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Os primeiros sites de companhias aéreas eram páginas simples e estáticas com interatividade limitada, como veremos no site de arquivo da internet Wayback Machine. O objetivo principal era fornecer horários de voos e informações sobre tarifas, mas, conforme a internet evoluiu, as companhias aéreas começaram a integrar sistemas básicos de reserva. Aqui, investigaremos 10 dos primeiros sites de companhias aéreas e o que os usuários vivenciaram ao navegar na web em meados da década de 1990.
1. Canadian Airlines Internacional
Lançado em 1994
A Canadian Airlines International foi a primeira companhia aérea a lançar um site em 1994, marcando um marco importante na transformação digital da indústria aérea. De acordo com o Travel Update , o site da Canadian Airlines International inicialmente fornecia horários básicos de voos, informações sobre tarifas e detalhes da empresa, preparando o cenário para futuros sistemas de reservas on-line.
Site da Canadian Air Internacional em 1997 (Foto: Wayback Machine)
Essa inovação abriu caminho para outras companhias aéreas melhorarem sua presença digital, eventualmente levando a plataformas de e-commerce totalmente integradas que permitem aos clientes reservar voos, gerenciar reservas e acessar informações de viagem em tempo real. A Canadian Airlines foi eventualmente adquirida pela Air Canada em 2000 e fundida em 2001, mas é conhecida por ter sido uma das primeiras parceiras da aliança oneworld .
2. Alaska Airlines
Lançado em 1995
Na década de 1990, a Alaska Airlines foi pioneira em serviços de companhias aéreas online, lançando seu site em 1995. No início, o site fornecia informações básicas como horários de voos e detalhes de tarifas, semelhantes a outros sites de companhias aéreas da época. No entanto, a Alaska Airlines rapidamente se tornou líder do setor ao introduzir reservas online em 1995, tornando-se uma das primeiras companhias aéreas a oferecer esse serviço.
Site da Alaska em 1995 (Foto: Alaska Airlines Newsroom)
No final da década de 1990, a Alaska Airlines continuou a inovar ao implementar o check-in online em 1999, tornando-se a primeira companhia aérea dos EUA a fazê-lo. Isso permitiu que os passageiros imprimissem seus cartões de embarque em casa, agilizando o processo de viagem. Os primeiros avanços de seu site em comércio eletrônico e conveniência do cliente ajudaram a moldar os sites modernos de companhias aéreas.
3. American Airlines
Lançado em 1998
Na década de 1990, a American Airlines fez avanços significativos na inovação digital. Em 15 de outubro de 1998, tornou-se a primeira companhia aérea a oferecer bilhetes eletrônicos em todos os 44 países que atendia, simplificando o processo de reserva para seus clientes. O site disponibilizou a programação de voos, informações de destino, tarifas e comunicados de imprensa, para citar algumas opções para os viajantes curiosos.
Site da American Airlines em 1998 (Foto: Wayback Machine)
No ano seguinte, em 1999, a American Airlines foi cofundadora da aliança global de companhias aéreas one world, aumentando seu alcance e parcerias internacionais. Com acesso adicional a transportadoras aéreas parceiras, a American Airlines agora podia se conectar, por meio dos usuários da internet, a outras companhias aéreas na rede one world.
4. Hawaiian Airlines
Lançado em 1996
Em dezembro de 1996, a Hawaiian Airlines lançou seu primeiro site focado no cliente, marcando um passo significativo no aprimoramento de sua presença digital. O site forneceu aos viajantes serviços essenciais, como reservas de voos, informações corporativas, ofertas especiais e links convenientes para destinos populares.
Site da Hawaiian Airlines em 1997 (Foto: Wayback Machine)
Ele também destacou o comprometimento da companhia aérea com a modernização ao exibir sua aeronave McDonnell Douglas DC-10 recém-arrendada da American Airlines. Essas aeronaves apresentavam uma versão atualizada da icônica arte da cauda 'Pualani' da empresa, um símbolo da hospitalidade e tradição havaianas. Ao lançar este site, a Hawaiian Airlines teve como objetivo melhorar o engajamento do cliente, agilizar os processos de reserva e oferecer uma experiência mais acessível e amigável para os passageiros que planejam suas viagens.
5. Southwest Airlines
Lançado em 1997
Em meados da década de 1990, a Southwest Airlines abraçou a revolução digital ao lançar seu primeiro site em 16 de março de 1995. Inicialmente chamado de "Southwest Airlines Home Gate" e acessível em iflyswa.com, o site oferecia aos clientes acesso a horários de voos, mapas de rotas e informações da empresa. Essa adoção antecipada de uma presença online marcou um passo significativo na melhoria do engajamento do cliente e da eficiência do serviço.
iflyswa.com em 1996 (Foto: Wayback Machine)
Com o tempo e até dezembro de 1997, a Southwest expandiu suas capacidades on-line com o Southwest.com e uma grande maioria de sua receita foi gerada por meio de seu site oficial até o final da década de 1990. Essa mudança não apenas simplificou o processo de reserva, mas também solidificou o compromisso da companhia aérea em alavancar a tecnologia para melhorar o atendimento ao cliente.
6. Icelandair
Lançado em 1997
Em 1997, a Icelandair lançou seu site oficial, Icelandair.is, marcando um marco significativo em sua expansão digital. O site forneceu aos viajantes uma variedade de opções, incluindo reservas de voos, passeios guiados e informações essenciais sobre companhias aéreas, tornando o planejamento de viagens mais conveniente do que nunca. Um recurso exclusivo era a aba "diversão", oferecendo conteúdo interativo para envolver os visitantes e aprimorar sua experiência.
(Foto: Wayback Machine)
Esta plataforma online permitiu que a Icelandair se conectasse com clientes em todo o mundo, refletindo o compromisso da companhia aérea com a inovação e o atendimento ao cliente. À medida que a empresa continuou a crescer e prosperar, o site desempenhou um papel crucial no fortalecimento de seu alcance global, tornando as viagens de e para a Islândia mais acessíveis a um público internacional.
7. British Airways
Lançado em 1999
A British Airways foi uma das primeiras companhias aéreas europeias a estabelecer um espaço digital como uma das primeiras a adotar serviços online. O site era principalmente informativo, fornecendo detalhes sobre a companhia aérea, horários de voos e alguns serviços oferecidos pela empresa. Embora não tivesse todos os recursos de reserva online para começar, ele desempenhou um papel crucial no estabelecimento de uma presença online e melhorou o envolvimento do cliente.
Site da British Airways em 1999 (Foto: Wayback Machine)
Com o tempo, a British Airways expandiu suas ofertas digitais, introduzindo recursos como reserva on-line, check-in e gerenciamento de programa de fidelidade. A British Airways tem sido a principal transportadora aérea do Reino Unido e, por causa de sua presença on-line desde 1999, expandiu seu alcance global para qualquer pessoa com uma conexão de internet.
8. Frontier Airlines
Lançado em 1996
A Frontier Airlines lançou seu site pela primeira vez em 1996, principalmente como uma plataforma informativa para a empresa. Naquela época, ele fornecia detalhes sobre horários de voos, destinos e informações da empresa, mas não tinha a capacidade de os passageiros fazerem reservas. O site tinha a icônica arte da cauda como abas para clicar em vários links, informações do Aeroporto Internacional de Denver e até mesmo uma barra "em construção" que era indicativa de webmasters fazendo alterações no código HTML!
Site da Frontier Airlines em 1996 (Foto: Wayback Machine)
Em 1999, o site incorporou a capacidade de reserva para clientes, tornando-o muito mais útil quando se quer viajar. Conforme a internet evoluiu, o site da Frontier se tornou um aspecto essencial do seu modelo de negócios, ajudando a impulsionar o mercado de transportadoras de ultrabaixo custo com suas interações com clientes disponíveis no site.
9. Lufthansa
Lançado em 1997
Em 1997, a Lufthansa lançou seu primeiro site como parte da transição inicial da indústria aérea para serviços digitais. Na época, o site servia principalmente como um centro de informações, fornecendo detalhes de horários de voos, destinos e políticas sobre a empresa. Embora a reserva online ainda não estivesse disponível, este site estabeleceu as bases para futuras iterações do site.
Site da Lufthansa em 1997 (Foto: Wayback Machine)
O site da companhia aérea evoluiu para incluir serviços de reserva, status de voo e acesso ao gerenciamento de programa de fidelidade. No início dos anos 2000, a Lufthansa se posicionou como líder inovadora na indústria da aviação. O lançamento do Lufthansa.com em 1997 foi um passo fundamental na capacidade da companhia aérea de otimizar as operações, aprimorar as relações com os clientes e a experiência geral, bem como se adaptar à crescente demanda por serviços baseados na Internet.
10. Virgin Atlantic
Lançado em 1997
A Virgin Atlantic lançou seu site em 1997 seguindo muitas outras companhias aéreas na demanda online por acesso a informações específicas da companhia aérea. O site exibia o famoso Boeing 747 e abas básicas perguntando de onde você estava viajando. Essa transformação para a era digital marcou a capacidade dos usuários de perguntar sobre informações da empresa, horários de voos, destinos e serviços da companhia aérea.
Site da Virgin Atlantic em 1997 (Foto: Wayback Machine)
À medida que a internet e as capacidades evoluíram rapidamente, reservas on-line, gerenciamento de programas de fidelidade e rastreamento de voos se tornaram possíveis com seu site. Esse envolvimento com o cliente, focado em uma experiência amigável e informativa, abriu caminho para sua posição competitiva na indústria da aviação até hoje.
Como funcionavam os primeiros sites de companhias aéreas
Entre 1996 e 1999, os sites de companhias aéreas eram relativamente básicos, principalmente com muito texto, formatos baseados em HTML. Como vimos nos exemplos acima, os primeiros sites apresentavam navegação baseada em texto, imagens de baixa resolução e, principalmente, páginas da web estáticas. Ao contrário dos sites modernos com conteúdo dinâmico e integração de dados em tempo real, os primeiros sites de companhias aéreas funcionavam muito como folhetos digitais, em vez dos modelos interativos que usamos regularmente hoje.
(Foto: Alaska Airlines)
A metade da década de 1990 também tinha recursos limitados sem os quais não conseguimos imaginar fazer login! Reservas e reservas não começaram a aparecer em massa até o final da década de 1990, embora alguns sites tenham incorporado esses recursos com sucesso. 'Formulários da web' on-line eram usados para reservar esses voos, então o cliente inseria suas solicitações lá - não tão automatizado quanto hoje, com certeza.
As primeiras soluções de venda de bilhetes online eram bastante lentas
O e-ticketing também ainda estava em sua infância em um mundo de bilhetes físicos e de papel para embarcar no avião. Algumas transportadoras, como a Southwest e a Alaska Airlines, começaram a oferecer e-tickets, mas eles não eram amplamente usados durante os primeiros dias dos recursos de sites de companhias aéreas.
O processo de reserva on-line e e-ticket era limitado devido ao processamento de pagamentos e preocupações com a segurança em torno do uso de cartões de crédito. Muitos clientes estavam hesitantes em colocar suas informações on-line, levando muitos a ainda entrarem em contato para uma solicitação pessoalmente ou por telefone.
