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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Ucrânia revela drones de longo alcance para ataques contra a Rússia


A Ucrânia divulgou imagens de armamentos desenvolvidos por sua indústria de defesa nos últimos anos, com destaque para drones usados no conflito contra a Rússia. O material foi publicado nas redes sociais da Presidência e do presidente Volodymyr Zelensky em alusão ao Dia da Indústria de Defesa.

Presidente Volodymyr Zelensky (Ucrânia) durante vídeo em alusão ao Dia da Indústria de Defesa
 (Imagem: Presidência da Ucrânia)
No vídeo, o governo afirma que o país estruturou, ao longo da guerra, uma base industrial capaz de produzir sistemas não tripulados em larga escala. Segundo Zelensky, a Ucrânia está, pela primeira vez, "suficientemente armada" para se defender.

Ele também afirmou que o uso de drones passou a ter papel central no campo de batalha, com impacto direto nas operações. O discurso do vídeo menciona ainda a capacidade de atingir alvos a até 1.750 km de distância com sistemas de longo alcance, sem detalhar quais modelos específicos são responsáveis por esse desempenho.

Drones


(Imagem: Governo da Ucrânia)
Entre os equipamentos apresentados no vídeo estão drones de ataque e reconhecimento com diferentes níveis de alcance e capacidade de carga.

Imagem do vídeo do governo ucraniano mostra mísseis, drones e outros armamentos produzidos no país (Imagem: Governo da Ucrânia)

Entre os equipamentos citados estão:

Sichen (Janeiro)

O Sichen é um drone de longo alcance com capacidade de atingir alvos a até 1.400 km, segundo a Presidência ucraniana. O sistema pode transportar ogivas de até 40 kg e integra a nova geração de armamentos desenvolvidos durante a guerra.

Liutyi (Ferozou Fevereiro)

O Liutyi está entre os principais drones estratégicos do país. De acordo com dados oficiais, pode alcançar até 2.000 km e transportar cargas entre 50 kg e 75 kg, sendo utilizado em ataques a longa distância.

Morok (Escuridão)

O Morok é um drone de longo alcance com autonomia de até 800 km e capacidade de carga de cerca de 30 kg. O modelo integra o conjunto de sistemas usados em operações ofensivas.

Bars (Leopardo-das-neves)

O Bars é descrito como um drone com motor a jato, com alcance estimado entre 700 km e 800 km. O sistema combina características de drones e mísseis de cruzeiro, voltado a ataques de precisão.

Obriy (Horizonte)

O Obriy também utiliza propulsão a jato e tem alcance de cerca de 800 km. Segundo o governo, o modelo pode transportar uma ogiva de aproximadamente 10 kg.

Drones FPV (First Person Viewou Visão em Primeira Pessoa)

Além desses modelos, o vídeo menciona drones FPV (visão em primeira pessoa), utilizados em grande escala no campo de batalha. Segundo Zelensky, a produção desses sistemas já atinge milhões de unidades por ano, com uso em ataques de precisão e missões táticas.

A fabricação desses equipamentos é a base da atual indústria de defesa ucraniana.

No vídeo, o governo também afirma que a escala de uso desses sistemas se tornou um dos principais fatores para o desempenho militar ucraniano no conflito.

Mísseis e sistemas híbridos


(Imagem: Governo da Ucrânia)
O material também cita sistemas de longo alcance classificados como mísseis ou plataformas híbridas. Entre eles estão o Peklo, com alcance estimado em cerca de 700 km, e o Palianytsia, descrito como um sistema com características de drone e míssil, equipado com motor a jato.

Zelensky também mencionou outros armamentos em operação, como Iruta, Neptun e Vilha, afirmando que o país já dispõe de uma "força real" nessa categoria. Segundo o presidente, a estratégia combina diferentes tipos de sistemas para ampliar a capacidade de ataque e defesa da Ucrânia.

O conflito entre os dois países se agravou a partir de 2022 com a invasão de territórios ucranianos pela Rússia.

Veja mais imagens:

(Imagens: Governo da Ucrânia)
Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Avião bate contra drone a 1.000 m de altitude pouco antes de pousar nos EUA

Acidente ocorreu nos arredores do aeroporto de San Diego, na Califórnia. Aeronave tinha 54 pessoas a bordo no momento do incidente; piloto realizou pouso normalmente.


Um piloto do Boeing 737-824, prefixo N14219, da United Airlines, reportou uma colisão a cerca de 1.000 metros de altitude contra um drone antes de pousar nos EUA, nesta quarta-feira (29).

A companhia confirmou o incidente, e um aplicativo de monitoramento de frequências de comunicação aérea gravou a conversa em que o piloto relatou o ocorrido à torre de controle.

O voo 1980 da United partiu do Aeroporto Internacional de São Francisco às 6h53 e voou por aproximadamente 90 minutos antes de chegar ao Aeroporto Internacional de San Diego às 8h28. 

Após o pouso do Boeing 737 no aeroporto de San Diego, o piloto informou à torre de controle que o avião possivelmente havia atingido um drone enquanto voava a cerca de 3.000 pés de altitude.

Segundo a United, havia 48 passageiros e 6 tripulantes. Apesar da intercorrência, o pouso ocorreu normalmente.


Na conversa, o piloto do voo United 1980 diz à torre de controle, já em solo, ter colidido contra um drone a mais ou menos 3.000 pés de altitude (914 metros). (Ouça aqui)

O controlador de tráfego aéreo pede mais detalhes: "Você tem informações aproximadas sobre o tamanho, quantos motores, o modelo ou algo do tipo?"

“Era tão pequeno que eu não consegui identificar”, respondeu o piloto. “Era vermelho... era brilhante.”

Minutos antes, o piloto entrou em contato por rádio com a equipe do Centro de Controle de Aproximação por Radar Terminal do Sul da Califórnia, uma instalação de radar que direciona aeronaves na região, perguntando se havia um drone próximo à sua localização. "Não que eu saiba", respondeu o controlador.

"Acho que acabei de ver um pequeno objeto vermelho... a cerca de 300 metros abaixo de nós, à nossa direita", disse o piloto.

