sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Aconteceu em 27 de fevereiro de 1980: Acidente no pouso do voo China Airlines 811 nas Filipinas


Em 27 de fevereiro de 1980, a aeronave Boeing 707-309C, prefixo B-1826, da China Airlines (foto acima), operava o voo 811 (indicativo de chamada "DYNASTY 811), um voo internacional regular de passageiros que partiu do Aeroporto Internacional de Chiang Kai-shek, em Taiwan, com destino ao Aeroporto Internacional de Manila, nas Filipinas. 

A aeronave em questão era um Boeing 707-309C, fabricado na Boeing Field, em Washington, em 1969, com número de série 20262 e número de modelo 830. O primeiro voo da aeronave ocorreu em 26 de novembro de 1969 e, em 11 de dezembro de 1969, foi entregue à China Airlines com a matrícula B-1826. O quadrimotor de longo alcance era equipado com quatro motores turbofan Pratt & Whitney JT3D-3B.

A bordo da aeronave estavam 124 passageiros e 11 tripulantes. O capitão Wu Gong tinha 30 anos de experiência de voo, enquanto o primeiro oficial tinha 15 anos de experiência de voo.

Wang tinha 25 anos e sempre sonhou em ser comissária de bordo. Queria usar um uniforme elegante, trabalhar em uma grande aeronave e voar para todas as grandes cidades do mundo. Nesse voo, ela estava atendendo principalmente turistas idosos chineses. O serviço estava completo e ela fez suas verificações finais para garantir que a cabine estivesse segura.

O voo transcorreu dentro da normalidade até a aproximação ao aeroporto de destino. Wang então olhou pela janela e percebeu que estavam descendo muito rápido. Ela sentou-se no assento auxiliar e prendeu o cinto de segurança. 

Na aproximação final para o Aeroporto Internacional de Manila, o avião estava muito baixo e atingiu o solo a cerca de 50 metros da cabeceira da pista. 

Com o impacto, dois motores foram arrancados e, fora de controle, a aeronave fez um pouso forçado e parou em chamas. 

Oitenta e dois ocupantes escaparam ilesos, enquanto outros 51 ficaram feridos. Dois passageiros morreram. A aeronave foi parcialmente destruída pelo fogo.


Havia choro, gritos e berros enquanto passageiros confusos bloqueavam os corredores. Wang gritou para que mantivessem a calma e ordenou que descessem pelo escorregador. Uma densa fumaça preta a sufocava e fazia muito calor. Ela estava ansiosa e com medo, mas não demonstrou. Disse aos passageiros para deixarem suas malas para trás. Qualquer um que permanecesse imóvel na porta era empurrado para fora.

"Eu precisava ser feroz, até mesmo selvagem naquele momento", declarou Wang, comissária de bordo da China Airlines no voo 811.


Wang foi a última a sair dos destroços em chamas. Ela completou a verificação final da cabine para garantir que não havia mais passageiros . Seu uniforme agora estava em chamas. Ela correu para a porta de saída de emergência dianteira esquerda, mas o escorregador havia derretido. Wang não teve outra escolha. Ela fechou os olhos e saltou da saída de emergência de uma altura de 4 metros para o pátio de manobras.

"O que eu fiz não passou de uma obrigação de comissária de bordo", disse Wang.

Dos passageiros a bordo, 82 saíram ilesos, 51 ficaram feridos e dois morreram em decorrência dos ferimentos. Wang sofreu queimaduras de terceiro grau nos braços, pernas e tronco. Ela machucou um tornozelo durante a saída, mas ainda assim conseguiu alcançar o gramado a 30 metros de distância. Seu rosto estava coberto de bolhas. Ela começou a contar os passageiros. Wang passou dois dias em tratamento de emergência em um hospital em Manila. Ela foi transferida para o Hospital Memorial Chang Gung em Taipei, onde fez enxertos de pele e fisioterapia. Ela sofreu com insônia, dores físicas e estresse pós-traumático.

Wang recebeu um Prêmio de Heroísmo da Flight Safety Foundation, que a ajudou a encontrar tratamento médico para seus ferimentos. Ela passou por outras cirurgias nos Estados Unidos. Posteriormente, casou-se com seu ex-instrutor de tripulação e trabalhou em terra para a China Airlines.

"Correndo grande risco pessoal, a Srta. Wang permaneceu em uma aeronave em chamas que havia caído no Aeroporto Internacional de Manila para garantir a evacuação segura de todos os 135 passageiros a bordo. Devido à rápida propagação do fogo e após ter verificado que todos os passageiros haviam deixado a aeronave, a Srta. Wang foi obrigada a saltar para um local seguro, pois a rampa de evacuação estava em chamas, e suas roupas também pegaram fogo. A Srta. Wang sofreu queimaduras que exigiram cirurgia plástica. Seus atos heroicos e sua dedicação à segurança merecem o mais alto reconhecimento de seus pares e de todos os demais preocupados com a segurança de voo." - Flight Safety Foundation.

A causa provável apontada para o acidente foi "configuração de aproximação incorreta por parte da tripulação, que não seguiu a lista de verificação de aproximação. A falta de coordenação da tripulação fez com que a aeronave descesse abaixo da trajetória de planeio".

Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, Simple Flying e baaa-acro

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