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Em 7 de junho de 1949, o avião Curtiss C-46D-5-CU Commando, prefixo NC92857, da empresa Strato-Freight, iria realizar o voo entre San Juan, em Porto Rico, e Miami, na Flórida, nos Estados Unidos.
Representação artística de um Curtiss C-46 da Strato-Freight
Em 4 de junho de 1949 (três dias antes do acidente), o Curtis C-46 chegou a San Juan vindo de Newark, em New Jersey. A manutenção regular incluía um novo cabo de acompanhamento do flap, junto com uma verificação de ambos os motores. Devido à falha de ignição do motor direito, 13 novas velas de ignição também foram instaladas.
No dia 7 de junho, a aeronave estava em serviço para o voo para Miami, levando a bordo 75 passageiros e seis tripulantes. O voo foi configurado com 65 assentos de passageiros. Cinco passageiros eram bebês carregados nos braços de passageiros e 14 tinham entre 2 e 12 anos de idade. Pelo menos cinco passageiros além de bebês compartilhavam um assento com outro passageiro.
O avião taxiou para a pista às 00h10 e decolou às 00h21. Aproximadamente um minuto depois disso, o motor direito começou a perder potência.
A tripulação declarou uma emergência e o avião, em seguida, caiu no Oceano Atlântico, cerca de 200 m (656 pés) da costa de San Juan.
A aeronave permaneceu flutuando por seis minutos, durante os quais 28 dos 81 passageiros e tripulantes conseguiram sair da aeronave. Dos 81 passageiros e tripulantes a bordo, 53 morreram. Este foi, na época, o maior número de mortos já devido a um acidente de avião.
A investigação apurou que durante a verificação de manutenção em San Juan, 13 novas velas de ignição (AC-LS-87) foram instaladas. A vela de ignição AC-LS-87 respondeu por 30 das 36 necessárias para o motor funcionar.
Este tipo de vela de ignição não foi aprovado para uso no Curtiss C-46A pelo fabricante do motor ou pelas Forças Aéreas dos Estados Unidos (que proibiu especificamente o uso desse tipo de vela de ignição nos motores Pratt e Whitney do C-46A).
Além disso, as velas de ignição do motor traseiro direito sofreram danos extremos pelo calor. Isso estava ligado à chave de ignição do motor direito encontrada na posição do magneto esquerdo, permitindo apenas que as velas de ignição traseiras disparassem.
Por fim, o Conselho de Aeronáutica Civil (CAB) determinou que "os terminais da vela de ignição para este motor estavam oleosos e sujos, e os eletrodos das velas de ignição tinham folga demais."
A companhia aérea Strato-Freight calculou o peso bruto total do NC92857 como sendo 44.500 lbs (20.185 kg), logo abaixo do máximo permitido de 45.000 lbs (20.412 kg). O Conselho de Aeronáutica Civil calculou o peso total em 48.709 lbs (22.094 kg), 3.709 lbs (1.682 kg) acima do peso máximo certificado permitido. Os passageiros a bordo estavam supostamente nervosos antes do acidente devido ao peso extra.
A investigação concluiu que "a perda de potência do motor direito antes que a aeronave atingisse a velocidade de subida ideal do monomotor, juntamente com a condição de sobrecarga da aeronave, resultou na perda de altitude e no assentamento no mar."
A licença de operação da Strato-Freight foi inicialmente suspensa, e finalmente revogada em 8 de novembro de 1949. A CAA concluiu que a empresa "(não) exerceu os cuidados exigidos do titular de um certificado de operação de transportadora aérea , e pelo padrão de suas violações manifesta uma atitude de indiferença pela segurança dos outros e um desrespeito aos regulamentos da aviação civil."
O Lockheed C-130 Hercules subiu aos céus pela primeira vez há quase sete décadas e logo se tornou um dos aviões militares mais importantes de todos os tempos. Originalmente projetado para missões de evacuação de tropas e transporte de carga, sua versatilidade permitiu a utilização em várias outras missões. Segundo a Lockheed Martin, “o Hercules esteve em todos os lugares e fez praticamente de tudo”.
Desde seu primeiro voo em 1954, estabeleceu inúmeros recordes, sendo um dos mais notáveis deles em outubro de 1963, quando a Marinha dos EUA pousou com sucesso em um porta-aviões.
A ideia de um C-130 Hercules pousando no convés de um porta-aviões parecia improvável. No entanto, esse experimento se tornou realidade nas águas tumultuadas do Atlântico Norte, a 500 milhas (805 km) da costa de Boston. O C-130 pousou e estabeleceu um recorde como o avião maior e mais pesado a pousar em um porta-aviões, um feito que ainda se mantém:
O Tenente James H. Flatley III, ao receber a missão para essa tarefa extraordinária, ficou surpreso. O Chefe de Operações Navais havia ordenado um estudo de viabilidade sobre o uso do C-130 Hercules como avião de “Super COD” (Carrier Onboard Delivery). O C-130 deveria pousar no USS Forrestal (CVA-59), o primeiro “supercarrier” da Marinha dos EUA. Com um comprimento total de 325 metros, o Forrestal foi comissionado para serviço cerca de oito anos antes do famoso pouso do C-130.
Naquela época, o Grumman C-1 Trader, um avião a pistão bimotor com capacidade limitada de carga e alcance, ocupava o papel de aeronave de transporte em porta aviões. No entanto, ele ficava aquém em termos de capacidade de carga e alcance, especialmente quando um porta-aviões operava longe da terra. Assim, o C-130, com sua estabilidade, confiabilidade, alcance estendido e capacidade de carga substancial, parecia ser uma alternativa viável.
Um avião de transporte reabastecedor KC-130F, emprestado dos fuzileiros navais dos EUA, passou por modificações menores pela Lockheed para se preparar para o teste. Essas alterações incluíam a instalação de um orifício de trem de pouso no nariz menor, um sistema de freios antideslizante melhorado e a remoção dos pods de reabastecimento em asa.
