quarta-feira, 8 de julho de 2026

História: O voo em que mala sem dono explodiu e mudou regras da aviação para sempre

Atentado de Lockerbie: Destroços do Boeing 747 do voo 103 da Pan Am que caiu após
mala sem dono explodir durante voo (Imagem: Roy Letkey/AFP)
Em 1988, um avião da Pan Am caia em Lockerbie, na Escócia, matando todas as 259 pessoas a bordo e mais 11 no solo. Uma mala que havia sido transferida de outro voo e estava sem o seu dono explodiu, causando a queda. Desde então, a segurança na aviação passou por mudanças que continuam até hoje.

O que aconteceu?

Em 21 de dezembro de 1988, um Boeing 747 da companhia aérea norte-americana Pan Am realizava um voo de Londres (Inglaterra) com destino a Nova York (EUA).

O artefato foi confeccionado com um explosivo plástico sem odor, o que dificultava sua detecção. Ele estava dentro de um toca-fitas armazenado dentro de uma mala.

A explosão causou estragos na fuselagem do avião, que se desintegrou no ar. Pedaços do 747 ficaram espalhados por uma área de aproximadamente 2 km².

Todos os 243 passageiros e 16 tripulantes morreram na queda. Onze pessoas morreram atingidas por destroços no solo e 21 casas ficaram destruídas.

Como a bomba chegou ali?

A bomba teria chegado ao avião que caiu após ser transferida de um voo que havia partido de Frankfurt (Alemanha) feito por um Boeing 727. Os passageiros e bagagens foram transferidos para o avião maior, o 747, na Inglaterra, de onde partiriam para Nova York.

Antes disso, a bagagem teria saído de Malta com destino ao aeroporto na Alemanha. Após essa etapa, ela viajou desacompanhada, sem registro de a qual passageiro ela pertencia, chegando a Londres e sendo colocada dentro do avião que faria o voo até Nova York sem nenhuma identificação.

Motivação do ataque

O atentado contra o voo 103 da Pan Am remonta a uma disputa entre os Estados Unidos e a Líbia desde o início da década de 1980 ao menos.

Em 1981, dois aviões líbios foram derrubados no Golfo de Sidra, na costa da Líbia, por aviões dos EUA. Em 1986, os Estados Unidos atacaram e afundaram barcos sírios na mesma região.

Como retaliação, a Líbia teria ordenado o atentado à discoteca La Belle, em Berlim (Alemanha), local frequentado por militares dos EUA. Três pessoas morreram e 30 ficaram gravemente feridas.

Em mais uma escalada do conflito, poucos dias após o ataque à discoteca, os EUA atacaram as cidades de Trípoli e Benghazi, na Líbia. Os bombardeios mataram 39 pessoas, e tinham como objetivo eliminar o líder do país, Muammar Kadafi.

Uma das vítimas seria filha adotiva de Kadafi, Hana, de apenas um ano de idade. Apesar de ter o corpo exibido para a imprensa, muitas pessoas não acreditavam nessa versão da história, alegando que ela, inclusive, seria uma médica formada atualmente.

Décadas depois, o governo líbio organizou um festival batizado em homenagem a Hana. Kadafi sempre dizia que a morte de Hana era um motivo de profunda tristeza para ele e para sua família.

O atentado envolvendo o voo 103 teria sido motivado por essas razões. A maior parte dos passageiros era composta por norte-americanos.

Culpados

Megrahi em um hospital na Líbia: Único condenado pelo atentado de Lockerbie
morreu em 2012 (Imagem: Sabri Elmhedwi/Efe)
Investigações inicialmente apontavam que os líbios Abdel Baset Ali al-Megrahi e Lamen Khalifa Fhimah seriam os responsáveis diretos pelo atentado. Ambos eram funcionários do governo daquele país.

Apenas em 1999 a Líbia concordou em entregar ambos para um julgamento. A medida ocorreu após negociações para redução de sanções impostas ao país em troca dos dois acusados.

