segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Aconteceu em 15 de novembro: Desaparece Sacadura Cabral

Em 1942, desaparecia, no Mar do Norte, o aviador português Sacadura Cabral

Artur de Freire Sacadura Cabral, aviador, desapareceu no Mar do Norte, a 15 de Novembro de 1924, quando voava em direcção a Lisboa. Dois anos antes, tinha sido o primeiro, juntamente com Gago Coutinho, a atravessar o Atlântico Sul de avião, numa viagem entre Lisboa e o Rio de Janeiro.

Sacadura Cabral sempre quis ser aviador, mas antes de seguir os seus sonhos, tratou da família. Quem o conta é Helena Sacadura Cabral, sobrinha do navegador e mãe dos políticos Miguel e Paulo Portas: “O meu avô morreu quando os filhos ainda não eram adultos e o Artur, que era o mais velho, substituiu o pai de família. Foi para África, porque entendeu que lá ganhava mais dinheiro, e só voltou para ir tirar o brevet depois de ter casado as irmãs”.

Helena Sacadura Cabral não tem dúvidas de que foi a determinação do tio que o tornou num dos grandes pioneiros da aviação. Esta determinação, ou teimosia, foi, aliás, algo que herdou do tio. “Lembro-me do meu pai, quando eu teimava em certas coisas, dizia com muita frequência, que eu tinha a quem sair. Julgo que era justamente porque teria parecenças com o meu tio Artur”, confessa, mas acrescenta logo que o tio “foi bastante mais teimoso”.

Para perceber esta teimosia, basta olhar para a conhecida viagem sobre o Atlântico Sul: ela não foi feita de uma vez e desde a partida de Lisboa até à chegada ao Rio de Janeiro passaram 79 dias, com muitos problemas técnicos pelo meio e muitas possibilidades de voltar atrás. Logo depois de atravessarem o Atlântico, por exemplo, o hidroavião em que seguiam ficou sem um dos flutuadores e foi preciso Portugal enviar outro para que a viagem prosseguisse. Ao todo, foram precisos três aviões para completar o percurso - o Lusitânia, o Pátria e o Santa Cruz. Sem contar com as paragens, a travessia demorou 62 horas de voo.

Sacadura Cabral pilotou o avião, sob a orientação de Gago Coutinho, que experimentava um novo sistema de navegação aérea com recurso a um horizonte artificial adaptado a um sextante.

Os dois conheceram-se em África, antes da Primeira Guerra Mundial, e onde se destacaram como geógrafos e hidrógrafos - nessa altura, nenhum deles sabia ainda pilotar um avião. Gago Coutinho contava que os nativos se maravilharam com a orientação deles - diziam que "os brancos nunca se perdiam porque perguntavam a Deus onde estavam". Na verdade, o que os navegadores faziam era observar as estrelas.

Foi em terras africanas que nasceu o sonho de atravessar o Atlântico de avião e recorrendo a métodos de navegação até aí utilizados no mar. Quando rebentou a Guerra, vieram os dois para Lisboa e, entretanto, deram os primeiros passos na aviação. Em 1918, Sacadura Cabral torna-se Director dos Serviços de Aviação Marítima e Comandante da Esquadrilha da Base Aérea Naval de Lisboa.

O aviador-sonhador sabia que a travessia do Atlântico não ia ser fácil. Na véspera da partida para o Brasil, Sacadura Cabral escreveu uma carta para os jornais onde descreveu a "batalha" que iria travar nos meses seguintes: "Qualquer viagem é um ponto de interrogação e muito mais esta, que apresenta numerosas dificuldades. A viagem é possível, mas para isso é preciso que tudo corra normalmente ou, se assim o quiserem, que o Padre Eterno se conserve ´pelo menos´ neutral no pleito que se vai travar entre nós e os elementos. Façamos votos por que assim aconteça, mas não cantemos vitória antes de tempo porque... ele nem sempre está de bom humor."