Flatley liderou a tripulação, que incluia o Comandante W.W. Stovall como co-piloto, ADR-1 E.F. Brennan como engenheiro de voo, e Ted H. Limmer Jr., piloto de teste de voo de engenharia da Lockheed. Os primeiros pousos ocorreram em um vento formidável de 40 nós. A tripulação realizou 29 pousos de toque e arremetida, 21 pousos completos sem detenção e 21 decolagens sem assistência, variando o peso bruto da aeronave entre 38.555 kg e 54.884 kg.
Incrivelmente, mesmo no extremo inferior dessa faixa de peso, o KC-130F parou completamente em 81 metros, cerca do dobro da envergadura da aeronave. Quando totalmente carregado, necessitava apenas de 227 metros para decolar e 140 metros para o pouso.
Hoje, a aeronave que bateu os recordes repousa em um museu de aviação naval da Flórida, contando essa magnífica história aos seus visitantes.
Descubra como funciona a tecnologia por trás do equipamento de segurança mais utilizado em aeroportos.
O scanner corporal é uma das principais tecnologias usadas pelos agentes de segurança em aeroportos. Ele é usado para identificar possíveis ameaças que possam estar sendo transportadas pelos passageiros em suas roupas ou em seus corpos. Mas você sabe o que os agentes veem quando alguém passa pelo scanner corporal?
Os scanners corporais de aeroporto são frequentemente controversos, pois alguns passageiros acreditam que sua privacidade está sendo invadida, já que os equipamentos produzem imagens de raios-X ou de ondas milimétricas que mostram os contornos do corpo humano.
Como funciona o scanner corporal?
O scanner corporal funciona por meio de ondas eletromagnéticas enviadas para o corpo humano e depois refletidas de volta para o equipamento. Essas ondas são capazes de penetrar nas roupas e refletir nos objetos que possam estar escondidos sob elas ou no corpo da pessoa.
De acordo com a Administração de Segurança de Transporte dos Estados Unidos (TSA), os scanners corporais utilizados nos aeroportos americanos mostram imagens em preto e branco dos corpos dos passageiros, que são exibidas em monitores que ficam em uma sala separada. Um agente de segurança, assim, verifica se há alguma ameaça em potencial no corpo do passageiro.
Importante lembrar que estamos falando aqui de um recurso específico para quando há necessidade de inspeção mais rigorosa do passageiro, o que é algo pontual. Aquele equipamento pelo qual todos os passageiros passam no momento da verificação de bagagem é apenas um detector de metais e não gera imagens do corpo.
Dá para me ver pelado no scanner corporal?
No entanto, é importante ressaltar que as imagens não mostram os detalhes do corpo, como órgãos internos ou genitais. Os scanners corporais detectam objetos, não o que há através da pele dos passageiros.
Apesar de muitas pessoas terem preocupações com sua privacidade ao passar pelo scanner corporal, a TSA garante que as imagens não ficam salvas e que todos os monitores possuem filtros de privacidade que impedem a gravação de imagens.
Pista 20 do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (Imagem: Alexandre Saconi/13.mar.2026)
No mundo todo, apenas oito rotas têm uma média de mais de cem voos diários. Isso corresponde a mais de quatro voos por hora ligando dois aeroportos únicos.
Os dados são uma compilação feita pela consultoria britânica OAG, especializada em inteligência do setor aéreo.
Veja o ranking:
Jeju - Seul (Coreia do Sul): 194 voos por dia (14,3 milhões de assentos ofertados por ano)
Melbourne - Sydney (Austrália): 134 voos por dia (8,9 milhões de assentos ofertados por ano)
Jidá - Riad (Arábia Saudita): 130 voos por dia (9,8 milhões de assentos ofertados por ano)
Hanói - Cidade de Ho Chi Minh (Vietnã): 123 voos por dia (11 milhões de assentos ofertados por ano)
Fukuoka - Tóquio (Japão): 113 voos por dia (11,4 milhões de assentos ofertados por ano)
Sapporo - Tóquio (Japão): 109 voos por dia (12 milhões de assentos ofertados por ano)
Mumbai - Délhi (Índia): 107 voos por dia (7,6 milhões de assentos ofertados por ano)
São Paulo (Congonhas) - Rio de Janeiro (Santos Dumont): 103 voos por dia (5,1 milhões de assentos ofertados por ano)
Todos os dados são da OAG, apenas a quantidade de assentos ofertados por ano da rota entre São Paulo e o Rio de Janeiro é da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Ponte aérea
A ponte aérea Rio-São Paulo se destaca no ranking devido à quantidade de decolagens realizadas, mas não pela quantidade de assentos ofertados. Mesmo estando em oitavo lugar no ranking, a conexão brasileira não está sequer entre as maiores em número de assentos ofertados no mundo, e nem é a maior da América Latina.
Na região, a ligação entre Bogotá e Medellín (Colômbia) teve 6,2 milhões de assentos ofertados em 2025, por exemplo.
Considerando que os aeroportos Santos Dumont e de Congonhas operam entre 6h e 23h, e que foram realizadas 103 operações por dia em 2025, são cerca de 6,3 voos por hora conectando os dois locais.
Então, como explicar a alta quantidade de voos da ponte aérea não ter capacidade de transportar tantos passageiros quanto em rotas com mais assentos disponíveis? A resposta está no tipo de avião usado.
Limitações
Congonhas pode realizar 44 pousos e decolagens por hora, sendo 40 para a aviação comercial regular e quatro para a aviação não regular e aviação geral (táxi-aéreo, aeronaves particulares, operação aeromédica, entre outras). O Santos Dumont, por sua vez, pode operar 29 pousos e decolagens por hora, sendo 23 para a aviação comercial regular e seis para as demais modalidades de voo.