O controle de tráfego aéreo alertou outros pilotos, mas não recebeu nenhum outro relato de drone na área, de acordo com a Administração Federal de Aviação (FAA). O avião, que transportava 48 passageiros e seis tripulantes, pousou em segurança.

Um porta-voz da FAA disse que está investigando o caso.


É proibido aos pilotos operar drones acima de 400 pés de altitude, a menos que possuam autorização da FAA. De acordo com as normas da FAA, os pilotos de drones também devem evitar o espaço aéreo restrito, incluindo o espaço aéreo ao redor dos aeroportos.

Não ficou imediatamente claro se o drone de fato colidiu com a aeronave. A equipe de manutenção da companhia aérea "não encontrou danos após inspecionar minuciosamente a aeronave", afirmou a United Airlines em um comunicado ao The Times.

Segundo o FlightAware, o avião partiu de San Diego às 10h16 e chegou a Houston na tarde de quarta-feira.

Em nota, a companhia aérea confirmou o episódio: "O voo 1980 da United relatou uma possível colisão com drone pouco antes de chegar a San Diego. O voo pousou em segurança e os passageiros desembarcaram normalmente no portão de embarque. Nossa equipe de manutenção não encontrou nenhum dano após inspecionar minuciosamente a aeronave."

Via g1, KTLA5 e Los Angeles Times

sexta-feira, 17 de abril de 2026

EUA confirmam perda de drone que custa mais de R$ 1 bilhão no Oriente Médio

Ainda não se sabe se ele foi abatido por forças iranianas. A Marinha dos EUA, por enquanto, apenas confirmou o desaparecimento.

Drone MQ-4C Triton custa mais de US$ 240 milhões (cerca de R$ 1 bilhão)
(Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)
Após análises de dados feitos por diversos veículos de comunicação indicarem que os Estados Unidos perdeu seu drone MQ-4C Triton, uma de suas aeronaves mais caras, no Oriente Médio, a Marinha americana confirmou a informação.

Os dados de voo mostram o Triton emitindo o código transponder 7400 durante o voo, indicando que o contato com o piloto em solo havia sido perdido, e depois o código 7700, indicando uma emergência, cerca de 70 minutos depois, quando caiu para 13.411 metros.

O drone continuou emitindo sinais em 7700 MHz até desaparecer dos radares a uma altitude de mais de dois mil metros.

Um relatório do Comando de Segurança da Marinha dos EUA desta semana revelado pela rede de TV americana CNN destaca que o drone, que custa US$ 240 milhões (mais de R$ 1 bilhão), caiu em 9 de abril. O local exato da queda não foi revelado.

Segundo os dados vistos pela CNN, o drone partiu da Estação Aeronaval de Sigonella, na Itália, e desapareceu no Golfo Pérsico. Ele teve uma queda na altitude de 15 mil para 2 mil metros e perdeu contato.

Ainda não se sabe se ele foi abatido por forças iranianas. A Marinha dos EUA, por enquanto, apenas confirmou o desaparecimento.

Um MQ-4C Triton da Marinha dos EUA, pertencente ao Esquadrão de Patrulha Não Tripulada (VUP) 19, decola da Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais (MCAS) de Iwakuni, Japão, em 5 de outubro de 2022  (Foto do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA pelo cabo Mitchell Austin)
A Northrop Grumman, que é a fabricante, diz que essa é a 'principal aeronave não tripulada do mundo para inteligência, vigilância, reconhecimento e direcionamento marítimo'. Ela pode alcançar 8,5 mil milhas náuticas e tem motor a jato.

Impulsionado por um motor a jato e com um alcance de 8.500 milhas náuticas (equivalente a cerca de 15,7 mil quilômetros), o MQ-4C pode permanecer no ar por mais de 24 horas a mais de 50.000 pés (cerca de 15, 2 mil metros), sendo considerado um dos drones mais caros e avançados do mundo.

O drone é uma das aeronaves mais raras da frota da Marinha americana (a Northrop Grumman afirma ter produzido apenas 20 unidades) e também uma das mais caras, custando cerca de US$ 240 milhões (equivalente a cerca de R$ 1,1 bilhão) por unidade.

Isso é mais que o dobro do preço de um caça furtivo F-35C. Os primeiros protótipos do MQ-4C começaram a ser entregues em 2012.

Via CNN

sexta-feira, 27 de março de 2026

Mais de 50 países já possuem drones de combate; e o Brasil?

A adesão cada vez maior aos drones de combate é um legado claro da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de três anos.

(Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Mais baratos e eficazes, os drones estão sendo amplamente utilizados pelos exércitos de vários países do mundo. É o que revela um estudo realizado pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) sobre as capacidades militares das nações.

A adesão cada vez maior aos veículos de combate não tripulados é um legado claro da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de três anos. Atualmente, pelo menos 54 países do mundo já utilizam esta tecnologia como arma.

Mais detalhes do relatório


De acordo com o relatório, o número representa 31% dos 174 países sobre os quais a organização, que há 65 anos faz esse levantamento, obteve dados.

Além disso, significa um aumento importante em relação aos 38 que detinham drones de ataque em 2022.

Entres os equipamentos mais utilizados estão o turco Bayraktar (em 28 países), os chineses Caihong (15) e Wing Loong (13), o norte-americano MQ (14) e os iranianos Mohajer (14) e Shahed (13).

O estudo ainda aponta que Turquia e Irã se tornaram os principais fabricantes mundiais dos veículos, ao lado de China e Estados Unidos.

Alguns países não operam diretamente os equipamentos, caso da Líbia, onde o exército turco mantém uma base militar.

E o Brasil?


Brasil não tem drones de combate, apenas de monitoramento, de acordo com o relatório.

Conheça alguns dos modelos de drones mais utilizados


Um dos drones mais famosos é o Shahed-136. O equipamento é fabricado pelo Irã desde 2021 e foi utilizado em larga escala no ataque contra Israel no início de abril do ano passado. Ele é um drone-kamikaze que tem como característica principal uma combinação de design em asa delta e capacidade de voo em baixa altitude, fator que dificulta drasticamente a detecção por radares de sistemas de defesa aérea.

Este drone de ataque portátil pode carregar até 40 quilos de ogivas e ser lançado a partir de um caminhão militar ou comercial. Ele tem alcance de até 1.500 km e atinge uma velocidade máxima de 185 km/h, sendo utilizado pelos exércitos do Irã, Iraque, Iêmen e Rússia.

