Em 6 de junho de 2012, o avião de carga Fairchild Swearingen SA227-AC Metro III, prefixo CX-LAS, da Air Class Líneas Aéreas (foto abaixo), operava um voo transportando carga para a DHL, partindo do Aeroporto Internacional Carrasco, em Montevideo, no Uruguai, com destino ao Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, em Buenos Aires, na Argentina.
A aeronave foi fabricada em 1981 e até aquela data possuía um total de 26.158 horas de voo. Os pilotos e únicos ocupantes do avião eram o capitão Walter Rigo, de 63 anos, que tinha mais de 16.000 horas de voo, e o primeiro oficial Martín Riva, de 34 anos, que tinha 406 horas de voo.
O voo decolou da pista 24 do Aeroporto de Montevidéu por volta das 19h55, horário local. Durante a subida para o nível de voo 080 (FL80), o voo realizou uma curva à esquerda. O controlador contatou o voo e, pouco depois, os pilotos responderam que mudariam o curso para o ponto de referência SARGO. Logo após essa comunicação, o voo caiu nas águas do Rio da Prata, perto da Ilha das Flores, no Uruguai, matando ambos os pilotos.
A Força Aérea e a Marinha do Uruguai iniciaram as buscas pela aeronave após a perda de contato com o voo. Após várias semanas, 50% da área de busca havia sido coberta, mas nem os destroços nem os pilotos haviam sido encontrados.
Em 20 de julho de 2012, o local do acidente foi encontrado. Ele estava localizado a cerca de 2 km a sudoeste da Ilha das Flores. Os destroços da aeronave cobriam uma área de cerca de 90 metros de raio, e a caixa-preta da aeronave foi recuperada para investigação. Embora a maioria das partes da aeronave tenha sido recuperada, os corpos dos pilotos nunca foram encontrados.
A Comissão Uruguaia de Investigação de Acidentes e Incidentes de Aviação, parte do Ministério da Defesa Nacional, chefiou a investigação.
O Escritório de Investigação e Prevenção de Acidentes e Incidentes de Aviação do Uruguai (OIPAIA) divulgou seu relatório preliminar em espanhol, informando que tanto o gravador de voz da cabine quanto o gravador de dados de voo não continham informações sobre o voo do acidente. Os dados encontrados nos gravadores eram do voo imediatamente anterior, para Montevidéu.
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| Restos de um motor recuperado (Foto: Regueira via Slat) |
O primeiro oficial (34 anos, CPL, 406 horas de voo totais) chegou ao portão de entrada do aeroporto cerca de 30 minutos antes da decolagem e entrou na aeronave pouco antes da partida dos motores, fechando a porta dos passageiros. O OIPAIA observou que o primeiro oficial não havia realizado nenhum curso de gerenciamento de recursos da tripulação.
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| Gravador de voz da cabine, impressão de data na foto errônea (Foto: Marinha do Uruguai) |
O controle de tráfego aéreo percebeu que a aeronave estava saindo da rota e questionou o voo, que respondeu que estava se dirigindo para SARGO. A aeronave fez uma curva acentuada à direita e desapareceu do radar.
De acordo com os cálculos, a aeronave impactou a água com uma atitude de 40 graus de nariz para baixo e a aproximadamente 570 nós, sendo completamente destruída. A maior parte dos destroços foi posteriormente localizada em S34.9617 W55.9136. Não foram encontrados vestígios dos corpos nem da carga, apenas algumas peças de roupa que foram identificadas como pertences da tripulação.
O relatório lista um grande número de discrepâncias entre a documentação da aeronave e o equipamento real (incluindo hélices diferentes das documentadas), bem como entradas ausentes no diário de bordo. A equipe de manutenção utilizou manuais desatualizados. As listas de verificação do piloto não estavam em conformidade com os requisitos do fabricante da aeronave.
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| Trajetória de radar (Gráficos: AVH/Google Earth) |
A tripulação não seguiu os métodos para calcular a massa e o balanceamento, embora tenha consultado o serviço meteorológico para o briefing de voo.
Um alerta meteorológico significativo (SIGMET) foi emitido às 17h25 UTC referente ao aeroporto de destino, Ezeiza, indicando formação severa de gelo entre os níveis de voo 010 e 150.
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| Mapa (Gráficos: AVH/Google Earth) |
A investigação realizada descartou:
- falha de qualquer motor ou hélice;
- desprendimento de qualquer hélice ou motor;
- sobrecarga elétrica;
- contaminação do combustível.
O Relatório Final foi divulgado três anos e quatro meses após o acidente.










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