segunda-feira, 25 de maio de 2026

Aconteceu em 25 de maio de 1982: Acidente durante o pouso em Brasília do voo VASP 234


Em 25 de maio de 1982, o Boeing 737-2A1, prefixo PP-SMY, da VASP (foto abaixo), partiu no final da noite do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Aeroporto de Brasília, no Distrito Federal. O voo 234 levava a bordo seis tripulantes e 112 passageiros.

A aeronave envolvida era um Boeing 737-2A1, que tinha 7 anos e 8 meses de idade na época do acidente. Foi montada na fábrica da Boeing em Renton, em Washington, e realizou seu primeiro voo em 24 de setembro de 1974, antes de ser entregue à VASP em outubro. A aeronave tinha o número de série 20970 e era o 376º Boeing 737 da produção atual. A aeronave estava registrada com a matrícula PP-SMY. A aeronave bimotora de fuselagem estreita estava equipada com dois motores Pratt & Whitney JT8D-7.


O voo de São Paulo para Brasília transcorreu inicialmente sem incidentes especiais. O pouso em Brasília foi realizado às 23h40 sob forte chuva. Ao pousar, a aeronave tocou o solo primeiro com o trem de pouso dianteiro. Este, então, cedeu sob o peso. 

A aeronave saiu da pista e se partiu em duas perto da fileira 12. A maioria das pessoas ficou ferida ali. Dois passageiros morreram - o advogado gaúcho Edgar Degrazia, de 43 anos, e o engenheiro catarinenses Luis Celso Neves Andrade. Houve 17 feridos e apenas um - Eli de Souza Figueira - ficou hospitalizado por ter fraturado a coluna vertebral.


Na época, as investigações levaram à conclusão de que a aeronave quebrara depois de sair da pista, colhida por um forte golpe de vento. O trem de pouso entrara numa cavidade, funcionara como uma alavanca e a fuselagem se partira.

Chovia torrencialmente na noite de 24 de maio de 1982, data do pior acidente aéreo da história do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek. O voo número 234 da Vasp vinha de Porto Alegre e tinha feito escala em São Paulo. No terminal brasiliense, apesar do aguaceiro, tudo transcorria de acordo com a rotina. Entre os funcionários estava o mecânico de aviões da Varig Francisco do Nascimento Silva, à época com 30 anos. 

"Ninguém esperava, recorda Francisco, depois da tragédia. "Eu nunca tinha visto algo assim. Ficamos desolados. Isso mexeu com a vida de todos que trabalhavam no local na época". Francisco lembra que a tragédia, talvez a primeira prova de fogo do Aeroporto de Brasília.

O mecânico de aviões da Varig Francisco do Nascimento Silva, que presenciou o acidente
A revista "Isto É", de 23 de junho de 1982, afirmou que o provável motivo do acidente com o 737 em Brasília havia sido um "pouso duro" do comandante Paulo Ulisses de Godói, que havia se apresentado ao departamento médico da Vasp antes do voo dizendo que não estava se sentindo bem há dias, mas que, mesmo assim, foi mantido na escala de serviço e teve que decolar rumo ao desastre em Brasília.

Os pilotos da empresa diziam estar pressionados pela Vasp a cumprir horários absurdos e culpavam principalmente o vice-presidente da empresa paulista, o coronel da FAB Alex Barroso.

A aeronáutica informou que as condições meteorológicas estavam superiores aos mínimos previstos em carta de procedimento de descida para o aeródromo de Brasília.

Foi determinado que o capitão havia ativado anteriormente o sistema para pulverizar a janela da cabine com um líquido defletor de chuva. O uso incorreto do agente resultou em uma ilusão de ótica na chuva, fazendo com que o capitão tocasse o solo primeiro com o trem de pouso dianteiro em vez do trem de pouso principal, como pretendido.

Também foi revelado que o capitão havia consultado um médico pouco antes do voo e reclamado de problemas de saúde persistentes. No entanto, ele alegou que ainda estava apto para o trabalho e afirmou que precisava realizar o voo para Brasília. 

Outros pilotos da VASP reclamaram da forte pressão exercida pela companhia aérea e atribuíram o clima tenso de trabalho ao vice-presidente da empresa estatal, Alex Barroso, que também era comandante da Força Aérea Brasileira. A autoridade aeronáutica explicou que as condições meteorológicas no momento do acidente estariam acima do mínimo exigido.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, Correio Braziliense e ASN

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