação e tecnologia de aeronaves, os aviões fossem mais rápidos do que nunca. No entanto, talvez surpreendentemente, a velocidade das aeronaves comerciais não mudou muito nos últimos cinquenta anos, com exceção do Concorde, que se destacou. Então, por que os aviões não voam mais rápido?

Atualmente, os tempos de voo costumam ser mais longos do que eram anteriormente divulgados, pois não se limitam apenas ao tempo de voo ponto a ponto, mas também incluem atrasos e congestionamentos nos aeroportos. As aeronaves já conseguem voar para praticamente qualquer lugar do mundo em 24 horas a uma velocidade suficientemente alta, sem a necessidade de velocidade máxima. Para as companhias aéreas, as aeronaves precisam ser economicamente viáveis ​​e manter seus custos operacionais baixos, o que é possível com motores mais modernos e eficientes em termos de consumo de combustível.

As aeronaves precisam ser economicamente viáveis


Aeronave Boeing 787-9 Dreamliner da Air New Zealand, matrícula ZK-NZL,
pousando no Aeroporto Internacional de Auckland ) (Crédito: Shutterstock)
O foco das viagens hoje em dia é o custo, e não a velocidade, tanto para passageiros quanto para companhias aéreas, e estas ainda precisam lucrar no final das contas. Portanto, fabricantes e companhias aéreas trabalham para reduzir o custo das viagens, em vez do tempo que elas levam. A velocidade não faz parte da equação. Viajar mais rápido exige um design de aeronave diferente e consome mais combustível. Se o tempo é importante para poucos privilegiados, então jatos particulares são uma opção em comparação com as companhias aéreas convencionais.

As aeronaves de hoje são muito mais eficientes em termos de consumo de combustível do que costumavam ser, além de terem maior alcance e capacidade de passageiros. Para as companhias aéreas, isso significa mais lucro. Tanto que algumas conseguem oferecer voos transatlânticos por cerca de US$ 400 e ainda obter lucro. A maioria das pessoas prefere pagar menos por um voo mais longo. Mais velocidade geralmente significa mais arrasto, o que reduz a economia de combustível; portanto, voos mais rápidos não são uma boa ideia para as companhias aéreas.

Hoje, o foco principal em comparação com as aeronaves do passado é a eficiência de combustível, e os novos tipos de aeronaves são dez vezes mais eficientes em termos de consumo de combustível por passageiro por quilômetro do que eram na década de 1950. As aeronaves agora são maiores e têm maior capacidade, mas os avanços na tecnologia de motores são um fator crucial para a economia das companhias aéreas.

Comparando motores


Motor GEnx do Boeing 787 da Qatar Airways (Crédito: Shutterstock)
Existem três tipos básicos de motores: o turboélice, o turbofan e o turbojato, e cada um possui uma faixa de velocidades em que apresenta maior eficiência. O motor turboélice é mais comum em aeronaves regionais e tem um custo operacional menor. Como a propulsão vem da hélice, ele opera em velocidades mais baixas do que outras aeronaves, sendo mais eficiente entre 523 e 603 km/h (325 a 375 mph). O motor turbofan, utilizado na maioria das aeronaves comerciais, opera com maior eficiência entre 644 e 998 km/h (400 a 620 mph) . Em comparação, o motor turbojato, usado em aeronaves supersônicas, é mais eficiente entre 2.092 e 2.253 km/h (1.300 e 1.400 mph).

A taxa de derivação é a proporção de ar que passa pelo duto de derivação em relação à quantidade que passa pelo núcleo do motor. Quanto maior a taxa de derivação, mais eficiente é o motor. Vamos comparar alguns motores. O motor GEnx da General Electric, usado no Boeing 787 e no Boeing 747-8i, é extremamente eficiente. O ventilador é muito maior que a própria turbina e tem uma taxa de derivação de 10:1, ou seja, dez vezes mais ar circula ao redor da turbina do que através dela.

(Dados: Wendover Productions)
Em comparação, o motor CFM International CFM56 é mais antigo e menos eficiente, sendo frequentemente utilizado no Airbus A320 e no Boeing 737. Possui um ventilador menor em relação à turbina e uma taxa de derivação de 5,9:1, que ainda é eficiente, mas não tanto quanto o GEnx. Comparado ao Pratt & Whitney JT8D, com uma taxa de derivação de 0,96:1, o torna menos eficiente, mas é mais eficiente que o Rolls-Royce Snecma Olympus 593, um motor turbojato usado no Concorde . A taxa de derivação é de 0:1, portanto, todo o ar do ventilador passa pela turbina; consequentemente, o consumo de combustível é maior que o dos motores mencionados anteriormente.

Por que o Concorde não funcionou?


Concorde da British Airways (Crédito: Shutterstock)
O Concorde possuía motores turbojato Rolls-Royce Snecma Olympus 593 de bypass zero e consumia 21,25 kg de combustível por milha voada. Comparando com o motor GEnx do Boeing 787, que consome 8,5 kg de combustível por milha voada, a diferença é considerável. O Concorde era uma aeronave muito menor que o Boeing 787, com capacidade para apenas 100 passageiros, contra 291 do Dreamliner. O consumo de combustível por pessoa era de 14 milhas por galão, enquanto o Dreamliner fazia 104 milhas por galão.

