
"Temos o dinheiro, temos tempo e temos o plano", afirmou o astrofísico durante uma apresentação detalhada do projeto no fim de maio em um congresso no Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. "Os EUA estão dando US$ 4,5 bilhões para o projeto. Os europeus não contam quanto estão gastando, mas têm o foguete que vai lançá-lo e contribuem para diversos instrumentos - eu diria que algo na escala de 10% a 15% (do orçamento americano)."
O James Webb - batizado em homenagem ao diretor da Nasa na década de 1960 - terá diâmetro quase três vezes maior que o Hubble e permitirá enxergar galáxias a 13,4 bilhões de anos-luz de distância, quase no limite do Universo.
"No ano passado acabamos de desenvolver todas as invenções e novas tecnologias de que precisávamos, e neste ano terminamos o projeto", diz Gardner. "E já começamos a construir o espelho primário, recortado em metal berílio, porque é a coisa que leva mais tempo."
As outras partes do telescópio, como o escudo que vai protegê-lo da radiação solar e o satélite que vai guiá-lo, devem começar a ser construídas em 2009.
O James Webb tem aspecto bem diferente do Hubble por fora, que por fora é como um grande tubo. O sistema de funcionamento, porém, é o mesmo: um espelho côncavo primário que agrupa os feixes de luz da imagem, ampliando-a, e um espelho secundário que direciona os raios para ajustes finais e para a os instrumentos de detecção e análise.
O que tornará o Webb mais potente, em parte, é seu tamanho maior, só que isso implica engenharia diferenciada. "O foguete Ariane (que lançará o Webb) tem 5 m de largura, e para colocar um espelho de 6,6 m nele, teremos que dobrá-lo."
O novo telescópio, porém, terá outro salto de qualidade em relação ao Hubble: ele será capaz de enxergar muito melhor no infravermelho - a forma em que a luz das galáxias mais distantes do Universo chega à Terra. Para isso, porém, o telescópio terá de funcionar a uma baixíssima temperatura (-225C), que será garantida por seu escudo solar de cinco camadas -basicamente, é o guarda-sol mais refrescante já projetado.
"Infravermelho é calor. Se quisermos usar o telescópio para observar no infravermelho, temos que protegê-lo de seu calor para evitar interferências", explica Gardner. "Se não fizermos isso, será como usar um telescópio durante o dia aqui na Terra."
Já se passaram mais de cinco anos desde a concepção original do James Webb, e agora restam mais cinco anos até seu lançamento. Pode parecer muito tempo, mas agenda dos mais de 2.000 cientistas que trabalham no projeto vai estar cheia até lá. O esforço tem de ser concentrado todo nesse período, por uma razão simples: o Webb não poderá falhar no espaço.
Se o telescópio parar de funcionar a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, tudo se acabará. "Não temos planos de mandar humanos tão longe para consertá-lo", diz Gardner. É totalmente diferente de trabalhar com o Hubble, que está com uma de suas câmaras quebradas: ele será arrumado por astronautas em outubro. Até 2013, diz Gardner, a maior parte do tempo dos cientistas será gasta com exaustivos testes de cada uma das peças do Webb.
Fonte: Folha Online - Imagem: NASA
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