Outras limitações, como velocidade da internet e capacidade de processamento do computador, podem ser vistas na rapidez com que esses sites de companhias aéreas conseguem se desenvolver e entregar ao cliente médio.
Alguns leitores podem nunca ter experimentado uma conexão discada , mas essas conexões eram muito lentas (agonizantemente lentas em comparação com hoje) e isso determinava a quantidade de informações e gráficos que poderiam ser exibidos no site. Essa era uma razão fundamental por trás dos formatos amplamente baseados em texto com hiperlinks para você navegar no site.
Desenvolvimento posterior
A Internet revolucionou a indústria aérea na década de 1990, transformando as vendas de passagens, a experiência do cliente e a eficiência operacional. Antes da Internet, os clientes dependiam de visitar uma agência de viagens, falar com representantes da companhia aérea ou usar uma plataforma de reservas computadorizada com um agente. O aumento dos sites de companhias aéreas permitiu que os clientes começassem a pesquisar voos por conta própria, pesquisando destinos e encontrando sua transportadora aérea preferida para todas as suas necessidades de viagem.
No vídeo de hoje contamos a incrível história e evolução do lendário Beechcraft Bonanza, o avião mais antigo ainda em produção na história da aviação. Durante o voo, exploramos a origem do Bonanza, sua evolução ao longo de quase 80 anos e os motivos que fizeram essa aeronave se tornar um verdadeiro ícone da aviação geral.
Além disso, o Brasileirinho tem um objetivo ambicioso: dar a volta ao mundo, levando a paixão pela aviação brasileira para diferentes países e culturas. Aperte os cintos e venha voar conosco enquanto descobrimos por que o Bonanza se tornou uma das aeronaves mais icônicas já construídas.
Um avião monomotor fez pouso forçado em uma fazenda no município de Antônio João, na região de fronteira com o Paraguai, na manhã de segunda-feira (30).
O avião Cessna T210N Turbo Centurion, prefixo PR-XIC, apresentou problemas mecânicos durante o voo, obrigando o piloto a pousar na lavoura de milho, no município de Antônio João, a 319 Km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Com o impacto, a aeronave sofreu avarias e o trem de pouso foi arrancado. Seis pessoas estavam na aeronave e foram levadas ao hospital da cidade. Destas, três foram transferidas para o Hospital Regional de Ponta Porã.
De acordo com o portal Campo Grande News, o Cessna já pertenceu ao narcotraficante e ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho, sul-mato-grossense conhecido como “Escobar Brasileiro”, atualmente preso na Bélgica.
Em 2022, o avião havia sido doado ao Governo de Mato Grosso do Sul. Os atuais proprietários são Lucas Antunes e André Antunes, filhos do ex-vereador de Ponta Porã Landolfo Antunes. Entre os seis ocupantes estavam o filho e o neto recém-nascido de Landolfo.
Quando foi apreendido, em 2020, o avião já pertencia à família Antunes, que na época negou envolvimento com o major Carvalho. Em 2024, quando o Cessna era usado pela Casa Militar do Governo de Mato Grosso dom Sul após cessão feita pela Justiça Federal, um juiz de Pernambuco mandou devolver a aeronave aos proprietários.
A delegada Ana Cláudia Medina, do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), informou que vai viajar até Antônio João para investigar o caso.
“A princípio, o piloto alega pane no motor e que precisou fazer esse pouso de emergência, quando estava correndo a pista, o trem de pouso acabou pegando num buraco e quebrou, por isso ficou nessa condição, mas ele percebeu a pane e tentou vir para pouso”, afirmou ela.
A área onde ocorreu o pouso foi isolada para os trabalhos de perícia. Técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) foram acionados.
Em 02.10.2023, essa mesma aeronave fez pouso de emergência em área perto de shopping, em Campo Grande (MS).
Em 31 de março de 2006, a aeronave Let L-410UVP-E20, prefixo PT-FSE, da empresa brasileira TEAM Linhas Aéreas (foto acima), partiu do Aeroporto de Macaé, no Rio de Janeiro, para realizar o voo doméstico 6865, em direção ao Aeroporto Santos Dumont, na cidade do Rio de Janeiro.
O Let L-410 Turbolet é um avião bimotor para transporte de curto alcance, produzido pela fabricante de aeronaves tcheca LET, comumente utilizado na aviação comercial. É capaz de pousar em pistas curtas e não pavimentadas, operando sob condições extremas, entre -50 °C e +50 °C. Até 2016, 1.200 unidades haviam sido construídas, passando de 350 os que estavam em serviço em mais de 50 países.
A sua configuração de asas altas permite operações em pistas curtas. Com capacidade para 19 passageiros, o modelo é largamente utilizado em todo o mundo, principalmente nas rotas regionais.
O piloto do bimotor, Michael Petter Hutten, recebeu uma ligação da mulher, Soraya, uma hora antes de decolar, que combinou de pegá-lo na estação das barcas, em Niterói, onde o casal morava.
O voo decolou de Macaé às 17h19 locais, levando a bordo 17 passageiros e dois tripulantes. Na época, ele estava operando sob as regras de voo por instrumentos (IFR) com um tempo estimado de chegada às 18h02.
Após a decolagem de Macaé, a tripulação manifestou a intenção de cancelar seu plano de voo IFR e acrescentou que gostaria de continuar o voo sob as regras de voo visual (VFR), no FL 045. Este cancelamento foi aprovado por um controlador de tráfego aéreo.
Próximo a São Pedro da Aldeia, a tripulação solicitou autorização para descer para 2.000 pés, com o objetivo de desviar de uma formação meteorológica que estava na sua proa.
Após cruzar o setor norte de São Pedro da Aldeia, a tripulação informou que efetuaria uma curva à esquerda para se aproximar do litoral e desviar de formações meteorológicas que estavam ao norte.
Às 20h46, o Controle Aldeia chamou a aeronave e não obteve resposta. Na sequência, o APP-ES efetuou novas chamadas à aeronave, que não foram respondidas, dando início às buscas.
Às 03h30, de 1 de abril, a aeronave foi localizada pela equipe de resgate, tendo sido constatada sua colisão com o Pico da Pedra Bonita, na Estrada do Rio Mole, Bairro Boa Esperança, no Município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro.
A aeronave estava totalmente destruída e o impacto matou todos a bordo. Entre as vítimas estão quatro funcionários da Petrobras e cinco empregados da construtora Hochtief, de São Paulo, que prestavam serviço à estatal em Macaé, no norte fluminense.
O piloto do voo 6865, Michael Petter Hutter era um piloto experiente. Há cinco anos ele operava na linha Macaé-Rio e jamais enfrentou problemas no percurso e tinha uma carreira de sucesso na aviação. Entre as suas principais condecorações, está a de observador militar da ONU (Organização das Nações Unidas), durante a guerra na antiga Iugoslávia, na década de 90. Hutten tinha quatro filhas.
Os parentes das vítimas do bimotor foram acomodados pela Team em 13 apartamentos no Hotel Othon, próximo ao Aeroporto Santos Dumont. Lá, a Team montou um apoio médico, psicológico e religioso para atendê-los.
De acordo com o Instituto Médico Legal, oito ou nove corpos não tiveram condição de serem reconhecidos. A identificação dos demais foi realizada pela arcada dentária ou por exame de DNA.
A equipe de investigação brasileira CENIPA esteve envolvida e conduziu uma investigação de 12 meses sobre o acidente. O relatório final foi divulgado em 19 de março de 2007, concluindo que o acidente foi classificado como Voo Controlado em Terreno e foi causado por erro do piloto.
O estado do tempo na região na época era ruim, sendo impossível fazer um voo VFR, segundo o CENIPA. No entanto, a tripulação do voo 6865 mudou intencionalmente de IFR para VFR enquanto a visibilidade era limitada. Antes do voo, a tripulação não conhecia o tempo à sua frente.
O CENIPA também culpou a má tomada de decisão da tripulação, afirmando que houve avaliação inadequada que os levou a voar a uma altitude inferior ao limite de segurança.
Por Jorge Tadeu (Desastres Aéreos) com Folha de S.Paulo, Wikipedia e baaa-acro
Em 31 de março de 1995, o voo 371 da TAROM decolou de Bucareste, na Romênia, com destino a Bruxelas. Mas, com apenas dois minutos de voo, tudo parecia dar errado. O avião inclinou-se mais de 170 graus para a esquerda e mergulhou em direção ao solo de uma altitude de apenas 4.000 pés. Não havia espaço para recuperação; o voo 371 bateu direto em um campo não muito longe do aeroporto de Bucareste, matando todas as 60 pessoas a bordo.
A investigação descobriu que o voo malfadado tinha sido atingido por duas falhas simultâneas totalmente não relacionadas que os pilotos foram incapazes de superar, como se tivesse sido golpeado do céu por um deus vingativo.
O voo 371 da TAROM era um voo regular de Bucareste para Bruxelas operado pela transportadora aérea nacional da Romênia, Transporturi Aeriene Române (TAROM), usando o Airbus A310-324, prefixo YR-LCC (foto acima), de oito anos de idade.
Essa aeronave em particular tinha um problema recorrente peculiar: em alguns voos durante a fase de subida, quando os aceleradores se ajustam para baixo da potência de decolagem para potência de subida, o autothrottle iria reverter o motor esquerdo todo o caminho para a marcha lenta em vez disso.
Esse problema foi relatado 24 vezes no ano passado, mas os mecânicos não conseguiram consertá-lo porque não conseguiram fazer com que o problema ocorresse enquanto o avião estava no solo. Embora a razão exata para esse mau funcionamento permaneça desconhecida, os investigadores especulam que pode ter sido causado por forças de atrito anormais dentro das ligações mecânicas das alavancas do acelerador.
Todos os pilotos que voavam naquela aeronave em particular foram informados do problema recorrente por meio de um aviso anexado ao livro de registro do avião, que estava armazenado na cabine do piloto.
Os pilotos do voo 371 em 31 de março de 1995 certamente estavam cientes do problema. Eles também eram extremamente experientes - o capitão Liviu Bătănoiu e o primeiro oficial Ionel Stoi tinham um total de 23.000 horas de voo e ambos tinham registros perfeitos. Os 49 passageiros e 11 tripulantes a bordo do voo 371 estavam em boas mãos.
Pouco depois da decolagem, com o primeiro oficial Stoi pilotando a aeronave, o capitão Bătănoiu anunciou que manteria os manetes no lugar, caso o autothrottle com defeito agisse. Eles começaram uma lenta curva à esquerda para se alinhar com o rumo a Bruxelas.
O primeiro oficial Stoi pediu que os flaps fossem retraídos e Bătănoiu prontamente atendeu. Segundos depois, Stoi pediu que as venezianas também fossem retraídas, mas Bătănoiu não respondeu.
Ele se virou para Stoi e disse: “Estou me sentindo mal”, seguido por um gemido de dor. Foi a última coisa que ele disse durante o voo. O que exatamente aconteceu ao capitão Bătănoiu naquele momento não pode ser conhecido com precisão, mas é provável que ele estivesse sofrendo um ataque cardíaco ou uma emergência médica séria semelhante. Percebendo que algo estava terrivelmente errado, o primeiro oficial Stoi perguntou: "O que você tem?" Mas a essa altura, o capitão Bătănoiu já estava inconsciente ou morto.