Com um consumo de combustível tão elevado, tanto a British Airways quanto a Air France não podiam mais se dar ao luxo de manter o Concorde em operação. Ele deveria ser a maneira mais eficiente de cruzar o Atlântico, mas os passageiros não queriam pagar por isso e preferiam voar no Concorde do Reino Unido durante o dia e voltar à noite dos Estados Unidos em classe executiva em outra aeronave, a um custo significativamente menor. O Concorde era único, e esse era o seu principal atrativo, mas não era econômico nem luxuoso. Era estreito, barulhento e apertado, em comparação com outras aeronaves. O Concorde viajava a Mach 2,02 (2.157 quilômetros por hora) e podia cruzar o Atlântico em pouco mais de três horas.

Hoje, uma viagem de três horas de Londres a Nova York no Concorde custaria no mínimo US$ 7.500. Na época em que ainda operava, o preço de uma passagem de ida e volta chegava a US$ 12.000, um valor que a maioria das pessoas não podia pagar. Raramente a aeronave estava lotada de passageiros pagantes, sendo comum que as pessoas fizessem upgrade da primeira classe utilizando milhas. A primeira classe era muito mais luxuosa do que os assentos da classe econômica do Concorde, e camas totalmente reclináveis ​​também estavam sendo introduzidas na classe executiva e na primeira classe em rotas semelhantes. Em 26 de novembro de 2003, ocorreu o último voo do Concorde e o último voo supersônico comercial.

Companhias aéreas e economia


American Airlines, Air Canada Frontier e Delta na neve (Crédito: Aeroporto Internacional de Denver)
O custo de uma aeronave é relativamente pequeno em comparação com seus custos operacionais. A vida útil de uma aeronave é medida em ciclos, desde a decolagem até o pouso. Portanto, as companhias aéreas não aumentarão a velocidade de voo de uma aeronave apenas para utilizá-la por mais tempo, mas sim priorizando sua vida útil. Por exemplo, o Dreamliner tem uma vida útil estimada em 44.000 ciclos e um preço de tabela de US$ 224,6 milhões, o que significa que o custo da aeronave por voo é de cerca de US$ 5.000, enquanto o custo do combustível de Nova York a Londres seria de aproximadamente US$ 15.000. A velocidade de um voo, portanto, não é mais um fator determinante para as companhias aéreas.

As companhias aéreas operam suas aeronaves na velocidade mais eficiente em termos de consumo de combustível, entre 800 e 885 quilômetros por hora (500 a 550 milhas por hora). Então, alguém poderia perguntar: por que as aeronaves não voam logo abaixo da velocidade do som, a Mach 1 ou 1.233 quilômetros por hora (767 milhas por hora)? Entre Mach 0,8 e Mach 1,2 está a faixa transônica, e o fluxo de ar não é nem subsônico nem supersônico. Acima de Mach 0,8, parte do fluxo de ar se torna supersônico, o que aumenta consideravelmente o arrasto, consome mais combustível e pode desestabilizar a aeronave. Os jatos comerciais normalmente voam entre Mach 0,78 e Mach 0,86.

Portanto, é melhor voar bem acima ou abaixo da velocidade do som; 987,8 quilômetros por hora (613,8 milhas por hora) é o limite de velocidade para jatos subsônicos comercialmente viáveis. Jatos militares podem voar acima da velocidade do som, mas o voo supersônico cria ondas de choque e estrondos sônicos, para os quais as aeronaves comerciais simplesmente não são projetadas. Elas são projetadas para eficiência em velocidades subsônicas em torno de Mach 0,8-0,9. Aeronaves como o Concorde podem ser projetadas e construídas, mas com o aumento da velocidade, a resistência do ar também aumenta e o consumo de combustível é consideravelmente maior. Para as companhias aéreas, do ponto de vista econômico, não vale a pena viajar mais rápido.

Aeronaves de antigamente em comparação com as de hoje


Boeing 707-121 da Pan Am estacionado (Crédito: Shutterstock)
Em 1957, o Boeing 707 tinha uma velocidade de cruzeiro de 600 milhas por hora ou Mach 0,78 (966 quilômetros por hora). Compare isso com um Boeing 787 de 2009, com uma velocidade de cruzeiro de 650 milhas por hora ou Mach 0,85 (1.046 quilômetros por hora). Os números são relativamente semelhantes ao longo de um intervalo de cinquenta anos. Novamente, analisando o Boeing 707, a aeronave consome 6.800 quilos de combustível por hora, em comparação com o Boeing 787, que consome 5.000 quilos de combustível por hora, mas transporta 140 passageiros a mais, de acordo com os dados aqui.

O Mirage News sugere que a velocidade média de cruzeiro do Dreamliner é de 560 milhas por hora (901 quilômetros por hora). A redução na velocidade entre as duas aeronaves não é enorme, mas a economia de combustível é significativa em longas distâncias. A redução na velocidade tem sido gradual ao longo das décadas, e voar em velocidades mais baixas é uma maneira eficaz de reduzir o consumo de combustível e economizar dinheiro diante do aumento dos preços do combustível de aviação.

Em um mundo tecnologicamente avançado, podemos esperar que as aeronaves sejam mais rápidas do que nunca. Modelos como o Boeing 747 e o Concorde revolucionaram as viagens transatlânticas e de longa distância. Na década de 1970, a crise do petróleo atingiu o mundo e os preços dos combustíveis atingiram patamares recordes. As companhias aéreas tiveram que buscar maneiras de reduzir os custos com combustível e, consequentemente, diminuir a velocidade de cruzeiro. Os fabricantes, por sua vez, procuraram formas de tornar as aeronaves mais aerodinâmicas e com maior eficiência de combustível, mesmo em velocidades mais baixas e com custos de combustível reduzidos.