Shahed-136, drone de fabricação iraniana, está sendo amplamente utilizado
(Imagem: Sergey Dzyuba/Shutterstock)
Já o MQ-9 Reaper é fabricado pelos Estados Unidos. Sua função primária é coletar informações, servindo de apoio e vigilância em missões, mas também pode ser usado em ataques. Ele pode ser equipado com até 8 mísseis guiados a laser e, por isso, é considerado uma arma letal e altamente precisa.

Este modelo de drone foi usado, em 2020, para matar Qassem Soleimani, chefe de uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã e um dos homens mais poderosos do país. Ele tem alcance de até 1.850 km e atinge uma velocidade máxima de 444 km/h, sendo utilizado pelos exércitos dos EUA, França, Itália, Holanda, Polônia, Espanha, Reino Unido e Índia. Além disso, está presente em bases comandadas pelos norte-americanos na Polônia, Kuwait, Iraque, Jordânia, Djibouti, Niger e Japão.

Drone MQ-9 Reaper é utilizado pelos EUA e aliados (Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Outro drone bastante utilizado é o Bayraktar TB2, da Turquia. Ele pode ser armado com bombas guiadas a laser e conta com um alcance de até 1.850 km, atingindo uma velocidade máxima de 222 km/h, e sendo utilizado pelos exércitos da Turquia, Polônia, Sérvia, Azerbaijão, Quirguistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão, Paquistão,, Marrocos, Catar, Emirados Árabes Unidos, Burkina Faso, Djibouti, Etiópia, Mali e Togo.

Turquia aposta na fabricação do drone Bayraktar TB2 (Imagem: Mike Mareen/Shutterstock)
Os chineses também possuem os seus próprios equipamentos. O Caihong, por exemplo, é desenvolvido pela China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC). O modelo CH-4B tem um sistema misto de ataque e de reconhecimento de território. Com uma carga útil de até 345 kg, pode levar até seis armas e disparar mísseis a partir de uma distância de 5 mil metros. A bateria tem duração de 40 horas.

O equipamento tem alcance de até 5.000 km e atinge uma velocidade máxima de 435 km/h, sendo utilizado pelos exércitos da China, Indonésia, Mianmar, Paquistão, Argélia, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita, República Democrática do Congo, Nigéria e Sudão.

Por fim, os chineses também criaram o Wing Loong II. Inicialmente, ele era utilizados para vigilância e monitoramento, mas foi adaptado para combate. O equipamento pode levar um conjuntos de mísseis com mira a laser e bombas.

Wing Loong II é um dos drones utilizados pela China (Imagem: Chegdu Aircraft Infustry Group)
Desenvolvido pela Chegdu Aircraft Infustry Group (CAIG), ele é movido à hélice, o que, segundo a fabricante, permite que não seja facilmente identificado por radares. Para aumentar o alcance, que é de 2.000 km, o drone ainda pode ser controlado por meio de um link via satélite.

A velocidade máxima atingida é de 370 km/h. O armamento é utilizado pelos exércitos da Arábia Saudita, Cazaquistão, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Paquistão, Uzbequistão, Argélia, Marrocos e Nigéria.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Como o drone voa? Entenda equilíbrio de forças que o mantém parado no ar


Para quem cresceu achando carrinhos de controle remoto algo supermaneiro, ver um drone em ação é quase uma experiência mágica. Seja pela suavidade com a qual ele se move ou a infinidade de aplicações —que vão desde a diversão até usos logísticos—, esses aparelhos despertam a curiosidade de muita gente. 

E aí fica dúvida: como eles funcionam? E como eles podem ser controlados por longas distâncias sem perder a estabilidade no ar? Aqui, consideramos os drones de uso civil, que se dividem em quatro categorias básicas de acordo com o número de rotores: tricópteros, quadricópteros, hexacópteros e octacópteros.


Para a explicação abaixo, usaremos os quadricópteros como referência, que são os tipos mais comuns à venda. Eles contam com quatro rotores (chamados popularmente de hélices). 

O princípio básico de funcionamento de um drone envolve equilíbrio. Enquanto dois desses rotores giram no sentido horário, outros dois giram no sentido anti-horário. Desta forma, há uma compensação de forças que evita que o drone gire descontroladamente ao redor do seu eixo vertical.

É preciso uma condição para levantar voo: a força de empuxo gerada pelos rotores ao empurrarem o ar para baixo e, por consequência, serem empurrados para cima. Essa força precisa ser maior do que a da gravidade.

Uma vez no ar, o aparelho se mantém em parado enquanto o empuxo gerado se mantiver em equilíbrio com a gravidade. Os movimentos também são controlados pela velocidade dos rotores. Para ir para frente, por exemplo, os rotores da traseira aumentam sua velocidade, enquanto os da frente diminuem, inclinando levemente o aparelho para que ele se movimente.

Situação similar ocorre quando comandamos o drone para trás, para os lados ou para que ele gire ao redor de seu eixo vertical. 

Além dos rotores —movimentados por motores elétricos— os drones contam com outros sistemas básicos. É preciso ter uma bateria, geralmente de íons de lítio (do mesmo material das dos smartphones) e sensores como altímetros e acelerômetros. Eles medem variáveis como altitude e velocidade e também colhem informações enviadas aos circuitos de controle no corpo do drone. 

Há também tem um receptor de rádio que permite a integração entre o controle remoto do usuário e as ações do veículo.


Como os drones se mantém equilibrados mesmo quando há vento?

Aqui, o mérito é dos circuitos de controle. Ao receberem dados dos sensores presentes no corpo do drone, esses circuitos conseguem ter uma "visão" da situação e mudar a rotação dos rotores para compensar a ação de forças externas. 

Qual é a velocidade máxima de um drone?

Isso, claro, varia de acordo com o tipo de drone. Modelos "de brinquedo" podem voar a cerca de 20 km/h, enquanto variações para uso profissional podem passar dos 60 km/h. Há ainda drones de competição, com recorde de velocidade, segundo o Livro Guinness dos Recordes, de 263,12 km/h, alcançado em 2017. 

Drones podem sofrer interferência?