Exatamente ao mesmo tempo em que o capitão Bătănoiu sofreu seu ataque cardíaco, o autothrottle começou a funcionar mal, colocando o motor esquerdo de volta em ponto morto. Bătănoiu obviamente não foi capaz de pará-lo e Stoi provavelmente não estava pensando nisso porque Bătănoiu havia prometido lidar com isso.
Com o motor esquerdo quase sem empuxo para a frente, mas o motor direito ainda com potência de subida, a aeronave começou a girar cada vez mais abruptamente para a esquerda.
Mas o primeiro oficial Stoi, distraído com a repentina incapacitação de seu capitão, não percebeu a margem porque a densa cobertura de nuvens bloqueava sua visão do horizonte, provavelmente provocando desorientação espacial. Com o capitão possivelmente morto e a cabine em um caos, o voo 371 continuou a virar à esquerda, primeiro a 30 graus, depois a 45, depois a 60.
No momento em que o primeiro oficial Stoi verificou seus instrumentos e percebeu que o avião estava realmente virando, já era tarde demais. Stoi tentou ativar o piloto automático, mas ele se desconectou imediatamente devido à posição incomum do avião.
Antes que Stoi pudesse nivelar manualmente a aeronave, no entanto, ela caiu repentinamente em um ângulo de inclinação de 170 graus, virando completamente invertido e mergulhando direto em direção ao solo. Stoi gritou “Aquele falhou!”, presumivelmente percebendo que um motor não estava fornecendo empuxo.
O avião atingiu uma inclinação de 83 graus de nariz para baixo, quase vertical. Simplesmente não havia espaço suficiente para sair do mergulho. Apenas dois minutos após a decolagem, o voo 371 da TAROM mergulhou primeiro em um campo, matando instantaneamente todas as 60 pessoas a bordo.
O impacto levou grande parte do avião a uma cratera de 6 metros de profundidade e, em seguida, uma explosão expeliu grandes pedaços de destroços de volta para o ar, cobrindo uma ampla área com pedaços de metal, destroços leves e corpos.
Os motores foram colocados quatro ou cinco metros direto no solo. A aeronave foi destruída tão completamente que havia pouco na forma de fogo; os serviços de emergência extinguiram as chamas 30 minutos após o acidente.
O enorme nível de destruição também impossibilitou a realização de autópsias na tripulação, razão pela qual a origem exata do problema de saúde que atingiu o capitão Bătănoiu em seus minutos finais não pôde ser determinada.
Os investigadores ficaram perplexos ao descobrir que o avião parecia ter sido derrubado em partes iguais por dois problemas totalmente não relacionados que simplesmente se manifestaram exatamente ao mesmo tempo.
O capitão Bătănoiu tinha 48 anos e não tinha histórico anterior de problemas médicos; ele sofrer um ataque cardíaco naquele exato momento era improvável e muito azarado. Poucos minutos antes, e eles estariam estacionados no chão; alguns minutos depois, e o perigo da falha do autothrottle já teria passado.
Embora em um mundo perfeito o copiloto devesse ser capaz de se recuperar e trazer o avião para um pouso de emergência, o primeiro oficial Stoi era apenas humano; os investigadores sentiram que sua reação de pânico à repentina incapacitação ou morte de seu capitão foi totalmente natural, e que não era realista esperar que ele tivesse reagido corretamente a uma emergência não relacionada que aconteceu ao mesmo tempo.
No entanto, há uma série de lições a serem aprendidas com a queda do voo 371 - algumas técnicas, outras conceituais. Depois que o relatório da investigação foi publicado, a Airbus lançou uma solução para o problema do autothrottle (que também havia sido observado em um Delta Airlines A310), e foi colocado em prática dentro de um ano.
Nenhum A310 relatou problemas semelhantes desde então. A questão mais ampla, no entanto, é se algo pode ser feito para mitigar cenários de "ação divina" em que um avião é repentinamente atingido por múltiplas falhas por pura coincidência.
A lição importante a aprender é que, na verdade, algo está sempre falhando. Os planos são projetados com muitas camadas de redundância, mas muitas camadas são necessárias porque, provavelmente, algum sistema tem uma ou duas camadas que estão perpetuamente quebradas.
Portanto, a falha simultânea de vários sistemas redundantes se torna muito mais provável. O autothrottle com defeito era um caso claro desse fenômeno. Ele havia falhado várias vezes durante o ano anterior e, todas as vezes, o voo seguro contou com os pilotos servindo como um sistema de backup para evitar que a falha tivesse efeitos negativos. Então, quando o próprio piloto também “falhou”, não havia mais camadas de redundância restantes e o avião caiu.
Deste ponto de vista, raramente existe algo como um "ato divino". Certamente as chances de o capitão ter um ataque cardíaco ao mesmo tempo que a manifestação periódica do defeito da autogota era baixa, mas essas chances eram aumentadas pelo fato de a autogota ter ficado tanto tempo sem ser consertada.
Embora isto esteja fora do âmbito da investigação inicial, deve-se concluir que problemas aparentemente menores como estes devem receber maior prioridade de manutenção. Na verdade, essa visão foi especificamente enfatizada após a queda do voo 8501 da Indonésia Air Asia em dezembro de 2014.
Nesse acidente, um problema incômodo recorrente que acionou um alarme irritante acabou levando o capitão a tentar soluções perigosas durante o voo para fazê-lo desaparecer. Durante este processo, ele acidentalmente desligou o piloto automático e os pilotos perderam o controle do avião.
Como o problema em si não era perigoso, ele recebeu uma baixa prioridade de manutenção e nunca foi tratado de forma adequada. É provável que uma posição semelhante seja tomada em relação ao já infame acidente do voo 610 da Lion Air em outubro de 2018, que foi autorizado a decolar apesar de um conhecido problema com leituras incorretas de velocidade no ar.
Os pilotos de voos anteriores tiveram que agir como uma camada extra de redundância, intervindo manualmente para evitar que as leituras incorretas acionassem o sistema anti-stall do avião; por que essa linha final de defesa falhou no voo 610 ainda não se sabe.
Em conclusão, embora uma coincidência anormal certamente tenha ocorrido no voo 371 do TAROM, consertar até mesmo problemas menores pode e ajudará a reduzir as chances de coincidências anormais ocorrerem no futuro.
Pode ser difícil ver as ramificações potenciais de muitos problemas menores - o que poderia resultar de uma luz do trem de pouso queimada, uma rachadura de solda na unidade não essencial do limitador de deslocamento do leme ou uma buzina de aviso de configuração de decolagem desativada?
Na verdade, todos eles causaram acidentes, às vezes mais de uma vez, porque a responsabilidade que pertencia aos sistemas em falha foi colocada em outro sistema, geralmente os pilotos, que também eram falíveis.
E quando esses sistemas também falharam, não importa o quão breve, o desastre aconteceu. Felizmente, uma consciência crescente desse princípio se enraizou na indústria nos últimos anos, e pode-se esperar que, com uma maior consciência de como prevenir coincidências infelizes, as sessenta pessoas que perderam suas vidas no voo 371 da TAROM não terão morrido à toa.
Com Admiral Cloudberg, ASN, Wikipedia - Imagens: Banco de Dados de Acidentes de Aviação, Arquivo do Bureau de Acidentes de Aeronaves, ImgCop e Deccan Chronicle. Clipes de vídeo cortesia da Cineflix.
Em 31 de março de 1993, um Boeing 747 operando o voo 46E da Japan Airlines de Anchorage para Chicago perdeu um de seus motores logo após a decolagem. Como resultado, o ângulo de inclinação ultrapassou 48 graus, alternando com o nível das asas. Apesar de todos os obstáculos, os pilotos conseguiram pousar a aeronave com segurança.
O voo
O voo 46E da Japan Air Lines foi operado pela Evergreen International Airlines
O Boeing 747-121, com matrícula N473EV, da Evergreen International Airlines, a serviço da Japan Airlines (foto acima), operava um voo de carga de Tóquio Narita para o Aeroporto Internacional O'Hare de Chicago com escala para abastecimento em Anchorage. O voo 46E levava a bordo três tripulantes e dois passageiros não-comerciais.
Outrora um avião de passageiros operado pela Pan Am e TWA, o 747 foi posteriormente convertido em cargueiro e juntou-se à frota da Evergreen International Airlines. Alimentado por quatro motores turbofan Pratt & Whitney JT9D-7D, era um carro-chefe dos céus.
O voo 46E estava sob o comando de um capitão de 42 anos que registrou mais de 10.000 horas de voo, incluindo 750 horas em tipo. Ele estava acompanhado por um primeiro oficial de 47 anos que havia registrado 10.500 horas de voo, incluindo 600 horas no Boeing 747. Além disso, a bordo estava um engenheiro de voo de 33 anos que estava na Evergreen desde 1989 e fez 2.600 voos. horas.
A partida malfadada: encontro com a turbulência
Enquanto a aeronave se preparava para a decolagem, foi prevista uma forte turbulência. A previsão indicava que turbulência severa havia sido relatada por aeronaves voando abaixo de 12.000 pés num raio de 60 milhas náuticas.
Enquanto a aeronave taxiava para fora da área da rampa ao redor, a luz “aberta” da válvula de partida do motor nº 2 acendeu. Respondendo a este sinal, o engenheiro de vôo tomou medidas preventivas desligando o motor nº 2. O avião retornou à rampa para uma inspeção de manutenção. Embora a válvula de partida tenha sido substituída, o acendimento persistente da luz indicava um problema no sistema indicador.
Em conformidade com a Lista de Equipamentos Mínimos (MEL) aprovada pela FAA das companhias aéreas, a discrepância foi documentada e o reparo foi adiado para uma data posterior.
Em meio a esses reparos, uma previsão foi transmitida pela frequência de controle de solo. Esta previsão alertou para turbulência severa moderada a frequente desde a superfície até 12.000 pés, juntamente com turbulência severa moderada a frequente de ondas de montanha de 12.000 pés a 39.000 pés. Esta área turbulenta estendia-se desde a superfície até uma altitude de 39.000 pés, com o seu limite norte situado a 36 milhas a sul de Anchorage.
A frequente turbulência das ondas nas montanhas foi percebida
Após a inspeção e reparo, o voo 46E foi autorizado a taxiar. Enquanto o Boeing 747 taxiava na pista para aguardar sua autorização de decolagem, o controlador local informou à tripulação de voo que: “O piloto relata turbulência severa deixando 2.500 (pés) subindo no KNIK2 na pista 6R pela empresa (JAL/Evergreen voo 42E) B747.”
Observe que 2KNIK é uma rota de partida por instrumentos padrão usada após a decolagem da pista 6R em Anchorage. O Engenheiro de Voo informou aos passageiros não-comerciais sobre esta turbulência relatada.
Partida e Separação do Motor
Por volta das 12h24, horário local, o voo 46E partiu de Anchorage. O peso de decolagem calculado da aeronave de 733.778 libras, ligeiramente abaixo de seu peso máximo de decolagem de 740.000 libras, ditou a necessidade de pista 6R e empuxo máximo do motor. O Comandante era o piloto voador (PF).
