quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sistema 'soca' aviões no chão para evitar acidentes em Congonhas

Sistema Emas para auxiliar na parada de aviões na cabeceira do aeroporto de Congonhas SP: Tamanho é de 72 m x 47,4 m (Imagem: Divulgação/Infraero)
Um dos aeroportos mais questionados quando o assunto é segurança é Congonhas, em São Paulo. Afinal, alguns acidentes já aconteceram no local.

Como a cidade cresceu ao redor do aeroporto, na zona sul da capital paulista, ele acabou encravado no meio urbano adensado, ao lado de grandes bairros, e atraiu mais atenção para as operações realizadas ali com o passar dos anos.

Uma das formas de aumentar a segurança no local foi a instalação de uma estrutura que "soca" o avião no chão caso ele não consiga parar normalmente na pista.

Chamado de Emas (Engineered Material Arresting System, ou, Sistema de Parada de Materiais Engenheirados), essa é uma cama de concreto que se deforma quando um avião passa por ela, afundando o avião e auxiliando na sua parada.

Esse sistema é similar ao das áreas de escape vistos em rodovias pelo país. Ou seja, o Emas é como uma caixa de brita de uma rodovia, encontrada em áreas de escape de estradas, como na Anchieta (SP). São saídas nessas vias para veículos, como ônibus e caminhões, que perdem o freio.

Também pode ser comparado a uma caixa de brita das corridas de Fórmula 1, onde o carro, quando sai da pista, desacelera e fica preso no local, não colidindo contra o muro, por exemplo.

A função do Emas é aumentar muito a frenagem, ou seja, a redução da velocidade, sem quebrar o trem de pouso. Ele aumenta a resistência ao avanço do avião e faz com que ele pare.

Como é em Congonhas?


Apenas a pista principal de Congonhas possui o Emas. Ele é o primeiro aeroporto do Brasil a contar com essa estrutura, que custou R$ 122,5 milhões, segundo a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), que administrava o local à época.

Cada cabeceira da pista possui um sistema desse, com dimensões de 64 m x 47,4 m em uma das extremidades e 72 m por 47,4 m na outra. As duas estruturas são sustentadas por vigas e pilares que comportam o peso dos aviões que operam no aeroporto, além da cama com pedaços de um cimento estrutural.

Esses pedaços são formados por concreto e esferas de sílica, que se rompem quando há pressão sobre elas. A energia do movimento do avião indo em direção a essa estrutura é transformada em energia de rompimento das camadas das pedras do Emas. Conforme o avião vai avançando nessa "cama", ele vai desacelerando.

Para que o concreto se rompa, não é apenas o peso do avião que é levado em consideração. É preciso ponderar também a velocidade com que ele entra naquele espaço e sua direção.

Possibilidades


Ele também funciona diferente se o avião entra com o pneu rodando ou se arrastando, com as rodas travadas. Todas essas possibilidades são dimensionadas de acordo com as principais aeronaves que são operadas no local.

O projeto tem de abranger até mesmo como ocorrerá a desaceleração, tendo em vista que, se for muito rápida, pode causar danos ao corpo humano.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL) - Fontes: Jorge Eduardo Leal Medeiros, professor de engenharia; Pablo Miranda, ex-presidente da Kibag Brasil, empresa que instalou o Emas em Congonhas; e Thiago Nykiel, diretor-executivo da Infraway Engenharia, empresa especializada em infraestrutura

Catapulta e rampa: a arriscada decolagem dos caças que saem de porta-aviões

F/A-18C é lançado por meio de catapulta presa ao trem de pouso a bordo do porta-aviões
USS George Washington (
Imagem: Barry Hirayama/Marinha dos EUA)
Um caça F-35C Lightning II, que faz parte de um dos esquadrões do porta-aviões USS George Washington, fez um pouso de emergência na Base Aérea Naval de São Pedro de Aldeia, no Rio de Janeiro, em maio.

Mas para que serve um porta-aviões? Ele é uma das principais máquinas de guerra do mundo atual. Ele consegue deslocar a força de ataque aéreo de um país para longe de seu território, além de permitir a defesa das fronteiras das nações de uma maneira mais dinâmica, já que não depende de bases terrestres.

Essas embarcações são famosas por suas catapultas, que fazem os aviões atingirem centenas de quilômetros por hora em um curtíssimo espaço de pista. Entretanto, nem todo porta-aviões conta com um sistema de catapultas para lançar suas aeronaves.

Existe outra maneira de lançar um avião em tão pouco espaço, que consiste em uma rampa inclinada no final da pista. Mas a escolha entre uma ou outra forma fazer as aeronaves decolarem vai depender de um grupo de fatores, como o peso, tipo de aeronave, entre outros.

Catapulta ou rampa?


F-35B decola do porta-aviões HMS Queen Elizabeth usando o sistema de rampa (ski-ramp)
 (Imagem: Kyle Heller/Marinha do Reino Unido)
Os porta-aviões das forças armadas dos Estados Unidos costumam ser equipados com sistemas de catapultas para lançar suas aeronaves. Esse mesmo tipo de embarcação, em outros países como Rússia, China ou Reino Unido, costuma utilizar uma rampa no final da pista para garantir a decolagem.

Com as catapultas, os aviões podem decolar mais pesados, pois contam com auxílio externo para conseguirem voar. Já com as rampas é importante que o avião tenha potência própria para decolar naquele curto espaço que é o convés do porta-aviões.

No caso dos Estados Unidos, seus porta-aviões conseguem lançar caças mais pesados ou com maior quantidade de armamentos, eventualmente, já que, além do impulso próprio, ainda contam com a força extra da catapulta. Isso inclui além de caças, outros aviões maiores, que não conseguem atingir grandes velocidades com pouca pista, como os aviões de monitoramento.

Em outras situações, aviões com motores mais potentes também podem decolar sem serem lançados por catapultas, já que conseguem atingir maiores velocidades no curto espaço que dispõem. Esse é o caso dos porta-aviões com a rampa inclinada ao final da pista de decolagem.

Como funcionam?


F/A-18C é catapultado do porta-aviões USS Nimitz. Jato de ar do caça rebate no defletor,
o que ajuda na decolagem (Imagem: Eduardo Zaragoza/Marinha dos EUA)
As catapultas são mecanismos que se prendem ao trem de pouso dos aviões e conseguem atingir altas velocidades em poucos instantes. Com isso, somado ao auxílio dos motores do próprio avião, eles conseguem decolar em poucas centenas de metros em vez de distâncias que ultrapassariam um quilômetro na vida real na maioria das situações.