A 30 de Março de 1922, os dois aviadores partiram de Lisboa. Chegaram ao Rio de Janeiro dois meses e meio mais tarde, no dia 17 de Junho. Foram recebidos como heróis.

Dois anos depois, um dos pioneiros da aviação portuguesa desapareceu, enquanto voava sobre o Mar do Norte. Tinha partido de Amesterdão em direcção a Lisboa num avião que queria usar para chegar à Índia. Não chegou. Em terra, ficou uma noiva que ainda durante muitos anos apareceu nas missas em memória dele vestida de branco.

Fonte: Rádio Renascença - Editado por Teresa Abecasis (Portugal) - Foto: cvc.instituto-camoes.pt

Panair resiste na memória e na Justiça

Ex-funcionários da aérea mantêm encontros anuais e ainda buscam indenização

Mais de 45 anos depois do fim das operações da Panair do Brasil, uma das maiores companhias aéreas que o País já teve, a história da empresa continua sendo escrita por parte dos cinco mil funcionários que empregava. Anualmente, ex-comissários, ex-pilotos e familiares reúnem-se em um almoço no Clube da Aeronáutica, às margens da Baía de Guanabara, no Rio.

Longe de apenas criar ocasiões para relembrar fatos marcantes da Panair, o movimento tem força política. A empresa conseguiu manter viva na Justiça a busca de indenização da União pelo confisco de ativos que detinha em aeroportos do Norte e Nordeste. Depois de se arrastarem por anos, os processos agora chegam a uma etapa decisiva e uma definição da Justiça é esperada em até seis meses, diz a empresa, que existe até hoje como pessoa jurídica.

Além do ressarcimento, o presidente da companhia, Rodolfo da Rocha Miranda, cobra uma retratação formal da União pelo fechamento abrupto da empresa no governo militar. "É preciso que se reconheça que pessoas jurídicas também foram perseguidas pela ditadura. Essa história não se encerra enquanto não se revelar a verdade sobre os fatos", defende.

Rodolfo é filho de Celso da Rocha Miranda, que controlava a companhia ao lado do empresário Mário Wallace Simonsen. Segundo Daniel Sasaki, autor do livro Pouso Forçado, sobre o fim da Panair, o motivo da cassação da concessão da empresa foi a ligação de seus controladores com Juscelino Kubitschek.

"Os militares achavam que eles iriam financiar a campanha de Juscelino em 1965, já que Castelo Branco assumiu o poder dizendo que um ano depois o devolveria aos civis", acredita.

O argumento usado pelo governo de que a empresa enfrentava graves problemas financeiros é contestado por Sasaki. "A Panair não tinha dívidas em protesto. A empresa tinha patrimônio que superava o seu passivo, e os funcionários eram pagos em dia", explica. "O juiz transformou a concordata em falência sem que o credor pedisse."

Último voo. O dia em que a Panair foi impedida de voar ficou marcado na memória de ex-funcionários. "Foi uma tragédia", resume Lucas Monteiro de Barros Bastos, 86, que acumulava as funções de comandante e diretor da oficina de manutenção de motores da Panair em Petrópolis (RJ), que pertence hoje à GE.

"Recebi um comunicado da Panair dizendo que o governo tinha cassado nosso avião DC-8 que deveria decolar para a Europa e colocado um Boeing da Varig para substituí-lo. Não pude acreditar até chegar à Celma e encontrar o 1º Batalhão de Caçadores ocupando a empresa", conta. Com a cassação da concessão da Panair pelo governo, os rotas internacionais foram imediatamente assumidas pela Varig e as domésticas pela concorrente Cruzeiro.

Os encontros anuais dos ex-funcionários trazem à tona uma época em que voar era privilégio de poucos e as profissões de comissários e pilotos eram vistas como glamourosas. Nas conversas, o orgulho de ter trabalhado em uma empresa que voava para diversos destinos na Europa e na Ásia não é escondido.