Será que os aviões comerciais voarão mais rápido no futuro?


Boeing 787-9 da Air Premium em subida inicial com trem de pouso abaixado (Crédito: Annie Flodin)
Embora o Concorde fosse único e oferecesse uma experiência incomparável, não gerava lucro suficiente em comparação com seus custos operacionais. Portanto, após o acidente com o voo 4590 da Air France, tanto a British Airways quanto a Air France aposentaram a aeronave. Desde então, houve conversas sobre a introdução de uma nova aeronave supersônica pela Boom Supersonic e pela Aerion, mas até agora, nada foi concretizado.

As preocupações ambientais também pressionaram as companhias aéreas a reduzirem seu impacto ambiental e suas emissões, comprometendo-se com a sustentabilidade. Isso resultou em aeronaves novas mais eficientes em termos de consumo de combustível e menos ruidosas. As aeronaves modernas podem voar em altitudes mais elevadas do que antigamente, onde há menos resistência aerodinâmica e, consequentemente, menor consumo de combustível, sendo, portanto, mais econômicas de operar.

O motivo pelo qual os aviões não voam mais rápido não se deve à tecnologia, mas sim à pura economia. É mais importante ter aeronaves com baixo consumo de combustível, motores melhores e maior capacidade, com custos operacionais mais baixos, do que voar mais rápido. As companhias aéreas precisam lucrar, mas o conforto e a segurança dos passageiros também são prioridades absolutas. Será que veremos novamente aeronaves como o Concorde e viagens supersônicas? Embora seja possível, as prioridades mudaram tanto para os passageiros quanto para as companhias aéreas, então só o tempo dirá.

Com informações do Simple Flying

Passageiro porcalhão? Veja quais as aéreas mais limpas do mundo para voar

Poltrona de avião: Limpeza das aeronaves melhoram a experiência de voo dos passageiros
 (Imagem: jannoon028/via Freepik)
Entrar em um avião e encontrar o assento manchado, o bolso da poltrona cheio de restos de papel ou a bandeja com marcas do passageiro anterior é uma experiência bem desagradável nos aviões. Em um ambiente compartilhado por centenas de pessoas ao longo do dia, a limpeza da aeronave ganhou peso na percepção de conforto e qualidade do serviço.

Isso ocorre, principalmente, em um cenário pós pandemia, em que a percepção de higiene ganhou protagonismo, e rankings internacionais ajudam a separar quem investe pesado em limpeza de cabine de quem ainda trata o assunto como detalhe operacional.

As mais limpas


A principal referência global nesse quesito é o ranking da consultoria britânica Skytrax, responsável pelo World Airline Awards, considerado o Oscar da aviação. A lista das companhias aéreas mais limpas do mundo é elaborada a partir de pesquisas com passageiros de centenas de países, realizadas ao longo de vários meses.

O levantamento avalia exclusivamente a limpeza das cabines das aeronaves, não envolvendo salas VIP ou aeroportos. Entram na conta desde a condição dos assentos até carpetes, paredes, mesas, compartimentos de bagagem e banheiros, sempre a partir da percepção de quem efetivamente voou.

Em 2025 o domínio de aéreas asiáticas manteve destaque.

Ranking global de limpeza na aviação comercial
  • 1º EVA Air / Taiwan
  • 2º ANA - All Nippon Airways / Japão
  • 3º Cathay Pacific / Hong Kong
  • 4º Qatar Airways / Catar
  • 5º Singapore Airlines / Singapura
  • 6º Hainan Airlines / China
  • 7º Japan Airlines / Japão
  • 8º Korean Air / Coreia do Sul
  • 9º China Southern / China
  • 10º Finnair / Finlândia
  • 11º China Airlines / Taiwan
  • 12º Malaysia Airlines / Malásia
  • 13º Hong Kong Airlines / Hong Kong
  • 14º Asiana Airlines / Coreia do Sul
  • 15º Finnair / Finlândia
  • 16º Swiss International Air Lines / Suíça
  • 17º Austrian Airlines / Áustria
  • 18º Qantas Airways / Austrália
  • 19º Lufthansa / Alemanha
  • 20º Saudia / Arábia Saudita
Fonte: Skytrax

A presença recorrente de empresas do Leste Asiático reflete padrões culturais mais rígidos de higiene, além de processos de limpeza mais detalhados e tempos de solo ajustados para esse tipo de cuidado. Se a limpeza demora muito, é preciso ajustar o tempo em que a aeronave ficará sem voar, senão pode atrasar a decolagem

Destaques regionais


Veja as melhores colocadas por região:
  • África: Airlink (África do Sul)
  • América do Norte: Delta Air Lines (Estados Unidos)
  • América do Sul: Latam (Chile)
  • Ásia: EVA Air (Taiwan)
  • Ásia Central e a CEI (Comunidade dos Estados Independentes): Azerbaijan Airlines (Azerbaijão)
  • Austrália e Pacífico: Qantas Airways (Austrália)
  • China: Hainan Airlines (China)
  • Europa: Finnair (Finlândia)
  • Índia e Sul da Ásia: IndiGo (Índia)
  • Oriente Médio: Qatar Airways (Catar)
Embora não figure entre as dez mais limpas no ranking global específico de cabine, a Latam aparece como a melhor colocada na América Latina quando comparada a outras dezenas companhias da região.