Com isso, as catapultas tendem a oferecer mais agilidade com o lançamento, colocando mais aviões em combate em um menor tempo. Elas ainda ajudam a economizar combustível dos aviões, uma vez que é na decolagem o momento em que mais se consome devido ao impulso necessário para sair do chão.

As rampas, por sua vez, foram desenvolvidas com maior intensidade pela Inglaterra para que seus porta-aviões comportassem aeronaves como o BAE Sea Harrier. Esse avião tem capacidade de decolar na vertical, mas, como isso consome muito combustível, precisaria ser reabastecido em voo após um curto espaço de tempo.

A alternativa seria ele decolar por meios próprios do convés das embarcações da Marinha Britânica, o que foi possível após vários estudos que levaram à inserção da rampa inclinada ao final da pista de decolagem. Assim, o avião consegue decolar sem precisar do impulso extra da catapulta.

Outra vantagem dos porta-aviões sem catapulta é que eles não precisam desses sistemas, que são caros e, se apresentarem algum problema, podem paralisar a operação a bordo.

Via Leandro Carneiro (Todos a Bordo/UOL) - Fonte: Fernando Martini Catalano, professor do curso de Engenharia Aeronáutica da USP

quarta-feira, 17 de junho de 2026

5 aviões de caça lendários do Eixo da Segunda Guerra Mundial

(Foto: Bergfalke2/Wikimedia Commons)
A Segunda Guerra Mundial viu uma variedade de marcos da aviação durante a longa guerra. De novos aviões ousados ​​a armamentos ainda mais ousados, o eixo e os aliados fizeram muitos avanços que ajudaram a moldar os militares do mundo como os conhecemos hoje e, sem dúvida, ajudaram a guiar e moldar o futuro de amanhã.

Dito isso, aqui está uma lista de 5 aviões de caça lendários do Eixo da Segunda Guerra Mundial (WWll) que mudaram o nome do jogo na guerra avançada para sempre.

1. Arado Air 234


O Arado Air 234 foi um bombardeiro a jato que foi introduzido em setembro de 1944 pelo fabricante alemão de aeronaves, Arado, daí seu nome. O jato tinha um único assento e era movido por dois motores. O Museu Nacional do Ar e do Espaço diz que o jato também tinha capacidade de decolagem assistida por foguete. Além disso, era feito de alumínio e tinha um peso bruto de 10.010 kg (22.070 lb).

O jato foi usado pela Luftwaffe alemã durante a Segunda Guerra Mundial e foi reconhecido por ser o primeiro bombardeiro a jato usado para reconhecimento aéreo. O jato também foi usado para bombardeios e outros vários tipos de missões.

Arado Air (Foto: Museu Nacional do Ar e do Espaço)
Esta aeronave era rápida e, às vezes, superava ataques aéreos aliados. O National Air and Space Museum menciona que a velocidade máxima do jato era de "735 quilômetros (459 milhas)", enquanto também dizia que os "Ar 234s que alcançaram as unidades da Luftwaffe forneceram um serviço excelente, especialmente como aeronaves de reconhecimento".

2. Caproni Campini N. 1


O Caproni Campini N. 1 foi um jato experimental que se destacou por ser o primeiro motorjato. Construído na Itália, o projeto do motorjato forneceu maior empuxo do que as hélices sozinhas. Portanto, era mais eficaz em velocidades mais altas. A aeronave, com um motor V12, produzia uma velocidade máxima de apenas 233 mph. O N.1 foi construído pelo fabricante de aeronaves, Caproni e voou a partir de 1940.

Embora indiscutivelmente mais lento do que algumas aeronaves de sua época, o design experimental mostrou a engenhosidade que veio da Segunda Guerra Mundial. Embora este jato fosse apenas experimental e não tenha visto batalha, ele está incluído nesta lista por causa de sua importância e contribuição para a era do jato.

Caproni (Foto: Autor desconhecido/Wikimedia Commons)
No livro, "Guida agli aeroplani di tutto il mondo dal", que se traduz em "Guia para aviões ao redor do mundo", os autores Enzo Angelucci e Paolo Matricardi mencionam que o Caproni Camoini N. 1 não foi apenas o primeiro jato a ser pilotado que era movido por um sistema motorjet (também chamado de thermojet), mas também foi destaque durante o primeiro voo do mundo de uma aeronave que demonstrou o uso de um pós-combustor. Esses voos ocorreram em 27 de agosto de 1940 e 11 de abril de 1941, respectivamente.

3. Fieseler Fi 103R Reichenberg


O Fieseler Fi 103R Reichenberg foi uma aeronave alemã desenvolvida perto do fim da Segunda Guerra Mundial e destinada a ser usada como arma suicida pelo eixo quando os aliados estivessem avançando, como um último esforço para causar baixas.

Produzido e testado pela Luftwaffe alemã em 1944, apenas 175 foram criados. Esta aeronave foi desenvolvida a partir do Fieseler Fi 103, que também era conhecido como "bomba voadora V-1".

O papel do Reichberg era ser usado como um míssil tripulado. A arma escolhida: O míssil V-1.

De acordo com o History.com, Hannah Reitsch foi a primeira mulher a ser piloto de testes no mundo e sugeriu a criação do "equivalente nazista de um esquadrão kamikaze de homens-bomba enquanto visitava Adolf Hitler em Berchtesgaden". Além disso, ela foi uma das últimas pessoas a ver Adof Hitler vivo no Fuhrerbunker no final de abril de 1945, antes de sua morte.

Reichenberg (Foto: Autor desconhecido/Wikimedia Commons)
O Museu Nacional do Ar e do Espaço diz que o míssil V-1 "foi o primeiro míssil de cruzeiro operacional do mundo. Este nome foi dado a ele pelo Ministério da Propaganda nazista, mas a designação original do Ministério do Ar era Fi 103, em homenagem ao seu projetista de fuselagem, a empresa Fieseler."

Perto do fim da guerra, o desenvolvimento foi arquivado por ordem direta de Adof Hitler, que havia sido encorajado por Albert Speer e Werner Baumbach a não prosseguir com ataques suicidas porque não fazia parte da tradição guerreira alemã. Eventualmente, a unidade Reichberg foi desmantelada.