Mais do que essas limitações, o tamanho das pistas impõe limites para que aviões maiores sejam usados. Com isso, é comum que os voos sejam feitos com aviões menores da família Airbus A320 (Latam) ou Boeing 737 (Gol). Ainda, é comum que os Embraer da família E2, operados pela Azul, também sejam usados nessa rota.
Como eles têm uma capacidade inferior, precisariam realizar mais voos para transportar a mesma quantidade de passageiros que nas rotas realizadas nos países asiáticos, onde é comum que aviões maiores, como os de fuselagem larga que levam mais de 200 passageiros por voo, realizem rotas domésticas.
Antes de junho de 1944, a estratégia militar aliada estava focada no Mediterrâneo.
Foi aqui, enquanto os exércitos anglo-americanos avançavam no Norte da África, Sicília e Itália, que as forças aéreas "táticas" aliadas ganharam domínio no campo de batalha.
Os caças-bombardeiros provaram ser os mais eficazes nessa função vital de apoio terrestre, capazes de responder de forma rápida e decisiva contra alvos ocultos e fugazes quando chamados pelos controladores avançados.
Bombardeiros leves e médios também provaram seu valor atacando posições de tropas inimigas e comunicações atrás das linhas.
A atenção agora se voltou para a iminente invasão da França, para a qual uma nova Força Aérea Expedicionária Aliada (AEAF) foi criada, comandada pelo Marechal do Ar Sir Trafford Leigh-Mallory.
Essa formação apoiaria os exércitos aliados que invadissem a Europa e, mais tarde, se deslocaria para o continente e acompanharia o avanço.
Mas, embora o papel dos caças e bombardeiros táticos da AEAF fosse claro, havia menos certeza sobre a melhor forma de empregar os "pesados" do Comando de Bombardeiros da RAF e das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos (USAAF), que representavam a força de ataque aéreo mais poderosa de todas.
Objetivos do Overlord
No início de 1944, com os preparativos para a invasão da Europa (Operação 'Overlord') bem encaminhados, os planejadores aliados procuraram identificar objetivos adequados para a força de bombardeiros pesados.
Isso incluía a força aérea alemã (Luftwaffe) no oeste, particularmente seus aviões de caça, a rede de transporte ferroviário pela qual os reforços alemães teriam que passar e as defesas inimigas nas costas da "Fortaleza Europa".
Supôs-se que mais tarde, com as tropas em terra, os bombardeiros poderiam ser chamados pelos comandantes do exército para uso contra objetivos no campo de batalha.
Nada disso agradou ao Marechal do Ar Sir Arthur Harris, o homem encarregado do Comando de Bombardeiros da RAF.
Harris tinha sua própria visão sobre o que seus bombardeiros deveriam fazer, ou seja, "ataques de área" em cidades industriais alemãs.
Esse era seu mantra desde que assumiu o comando em fevereiro de 1942. Os americanos, já comprometidos com ataques diurnos de precisão contra indústrias alemãs importantes, como submarinos, rolamentos e petróleo, também eram hostis a um desvio de esforços, embora, no caso deles, a Luftwaffe já fosse um objetivo importante.
O Comando de Bombardeiros da RAF e a Oitava Força Aérea da USAAF deveriam estar cooperando estreitamente. A diretiva "Pointblank", emitida após a conferência de líderes aliados em Casablanca, no início de 1943, instruía as forças de bombardeiros estratégicos da RAF e da USAAF a coordenar seus esforços em uma campanha aérea destinada a enfraquecer fatalmente a estrutura militar, industrial e econômica da Alemanha antes de uma invasão aliada.
A destruição da força de caça da Luftwaffe e de sua base industrial era o elemento mais importante. Os bombardeios seriam muito custosos e o próprio Dia D fracassaria, a menos que a superioridade aérea dos Aliados fosse alcançada.
Mas Harris só deu importância ao plano superficialmente, optando por se concentrar em ataques à cidade como antes, e "Pointblank" se tornou, na prática, um projeto americano.
Ataques sem escolta em 1943 resultaram na queda de centenas de bombardeiros, mas no início de 1944 os americanos foram reforçados e agora estavam protegidos por caças P-51 de longo alcance.
A maré estava prestes a virar a favor deles.
Em fevereiro de 1944, a USAAF lançou a Operação "Argumento", ou como ficou conhecida, "Grande Semana". Tratava-se de uma série de ataques sistemáticos a fábricas de montagem de aeronaves. As fábricas se mostraram mais resilientes do que o esperado e a produção foi apenas parcialmente afetada, mas os resultados no ar foram melhores. A Luftwaffe, já retirada da França e de outras frentes para defender o espaço aéreo do Reich, estava sendo dizimada por caças americanos em liberdade.
As baixas entre os pilotos alemães começaram a aumentar de forma alarmante, e os pilotos em treinamento que os substituíram não tinham experiência para sobreviver por muito tempo nesse ambiente hostil.
A partir daí, as perdas da Luftwaffe tornaram-se insustentáveis. O Tenente-General Carl Spaatz, responsável pelas forças de bombardeiros estratégicos americanos na Europa, considerou vital manter a pressão e também estava ansioso para atingir a indústria petrolífera e o suprimento de combustível da Alemanha, o que considerava a melhor maneira de enfraquecer as forças de Hitler.
Comando de Bombardeiros contra Berlim
Harris, por sua vez, prosseguia com seus ataques noturnos em áreas. No inverno de 1943/44, o Comando de Bombardeiros concentrou-se em Berlim. Harris havia prometido vencer a guerra destruindo a capital "de ponta a ponta". Mas os resultados foram fracos e as perdas, altas. Alguns dos ataques da RAF nesse período, a cidades no sul da Alemanha associadas à fabricação de aeronaves, como Leipzig e Augsburg, de fato se enquadravam na diretiva "Pointblank". Mas, fossem aeronaves, rolamentos ou petróleo, Harris não via sentido em se concentrar em alvos tão "panaceias", como ele os descrevia.