No último encontro, que reuniu cerca de 200 pessoas no fim de outubro, o piloto Georg Bungner, 91, era apresentado em um dos grupos como o comandante que trouxe de volta as seleções campeãs de 1958 e 1962. "Fui escolhido por João Havelange, que fora meu colega de natação - ele no Fluminense e eu no Flamengo", conta, orgulhoso. "Eles vieram alegres, mas não extrapolaram. Em 1958, o destaque era o Pelé, embora fosse o mais quieto", diz.

Relembrando fatos entre uma mesa e outra, a ex-comissária Carola Gudin, 73, é repreendida por um senhor que passa. "Uma comissária deveria saber que corredor não é lugar para ficar parado", brinca. "Comissária é de Justiça. Eu fui aeromoça", corrige Carola. Casada com um ex-comandante da companhia, ela conta que estava prestes a sair de casa para tomar um voo para a Europa quando soube do fechamento da empresa pelo Repórter Esso. "Naquela hora, não acreditei."

Fonte: Glauber Gonçalves (O Estado de S.Paulo)

Avião retorna ao aeroporto por causa de pássaro

O atraso em um dos voos da companhia aérea Puma Air causou indignação em passageiros, na manhã de ontem (14), no Aeroporto Internacional de Belém. O tumulto aconteceu devido a espera, por mais de cinco horas, para embarcar.

O motivo teria sido o voo das 6h25, com destino a Macapá-AP. Segundo informações de passageiros, um pássaro entrou em uma das turbinas do Boeing 737-300 e este teve de retornar ao aeroporto de Belém por volta das 7h30.

“Estou com o meu filho doente em Macapá, precisando de mim”, disse a aposentada Carmita Araújo, 66 anos. Segundo um passageiro que não quis se identificar, depois do retorno da aeronave a Belém, a Puma Air prometeu conduzir os passageiros para o voo das 10h, em outra companhia aérea, no entanto até as 11h30 nada tinha sido feito.

No Aeroporto Internacional, funcionários da companhia não quiseram falar sobre o assunto.

Fonte: Diário do Pará

Fumaça faz Boeing 747 da Qantas retornar a aeroporto na Austrália

Uma falha elétrica gerou fumaça na cabine do Boeing 747-438/ER, prefixo VH-OEI, da Qantas Airways, forçando os pilotos a retornarem a Sydney, na Austrália, de onde a aeronave havia decolado. O incidente, ocorrido hoje (15), foi o mais recente de uma série de problemas enfrentados pela companhia aérea desde que a explosão do motor de um superjumbo desencadeou um temor em relação à segurança das viagens.

A fumaça no Boeing 747 não está relacionada com o episódio do superjumbo, mas esta foi a terceira vez que aviões da Qantas tiveram voos abortados por conta de falhas desde a explosão no Airbus A380, no dia 4 de novembro, que levantou preocupações sobre o maior avião de passageiros do mundo.

A companhia aérea informou que o Boeing 747, com 199 passageiros e 21 tripulantes, partiu de Sydney com destino a Buenos Aires, na Argentina (voo QF-17). O avião já estava viajando há uma hora quando uma fumaça começou a invadir a cabine a partir de um painel de instrumentos. Os pilotos colocaram máscaras de oxigênio e retornaram, despejando combustível sobre o Oceano Pacífico, antes de fazer uma aterrissagem prioritária em Sydney.

A Qantas, que se orgulha de seu histórico de segurança, diz que as três falhas ocorridas desde o dia 4 de novembro foram muito menos graves que os problemas com o A380. A companhia afirmou que os retornos das aeronaves aos aeroportos foram preventivos. As informações são da Associated Press.

Assista a reportagem com imagens feitas dentro do avião:

Fontes: Agência Estado / Aviation Herald / NewsOnABC / Globo News - Foto: Dean Sewell (SMH)