Por meio deste, voluntariamente, me inscrevo para ser inscrito no grupo suicida como parte de um planador-bomba humano. Entendo perfeitamente que o emprego nesta capacidade implicará minha própria morte." - History.com

4. Heinkel He 162 Volksjager


O Heinkel He 162 Volksjager foi outro tipo de aeronave que foi desenvolvido, projetado e testado pelo fabricante de aeronaves Heinkel. Ele está incluído nesta lista porque era barato e produzido em massa. Cerca de 240 foram feitos antes do fim da Segunda Guerra Mundial.

Esta aeronave de fabricação alemã era um caça a jato que foi usado pela Luftwaffe durante o fim da Segunda Guerra Mundial. Foi criado sob o Emergency Fighter Program para ser projetado e construído o mais rápido possível a partir de materiais que estivessem disponíveis - alternativas a metais como madeira.

Heinkel He 162 (Foto: Arquivos SDASM/Wikimedia Commons)
De acordo com o artigo, Preparando-se para o próximo bloqueio: metais não ferrosos e a política econômica estratégica do Terceiro Reich, e como visto na Oxford Academic , certos materiais, como metais, estavam em falta nessa época da guerra e esta é uma das razões pelas quais a Alemanha nazista perdeu a Segunda Guerra Mundial.

Apesar desta expectativa e da importância vital dos metais não ferrosos para a guerra, os estudiosos concordam que o Terceiro Reich estava mal preparado para um bloqueio e que a economia alemã certamente teria ficado sem metais depois de apenas um ou dois anos. - como visto em Oxford Academic.

5. Horton Ho 229


Por último, mas não menos importante, o Horton Ho 229 foi um protótipo de caça e bombardeiro alemão que também foi desenvolvido durante os estágios finais da guerra. Esta aeronave foi uma das primeiras aeronaves de asa voadora a ser movida por motores a jato. O design apresentava um formato delta-V e tinha uma fuselagem de aço com cobertura adicional de madeira. O Museu Nacional do Ar e do Espaço diz que os materiais adicionais incluem borracha e vidro. Com um peso bruto de 8.999 kg (19.887 Ib), 2 motores turbojato Junker Jumo 004 B-2 produziram 900 kg (1.989 lb) de empuxo na decolagem.

Horton Ho 229 (arte conceitual) (Imagem: Fox 52/Wikimedia Commons)
A aeronave foi desenvolvida em 1943 e, de acordo com o Museu Nacional do Ar e do Espaço, Hermann Göring "alocou meio milhão de Reich Marks aos irmãos Reimar e Walter Horten para construir e voar vários protótipos".

Embora tenha havido vários problemas e o único exemplar motorizado tenha caído após voos de teste, ele ainda continua sendo uma das "aeronaves de combate mais incomuns testadas durante a Segunda Guerra Mundial".

Com informações de Simple Flying

Vídeo: Como os pilotos conseguem seguir a faixa sem errar?


Como os pilotos conseguem manter um Boeing 737 ou Boeing 777 exatamente em cima da faixa amarela durante o táxi? Se as rodas estão vários metros atrás do cockpit, como eles sabem onde o trem de pouso está passando?



Como a África do Sul manteve seus C-47 Dakotas desde a 2ª Guerra Mundial

A Força Aérea e a Marinha dos EUA mantêm alguns aviões em serviço há mais de 50 anos. A Força Aérea da África do Sul manteve seus C-47 voando por *81* anos!


"Tudo bem, eu lhe ofereço uma pechincha, Faulkner. Cerca de, ah, três milhas daqui, através do mato, há uma pista de pouso de mina, com um velho Dakota, parado nela agora."

"O que você disse, o quê?"

"Um Dakota? Mas está tudo bem, eu voei nele. E não há nada entre ele e nós além de uma vila deserta."

Essa troca de diálogo ocorre entre o padre Geoghegen (Frank Finlay) e o coronel Allen Faulkner (o falecido grande Sir Richard Burton) no filme de 1978 “The Wild Geese”, que considero um dos filmes de ação e aventura mais subestimados e durões de todos os tempos. feito. O filme foi rodado em grande parte na África do Sul, e grande parte do equipamento militar que aparece no filme foi de fato fornecido pelas Forças Armadas Sul-Africanas, incluindo o já mencionado Dakota.

Na época em que o filme foi feito, o Dakota (essa é a designação da Comunidade Britânica para o icônico Douglas C-47; nós, os ianques, o chamamos de "Skytrain") estava em serviço na Força Aérea Sul-Africana (SAAF) há 35 anos. Agora, incrivelmente, a SAAF está finalmente pronta para aposentar este venerável pássaro de guerra depois de alucinantes **81 anos** de serviço fiel (o que deixa até mesmo os mais de 50 anos de serviço da Força Aérea dos EUA e aviões de guerra da Marinha dos EUA como o KC- 135 , B-52 , C-130 , U-2 e P-3 na proverbial poeira)!

História inicial do relacionamento SAAF/C-47


Conforme observado por um artigo publicado no The Warzone: "A história do Dakota no serviço SAAF remonta a 1943, quando o serviço estava lutando na Segunda Guerra Mundial. O mais extraordinário, talvez, é que entre os últimos Dakotas operados pela SAAF, a maioria foi entregue durante aquele conflito , tendo começado a vida como C-47 fabricados para as Forças Aéreas do Exército dos EUA (USAAF)."

Exterior do edifício memorial da Força Aérea Sul-Africana (Foto: DawidLoubser/Wikimedia Commons)
"A frota Dakota da SAAF, no entanto, viu o seu serviço de combate mais extenso durante o longo conflito no Sudoeste de África (agora conhecido como Namíbia) e Angola, apoiando unidades da Força de Defesa Sul-Africana (SADF) durante a chamada Guerra Fronteiriça entre 1966 e 1989. A SADF dependia fortemente do Dakota para transporte de tropas, reabastecimento, evacuação médica, paraquedismo e outras missões. A sua importância foi aumentada pelas sanções ao Apartheid na África do Sul que complicaram a aquisição de equipamento alternativo.

C-47A da Força Aérea Sul-Africana (Foto: Bob Adams/Wikimedia Commons)
O que é um pouco confuso, entretanto, é que o autor, Thomas Newdick, menciona o ano de 1943, mas imediatamente depois inclui uma citação no Twitter de Darren Olivercitação no Twitter de Darren Oliver (editor da African Defense Review) que lista fevereiro de *1944* como a data de entrega do o Dakota mais antigo em serviço da SAAF, registro nº 6825. Meu palpite aqui é que o Sr. Newdick está insinuando que o ano anterior foi quando a SAAF fez o pedido das aves, que foram entregues no ano seguinte.