Após um julgamento, Fhimah foi inocentado, enquanto Megrahi foi condenado à prisão. Em 2009, após ser diagnosticado com um câncer, ele foi solto e voltou para o seu país, onde morreu em 2012.

O governo da Líbia concordou em 2003 em pagar uma compensação financeira aos familiares dos mortos no atentado. Em 2004, aceitou pagar US$ 35 milhões para algumas das vítimas do atentado à discoteca em Berlim em 1986.

Com isso, em 2006, os EUA retomaram relações diplomáticas com o país, após sanções que haviam sido impostas anteriormente serem abandonadas.

Suspeito preso em 2022 nos EUA

Um dos possíveis envolvidos no atentado ainda não foi julgado. Abu Agila Masud foi acusado de ser o responsável por confeccionar a bomba que explodiu no avião da Pan Am.

Em dezembro de 2022, o ex-agente líbio, então com 71 anos de idade, foi preso pelo governo dos EUA. Ele agora deve enfrentar as acusações sob a custódia dos norte-americanos.

Mudanças nas regras da aviação

O atentado de Lockerbie causou grandes mudanças na aviação mundial. A principal delas se refere ao reforço na segurança e como as bagagens são tratadas nos voos.

Uma mala não pode viajar desacompanhada. Caso uma pessoa despache a bagagem, mas não se apresente no avião, ela deve ser retirada para garantir a segurança.

A bagagem só pode viajar sem seu dono se ela for despachada como carga. Com isso, ela tem de passar por procedimentos diferenciados de segurança, para garantir que não oferecerá nenhum risco.

Outra situação é em caso de malas extraviadas. Quando uma bagagem se perde de seu dono, ela pode viajar sozinha em outro voo, já que a culpa não é do passageiro.

Desde antes do atentado de Lockerbie, algumas dessas medidas já vinham sendo adotadas. Entretanto, após a queda do voo 103, elas passaram por revisões e se tornaram obrigatórias em várias partes do mundo.

Via Alexandre Saconi (UOL)

Por que precisa tirar a bagagem do passageiro que não embarcou no avião?

Vários motivos fazem com que uma mala viaje sozinha em um voo no qual seu dono
não está junto (Imagem: Yousef Alfuhigi/Unsplash)
Quem voa com frequência já deve ter enfrentado algum atraso devido a um passageiro ter feito o check in mas não embarcar. Quando isso acontece, a companhia aérea tem de remover a bagagem despachada do porão do avião.

Pode ser bem estranho alguém chegar ao aeroporto, despachar a mala e não ir para o seu destino, mas isso acontece às vezes e por diversos motivos.

A pessoa pode, por exemplo, ter passado mal na sala de embarque, se perdido no aeroporto ou não ter conseguido chegar a tempo no portão de embarque. Mas tem um motivo que é mais preocupante: a segurança.

Por que isso acontece? 


Retirar a mala do passageiro tem muito mais por trás do que garantir que ele permaneça com sua bagagem por perto caso não consiga embarcar. Tem a ver com os riscos que ela pode representar.

Um dos principais riscos de uma mala desacompanhada a bordo é o de conter uma bomba, como aconteceu no voo 103 da Pan Am, em 1988, onde uma maleta com explosivos foi detonada a bordo de um Boeing 747.

Em 1992, a companhia aérea foi condenada por negligência ao permitir que a mala, contendo um toca fitas com o explosivo dentro, fosse transferida de outro voo para o 103 sem o devido acompanhamento. A tragédia ficou conhecida como O Atentado de Lockerbie (Escócia) e resultou na morte de todas as 259 pessoas a bordo do avião além de 11 pessoas no solo.

Hoje, mesmo com vários mecanismos de segurança, como inspeção da bagagem e raio-X, diversos países mantêm essa prática para garantir mais um grau de segurança.

Não é regra: 


Uma bagagem pode viajar desacompanhada em algumas situações. Uma delas é quando é despachada como carga.

Nesse caso, ela tem de passar por inspeções diferenciadas para garantir a segurança. Esse é o procedimento com todas as cargas que vão nos aviões.

