terça-feira, 21 de julho de 2026

Aconteceu em 21 de julho de 2017: Grave incidente durante a decolagem do voo Thomson Airways 1526


Em 21 de julho de 2017, o Boeing 737-86J (WL), prefixo C-FWGH, pertencente e operado pela Sunwing Airlines (foto acima), operava como voo 1526 da Thomson Airways, partindo do Aeroporto Internacional de Belfast, na Irlanda do Norte, com destino a Corfu, na Grécia, com 185 pessoas a bordo, sendo 179 passageiros e seis tripulantes.

A aeronave foi entregue à Air Berlin em 2011 com a matrícula D-ABMC. Em 2017, após a falência da Air Berlin, a aeronave passou a integrar a frota da Sunwing Airlines. Na época do incidente, a Thomson Airways havia arrendado a aeronave para a temporada de verão, de 29 de abril a 31 de outubro de 2017.

A temperatura do ar exterior era de 16°C (61°F), mas a tripulação operacional inseriu valores incorretos (variando entre −47°C (−53°F) e −52°C (−62°F)) para a temperatura do ar exterior do aeroporto no computador de gestão de voo, resultando num cálculo incorreto do N1 necessário, a velocidade da ventoinha do motor (velocidade do compressor de baixa pressão) necessária na corrida de descolagem.

(Ambos os valores incorretos apareceram como OATs no plano de voo: -47°C no primeiro ponto de passagem após o topo da subida, -52 °C no topo da subida. Os atrasos na comunicação do incidente fizeram com que a informação do gravador de voz da cabine não estivesse disponível para a investigação).

Mapa do Aeroporto Internacional de Belfast
Quando o copiloto retornou da inspeção externa, ele ouviu o ATIS para verificar a pista em uso e as condições meteorológicas. Usando os dados de passageiros e bagagem fornecidos pela empresa de serviços de solo e as informações meteorológicas do ATIS, cada piloto realizou os cálculos de peso e balanceamento e de desempenho de forma independente em seu EFB. Esses cálculos foram então verificados antes de as informações serem inseridas no FMC. 

A tripulação então realizou um briefing de táxi e decolagem, abordando itens como a rota de táxi e partida esperada, incluindo uma discussão sobre o gerenciamento de emergências durante a decolagem e a partida. Em algum momento durante a preparação da cabine, o primeiro valor incorreto de -47°C foi inserido no FMC como temperatura do ar externo (OAT).

Quando a aeronave decolou da pista 07, a tripulação notou uma aceleração incomumente lenta, bem como uma baixa taxa de subida, um fato observado por testemunhas em solo. 

Pouco depois de decolar da pista, um dos trens de pouso da aeronave colidiu com uma luz de aproximação suplementar da pista. A luz se soltou de sua fixação e foi esmagada, enquanto o 737 não sofreu danos. 

Os membros da tripulação não foram informados do incidente até que o pessoal do controle de tráfego aéreo do aeroporto de Belfast registrou um relatório de incidente junto ao AAIB.

Dados de velocidade em relação ao solo para a decolagem em relação a V1 e Vr
(AAIB / © 2017 Google, Imagem © 2017 DigitalGlobe)
O uso de dados de decolagem imprecisos pode ser fatal, pois pode levar a ultrapassagens da pista e possivelmente colisões com obstruções, como aconteceu em um acidente em 2004 no Aeroporto de Halifax, no qual sete pessoas morreram.

Nem o software de gerenciamento de voo instalado nem as bolsas de voo eletrônicas (EFBs) em uso ajudaram a detectar o erro de entrada de dados. Uma versão recente do software ainda não havia sido instalada e o software omitiu a verificação cruzada dos dados inseridos pelo piloto com a temperatura do ar externo realmente medida. O piloto percebeu o baixo desempenho da aeronave no final da corrida de decolagem, mas não interveio de forma eficaz. 

Perfil vertical da subida inicial (AAIB / © 2017 Google, Imagem © 2017 DigitalGlobe)
O Relatório explorou vários aspectos de fatores humanos do incidente, concluindo que não se poderia razoavelmente esperar que os pilotos respondessem mais rapidamente à situação em desenvolvimento, seja antes ou depois da decolagem. Ele revisa e lista incidentes recentes de baixo desempenho de aeronaves na decolagem, revisa os esforços da indústria para fornecer aviso automático em tais situações e pede maior atenção regulatória aos computadores portáteis dos pilotos ('bolsas de voo eletrônicas').

Este incidente foi incluído nas discussões sobre os novos equipamentos propostos para aeronaves:
  • Duração prolongada do CVR (Gravador de Voz da Cabine)
  • Sistema de Monitoramento de Desempenho de Decolagem (TOPMS) ou Sistema de Monitoramento de Aceleração de Decolagem (TAMS). Um artigo de pesquisa de 2019 explora a causa deste incidente grave, causado por entrada de dados errônea. O artigo "resume um sistema básico de monitoramento de aceleração de decolagem e o efeito que isso teria tido no evento de julho de 2017".
Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia e ASN

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