Em 25 de maio de 1982, o Boeing 737-2A1, prefixo PP-SMY, da VASP (foto abaixo), partiu no final da noite do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Aeroporto de Brasília, no Distrito Federal. O voo 234 levava a bordo seis tripulantes e 112 passageiros.
A aeronave envolvida era um Boeing 737-2A1, que tinha 7 anos e 8 meses de idade na época do acidente. Foi montada na fábrica da Boeing em Renton, em Washington, e realizou seu primeiro voo em 24 de setembro de 1974, antes de ser entregue à VASP em outubro. A aeronave tinha o número de série 20970 e era o 376º Boeing 737 da produção atual. A aeronave estava registrada com a matrícula PP-SMY. A aeronave bimotora de fuselagem estreita estava equipada com dois motores Pratt & Whitney JT8D-7.
O voo de São Paulo para Brasília transcorreu inicialmente sem incidentes especiais. O pouso em Brasília foi realizado às 23h40 sob forte chuva. Ao pousar, a aeronave tocou o solo primeiro com o trem de pouso dianteiro. Este, então, cedeu sob o peso.
A aeronave saiu da pista e se partiu em duas perto da fileira 12. A maioria das pessoas ficou ferida ali. Dois passageiros morreram - o advogado gaúcho Edgar Degrazia, de 43 anos, e o engenheiro catarinenses Luis Celso Neves Andrade. Houve 17 feridos e apenas um - Eli de Souza Figueira - ficou hospitalizado por ter fraturado a coluna vertebral.
Na época, as investigações levaram à conclusão de que a aeronave quebrara depois de sair da pista, colhida por um forte golpe de vento. O trem de pouso entrara numa cavidade, funcionara como uma alavanca e a fuselagem se partira.
Chovia torrencialmente na noite de 24 de maio de 1982, data do pior acidente aéreo da história do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek. O voo número 234 da Vasp vinha de Porto Alegre e tinha feito escala em São Paulo. No terminal brasiliense, apesar do aguaceiro, tudo transcorria de acordo com a rotina. Entre os funcionários estava o mecânico de aviões da Varig Francisco do Nascimento Silva, à época com 30 anos.
"Ninguém esperava, recorda Francisco, depois da tragédia. "Eu nunca tinha visto algo assim. Ficamos desolados. Isso mexeu com a vida de todos que trabalhavam no local na época". Francisco lembra que a tragédia, talvez a primeira prova de fogo do Aeroporto de Brasília.
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| O mecânico de aviões da Varig Francisco do Nascimento Silva, que presenciou o acidente |
Os pilotos da empresa diziam estar pressionados pela Vasp a cumprir horários absurdos e culpavam principalmente o vice-presidente da empresa paulista, o coronel da FAB Alex Barroso.
A aeronáutica informou que as condições meteorológicas estavam superiores aos mínimos previstos em carta de procedimento de descida para o aeródromo de Brasília.
Foi determinado que o capitão havia ativado anteriormente o sistema para pulverizar a janela da cabine com um líquido defletor de chuva. O uso incorreto do agente resultou em uma ilusão de ótica na chuva, fazendo com que o capitão tocasse o solo primeiro com o trem de pouso dianteiro em vez do trem de pouso principal, como pretendido.
Também foi revelado que o capitão havia consultado um médico pouco antes do voo e reclamado de problemas de saúde persistentes. No entanto, ele alegou que ainda estava apto para o trabalho e afirmou que precisava realizar o voo para Brasília.
Outros pilotos da VASP reclamaram da forte pressão exercida pela companhia aérea e atribuíram o clima tenso de trabalho ao vice-presidente da empresa estatal, Alex Barroso, que também era comandante da Força Aérea Brasileira. A autoridade aeronáutica explicou que as condições meteorológicas no momento do acidente estariam acima do mínimo exigido.
Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, Correio Braziliense e ASN


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