O que é levado em consideração?


A avaliação da Skytrax se baseia exclusivamente na experiência do passageiro. Os questionários apresentados aos viajantes analisam a limpeza visual e percebida de áreas de alto contato, como bandejas, cintos de segurança, apoios de braço, telas individuais e bolsos dos assentos.

Também pesam a condição dos carpetes, a presença de resíduos visíveis, odores na cabine e o estado geral dos lavatórios. Não há auditoria técnica nem inspeções presenciais da consultoria. O ranking reflete, portanto, a consistência da limpeza ao longo do tempo, sob o olhar de quem utiliza o serviço.

Sujeira além do banheiro


Pesquisas revelam que as superfícies contaminadas em termos de microrganismos não ficam apenas no banheiro, mas estão diretamente ligadas ao uso frequente e ao contato direto dos passageiros.

Bandejas retráteis, apoios de braço e revestimentos de assentos tendem a acumular uma diversidade significativa de microrganismos, potencialmente incluindo aqueles que apresentam riscos à saúde. Isso, justamente, por serem tocados repetidamente e dificilmente limpos em profundidade entre voos, ao contrário dos banheiros, que são limpos com mais frequência.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Vídeo: Documentário - "O acidente do Ônibus Espacial Columbia"




Via Canal Dobra Espacial

Vídeo: Documentário - A tragédia com o Ônibus Espacial Columbia


Por volta das 08h54 do dia 01 de Fevereiro de 2003, a uma velocidade de 27,564 km/h durante o procedimento de reentrada atmosférica, o Ônibus Espacial Columbia se desintegrou em pleno voo devido a um buraco no sistema de proteção térmico do veículo na região da asa esquerda. Um buraco que ninguém sabia da sua existência e que custou a vida de toda a tripulação.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Vídeo: A pista sumiu na hora do POUSO


No Senta que lá vem História de hoje, Lito Sousa nos conta sobre o dia que um blackout 
em NY desafiou um 747 e ficou eternizado em um clássico da banda Saxon.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Boom x Concorde x Tupolev: Comparação de jatos supersônicos de passageiros

(Crédito: Steve Fitzgerald | Wikimedia Commons, NASA, Boom Supersonic, Simple Flying)
O lendário Concorde e o soviético Tu-144 eram ambos capazes de voar a aproximadamente o dobro da velocidade do som, o que lhes proporcionava tempos de voo dramaticamente rápidos. O Boom's Overture foi projetado para uma velocidade supersônica mais lenta, de Mach 1,7, mas a uma altitude semelhante, sacrificando intencionalmente um pouco de velocidade em prol de maior alcance e eficiência, além de mitigar o efeito do estrondo sônico.

Cada aeronave possui seu próprio perfil de desempenho distinto. Aqui está uma breve visão geral:
  • Concorde – Velocidade máxima: Mach 2,04 (aproximadamente 1.350 mph / 2.172 km/h); Alcance: 3.900 milhas náuticas (4.500 milhas / 7.250 km); Teto de serviço: 60.000 pés (18.300 m).
  • Tupolev Tu-144 (motores NK-321) – Velocidade máxima: Mach 2,30 (aproximadamente 2.500 km/h); Alcance: 6.500 km; Teto de serviço: 19.000 m.
  • Boom Overture – Velocidade de cruzeiro: Mach 1,7 (aproximadamente 1.122 mph / 1.806 km/h); Alcance: 4.250 milhas náuticas (aproximadamente 4.888 milhas / 7.870 km); Teto de serviço: aproximadamente 60.000 pés (aproximadamente 18.300 m).
Apesar da maior velocidade máxima do Tu-144, ele sofria com um problema de autonomia. Os motores NK-144 originais consumiam tanto combustível que a autonomia do Tu-144 era muito menor que a do Concorde. Isso limitava severamente seus usos operacionais e sua praticidade.

O Concorde conseguia cruzar o Atlântico rotineiramente com um tanque de combustível, enquanto o Tu-144 era incapaz de completar longos trechos sem reabastecer para realizar rotas transcontinentais.

O Overture é diferente desses dois velocistas do passado. Ele está sendo otimizado com motores mais eficientes e aerodinâmica aprimorada, visando alcançar uma autonomia superior a 4.000 nm e uma velocidade de cruzeiro ligeiramente menor.

O Concorde e o Tu-144 priorizaram a velocidade em detrimento de quase todas as outras características. Portanto, embora o Overture sacrifique um pouco de velocidade para ser mais silencioso, será mais eficiente e comercialmente viável do que seus antecessores.

Concorde - elegância e velocidade


Concorde (G-BOAG) da British Airways em voo (Crédito: BAE)
A elegante asa delta ogival do Concorde oferecia estabilidade a Mach 2. Seus projetistas foram pioneiros em entradas de ar variáveis ​​e complexas para os motores, controladas por computadores digitais primitivos para regular o fluxo de ar para os motores em velocidade supersônica.

O Concorde também introduziu a capacidade de supercruzeiro, que é o voo supersônico sustentado sem o uso de pós-combustores, e até mesmo o primeiro sistema de controle fly-by-wire (FBW) em um avião comercial de passageiros.