Como os drones usam ondas de rádio para se comunicar com o controle em terra, eles estão sujeitos sim a interferências de origem eletromagnética. Elas podem partir de outros equipamentos que operam em frequência parecida ou de estruturas como linhas de alta tensão. As interferências podem dificultar o controle do drone e até interromper a comunicação por completo.

Via Tilt/UOL - Fontes: Fábio Raia, professor de engenharia elétrica e engenharia mecânica da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Murilo Zanini de Carvalho, professor de engenharia da computação do Instituto Mauá de Tecnologia.

sábado, 7 de março de 2026

Brasil ultrapassa a marca de 130.000 drones registrados

O Brasil alcançou 133.000 drones registrados na Agência Nacional de Aviação Civil até fevereiro.

Base cadastrada na ANAC cresce de 16.500 em 2017 para 133.000 em 2026 (Divulgação)
O Brasil alcançou 133.000 drones registrados no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (Sisant) até fevereiro deste ano, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

O avanço ocorre dentro de um ambiente regulatório estruturado desde 2017, quando entrou em vigor o regulamento que instituiu o cadastro obrigatório e organizou juridicamente as operações civis de drones no Brasil.

Evolução dos registros


Em 2017, o país registrava cerca de 16.500 drones cadastrados. Em 2022, o volume alcançou 93.729 registros, crescimento acumulado superior a 460% em cinco anos.

A expansão manteve ritmo elevado nos últimos ciclos. Entre 2024 e 2025, o número de drones registrados avançou acima de 20% ao ano. No mesmo período, os pedidos de autorização de voo cresceram mais de 25%, indicando não apenas ampliação do parque registrado, mas também maior frequência de operações no espaço aéreo brasileiro.

Composição do mercado


Em 2022, os drones de uso profissional somavam 40.823 unidades, equivalentes a aproximadamente 44% do total registrado, enquanto 52.906 eram destinados a uso recreativo.

O dado demonstra mudança estrutural no perfil do setor, que deixou de ter predominância recreativa para ampliar participação em atividades empresariais e governamentais.

O crescimento dos drones profissionais está associado à expansão de aplicações como pulverização aérea e agricultura de precisão no agronegócio, inspeções industriais, monitoramento de infraestrutura, energia, segurança pública, mapeamento técnico e produção audiovisual.

O aumento expressivo das importações em 2024, tanto em valor quanto em volume, reforça a expansão da demanda doméstica por sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (RPAS), sensores embarcados e soluções integradas.

Impacto econômico


A expansão do mercado de drones gera efeitos indiretos em cadeias como importação e distribuição de equipamentos, manutenção técnica, capacitação de operadores, desenvolvimento de softwares e integração com tecnologias como inteligência artificial e conectividade 5G.

O avanço também acompanha a digitalização de serviços públicos e a agenda de cidades inteligentes, ampliando o uso de aeronaves não tripuladas em atividades de monitoramento urbano, fiscalização ambiental e gestão territorial.

Ambiente regulatório e atualização normativa


O modelo brasileiro opera com divisão de competências entre órgãos responsáveis por registro, controle do espaço aéreo, homologação de equipamentos e regulação agrícola, criando estrutura institucional para operações civis.

Em 2025, foi aberta consulta pública para atualização do marco regulatório, propondo abordagem baseada em risco operacional e desempenho, alinhada a práticas internacionais. A revisão normativa busca adequar a regulação à complexidade crescente das operações e à diversificação tecnológica do setor.

Por Marcel Cardoso (AERO Magazine)

Guerra no Oriente Médio: qual o poder bélico aéreo de Irã, EUA e Israel?

Caça F-35 dos EUA sobrevoa navio
(
Imagem: Dane Wiedmann/Navy Office of Information/U.S. Navy)
Os ataques de Estados Unidos e Israel neste fim de semana foram feitos massivamente por meio aéreo contra um adversário, o Irã, com poder bélico limitado nesse setor.

Irã e Israel possuem uma ampla frota de caças multimissão, inclusive para lançamento de bombas e ataques a alvos no solo. Mesmo tendo destaque em rankings mundiais, os dois países não estão nem próximos do poder dos EUA.

Veja quais os modelos de ataque aéreo estão sendo utilizados no Oriente Médio. Na sequência, conheça um pouco do poder aéreo norte-americano, que detém 25% de toda frota militar do mundo, com 13.033 aeronaves, incluindo caças, aviões de reabastecimento, cargueiros, aeronaves de ataque entre outras. Como comparação, em segundo lugar vem a Rússia, com 4.237 aeronaves militares ao todo, representando 8% da frota global.

Irã x Israel


Todos os dados da reportagem são da empresa de análises do setor de aviação Cirium, compilados na publicação Flight Global World Air Forces. As aeronaves de ataque estão separadas por modelo/versão, país de origem e quantidade.

Não estão compilados outros tipos de aeronaves, como as de reabastecimento em voo, de guerra eletrônica ou cargueiros e de ataque ao solo, por exemplo.

Caças F-5 do Irã: Modelo está caindo em desuso pelo mundo,
mas ainda é fundamental para o país persa (Imagem: Domínio Público)
Irã (Força Aérea da República Islâmica do Irã)
  • F-4 (fabricado no Estados Unidos): 65 unidades
  • F-5 (Estados Unidos): 35 unidades
  • F-7 (China): 17 unidades
  • F-14 (Estados Unidos): 41 unidades
  • MiG-29 (União Soviética/Rússia): 18 unidades
  • Mirage (França): 12 unidades
  • Su-24 (Rússia): 21 unidades
Irã (Guarda Revolucionária Islâmica)
  • Su-22 (Rússia): 9 unidades
Israel (Força Aérea e Espacial de Israel)
  • F-15 (Estados Unidos): 66 unidades
  • F-16 (Estados Unidos): 173 unidades
  • F-35 (Estados Unidos): 45 unidades
Caças F-35 israelense voam em formação exibindo a bandeira de Israel e dos EUA (Imagem: Força Aérea dos EUA)
Embora Israel tenha uma menor variedades de aviões de combate (três apenas), sua frota é maior que a do Irã, com 284 unidades. Já o país persa possui mais modelos (oito ao todo), mas menos unidades que o vizinho: 218.

