O Voo 435 da REAL Transportes Aéreos, ligando Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, caiu misteriosamente nas águas da Baía de Guanabara, próximo à Ilha dos Ferros, em 24 de junho de 1960.
O Convair 340, prefixo PP-YRF (foto abaixo), foi fabricado em 1951, por encomenda da United Airlines, que desejava uma fila adicional de 4 assentos. A aeronave acidentada foi fabricada em 1954, tendo recebido o número de série 191. Em 1958, foi adquirida pela REAL Transportes Aéreos, recebendo a matrícula PP-YRB, e foi avaliada na época em US$ 500.000.
O voo 435 da REAL Transportes Aéreos decolou às 17h22 do dia 24 de junho de 1960, do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, transportando 5 tripulantes e 49 passageiros, pilotado pelo Capitão João Afonso Fabrício Belloc.
O voo transcorreu sem incidentes até a aproximação ao Aeroporto Santos Dumont. Por volta das 18h43, o Capitão Belloc informou ao ponto de controle NDB da Ilha dos Ferros que estava iniciando os procedimentos de pouso. Chovia forte no Rio de Janeiro.
Essa foi a última comunicação da aeronave com o Controle de Aproximação do Rio de Janeiro (APP-RJ). Após o desaparecimento do Convair 340 dos radares, uma busca foi iniciada pelo Serviço de Busca e Salvamento da Força Aérea Brasileira e por diversas embarcações públicas e privadas.
Parte dos destroços do Convair foi localizada por uma embarcação do estado de Guanabara à 1h15 da manhã do dia 25 de junho. Poucos corpos puderam ser identificados devido à violência do acidente, o que sugeriu a hipótese de uma explosão a bordo. No entanto, os exames dos destroços não revelaram quaisquer vestígios de incêndio ou explosão a bordo.
Após a notícia do acidente, algumas testemunhas se apresentaram, incluindo Cabo Ramos, responsável pela manutenção do NDB na Ilha dos Ferros. Segundo o relato do militar, ele ouviu o som de uma aeronave voando baixo (identificando o ruído característico do Convair) sobre a ilha e correu para a janela de seu alojamento. Antes que pudesse chegar lá, ouviu um baque surdo de um objeto caindo nas águas da Baía de Guanabara. Ele esperou para ouvir gritos de socorro, ver algum clarão, ouvir uma explosão, etc. Como não ouviu nada, retornou ao interior do alojamento. Foi somente com o som de barcos de resgate durante a madrugada que ele tomou conhecimento do acidente.
| Vista lateral do motor Pratt & Whitney R-2800 usado no Convair 340. O motor direito da aeronave da REAL foi encontrado sem a hélice e a parte frontal (metade esquerda da foto) |
Apesar dos esforços dos investigadores, a causa do acidente nunca foi descoberta. Apenas uma parte dos destroços da aeronave foi recuperada; além disso, a aeronave não estava equipada com gravadores de voo ou caixas-pretas, itens que existiam apenas em aeronaves a jato daquela época.
As seguintes hipóteses foram propostas para explicar o acidente:
- Explosão a bordo (descartada após exame dos destroços);
- Abertura acidental da porta traseira direita durante o voo, que, arrancada pelo vento, atingiu o motor direito (caso descartado após a porta ter sido encontrada com as fechaduras intactas);
- Danos causados por um agente desconhecido (colisão com pássaro, defeito no motor, etc.) no motor direito, encontrado sem a parte frontal e sua hélice (descartado devido à impossibilidade de determinar se a falta de parte do motor e da hélice foi resultado de impacto nas águas da Baía de Guanabara ou de problemas com o respectivo motor).
O avião caiu na Ilha dos Ferros, espalhando destroços pela ilha e no mar, com as buscas pelos destroços continuando até 6 de julho. Alguns destroços foram encontrados na região da Ilha de Paquetá. O acidente contribuiu para o declínio da Real Transportes Aéreos , que foi adquirida pela Varig no ano seguinte.
O acidente também motivou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito pela Câmara dos Deputados, com o objetivo de investigar as causas do elevado número de acidentes aéreos no país naquela época. A CPI foi presidida pelo deputado Miguel Antônio Bahury, cuja esposa, Maria, havia falecido na queda do voo 435 da REAL. Ironicamente, o deputado Bahury também faleceu cerca de 3 anos depois na queda do voo 144 da Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, operado por outro Convair 340, próximo ao Aeroporto de São Paulo-Congonhas.
Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia


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