terça-feira, 31 de agosto de 2021

Novo turboélice da Embraer será mais rápido que o ATR

Competir com o consagrado turboélice da aviação regional é o objetivo da Embraer com o seu novo avião.

Ilustração do novo turboélice da Embraer, com motores na parte traseira da aeronave 
Ainda sem nome oficial, mas já apelidado de TPNG (Turboélice de Nova Geração, em inglês), o novo avião da Embraer surpreendeu o mercado pelo seu design, com motores na parte traseira da aeronave. Eles não empurram o avião, mas tracionam, semelhante aos turboélices com propulsão nas asas. As informações são do site especializado em aviação Aeroin.

Segundo planos iniciais divulgados pela Embraer, deverão existir ao menos dois modelos cobrindo o mercado de 70 e 90 assentos, hoje dominado pelo francês ATR72 e pelo canadense DHC-8-400 (antigo Bombardier Q400).

A Embraer tem experiência com aviões turboélices, mas não nesse segmento, já que passou do Brasília (30 passageiros) ao ERJ-145 que leva 50 pessoas, mas é um jato, com outro nicho de mercado. Com o novo projeto, a fabricante pode misturar as duas experiências de produzir turboélices na faixa dos 50 assentos.

Mercado


Em entrevista a Jon Ostrower, do site ‘The Air Current’, Rodrigo Souza e Silva, vice-presidente de Marketing da Embraer, deu mais detalhes de como o plano de trazer turboélices maiores foi aceito no mercado.

“Depois do pior período da crise da Covid, quando ninguém queria ver nossa cara, o mercado americano foi o primeiro a dar sinais de recuperação, então tivemos a oportunidade de falar com as companhias aéreas de novo. E com isso tivemos uma mudança na aceitação do turboélice, mostrando ser algo viável no mercado americano”, disse o executivo.

O mercado nos Estados Unidos tem mais apelo aos jatos por conta das características econômicas e de infraestrutura que favorecem sua operação na maioria das rotas, além do público americano entender que jatos são mais confortáveis e seguros para se voar, o que não necessariamente é uma verdade.

“De qualquer modo, esse será um desafio para a Embraer, que poderá ganhar espaço se apresentar uma aeronave que ajude as empresas (e passageiros) a reduzirem custos”, avaliou Carlos Martins, piloto de avião e editor-chefe no Aeroin.

“O avião terá um pouco mais de 800 nm (1.841 km) de alcance, mas será otimizado para voos entre 250 nm e 300 nm (faixa de 500 km), mais rápido que um ATR, mas não tão rápido quanto um Q400”, disse o vice-presidente de Marketing da Embraer.

Velocidade


No caso, a velocidade de cruzeiro do novo avião da Embraer seria de 300 a 360 nós, oferecendo de 15% a 20% adicionais de economia quando comparado com o ATR.

Com previsão para que as entregas ocorram entre 2027 e 2028, a Embraer parece se apoiar muito no modelo da Azul, que usa um mix de ATRs com jatos maiores E195-E1/E2 para voos regionais.

Outro ponto de destaque citado pelo executivo é o alcance otimizado da nova aeronave, que lhe dará flexibilidade para se encaixar aos diferentes períodos de sazonalidade da malha das empresas aéreas.

Via O Vale - Imagem: Divulgação/Embraer

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