Essa é uma comparação bem injusta em um certo ponto, pois não é apenas a quantidade que deve ser levada em conta, mas a disponibilidade para uso de cada um. A idade e tecnologia das aeronaves também deve ser levada em consideração. Nestes dois casos, o Irã também está em desvantagem, pois, com os embargos que o país sofre, não consegue ter acesso a caças mais modernos, e os que estão em atividade em seu território tendem a ter menos disponibilidade para uso, já que não possuem peças para manutenção na maioria das vezes.

Já falamos mais sobre esta questão aqui.

EUA: Maior quantidade


Ao levar em consideração apenas a frota de caças F-16 dos EUA, há mais caças do tipo na Força Aérea dos EUA do que todos os outros aviões de ataque de EUA e Israel somados: 691 exemplares. Esses, entretanto, ficam em solo americano, e não costumam deixar os EUA a não ser para ficarem em bases mundo afora.

F/A-18 operando em um porta-aviões (Imagem: US Navy)
Veja o poder aéreo global dos EUA:

Força Aérea dos EUA
  • F-15: 320 unidades
  • F-16: 691 unidades
  • F-22: 177 unidades
  • F-35: 305 unidades
Marinha dos EUA
  • F/A-18: 471 unidades
  • F-35C: 55 unidades
Corpo de fuzileiros Navais dos EUA
  • AV-8B (avião de ataque em parceria com Reino Unido): 78 unidades
  • F/A-18: 132 unidades
  • F-35: 137 unidades

Porta-aviões


Os EUA enviaram dois porta-aviões para a região. Cada um tem capacidade para até cerca de 70 aeronaves, que incluem os caças, entre outras.

São essas plataformas que estão na retaguarda dos ataques aéreos originados dos EUA. O país ainda conta com bombardeiros de longo alcance, como o B-2 Spirit, usado nos ataques de 2025 ao Irã.

As bases militares dos EUA que circundam o Irã também contam com outros tipos de aeronaves que podem ser usadas na ofensiva ao país persa. Entre elas estão, principalmente, helicópteros de transporte e de ataque.

Drones mudam o cenário


Uma tendência na guerra aérea atualmente é o uso de drones, veículos aéreo de combate não tripulados. Eles possuem baixo custo de operação em comparação com aviões tradicionais, como os caças. Alguns deles também são usados como armamentos em missões camicases, ou seja, sendo jogados contra alvos e explodindo junto a eles (não devem ser confundidos com drones disparadores de mísseis, lançadores de bombas ou de reconhecimento, que são fabricados para retornar à origem).

Entre os principais modelos do Irã se destacam:
  • Mohajer-6
  • Shahed-136
  • Kaman-22
  • Arash-2
  • Meraj-532
Alguns podem ser usados para transportar mísseis e bombas, mas, principalmente, há modelos camicases, que já vêm sendo usados nos ataques deste fim de semana.

É fato que os drones do Irã não possuem a tecnologia dos drones dos EUA, que trabalham fortemente para produzir aeronaves para ataques em diversas regiões e com o intuito de exportação para outros países. Devido ao isolamento do Irã, o acesso a novos produtos, sensores e armamentos se torna escasso, tornando a produção doméstica deste tipo de armamento com foco na técnica de enxame, ou seja, enviar a maior quantidade possível deles para o ataque.

Entre os principais modelos de Israel, se destacam:
  • Heron 1
  • Hermes 450
  • Hermes 900
  • Harop
Os Estados Unidos também mantêm uma série de drones do tipo que, inclusive, já foram usados na região, como:
  • MQ-9 Reaper
  • MQ-1C Gray Eagle
  • RQ-170 Sentinel
O uso ostensivo deste tipo de aeronaves tem moldado os conflitos atuais e tende a se tornar padrão em combates nos próximos anos.

Lucas ao ataque


Militar prepara o drone Lucas, baseado no iraniano Shahed-136, a bordo do USS Santa Barbara
em dezembro de 2025 (Imagem: Michael Smith/via Departamento de Defesa dos EUA)
Logo nos primeiros ataques, os EUA usaram munições e armamentos disparados do ar, terra e do mar, mas admitiram o uso de um modelo de drone nos ataques contra o Irã. Batizado de Lucas, seu nome é um acrônimo de Low-cost Unmanned Combat Attack System, ou sistema de combate não tripulado de ataque de baixo custo.

O Comando Central militar dos Estados unidos divulgou que essa foi a primeira vez que a força-tarefa de ataque Scorpion utilizou drones camicases durante uma operação. Segundo a nota, os drones de baixo custo de fabricação, estão agora servindo uma retaliação "fabricada na América" contra os iranianos.

Os militares norte-americanos destacam que esse drone foi fabricado a partir do Shahed-136, feito no Irã, e que já vinha sendo testado desde ao menos o fim de 2025.

Drone Lucas, baseado no iraniano Shahed-136, é disparado a partir do USS Santa Barbara
em dezembro de 2025 (Imagem: Kayla McGuire/Exército dos EUA)
Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

História: O drone enlouquecido - Quando a tecnologia falha


Nesses tempos em que o uso de drones cresce exponencialmente, vale a pena relembrar um fato ocorrido em 1956 e que por pouco não se transformou em tragédia.

Já naquela época, os americanos vinham usando aviões antigos, controlados remotamente, para servirem de alvo em treinamentos.

Em 16 de agosto daquele ano, um avião Grumman F6F-5K Hellcat, tecnologia da época da 2ª Guerra Mundial, sem piloto, decolou de uma pista próxima a Los Angeles; a ideia era que o avião voasse sobre o Pacífico onde serviria de alvo para canhões e foguetes de navios da marinha.

Mas o Hellcat, pintado de vermelho brilhante para evitar erros dos artilheiros, tinha outras ideias: escapou do controle de seus operadores e passou a voar em direção a Los Angeles.

Em linguagem militar, “tocou terror”: o drone poderia cair em área povoada e causar uma tragédia. Para abater o Hellcat, foram despachados o que havia de mais recente em termos de tecnologia de caça: dois F-89D Scorpion, da Força Aérea, cada um armado com 104 mísseis guiados por computador.