Em sua opinião, somente a degradação sistemática de todo o tecido industrial alemão poderia alcançar resultados decisivos e auxiliar a invasão. Qualquer cessação dos ataques permitiria a recuperação da produção alemã. Além disso, ele acreditava que sua força, treinada para operar à noite e incapaz de atingir alvos precisos, seria de pouca utilidade contra alvos táticos e poderia causar baixas catastróficas entre os civis franceses.
Assim, por diferentes razões, tanto Harris quanto Spaatz eram hostis ao desvio de suas forças para apoiar a invasão.
Eles se opunham particularmente a servir sob o comando de Leigh-Mallory, ex-chefe do Comando de Caça e sem experiência em operações de bombardeio. Contavam com o apoio de outros comandantes aliados que acreditavam que os objetivos táticos seriam melhor atendidos pelos bombardeiros leves da AEAF.
Mas Overlord era importante demais para permitir que tal dissidência persistisse. Em 14 de abril de 1944, tanto o Comando de Bombardeiros da RAF quanto as Forças Aéreas Estratégicas dos EUA na Europa (USSAFE – que agora incluía a Oitava Força Aérea na Grã-Bretanha e a Décima Quinta Força Aérea na Itália) foram formalmente colocadas sob a direção do General Dwight D. Eisenhower e do Quartel-General Supremo da Força Expedicionária Aliada (SHAEF).
O homem efetivamente responsável era o vice de Eisenhower, o marechal-chefe do ar Sir Arthur Tedder, que tinha muita experiência em cooperação terra-ar no Mediterrâneo e era um homem que Harris respeitava particularmente.
Diretiva do Dia D
Em 17 de abril de 1944, o Quartel-General Supremo Aliado emitiu uma diretiva que estabelecia a missão principal dos bombardeiros pesados antes do Overlord, a saber, a destruição da força de combate aéreo da Luftwaffe e a interrupção das comunicações ferroviárias para isolar a área designada para a invasão na Normandia. Tanto Harris quanto Spaatz estavam livres para continuar os ataques a alvos alemães quando os compromissos e as condições climáticas permitissem.
O primeiro desses objetivos já estava a caminho de ser alcançado, graças às táticas agressivas dos caças de escolta da USAAF sobre a Alemanha.
Os esquadrões de caça da Luftwaffe na França e na Bélgica foram desmobilizados para fornecer reforços e agora só podiam oferecer uma resistência simbólica ao número esmagador de aeronaves aliadas que apoiavam a invasão.
Apesar de sua oposição, Harris já realizava ataques a alvos ferroviários para testar a viabilidade do "Plano de Transporte". O primeiro foi contra os pátios ferroviários de Trappes, nos arredores de Paris, na noite de 6 para 7 de março. No mesmo mês, seus bombardeiros atingiram alvos semelhantes em Le Mans e Amiens. Os resultados foram um bom presságio, pois as perdas da RAF foram leves e os temores de Harris quanto à precisão eram infundados.
Novas técnicas de marcação de alvos garantiram que suas tripulações pudessem lançar suas bombas com uma precisão muito maior do que o esperado. Nas cinco primeiras operações, as baixas francesas somaram aproximadamente 110. Os líderes aliados foram encorajados e o bombardeio se intensificou, com os americanos agora se juntando também.
Winston Churchill era um dos que ainda estavam preocupados com a perda de vidas e insistiu que locais onde mais de 150 baixas francesas ou belgas poderiam ser esperadas em um único ataque fossem excluídos.
Sucesso a um custo
Ao todo, bombardeiros da RAF e da USAAF realizaram operações contra 72 centros ferroviários distintos na França, Bélgica e Alemanha Ocidental antes do Dia D — depósitos de locomotivas, instalações de reparo e pátios de manobras. Os 37 designados para a força de Harris foram todos destruídos ou seriamente danificados. Os ataques noturnos do Comando de Bombardeiros provaram ser mais precisos do que os ataques diurnos americanos — um fato que Harris fazia questão de alardear. Os pátios ferroviários de Juvisy e La Chapelle, perto de Paris, foram completamente destruídos após ataques individuais a cada um deles, com danos colaterais mínimos.
Um total de 198 bombardeiros da RAF foram perdidos — uma taxa aceitável de perdas. Infelizmente, a taxa de baixas civis em alguns casos excedeu em muito o limite prescrito de 100 a 150 cada.
Em Lille, em 9/10 de abril, 456 civis morreram e em Ghent, em 10/11 de abril, foram 428.
Mas um grande número de locomotivas foi destruído, e o número de vagões foi reduzido de 70.000 para 10.000.
Quando combinado com ataques realizados por aeronaves táticas da AEAF em pontes e linhas locais, isso significava que os reforços alemães, especialmente as divisões Panzer, que eram fortemente dependentes do transporte ferroviário, tinham muito mais dificuldade para chegar à frente quando os Aliados estivessem em terra.
Ataques precisos
Embora o sistema ferroviário fosse a prioridade em abril e maio de 1944, também houve ataques a aeródromos e fábricas de aeronaves na França. Mais uma vez, a precisão dos ataques noturnos da RAF foi impressionante. Um sucesso espetacular foi um ataque a uma fábrica de aeronaves em Toulouse em 5/6 de abril, que foi destruída depois que aeronaves do 617º Esquadrão – os famosos "Dambusters" – realizaram uma marcação precisa em baixa altitude, antecipando-se à força principal de bombardeiros.
Outros alvos eram depósitos militares e depósitos de munição.
Um ataque a um depósito militar em Mailly-le-Camp em 3/4 de maio destruiu muitos tanques e veículos, embora caças noturnos alemães tenham abatido 42 bombardeiros da RAF.
As operações de colocação de minas também continuaram. Esta sempre foi uma parte importante, mas não reconhecida, do trabalho do Comando de Bombardeiros, e na preparação para o Dia D, 2.198 missões foram realizadas para semear minas em águas inimigas de ambos os lados do corredor de invasão e nas entradas de portos que abrigavam torpedeiros a motor (E-boats) e submarinos alemães.