De qualquer forma, como relata Newdick, na década de 1980 a SAAF reivindicou a *maior frota de C-47 operacionais em qualquer lugar do globo, com quase 50 fuselagens em posse. No meio daquela década inebriante, os Dakotas assumiram uma missão de vigilância marítima, com tarefas de busca e salvamento, por precaução.

O estado atual dos C-47s da SAAF


No entanto, como diz o provérbio (ou “clichê”, se você preferir): “Todas as coisas boas devem ter um fim”. Ao mesmo tempo, na década de 1990, uma coisa muito *má* também chegou ao fim: o apartheid, ou seja, o domínio da minoria branca na África do Sul. 

Como o Sr. Newdick elabora: "No entanto, o fim do governo minoritário na África do Sul e o fim da Guerra da Fronteira fizeram com que o Dakota - e a SAAF em geral - mudassem cada vez mais para missões em tempos de paz, especialmente trabalho humanitário. Ao mesmo tempo, os esquadrões Dakota foram racionalizados, e a frota foi reduzida em tamanho."

De que tamanho de redução estamos falando aqui? Oficialmente/Teoricamente, a SAAF tem oito fuselagens C-47TP (presumo que "TP" significa "turboélice"; um apelido local não oficial para o pássaro é "TurboDak") nos livros, mas na realidade/na prática, o Os "TurboDaks" estão suspensos há dois anos, desde que a SAAF não conseguiu encontrar um fornecedor de manutenção adequado.

Enquanto isso, a frota foi reduzida a cinco aeronaves que foram mantidas em condições de serviço, o que significa que poderiam *potencialmente* voar novamente no futuro. No entanto, uma declaração feita no outono de 2023, a Armscor, a agência estatal de aquisição de armas da África do Sul (não confundir com o fabricante filipino de armas de fogo com o mesmo nome) abafou até mesmo as esperanças desse potencial: 

“O Dakota C-47TP é uma aeronave muito antiga, portanto o suporte para esta aeronave é muito limitado na África do Sul e no mundo. Devido à idade da aeronave, ela não é mais suportada pelo OEM [fabricante do equipamento original]. Não há AMOs [organizações de manutenção de aeronaves] com um Dakota C-47TP estipulado na Especificação Operacional.”

Assim, no início deste mês, o Esquadrão 35 (baseado em Ysterplaat, Cidade do Cabo), o último operador remanescente dos “TuboDaks” da SAAF, foi devidamente informado de que “a aeronave será descontinuada” para sempre. Embora esta decisão ainda não tenha sido formalmente anunciada pela SAAF, o proverbial escrito está na parede.

(Foto: Nolween/Wikimedia Commons)
Como possível prenúncio dessa aposentadoria pendente, já existe pelo menos um SAAF C-47 aposentado em exposição no Museu Nacional de História Militar da África do Sul, em Joanesburgo.

Com informações do Simple Flying

Aconteceu em 17 de junho de 1989: Grave acidente no Aeroporto de Berlim com o voo 102 da Interflug


Em 17 de junho de 1989, às 6h20, horário de Berlim, a aeronave Ilyushin IL 62M, prefixo DDR-SEW, da Interflug (foto abaixo), deu partida em seus quatro motores Soloviev D-30KU para se preparar para a decolagem para o voo 102 do Aeroporto Schönefeld de Berlim, na então Alemanha Oriental, em direção ao Aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, na Rússia, na então União Soviética. A bordo da aeronave estavam 103 passageiros e 10 tripulantes.


Posteriormente, o desbloqueio dos controles de voo aconteceria imediatamente. De acordo com o gravador de voz da cabine (CVR), a tripulação não executou essa tarefa. A tripulação não verificou o painel de avisos das condições do elevador. Quando o capitão estava taxiando para a pista, ele verificou uma segunda vez para o movimento do elevador. Ele não percebeu que os elevadores estavam trancados e não podiam se mover.

A aeronave foi liberada para decolagem na pista 25L e os motores foram ajustados para a potência reduzida, pois o avião pesava 113 toneladas. Às 06h28m05s, horário local, a aeronave atingiu a velocidade de rotação (VR). 

A tripulação puxou o manche, mas o avião não respondeu. Quatro segundos depois, o capitão decidiu abortar a decolagem. Neste momento, a velocidade do avião era de 293 km/h (182 mph). O engenheiro de voo desligou todos os quatro motores, o que impediu o uso de empuxo reverso. O avião agora viajava a 303 km/h (188 mph), a 940 m (3.080 pés) do final da pista.

O avião ultrapassou a pista a 262 km/h e saiu da linha central. Durante a frenagem de emergência, cinco pneus do trem de pouso principal foram destruídos. O avião entrou em um poço de construção com 40 cm (16 pol.) de profundidade, causando o colapso do trem de pouso principal. A direção ativa não estava disponível neste momento. 

Em seguida, quebrou-se em três pedaços e o avião pegou fogo depois de atingir um tanque de água, estacas de concreto da cerca que cerca o aeroporto, um aterro de estrada e seis árvores. Às 06h28m37s, hora local, o avião parou.


Equipes de resgate chegaram às 6h38, e 82 passageiros foram resgatados da fuselagem nos primeiros 2 minutos. A parte frontal da fuselagem estava intacta e parte da tripulação pôde usar as janelas da cabine para escapar do avião em chamas. A tripulação ajudou na evacuação dos passageiros. As chamas foram extintas às 8h09. 

O acidente custou 21 vidas; dois morreriam devido aos ferimentos no hospital, todos eles passageiros.


As investigações não conseguiram determinar a causa exata do acidente. Não foi possível excluir um problema técnico com os controles ou componentes do leme e não foi possível comprovar um erro por parte da tripulação.


Mas foi levantado que contribuiu para o acidente o travamento de alguns dos controles de voo. Se isso foi devido a um problema mecânico ou a erro de checagem por parte da tripulação, isso não pôde ser provado.


Todos os Il-62s da Interflug foram temporariamente aterrados. Nove dos 11 Il-62s restantes da Interflug foram liberados no dia seguinte ao acidente.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com ASN, Wikipedia e baaa-acro

Aconteceu em 17 de junho de 1979: A queda do voo 248 da Air New England em Massachusetts (EUA)


Em 
17 de junho de 1979, o avião de Havilland Canada DHC-6 Twin Otter 300, prefixo N383EX, da Air New England (foto abaixo), estava programado para realizar o voo 248, entre o Aeroporto LaGuardia, em Nova Iorque, e o Aeroporto Hyannis-Barnstable, em Massachusetts, ambas localidades dos EUA.


