Acidente aconteceu na manhã desta sexta-feira (3), nas proximidades do Aeroporto Santa Maria. Bombeiros foram mobilizados para atender a ocorrência.
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| (Foto: Reprodução) |
O avião Embraer EMB-810D Seneca III, prefixo PT-WYQ, da Amapil Táxi Aéreo Ltda., caiu na manhã desta sexta-feira (3), nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas, em Campo Grande. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) confirmou o acidente e mobilizou equipes de resgate para o local.
O piloto era Henrique Martin. Ele deixa a mulher e uma filha. Nas redes sociais, ele usava a frase “o mundo da aviação” para definir os conteúdos que publicava sobre a rotina como piloto.
A segunda vítima do acidente é a jornalista e pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, especialista em tamanduá-bandeira e que atuava no Pantanal há mais de 20 anos.
Lydia também era jornalista da Alemanha, zoóloga e guia da natureza. Na quinta-feira (2), ela publicou em sua rede social um vídeo da janela de um avião, enquanto saía do Rio de Janeiro. “Visão casual pela janela de um avião ao sair do Rio”, escreveu.
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| Lydia Theresia Möcklinghoff, a segunda vítima, já esteve no Pantanal em anos anteriores (Reprodução, Redes Sociais) |
A pesquisadora tinha um podcast sobre o mundo selvagem dos animais e publicou em sua rede social alguns registros do Pantanal. Inclusive, ela esteve no Pantanal em 2024.
Em 2018, Lydia publicou que estava fazendo um estudo de papa-formiga/câmera no Pantanal. “Trabalhar com armadilhas para câmeras é sempre como uma caça ao tesouro — nunca se sabe o que vai encontrar, quando recolhe o cartão SD depois de alguns dias”, escreveu a pesquisadora alemã.
Segundo as primeiras informações da corporação, a aeronave havia saído do aeródromo e tentou pousar em uma pista privada. A suspeita inicial é de que o piloto tenha buscado uma alternativa por causa da baixa visibilidade provocada pela neblina que cobriu a capital durante a manhã. O difícil acesso ao local da queda tem dificultado a chegada das equipes do Corpo de Bombeiros.
A suspeita é que a aeronave tivesse como destino o Pantanal de Mato Grosso do Sul. A aeronave é utilizada em voos executivos, táxi aéreo, treinamento e deslocamentos regionais.
O avião é considerado apto a operar em dias nublados, desde que esteja equipado para voo por instrumentos e seja conduzido por piloto habilitado. Nessas condições, o piloto não depende apenas da visão externa, usando os instrumentos da cabine para manter altitude, direção, velocidade e navegação.
A reportagem entrou em contato com a Amapil, empresa de táxi aéreo citada nos relatos sobre a aeronave. Em conversa com o setor comercial, Jordeli Santana afirmou que ainda buscava informações sobre o caso.
“Também não tenho informação ainda, estou chegando no aeroporto para saber, não tenho 100% de certeza ainda”, disse.
Posteriormente, na sede da empresa, a Amapil informou que a aeronave teria como destino o Pantanal. Segundo a empresa, equipes tentam contato com a central na região para confirmar se houve pouso, mas ainda não obtiveram retorno.
⚠️Campo Grande amanheceu sob forte neblina nesta sexta-feira (3). A umidade causada pelo fenômeno deixou ruas e avenidas molhadas, além de comprometer a visibilidade em diferentes pontos da cidade. Há suspeita de que o piloto tenha buscado outra pista devido às condições que encobriram a capital durante a manhã.
Pessoas que trabalham em um hangar da pista privada relataram ter ouvido uma explosão pouco antes da confirmação da queda da aeronave.
O proprietário do Hangar Aero Rural, Éder Corrêa, relatou ter ouvido o barulho de aeronave por volta das 6h30, quando ainda dormia. Segundo ele, houve um impacto forte o suficiente para ser sentido no local.
“Ainda não há notícia nenhuma, não têm nenhum norte, nenhuma previsão até agora. Por causa dessa neblina, eles também estão à procura, buscando qualquer informação que possa trazer algum direcionamento”, afirmou.
“Se tivesse explodido e pegado fogo, acho que teria fumaça muito forte. A fumaça de aviação é bem ardida. Se fosse alguma coisa próxima daqui, com certeza a gente teria visto”, relatou.