Suporte de campo de batalha
Com as tropas aliadas em terra na Normandia e a concentração de tropas continuando, os bombardeiros eram frequentemente chamados para auxiliar as forças terrestres. Os alvos incluíam posições de tropas inimigas, depósitos de suprimentos e linhas de comunicação. A superioridade aérea aliada significava que muitas dessas operações agora podiam ocorrer à luz do dia. O 617º Esquadrão, especialista em precisão, realizou outro "espetáculo" em 8/9 de junho, quando utilizou enormes bombas "Tallboy" para penetrar e derrubar um túnel ferroviário perto de Saumur, bloqueando a passagem de uma divisão blindada alemã que tentava alcançar a área de batalha.
Um ataque a Le Havre em 14 de junho foi outro grande sucesso e eliminou a ameaça representada pelos barcos elétricos ao transporte marítimo que abastecia a cabeça de praia.
Entretanto, ataques massivos para enfraquecer posições inimigas antes das ofensivas terrestres dos Aliados não eram isentos de riscos para as forças amigas ou civis franceses e, em alguns casos, causavam enormes danos materiais com pouco ganho.
A cidade de Caen, um objetivo do Dia D não alcançado até o final de julho, foi quase destruída e sofreu pesadas baixas como resultado do bombardeio dos Aliados.
Baseado em um acidente aéreo real de maio de 2018. Quando o para-brisas de uma aeronave comercial se estilhaça a 30.000 pés de altitude, um piloto e sua tripulação farão de tudo para garantir a segurança dos passageiros e pousar o avião.
Este filme de 1981 é uma pequena joia dos filmes de espionagem e suspense, em tempo de guerra, baseado no bestseller mundial de um dos maiores autores de ficção histórica de todos os tempos, o inglês Ken Follett.
Com um elenco afinadíssimo, centrado em Donald Sutherland, numa de suas melhores performances, a trama gira em torno de um superespião nazista que tem nas mãos um segredo militar capaz de transformar o Dia D numa sangrenta catástrofe, alterando o rumo da guerra.
No vídeo, comentamos o livro e o filme, com as curiosidades da produção e bastidores!
E mostramos que, às vezes, um grande livro pode, sim!, gerar um grande filme!!!
Em 6 de junho de 2012, o avião de cargaFairchild Swearingen SA227-AC Metro III, prefixo CX-LAS, da Air Class Líneas Aéreas (foto abaixo), operava um voo transportando carga para a DHL, partindo do Aeroporto Internacional Carrasco, em Montevideo, no Uruguai, com destino ao Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, em Buenos Aires, na Argentina.
A aeronave foi fabricada em 1981 e até aquela data possuía um total de 26.158 horas de voo. Os pilotos e únicos ocupantes do avião eram o capitão Walter Rigo, de 63 anos, que tinha mais de 16.000 horas de voo, e o primeiro oficial Martín Riva, de 34 anos, que tinha 406 horas de voo.
O voo decolou da pista 24 do Aeroporto de Montevidéu por volta das 19h55, horário local. Durante a subida para o nível de voo 080 (FL80), o voo realizou uma curva à esquerda. O controlador contatou o voo e, pouco depois, os pilotos responderam que mudariam o curso para o ponto de referência SARGO. Logo após essa comunicação, o voo caiu nas águas do Rio da Prata, perto da Ilha das Flores, no Uruguai, matando ambos os pilotos.
A Força Aérea e a Marinha do Uruguai iniciaram as buscas pela aeronave após a perda de contato com o voo. Após várias semanas, 50% da área de busca havia sido coberta, mas nem os destroços nem os pilotos haviam sido encontrados.
Em 20 de julho de 2012, o local do acidente foi encontrado. Ele estava localizado a cerca de 2 km a sudoeste da Ilha das Flores. Os destroços da aeronave cobriam uma área de cerca de 90 metros de raio, e a caixa-preta da aeronave foi recuperada para investigação. Embora a maioria das partes da aeronave tenha sido recuperada, os corpos dos pilotos nunca foram encontrados.
A Comissão Uruguaia de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação, parte do Ministério da Defesa Nacional, chefiou a investigação.
O Escritório de Investigação e Prevenção de Acidentes e Incidentes de Aviação do Uruguai (OIPAIA) divulgou seu relatório preliminar em espanhol, informando que tanto o gravador de voz da cabine quanto o gravador de dados de voo não continham informações sobre o voo do acidente. Os dados encontrados nos gravadores eram do voo imediatamente anterior, para Montevidéu.
Restos de um motor recuperado (Foto: Regueira via Slat)
A aeronave transportava uma carga de 750 kg, que ocupava cerca de 40% do volume do compartimento de carga. Embora presentes, as redes de contenção da carga não foram utilizadas, e a carga estava amarrada ao piso. O comandante (63 anos, ATPL, 16.177 horas de voo totais), que acompanhava o carregamento, foi observado ao telefone celular por pessoal de solo naquele momento, inclusive durante os preparativos pré-voo dentro e fora da aeronave.
O primeiro oficial (34 anos, CPL, 406 horas de voo totais) chegou ao portão de entrada do aeroporto cerca de 30 minutos antes da decolagem e entrou na aeronave pouco antes da partida dos motores, fechando a porta dos passageiros. O OIPAIA observou que o primeiro oficial não havia realizado nenhum curso de gerenciamento de recursos da tripulação.
Gravador de voz da cabine, impressão de data na foto errônea (Foto: Marinha do Uruguai)
A aeronave retornou pela pista 24 para alinhar para a decolagem e, em seguida, decolou. Após receber autorização para a transição para SARGO e para o nível de voo 100 (FL100), a aeronave foi transferida para o controle de Montevidéu. A tripulação solicitou o nível de voo 080 (FL080) ao contatar o controle de Montevidéu e foi autorizada a voar diretamente para SARGO e subir e manter o FL080.