Pouco depois da decolagem, enquanto a aeronave subia cerca de 2.000 pés, a tripulação iniciou uma curva para a esquerda de 20° para um rumo de 330°. No entanto, a aeronave experimentou uma margem esquerda não comandada, aumentando ainda mais o ângulo de inclinação para aproximadamente 50°.
Ao mesmo tempo, a aeronave sofreu guinada severa e velocidade flutuante. O acelerador do motor nº 2 bateu na parada traseira, seu reversor foi acionado involuntariamente e seus sistemas elétricos falharam. Testemunhas no solo também relataram ter testemunhado oscilações dramáticas de inclinação e rotação antes do motor se separar.
Dois F-15 da Força Aérea dos EUA inspecionaram a aeronave
Dois F-15 da Força Aérea dos EUA também voavam na área ao mesmo tempo. Os pilotos dos F-15 notaram algo grande caindo do B747 ao partir de Anchorage. Os rádios dos F-15 não tinham as frequências adequadas para se comunicarem diretamente com o voo 46E ou com a torre ANC. Portanto, os pilotos relataram o evento à torre da Base Aérea de Elmendorf (AFB).
Na inspeção, os pilotos dos F-15 descobriram que o B747 havia perdido o motor nº 2, todos os dispositivos de bordo de ataque entre os motores nº 1 e nº 2, e que os flaps do bordo de fuga estavam danificados.
Os controladores da torre da AFB divulgaram a informação aos controladores da torre do ANC às 12h34, horário local, e avisaram-nos que algo havia caído de um B747 que acabara de partir do ANC.
Voltando para Anchorage
Reconhecendo a gravidade da situação, a tripulação declarou emergência. O Comandante iniciou uma curva acentuada à esquerda, visando retornar à pista 6R de Anchorage. Com o motor nº 2 perdido e o motor restante levado ao limite, os ângulos de inclinação da aeronave chegaram a 40 graus, alternando com asas niveladas. Segundo o Capitão, foi utilizada direção manual e ocasionalmente foi necessária a aplicação total do leme à direita para manter o controle.
Quando o voo 46E se aproximou de Fire Island durante sua aproximação final, o capitão instruiu a interromper o despejo de combustível. O trem de pouso foi estendido nesta fase e a aeronave alinhou-se com o glideslope a uma altitude de 500 a 600 pés. A 300 pés, os flaps foram ajustados para 25 graus e, por volta das 12h45, o voo 46E notificou a torre de seu pouso na pista. O peso de pouso foi de aproximadamente 685.000 libras, excedendo o peso máximo normal de pouso certificado de 585.000 libras.
O voo 46E após o pouso
Após o pouso, o Comandante taxiou a aeronave até a área da rampa, reportando freios laterais esquerdos muito quentes ao pessoal de terra. Foram tomadas precauções para evitar possíveis explosões de rodas e freios devido às temperaturas elevadas.
Investigação e descobertas: desvendando o mistério
O National Transportation Safety Board (NTSB) encarregou-se da investigação do voo 46E, examinando meticulosamente os destroços, os dados do voo e os relatos das testemunhas.
A investigação concluiu que a causa provável do acidente foi a separação lateral do poste do motor nº 2 devido a um encontro com turbulência severa e possivelmente ondas extremas de montanha e turbulência mecânica na partida de Anchorage. Esta turbulência levou a cargas laterais multieixos dinâmicas que excederam a capacidade final de suporte de carga do pilar, agravadas ainda mais por uma fissura de fadiga pré-existente.
(Imagem via NTSB)
O encontro de turbulência induziu altas cargas laterais na estrutura do pilar do motor nº 2.
O motor separou-se da aeronave como resultado da ruptura estrutural do pilar do motor nº 2.
A ruptura começou em uma rachadura de fadiga de 2 polegadas de comprimento na rede do firewall dianteiro, perto da antepara dianteira do motor.
A rachadura por fadiga na rede frontal do firewall reduziu a capacidade final de transporte de carga lateral da estrutura do pilar em cerca de 10%.
Consequências
Na sequência deste incidente, várias recomendações foram feitas à Administração Federal de Aviação (FAA). Estes incluíram a inspeção dos postes dos motores, melhores avaliações de riscos meteorológicos, aprimoramento da capacidade de carga lateral das estruturas dos postes e alterações nas rotas de partida durante condições turbulentas.
(Imagem via NTSB)
Antes da decolagem do voo 46E, outro B747 da Evergreen, operando o voo 42E em nome da Japan Airlines, também sofreu pequenos danos devido à turbulência. Em resposta ao incidente, o NTSB recomendou que a FAA considerasse modificar as rotas de partida em Anchorage.
Além disso, o evento proporcionou uma compreensão mais profunda da dinâmica estrutural das aeronaves e da sua vulnerabilidade a condições climáticas extremas.
O Boeing 747-121, N473EV, foi reparado e voltou ao serviço antes de ser aposentado e sucateado em 2001.
O voo Trans-Air Service 671 foi um voo de carga do Aeroporto de Luxemburgo para o Aeroporto Internacional Mallam Aminu Kano em Kano, na Nigéria . Ao sobrevoar a França em 31 de março de 1992, o Boeing 707 que operava o voo experimentou uma separação em voo de dois motores em sua asa direita. Apesar dos danos na aeronave, os pilotos conseguiram realizar um pouso de emergência na Base Aérea de Istres-Le Tubé, em Istres, na França. Todos os cinco ocupantes da aeronave sobreviveram; no entanto, a aeronave foi danificada além do reparo devido a um incêndio na asa direita.
A aeronave
A aeronave era o Boeing 707-321C, prefixo 5N-MAS, da companhia aérea nigeriana Trans-Air Service (foto acima), com 28 anos de operação. Ela foi fabricada em abril de 1964 e foi entregue pela primeira vez à Pan Am no final do mesmo mês. Acumulou 60.985 horas de voo em 17.907 voos. Era movido por quatro motores Pratt & Whitney JT3D-3B. Durante sua história, o proprietário e o registro da aeronave mudaram várias vezes até ser entregue a Trans-Air Service.
A tripulação
O capitão era o sueco Ingemar Berglund, de 57 anos; ele tinha um total de aproximadamente 26.000 horas de experiência de voo, incluindo 7.100 no Boeing 707. O primeiro oficial era o britânico Martin Emery, de 44 anos; ele tinha aproximadamente 14.000 horas de experiência de voo, incluindo 4.500 no Boeing 707. O engenheiro de voo era o britânico Terry Boone, de 55 anos; ele tinha aproximadamente 18.000 horas de experiência de voo, todas no Boeing 707. Um mecânico e um supervisor de carga também estavam a bordo do voo. O mecânico era o nigeriano Ike Nwabudike, de 36 anos, e o supervisor de carga, o islandês Ingebar Einarssen, de 27 anos.
O voo e o acidente
O voo partiu do Aeroporto de Luxemburgo às 07h14 (UTC) de 31 de março de 1992, transportando 38 toneladas de carga e tendo como destino o Aeroporto Internacional Mallam Aminu Kano, perto de Kano, na Nigéria.
Aproximadamente às 08h11, enquanto a aeronave subia 32.000 pés (9.800 m) sobre o departamento de Drôme, no sudeste da França, a tripulação notou forte turbulência e ouviu um alto "duplo estrondo". A aeronave posteriormente começou a rolar para a direita.
O capitão Berglund então desligou o piloto automático e usou entradas de coluna de controle e leme para recuperar o controle da aeronave. Além disso, o alerta de incêndio era continuamente audível e não podia ser desligado pelo engenheiro de voo.
O primeiro oficial Emery posteriormente observou que o motor número 4 (o mais à direita dos quatro motores da aeronave) havia se separado da asa e enviou um pedido de socorro. Posteriormente, Emery notou que o motor número 3 (o motor interno da asa direita) também havia se separado da asa.
Em seguida, o capitão Berglund começou a descer em direção a Marselha enquanto o engenheiro de voo Boone começou a despejar combustível em preparação para um pouso de emergência.
Durante a descida, a tripulação notou um aeródromo à frente, a Base Aérea de Istres-Le Tubé em Istres, na França. A tripulação então decidiu pousar na pista 15 em Istres.
Isso exigia um circuito à esquerda antes do pouso. Esta curva à esquerda provou ser muito desafiadora para o capitão Berglund devido aos danos aos controles de voo da aeronave. O gravador de voz da cabine mostrou que o primeiro oficial Emery estava encorajando Berglund repetindo as palavras "virar à esquerda" seis vezes. Pouco antes do pouso, o controlador de tráfego aéreo observou um incêndio na aeronave.
A aeronave realizou uma aterragem de emergência em Istres às 08h35, cerca de 24 minutos após a separação inicial dos motores. Durante a rolagem de pouso, a aeronave saiu do lado esquerdo da pista. Após a parada da aeronave, a tripulação notou que havia um incêndio na asa direita da aeronave. Todos os cinco ocupantes da aeronave sobreviveram sem ferimentos; no entanto, houve danos de fogo consideráveis na ala direita. A aeronave foi danificada além do reparo.
A investigação e o resultado
Os investigadores descobriram que a fadiga do metal causou uma rachadura no pilão que segurava o motor número 3 (o motor interno direito) na asa. Isso enfraqueceu o pilão de tal forma que quebrou no vôo do acidente, levando à separação do motor número 3. O motor número 3 separado atingiu o motor número 4, fazendo com que ele se separasse também. Além disso, uma diretriz de aeronavegabilidade que exigia inspeções periódicas dos pilares foi considerada ineficaz na detecção de tais trincas de fadiga.
Em resposta ao acidente, o BEA francês (Bureau of Inquiry and Analysis for Civil Aviation Safety) recomendou que os procedimentos de inspeção dos pilones dos motores fossem modificados para que as rachaduras por fadiga pudessem ser detectadas mais facilmente. O BEA também recomendou que os controladores de tráfego aéreo recebam treinamento regular para situações de emergência por meio de estudo teórico e realização de exercícios práticos. Clique aqui para acessar o Relatório Final do acidente.
No ano seguinte ao incidente, a tripulação recebeu o Prêmio Memorial Hugh Gordon-Burge da Honorável Companhia de Pilotos Aéreos.
Em 31 de março de 1986, o pior desastre aéreo do México se desenrolou sobre as montanhas de Michoacán, quando a tripulação de um Boeing 727 lutou para salvar a vida dos passageiros após uma violenta explosão a bordo da aeronave. Mas a luta desesperada durou apenas quatro minutos. Enquanto testemunhas atônitas observavam o avião em chamas rasgando o céu, com enormes labaredas em seu rastro, o 727 repentinamente se partiu ao meio, seus destroços incandescentes despencando como um meteoro em um desfiladeiro acidentado. Não houve sobreviventes.
Apesar das especulações de que uma bomba teria detonado no compartimento de carga, extensos testes em fragmentos encontrados a 32 quilômetros do local do acidente revelaram que a explosão e o incêndio foram acidentais — o culminar de uma série de erros e falhas. No entanto, o conhecimento público sobre esses erros é escasso. O relatório final não aborda os fatores sistêmicos que contribuíram para o desastre e também apresenta grandes lacunas na narrativa do acidente, deixando os leitores sem saber exatamente o que aconteceu e por quê. Isso não significa que as conclusões estejam erradas, mas sim que estão incompletas, e embora lições de segurança tenham sido extraídas das descobertas, outras podem ter passado despercebidas. O que se segue é minha melhor tentativa de reconstituir o que aconteceu nos dias e minutos que antecederam a queda do voo 940 da Mexicana de Aviación — e de imaginar como uma investigação mais completa poderia ter sido.