A mala do passageiro que ficou para trás, também poderá ser realocada em outro voo sem a presença dele. São os casos de malas extraviadas, nos quais os donos estão nos seus destinos aguardando que elas cheguem o quanto antes.

Nessa situação, não faria sentido impedir que ela voasse sozinha, já que não foi culpa do passageiro se separar dela.

Via Alexandre Saconi (UOL)

Como conseguir o melhor assento no avião? Veja dicas para viajar sem aperto

O tal assento de ouro para você nem sempre é o mesmo para o seu vizinho -- veja como
conseguir o seu maior conforto (Imagem: RossHelen/Getty Images/iStockphoto)
Conseguir o melhor lugar no avião pode ser uma questão de se programar para comprar a passagem, fazer a reserva com antecedência e até desembolsar uma taxa para assegurar mais espaço para as pernas, mas não necessariamente: isto porque o tal assento de ouro para você nem sempre é o mesmo para o seu vizinho. Qual é a poltrona mais cobiçada depende do que o passageiro tem em mente para aquela viagem.

Uma lista publicada na última semana pelo jornal britânico The Telegraph elegeu as melhores dicas de especialistas e ferramentas para viajar no melhor cantinho do avião — para você, ao menos. Confira:

Para quem quer o melhor serviço de bordo


(Imagem: Hispanolistic/Getty Images)
Boa educação é chave para conseguir um bom atendimento, já que comissário nenhum apreciará ser mal tratado por passageiro. Portanto, cumprimentar e fazer contato visual com a tripulação ao entrar na aeronave pode ajudar. "Ter alguém que claramente me vê e ignora o meu 'oi' passando por mim é a experiência mais desumana", apontou a comissária da Jet Blue, Amanda Pleva ao site Flyertalk.

Mas o Telegraph garante que as poltronas mais ao fundo da aeronave são ideais para quem prioriza a qualidade do serviço acima de outras comodidades durante o voo. Por quê? Comissários estariam menos propensos a atender a pedidos "extras" (segundo drinque, travesseiro extra) de quem senta à frente, apurou a reportagem, já que eles provocam uma reação em cadeia: quem está atrás acaba "assistindo" e querendo o mesmo.

Para quem prefere a melhor vista durante o voo


Nem sempre voar na janelinha vai garantir a paisagem dos sonhos. Algumas companhias como Ryanair, British Airways e easyJet têm janelas cobertas por painéis de plástico. Portanto anote quais assentos evitar:
  • Ryanair: 11A, 11F e 12F (nos Boeing 737-800)
  • Norwegian: 10A, 11A e 11F (737)
  • American Airlines: 12A e 12F (737)
  • easyJet: 31A (Airbus A320), 26A e 26F (A319)
  • British Airways: 70A e 70K (classe econômica do A380), 12A, 12K, 50A, 50K (Club World da mesma aeronave)
  • Outras aéreas: consulte sites como o Seat Guru ou o próprio site da companhia para checar o mapa de assentos do seu voo.
O lado da aeronave também faz a diferença: quem está sentado do lado esquerdo consegue vistas melhores do letreiro de Hollywood ao aterrissar no aeroporto de Los Angeles (LAX) ou do porto de Sydney (SYD). Por isso, pesquise detalhes da rota e do voo na web se quiser fazer boas fotos antes mesmo de pisar no destino.

Para quem é preocupado com segurança


Uma análise realizada em 2007 pela revista Popular Mechanics de acidentes de avião de 1971 até o início dos anos 2000 concluiu que os assentos do fundo do avião, atrás da ponta da asa, são os mais seguros — os índices de sobrevivência dos passageiros eram de até 69% nesta área, em comparação com 56% na região da asa e 49% nos primeiros assentos do avião.

O tópico é controverso, no entanto. Ao jornal australiano The Sydney Morning Herald, um porta-voz da Boeing disse, em 2013, que "um assento é tão seguro quanto qualquer outro, especialmente se você se mantém com os cintos apertados".

