Em 5 de junho de 2018, o avião Cessna 208B Grand Caravan, prefixo 5Y-CAC, da Fly-SAX (foto abaixo), operava o voo 102, um voo doméstico no Quênia entre o Aeroporto de Kitale e o Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi, levando a bordo 10 ocupantes.
A aeronave decolou às 16h05, horário local, do Aeroporto de Kitale com destino ao Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, onde deveria pousar na pista 24. Após a decolagem, a aeronave subiu para o nível de voo 110 (FL110) e manteve essa altitude.
A tripulação prosseguiu o voo seguindo as regras de voo por instrumentos (IFR), embora a altitude mínima para voar por IFR na área fosse o nível de voo 150 (FL150).
A aeronave então alcançou a Cordilheira Aberdare, cujos picos mais altos ultrapassavam a altitude de cruzeiro da aeronave, e pouco depois, às 17h02, horário local, o contato com o Voo 102 foi perdido.
A aeronave colidiu com a Colina do Elefante (Elephant Hill)m um pico nas Montanhas Aberdare, a uma altitude de 3.645 metros, 11 metros abaixo do topo da montanha, em uma área coberta por bambus, a uma velocidade de 288 km/h. Todas as 10 pessoas a bordo morreram no impacto e a aeronave foi destruída.
Devido ao isolamento da área e ao mau tempo, as equipes de resgate chegaram ao local do acidente e descobriram os destroços do avião dois dias após a queda. As buscas foram inicialmente interrompidas na noite de 6 de junho, sendo retomadas na manhã seguinte.
Equipes de busca aérea e terrestre foram mobilizadas. Durante as operações de busca, um veículo da Cruz Vermelha Queniana sofreu um acidente, que feriu 11 pessoas, três delas gravemente.
Os corpos das 10 vítimas foram levados para Nairobi para serem identificados por seus familiares e para que os médicos realizassem autópsias.
Tanto o ministro dos transportes, Paul Maringa, quanto o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, enviaram suas condolências às famílias das vítimas do acidente. O presidente da Fly-SAX, Charles Wako, também reconheceu o acidente durante uma reunião com as famílias dos passageiros e da tripulação.
A aeronave estava equipada com um sistema de alerta e consciência do terreno, que deveria alertar os pilotos, com uma antecedência de 60 segundos, de uma colisão iminente.
O relatório final sobre o acidente, divulgado pelo Ministério dos Transportes do Quênia em 2019, classificou a queda como um voo controlado contra o solo (CFIT), causado por erros da tripulação, que decidiu continuar voando por instrumentos (IFR) a uma altitude abaixo da mínima de um metro permitida para a área.
Os dados coletados pelos investigadores mostraram que o sistema de alerta e consciência situacional do terreno (TAWS) da aeronave começou a enviar alertas na cabine seis segundos antes da interrupção da gravação dos dados, e que a aeronave colidiu com o solo um minuto depois, dando aos pilotos tempo suficiente para reagir e evitar a colisão.
A investigação também apurou que a má gestão de recursos da tripulação por parte da companhia aérea desempenhou um papel importante no acidente, e que, somado ao fato de que ambos os pilotos não possuíam treinamento suficiente em situações de CFIT, a tripulação não reagiu a tempo de evitar o perigo.
Erros também foram cometidos pelo controle de tráfego aéreo. De fato, os controladores de tráfego aéreo do Aeroporto Internacional de Eldoret, com os quais a tripulação do voo 102 estava em contato, estavam habituados a permitir que aeronaves voassem abaixo da altitude mínima de segurança para a área, como neste caso. Além disso, o controlador que operava naquele dia não tinha consciência situacional sobre a posição do voo 102.
Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, ASN e baaa-acro













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