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Anúncio em inglês de 1986 da Mexicana (Vintage Airliners)
Fundada em 1921, a Compañia Mexicana de Aviación, ou simplesmente Mexicana, foi a primeira companhia aérea do México e, até sua falência em 2010, era a companhia aérea em operação contínua mais antiga da América do Norte. Durante grande parte desse período, a Mexicana foi a companhia aérea de bandeira do México e a principal concorrente da atual companhia aérea de bandeira do país, a Aeroméxico. A Mexicana foi estatal e privada em diferentes momentos de sua existência; na época desta reportagem, era estatal.
Em 1986, a frota da Mexicana utilizava McDonnell Douglas DC-10 para voos de longa distância e Boeing 727-200 para rotas de curta e média distância. Sua frota de 51 aeronaves 727-200 a tornava a maior operadora desse tipo de aeronave fora dos Estados Unidos.
Quando a Mexicana começou a operar o 727 em 1966, o modelo estava em serviço há apenas dois anos e ainda era considerado de última geração; porém, quando a companhia aérea aposentou seu último 727 em 2003, o modelo já estava fora de produção há quase 20 anos e não atendia mais aos requisitos de ruído e eficiência de combustível estabelecidos pela maioria dos países e companhias aéreas. Portanto, ao analisarmos alguns dos sistemas que equipavam e não equipavam esta aeronave, devemos levar em consideração que se tratava de tecnologia da década de 1960.
XA-MEM, a aeronave envolvida no acidente, fotografada em Puerto Vallarta em 1984 (George Gayuski)
Esta história envolve um Boeing 727-200 com matrícula XA-MEM, fabricado em março de 1981 e que havia completado cerca de 10.000 voos para a Mexicana quando chegou ao Aeroporto Internacional O'Hare de Chicago em 30 de março de 1986. O voo havia transcorrido sem incidentes, mas durante a corrida de pouso, a tripulação percebeu que os freios estavam funcionando de forma irregular, e algo parecia estar errado com os freios do trem de pouso principal direito em particular. No diário de bordo, o piloto escreveu: “frenos disparejos, el derecho tiene aire” (freios desiguais, o direito tem ar). Presume-se que isso signifique que o freio estava esponjoso ou demorava muito para engatar, o que pode ser causado por ar nas linhas de freio.
O Boeing 727 destaca-se por possuir um sistema de freios particularmente potente, pelo menos em comparação com outras aeronaves da época. O 727 foi projetado para atender às especificações de diversas companhias aéreas americanas que desejavam operá-lo em rotas de médio alcance partindo de aeroportos menores com pistas muito curtas, algumas com 1.500 metros ou menos, e para ser capaz de pousar com um peso bruto elevado. Para isso, os freios foram projetados para serem utilizados intensamente, com capacidade e resiliência ampliadas, na expectativa de que fossem usados em sua capacidade máxima repetidamente em um curto período de tempo.
Além disso, o 727 também era vendido com um freio opcional no trem de pouso dianteiro que entrava em ação se os pilotos pressionassem os pedais com força suficiente — embora as companhias aéreas tenham relatado que esse recurso era desnecessário, pois os freios do trem de pouso principal já eram muito potentes por si só. A alta capacidade de frenagem era especialmente útil naquele período, quando as companhias aéreas frequentemente operavam rotas com muitas paradas , às vezes para reabastecimento em voo, a fim de minimizar o tempo de retorno — uma prática que exigia muito dos freios.
Enquanto o XA-MEM estava em solo em Chicago, os técnicos resolveram o problema registrado no diário de bordo realizando uma sangria de freio de rotina. Esse processo envolve pressionar o pedal do freio para forçar a saída do ar das linhas e, em seguida, injetar fluido hidráulico novo para substituir o ar que escapou. É uma parte normal da manutenção dos freios e deve ser realizada em intervalos regulares, mesmo que os pilotos não relatem a presença de ar nos freios. O relatório final cita o diário de bordo técnico, no qual os técnicos escreveram: “Sangria de freios OK para serviço”, mas não esclarece se os técnicos sangraram todos os freios ou apenas o lado direito. No entanto, presumo que, se apenas um lado tivesse sido sangrado, a anotação teria especificado qual lado; portanto, se eu tivesse que adivinhar, diria que provavelmente sangraram todos os freios.
Um trecho de uma publicação técnica/promocional lançada pela Boeing antes do lançamento do 727 em 1963 (Boeing via Avialogs)
Posteriormente, a aeronave voltou a operar e, na manhã seguinte, o XA-MEM voou de Chicago de volta para o Aeroporto Internacional da Cidade do México; o relatório final não especifica se essa operação foi realizada pela mesma tripulação ou por uma nova.
Após a chegada às 07h12, a tripulação registrou diversos novos itens no diário de bordo, incluindo “haste do conjunto do freio curta, roda nº 2”; “diferença de 120 pés entre os altímetros”; “falha na alavanca para abaixar a escada traseira”; “pressão no sistema hidráulico B de 3.150 psi”; e “forte vibração nas alavancas de potência 1 e 2”. Vamos analisar o significado de cada um desses itens.
Sem um diagrama detalhado do conjunto de freios, não sei exatamente o que se entendia por "haste do conjunto de freios", mas pode ter sido uma haste projetada para se desgastar na mesma proporção que as pastilhas de freio, a fim de indicar o desgaste geral. Os técnicos afirmaram que mediram a haste e constataram que seu comprimento estava dentro dos limites. Com relação ao segundo item, a diferença no altímetro, os técnicos esvaziaram os coletores de água das portas estáticas que medem a pressão atmosférica e instruíram a próxima tripulação a monitorar os altímetros durante o próximo voo. O terceiro item, a falha na alavanca da escada de acesso, foi adiado para o dia seguinte. E o quinto item, a vibração da alavanca de potência, foi verificado e nenhum problema foi encontrado.
O quarto ponto é interessante para esta história porque o sistema hidráulico B normalmente alimenta os freios do 727. De acordo com a documentação da aeronave, a pressão normal nos sistemas hidráulicos A e B deve estar entre 2.800 e 3.100 psi, o que significa que uma leitura de 3.150 psi é ligeiramente alta demais — presumivelmente por isso os pilotos a registraram. Será que esse problema estava relacionado à sangria dos freios realizada pelos técnicos em Chicago?
O relatório final não menciona isso e, pelo que sei, o assunto nunca foi oficialmente investigado. Também não tenho conhecimento técnico suficiente para emitir meu próprio parecer. Tudo o que sabemos com certeza é que os técnicos na Cidade do México também adiaram a resolução desse problema para o dia seguinte, o que significa que qualquer problema que estivesse causando a pressão ligeiramente elevada no sistema hidráulico B permaneceu sem solução durante o voo do acidente.
Rota aproximada do voo 940 da Mexicana (Elaboração própria, mapa do Google, imagem do avião cedida pela Golden Age Posters)
Essa viagem seria o voo 940 da Cidade do México para Los Angeles, Califórnia, com escalas programadas em Puerto Vallarta e Mazatlán, na costa oeste do México. Um total de 159 passageiros embarcou, a maioria mexicanos, embora a lista de passageiros também incluísse seis ou nove americanos*, oito membros de uma mesma família francesa, dois canadenses e quatro suecos, incluindo uma funcionária da embaixada sueca no México e seus filhos (*As fontes divergem quanto ao número de passageiros americanos).
Além dos 159 passageiros, o voo também contava com uma tripulação de oito pessoas, composta por cinco comissários de bordo e três tripulantes.
O comando estava a cargo do capitão Carlos Alberto Guadarrama Sixtos, de 36 anos, que voava pela Mexicana desde 1971 e acumulava um total de 6.328 horas de voo, quase todas no Boeing 727, aeronave que pilotava desde 1973.
A esposa e os dois filhos do Capitão Guadarrama também estavam a bordo do voo, aproveitando, segundo relatos, a escala programada de Guadarrama em Los Angeles para visitar a Disneylândia. Sua esposa, Graciela Flores, era uma ex-comissária de bordo da Mexicana que, coincidentemente, sobreviveu ao último grande acidente da companhia, quando um Boeing 727 caiu antes da pista do Aeroporto da Cidade do México em 1969, matando 27 das 118 pessoas a bordo.
De acordo com algumas reportagens, Flores foi arremessada do avião para a água lamacenta, aparentemente ilesa; ela então ajudou vários passageiros a escapar da aeronave antes de sair em busca de ajuda. Mais tarde, ela deixou o emprego para formar uma família, mas hoje se encontrava novamente a bordo de um Boeing 727 da Mexicana. Tenho conhecimento de relatos de que ela estava sentada no assento auxiliar da cabine de comando porque o voo estava com excesso de reservas, mas não consegui verificar essa informação.
Além disso, o segundo piloto era o primeiro oficial Philip Louis Piaget Rhorer, de 34 anos, que pilotava o Boeing 727 para a Mexicana desde 1980 e tinha um total de 1.769 horas de voo. E, por fim, completando a tripulação estava o engenheiro de voo Angel Carlos Peñasco Espinoza, de 29 anos, que trabalhava para a Mexicana desde 1982 e tinha um total de 1.142 horas de voo.
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Após concluir todas as verificações pré-voo e assegurar a aeronave, o voo 940 iniciou o pushback e taxiou até a pista. Durante o táxi, o Capitão Guadarrama comentou que a aeronave parecia "pesada" ou "presa", embora o relatório final omita as palavras exatas que ele usou. De qualquer forma, este seria o primeiro sinal de problemas para este voo particularmente problemático.
Aparentemente sem se preocupar muito com a estranha sensação, Guadarrama conduziu sua aeronave até a posição na pista da Cidade do México e iniciou a corrida de decolagem, partindo às 8h50, horário local. Mas, assim como a fase de táxi, a decolagem não foi totalmente normal. Na verdade, Guadarrama logo comentou com o primeiro oficial Piaget que a aeronave "parecia pesada" e que eles teriam que "aplicar mais potência" para decolar. De fato, a aceleração foi excepcionalmente lenta e, mesmo após forçar os motores à potência máxima, o voo 940 levou 11 segundos a mais do que o esperado para decolar — o que, relativamente falando, é uma eternidade.
Provavelmente, isso teria parecido estranho para os pilotos, pois não havia nenhuma razão óbvia para que isso acontecesse. Embora o desempenho na decolagem possa ser afetado negativamente pela alta altitude de densidade e pelas altas temperaturas, a temperatura na Cidade do México naquela manhã era de apenas 8°C (46°F), portanto, mesmo na altitude relativamente alta do aeroporto, de 2.230 metros (7.316 pés), o desempenho não deveria ter sido um problema.
A investigação também confirmou posteriormente que o peso da aeronave foi calculado corretamente e estava 6.000 kg (13.200 libras) abaixo do peso máximo de decolagem para as condições. Na verdade, a verdadeira causa da lenta aceleração foi finalmente identificada como um freio de arrasto no trem de pouso principal esquerdo.
