quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Acidentes, recorde e quase fusão: o que marcou o ano na aviação?

(Foto: Alexandre Saconi)
Veja quais foram os principais destaques do ano na aviação:

Janeiro


Baterias de lítio reacendem debate: No início de 2025, um incêndio a bordo de um voo na Coreia do Sul, causado por uma bateria portátil de lítio a bordo, provocou evacuação de 176 passageiros e destruição da aeronave. Isso chamou a atenção global para os riscos desses dispositivos em voos comerciais.

Autoridades aeronáuticas em vários países implementaram restrições mais rigorosas para baterias de potência elevada na cabine, enquanto companhias aéreas intensificaram campanhas de comunicação sobre o transporte seguro de dispositivos eletrônicos.

Azul e Gol tentam combinar negócios: As empresas anunciaram um memorando de entendimento para avaliar combinação de negócios e integração operacional, abrindo discussão sobre possível fusão no mercado brasileiro.

Voos supersônicos mais próximos: O avião demonstrador XB-1 da Boom Supersonic tornou-se a primeira aeronave comercial privada a ultrapassar a barreira do som, alcançando Mach 1,1 (1 Mach equivale a uma vez a velocidade do som) em voo de teste sobre o deserto de Mojave (EUA), um marco no caminho para o desenvolvimento do futuro jato comercial supersônico Overture.

Fevereiro


Crescimento da aviação brasileira: Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mostraram que os aeroportos brasileiros registraram crescimento de 10% no movimento de passageiros nos primeiros meses de 2025 em comparação com 2024, com expectativa de fechar o ano com recorde histórico de 130 milhões de viajantes. O resultado refletiu a recuperação acelerada da demanda doméstica e internacional após a pandemia, impulsionando turismo, emprego e receitas aeroportuárias.

Março


Incidente em Heathrow paralisa operações: Em 20 de março, um incêndio em uma subestação elétrica em Hayes, nos arredores de Londres, provocou a interrupção das operações no aeroporto de Heathrow, um dos maiores do mundo, por cerca de 16 horas. Mais de 1.000 voos foram cancelados, afetando cerca de 200 mil passageiros em todo o mundo nos dias seguintes.

Caso Ingrid Guimarães provoca debate: A atriz Ingrid Guimarães relatou ter sido forçada a trocar de assento durante um voo, episódio que repercutiu nas redes e na mídia e reacendeu discussões sobre políticas comerciais de assentos e atendimento ao passageiro em voos comerciais.

Voepass para de voar: A companhia aérea parou de voar em março após determinação da Anac, que encontrou irregularidades na operação da aérea. Em abril, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, que foi aprovado pelos credores em novembro.

Novo helicóptero da Robinson: A Robinson Helicopter Company apresentou o R88, seu novo helicóptero monomotor de grande porte com capacidade para até oito passageiros. Este é o primeiro modelo totalmente novo em cerca de 15 anos da empresa.

Abril


Pedágio para aeronaves causa polêmica:Uma proposta de cobrança de "pedágio" para aviões que utilizam o Aeroporto de Sorocaba (SP) gerou reação negativa por parte de pilotos, empresas de táxi aéreo e representantes do setor. Críticos alertaram que a medida poderia prejudicar o desenvolvimento da aviação geral na região e reduzir a competitividade de rotas executivas e de pequeno porte.

Maio


Tarifaço e pressões no transporte aéreo: No Brasil, o impacto do chamado "tarifaço", imposto pelo governo de Donald Trump (EUA), gerou preocupação no setor aéreo. Uma das principais afetadas seria a Embraer, que conseguiu escapar devido à sua relevância no mercado dos Estados Unidos.

Azul em crise: A Azul entra com pedido de Chapter 11 nos EUA, similar à recuperação judicial no Brasil. O objetivo é reestruturar dívidas bilionárias, mantendo as operações e buscando novo aporte financeiro. Diversas aeronaves serão devolvidas ao longo dos meses.

Boeing 747 do Qatar para Trump: O governo dos Estados Unidos aceitou um Boeing 747-8 de luxo como presente oferecido pelo Qatar. A aeronave é avaliada em cerca de US$ 400 milhões, que pode ser usado como avião presidencial enquanto o programa de substituição dos VC-25 (usado como Força Aérea Um) prossegue. A oferta gerou questionamentos sobre constitucionalidade, segurança e influência estrangeira na gestão do político, já que o presente não foi dado ao país, mas ao acervo de Trump.

Junho


Paris Airshow é sucesso: Uma das mais tradicionais feiras de aviação do mundo foi um sucesso para as fabricantes, mesmo com participação discreta da Boeing após o recente acidente na Índia. A Airbus acumulou mais de US$ 21 bilhões em pedidos firmes e acordos.

A brasileira Embraer anunciou acordos relevantes, com um pedido significativo da norte-americana SkyWest Airlines para a família E175 e acordos de defesa com a Lituânia para o cargueiro KC-390, impulsionando suas ações no mercado nacional.

Voo 171 da Air India: Em 12 de junho, o voo AI171 da Air India caiu poucos segundos após a decolagem de Ahmedabad (Índia), resultando em 260 mortes, entre passageiros e vítimas no solo, e um único viajante sobreviveu. O acidente foi o primeiro com mortes envolvendo um Boeing 787 Dreamliner desde sua introdução em 2011 e motivou revisões de procedimentos de segurança em operadoras e fabricantes.

