domingo, 12 de julho de 2026

Por que só as portas da esquerda dos aviões são usadas para as pessoas embarcarem?


Se você é viajante aéreo ou apenas gosta de observar o movimento dos aviões por fotos e vídeos, talvez não tenha se dado conta de que, salvo raras exceções, nunca viu algum avião comercial sendo embarcado pelas portas do lado direito da fuselagem. Já notou que as pontes de embarque sempre estão conectadas na lateral esquerda?

E se você estiver pensando que isso talvez ocorra porque os aeroportos são construídos assim, então só restaria aos aviões usar as pontes dessa forma, saiba que não é por isso. Lembre-se que até mesmo quando os passageiros se deslocam a pé ou em ônibus, e assim utilizam escadas para o embarque, tudo continua sendo feito pelo lado esquerdo na grande maioria das operações.

Embarque pela escada na porta esquerda (Foto: flybondi)
Seria uma regra para padronização? Alguma norma relacionada à segurança? Também não. Nada nos regulamentos determina que aviões ou aeroportos devem ser operados de forma que as portas da esquerda sejam utilizadas.

Então, de onde vem essa característica dos aviões de grande porte? Para responder a essa dúvida, precisamos voltar aos primórdios da aviação.

A aviação e a navegação


Mais uma característica que a maioria das pessoas não se dá conta é a de que a aviação tem muitas heranças e influências da navegação marítima. Apenas citando alguns exemplos:
  • os aviões fazem “navegações” aéreas;
  • seu status de aprovação ao voo é chamado de “aeronavegabilidade“;
  • eles possuem “leme” de direção na cauda;
  • eles operam em “aeroportos“
  • o piloto, chamado de comandante em português, é chamado de “capitão” no resto do mundo.
Isso ocorre porque muitos dos primeiros aviões comerciais eram, na verdade, navios com asas, os chamados hidroaviões, ou anfíbios quando preparados para pousar tanto na água quanto em terra. Eles se utilizavam da mesma infraestrutura dos portos, de forma que muitas das nomenclaturas da navegação foram naturalmente absorvidas pela aviação.

Boeing 314 Clipper (Foto: Harris & Ewing/United States Library of Congress)
Mas, não foram somente as nomenclaturas. Características operacionais também. E é exatamente aí que encontramos a origem do uso do lado esquerdo dos aviões para os embarques (Opa! Mais uma palavra da navegação na aviação!).

Os barcos foram, por muito tempo, embarcados e desembarcados pelo lado esquerdo porque eles não possuíam seu leme de direção na parte de trás, como possuem atualmente, mas sim na lateral traseira direita. Como eram operados manualmente, e como a maioria das pessoas que os pilotam era destra, o leme ficava do lado direito.

Barco com leme manual na lateral direita
Inicialmente, isso não era um problema, pois os barcos eram pequenos e seus lemes também, portanto, era possível atracar no porto pela lateral direita. Porém, com o passar do tempo, a tamanho aumentou e os grandes lemes bateriam no porto, fazendo com que todas as atracações passassem a ocorrer pelo lado esquerdo até que a evolução dos navios se encarregasse de passar o dispositivo de controle para a traseira.

Assim, os aviões anfíbios começaram sua história herdando a característica das operações marítimas pela esquerda e, à medida que os aeroportos começaram a ser construídos para receber estes aviões, também absorveram essa particularidade por conta das portas do lado esquerdo.

Este também seria o motivo para os comandantes ocuparem a posição esquerda no cockpit. Sentar do lado esquerdo permitia melhor visibilidade na hora de encostar nos portos e aeroportos, e assim ficou até hoje.

Então, por que existem portas do lado direito?


Mas, se por toda a história os aviões vêm sendo embarcados pela esquerda, por que existem portas do lado direito?

Bom, existem duas características operacionais da atualidade que podem ser consideradas como as principais para justificar a continuidade da existência de portas na direita.

Embarque do serviço de Catering num Jumbo 747 (Foto: Jamesshliu [CC])
Uma delas, como você viu na imagem acima, é o atendimento de solo dos aviões. As portas da direita permitem que todo o serviço de apoio, como limpeza e reabastecimento de alimentos e demais suprimentos, seja efetuado sem interferir no embarque ou desembarque de passageiros, e vice-versa. Isso resulta em mais tempo disponível para cada uma das atividades, ao invés de todas elas precisarem ser intercaladas ao usar as mesmas portas.

A outra característica é a evacuação de emergência. Em situações de acidentes, nem sempre toda a volta da aeronave está livre para que os passageiros saiam de forma rápida. Portanto, portas em ambos os lados garantem maior possibilidade de sempre haver uma via livre para a evacuação.

Matéria publicada originalmente por Murilo Basseto, no site Aeroin

Assista ao vídeo completo com os 'segredos' do A350

Via Canal bjornpilot

Cannoli Voador: Por que o estranho Stipa-Caproni de 1932 quase foi o primeiro jato?