Diagrama do freio de uma roda de um Boeing 727. Este diagrama mostra, na verdade, o freio da roda do nariz, mas em termos dos componentes básicos e suas posições relativas, é bastante semelhante (Boeing via Avialogs)
Como quase todos os veículos, as rodas principais do 727 são equipadas com freios a disco com discos fixos, ou estatores, que são pressionados contra discos rotores correspondentes fixados às rodas, a fim de dissipar energia por meio do atrito. Esse processo converte a energia cinética do veículo em calor, razão pela qual os freios esquentam — e os freios de aeronaves, em particular, podem ficar muito quentes.
De fato, a eficiência da ventilação é um componente importante do desempenho dos freios, e publicações da Boeing da época atribuíam a alta capacidade de frenagem do 727 à "melhor ventilação natural". Os freios do 727 também apresentam múltiplos estatores e múltiplos rotores dispostos em um padrão alternado, permitindo que cada conjunto de freio atue como vários freios na mesma roda, aumentando consideravelmente a potência e a eficiência do sistema.
Após o acidente, os investigadores encontraram os conjuntos de freio das duas rodas do trem de pouso principal esquerdo da aeronave XA-MEM e os enviaram aos seus fabricantes nos EUA para análise. Essa análise revelou que o conjunto de freio nº 2, localizado na roda interna, não havia sido submetido a temperaturas superiores às esperadas durante a operação normal. Mas o conjunto de freio nº 1, na roda externa esquerda, era uma história diferente. Nesse freio, uma parte significativa do suporte e do revestimento que mantêm os estatores no lugar em relação aos rotores estava derretida e aderida às faces dos rotores. O fabricante, BF Goodrich, estimou que a temperatura de todo o conjunto de freio deveria ter ficado entre 650 e 870 °C (1.200 e 1.600 °F) para derreter o suporte e o revestimento do estator de forma tão abrangente. Isso estava muito além da faixa de temperatura encontrada em operação normal.
No entanto, essas temperaturas poderiam ter sido atingidas se o freio nº 1 tivesse permanecido acionado durante todo o táxi e a corrida de decolagem do voo 940. Nesse caso, seria necessária mais energia para mover a aeronave e levá-la à velocidade de decolagem — e essa energia extra teria sido usada diretamente para aquecer o conjunto do freio. Um freio travado também explicaria por que a aeronave parecia "presa" durante o táxi e por que sua aceleração foi anormalmente lenta.
Infelizmente, a investigação não tentou determinar por que o freio travou, ou, se tentou, essa informação não foi incluída no relatório final. A análise da BF Goodrich descobriu alguns danos não especificados no servofreio nº 1, que reduz a pressão hidráulica quando o freio deixa de ser acionado, mas a empresa não conseguiu determinar se esses danos ocorreram antes ou depois do acidente. Se alguma tentativa adicional para determinar a causa tivesse sido feita, mas sem sucesso, o relatório normalmente diria que a razão para o travamento do freio "não pôde ser determinada", mas essa informação também está ausente. O assunto simplesmente não é abordado, e os registros no diário de bordo e as respectivas ações corretivas nunca mais são mencionados no relatório final.
Agora é o momento em que eu adoraria dizer: "Mas, após semanas de pesquisa, consegui descobrir o que aconteceu" — mas não posso, porque ainda não sei. Não tenho como determinar se o freio travado estava relacionado ao trabalho de sangria do sistema de freios, à pressão elevada do sistema hidráulico B ou a qualquer outra coisa que compartilhei com vocês até agora, porque esse é o trabalho dos investigadores. Posso vasculhar manuais, conversar com especialistas, até mesmo fazer cálculos matemáticos às vezes, mas não posso fazer análises forenses de peças de aeronaves ou reconstruir cronogramas de manutenção que nunca foram divulgados publicamente.
Uma visão geral do trem de pouso do 727 (Boeing via Avialogs)
Embora eu acredite que o freio travado provavelmente esteja relacionado de alguma forma à manutenção recente, as informações disponíveis não permitem afirmar se essa manutenção causou o problema, o agravou ou simplesmente não resolveu um problema preexistente, como uma falha no servofreio.
Após o acidente, a mídia noticiou que o sindicato que representa os mecânicos e a equipe de solo da Mexicana "havia reclamado que os aviões da companhia aérea estavam com manutenção precária" (UPI), mas um porta-voz do sindicato negou que sua organização tivesse feito tal declaração.
Se esta investigação tivesse se dedicado a seguir todas as pistas, não só saberíamos se o freio estava recebendo a manutenção correta, como também poderíamos ter aprendido muito sobre a cultura de segurança da Mexicana como um todo, o que poderia ter ajudado a Mexicana a se tornar uma companhia aérea mais segura e auxiliado outras companhias aéreas a manterem seus 727 de forma mais eficaz. Mas isso não aconteceu, e esse é o custo de oportunidade que acompanha uma investigação limitada ou amadora. Obviamente, tudo isso já é passado, visto que nos últimos 40 anos praticamente todos os 727 foram aposentados e a Mexicana de Aviación faliu, mas teria sido útil na época.
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Voltando àquela manhã fria na Cidade do México, enquanto o voo 940 se aproximava do final da pista, o primeiro oficial Piaget anunciou “V1” e depois “rotacionar”, e o capitão Guadarrama puxou os comandos, levantando o 727 da pista e mergulhando no ar saturado de poluição. Apesar da longa corrida de decolagem, o desempenho na subida foi normal, então Piaget teria anunciado “razão positiva” e Guadarrama teria respondido “trem de pouso recolhido”, levando Piaget a recolher o trem de pouso. Eles não poderiam imaginar que isso selaria o destino de todos a bordo.
Como a maioria das aeronaves de sua época, o Boeing 727 não era originalmente equipado com sensores de temperatura dos freios ou um sistema de alerta de superaquecimento dos freios. Os pilotos não teriam como saber que o freio do trem de pouso principal nº 1 estava perigosamente quente, nem perceberiam que, ao recolher o trem de pouso, como faziam após cada decolagem, estariam levando aquele conjunto de freio incandescente para dentro da aeronave.
Freio superaquecido em um Airbus A320 após o pouso (Joseph Cepril Regalado)
Se houver suspeita ou confirmação de superaquecimento dos freios, a melhor prática é manter o trem de pouso abaixado, pois o fluxo de ar ajudará a resfriá-los e, caso ocorra um incêndio, ele ficará isolado dos sistemas críticos da aeronave. Por outro lado, recolher um freio superaquecido para dentro do compartimento do trem de pouso aprisionará o calor no espaço confinado, de onde será transferido para os equipamentos ao redor em vez de para o ar livre, aumentando drasticamente o risco de incêndio.
Os componentes mais suscetíveis a danos em tal cenário são, obviamente, os pneus. O conjunto de freio é fixado ao aro da roda, que por sua vez está fixado ao pneu, criando um caminho direto para a transferência de calor. Portanto, caso um freio superaqueça, ele pode aquecer o pneu até que este falhe sob sua pressão interna normal — ou o gás dentro do pneu pode aquecer, causando sua expansão até a explosão do pneu.
Para evitar este último cenário, as rodas das aeronaves, incluindo as utilizadas no 727, são equipadas com fusíveis que se abrem para esvaziar o pneu com segurança caso a pressão interna se torne excessiva. O relatório final menciona que algumas explosões de pneus de aeronaves ocorreram apesar do uso de fusíveis, mas também afirma que nenhum desses incidentes anteriores resultou em danos a sistemas críticos.
Algumas referências a plugues de fusíveis de roda que encontradas na documentação do Boeing 727 (Boeing-727.com e Boeing via Avialogs)
Em vez disso, o que aconteceu com o voo 940 pode ter sido algo completamente diferente. De fato, de acordo com a análise da BF Goodrich, provavelmente teve a ver com o gás usado para inflar os pneus.
Mesmo naquela época, era prática comum inflar os pneus das aeronaves com nitrogênio, pois é um gás inerte que não sustenta a combustão, não reage tão facilmente com outros compostos e não vaza tão rapidamente quanto o ar. No entanto, isso não era estritamente necessário, e não era incomum que as companhias aéreas inflassem seus pneus com ar comum, especialmente se não houvesse equipamento para enchimento com nitrogênio disponível.
Embora a atmosfera da Terra seja composta por 78% de nitrogênio, a maior parte do restante é oxigênio, um composto químico altamente reativo que constitui um dos três ingredientes necessários para a combustão (os outros sendo combustível e calor). Isso é significativo, considerando que os pneus do XA-MEM foram inflados com ar em vez de nitrogênio, por razões não mencionadas no relatório final.
Após o acidente, os engenheiros da BF Goodrich examinaram os fusíveis da roda nº 1 e encontraram partículas que pareciam ser provenientes da decomposição da camada de selante que reveste a face interna do pneu. Esse material, não especificado no relatório, pode se decompor quando exposto a altas temperaturas, liberando gases hidrocarbonetos como subproduto. Além disso, se essa mistura atingir temperatura suficientemente alta, esses gases podem entrar em combustão espontânea na presença de oxigênio — lembre-se, combustível mais calor mais oxigênio é igual a fogo.
Portanto, os investigadores acreditavam que, à medida que o voo 940 subia após a decolagem da Cidade do México, o freio nº 1 superaquecido começou a aquecer o ar dentro do pneu nº 1, desencadeando a decomposição da camada de selante que libertou gases inflamáveis no interior do pneu. Como no caso do acidente com o voo 306 da Swissair, a temperatura máxima de um conjunto de roda superaquecido pode não ser atingida até vários minutos após o evento inicial ter terminado, o que significa que a temperatura do conjunto da roda nº 1 pode ter continuado a aumentar por um período significativo após a decolagem do voo 940. Eventualmente, a temperatura interna do pneu atingiu a temperatura de autoignição dos gases de hidrocarbonetos, que se inflamaram porque o pneu estava cheio de ar oxigenado, desencadeando uma poderosa explosão quando o 727 subiu a 29.400 pés, aproximadamente 14 minutos após a decolagem.*
*Nota: Transcrições das comunicações entre o voo 940 e o controle de tráfego aéreo, publicadas pela mídia internacional, mostram o voo 940 reportando a 31.000 pés antes do primeiro relato de emergência. O relatório final indica que a explosão ocorreu a 29.400 pés. Não consegui resolver essa discrepância.
Entendendo a localização relativa de componentes cruciais na área do compartimento do trem de pouso do 727 (Yiming e Boeing-727.com) - Clique na imagem para ampliá-la
O relatório final não parece descartar completamente a possibilidade de que os fusíveis não tenham se aberto, permitindo que o pneu sofresse sobrepressão até que a borracha enfraquecida se rompesse, mas os investigadores aparentemente acreditavam que a potência da explosão era muito grande para ser explicada por esse mecanismo.
De fato, a explosão foi tão grande que foi percebida por pessoas em terra a mais de 6.000 metros de altitude, que olharam a tempo de ver pedaços da aeronave caindo do céu perto da fronteira entre o Estado do México e Michoacán. Esses itens incluíam, entre outros, uma parte da porta do trem de pouso esquerdo, o motor elétrico de reserva e a caixa de engrenagens dos flaps, pedaços de tubulações hidráulicas e parte da cobertura de fibra de vidro que protege a linha de alimentação de combustível do motor nº 1, onde ela passa pelo compartimento da roda esquerda.