O controle de tráfego aéreo percebeu que a aeronave estava saindo da rota e questionou o voo, que respondeu que estava se dirigindo para SARGO. A aeronave fez uma curva acentuada à direita e desapareceu do radar.
De acordo com os cálculos, a aeronave impactou a água com uma atitude de 40 graus de nariz para baixo e a aproximadamente 570 nós, sendo completamente destruída. A maior parte dos destroços foi posteriormente localizada em S34.9617 W55.9136. Não foram encontrados vestígios dos corpos nem da carga, apenas algumas peças de roupa que foram identificadas como pertences da tripulação.
O relatório lista um grande número de discrepâncias entre a documentação da aeronave e o equipamento real (incluindo hélices diferentes das documentadas), bem como entradas ausentes no diário de bordo. A equipe de manutenção utilizou manuais desatualizados. As listas de verificação do piloto não estavam em conformidade com os requisitos do fabricante da aeronave.
Trajetória de radar (Gráficos: AVH/Google Earth)
A tripulação não seguiu os métodos para calcular a massa e o balanceamento, embora tenha consultado o serviço meteorológico para o briefing de voo.
Um alerta meteorológico significativo (SIGMET) foi emitido às 17h25 UTC referente ao aeroporto de destino, Ezeiza, indicando formação severa de gelo entre os níveis de voo 010 e 150.
Mapa (Gráficos: AVH/Google Earth)
A análise dos destroços não revelou vestígios de incêndio (antes ou depois do impacto), ambos os motores e hélices estavam operando normalmente no momento do impacto, e os testes dos sistemas elétricos mostraram resistência normal a descargas estáticas.
A investigação realizada descartou:
- falha de qualquer motor ou hélice;
- desprendimento de qualquer hélice ou motor;
- sobrecarga elétrica;
- contaminação do combustível.
O voo acidentado não pôde ser repetido devido aos riscos envolvidos.
O voo 2303 da China Northwest Airlines foi um voo doméstico de Xi'an para Guangzhou, na República Popular da China. Em 6 de junho de 1994, a aeronave que operava o voo, um Tupolev Tu-154M, se desintegrou durante o voo e caiu como resultado de um mau funcionamento do piloto automático que causou tremores violentos e sobrecarregou a estrutura da aeronave. Todas as 160 pessoas a bordo morreram. Este continua sendo o acidente de avião mais mortal de todos os tempos na China continental.
Aeronave
A aeronave era o Tupolev Tu-154M, prefixo B-2610, da China Northwest Airlines (foto acima), que foi concluído pela Fábrica de Aviação Kuibyshev (KuAPO) em 22 de dezembro de 1986, e imediatamente transferido para a Administração de Aviação Civil da China (CAAC).
Em 1º de julho de 1988, devido à reorganização, a CAAC transferiu a aeronave para a China Northwest Airlines. A aeronave era equipada com três motores turbojato Soloviev D-30 KU-154-II da fábrica de motores de Rybinsk. No dia do acidente, a aeronave contava com 12.507 horas de voo e 6.651 ciclos de decolagem e pouso.
Tripulantes e passageiros
Tripulação
A tripulação de voo era composta pelo capitão Li Gangqiang, o capitão docente Xin Tiancai, o primeiro oficial Yang Min, o piloto Zhang Nanjing e o engenheiro de voo Kang Youfa. Havia também nove comissários de bordo.
Passageiros
Voo e acidente
A aeronave decolou do Aeroporto Internacional de Xi'an Xianyang às 8h13 do dia 6 de junho de 1994. Na época, estava chovendo, mas isso não atrasou a decolagem.
Vinte e quatro segundos após a decolagem, a tripulação relatou que a aeronave estava "flutuando" e emitindo um som anormal, mas ainda era capaz de manter a velocidade de 400 quilômetros por hora (250 mph).
Três minutos após a decolagem, o avião sobrevoou a cidade de Xi'an e virou para sudeste. A tripulação relatou uma inclinação instável de até 20° e 30° às 8h16m24s e às 8h16m58s, respectivamente.
A rota do voo 2303
Às 8h17m06s, enquanto sobrevoava o município de Mingdu, condado de Chang'an, Shaanxi , a aeronave tornou-se incapaz de manter sua atitude designada. A tripulação então ativou temporariamente o piloto automático, o que fez com que a aeronave virasse à direita inesperadamente.
Às 8h22m27s, com a aeronave viajando a 373 quilômetros por hora (232 mph), o alerta de estol foi ativado. A aeronave inclinou perigosamente para a esquerda e caiu de 4.717 metros (15.476 pés) para 2.884 metros (9.462 pés) em 12 segundos, a uma velocidade de 747 quilômetros por hora (464 mph).
Às 8h22m42s, a aeronave se desintegrou no ar acima do subúrbio de Tsuitou Village, em Mingyu Township, a 29 km (18.1 mls) do Aeroporto Internacional Xian-Xianyang.
Todos os 146 passageiros e 14 tripulantes morreram, a maioria no impacto. Os destroços pousaram a sudeste do aeroporto, espalhados por 18 milhas (29 km) de terras agrícolas.
Investigação
A má manutenção foi a causa provável do acidente. Na noite anterior, o canal de guinada do piloto automático havia sido conectado erroneamente ao controle do banco, e o canal do banco aos controles de guinada, durante a manutenção em uma instalação não aprovada.
Resultado
Este acidente, bem como o acidente do voo 4509 da China Southwest Airlines em 1999, resultou na decisão da China de aposentar o Tupolev Tu-154. Todos os Tu-154s na China foram retirados de serviço em 30 de outubro de 2002. Em 2003, as companhias aéreas da China Northwest se fundiram com a China Eastern Airlines. O voo 2303 ainda está em uso, pela China Eastern Airlines, para o voo Xian - Guangzhou.