Antes de carregar a aeronave para decolagem de LaGuardia, a tripulação de voo verificou o clima em rota para o voo de volta a Hyannis e descobriu que um pouso na parada de rota em New Bedford pode não ser possível. 
Ao serem avisados ​​da situação do tempo, os passageiros com destino a New Bedford decidiram permanecer em LaGuardia.

Às 21h32, o voo 248 partiu de LaGuardia para Hyannis na última etapa do dia. Havia oito passageiros e dois tripulantes a bordo.  A aeronave, era pilotada pelo co-fundador da Air New England, George Parmenter. 

Às 22h34min08s, o voo 248 contatou o Controle de Aproximação da Otis e reportou nível a 5.000 pés. Às 22h39min05s, o voo recebeu o clima atual de Hyannis, que incluía um teto indefinido de 200 pés, céu obscurecido, visibilidade de 3/4 de milha no nevoeiro, vento de 210° a 10 nós. Ele também incluiu uma visibilidade de 1 1/8 na garoa leve na pista 24. 

Às 22h44:36, o voo 248 estava 4 milhas náuticas ao norte-nordeste do marcador externo quando o Controle de Aproximação Otis deu ao voo um vetor de 210° para interceptar o localizador a 1.700 pés para uma aproximação ILS para a pista 24 no Aeroporto de Barnstable. 

Às 22h45min34s, o voo 248 foi instruído a entrar em contato com a torre do Aeroporto de Barnstable. Por volta de 22h47, o voo atendeu a esta solicitação e relatou cruzar o marcador externo. 

O voo foi liberado para pousar, no entanto, nenhuma outra transmissão foi ouvida da aeronave. O Centro de Controle de Tráfego da Rota Aérea de Boston (Boston Center) conseguiu rastrear o voo 248 com precisão de 2,8 milhas náuticas do ponto de pouso pretendido na pista 24. 

A impressão do computador do Boston Center mostrou a posição do voo às 22h46:51, cerca de 0,35 milhas náuticas a nordeste do marcador externo ILS a 1.700 pés. Também mostrou o voo a cerca de 0,15 milhas náuticas a sudoeste do marcador externo a 1.500 pés às 22h47:03. 

A última posição do radar mostrada para o voo foi de cerca de 1,1 milhas náuticas a sudoeste do marcador externo às 22h47:27 a 1.100 pés. O primeiro oficial afirmou que o capitão estava pilotando a aeronave durante a aproximação a Hyannis. Ele disse que fez as seguintes chamadas: localizador ativo, marcador externo, 500 pés acima, 200 pés acima, 100 pés acima, mínimos e 100 pés abaixo. Ele disse que o capitão não atendeu a nenhuma dessas ligações. 

O primeiro oficial disse que quando chamou 'mínimos', a aeronave estava um ponto abaixo do glidepath do ILS. O primeiro oficial disse que parecia que a aeronave estava em uma descida contínua sem taxas de afundamento excessivas ou ângulos de descida de 5.000 pés até o impacto, com a velocidade no ar próxima a 130 nós durante toda a aproximação. Ele afirmou que, ao chamar '100 pés abaixo', olhou para fora da cabine porque acreditava que o capitão tinha as luzes de aproximação à vista. 

O primeiro oficial disse ainda que não viu o solo antes de a aeronave cair por volta das 22h48 em uma área densamente arborizada localizada a 1,5 milhas náuticas do final da pista 24, no prolongamento da linha central da pista. 


O acidente ocorreu durante as horas de escuridão. O capitão morreu, enquanto todos os outros ocupantes ficaram feridos, alguns deles gravemente. A aeronave caiu no meio de Camp Greenough, um acampamento de escoteiros da América densamente arborizado. 

Uma passageira escapou ilesa conseguindo abrir caminho através de mata fechada até a Rodovia Mid Cape (Rota 6) e lá sinalizou para um carro que passava. O motorista a levou ao aeroporto, onde ela alertou as autoridades sobre o acidente. As equipes de resgate, com a ajuda de um caminhão de remoção de mato, conseguiram abrir caminho no mato até o local do acidente e ajudar os sobreviventes.



O National Transportation Safety Board determinou que a causa provável do acidente foi a falha da tripulação em reconhecer e reagir em tempo hábil ao desvio grosseiro dos parâmetros de aproximação aceitáveis, resultando na continuação da descida bem abaixo da altura de decisão durante uma precisão aproximação sem contato visual com o ambiente da pista. 


Embora o Conselho não tenha conseguido determinar conclusivamente o motivo da falha em reconhecer e reagir ao desvio grosseiro, acredita-se que a condição fisiológica degradada do capitão prejudicou seriamente seu desempenho. Além disso, a falta de práticas e procedimentos adequados de coordenação da tripulação contribuiu para que o primeiro oficial não detectasse e reagisse à situação em tempo hábil.

Em junho de 2009, o autor Robert Sabbag, um dos passageiros a bordo do voo 248 da Air New England, lançou um livro chamado "Down Around Midnight", um relato em primeira mão da acidente de sobreviventes e equipes de resgate.


Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com ASN, Wikipedia e baaa-acro

Aconteceu em 17 de junho de 1975: Voo Varig 236 Acidente em Pedro Afonso


Em 17 de junho de 1975, o avião Hawker Siddeley HS-748-235 Srs. 2A, prefixo PP-VDN, da VARIG (foto acima), operava o 
voo 236, que partiu às 7h05min de São Paulo, com destino a Belém, no estado do Pará, com escalas nas cidades de Porto Nacional e Pedro Afonso, ambas – na época – no estado de Goiás.

Após o embarque de mais cinco passageiros, o avião de prefixo PP-VND, decolou do Aeroporto de Pedro Afonso, às margens do Rio Tocantins, para cumprir a etapa final de seu voo, levando a bordo estavam três tripulantes e doze passageiros.

Pouco depois de levantar voo, a aeronave apresentou problemas e teve que retornar para realizar uma aterrissagem forçada.

O avião aproximou-se com o excesso de velocidade e tocou a pista apenas nos seus últimos 300 metros, a ultrapassando, atravessando a rua e indo ao encontro de uma residência.


Os três ocupantes da casa morreram na hora, assim como o copiloto Nilo Sérgio Lemos, que morreu com o choque.

