Um avião da Gol e outro da Azul perderam a separação e ficaram a apenas 22 metros separadas verticalmente e 0,44 milha náutica horizontalmente, uma da outra. Isso equivale a cerca de 500 metros de distância, o que, na aviação, é abaixo do padrão, durante uma operação simultânea no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na manhã de 30 de abril.
A aproximação entre as aeronaves ocorreu durante uma manobra simultânea de pouso e decolagem. Segundo os áudios da torre de controle, o Boeing 737-8EH (WL), prefixo PR-GXN, da Gol, que fazia o voo G31629 vindo de Salvador, estava se aproximando para pousar quando um Embraer ERJ-190-400STD (E195-E2), prefixo PS-ADE, da Azul, recebeu autorização para alinhar e decolar na mesma pista para o voo AD6408.
Houve falha de comunicação inicial com a aeronave da Azul. Ainda segundo os registros, a torre precisou repetir o pedido para que a decolagem fosse abortada, já que não houve resposta imediata do voo da Azul. Ao mesmo tempo, o piloto da Gol foi instruído a desviar a trajetória e ganhar altitude.
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| Flightradar mostra aproximação das duas aeronaves no aeroporto de Congonhas (Foto: Reprodução/Redes Sociais) |
Sistema de segurança ajudou a evitar uma colisão. O TCAS (Traffic Alert and Collision Avoidance System), um alerta automático de proximidade instalado nas aeronaves, auxiliou o piloto da Azul a evitar o choque com o voo da Gol.
A distância mínima entre os aviões foi de cerca de 22 metros. O valor corresponde à separação vertical registrada no momento mais crítico da ocorrência.
Imagens gravadas pela câmera do canal “Golf Oscar Romeo”, no YouTube, mostram a comunicação entre a torre de controle e os pilotos. Pelos registros, houve um descompasso no tempo de resposta: a aeronave da Azul demorou a iniciar a corrida de decolagem.
Especialistas em segurança de voo ouvidos pelo g1 classificam o episódio como perda de separação: quando duas aeronaves ficam mais próximas do que a distância mínima de segurança estabelecida pelas regras do Controle de Tráfego Aéreo.
Essas distâncias mínimas — que podem ser verticais, laterais ou por tempo — existem para evitar colisões tanto no ar quanto no solo e organizar o fluxo de voos dentro de um espaço aéreo. Quando esse limite é ultrapassado, considera-se que houve justamente a perda de separação.
Esse episódio entre os aviões da Gol e da Azul é classificado como incidente grave, embora não represente necessariamente risco imediato de colisão, segundo os especialistas.
Na avaliação do especialista Roberto Peterka, houve atraso na decolagem da aeronave da Azul, enquanto o avião da Gol já se aproximava para pouso. “Quando iniciou a decolagem, não atendeu à orientação para interromper a corrida. Diante disso, o Gol foi instruído a arremeter. As aeronaves acabaram ficando abaixo do limite mínimo de separação”, afirmou.
Segundo Peterka, como as aeronaves romperam o limite de segurança, provalemente o dispositivo anticolisão dos dois aviões (TCAS) deve ter disparado, dando orientações para mudanças de rota.
O TCAS (Traffic Collision Avoidance System ou Sistema de Alerta e Prevenção de Colisão de Tráfego) é o dispositivo anticolisão dos aviões.
Quando eles rompem a barreira de proximidade, o TCAS dispara nos dois aviões e dá ordens diferentes de forma a que eles não se aproximem ainda mais e evite acidentes.
Apesar disso, especialistas destacam que a torre de controle atuou corretamente, aplicando as camadas de segurança previstas para evitar um acidente.
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| Aproximação entre duas aeronaves no aeroporto de Congonhas, na quinta-feira (30) (Foto: Reprodução/Redes Sociais) |
Segundo a FAB, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado para realizar a ação inicial da ocorrência, envolvendo as duas aeronaves em Congonhas.
De acordo com o órgão, essa etapa inclui a coleta e validação de dados, preservação de evidências e levantamento de informações necessárias para a investigação.
Procurada, a Azul informou que o voo AD6408 seguiu os procedimentos operacionais previstos e reforçou que “a segurança é seu valor primordial”, acrescentando que colabora com o Cenipa.
A Gol declarou que o pouso do voo G3 1629 ocorreu em segurança e dentro do horário previsto, e que também colabora com as investigações.
Já a Aena, concessionária que administra o aeroporto, afirmou que informações sobre o caso devem ser obtidas junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), órgão responsável pelo gerenciamento do tráfego aéreo no país.
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