A década de 1930 foi um período de aviação incrível, com muitos designs chamativos e nada convencionais. Um dos mais notáveis ​​foi o italiano Stipa-Caproni – uma aeronave de fuselagem tubular com um motor a pistão no centro. Alguns consideram o Stipa-Caproni uma espécie de protomotor a jato. O Stipa-Caproni foi o produto do engenheiro aeronáutico Luigi Stipi e do fabricante de aviões Caproni. No início da Segunda Guerra Mundial, a Itália possuía algumas das principais aeronaves militares do mundo, mas hoje elas estão praticamente esquecidas.

Aproveitando o efeito Venturi


Stipe havia estudado termodinâmica e estava ciente do efeito Venturi — a redução na pressão de um fluido que ocorre quando um fluido em movimento acelera ao fluir por uma seção estreita (ou estrangulamento) de um tubo. Stipa teorizou que, se a fuselagem de uma aeronave pudesse aproveitar esse efeito, ela poderia oferecer velocidades significativamente maiores do que as aeronaves convencionais da época.


Stipa conduziu experimentos em um túnel de vento e concluiu que um protótipo em escala real poderia ser construído usando uma única fuselagem tubular. Ele também concluiu que o projeto só seria prático em aeronaves maiores.

Stipa-Caproni (Foto: Domínio Público l Picryl)
Na época, o Reino da Itália queria se orgulhar de sua imagem desenvolvendo projetos de aeronaves inovadores e experimentais (também expandia seu império no Mediterrâneo). Na década de 1930, o futuro da aviação ainda era desconhecido. Aviões a jato ainda não voavam e aeroportos comerciais eram raros (razão pela qual a Pan Am utilizava hidroaviões). Helicópteros estavam em estágios iniciais de experimentação, e a Marinha dos EUA investiu em grandes dirigíveis para transporte de aeronaves.
  • Inventor: Luigi Stipa
  • Primeiro protótipo de aeronave a jato (reivindicado)
  • Primeiro voo: 7 de outubro de 1932
  • Quantidade construída: 1 aeronave de teste
  • Peso: Aproximadamente 1.874 libras
  • Número de voos de teste: Numerosos

O projeto foi aprovado em 1931, e o protótipo ficou pronto para testes em outubro de 1932. Tanto Stipa quanto o Ministério da Aeronáutica Italiano entendiam que o projeto era para testar as teorias de Stipa; não se destinava a levar a um desenvolvimento posterior do protótipo. O Ministério não estava disposto a investir uma grande quantia de dinheiro no projeto — apenas o necessário para a construção de um protótipo funcional.

O design pouco ortodoxo de Stipa-Caproni


Não é difícil entender por que o Stipa-Caproni recebeu o apelido de Barril Voador. Era equipado com um motor De Havilland Gypsy III de 120 cv e foi usado em testes em 1932 e 1933.

Stipa-Caproni visto de frente (Foto: Domínio Público l Getarchive)
Sua fuselagem consistia em um tubo que internamente era composto por dois grandes anéis redondos de madeira no nariz, seguidos por uma série de anéis semelhantes, porém menores. Todos eles eram então conectados por nervuras horizontais, que por sua vez eram revestidas de tecido. Os anéis externos de madeira serviam como base, sobre a qual a asa e a cabine seriam conectadas. O projeto da fuselagem era, na verdade, um grande aerofólio em forma de tubo, segundo informações da Plane Encyclopedia.

O protótipo era uma aeronave de dois lugares construída com a fuselagem mais simples e barata possível. As asas eram montadas nas laterais da fuselagem e construídas em madeira revestida de tecido. A cabine de pilotagem aberta e elevada ficava no topo da fuselagem (havia um pequeno para-brisa na frente de cada piloto). O motor estava localizado dentro da fuselagem, suspenso por barras de aço.


A hélice também estava localizada dentro da fuselagem, enquanto o trem de pouso era composto por três pequenas rodas fixas.

Teste e abandono do Stipa-Caproni


A aeronave voou em Monte Celio, perto de Roma (um aeródromo experimental). Voou sem grandes problemas e foi até apresentada à Regia Aeronautica (Força Aérea Real Italiana) para mais voos de teste (apenas os franceses demonstraram algum interesse no projeto por um tempo). A aeronave pesava cerca de 800 kg e atingia uma velocidade máxima de 133 km/h.

Stipa-Caproni voando na Itália (Foto: Domínio Público l Pirycl)
Em voos de teste, foi constatado que a aeronave precisava de uma pista de 800 metros (2.600 pés) para decolar, e levou 40 minutos para atingir uma altitude de 3.000 metros (9.800 pés). Apesar de alguns problemas, a aeronave foi razoavelmente fácil de pilotar em voo planado.

Desempenho do Stipa Caproni
  • Velocidade máxima: 83 mph
  • Pista necessária: 2.600 pés
  • Teto de serviço: 12.100 pés
  • Tempo até a altitude de cruzeiro: 40 minutos (9.800 pés)
No entanto, embora a aeronave voasse sem grandes problemas, seu design não oferecia grandes vantagens em relação a outros modelos (Stipa havia observado que o design só seria viável em aeronaves maiores). Um grande problema era que o formato limitava o espaço útil na fuselagem para passageiros e carga.