O piloto, Fayet, sofreu fratura numa das pernas. O comissário J. Nelson e os 12 passageiros nada sofreram.


Esta mesma aeronave já havia se acidentado em 1971, tendo sido recuperada.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com ASN e baaa-acro

Aconteceu em 17 de junho de 1948: Voo United Airlines 624 - Falso alarme de incêndio


Em 17 de junho de 1948, o avião DC-6 da United Airlines caiu perto de Mount Carmel, na Pensilvânia, depois que os pilotos relataram um incêndio no porão de carga. Todas as 43 pessoas a bordo morreram quando os pilotos foram atingidos pelo CO2 do sistema de extinção de incêndio, fazendo com que perdessem o controle do avião.

No início de 1948, os engenheiros da Douglas estavam testando a interação do novo sistema de ventilação com os bancos aprimorados de extintores de CO2 do DC-6 quando ocorreu um incidente perturbador. Após acionar os extintores para apagar um incêndio simulado, altas concentrações de dióxido de carbono retornaram do compartimento de bagagem para a cabine, causando a incapacitação parcial da tripulação, que quase perdeu o controle do avião antes de recuperar a consciência. Um inspetor da CAA e um representante do sindicato dos pilotos também estavam no avião no momento e testemunharam a quase catástrofe. 

O incidente levou Douglas a instalar uma válvula de alívio no sistema de ventilação que poderia ser acionada antes da liberação dos extintores de incêndio, a fim de reduzir a quantidade de CO2 que entrava na cabine. A empresa também contratou o Dr. Clayton White, um médico especialista, para revisar os testes e compilar pesquisas conhecidas sobre os efeitos do CO2 no corpo humano.

Alguns pequenos pedaços do DC-6 ainda podem ser encontrados no local do acidente no
Parque Nacional Bryce Canyon (Michael McComb/Lost Flights)
O CO2 desloca o oxigênio do ar, causando asfixia, e também é tóxico em grandes concentrações. No entanto, em 1948, não se sabia com certeza quanto CO2 deveria estar presente no ar antes que as condições se tornassem inseguras. Dr. White concluiu que os dados mais confiáveis ​​pareciam indicar que concentrações de CO2 acima de 5% seriam perigosas. 

Ele também concluiu que os testes de Douglas após a instalação da nova válvula de alívio foram lamentavelmente inadequados para determinar se as concentrações de CO2 permaneceriam abaixo desse limite, porque Douglas não monitorou as concentrações com cuidado suficiente, não acionou todos os extintores simultaneamente e não realizou testes em todas as configurações de descida de emergência aprovadas. White escreveu que Douglas deveria refazer os testes com mais cuidado para “evitar algum constrangimento no futuro” e recomendou que Douglas compartilhasse o relatório com a CAA, a Airline Medical Doctors' Association e a Air Transport Association.

Mas em vez de seguir o conselho do Dr. White, o principal piloto de testes de Douglas escreveu “não discuta com a CAA” na capa do relatório e arquivou-o longe de olhares indiscretos. Posteriormente, a CAA aprovou as alterações no projeto do DC-6, certificando que atendiam aos requisitos federais, sem perceber que um consultor contratado por Douglas havia considerado seus testes insuficientes para demonstrar a conformidade. As únicas salvaguardas eram as válvulas de alívio e uma linha na lista de verificação de resposta a incêndios lembrando os pilotos de abrir as válvulas antes de liberar o agente extintor, a fim de evitar o acúmulo “excessivo” de CO2 dentro do avião. 

A CAA originalmente queria que usassem a palavra “letal”, mas Douglas convenceu a agência a deixá-los usar “excessivo”, aparentemente para evitar a impressão de que o sistema de extinção de incêndio era perigoso.

Um Lockheed Constellation da TWA, semelhante à envolvida no incidente de 13 de maio de 1948
(The Aviation History Online Museum)
Então, em 13 de maio de 1948, um Lockheed Constellation da TWA recebeu um falso aviso de incêndio que levou a tripulação a ativar os extintores de CO2 no compartimento de bagagem dianteiro. Ao entrarem em uma descida de emergência, o CO2 vazou do porão e se acumulou na cabine, fazendo com que os pilotos ficassem parcialmente incapacitados. 

Felizmente, eles conseguiram se recuperar e pousar com segurança em Chillicothe, Missouri. Após uma investigação que durou um mês, a Air Transport Association, grupo de interesse das companhias aéreas, enviou um telegrama a todos os operadores do Douglas DC-6, informando-os das circunstâncias do incidente, discutindo o que poderia ser feito para se recuperar de tal situação. e alertando que eles tinham motivos para acreditar que um evento semelhante poderia ocorrer no DC-6. O telegrama terminava recomendando que as operadoras realizassem testes para saber se isso de fato acontecia.

Um trecho da resposta de Douglas ao telegrama da ATA (Department of Trransportation)
Em 15 de junho, a Douglas Aircraft Company respondeu com um telegrama conciso de sua autoria. Douglas exigiu que a ATA contatasse todos os destinatários do telegrama original a fim de retirar qualquer referência ao DC-6, uma vez que Douglas já havia realizado tais testes com “resultados totalmente satisfatórios”; além disso, argumentou, os testes eram bastante perigosos e não era sensato recomendar que as companhias aéreas os realizassem. 

A empresa concluiu escrevendo que as suas próprias recomendações para lidar com o CO2 no cockpit foram “baseadas em testes extensivos realizados sob condições variadas, com aprovação da CAA”, e que a ATA não deveria recomendar soluções que possam não ser igualmente aplicáveis ​​a diferentes aeronaves. Mais tarde naquele dia, a ATA cedeu às exigências de Douglas e enviou um novo telegrama informando a todos os operadores do DC-6 que o avião havia sido testado adequadamente para garantir que concentrações perigosas de CO2 não pudessem ocorrer.

Um DC-6 da United Airlines semelhante ao envolvido no acidente do voo 624
Dois dias depois, em 17 de junho de 1948, o avião Douglas DC-6, prefixo NC37506, da United Airlines, operando o voo 624, partiu de Chicago com destino a Nova York. No comando estavam o capitão George Warner, que tinha apenas cerca de 30 horas no DC-6, e o primeiro oficial Richard Schember, que tinha 129. Dois comissários de bordo e 39 passageiros também embarcaram no voo do meio-dia. Devido à ofuscação de Douglas, nenhum deles tinha o menor conhecimento da falha mortal que se escondia no DC-6 modificado.