O Voo da Copa Airlines 201 foi um voo regular de passageiros do Aeroporto Internacional Tocumen, na Cidade do Panamá, no Panamá, para o Aeroporto Internacional Alfonso Bonilla Aragón, em Cali, na Colômbia.
Em 6 de junho de 1992, o Boeing 737-204 Advanced operando a rota rolou, entrou em um mergulho íngreme, desintegrou-se no ar e caiu na selva de Darién Gap 29 minutos após a decolagem, matando todas as 47 pessoas a bordo. O rompimento durante o voo foi causado por leituras incorretas de instrumentos e vários outros fatores contribuintes, incluindo treinamento incompleto.
O voo 201 é o acidente mais mortal da história da aviação panamenha e o primeiro e único acidente fatal na história da Copa Airlines
Aeronave e tripulação
A aeronave era o Boeing 737-204 Advanced, prefixo HP-1205CMP, da Copa Airlines (foto acima), pilotado pelo Capitão Rafael Carlos Chial (53) e pelo primeiro oficial Cesareo Tejada (25), com 5 comissários neste voo.
O voo Copa 201 transportava 40 passageiros e 7 tripulantes. O jato foi fabricado em 1980 e entrou em serviço com a Britannia Airways com o número de cauda G-BGYL. A aeronave foi adquirida pela Copa Airlines como resultado do contrato de leasing que ambas as empresas tinham na década de 1990, e a aeronave ainda trazia uma pintura híbrida Britannia/Copa (ainda usava as listras da Britannia, mas com títulos "Copa" na fuselagem dianteira e cauda, e a bandeira panamenha na parte central da fuselagem) no momento do acidente.
O voo e o acidente
Os locais dos aeroportos de embarque e desembarque
O voo 201 decolou da pista 21L no Aeroporto Internacional de Tocumen, na Cidade do Panamá, às 20h37 horário local como um voo regular de passageiros para Cali, Colômbia, com 40 passageiros e sete tripulantes. Entre os passageiros estavam comerciantes colombianos com negócios no Panamá.
Às 20h47, cerca de 10 minutos após a decolagem, o Capitão Chial contatou o Controle de Tráfego Aéreo da Cidade do Panamá, solicitando informações sobre o tempo. O controlador relatou que havia uma área de muito mau tempo a 30-50 milhas (50-80 quilômetros) de sua posição.
Às 20h48, o Capitão Chial fez outro contato por rádio solicitando permissão do ATC da Cidade do Panamá para voar em uma rota diferente devido ao mau tempo que se avizinhava. A nova rota levaria o avião sobre a província de Darién.
Seis minutos depois, às 20h54, o Centro de Controle da Cidade do Panamá recebeu uma terceira mensagem do Capitão Chial, que relatou problemas com o avião e fez um pedido de retorno para Tocumen, o qual foi atendido.
No entanto, às 20h56, 2 minutos depois, enquanto voava a uma altitude de 25.000 pés (7.620 metros), o voo 201 entrou em um mergulho íngreme em um ângulo de 80 graus para a direita e começou a rolar incontrolavelmente enquanto acelera em direção ao solo.
Apesar das tentativas do Capitão Chial e do Primeiro Oficial Tejada de nivelar, o avião continuou seu mergulho íngreme, até que ultrapassou a velocidade do som e começou a se desintegrar a 10.000 pés (3.048 metros).
A maioria dos corpos teve suas roupas rasgadas e foram jogados para longe da aeronave. O voo 201 caiu em uma área de selva dentro de Darien Gap a 486 nós (560 milhas por hora, 900 quilômetros por hora), matando todas as pessoa a bordo.
Às 20h57, o Controle de Tráfego Aéreo Tocumen tentou, sem sucesso, fazer contato com o voo até receber uma mensagem de rádio de uma aeronave KLM DC-10 que se aproximava do aeroporto, informando que interceptaram um sinal de socorro do transponder do voo 201 em uma área entre a fronteira com a Colômbia e a província de Darien, a vários quilômetros de distância de sua posição.
Após várias tentativas infrutíferas de contato com o avião perdido, o ATC Tocumen finalmente declarou emergência total no aeroporto e informou ao centro ATC colombiano em Bogotá sobre o avião desaparecido. Na madrugada do dia seguinte, aeronaves de busca foram enviadas para a última posição conhecida do voo 201.
Após 8 horas, os pesquisadores localizaram os primeiros destroços na selva de Darien Gap. Devido ao afastamento da área e à dificuldade de acesso, a equipe de resgate demorou 12 horas para chegar ao local.
Como os corpos das vítimas e várias partes da fuselagem da aeronave estavam espalhados em um raio de 10 km (6,2 milhas), o processo de recuperação foi extremamente difícil. Depois que os investigadores chegaram ao local do acidente, a investigação para encontrar a causa do acidente começou.
A aeronave transportava 47 pessoas: 40 passageiros e uma tripulação de sete. As mortes incluíram 36 colombianos, oito panamenhos, dois americanos e um italiano.
Relatos de testemunhas oculares
Na manhã do dia seguinte, as estações de rádio da Colômbia e do Panamá noticiaram que alguns moradores de Tucutí e de outras aldeias próximas ao local do acidente disseram que na noite do acidente sentiram uma explosão muito forte, enquanto outros disseram que viram um objeto em chamas que caía do céu em direção à selva.
No entanto, esses relatórios foram rejeitados pelo chefe da autoridade de aviação civil do Panamá, Zosimo Guardia.
Investigação
Um indicador de direção de atitude com localizador integrado e glideslope e indicadores de barra de comando de direção de vôo split-cue. Devido a um curto-circuito, os indicadores do voo 201 mostraram leituras incorretas, confundindo os pilotos.
O gravador de voz da cabine foi recuperado e enviado para a Cidade do Panamá, depois para os Estados Unidos, para análise do National Transportation Safety Board. No entanto, os analistas do NTSB descobriram que a fita estava quebrada devido a um erro de manutenção. Os investigadores do acidente tiveram mais sorte com o gravador de dados de voo, que mostrou que o avião estava em um mergulho em alta velocidade antes de se separar.