“Tenho certeza de que caiu. Eu estava deitado e balançou onde eu estava. Chegou a tremer. Eu estava dormindo aqui embaixo”, completou.
Ainda segundo Éder, a informação que chegou até ele é de que a aeronave seria da Amapil e teria saído do Aeroporto Santa Maria. Ele, no entanto, ressaltou que não pode confirmar oficialmente a versão.
“Segundo me passaram, foi um táxi aéreo Piper Seneca que caiu. Não posso confirmar, mas a aeronave decolou do Santa Maria e caiu. Sem dúvida alguma houve uma queda, eu estava aqui no local, eu senti o balanço. O Piper Seneca é uma aeronave apta para voar”, disse.
O dono de outro hangar que também conversou com a reportagem, relatou ter ouvido dois aviões decolando na manhã desta sexta-feira, um Piper Seneca e um Pilatus, mas afirmou não saber se uma dessas aeronaves é a que pode ter caído.
O avião caiu em uma área próxima ao condomínio Terras do Golfe. Duas equipes do Corpo de Bombeiros foram enviadas ao local, além de uma unidade de resgate e uma viatura de combate a incêndio.
Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre o número de ocupantes da aeronave, o estado de saúde das vítimas nem as causas do acidente. As circunstâncias da queda serão investigadas pelas autoridades competentes.
Avião que matou pesquisadora alemã ficou apenas 5 minutos no ar e neblina pode ter comprometido pouso
Atualização (04/07/2026)
Avião que matou pesquisadora alemã ficou apenas 5 minutos no ar e neblina pode ter comprometido pouso.
Delegado afirma que a principal hipótese é de que o mau tempo provocou desorientação espacial no piloto; Corpo de Bombeiros afirma que avião permaneceu apenas cinco minutos no ar antes de cair.
O avião que caiu e matou a pesquisadora alemã Lydia Möcklinghoff e o piloto Henrique Martin, em Campo Grande, permaneceu apenas cinco minutos no ar antes da queda, segundo o Corpo de Bombeiros. A principal hipótese investigada pela Polícia Civil é que a forte neblina registrada na manhã desta sexta-feira (3) tenha dificultado uma tentativa de pouso e contribuído para o acidente.
"A suspeita inicial é que em razão do mal tempo foi o que provocou essa queda, só que a gente precisa seguir nos levantamentos. Vai precisar ser analisada a parte mecânica da aeronave, só que pra isso a gente precisa do Cenipa, a aeronáutica precisa estar acompanhando", afirmou o delegado Sam Suzumura, responsável pelo caso.
O laudo da Polícia Civil deve sair em 10 dias. As causas do acidente também serão apuradas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que deve chegar ao local neste sábado (4).
O delegado afirmou ainda, que a principal hipótese é que o piloto tenha sofrido desorientação espacial por causa das condições climáticas.
"Inclusive na hora que as buscas começaram pelo Corpo de Bombeiros estava muita cerração, então é possível que no momento do início do voo estava uma condição pior ainda. As condições climáticas podem ter provocado uma desorientação espacial no piloto, é possível."
⚠️ Campo Grande amanheceu com forte neblina nesta sexta-feira (3). A umidade provocada pelo fenômeno deixou ruas e avenidas molhadas e reduziu a visibilidade em vários pontos da cidade. Há a suspeita de que o piloto tenha tentado pousar em outra pista por causa das condições meteorológicas.
O delegado informou ainda que a empresa responsável pela aeronave está regularizada, e disse que ainda não há informações sobre a experiência do piloto nem sobre o plano de voo.
Pesquisadora alemã era referência no estudo do tamanduá-bandeira
A pesquisadora e jornalista alemã Lydia Theresia Möcklinghoff estava entre as vítimas do acidente.
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| Lydia Möcklinghoff, pesquisadora alemã especialista em tamanduás-bandeira (Foto: Redes sociais) |
Entre os destroços da aeronave, foram encontrados exemplares de um livro escrito por ela em alemão. A obra tem o título "Ich glaub, mein Puma pfeift: Als Forscherin im reichsten Tierparadies der Welt", que pode ser traduzido como "Não dá para acreditar no que vejo: a vida de uma pesquisadora no paraíso animal mais rico do mundo".
No livro, Lydia relata a experiência de viver em uma fazenda no Pantanal brasileiro enquanto realizava pesquisas de campo sobre o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla).
Via g1, Campo Grande News, Midiamax, ASN e ANAC
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