A estrutura do Concorde foi construída principalmente com uma liga especial de alumínio resistente a altas temperaturas, o que gerou economia e permitiu o uso de técnicas de fabricação convencionais. Essa escolha de material limitou a velocidade máxima a cerca de Mach 2,0, mas evitou a necessidade de ligas exóticas.

O “Concordski”


Testes do Tu-144 com a NASA, foto via Jim Ross, NASA (Foto: NASA)
Semelhante a uma asa delta, o Tu-144, desenvolvido pelos soviéticos, incorporava canards (planadores dianteiros retráteis) especiais para melhorar a sustentação e o controle em baixas velocidades. Além disso, ao contrário do Concorde, seus motores necessitavam de pós-combustores para manter a velocidade de cruzeiro supersônica, o que demonstrava uma propulsão muito menos eficiente.

O Tu-144 também utilizava materiais mais resistentes ao calor (cerca de 15% de titânio em peso) para permitir velocidades de até aproximadamente Mach 2,2. Essa busca por desempenho teve como consequência um maior consumo de combustível e maior complexidade mecânica.

Embora também inovador, muitos dos sistemas do Tu-144 eram menos refinados. Sua cabine era muito barulhenta devido ao isolamento rudimentar. O transporte supersônico soviético (SST) provou que atingir Mach 2+ era viável, destacando simultaneamente a importância de uma aerodinâmica e motores refinados.

A nova abordagem da Overture


O Overture da Boom em renderização de voo (Crédito: Boom Supersonic)
O Overture da Boom aproveita cinco décadas de progresso tecnológico desde que essas duas lendas alçaram voo. Será um sucessor mais limpo e silencioso, com uma asa delta refinada e um contorno distinto em asa de gaivota, otimizado para supercruzeiro.

A maior parte da estrutura da aeronave será composta de compósitos de fibra de carbono, que são significativamente mais resistentes ao calor e possuem uma relação resistência/peso superior à do alumínio da década de 1960. A estrutura terá uma longa vida útil e baixa necessidade de manutenção graças a esses compósitos modernos, que também possibilitam formas aerodinâmicas e de estrutura extremamente eficientes.

Os quatro motores do Overture estão sendo projetados como turbofans de média taxa de derivação para atingir empuxo supersônico sem pós-combustão, reduzindo drasticamente o ruído do escapamento e o consumo de combustível. Nas palavras de Boom, o objetivo é um avião comercial “mais rápido, mais silencioso, mais acessível de construir e mais eficiente em termos de combustível” do que qualquer outro SST (supersônico) já produzido.

Viabilidade econômica


As passagens do Concorde eram vendidas a preços estratosféricos. "O preço de US$ 12.000 por passagem garantia que o Concorde raramente voasse com mais da metade da capacidade ocupada, enquanto consumia várias vezes mais combustível por passageiro" do que jatos subsônicos. A baixa eficiência de combustível e a capacidade limitada (cerca de 100 assentos em uma configuração totalmente premium) significavam que as companhias aéreas mal conseguiam cobrir os custos. Ao cobrar tarifas premium de viajantes a negócios, elas transformaram o Concorde em um serviço de prestígio, mas o sucesso financeiro era difícil de alcançar.

Primeiro voo do Concorde 002 da BAC, em Filton, em 9 de abril de 1969 (Foto: BAE)
A situação econômica do Tu-144 era significativamente pior. Antes de seu serviço ser descontinuado em 1978 devido a preocupações com a segurança e custos excessivos, ele operou apenas 55 voos de passageiros. O Tu-144 nunca obteve verdadeiro sucesso comercial devido ao seu consumo massivo de combustível e à falta de mercado na União Soviética.

A Boom Supersonic está plenamente ciente dessas dificuldades econômicas e busca tornar o Overture um empreendimento financeiramente viável. O projeto do Overture prioriza a eficiência de combustível, eliminando completamente os pós-combustores e utilizando uma estrutura composta mais leve para reduzir significativamente o consumo de combustível por passageiro em comparação com o Concorde.

Os preços projetados das passagens são praticamente equivalentes às tarifas de classe executiva atuais e têm como objetivo ampliar o mercado de viagens supersônicas. De acordo com uma reportagem da Warp News, “ao contrário do Concorde, aeronave supersônica anterior, que custava 20.000 dólares por passagem, uma passagem para o Overture custará cerca de 5.000 dólares”.

(Foto: Boom Supersonic)
Blake Scholl, fundador da Boom Supersonic, explica que, para acelerar e reduzir os custos de desenvolvimento, estão utilizando a tecnologia consagrada do Boeing 787, modificada para atingir velocidades maiores. Grandes companhias aéreas, como American Airlines, United Airlines e Japan Airlines, já fizeram pré-encomendas à Boom, o que sugere que enxergam potencial comercial no modelo de negócios do Overture.

Se o cronograma da Boom estiver correto, o lançamento do Overture em 2029 sinalizaria o retorno do voo supersônico para a indústria da aviação comercial, e um retorno mais silencioso e ecológico para a era moderna.

Segurança e confiabilidade


Operar no limite da capacidade de voo representou desafios significativos de segurança e manutenção para essas aeronaves. O Concorde construiu um histórico de segurança notável ao longo de décadas de serviço, com exceção de um trágico acidente em 25 de julho de 2000, que abalou sua reputação.

