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| A Austral inaugurou um voo na noite de 16 de janeiro, ligando o Aeroparque, Mar del Plata e Bahía Blanca |
O Curtiss C-46A-50-CU Commando, matrícula LV-GED, da Austral Líneas Aéreas, decolou de Buenos Aires às 19h50, horário local, com cinco tripulantes e 47 passageiros a bordo, para um voo de aproximadamente 250 milhas até Mar del Plata.
A aeronave já estava com 35 minutos de atraso devido às más condições climáticas em seu destino. O voo transcorreu sem intercorrências e, no final da viagem, foi autorizado para pouso pelos controladores na pista 12, quando se aproximava do aeroporto de Mar Del Plata.
Na época, a baliza não direcional (NDB) do aeroporto não funcionava, o que contribuiu para problemas de navegação. Quando a aeronave passou pela pista a uma altitude de 85 metros (279 pés), ela ultrapassou a pista. Perdendo a abordagem, o capitão decidiu iniciar uma nova volta.
No entanto, com pouca visibilidade e pouca iluminação do aeroporto, o C-46 estagnou e caiu no mar a cerca de 1,2 km (0,75 mi) de distância do aeroporto às 21h40, horário local.
Todos os membros da tripulação morreram e o único sobrevivente dos 47 passageiros a bordo do acidente ficou gravemente ferido.
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| Roberto Servente, o único sobrevivente do voo Austral 205 |
"Comecei como náufrago e terminei como diretor de empresa", gaba-se. "Por causa do acidente, conheci um executivo e entrei para a empresa pouco depois. Tornei-me presidente da Ala, uma subsidiária, e durante toda a década de 1970 fiz parte do conselho de administração da Austral."
"A aeronave pousou na pista, mas imediatamente acelerou ao máximo e decolou novamente. Nunca ficou claro o motivo, mas depois de cinco quilômetros caímos no mar. A primeira coisa que senti foi a asa sendo arrancada ao atingir a água. O avião girou e bateu de nariz, e esse impacto violento causou a morte de quase todos. Com exceção de quatro pessoas, que ainda sofreram ferimentos fatais, todos os outros quebraram o pescoço com o impacto."
Em 16 de janeiro de 1959, o avião Douglas que transportava Servente, então com 39 anos, fazia o voo inaugural da rota Buenos Aires-Mar del Plata-Bahía Blanca e tentava pousar na cidade litorânea em meio a uma forte tempestade.
Ainda hoje, Servente atribui sua sobrevivência a uma série de coincidências milagrosas. Ele se lembra de uma cachoeira inundando a cabana e das luzes ainda acesas atrás dele, o que dava à água uma cor verde brilhante, como se fosse uma fonte iluminada.
Guiado pelo instinto, ele tentou escapar da armadilha mortal em que a fuselagem estava se transformando. Em segundos, ele estava fora da máquina, que afundava sem escapatória. Ele só conseguiu ouvir um grito abafado.
Durante quatro horas ele nadou, guiando-se apenas pela direção das ondas. Ao chegar à costa, conseguiu se agarrar a uma rocha e depois refugiar-se em um penhasco. Uma equipe de resgate, formada a pedido de um capelão da polícia que estava acampado na área, finalmente o encontrou.
Ele acredita que a água fria exacerbou uma dor que nunca sentira, apesar das fraturas na tíbia, fíbula, clavícula e costelas. Quando o encontraram, ele quase não tinha pulso e o padre lhe administrou a extrema-unção. Mesmo assim, ele se sentiu feliz. E definitivamente seguro. A cidade havia sido alertada sobre o desastre e, ao chegar ao hospital, encontrou uma legião de médicos à espera de pacientes que jamais chegariam.
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| Parte do avião caiu na costa da estância balnear |
Além disso, o estado mental da tripulação contribuiu para o estol subsequente e perda de controle que causou a queda da aeronave. Os fatores que contribuíram foram o não funcionamento do radiofarol e a pouca visibilidade, que dificultou discernir as luzes do aeroporto e a pista.
Por Jorge Tadeu (Site Desastres Aéreos) com Wikipédia, El Clarín, Infobae e ASN





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