Esses danos indicaram que as tubulações hidráulicas e a linha de alimentação de combustível do motor nº 1 foram rompidas no momento da explosão, o que teria provocado um vazamento de combustível em alta pressão, já que o combustível de aviação foi expelido pela abertura pelas bombas de combustível ainda em funcionamento. Esse combustível e fluido hidráulico teriam entrado em contato imediato com a superfície incandescente do conjunto de freio nº 1, causando um incêndio.
Lá em cima, os passageiros e a tripulação ouviram uma explosão ensurdecedora, seguida imediatamente pelo rugido de uma descompressão explosiva, e na cabine de comando, o alarme de altitude da cabine começou a soar, avisando que a pressurização havia sido perdida. O compartimento do trem de pouso não é pressurizado, então a explosão deve ter sido forte o suficiente para atingir a cabine de passageiros acima, levando à perda da integridade do vaso de pressão.
Segundos após a explosão, o Capitão Guadarrama contatou o Centro de Controle da Área da Cidade do México para solicitar uma altitude menor, seguida de um pedido para retornar ao aeroporto, ambos concedidos. O gravador de voz da cabine — cuja transcrição não foi divulgada — indica que a emergência se apresentou inicialmente à tripulação como uma perda de pressão na cabine, e que os pilotos colocaram suas máscaras de oxigênio e iniciaram uma descida de emergência rápida, como previsto.
Contudo, devido à ignição imediata do combustível vazando dentro do compartimento da roda esquerda, a presença do fogo provavelmente tornou-se óbvia para os passageiros segundos após a explosão. As evidências indicam que o fogo se alastrou para cima, em direção à cabine de passageiros, provavelmente no início da sequência de eventos, devido à abertura no piso da cabine. O pandemônio que se seguiu é quase indescritível, visto que os 159 passageiros e cinco tripulantes se viram presos em meio às chamas intensas e à fumaça sufocante, sem ter para onde fugir.
Pouco depois da chamada de emergência para o controle de tráfego aéreo, o gravador de voz da cabine captou uma comissária de bordo entrando na cabine para informar o Capitão Guadarrama sobre um incêndio a bordo da aeronave. Isso só teria aumentado sua urgência em pousar, pois um incêndio descontrolado é provavelmente a emergência mais assustadora que um piloto pode enfrentar.
Pesquisas que datam do final da década de 1990 mostraram que, a partir do momento em que um incêndio descontrolado é detectado a bordo de uma aeronave, o tempo restante até a falha estrutural, perda de controle ou pouso forçado é, em média, de 17 minutos. Isso não é muito tempo para uma aeronave em sua altitude de cruzeiro chegar a um aeroporto. E se você se encontrar combatendo um dos 50% dos incêndios descontrolados que necessariamente deixam menos de 17 minutos disponíveis, então que Deus o ajude.
O incêndio a bordo do voo 940 da Mexicana superou até mesmo o pior cenário possível. Pouco tempo após o início, as chamas se alastraram para trás, ao longo da parte inferior da fuselagem, impulsionadas pela força de sucção do fluxo de ar que passava pela abertura deixada pela ausência da porta do trem de pouso. O calor tornou-se tão intenso que a própria estrutura da aeronave começou a derreter, lançando filetes de alumínio incandescente em seu rastro.
O relatório final não menciona se a ruptura na linha de alimentação de combustível do motor nº 1 causou o desligamento deste. No entanto, é duvidoso que os pilotos tivessem tido tempo para concluir o procedimento de desligamento do motor, que envolveria o corte do fluxo de combustível. De fato, o relatório final menciona que o vazamento de combustível continuou sob alta pressão devido à operação das bombas auxiliares nos tanques de combustível, sem fornecer qualquer contexto (por exemplo, a importância das bombas auxiliares em comparação com outras bombas neste cenário, se esse era o comportamento esperado do sistema de combustível com uma ruptura neste local, etc.).
Portanto, o fornecimento de combustível pressurizado foi provavelmente uma das principais causas da rápida e contínua intensificação do incêndio. No entanto, o relatório final também destaca que, embora um incêndio alimentado por combustível de aviação atinja uma temperatura máxima de cerca de 1.100 °C (2.000 °F) em condições normais, temperaturas de até 1.650 °C (3.000 °F) podem ser alcançadas quando o fogo é exposto a um fluxo de ar de alta velocidade na parte externa de uma aeronave em movimento.
O fato de o fogo estar se alastrando pela parte externa da aeronave naquele momento foi comprovado por relatos de testemunhas que descreveram um incêndio visível na fuselagem, com pedaços se desprendendo continuamente e caindo como serpentinas brilhantes no chão. Quanto ao que acontecia na cabine de passageiros, só os mortos podem dizer.
Por volta dessa época, o relatório final afirma que um dos pilotos solicitou um desvio para Morelia, que era mais perto do que a Cidade do México, embora as transcrições do controle de tráfego aéreo publicadas pela mídia na época não reflitam esse pedido. O gravador de voz da cabine também captou a tripulação discutindo dificuldades de controle não especificadas, presumivelmente porque o incêndio estava começando a afetar os cabos que conectavam as colunas de controle dos pilotos às superfícies de controle de voo nas asas e na cauda.
Não foi fornecida nenhuma transcrição da caixa-preta, nem o relatório final contém uma cronologia detalhada dos eventos a bordo da aeronave, portanto é difícil saber o que os pilotos fizeram para amenizar a situação durante aqueles minutos críticos — não que alguma dessas ações fizesse muita diferença. Toda a seção inferior traseira da aeronave foi completamente consumida pelas chamas, que rapidamente destruíram sua integridade estrutural, e a cabine de passageiros, na parte traseira central, provavelmente também foi atingida. O relatório final não aborda o assunto, mas é seguro presumir que alguns, talvez até muitos, dos passageiros morreram enquanto o avião ainda estava no ar.
No fim, o XA-MEM resistiu ao fogo por apenas quatro minutos — um dos menores tempos de combustão em voo na história da aviação comercial. Tamanho foi o poder das chamas que o avião praticamente virou cinzas sob os pés dos pilotos.
A impressão contínua de Chloe Howie sobre a seção dianteira do avião caindo após a separação da empenagem
Por volta das 9h08, testemunhas avistaram o avião descendo sobre a Serra Madre, a leste do município de Maravatío. Toda a metade traseira da aeronave estava envolta em chamas, que se alastravam e dilaceravam a estrutura em desintegração, até que finalmente cedeu. Com um estrondo violento, o avião em chamas partiu-se ao meio logo atrás das asas, lançando a seção da cauda em queda livre, levando consigo os três motores, todos os controles de inclinação e cerca de 20 passageiros e tripulantes sentados nas fileiras traseiras. O restante da aeronave despencou, inclinando-se descontroladamente para a frente durante a queda, girando de cabeça para baixo, até que sua queda meteórica foi abruptamente interrompida pela massa imóvel da encosta da montanha abaixo.
No Centro de Controle de Área da Cidade do México, o voo 940 desapareceu do radar. Os controladores tentaram em vão contatá-lo, mas seus esforços foram recebidos com um silêncio de rádio assustador.
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Imagens de noticiário, incluindo imagens aéreas, do local do acidente do voo Mexicana 940 (24 Horas e Reuters)
Minutos após a queda, equipes de busca aérea avistaram os destroços espalhados pelas encostas superiores de um pico de 3.000 metros chamado El Carbón, onde a fumaça subia das árvores e da vegetação rasteira em ambos os lados de um desfiladeiro íngreme e sem trilhas, acima da vila de San Miguel el Alto.
Sem um local adequado para pousar um helicóptero, os socorristas foram obrigados a subir a pé até o local, onde encontraram a fuselagem principal e as asas em chamas na encosta da montanha, com a seção da cauda, quase intacta, caída entre as árvores na encosta oposta do vale, a algumas centenas de metros de distância. Moradores de San Miguel el Alto que viram o avião cair compartilharam a crença de que ninguém poderia ter sobrevivido e, de fato, ao chegarem, os socorristas encontraram apenas desolação. Todas as 167 pessoas a bordo estavam mortas — o pior desastre aéreo da história do México.
A seção da cauda do voo 940 parou praticamente intacta na encosta de uma montanha arborizada. Vinte corpos foram encontrados em seu interior, segundo relatos (Arquivos do Bureau de Acidentes Aéreos)
A investigação do acidente foi conduzida pela Comissão de Investigação e Relatório de Acidentes Aéreos da Direção Geral de Aeronáutica Civil do México, com a participação de representantes do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), da Boeing e da Administração Federal de Aviação (FAA). Essa equipe de investigação coletou destroços de diversos locais ao longo da trajetória de voo, começando em um ponto a 32 km a leste do local do impacto, onde testemunhas confirmaram que uma explosão havia ocorrido a bordo da aeronave.
A causa da explosão não ficou imediatamente clara, e algumas partes se precipitaram em suas tentativas de explicá-la. Dois grupos terroristas do Oriente Médio reivindicaram a autoria do acidente, descrevendo-o como uma vingança pelas ações dos EUA na Líbia, mas não havia provas de seu envolvimento. Entretanto, um grupo de pilotos da Mexicana, assim como representantes da Federação Internacional das Associações de Pilotos de Linha Aérea, declararam à imprensa, dias após o acidente, que acreditavam que o avião havia sido derrubado por uma bomba — e não como um ato terrorista, mas sim numa tentativa de receber o seguro de vida de um passageiro.
Localização aproximada dos destroços do voo 940 perto de San Miguel el Alto (Google)
No entanto, a análise dos componentes encontrados no local da explosão e ao longo da trajetória de voo revelou que eles provinham do compartimento do trem de pouso esquerdo, e não de qualquer compartimento de carga, e a análise química das peças não encontrou vestígios de resíduos explosivos. Consequentemente, embora uma explosão tenha ocorrido, a hipótese de sabotagem foi rapidamente descartada.
O conteúdo do relatório final demonstra que a Comissão coletou e documentou os destroços, informações meteorológicas, informações da tripulação e outros elementos padrão da fase inicial de apuração de fatos em qualquer investigação de acidente aéreo. O gravador de voz da cabine e o gravador de dados de voo também foram recuperados e lidos, embora praticamente nenhuma informação dos gravadores tenha sido incluída no relatório final.
Componentes que se acredita estarem relacionados à fonte da explosão, incluindo os conjuntos de freio recuperados, foram enviados aos fabricantes para testes, como é prática padrão, e em retorno foram recebidos relatórios descrevendo a condição dos componentes e as opiniões dos fabricantes quanto às causas dos danos a esses componentes. No entanto, o relatório final contém poucos indícios de que quaisquer outras ações investigativas tenham sido realizadas além desse ponto.
Normalmente, após a conclusão da fase de apuração dos fatos, segue-se um extenso período de testes e análises. Os investigadores realizam experiências para avaliar os mecanismos causais e os potenciais fatores contribuintes, e consideram as ações de vários intervenientes, incluindo pilotos, mecânicos e outros, à luz das circunstâncias do acidente, dos procedimentos aplicáveis e da cultura vigente. Estes esforços contribuem para esclarecer o que aconteceu e começam a desvendar os fatores sistémicos que criaram o risco do acidente.