Embora o Stipa-Caproni tenha aparecido em algumas publicações de propaganda da aviação italiana na época, o interesse logo diminuiu, e ele foi descartado em 1939. Stipa viveu até 1992 e, de acordo com a Plane Encyclopedia , ele " sentiu que seu trabalho foi esquecido e, de acordo com algumas fontes, ele permaneceu amargurado por toda a vida ..." Ele achava que deveria ter recebido mais crédito pela invenção do motor a jato e alegou que o motor a jato de pulso usado na bomba voadora alemã V-1 da Segunda Guerra Mundial violava sua patente de hélice em tubo.

Modelo em madeira revestida em fibra de vidro e isopor de um Caproni Campini N1
(Foto: National Air and Space Museum)
Os italianos seriam os segundos a desenvolver e voar um jato bem-sucedido - o Caproni Campini N.1, voando em 1940 (um ano depois que os alemães voaram secretamente com jatos no ano anterior).

Com informações de Simple Flying

Crianças e adolescentes até 16 anos terão assento garantido no avião ao lado dos pais

A nova regulamentação determina que a alocação deve ser assegurada pelas empresas aéreas já no momento da compra da passagem, sem cobrança de taxa adicional

Aeroporto do Galeão - Aeroporto Internacional Tom Jobim - número de passageiros em voos domésticos e internacionais bate recorde histórico no Brasil (Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo)
Passageiros menores de 16 anos têm garantido o direito de sentar ao lado de parentes ou de outros responsáveis no avião. A nova regra está prevista na Resolução 807/2026, publicada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), na quarta-feira (dia 8), no Diário Oficial da União (DOU).

A nova regulamentação determina que a alocação deve ser assegurada pelas empresas aéreas já no momento da compra da passagem, sem cobrança de taxa adicional pela marcação do assento da criança ou do adolescente.

Limitações


A resolução deixa claro que a gratuidade e a obrigatoriedade do assento contíguo (lado a lado) não incluem o reposicionamento dos passageiros de até 16 anos que resulte na mudança de classe na aeronave (que oferece mais conforto e privacidade); e na escolha de assento com espaço extra para as pernas, nas primeiras fileiras, por exemplo.

Na hipótese de o passageiro optar por esses locais na aeronave, será cobrada a taxa adicional normalmente.

Penalidade


Se as companhias aéreas descumprirem a regra (separando os menores dos familiares ou cobrando pela marcação conjunta) estarão sujeitas a multas administrativas, conforme sanções previstas na Resolução 762 de 2024.

Validade


A resolução esclarece que a medida cumpre provisoriamente a decisão judicial da 8ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, no julgamento de ação civil pública que tramita desde 2019.

As regras estão valendo para os sistemas de venda e reservas das companhias aéreas, uma vez que a resolução assinada pelo diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, já entrou em vigor.

Por Agência Brasil via O Globo

Avião da Azul que iria para Manaus declara emergência e retorna para Viracopos, em Campinas (SP)

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos relatou que a aeronave declarou emergência e o pouso ocorreu de forma segura às 9h41, deste sábado (11).

Voo AD2943 declarou emergência e retornou para Viracopos, em Campinas
 (Imagem: FlightRadar24/reprodução)
O avião Airbus A320-251N, prefixo PR-YYA, da Azul, que decolou de Campinas (SP) e tinha como destino Manaus (AM), fez um pouso de emergência às 9h41 deste sábado (11), no aeroporto Viracopos. A informação foi confirmada pela concessionária Aeroportos Brasil Viracopos.

Em nota ao g1, a Azul negou que se tratava de um pouso de emergência. Segundo a empresa, era uma solicitação, de forma preventiva, de prioridade para pouso. A companhia ainda disse que o pouso foi motivado por motivos técnicos na aeronave, mas não citou quais.

"Assim que piloto do voo AD2943 declarou emergência, o aeroporto acionou imediatamente todos os protocolos de contingência", afirma a concessionária do aeroporto.

Nos áudios obtidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, o piloto disse à torre de pouso que estava com uma "falha no sistema hidráulico amarelo" da aeronave e pediu para realizar um checklist no equipamento — escute no áudio abaixo.


"Pan-Pan, estamos com falha do sistema hidráulico amarelo da aeronave, a gente vai manter essa posição, ainda não sei quantas esferas ainda vamos fazer na presente posição", disse o piloto à equipe do aeroporto de Campinas.

Devido à falha, o piloto declarou PAN-PAN, um código usado para informar que há um problema operacional e solicitar prioridade para pouso.

Diferentemente do Mayday, que indica uma emergência grave e risco iminente, o PAN-PAN sinaliza uma situação que exige atenção, mas que não coloca a aeronave em perigo imediato.


A concessionária também informou que apenas um voo foi impactado por causa da ocorrência, sendo desviado para o Aeroporto de Guarulhos e que a operação de pousos e decolagens foi retomada normalmente após o pouso da aeronave.

A Azul afirmou que os clientes impactados receberam a assistência e foram reacomodados em outra aeronave, que decolou com destino a Manaus, e lamentou eventuais transtornos.

Via g1, R7 e ASN