O drone seguia uma rota errática: voou sobre Los Angeles e outras cidades da região; os pilotos dos Scorpions precisavam esperar que ele voasse sobre uma zona deserta ou sobre o mar para abate-lo sem causar danos às pessoas no solo.

Finalmente tiveram uma chance: tentaram disparar os mísseis usando os computadores e… nada – o sistema não funcionou! Resolveram então dispara-los usando um sistema manual, mas algum gênio havia decidido que computadores eram o futuro e não seria preciso equipar o F-89D com um sistema de mira convencional. O jeito foi apontar o avião para o alvo, puxar o gatilho e rezar para acertar. Não adiantou; os pilotos dispararam todos os 208 mísseis, não acertaram nenhum e o Hellcat seguia voando.

Próximo do aeroporto de Palmdale, o combustível do drone acabou e ele caiu em uma área deserta. O Hellcat não causou nenhum dano, mas com os 208 mísseis a história foi outra: provocaram um incêndio florestal que precisou de dois dias e 500 bombeiros para ser extinto. Destruiriam depósitos de combustível e um caminhão, além de danificarem casas e automóveis. Felizmente ninguém morreu ou ficou ferido seriamente.

Para a Força Aérea, foi um mega vexame: dois caças a jato de última geração não conseguiram destruir um avião antigo, movido a hélice e sem piloto. Certamente algumas cabeças rolaram…

Via Vivaldo José Breternitz (Jornal Tribuna)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Aeroporto de Guarulhos tem pelo menos 32 pousos e decolagens afetados após drones perto da pista; entenda

No momento, o aeroporto opera normalmente, de acordo com a empresa. Passageiros tiveram transtornos e reclamaram.


O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, "teve suspensos os pousos e decolagens na tarde deste domingo (15) devido à presença de drones nas proximidades do sítio aeroportuário", de acordo com a concessionária GRU Airport. A empresa não detalhou em que horários ocorreram as suspensões. Passageiros tiveram transtornos e reclamaram.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que registrou o fechamento do Aeroporto Internacional de Guarulhos por três horas, por conta de voos de drones nas proximidades do aeródromo. Como consequência, houve 32 voos alternados – direcionados para outros aeroportos – e oito voos cancelados.


Segundo a concessionária GRU Airport, as autoridades competentes foram acionadas imediatamente e, no momento, o aeroporto opera normalmente.

A GOL informou em nota que devido ao fechamento temporário da pista do Aeroporto de Guarulhos quatro voos que tinham como destino GRU alternaram para outros aeroportos, foram reabastecidos e retornarão para o aeroporto da capital paulista.

A LATAM Airlines Brasil informou que, até às 18h10 de domingo (15/2), 22 voos da companhia com origem ou destino no Aeroporto de Guarulhos foram impactados, após a suspensão temporária das operações de pouso e decolagem devido à presença de drones.

"A companhia repudia e lamenta a situação, totalmente alheia ao seu controle, e reforça que a segurança de seus passageiros e funcionários é prioridade em todas as suas operações. A LATAM está oferecendo toda a assistência necessária aos passageiros afetados, conforme previsto na Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)" , diz a nota.

A Azul informou que, devido à suspensão momentânea das operações de pouso e decolagem no Aeroporto de Guarulhos (SP) os voos AD2774 (Cuiabá-Guarulhos) e AD2940 (Porto Alegre-Guarulhos) precisaram alternar para os aeroportos de Confins (MG) e Viracopos (SP), respectivamente.


Já os voos AD4547 (Guarulhos-Confins), AD4311 (Guarulhos-Santos Dumont) e AD4462 (Santos Dumont-Congonhas), precisaram ser cancelados.

A companhia esclarece que todos os clientes impactados serão reacomodados em outros voos e estão recebendo toda a assistência prevista na Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ressaltando que medidas como essa são necessárias para garantir a segurança de suas operações, valor primordial para a empresa.

Ao menos cinco aviões que seguiam para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, pousaram no aeroporto de São José dos Campos, no interior do estado, na tarde deste domingo (15).

Prática é proibida e traz risco à segurança

A Anac reforça que o uso de drones em áreas próximas a sítios aeroportuários pode causar acidentes e impactar diretamente a operação de voos, inclusive com cancelamentos, prejudicando muitos viajantes.

A Agência alerta ainda que a prática é proibida por lei e, portanto, desrespeitá-la é crime. A Anac pede que a população redobre os cuidados nas áreas de aeroportos e não use esse tipo de equipamento, especialmente, no período do carnaval, quando há aumento de viagens aéreas no Brasil.

Via Leonardo Pinheiro, TV Globo — São Paulo e Canal SBGR LIVE

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Qual a diferença entre quadricóptero, drone e carro voador?

(Imagem: Divulgação/ Embraer)
Com a chegada dos eVTOLs (veículos elétricos com decolagem vertical) ao mercado, muitos questionamentos surgem sobre semelhanças desse tipo de veículo com drones e quadricópteros. Em nossas publicações aqui no Canaltech, é muito comum os leitores perguntarem porque utilizamos o termo "carros voadores", citando, até mesmo, a descrição do que é um carro em dicionários.

Por mais complicado que possa parecer, as diferenças entre drones, quadricópteros e os carros voadores é bem simples e de fácil entendimento, mesmo que, para isso, tenhamos que esbarrar um pouco em questões de regulações e certificações das autoridades.

Basicamente, um eVTOL, o que costumeiramente chamamos de um carro voador, é um veículo elétrico que decola e pousa verticalmente e é capaz de levar passageiros. Os modelos atualmente em testes, como o Eve, da Embraer, podem se controlados tanto por um piloto quanto remotamente e serão, com certeza, utilizados para transporte de carga e, claro, para táxis-aéreos urbanos.

O carro voador da Embraer, ou eVTOL, está em testes (Imagem: Embraer)
Não chamá-los de drones nem de quadricópteros acontece porque, simplesmente, existem muitas diferenças — e algumas semelhanças. Os drones são o que chamamos de VANTs (veículos aéreos não-tripulados), que receberam tal certificação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para operarem em certas circunstâncias, em sua grande maioria para recreação, como já acontecia com os aeromodelos.