A primeira página do El Universal no dia seguinte ao acidente
Neste caso, porém, não parece que nada disso tenha sido feito. A seção de “testes e pesquisas” do relatório final contém apenas os testes realizados pela BF Goodrich e pela Boeing, sem qualquer evidência de experimentos independentes. A seção conclui com uma declaração de que a “análise final de todas as informações” estabeleceu um cenário de acidente essencialmente idêntico ao apresentado pela BF Goodrich, com alguns elementos adicionais acrescentados pela Comissão, possivelmente relacionados a um teste em bancada com alguns pneus do 727, que é brevemente mencionado na seção de conclusões.
A seção de análise, que segue os “testes e pesquisas”, foi ainda mais fraca. Essa seção se assemelha a uma conclusão, simplesmente listando fatos e determinações já feitas, estabelecendo uma cadeia causal extremamente superficial e incompleta, mas sem qualquer análise propriamente dita. A seção também omite qualquer discussão sobre as possíveis causas da explosão e não menciona nenhuma falha nos freios, apesar das evidências apresentadas nas seções anteriores. A falha nos freios não é mencionada novamente até a seção de causa provável, e nenhuma tentativa de estabelecer as razões para tal falha parece ter sido feita. Não fosse a inclusão de uma declaração de causa provável, eu poderia ter confundido este relatório com um relatório preliminar em vez de um relatório final.
Por um lado, este relatório final apresenta as características de uma investigação conduzida por uma equipe que carecia de experiência em investigação de acidentes aéreos e que se baseou quase inteiramente em laudos periciais apresentados pelo fabricante da aeronave e seus fornecedores. Mas, por outro lado, um parágrafo do relatório contém uma admissão interessante que sugere que pode haver mais por trás da história. O parágrafo diz o seguinte, traduzido do espanhol original:
“A Procuradoria-Geral da República interveio na investigação deste acidente por força da lei e prestou ampla e valiosa assistência à Comissão de Investigação da Direção-Geral da Aeronáutica Civil. Os resultados das investigações da Procuradoria-Geral da República constam da análise e das conclusões deste relatório.”
Isso pode significar duas coisas: primeiro, que a Procuradoria-Geral da República prestou algum tipo de assistência não especificada, resultando em informações que foram adicionadas à seção de análise e conclusões; ou segundo, que a totalidade da análise e das conclusões pertence à Procuradoria-Geral da República. Agora, por que a Procuradoria-Geral da República interviria em uma investigação de acidente aéreo?
Na minha opinião, a explicação mais provável é que eles se envolveram para determinar se a explosão foi acidental ou intencional. Portanto, é plausível, embora não seja certo, que, uma vez constatada a acidentalidade da explosão, a Procuradoria-Geral da República simplesmente tenha encerrado a investigação sem maiores questionamentos. Isso certamente explicaria por que a seção de análise é tão superficial, mas está longe de ser a única explicação.
Como mencionei anteriormente neste artigo e em artigos anteriores, apressar o encerramento de uma investigação por meio de um prazo arbitrário limita o alcance das lições de segurança que podem ser aprendidas, prejudicando a indústria aérea e o público viajante. Infelizmente, esse tipo de investigação incompleta não era incomum em décadas passadas e ainda ocorre ocasionalmente em diversas partes do mundo. Embora eu compreenda a necessidade de chegar a conclusões rapidamente para que questões urgentes possam ser resolvidas, é para isso que servem os relatórios preliminares e as recomendações de segurança durante a investigação.
Equipes de resgate examinam os destroços da parte principal da aeronave (El Universal)
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No fim, os investigadores concluíram que um freio travado sobreaqueceu a roda nº 1 e o ar em seu interior, provocando uma explosão que destruiu as linhas de combustível e hidráulicas, causando um incêndio intenso que comprometeu a integridade estrutural da aeronave, levando à sua desintegração em pleno voo. Os eventos descritos neste artigo são essencialmente os mesmos endossados no relatório final da Comissão, com apenas alguns pequenos acréscimos. Infelizmente, as causas sistêmicas do acidente permanecem desconhecidas.
Apesar disso, alguns benefícios surgiram das descobertas. Em resposta à conclusão de que o ar no pneu nº 1 provavelmente permitiu a autoignição de gases inflamáveis, causando uma explosão muito mais potente, em 1º de junho de 1987 a Administração Federal de Aviação (FAA) emitiu uma Diretiva de Aeronavegabilidade aplicável a todas as aeronaves de transporte dos EUA, exigindo que os pneus fossem enchidos apenas com nitrogênio. A Diretiva também estabeleceu regras e limitações relativas ao uso de ar em aeroportos onde não há equipamentos para enchimento com nitrogênio. Essas medidas reduziram consideravelmente o risco de explosões de pneus de aeronaves.
O texto da Diretiva de Aeronavegabilidade da FAA de 1987 (FAA)
No entanto, um risco de segurança não abordado por esta investigação foi a ausência de avisos de sobreaquecimento dos freios e de incêndio no compartimento do trem de pouso na maioria das aeronaves de transporte. O Boeing 727 original não era equipado com sensores de temperatura dos freios e, pelo que sei, ainda não é obrigatório que aeronaves de transporte possuam tais sensores, desde que existam procedimentos para garantir temperaturas adequadas dos freios antes, durante e após a operação. Mesmo assim, muitas aeronaves atuais possuem esses sensores, embora não sejam obrigatórios.
O Conselho de Segurança dos Transportes do Canadá citou a ausência de sensores de temperatura dos freios na aeronave Fairchild/Swearingen Metro III em sua investigação sobre o acidente com o voo 420 da Propair em Montreal, Canadá, em 1998, causado por um freio arrastado que superaqueceu e provocou um incêndio no compartimento do trem de pouso. A agência ressaltou que, naquela data, os sensores de temperatura dos freios não eram obrigatórios para a certificação, mas teriam ajudado a tripulação do voo 420 a evitar que o freio superaquecido fosse recolhido para dentro do compartimento do trem de pouso.
Trecho do relatório do TSB do Canadá sobre o acidente com o voo 420 da Propair em 1998
Pelo que sei, aeronaves de grande porte da categoria transporte atualmente também possuem sensores que disparam um alerta em caso de superaquecimento ou incêndio nos compartimentos do trem de pouso, como resultado de diversos acidentes, incluindo o voo 940 da Mexicana, bem como o voo 2120 da Nationair/Nigeria Airways. Por exemplo, um manual do Boeing 727 datado de depois desses acidentes inclui procedimentos para responder a um alerta de incêndio no compartimento do trem de pouso — algo que o XA-MEM aparentemente não possuía.
O procedimento em caso de tal alerta é manter uma velocidade abaixo da velocidade máxima de extensão do trem de pouso, estender o trem de pouso, deixar as portas do trem de pouso abertas e, em seguida, monitorar a luz de alerta de incêndio no compartimento do trem de pouso para determinar se ela se extingue. Se extinguir, o procedimento é aguardar 20 minutos para garantir tempo suficiente para que os freios esfriem. Caso contrário, o procedimento é “pousar no aeroporto adequado mais próximo”.
Procedimento de incêndio no compartimento do trem de pouso de um modelo posterior do Boeing 727 (Boeing via Avialogs)
Se a tripulação do voo 940 da Mexicana tivesse tido acesso a um sistema de alerta de incêndio no compartimento do trem de pouso, acionado por calor excessivo, como acredito que esses sensores normalmente funcionam, eles poderiam ter evitado a explosão e o incêndio que acabaram destruindo a aeronave.
A regulamentação 14 CFR 25.863 da FAA também exige que os fabricantes minimizem a possibilidade de ignição em qualquer área onde fluidos ou vapores inflamáveis estejam presentes, incluindo combustível de aviação ou fluido hidráulico. Uma minuta atual de circular consultiva, que descreve os métodos aceitáveis mais recentes para o cumprimento dessa disposição (ainda não publicada oficialmente, mas em fase de consulta pública), afirma que o compartimento do trem de pouso é uma dessas áreas e lista diversas maneiras de mitigar o perigo em relação aos requisitos da 14 CFR 25.863.
Esses métodos incluem, entre outros: “instalação de sistemas de fluidos, especialmente combustível, de forma que vazamentos não entrem no compartimento do trem de pouso”; “fusíveis volumétricos nas linhas de freio ou outros recursos de projeto do freio para limitar a quantidade de fluido hidráulico que pode alimentar um incêndio no freio”; “meios, como proteções, para minimizar a probabilidade de vazamentos de líquidos inflamáveis entrarem em contato com uma superfície de freio quente”; “instalação de um detector de superaquecimento/incêndio no compartimento do trem de pouso, combinado com procedimentos para estender o trem de pouso ou resfriar/extinguir o fogo caso seja detectado um superaquecimento/incêndio”; e “instalação de indicador de temperatura dos freios combinada com procedimentos para não recolher o trem de pouso (ou estendê-lo, se recolhido) até que as temperaturas dos freios estejam dentro dos limites”.
Minha impressão não profissional seria que o XA-MEM provavelmente não atendeu aos critérios propostos nesta minuta de circular consultiva, embora o compartimento do trem de pouso do 727 incorporasse alguns recursos de proteção, como a cobertura de fibra de vidro ao redor da linha de combustível do motor nº 1, que, no entanto, não resistiu à força da explosão do pneu.
Em todo caso, o que quero transmitir é que as aeronaves de hoje são muito mais bem protegidas contra incêndios no compartimento do trem de pouso do que o XA-MEM era, e a probabilidade de um acidente semelhante é, na minha opinião, extremamente baixa. No entanto, nos 15 anos imediatamente após a queda do voo 940, vários acidentes semelhantes ocorreram, o que explica em parte por que este artigo dedica tanto tempo a falar sobre as falhas do relatório final. Fazer um trabalho superficial porque você acha que um acidente semelhante nunca mais acontecerá é uma ótima maneira de se arrepender amargamente.
Uma visão mais detalhada da seção da cauda (Arquivos do Bureau de Acidentes Aéreos)
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Para concluir, a falta de informações sobre alguns pontos cruciais da história quase impediu a publicação deste artigo, mas decidi escrevê-lo mesmo assim, pois ainda tinha algo a dizer. Isso não significa que eu não deseje que mais fosse dito sobre o desastre aéreo mais mortal do México, uma tragédia monumental que deveria ter tido um impacto maior.
As 167 almas perdidas no incêndio sobre Michoacán mereciam um relato adequado de seu destino e uma análise das causas sistêmicas do ocorrido — algo que suas famílias jamais receberam. O que elas sofreram foi um inferno indescritível, quatro minutos de terror inimaginável, seguidos por um fim rápido e violento. Eram pessoas com esperanças, sonhos e planos; tinham amigos, filhos, pais, irmãos e cônjuges. Pelo menos vinte delas eram crianças.
Como é possível, enquanto seres humanos, não buscar as causas de tamanha angústia até que todos os detalhes sejam investigados? O encerramento pode ser um mito, mas o conhecimento não é, e sem ele a dor é muito maior.
Por Jorge Tadeu da Silva (Site Desastres Aéreos) - Com Admiral Cloudberg, Wikipedia, ASN, baaa-acro.com, excelsior.com.mx, Kique's Corner, Boeing 727 Datacenter