quinta-feira, 2 de abril de 2026

X-76: futuro avião militar que não usa pista para decolar começa nova fase

Concepção artística do X-76, futuro demonstrador de novas tecnologias
(Imagem: Colie Wertz/Divulgação/Darpa)
A empresa norte-americana Bell concluiu uma etapa crítica do desenvolvimento de um novo avião experimental financiado pelo governo dos Estados Unidos. O projeto recebeu oficialmente a designação X-76, entrando para a tradicional família de aeronaves experimentais conhecidas como X-planes.

O marco ocorreu após uma revisão técnica que aprovou o projeto para o início da construção de um demonstrador, primeiro exemplar destinado a testar a viabilidade do modelo.

Com isso, a Bell passa agora à fase de fabricação da aeronave, que faz parte do programa Sprint (Speed and Runway Independent Technologies, ou, Tecnologias de Alta Velocidade e Independência de Pista) da agência de pesquisas militares Darpa (Defense Advanced Research Projects Agency), braço de projetos avançados do Departamento de Defesa dos EUA.

O projeto foi disputado por diferentes empresas do setor aeroespacial, incluindo a Aurora Flight Sciences, da Boeing.

A aeronave


O X-76 será construído pela Bell (Imagem: Colie Wertz/Divulgação/Darpa)
O X-76 foi concebido para desenvolver e testar novas tecnologias de aeronaves capazes de combinar alta velocidade com capacidade de decolagem vertical. Isso elimina a necessidade do uso de pistas, aumentando a capacidade de atuação dessas aeronaves.

O objetivo é resolver um dilema histórico da aviação militar: aeronaves muito rápidas normalmente precisam de pistas longas, enquanto helicópteros conseguem operar sem pista, mas têm velocidade limitada.

O modelo tenta misturar o melhor dos dois mundos, em uma espécie de convertiplano, capaz de decolar na vertical e depois fazer a transição para o voo horizontal ao redirecionar o vetor de propulsão.

O programa começou oficialmente em novembro de 2023. Na primeira fase, empresas do setor aeroespacial apresentaram conceitos iniciais e realizaram estudos de viabilidade tecnológica.

Posteriormente, duas empresas foram selecionadas para continuar o desenvolvimento preliminar: a Bell e a Aurora Flight Sciences, da Boeing.

A fase atual inclui o detalhamento final do projeto, a construção da aeronave experimental e testes em solo. O primeiro voo está previsto para ocorrer em uma etapa posterior do programa ainda sem data divulgada.

Para que um X-Plane?


Modelo X-Plane da Bell durante os testes em túnel de vento (Crédito da imagem: Bell)
O X-76 foi concebido para demonstrar uma nova geração de aeronaves capazes de operar em ambientes onde pistas de pouso não estão disponíveis ou podem ser destruídas em combate. Não há confirmação ainda de que possa ser usado ou fabricado em larga escala.

Segundo a Darpa, a aeronave deve atingir velocidades de cruzeiro entre 740 km/h e 833 km/h, próximas às de um jato, ao mesmo tempo em que mantém a capacidade de pairar (voar parado na mesma posição) e pousar verticalmente, mesmo que em locais improvisados, como clareiras no meio da mata.

Essa combinação permitiria transportar tropas, equipamentos ou suprimentos rapidamente para áreas remotas ou zonas de combate, sem depender de aeroportos ou bases aéreas.

Autoridades do programa afirmam que a dependência de pistas pode se tornar uma vulnerabilidade militar, pois essas infraestruturas podem ser facilmente identificadas e atacadas. Desenvolver aeronaves rápidas que dispensem pistas ampliaria as opções estratégicas das forças armadas.

Futuro


O X-76 não será necessariamente um avião operacional, mas sim um demonstrador tecnológico destinado a validar conceitos e tecnologias que poderão ser aplicados em futuras aeronaves militares.

Entre as tecnologias estudadas está um sistema chamado "Parar/Dobrar", em tradução livre, no qual os rotores usados para decolagem vertical podem ser parados e dobrados durante o voo, reduzindo a resistência ao avanço da aeronave e permitindo maior velocidade em cruzeiro. Quando isso ocorre, a propulsão do X-76 será feita por meio de motores a jato, e não mais pelas pás destes rotores.

A expectativa é que o demonstrador ajude a desenvolver novos tipos de aeronaves de transporte militar, drones de grande porte ou plataformas de mobilidade aérea para missões especiais.

Após a fase de construção e testes em solo, o programa prevê uma campanha de testes em voo que pode começar por volta de 2028.

Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

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