Com a evolução da tecnologia desses produtos, hoje eles são capazes até de levar carga, são utilizados em missões de segurança urbana, guerra e outras atividades. Justamente por não necessitarem de uma pessoa a bordo, já que seu comando é totalmente automatizado, podendo ser feito a quilômetros de distância e com uma conexão simples. O formato dos drones pode variar muito, com eles sendo equipados por dois, três, quatro, seis e até 10 rotores, que serão responsáveis por seus comandos e movimentos.

Drone com formato de avião (Imagem: Envato)
Obviamente, todo e qualquer objeto voador com quatro rotores será chamado de quadricóptero, não necessariamente sendo um drone ou helicóptero. Existem modelos de aeronaves com quatro rotores e, em alguns protótipos de eVTOLs, há aqueles que optam por apenas quatro asas rotativas — e não hélices.

Já quando falamos dos eVTOLs, ou carros voadores, tudo ainda está bem no começo. O termo "carro voador" é muito utilizado na imprensa especializada e até por técnicos e fabricantes porque não há, de fato, uma certificação única para este veículo, que, é bom repetir, está em período de testes em várias partes do mundo. E por mais que esses modelos não possuam, necessariamente, a função de um automóvel enquanto no chão, a possibilidade de levar passageiros com o conforto de um carro de passeio torna a comparação e a nomenclatura plausíveis.

Além disso, o setor automotivo caminha para a eletrificação total, com diversas montadoras avisando que não farão mais motores a combustão. Essas empresas também estão diretamente ligadas a projetos de eVTOLs, como a Hyundai, que já anunciou parceria com a Uber para a criação de um táxi voador. É bom dizer, também, que todos os eVTOLs serão elétricos ou, ao menos, movidos com fontes renováveis de energia, sempre sem emissão de CO².

Drone com formato mais "padrão" (Imagem: S. Hermann & F. Richter)
Quando os eVTOLs forem popularizados e receberem as devidas certificações de operação, saberemos se continuaremos chamando-os de carros voadores ou se será criado outro termo para eles. Até lá, é importante notar a semelhança que esses veículos possuem com os carros e como eles nos ajudarão na mobilidade urbana do futuro.

Para quem viveu nos anos 1990 e lembra dos comentários de como seria o futuro dos carros, vai se recordar de que, quase sempre, a expressão "carro voador" era usada com frequência. Agora que eles chegaram, vamos parar de falar assim? O futuro chegou e os carros voadores também.

Por Felipe Ribeiro e Jones Oliveira (Canaltech)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Como o Exército dos EUA implanta seus drones de reconhecimento avançado


As forças terrestres dos EUA entram nos campos de batalha com uma vantagem única: os melhores veículos aéreos não tripulados (UAVs) do mundo . Eles lideraram o caminho desde que implantaram o GNAT 750 pela primeira vez na Bósnia e Herzegovina em 1993. A Operação Enduring Freedom e a Operação Iraqi Freedom revelaram o verdadeiro potencial desses drones, voando mais de 100.000 horas de voo somente em 2005. Eles apoiaram as forças terrestres por meio de missões de reconhecimento e ataque ao solo.

Um engenheiro carrega um míssil Hellfire em um drone Predator
(Foto: Serviço de Distribuição de Informações Visuais de Defesa)
Nos últimos vinte anos, os UAVs se desenvolveram mais rápido do que a maioria das outras áreas das forças armadas dos EUA. Seu papel se desenvolveu e se expandiu além das tarefas de inteligência e vigilância para ataques de precisão, retransmissões de comunicações e ataques eletrônicos.

Como um emigrante israelense transformou a guerra de drones dos EUA


O drone icônico que definiu o padrão para o que esperamos dos UAVs é o General Atomic MQ-1 Predator. Tudo começou como um projeto de garagem do emigrante israelense Abraham Karem, que desenvolveu um drone pequeno e de alta resistência chamado Albatross em 1983. O drone se desenvolveu no primeiro drone digno de produção da Karem - o GNAT 750 - cinco anos depois.

O potencial inovador da aeronave de Karem logo alcançou os círculos militares, e a General Atomics, uma corporação de defesa com sede em San Diego, Califórnia, adquiriu a empresa de Karem. Logo depois, a CIA começou a implantar o GNAT 750 na Bósnia e Herzegovina, seguido por seu sucessor em 1995, o RQ-1 Predator.

O Predator foi inicialmente planejado como um interino enquanto a Força Aérea lidava com uma escassez de aeronaves de reconhecimento. No entanto, seu link de vídeo via satélite ao vivo eliminou a necessidade de vigilância por aeronaves tripuladas, e o desenvolvimento foi entregue ao Aeronautical Systems Group.

Desenvolvendo o Predador


Apelidado de "Big Safari", esse grupo de trabalho adicionou um designador de laser ao Predator para auxiliar com armas guiadas lançadas por outras aeronaves. Eles então deram ao Predator o potencial de disparar mísseis guiados a laser AGM-114 Hellfire em 2000 para enfrentar a crescente ameaça do grupo terrorista Al Qaeda de Osama Bin Laden.

O míssil Hellfire permitiu que o Predator atingisse seu potencial aterrorizante total. A 15.000 pés (4.600 metros), invisível para aqueles no solo, ele poderia permanecer no ar por até 40 horas. Sentado sobre seu alvo por várias horas, os operadores poderiam selecionar cuidadosamente o momento oportuno e liberar o míssil. Enquanto o estreito raio de explosão do Hellfire minimizava o risco de baixas civis, sua poderosa ogiva destruidora de tanques era capaz de destruir a maioria dos alvos terroristas.

O Hellfire foi uma mudança de jogo. Anteriormente, jatos rápidos mergulhavam em pontos críticos terroristas, geralmente entre populações civis, e lançavam munições pesadas. O Predator mostrou como os UAVs poderiam oferecer uma opção mais cirúrgica.

Um AGM-114 Hellfire e quatro foguetes Hydra 70 M261 em exposição na RIAT2007
 (Foto: Usuário:Dammit/Wikimedia Commons)
O Predator tinha desvantagens. Implantações no Iraque, Síria e Kosovo mostraram que ele era vulnerável a aeronaves inimigas e sistemas de defesa aérea. Uma tentativa em 2002 de armar um Predator com mísseis Stinger para engajamento ar-ar para enfrentar os MiG-25s iraquianos terminou em humilhação. Além disso, os sistemas rudimentares de navegação GPS e link de dados dos Predators eram vulneráveis ​​à medida que os sistemas de interferência se desenvolviam.