O único acidente fatal ocorreu quando um Concorde da Air France caiu durante a decolagem devido ao rompimento de um tanque de combustível causado por destroços na pista, resultando em 113 mortes. Apesar de ter um histórico de segurança exemplar antes desse incidente, a aposentadoria do Concorde em 2003 foi diretamente influenciada pelo acidente de 2000, bem como pela crise econômica na aviação que se seguiu ao 11 de setembro.

Um Tupolev Tu-144LL é rebocado por uma pista de táxi no Centro de Desenvolvimento Aéreo de Zhukovsky, perto de Moscou, Rússia, em preparação para um voo de pesquisa em alta velocidade em 1998 (Foto: NASA)
O Tu-144 teve um histórico operacional muito mais conturbado. Sofreu dois acidentes graves (em 1973 e 1978) e também foi assolado por frequentes falhas técnicas, exigindo procedimentos de inspeção extraordinários antes de cada voo. Esses problemas de confiabilidade, combinados com receios quanto à segurança, levaram à aposentadoria precoce do Tu-144 do serviço de passageiros.

O Overture da Boom, ainda em desenvolvimento, seguirá as mais rigorosas normas de segurança da aviação civil. Para garantir a confiabilidade, o projeto está sendo desenvolvido com tecnologia comprovada e camadas de redundância. Por exemplo, os motores são espaçados para evitar interferência mútua, e o uso de quatro motores permite uma decolagem segura e um voo de cruzeiro estável mesmo em caso de falha de um único motor.

O Overture utilizará controles digitais avançados de voo eletrônico e sistemas de monitoramento de saúde, refletindo os avanços na confiabilidade de aeronaves desde a década de 1970. A Boom enfatiza que o posicionamento do motor e outras escolhas de projeto foram feitas para atender aos mais rigorosos requisitos de segurança dos passageiros.

Legado e futuro das viagens supersônicas


O Concorde e o Tu-144 deixaram um legado duradouro na aviação , ilustrando o potencial e os perigos de viajar a velocidades supersônicas. O Concorde, em particular, estabeleceu recordes de velocidade em voos comerciais e tornou-se um símbolo da conquista aeroespacial.

Seus 27 anos de operação bem-sucedida demonstraram que o serviço regular de passageiros supersônicos era viável. O fenômeno do estrondo sônico, no entanto, resultou em restrições aos voos supersônicos sobre terra, e o alto consumo de combustível e as emissões do Concorde foram problemáticos durante um período de crescente custo do petróleo e maior conscientização ambiental.

Em retrospectiva, o Concorde foi um projeto à frente de seu tempo – entrando em serviço em uma era que não podia sustentá-lo totalmente, nem econômica nem ambientalmente – e, no entanto, continua a inspirar engenheiros e entusiastas da indústria aeroespacial.

O legado do Tu-144 é mais complexo, pois, como o primeiro SST (avião de transporte de superfície) do mundo a voar (superando o Concorde em Mach 1 por alguns meses em 1969), demonstrou a capacidade da União Soviética de competir em tecnologia aeroespacial avançada e ganhou o apelido de "Concordski" devido à sua semelhança com o Concorde.

Embora a vida comercial do Tu-144 tenha sido breve, o programa forneceu dados valiosos (posteriormente utilizados até mesmo em pesquisas conjuntas entre EUA e Rússia). Contudo, o Tu-144 permanece como um exemplo de advertência sobre os riscos de se utilizar um projeto complexo e não comprovado para atingir objetivos políticos sem testes suficientes.

Hoje, a Boom Supersonic busca dar continuidade ao legado do Concorde, mas com os benefícios da tecnologia moderna e um cenário da aviação transformado. Se o projeto Overture for bem-sucedido em revitalizar os voos supersônicos para as companhias aéreas, marcará o início de uma nova era em que as viagens de alta velocidade serão mais acessíveis e sustentáveis.


Ainda existem grandes obstáculos (como a aprovação regulatória para voos supersônicos sobre terra), mas os esforços da Boom sugerem que as limitações que impediram o Concorde de voar podem finalmente ser superadas. A próxima geração de jatos supersônicos poderá em breve tornar o mundo menor novamente, desta vez de forma duradoura e comercialmente viável.

Com informações do Simple Flying

Vídeo: Análise - O Desastre do Ônibus Espacial Challenger


No vídeo, Lito Sousa conta a história do acidente com o Ônibus Espacial Challenger, e faz os paralelos desse acontecimento com a aviação.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

História: Milagre no voo 85 da Northwest Airlines – Como 4 pilotos salvaram 404 vidas?


Em 9 de outubro de 2002, por volta das 17h40, horário de verão do Alasca, um Boeing 747-400 da Northwest Airlines experimentou um evento de hardover do leme inferior enquanto navegava no FL350. O leme inferior esquerdo desviou para seu limite de descarga sem intervenção da tripulação, o que forçou os pilotos a usar todo o leme superior direito e o aileron direito para manter a altitude e o curso.

Tudo graças aos dois lemes suportados e operados de forma independente (superior e inferior) do Boeing 747-400. Se este fosse um leme, os pilotos não teriam autoridade de controle suficiente para manter o avião na posição vertical contra a força exercida pelo leme. É um dos poucos jatos comerciais da Boeing com leme dividido, fato que pode ter ajudado a evitar um incidente grave.

