quarta-feira, 22 de julho de 2026

Aconteceu em 22 de julho de 2020: Acidente com o voo Ethiopian Airlines Cargo 3739 no Aeroporto de Xangai


Em 22 de julho de 2020, a aeronave Boeing 777-F60, prefixo ET-ARH, da Ethiopian Airlines (foto abaixo), operava o voo 3739, um um voo de carga internacional regular do Aeroporto Internacional de Xangai Pudong, na China, para o Aeroporto Internacional de Santiago Arturo Merino Benítez, no Chile, com duas escalas no Aeroporto Internacional de Addis Abeba Bole, na Etiópia, e no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, no Brasil.

A aeronave envolvida no acidente era um Boeing 777-F60, uma versão de carga do Boeing 777, registrado como ET-ARH e fabricado em 2014.


A bordo da aeronave havia cinco tripulantes. O comandante era um cidadão etíope de 42 anos, com um total de 15.000 horas de voo, das quais cerca de 3.000 no Boeing 777. O primeiro oficial era um cidadão etíope de 30 anos, com um total de 2.500 horas de voo, das quais 1.000 no 777, e possuía também certificação para voos de transporte de carga perigosa. 

O segundo oficial era um cidadão etíope de 62 anos, com um total de 28.500 horas de voo, das quais 5.000 no 777. Os outros dois tripulantes a bordo eram um técnico de manutenção de 29 anos e um mestre de carga de 29 anos, ambos cidadãos etíopes.

A aeronave estava estacionada na posição 306 do aeroporto de Xangai, em processo de descarregamento de carga após um voo anterior proveniente do Aeroporto de Bruxelas. Às 13h35, horário local, após a remoção de toda a carga anterior, iniciou-se uma nova operação de carregamento, preparando a aeronave para transportar 69.370 kg de carga, no voo 3739. 

Cerca de uma hora depois, os cinco tripulantes embarcaram e iniciaram os procedimentos pré-decolagem. 

Às 15h14, logo após o fechamento de todas as portas, o alarme de incêndio no compartimento de carga foi acionado na cabine de comando, e a tripulação solicitou ao controle de solo do aeroporto o envio de equipes e veículos de combate a incêndio. 

Sete minutos depois, a tripulação do voo 3739 declarou emergência, pois a aeronave ainda estava em chamas e as equipes de bombeiros estavam atrasadas. Com a chegada dos bombeiros, tanto a porta 1L quanto a porta principal de carga da aeronave foram abertas, permitindo a evacuação da tripulação e o lançamento de água pelos caminhões de bombeiros no interior da aeronave. O incêndio foi definitivamente extinto às 18h14.


O incêndio danificou gravemente as partes superiores da fuselagem da aeronave, criando buracos e marcas de queimadura; a parte mais danificada foi a seção da cauda, ​​que foi quase completamente destruída. Apesar dos danos à aeronave, todos os cinco tripulantes a bordo evacuaram com sucesso.

A Administração de Aviação Civil da China iniciou uma investigação sobre o acidente e divulgou seu relatório final em 7 de janeiro de 2023. A investigação apurou que o incêndio começou no compartimento de carga após a ignição espontânea de pastilhas de dióxido de cloro, destinadas à desinfecção. 


A temperatura no Aeroporto Internacional de Pudong, em Xangai, naquele dia, era superior a 34 graus Celsius; isso, combinado com a alta umidade, fez com que as pastilhas, armazenadas em paletes, num total de 96 caixas, atingissem temperaturas superiores a 80 graus Celsius, temperatura suficiente para o dióxido de cloro pegar fogo. O envolvimento de acidentes ou de uma falha da aeronave no desenvolvimento do incêndio foi descartado após a análise das imagens das câmeras de segurança e dos restos da carga.


Também foi constatado que a empresa de transporte que enviava as pastilhas falsificou alguns registros para que não fossem classificadas como material perigoso, obtendo menos restrições quanto ao transporte. Erros também foram observados na forma como o aeroporto lidou com a emergência, como o atraso na chegada das equipes de combate a incêndio.

Foram feitas recomendações sobre a melhoria dos métodos de transporte de materiais químicos perigosos durante voos de carga e a organização de operações de emergência no aeroporto de Xangai.


O acidente causou o fechamento do Aeroporto Internacional de Pudong, em Xangai, por cerca de uma hora, levando ao cancelamento de 16 voos e ao atraso de outros 34. No total, 18 caminhões de bombeiros, vindos de toda Xangai, foram enviados para a emergência.

O diretor executivo do grupo Ethiopian Airlines, Mesfin Tasew Bekele, divulgou um comunicado no qual deu detalhes sobre o acidente e afirmou que a companhia aérea estava colaborando com as autoridades chinesas na investigação.


Em 2023, após a divulgação do relatório final, a Ethiopian Airlines processou a empresa de transporte marítimo Zhejiang Jietong Freight Forwarding, proprietária das cápsulas de dióxido de cloro, em um tribunal de Hong Kong, para obter uma compensação pela perda do casco da aeronave.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia e ASN

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