Julho


Angara Airlines sofre acidente fatal na Rússia: No final de julho, o voo 2311 da Angara Airlines, um Antonov An-24, caiu na região de Tynda, matando os 48 ocupantes. O episódio ressaltou desafios de segurança nas rotas domésticas em condições meteorológicas adversas.

Agosto


Aviação executiva no Brasil atinge novos patamares: Durante a Labace (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition), tradicional feira do setor de aviação executiva, foi divulgado um dado otimista sobre o crescimento na quantidade de aeronaves no país. Houve uma alta de 18% na quantidade de jatos, 13% na de turboélices e 10% na de helicópteros a turbina, primeiro crescimento de dois dígitos registrado desde a criação da feira há mais de 20 anos.

Setembro


Latam quer jatos Embraer E195-E2: O grupo Latam oficializou um plano para fortalecer a conectividade na América do Sul por meio da aquisição de até 74 jatos Embraer E195-E2, incluindo 24 encomendas firmes e 50 opções de compra. A frota será inicialmente utilizada pela Latam Brasil, com entregas previstas a partir da segunda metade de 2026. Atualmente, apenas a Azul opera o modelo no Brasil.

Azul e Gol desistem de se união: A Azul anunciou o fim das negociações com o grupo Abra, controlador da Gol, para unirem os negócios no Brasil.

Outubro


Governo vai estudar radiação cósmica em aeronautas: O governo federal, por meio da Fundacentro, em conjunto com o SNA (Sindicato Nacional dos Aeronautas), anunciou a criação de um acordo de cooperação técnica para estudar os efeitos da radiação cósmica em comissários e pilotos. A iniciativa visa ampliar o conhecimento sobre a exposição a partículas ionizantes em voos de grande altitude e possíveis implicações à saúde dessas categorias, apoiando políticas de proteção ocupacional e atualização de normas de segurança no Brasil.

Deputado quer armas em voos domésticos: No início de outubro, o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, apresentou um projeto de lei que propõe autorizar o embarque armado em aeronaves civis para passageiros que possuam porte de arma de fogo válido em todo o território nacional. O texto prevê que a arma seja levada desmuniciada e desalimentada pelos tripulantes, com exceção de agentes públicos em missão autorizada pela autoridade aeroportuária.

Novembro


Crise global do Airbus A320: A fabricante europeia Airbus emitiu recall para cerca de 6.000 aeronaves da família A320 devido a falhas em software de controle de voo, gerando impacto em operações globais de companhias aéreas no início da alta temporada e pressão logística em centros de manutenção. Poucos dias depois, os problemas estavam sendo contornados e as operações foram se normalizando aos poucos.

Air Transat virá ao Brasil: A companhia aérea canadense Air Transat recebeu autorização para operar voos regulares ao Brasil, com rotas que contemplam destinos turísticos importantes entre os dois países, fortalecendo a conectividade internacional no setor. A empresa foi eleita como a melhor companhia aérea de lazer do mundo, segmento dedicado às aéreas que têm como foco voar para destinos turísticos mundo afora.

Dezembro


Gripen (finalmente) realiza disparos: A FAB (Força Aérea Brasileira) concluiu importantes testes com o caça F-39E Gripen, incluindo disparo do míssil Meteor e uso de seu canhão integrado, demonstrando avanço operacional e de capacidades de defesa aérea no país.

Flybondi expande frota e inaugura o A220 na região: Em dezembro, a companhia low cost argentina Flybondi rompeu sua estratégia de frota única e encomendou até 35 aeronaves, incluindo 15 Airbus A220-300 com opção para cinco adicionais e 10 Boeing 737 MAX 10 com opções para mais cinco aeronaves. Com isso, a empresa deve ser a primeira a operar o Airbus A220 na América Latina, com entregas previstas entre 2027 e 2029 para o A220 e até 2030 para o 737 MAX 10.

eVTOL ("carro voador") brasileiro decola: A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, completou com sucesso o primeiro voo do protótipo em escala real de seu eVTOL (veículo de decolagem e pouso vertical) não tripulado em Gavião Peixoto (SP). Foi feito um voo pairado, que confirmou a integração de sistemas essenciais e marca o início da fase de testes em voo da aeronave elétrica, com vistas à certificação e entrada em serviço prevista para 2027.

Recorde de passageiros: O ano de 2025 deve bater um recorde de 130 milhões de passageiros transportados, segundo projeção do Ministério de Portos e Aeroportos. Até novembro, foram 117,8 milhões de pessoas viajando de avião. Apenas na quantidade de passageiros internacionais, foram 25,5 milhões de passageiros nos 11 primeiros meses do ano. Entre os países com maior fluxo de viagens, se destacam:
  1. Argentina: 4,3 milhões de passageiros
  2. Estados Unidos: 4,2 milhões de passageiros
  3. Chile: 3,1 milhões de passageiros
  4. Portugal: 2,7 milhões de passageiros
  5. Espanha: 1,3 milhões de passageiros
  6. Panamá: 1,2 milhões de passageiros
  7. França: 1,1 milhões de passageiros
  8. Itália: 930 mil passageiros
  9. Colômbia: 874 mil passageiros
  10. Peru: 820 mil passageiros
Via Alexandre Saconi (Todos a Bordo/UOL)

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