terça-feira, 21 de abril de 2026

Voo não pôde pousar? Quanto tempo o avião aguenta esperar

9.abr.2026 - Painel de voos em Congonhas às 10h20 desta quarta-feira (Imagem: Reprodução)
Uma pane técnica afetou os voos de aeroportos do estado de São Paulo em 9 abril deste ano. Nas redes sociais, passageiros relataram que voos foram redirecionados a outros aeroportos. Um passageiro que embarcou de Belo Horizonte para Congonhas nesta manhã disse que a aeronave foi redirecionada para o Galeão, no Rio de Janeiro.

Quanto tempo dá para esperar para pousar?


Esse tempo de espera é muito relativo. Pode durar alguns minutos ou até horas, dependendo de quanto combustível o avião está levando. Na legislação brasileira, um avião comercial a jato deve decolar com, no mínimo, a quantidade de combustível para realizar as seguintes etapas:
  • Taxiamento até a decolagem
  • Decolar da origem, voar até o destino e pousar
  • Adicional de 5% ou cinco minutos (o que for maior)
  • Alternar o pouso para outro aeroporto já designado antes da decolagem, incluindo aproximação e pouso
  • Combustível de reserva final para conseguir voar por mais 30 minutos de voo em espera
Ainda é possível que o avião leve quantidades extras de combustível para eventualidades que possa encontrar no caminho, como problemas meteorológicos, permitindo que ele voe mais tempo, além do mínimo obrigatório por lei.

Na prática, os aviões costumam decolar sempre com combustível extra além dos mínimos legais, tendo em vista que podem ocorrer imprevistos.

Esses parâmetros variam de país para país, entre os tipos de avião e a operação que está sendo realizada.

Dá para esperar muito? Uma vez que o combustível esteja na aeronave, caberá ao piloto definir qual a melhor forma de utilizá-lo.

Por exemplo, um piloto está se aproximando para pousar em um aeroporto e, a poucos quilômetros de distância, a torre recomenda que ele aguarde, já que foi detectado um cachorro solto na pista.

Nesse momento, o piloto pode optar por ficar voando em círculos, já que a pista deverá ser liberada em poucos minutos após a intervenção da administradora do aeroporto.

Em outras situações, como em um aeroporto que está passando por fortes chuvas, o piloto pode optar por não esperar e voar imediatamente para o aeroporto de alternativa, já que não sabe quanto tempo a chuva irá durar.

Cada uma dessas escolhas é tomada pelos pilotos, de acordo com os recursos disponíveis no avião.

Depende de cada situação: uma empresa pode definir que o avião vai decolar com combustível extra para ter capacidade de realizar um tempo de voo adicional maior ou menor, mas sempre de olho na segurança.

Um exemplo seria um voo de Manaus a Guarulhos (SP). Sabendo que o tempo no destino pode estar ruim na hora do pouso, a companhia pode definir que o avião voe com mais combustível caso precise ficar mais tempo aguardando para pousar.

Entretanto, quanto mais peso a bordo, mais combustível é gasto. Nessas situações, as empresas fazem cálculos para definir qual é a melhor fórmula.

Ainda nesse caso citado, a empresa pode definir que voar mais pesado, com mais combustível, pode ser mais econômico do que alternar o voo de Guarulhos para o Galeão (RJ), por exemplo, o que geraria custos bem maiores, como hotel, reacomodação em outros voos, troca de tripulação, entre outros.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

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