O documento afirma que os pilotos estavam em "estado de distração" e expuseram a aeronave a um cenário de alto risco devido a coordenação ineficiente na cabine.
O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em 2024, aponta uma cadeia de erros, como falha dos pilotos, da companhia aérea e da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, que contribuíram para a tragédia. O voo saiu de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos.
O documento, que ainda não foi divulgado oficialmente, foi obtido incialmente pela Folha de São Paulo. À CBN, a FAB informou que o relatório está em revisão final e será disponibilizado ao público após a conclusão dos trabalhos. Uma cópia do relatório do Cenipa foi enviada a autoridades da França e do Canadá, países onde o avião e os motores foram fabricados.
O documento aponta que os pilotos estavam em "estado de distração" e expuseram a aeronave a um cenário de alto risco devido a coordenação ineficiente na cabine. Durante boa parte do voo, eles mantiveram conversas informais que não tinham relação com a condução da aeronave.
Problemas pessoais de um dos pilotos teriam gerado uma "cegueira" para os alertas da aeronave de que havia acúmulo severo de gelo nas asas. E não pediram descida imediata e nem declararam emergência.
A cultura de segurança da Voepass também foi responsabilizada. Segundo o Cenipa, pilotos e técnicos já sabiam que o sistema de degelo do avião estava com problemas antes mesmo da decolagem, mas a falha não foi registrada no diário de bordo e a empresa não tomou medidas de precaução, como trocar a aeronave ou mudar a rota.
A investigação concluiu ainda que a Anac já havia identificado falhas de manutenção na Voepass em auditorias anteriores, mas não agiu de forma firme para impedir que a empresa continuasse operando com esses riscos. Outro ponto citado é o sistema de alerta do avião: o Cenipa avalia que, se o aviso sobre o gelo fosse mais contundente, a tripulação poderia ter reagido a tempo.
Em nota, o Cenipa e a Anac afirmaram que só vão se pronunciar quando o relatório final for publicado. A Voepass disse que segue colaborando com as autoridades e que não vai comentar antes do fim das investigações.
Via CBN
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