quarta-feira, 11 de março de 2026

Você sabia? Planta da família da canola produz óleo que serve como combustível de avião e vira aposta entre produtores gaúchos

A carinata é uma oleaginosa de inverno, que não compete com as principais culturas do Rio Grande do Sul, e pode trazer renda com investimento médio para as propriedades rurais.

Combustível para avião pode ser feito a partir da semente da carinata (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Os combustíveis estão no centro do debate mundial desde o fechamento do Estreito de Ormuz em meio à guerra entre Israel e Estados Unidos e o Irã. O preço do barril de petróleo já ultrapassou os US$ 100, o da gasolina disparou em postos Brasil afora e, no Rio Grande do Sul, produtores relatam dificuldades na compra do diesel em um momento crucial para a safra de verão.

O mercado, seja doméstico ou internacional, é feito de oferta e demanda. Diante de uma possível crise de desabastecimento, uma nova cultura de inverno surge como uma aposta entre agricultores gaúchos e pode trazer renda às propriedades rurais.

Trata-se da carinata, uma oleaginosa da família da canola que pode ser usada para a produção de combustível de avião e está chegando como uma novidade na Expodireto Cotrijal, que ocorre em Não-Me-Toque até esta sexta-feira (13).


“A cultura da carinata, essa sim é uma inovação que está chegando agora aos nossos agricultores. É uma cultura de inverno, como a canola. Vamos dizer, é uma prima-irmã, uma parente muito próxima da canola”, explica o gerente de produção de Sementes da Cotrijal, Alexandre Doneda.

De acordo com Doneda, o cultivo da carinata é destinado exclusivamente para a produção de combustível para avião.

Uma das vantagens da produção deste grão é justamente que ele não compete com as principais culturas produzidas no Rio Grande do Sul, como a soja e o milho, que são grãos de verão. A carinata, assim como a canola ou o trigo, é um cereal de inverno.

“Uma das grandes vantagens é que ela é uma oleaginosa, igual à soja, mas não compete. A soja é de verão e ela é de inverno. Ela floresce, produz suas vagens e grãos e (sua colheita) é muito parecida com a canola. Quando ela seca, é o momento certo de fazer a colheita, no inverno”, explica Doneda.


Para o gerente de produção de Sementes da Cotrijal, o grão pode ser uma grande aposta para os produtores gaúchos já neste inverno, trazendo renda com investimento médio aos produtores e ajudando na rotação de culturas.

“Estamos trabalhando muito com pesquisa dela. Já temos algumas áreas comerciais e é uma grande aposta para o período de inverno para gerar renda às nossas propriedades. É uma cultura que vem se adaptando muito bem ao nosso cenário de propriedades, à nossa região. Conseguimos fazer, com investimento médio, todo o trabalho de desenvolvimento dela. Então, é uma grande aposta para o período de inverno. Além de ser uma oportunidade de rotação de culturas”, diz Doneda.

A rotação de culturas é muito importante para as propriedades rurais, sejam de pequeno, médio ou grande porte. Consiste em alternar espécies vegetais em uma mesma área agrícola e ajuda no controle de erosão, elevação dos níveis de carbono no solo, diminuição de ervas daninhas, fertilização dos solos — ou seja, a manter a terra saudável.

“É oportunidade de gerar renda em uma parte da propriedade e, claro, nas demais, continuar com as plantas de cobertura, com o trigo. Ou seja, não apostar somente em uma cultura”, pontua Doneda.

Via Diego Nuñez, Marco Matos, g1 RS e RBS TV

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