Detalhes do voo


O Boeing 747-400, com matrícula N661US, realizava o voo Northwest 35 do Aeroporto Metropolitano de Detroit Wayne County, nos Estados Unidos, para o Aeroporto Internacional de Narita, no Japão, com 386 passageiros e 18 tripulantes a bordo. A aeronave envolvida foi o protótipo Boeing 747-400 construído para testes de voo como N401PW. Posteriormente, foi entregue à Northwest Airlines, o cliente de lançamento do 747-400 em 8 de dezembro de 1989.

Enquanto navegava no FL350, a aeronave rolou abruptamente para uma margem esquerda de 30 a 40 graus. Inicialmente, o capitão Geib acreditou que havia ocorrido uma falha no motor e recuperou a aeronave rapidamente. No momento do incidente, o capitão Frank Geib e o primeiro oficial Mike Fagan haviam acabado de assumir o controle da aeronave, permitindo que o capitão sênior John Hanson e o primeiro oficial David Smith descansassem. O capitão sênior Hanson sentiu a aeronave realizando uma manobra muito estranha e sentiu que algo estava errado. Quando o interesse do capitão aumentou, a tripulação em repouso recebeu a chamada de emergência da cabine. Há um carrilhão que eles podem tocar. E quando o sinal soar, significa que precisamos de você imediatamente no cockpit. Hanson entrou novamente na cabine e viu o capitão Gibe segurando a pressão total do leme com a perna direita.

“O leme inferior tinha ido inexplicavelmente e repentinamente para a esquerda. Normalmente era limitado pela aeronave a seis graus de lançamento do leme em altitude, e o leme passou de zero a quase dezoito graus em menos de um segundo”, declarou o Capitão John Hanson.


Desvio para Ancorage



Pouco depois de todos os membros da tripulação entrarem na cabine, o capitão Hanson percebeu que o piloto automático não iria lidar com isso e desligou o piloto automático. A tripulação do cockpit passou a pegar o manual de operação do cockpit, que é um manual vermelho projetado para cobrir todas as emergências que a tripulação possa encontrar. Infelizmente, a situação em que se encontrava o voo 85 não constava no manual.

Nesse ponto, a tripulação declarou emergência e iniciou um desvio para Anchorage. No entanto, quando a tripulação decidiu declarar emergência, o avião estava em uma zona morta de comunicação entre a América do Norte e a Ásia. Incapaz de declarar uma emergência enquanto sobrevoava o Mar de Bering, a tripulação contatou outro voo 19 da Northwest Airlines, que ajudou o voo 85 a declarar a emergência por estar mais perto do Alasca.

Embora a qualidade não fosse tão boa, eles conseguiram entrar em uma teleconferência com a equipe da Northwest Airlines em Minneapolis-St. Paul via rádio HF. Infelizmente, ninguém na teleconferência poderia sugerir uma maneira de trazer o leme de volta. A única sugestão que o Flight 85 recebeu foi do gerente de treinamento, que sugeriu adicionar um pouco de velocidade extra à final.

Tendo observado toda a situação minuciosamente, o capitão Hanson pensou e decidiu assumir o controle da aeronave.

“Sendo o capitão sênior, assumindo a responsabilidade, se alguém vai arranhar meu avião, quero que seja eu. E eu disse a Frank que ele fez um trabalho fabuloso com a recuperação inicial, estava fazendo um bom trabalho pilotando, mas que eu exerceria meu direito de voltar ao assento. A reação de Frank foi: não tenho problemas com isso”, disse o capitão John Hanson.

Pouco depois de declarar emergência e iniciar um desvio para Anchorage, a tripulação decidiu fazer uma reunião com a tripulação de cabine. A tripulação convidou o comissário, que é o principal comissário de bordo e intérprete, até a cabine e fizeram uma reunião. A tripulação informou a situação e decidiu informar os passageiros sobre o problema. Pela próxima hora e meia, a tripulação usou lemes superiores opostos, ailerons e empuxo diferencial para manter o controle da aeronave e evitar que ela rolasse para a esquerda.

A pista 6R de Anchorage foi escolhida pela tripulação para realizar o pouso de emergência. “A única desvantagem era que, se você chega perto da pista e decide que não parece bom e vai dar a volta, você está indo direto para uma cordilheira. E é cerca de - apenas cerca de sete ou oito milhas fora do final da pista.

“Então a resposta para isso foi, faça certo da primeira vez. Não saia por aí”, explicou o capitão Hanson.

Aterrissagem



Enquanto a tripulação se preparava para a aproximação, eles decidiram usar o leme montado na parede esquerda do cockpit, muito parecido com o volante do seu carro, para virar a roda do nariz enquanto o F/O ia agarrar a alavanca de controle. A tripulação usou o empuxo assimétrico do motor para manter o avião alinhado na pista. Isso significava que eles reduziram a potência do motor no lado direito e adicionaram potência no lado esquerdo. Nesta ocorrência, contra-atacou a deflexão do leme.

O capitão Hanson se estabilizou como pôde e colocou a aeronave bem no ponto de pouso, baixou o nariz para a pista e tentou desviar. Ele então soltou o volante e disse: “Mike, você entendeu, eu agarrei o leme”.

No pouso, a aeronave desviou para a esquerda. Os pilotos usaram os freios certos e os três reversores de empuxo disponíveis - o reversor nº 2 estava inoperante para parar a aeronave. Eles ultrapassaram a cabeceira da pista a 185 nós – cerca de 30 nós mais rápido do que um pouso típico de um B-747-400. Eles haviam ajustado os freios em um ajuste de freio automático muito alto porque a aeronave ainda estava tentando desviar. A aeronave foi desviar até o ponto até que o leme não estivesse mais em vigor.