As primeiras horas de voo transcorreram sem incidentes, até que o avião chegou ao leste da Pensilvânia. Enquanto navegavam a 17.000 pés, os pilotos repentinamente receberam um aviso de incêndio no compartimento de bagagem dianteiro. Na verdade não houve incêndio, mas eles não poderiam saber disso.

Um dos pilotos conseguiu enviar uma mensagem distorcida e de pânico para LaGuardia: “624… 624… Fogo. Descarregando o poço de bagagem dianteiro [ininteligível]…”

“Não consigo ouvir, tente novamente, por favor”, disse o controlador.

“624, emergência!”

Outro piloto ouviu o que parecia ser um grito, seguido por alguém gritando: “Esta é uma descida de emergência!”

“Não consigo ouvir, tente VHF!” o controlador disse novamente.

“624”, disse o piloto, “descendo, eu… ah… ah…” E então houve silêncio.

Nenhuma outra transmissão foi ouvida do voo 624 da United Airlines, mas o avião continuou voando por mais dez minutos. O DC-6 passou sobre o aeroporto de Sunbury a 4.000 pés, mas não fez nenhuma tentativa de pousar, depois virou à esquerda perto da cidade de Shamokin enquanto descia entre 500 e 1.000 pés acima do solo, em direção a uma área montanhosa. 

O avião foi visto novamente vários minutos depois, perto do Monte Carmelo, onde voou a 60 metros do solo e, em seguida, entrou em uma curva ascendente à direita em direção a terreno elevado. Momentos depois, o avião bateu em uma clareira de linha de transmissão na encosta de uma montanha arborizada, destruindo um transformador de 66 mil volts e cortando linhas de energia antes de atingir o solo e se desintegrar, espalhando destroços várias centenas de metros montanha acima. 

Testemunhas correram para o local para ajudar, mas era óbvio que ninguém poderia ter sobrevivido; todos os 43 passageiros e tripulantes morreram no impacto do fogo.

No LaGuardia, o controlador perguntou a um voo próximo da United se eles conseguiam ver o voo 624, pois o avião não estava respondendo às transmissões. De forma assustadora, o piloto respondeu: “O voo 624 não precisa mais de assistência – naufragou no Monte Carmelo”.

O avião impactou uma subestação elétrica ao atingir a montanha
(Mount Carmel Community Organization)
Com base nas transmissões captadas pelo LaGuardia, ficou claro que os pilotos pensaram que havia um incêndio na bagagem e haviam descarregado os extintores. No entanto, o exame dos destroços mostrou que nenhum incêndio ocorreu antes do impacto; o aviso era de fato falso. Isto não era incomum; já em 1948, tinham havido 22 avisos falsos de incêndio em aviões norte-americanos e mais de 280 avisos falsos de fumaça, muito mais do que o número de eventos reais de incêndio e fumo. 

Na verdade, foi a tentativa de extinguir esse incêndio imaginário que originou o acidente. Marcas de testemunhas deixadas nas válvulas de alívio no momento do impacto mostraram que elas estavam fechadas – em pânico para extinguir o fogo, a tripulação esqueceu de abri-las. 

Tragicamente, a versão da lista de verificação de incêndio da United Airlines omitiu o aviso sobre as consequências de não abrir as válvulas, tornando esta etapa muito mais fácil de encobrir. Não havia como saber exatamente o que aconteceu a bordo do avião após esse erro, mas a ausência de novas transmissões, a trajetória de voo errática e o fato de a tripulação aparentemente ter sobrevoado vários locais de pouso adequados sugeriram que a tripulação estava parcial ou totalmente incapacitada por CO2 durante aqueles angustiantes minutos finais.

A primeira página do New York Times do dia seguinte ao acidente
A investigação subsequente do CAB mostrou que mesmo com as válvulas de alívio abertas, em certas configurações de descida as concentrações de CO2 na cabine ainda poderiam atingir níveis perigosos. 

No caso do voo 624, as válvulas provavelmente estavam fechadas e as evidências sugeriam que o avião provavelmente não estava na configuração mencionada, mas as descobertas apenas reforçaram a advertência do Dr. Clayton White de que os testes de Douglas foram inadequados para garantir que o avião era seguro. 

Só muito mais tarde, durante uma ação movida contra Douglas e United pela família de uma das vítimas, o relatório de White foi revelado. A sua apresentação como prova levou a um escândalo próprio, quando o juiz penalizou o advogado de defesa de Douglas por tentar apagar as palavras “não discuta com a CAA” da capa.

Equipes de resgate trabalham no local do acidente do voo 624
(Bureau of Aircraft Accidents Archives)
A investigação também descobriu que, em março de 1948, a Air Line Pilots' Association pressionou a CAA para exigir máscaras faciais de oxigênio puro para os pilotos de linha aérea, citando o fato de que as máscaras existentes do tipo rebreather, que misturam oxigênio no ar circundante, poderiam não protege contra fumaça ou gases tóxicos como o CO2. 

No entanto, a CAA rejeitou a proposta, argumentando que os procedimentos existentes para a remoção de fumos e gases do cockpit já eram suficientes e que máscaras de oxigénio puro não eram necessárias. Após a tragédia no Monte Carmelo, a CAA rapidamente reverteu o rumo, exigindo que todos os aviões fossem equipados com máscaras de oxigénio puro e exigindo que os pilotos as colocassem antes de ativarem os sistemas de supressão de incêndios. Essas máscaras ainda são padrão em todas as aeronaves hoje, mas chegaram tarde demais para evitar a queda do voo 624.

O avião caiu a cerca de dois quilômetros do município de Centralia, que hoje é conhecido como uma cidade fantasma abandonada desde 1962 devido a um incêndio de longa duração em um poço de carvão sob a cidade (Bloomsburg Archives)
Após o acidente, a Douglas Aircraft mudou o design do DC-6 para que puxar as alças do extintor abrisse automaticamente as válvulas de alívio para manter o CO2 fora da cabine. 

No seu relatório final, o CAB fez a observação astuta de que não se pode confiar nos seres humanos para seguir perfeitamente um procedimento de múltiplas etapas numa situação de emergência intensa, e que um único botão que ativa múltiplos sistemas de emergência, como o instalado por Douglas após o acidente, é uma forma muito mais eficaz de prevenir erros humanos. Por esta razão, todos os sistemas de aeronaves hoje são projetados desde o início com este princípio em mente.

