quinta-feira, 5 de março de 2026

Aconteceu em 5 de março de 1991: Guilhotina dos Andes Colisão do voo Aeropostal Alas de Venezuela 109


Em 5 de março de 1991, a aeronave McDonnell Douglas DC-9-32, prefixo YV-23C, da Aeropostal Alas de Venezuela (foto abaixo), operava o voo 109, um voo de curta distância do Aeroporto Internacional La Chinita, em Maracaibo, para o Aeroporto Santa Bárbara del Zulia-Las Delicias, ambos na Venezuela. A aeronave, que havia sido fabricada em 1976, estava em serviço na Aeropostal há 14 anos.


O Páramo "Los Torres" é conhecido entre os pilotos venezuelanos como a guilhotina ("roleta russa") dos Andes. Literalmente, trata-se de uma montanha íngreme, geralmente encoberta por neblina, que os pilotos tinham dificuldade em evitar antes da instalação de sistemas adequados de alerta de proximidade do solo nas aeronaves. 

Antes do voo 109, outras duas aeronaves comerciais haviam caído perto da "Guilhotina". Em 15 de dezembro de 1950, um Douglas DC-3 da Avensa, voando de Mérida para Caracas, caiu, matando todos os 28 passageiros e 3 tripulantes. Dez anos depois, em 15 de dezembro de 1960, um voo da Ransa caiu, matando todos os seus passageiros.

O voo 109 decolou do Aeroporto Internacional de La Chinita com 40 passageiros e cinco tripulantes. 

Após a decolagem do Aeroporto de Maracaibo-La Chinita, a tripulação seguiu um rumo errado para Santa Bárbara de Zulia (153° em vez de 193°), o que fez com que a aeronave voasse para sudeste sobre o lago de Maracaibo. 

Enquanto cruzava a uma altitude de 16.500 pés, a tripulação foi autorizada pelo controle de tráfego aéreo a descer para 5.500 pés. A tripulação informou ao controle de tráfego aéreo que o VOR parecia estar inoperante, mas isso foi negado pelo controlador. 

A uma altitude de 9.900 pés, o comandante percebeu que havia algo errado com a seleção de rumo, interrompeu a descida e iniciou uma curva à direita para ganhar altitude, momento em que o alarme do GPWS soou. 

Pouco depois, a aeronave colidiu com a encosta do Monte La Aguada (3.320 metros de altura), perto de "A Guilhotina", localizado a cerca de 27 km a nordeste de Valera, aproximadamente 170 km a nordeste de Santa Bárbara de Zulia. A aeronave se desintegrou com o impacto, explodindo em chamas. Todos os 45 ocupantes morreram.


Duas horas antes da decolagem, a ansiedade começou a crescer entre os que aguardavam no Aeroporto Las Delicias, em Santa Bárbara. À medida que a notícia do desaparecimento se espalhava, a mesma cena se repetia no Aeroporto La Chinita. 

Horas depois, as esperanças das famílias se resumiam à hipótese de um sequestro. O avião foi declarado em situação de emergência, seguindo o protocolo padrão. A confirmação veio horas depois. "Foi encontrado, destruído. Não há sobreviventes", disse Carlos Colina, representante local da companhia aérea na época. 


O choro tornou-se constante. “Meu filho tinha acabado de ser promovido”, disse Oswaldo Berrueta em Maracaibo. A família não sabia que o jovem de 21 anos estava no voo. “Descobrimos porque ambos tinham o mesmo nome, e a notícia saiu, e as pessoas começaram a ligar para o meu pai pensando que era ele”, conta Hercilia Berrueta, 25 anos depois. 
 
Então começou a recuperação dos corpos e dos destroços. “Uma investigação sobre o acidente foi realizada, mas foi dificultada porque as agências que deveriam estar envolvidas estavam em conflito umas com as outras”, lembra o investigador. 

Carlos Colina, gerente da Aeropostal, faz o balanço trágico (Foto: Arquivo/Eduardo Semprún)
Uma dor que se espalhou, com maior força, pelo sul do Lago Maracaibo: quase todos os passageiros eram de Santa Bárbara del Zulia ou tinham alguma ligação com a região. 

“O erro humano causou a tragédia”, afirmou Mauro Yanes Pasarella, diretor da Polícia Técnico-Judiciária, na época. Essa continua sendo a conclusão oficial até hoje. “A tripulação configurou incorretamente o radial de decolagem. 

José Dávila era o capitão da aeronave, “a mais bem conservada da frota, pois havia transportado o Papa João Paulo II, em 1985, de Maracaibo para Mérida”, recorda um funcionário da Aeropostal. Vicente Caliccio era seu assistente. Para ambos, tratava-se de um voo rotineiro de 20 minutos. 

“E foi aí que o erro aconteceu. Os acidentes começam em terra. Faltou supervisão. Cometeram uma série de erros, tanto antes da decolagem quanto durante o voo. Uma cadeia de erros derrubou o avião”, explica o especialista. 
La Puerta, em Trujillo, 7 de março de 1991. Epicentro dos esforços de resgate
(Foto: Arquivo/Eduardo Semprún)
O acidente foi consequência da combinação dos seguintes fatores:
  • A tripulação não preparou o voo de acordo com os procedimentos publicados e não seguiu várias listas de verificação;
  • A tripulação não percebeu que estava seguindo um rumo errado após a decolagem e não realizou as verificações de rota necessárias;
  • A tripulação se distraiu com conversas com uma terceira pessoa que estava sentada no assento auxiliar durante todo o voo;
  • A tripulação não supervisionou o voo de acordo com os procedimentos operacionais padrão;
  • Má coordenação da tripulação;
  • Falta de disciplina;
  • No momento do impacto, a aeronave estava voando em modo VFR em condições IMC;
  • Visibilidade reduzida devido às nuvens baixas que circundavam as montanhas atingidas pela aeronave.

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, baaa-acro, ASN e panorama.com.ve

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