Especificações do Predator MQ-1
  • Alcance: 675 NM (1250 km)
  • Velocidade de cruzeiro: 70 nós
  • Teto: 25.000 pés (7.620 m)
  • Carga útil: 450 libras (512 kg)
  • Envergadura: 55 pés (16,8 m)
  • Comprimento: 27 pés (8,22 m)
  • Altura: 2,1 m (7 pés)

Como os UAVs dos EUA são usados ​​hoje


O Predator foi aposentado em março de 2018, mas seu serviço continua a informar a doutrina de guerra de drones dos EUA. As principais funções dessas aeronaves são inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), apoio aéreo aproximado (CAS) e retransmissão de comunicações.


As missões ISR eram anteriormente realizadas por MQ-1s, carregando uma carga útil de vigilância de 450 lb (200 kg), incluindo duas câmeras eletro-ópticas e uma câmera infravermelha. Os sucessores do MQ-1 incluíram o MQ-9 Reaper e o RQ-4 Global Hawk, apresentando sensores ISR aprimorados e a capacidade de voar em altitudes mais elevadas. As capacidades ISR dessas aeronaves fizeram com que fossem adquiridas em taxas cada vez maiores, à medida que os militares dos EUA retiravam suas capacidades tripuladas e terrestres em todo o mundo.

Os drones dos EUA têm realizado missões CAS desde o primeiro uso de uma missão Hellfire em fevereiro de 2001, mais notavelmente no Iraque e no Afeganistão. As capacidades do case do MQ-1 foram atualizadas por meio do MQ-1C Gray Eagle e do MQ-9 Reaper. Essas aeronaves usam a fuselagem do MQ-1, mas têm maior potência do motor para implantar um armamento mais temível.

Um MQ-9 Reaper na linha de voo na Base Aérea de Creech, Nevada, em 17 de dezembro de 2019
 (Foto: Serviço de Distribuição de Informações Visuais de Defesa)
Finalmente, drones de reconhecimento provaram ser particularmente eficazes como um retransmissor de comunicações quando forças terrestres lutavam com terrenos montanhosos. A Operação Enduring Freedom no Afeganistão lutou particularmente com terrenos irregulares. O RQ-4 Global Hawk e o Bombardier Global XRS/6000 tripulado foram particularmente eficazes devido às suas capacidades de alta altitude e resistência.

O Departamento de Defesa dos EUA está desenvolvendo drones avançados para a próxima geração de guerra aérea não tripulada. Eles preveem que as funções desses drones avançados se expandam para incluir reabastecimento aéreo, combate ar-ar, bombardeio estratégico, gerenciamento de batalha e comando e controle (BMC2) e guerra eletrônica (EW). Aeronaves opcionalmente tripuladas desempenharão muitas dessas funções, incluindo o B-21 Raider da Northrop Grumman, um bombardeiro estratégico atualmente em desenvolvimento, ou seu drone Loyal Wingman tripulado.

Um B-21 Raider é revelado com uma bandeira dos EUA ao fundo
(Foto: Serviço de Distribuição de Informações Visuais de Defesa)

Lições da Ucrânia


Os drones dos EUA são altamente avançados, mas vêm com um preço alto. Os drones Predator custam à Força Aérea aproximadamente US$ 20 milhões por sistema (quatro aeronaves com sensores, uma estação de controle terrestre e um link de satélite). A guerra Russo-Ucrânia mostrou um caminho diferente para a guerra de drones por meio da proliferação de drones com visão em primeira pessoa (FPV).

A Ucrânia é o primeiro país do mundo a desenvolver um ramo militar dedicado à 'força de drones', as Forças de Sistemas Não Tripulados, e tem usado esses drones efetivamente em sua luta contra a Rússia. Lançou um segundo ataque de drones de longo alcance em Moscou no domingo (após um ataque de drones semelhante em setembro). Este último é relatado como o maior ataque de drones ucraniano em Moscou. O ataque forçou 36 voos a serem desviados de três dos principais aeroportos de Moscou. 

A Ucrânia tem mirado infraestrutura crítica russa, incluindo refinarias de petróleo, campos de aviação, estações de radar de alerta antecipado estratégico e bases de armazenamento de munição com algum sucesso. As guerras de drones funcionam nos dois sentidos. A Rússia lançou 145 drones contra a Ucrânia neste fim de semana, dos quais a Ucrânia disse ter derrubado 62. A Rússia também tem implantado drones para coleta de inteligência no conflito. Para lidar com essa ameaça, a Besomar desenvolveu um caçador de drones chamado "interceptador kamikaze" para a força de drones ucraniana

Os drones FPV geralmente custam entre US$ 300 e US$ 500 e foram produzidos em milhões. Nos primeiros dois meses de 2024, a indústria de defesa ucraniana produziu 200.000 drones FPV. Os drones FPV provaram ser eficazes em observar um alvo por horas, especialmente para alvos de artilharia. Os membros da unidade podem pilotar esses drones em vez de depender de equipes externas. Eles também são baratos o suficiente para serem convertidos em bombas voadoras.

Um Boina Verde opera um drone FPV
(Foto: Serviço de Distribuição de Informações Visuais de Defesa)
O Exército dos EUA já está considerando como pode adicionar drones FPV ao seu armamento. O tenente-coronel Michael Brabner, gerente de aquisição de drones pequenos do Exército dos EUA, disse à Defense One que estava "buscando-os agressivamente". Ele pretende colocar FPVs em campo com unidades regulares até 2026, descrevendo-os como uma "ferramenta múltipla em termos de letalidade naquele pequeno nível tático ou de pelotão" .

Independentemente dos avanços feitos em drones FPV, investimentos substanciais da força aérea para os EUA e seus parceiros continuarão a ir para drones que só se tornarão mais caros à medida que suas capacidades ar-ar forem aumentadas. Aeronaves opcionalmente tripuladas estão atualmente liderando o caminho para o desenvolvimento, incluindo o Tempest/GCAP, que é planejado para dar às forças aéreas capacidades tripuladas e não tripuladas.

Com informações do Simple Flying