Outra visão da área de destroços até a zona de impacto inicial (Bloomsburg Archives)
Numa época diferente, esta sequência de acidentes evitáveis ​​poderia ter prejudicado irreversivelmente a reputação do avião. Mas em poucos anos, o papel de Douglas nos acidentes foi esquecido, e o DC-6 tornou-se um dos aviões de maior sucesso de sua época, com mais de 700 unidades construídas antes do término da produção em 1958. 


Alguns deles ainda são voando hoje com a Everts Air Cargo no extremo norte do Alasca, aparentemente com bastante segurança. Mas permanece o facto de que a Douglas Aircraft escolheu chegar lá da maneira mais difícil, lutando a todo o custo para manter uma impressão de segurança sem garantir que o seu avião principal era realmente seguro. 


Melhores testes do sistema de combustível poderiam ter evitado a queda do voo 608, e a queda do voo 624 também poderia ter sido evitada se a Douglas tivesse ouvido os especialistas que contratou. Douglas aparentemente aprendeu muito pouco com essas lições, já que seus aviões continuaram a sofrer de falhas de projeto catastróficas e evitáveis ​​até a era dos jatos. 


Por outro lado, a indústria da aviação como um todo aprendeu bastante, levando a mudanças na forma como cada avião é equipado e projetado. Naquela época, a segurança da aviação era uma vasta fronteira inexplorada, cheia de perigos mortais e soluções inovadoras. E quando olhamos para aquela era da aviação, uma era que dentro de poucos anos até os mais velhos entre nós deixarão de lembrar, vale a pena avaliar o quão longe chegamos.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Admiral Cloudberg, ASN e Wikipédia

Aconteceu em em 17 de junho de 1929: A queda do avião da Imperial Airways no Canal da Mancha

O acidente de 1929 com o  Handley Page W.10 da Imperial Airways ocorreu em 17 de junho de 1929, quando o avião sofreu uma falha de motor e posteriormente se afundou no Canal da Mancha em Dungeness, com a perda de sete vidas. A aeronave operava em um voo internacional programado de Croydon para o Aeroporto Le Bourget , em Paris, França.

Um Handley Page W.10 similar ao envolvido no acidente
A aeronave do acidente foi o Handley Page W.10, prefixo G-EBMT, da Imperial Airways, batizada de "Cidade de Ottawa", que foi entregue à empresa aérea em 25 de dezembro de 1925.

O G-EBMT estava operando um voo internacional programado do aeroporto de Croydon para o aeroporto de Zurique, na Suíça, via Paris - Aeroporto Le Bourget e Aeroporto de Basileia, na Suíça. 

Tendo partido de Croydon às 10h30, a aeronave estava a cerca de 15 milhas (24 km) sobre o Canal da Mancha, voando a uma altitude de 2.500 pés (760 m), quando uma biela do motor de estibordo quebrou.


Um mayday foi transmitido por rádio e o piloto tentou desviar para o aeroporto de Lympne. Como ele não conseguiu chegar à terra, o piloto pousou no mar a cerca de 50 jardas (46 m) da traineira belga Gaby e a 12 milhas (19 km) da costa.

O nariz da aeronave mergulhou na água ao pousar. Os passageiros da frente da aeronave foram lançados de seus assentos e presos. Quatro passageiros sentados na cauda da aeronave escaparam, assim como os dois tripulantes. 

Uma equipe de resgate foi ajudar o avião atingido e resgatou os seis sobreviventes. O corpo de uma das vítimas também foi recuperado. Eles foram transferidos para a embarcação Dover que os levou para Folkestone. O navio entrou no porto de Folkestone às 14h45 enviando o sinal EDY, significando que as ambulâncias eram necessárias, e com sua bandeira vermelha a meio mastro. 


Os sobreviventes feridos foram levados para o Royal Victoria Hospital, em Folkestone. O corpo da vítima foi desembarcado em Folkestone, mas mais tarde foi transferido para Lydd.  

Foram recuperados mais três corpos naquele dia. Eles foram transferidos para uma lancha de propriedade do postmaster Lydd e levados para um necrotério em Lydd. Após o resgate dos destroços do G-EBMT, os mesmos foram rebocados para Dungeness, onde uma busca revelou apenas bagagens e pertences pessoais dos passageiros. Três vítimas não foram encontradas nessa fase.

Um inquérito foi aberto pelo Lydd Coroner em 19 de junho na Prefeitura de Lydd sobre as mortes das quatro vítimas cujos corpos foram recuperados.


Foram apresentadas evidências de que o piloto, Capitão Brailli era experiente, com 1.000 horas de voo. Ele trabalhava para a Imperial Airways há um ano. A aeronave mostrou estar em condições de navegar na partida de Croydon. O piloto foi o último sobrevivente a deixar a aeronave, por insistência dele. Todas as quatro vítimas morreram afogadas. Vereditos de "morte acidental" foram devolvidos em todos os casos.

O Ministério da Aeronáutica abriu uma investigação sobre o acidente de acordo com os Regulamentos de Navegação Aérea (Investigação de Acidentes) de 1922. A investigação foi iniciada em 25 de junho no Royal Courts of Justice de Londres, com Sir Arthur Colefax no comando. 

A causa da falha do motor foi a fratura da biela nº 4 do motor de estibordo. O motor funcionou por 126 horas desde a última revisão, sendo o tempo permitido entre as revisões de 300 horas. A biela havia falhado devido à falha dos pinos do rolamento da extremidade grande.


O Certificado de Aeronavegabilidade da aeronave havia sido renovado pela última vez em novembro de 1928 e era válido por um ano. Sua carga máxima permitida era de 2.946 libras (1.336 kg); a carga da aeronave era 2.494 libras (1.131 kg) na partida de Croydon. 

A prova foi dada por três dos quatro passageiros sobreviventes e ambos os tripulantes. O quarto passageiro sobrevivente não foi chamado porque era legalmente menor na época e havia perdido o pai no acidente. 

O inquérito foi encerrado em 3 de julho. A Imperial Airways e a Napier, o fabricante do motor, foram inocentados de qualquer culpa pelo acidente. O relatório da investigação foi publicado em 12 de julho. Entre as recomendações estavam que os passageiros deveriam receber cintos de segurança e que as aeronaves incapazes de manter voo nivelado com um motor inoperante e não projetadas para pousar na água deveriam ser retiradas das rotas continentais após 1º de julho de 1930.

Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipedia e ASN