Para quem quer desembarcar rápido


Não adianta se levantar lá do fundão antes mesmo da aterrissagem e esperar que você vá passar na frente dos outros: não, a estratégia para quem quer aproveitar as férias ou a volta para casa rápido é comprar um assento nas primeiras fileiras do avião, no lado esquerdo (bônus se for no corredor) — são eles os primeiros a sair.

Para quem quer dormir (bem) durante a viagem


(Imagem: Gilitukha/Getty Images/iStockphoto)
Quem tem dificuldade de cair no sono ou quer um descanso de maior qualidade nos céus deve evitar áreas próximas aos motores da aeronave, assentos no corredor e próximos aos banheiros — já que os vizinhos de assentos vão acabar incomodando ao se levantarem tanto para atender às suas necessidades quanto para esticar as pernas ou fazer um pedido aos comissários.

O que sobra? Assentos próximos às janelas e, especialmente, aqueles mais próximos à frente do avião — que tendem a ser mais silenciosos.

Para quem quer comer melhor


De acordo com o professor da Universidade de Oxford Charles Spence, autor de "Gastrophysics: The New Science of Eating", a comida do avião tende a ter um paladar melhor na frente da aeronave, onde o ar é mais úmido. "O ar seco da cabine e o barulho alto dos sons dos motores tendem a contribuir para nossa inabilidade para sentir os sabores e cheiros de comidas e bebidas", explicou ao jornal.

Sentar-se próximo dos pilotos ainda tem uma vantagem extra: você provavelmente será servido primeiro.

Para quem não gosta de turbulência


Ninguém, na verdade, gosta de turbulência, mas aqueles passageiros particularmente mais sensíveis devem optar pelos assentos onde ela é sentida de maneira menos intensa: aquelas poltronas no meio do avião, acima das asas, onde haveria mais estabilidade segundo experts consultados pela publicação.

Se você precisa de mais espaço para as pernas


Esta é fácil: assentos próximos às saídas de emergência são famosos por oferecer mais espaços para as pernas, tanto que as companhias aéreas costumam fazer propaganda do fato e até cobrar a mais por eles. O problema é que quem voa nestas poltronas deve estar disposto a ajudar durante uma evacuação de emergência.

Um jeito de conseguir mais espaço e contornar este custo maior — ou a inabilidade de auxiliar em uma situação de risco — é optar pelos assentos do corredor ou aqueles próximos aos anteparos e divisórias do avião, já que estas posições também oferecem um pouquinho mais de espaço para "manobrar" as pernas.

Para quem viaja com crianças


(Imagem: encrier/Getty Images/iStockphoto)
Quem tem pequenos como companhia deve voltar no item acima: procure assentos próximos aos anteparos e corredores, que oferecem não só mais espaço, mas também maior mobilidade para se levantar em caso de ter que ir ao trocador ou lavatório rapidamente.

Aliás, assentos próximos ao banheiros são uma estratégia inteligente para estes passageiros — já que crianças podem espirrar bebida ou comida e são mais sensíveis às mudanças ambientais do trajeto, podendo se sentir mal de uma hora para outra.

Para quem quer "se espalhar"


Voos, especialmente aqueles durante a semana, partem às vezes com assentos vazios — e há maneiras de aumentar suas chances de estar sentado ao lado de uma poltrona desocupada, o que lhe dá mais espaço e conforto durante a viagem.

A estratégia é visitar o balcão de check-in antes do embarque e perguntar se o voo está muito cheio. Caso não esteja, peça educadamente se poderiam fazer a gentileza de colocá-lo ao lado de um assento vazio.

Caso vá fazer o check-in digital, deixe para realizá-lo pouco antes do voo no próprio aeroporto para escolher um assento manualmente e imprimir o bilhete — aumentando as chances de voar sem vizinhos (mas também as chances de imprevistos no processo de embarque, infelizmente).

Quem está viajando a dois pode tentar a sorte e comprar um assento na janela e outro no corredor. Frequentemente, quem viaja sozinho não privilegia o assento do meio. Mas, é claro, imprevistos podem acontecer e a companhia pode lhe dar um companheiro inesperado de viagem para separá-lo do seu amor durante o trajeto.