O problema foi posteriormente rastreado para um chicote de fiação defeituoso nos instrumentos Indicador do Diretor de Atitude (ADI). Os fios estavam desgastados devido a danos por sobretensão de longo prazo, o que causou um curto-circuito intermitente no fluxo de dados do Giroscópio Vertical (VG) do lado do piloto, VG-1, para o ADI do lado do piloto.
Este problema foi agravado no voo do acidente. Existem dois visores ADI, alimentados independentemente pelo seu próprio VG - um par ADI/VG para o piloto e um par separado para o copiloto. No caso de um dos VG ter um problema, a tripulação pode alternar manualmente qualquer ADI para usar o outro VG. O interruptor do ADI do Capitão foi encontrado no local do acidente na posição "Ambos no VG-1", alimentando ambos do ADI do mesmo VG do lado do piloto intermitentemente defeituoso.
Um Horizonte artificial de um Boeing 737-200. Devido a um curto-circuito, os indicadores no voo 201 apresentavam leituras defeituosas que causavam confusão aos pilotos.
Como consequência, ambos os ADI permaneceriam momentaneamente inalterados (sem novos dados passando), levando a tripulação a acreditar que o avião ainda estava voando em uma atitude particular, solicitando, assim, uma entrada de controle adicional pela tripulação, esperando que o ADI mostrasse que eles alcançaram a nova atitude conforme solicitado.
Em essência, o ADI disse à tripulação que o avião ainda estava virando para a esquerda, o que levou mais informações do piloto a virar para a direita. Essa reação rolou a aeronave a quase 80 graus e fez com que ela mergulhasse de maneira acentuada, sem chance de recuperação.
A equipe de investigação também descobriu que o ADI de reserva (Stand-by) estava provavelmente disponível para os pilotos durante a falha intermitente dos sistemas de instrumentos principais (o dano pós-impacto do indicador Stand-by mostrou que estava operando corretamente até o impacto com o solo), mas devido a um procedimento de verificação cruzada ineficaz feito pelos pilotos, o ADI de backup não foi usado corretamente para identificar o problema e selecionar uma fonte confiável de informações de atitude.
Outro fator que contribuiu para o acidente foi que o programa de simulador de treinamento em solo da Copa Airlines foi ineficaz, pois não apresentava informações suficientes sobre as diferenças entre o gerenciamento de recursos da aeronave e da tripulação para dar à tripulação conhecimento para superar o indicador de atitude intermitente erros e manter o controle de uma aeronave com os instrumentos auxiliares ADI/VG.
Além disso, na aeronave acidentada, os pilotos estavam tentando aplicar o que haviam aprendido no simulador em relação a este assunto, mas devido ao movimento da chave do ADI para a posição "Ambos no VG-1" e a informação insuficiente durante seu treinamento; a referência do VG-2 foi perdida e os pilotos não conseguiram identificar o problema como consequência.
Outro fator que contribuiu para o acidente foram as configurações não padronizadas de cockpit entre as aeronaves da frota da empresa, incluindo inconsistências entre as aeronaves e os simuladores utilizados para o treinamento. Isso causou confusão aos pilotos sobre como determinar a configuração dos interruptores ADI para a aeronave que estava sendo operada no momento.
Apesar de ter algumas semelhanças com outros incidentes relacionados ao Boeing 737 durante os anos 1990 (como o voo 585 da United Airlines), a possibilidade de desvio do leme em voo foi descartada como uma possível causa do acidente. Porém, o Voo 201 foi registrado na categoria de “acidentes por desvio suspeito do leme”.
Resposta da Copa Airlines
Após o desastre, a Copa concedeu voos para a Cidade do Panamá às famílias das vítimas; os principais membros executivos da Copa Holdings declararam uma sessão de reunião de emergência permanente na sede da companhia aérea na Cidade do Panamá.
A Copa Airlines teve que fortalecer seu programa de treinamento para tripulações de voo: em particular, para pilotos que aprendiam a pilotar diferentes tipos de aeronaves, e em diversas habilidades, como superar erros intermitentes do Indicador de Atitude (ADI) e a capacidade de manter o controle da aeronave durante falhas do instrumento em condições climáticas adversas.
A Copa também teve que reconfigurar as operações de sua frota por meio de uma grande reformulação até se tornar uma das companhias aéreas mais modernas e seguras das Américas.
O acidente continua sendo o acidente de avião mais mortal na aviação panamenha e na história da Copa Airlines em 2021.
Ações judiciais
Como resultado do acidente, os parentes dos que morreram no acidente entraram com 49 processos por homicídio culposo contra Lucas Aerospace , um dos fornecedores de peças do Boeing 737. O caso foi resolvido fora do tribunal por um valor não revelado.
Em 1993, um dos parentes de Clariza Bernal Luna, um dos passageiros norte-americanos que estavam no voo, moveu uma ação contra a Copa Airlines em um tribunal federal do Texas, alegando que a companhia aérea havia vendido uma passagem para o passageiro por meio de uma agência de viagens em Houston, embora a companhia aérea não tenha um centro de operações no Texas. O caso acabou sendo rejeitado pelo tribunal em 30 de março de 1994.
Cobertura da mídia
Um ano após o acidente, a história do acidente do voo 201 e sua investigação foi apresentada em um documentário da WGBH, BBC e NDR. Foi exibido nos Estados Unidos na série PBS NOVA como 'Mysterious Crash of Flight 201', em 30 de novembro de 1993, e no Reino Unido na série Horizon como 'Air Crash - The Deadly Puzzle', em 14 de fevereiro de 1994.
O acidente também foi o assunto de um episódio da 14ª temporada do Discovery Channel/National Geographic série Mayday. O episódio com o título 'Flight 201 - Sideswiped', estreou em março de 2015.