Acidente no interior de SP deixou Barrerito paraplégico e impactou a formação clássica de um dos nomes mais populares do gênero.
“Trio Parada Dura” é um nome tão consolidado no sertanejo e na cultura popular brasileira que virou uma referência no cotidiano. No dia a dia, é comum usar o nome para falar de um trio de amigos destemidos, autênticos, capazes de enfrentar qualquer desafio – até mesmo uma queda de avião.
Foi o que aconteceu em 1982 com Creone, Barrerito e Mangabinha, a formação clássica do grupo. A aeronave caiu em Espírito Santo do Pinhal (SP). Todos saíram vivos, mas Barrerito ficou paraplégico.
Creone lembra bem daquele 6 de setembro. Antes do voo, o radialista Zé Béttio até brincou com o piloto: “Cuidado, hein? Vai matar meu trio”. A frase acabou soando como um presságio.
Pouso forçado
Naquele dia, o trio saiu de São Paulo rumo a Cruzília (MG). No auge do sucesso, a agenda lotada exigia viagens de avião. Eles decolaram do Campo de Marte sob chuva forte, fizeram uma parada em Campinas para abastecer e seguiram viagem. Chovia tanto que o piloto se perdeu.
Ao avistar uma pista em Espírito Santo do Pinhal, decidiu pousar para se localizar. Mas o vento e o tamanho da pista atrapalharam.
“Ele foi pousar, não conseguiu. Quando viu que não dava mais, foi arremeter o avião de novo para voltar para a pista e não conseguiu. Foi onde ele falou: ‘Nós temos que descer aqui, em qualquer lugar, agora”, diz Creone, o único integrante da formação clássica que permanece no Trio.
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| Creone, do Trio Parada Dura, relembra queda de avião que mudou história do grupo (Foto: Pedro Santana/EPTV) |
O pouso forçado terminou em queda. A experiência foi traumática e todos os ocupantes da aeronave tiveram ferimentos. Creone, por exemplo, quebrou três costelas.
“Eu lembro que eu tirei o cinto e abracei o banco do piloto. E pensei: Deus é quem cuida de nós, e seja o que Deus quiser”, lembra.
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| (Imagem via Fan clube barrerito) |
Ele e os demais voltaram para tentar retirá-lo do avião. Barrerito gritava de dor. “Eu acho que tentar tirar ele dali machucou mais ainda. Porque era só uma portinha para tirar um homem daquele tamanho, deitado ali”.
Separação do trio
Barrerito voltou aos palcos após a recuperação e seguiu no Trio Parada Dura até 1987. O jornalista e pesquisador André Piunti, um dos maiores especialistas em música sertaneja no Brasil, explica que a imagem da formação clássica do Trio Parada Dura após o acidente virou algo simbólico.
“É algo muito diferente no sertanejo. Dois caras de pé, o rapaz de cadeira de rodas cantando ali no meio. É uma das histórias mais ricas, mais importantes, e também um dos repertórios mais ricos que é regravado até hoje pela galera da nova geração”, diz Piunti.
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| (Imagem via Fan clube barrerito) |
A saída de Barrerito abriu espaço para a entrada definitiva do irmão, Parrerito, no trio. Após o acidente, ele já havia assumido o lugar do irmão temporariamente, durante a recuperação.
Parrerito morreu em 13 de setembro de 2020, aos 67 anos, vítima de complicações da Covid-19.
Já Barrerito morreu em 1998, aos 56 anos, após um ataque cardíaco. Mesmo depois do trauma, seguiu na música e lançou oito discos na carreira solo, com sucessos como "Onde Estão os Meus Passos", "Morto por Dentro" e "Cadeira Amiga”.
Nesta última o reflexo do acidente na produção do músico é claro. Barrerito se refere à cadeira de rodas como um “presente que não desejo a ninguém”. Ainda assim, ele nunca deixou a tristeza vencer.
“Este cantor magoado ainda vai cantar de pé / A minha voz é força que vem de dentro / E apesar do sofrimento ainda não perdi a fé”.
Via Bárbara Marques, Marcello Carvalho, Paulo Gonçalves (g1 Campinas e Região), Fan clube barrerito e Canal Aviões e Músicas
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