Testemunhas oculares no Aeroporto Internacional Ted Stevens, em Anchorage, disseram que as rodas e os freios eram todos vermelho-cereja de tão quentes. O controlador de solo de Anchorage informou aos pilotos que todas as rodas do lado esquerdo da aeronave estavam brilhando em vermelho devido à parada de energia máxima. Eles esperaram que os freios e as rodas esfriassem antes de serem rebocados até o portão. Todos os 404 passageiros e tripulantes expiraram e desembarcaram do 747 sem nenhum ferimento, com os passageiros agradecendo e elogiando os tripulantes por sua louvável pilotagem. Ao chegar ao portão, a tripulação inspecionou a cauda e viu que o leme inferior ainda estava totalmente desviado para a esquerda.

Os tripulantes do voo 85 receberam o Prêmio Superior de Aeronaves no Banquete Anual de Prêmios de Segurança Aérea da ALPA por sua habilidade em pousar um Boeing 747 com um leme rígido. O Superior Airmanship Award é um prêmio da aviação concedido pela Air Line Pilots Association (ALPA).

O presidente da ALPA, capitão Duane Woerth, destacou que essa era uma daquelas situações que comprovam o velho ditado: “o vôo não termina até que você esteja no portão com o freio de estacionamento acionado”.

Investigação do NTSB


O National Transportation Safety Board (NTSB) lançou uma investigação sobre este evento que revelou que a carcaça de alumínio forjado (manifold) do módulo de controle de potência do leme inferior foi fraturada, permitindo que o pistão do amortecedor de guinada se deslocasse além de sua posição normal. Isso resultou em uma entrada de comando totalmente à esquerda para a válvula de controle principal, levando os dois atuadores para a posição do leme totalmente à esquerda. Os investigadores do NTSB examinaram o gravador de dados de voo, que mostrou uma deflexão inicial não comandada do leme inferior de 17,5 graus para a esquerda. No entanto, como a aeronave desacelerou durante a aproximação e pouso, a deflexão aumentou subsequentemente para 32 graus (total) de deflexão esquerda para o restante do voo.

Durante uma entrevista com o investigador encarregado do NTSB, o capitão disse que ele e o primeiro oficial executaram os procedimentos de emergência disponíveis, mas nenhum deles conseguiu corrigir o problema. Ele explicou que como a velocidade diminuiu durante a aproximação para pouso, o leme inferior desviou mais para a esquerda. Durante a aproximação e pouso, a tripulação usou potência diferencial para auxiliar no controle direcional.

Resposta da tripulação do cockpit


Comentando sobre o voo 85, o capitão Hanson disse: “Esta foi uma aplicação clássica de CRM [gerenciamento de recursos da tripulação]. Fomos abençoados e sortudos por termos um reforço total [da tripulação de voo]. Tínhamos quatro pilotos para trabalhar juntos no cockpit. Tínhamos um excelente grupo de comissários de bordo a bordo; isso se tornou importante mais tarde porque informamos isso como uma emergência 'vermelha', o que significa que há pelo menos uma chance sólida de você ter que evacuar. Não tínhamos certeza se conseguiríamos manter o avião na pista.”

O capitão Hanson afirmou: “O programa CIRP vale 10 vezes o que nos custa. Só posso imaginar o quão importante é o programa CIRP para os pilotos que têm resultados menos bem-sucedidos em suas situações.”

O Programa de Resposta a Incidentes Críticos (CIRP) é um programa que usa colegas e cônjuges de pilotos (ou seja, pilotos especificamente treinados e certificados para fornecer suporte no gerenciamento de estresse de incidentes críticos) para ajudar outros membros da tripulação de voo - incluindo investigadores de acidentes e suas famílias a se recuperarem de um acidente, incidente ou outra situação estressante. Ele é projetado para fornecer educação pré-incidente e serviços de intervenção em crise pós-incidente/acidente.

Imagem dos membros da tripulação do voo 85 da Northwest (Foto via Wikimedia)
O primeiro-oficial Fagan agradeceu a “Deus por estar conosco na cabine de comando naquela noite” e “ao departamento de treinamento da Northwest por nos dar um treinamento tão bom”.

O primeiro-oficial Dave Smith disse que gostaria de agradecer a “todos os representantes da ALPA por sua dedicação e sacrifício… a esta profissão e pela causa da segurança”.

Após o incidente, a Boeing emitiu o Boletim de Serviço de Alerta 747-27A2397, datado de 24 de julho de 2003, que recomendou aos operadores que realizassem uma inspeção ultrassônica dos módulos de controle de potência do leme inferior e superior pertinentes.

A Federal Aviation Administration (FAA) também emitiu um Aviso de Proposta de Criação de Regras (NPRM), “Diretiva de Aeronavegabilidade; Boeing Model 747-400, -400D e -400F Series Airplanes”, publicado no Federal Register em 28 de agosto de 2003, o que tornaria essa inspeção obrigatória nos modelos de aeronaves afetados. Uma proposta de substituição a esta diretiva foi publicada no final de 2008.

Edição de texto e imagens por Jorge Tadeu via Sam Chui com NTSB , ALPA e Wikimedia